O ENIGMA DA SIRENE
By DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Ariel, Rafaelle, Christian, Carite e Laura são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa leitura!
Capitulo 5: O Papa.
Bufou exasperada enquanto virava mais uma carta, a poucas horas atrás recebera um telefonema que lhe deixara com os nervos a flor da pele.
Queria ir a Asgard estrangular aqueles incompetentes. Onde já se viu? Mú fora até lá apenas para resolver o problema das armaduras, mas já começou tendo de lutar contra gigantes e agora mais essa; ela pensou fechando os olhos com força, tentando manter a calma.
Lembre-se das aulas de taichi e meditação, repetia a si mesma, tentando se convencer. Era obivia que mantras de meditação ano acabariam com sua inquietação, ainda mais ao saber que alguma coisa fizera seu amigo ficar inconsciente.
-Vamos Laura, você sabe ser racional quando quer; ela resmungou para si mesma. –Ele esta bem, se não estivesse Aaron se arriscaria a ligar, não deixaria que Dohko passe por isso sozinha, se bem que... é possível que ele faça algo do tipo;
Ouviu o chiado da cafeteira e isso foi o suficiente para desviar seus pensamentos. Levantou-se da cadeira novamente e aproximou-se da pia.
Sobre as demais laminas jazia aquela que ela havia tombado, representava um senhor de idade, com barba branca e olhos atentos, perscrutadores e sábios.
Aquela era a lamina do Papa, apenas pelo nome se era capaz de identificar as qualidades evocadas pela carta. O símbolo do Papa queria dizer autoridade, respeito e os mais antigos e divinos conhecidos, passados ao longo das gerações.
O Papa não deveria ser apenas uma figura religiosa e espiritual, mas sim, um líder, um guia para os seus, mas também, para aumentar as preocupações da jovem, naquele momento a lamina saíra invertida. Diferente de anos atrás quando a tirara e a mesma estivera na posição certa.
Agora o Papa dizia claramente que todo cuidado era pouco, má fé e equívocos tornavam-se ainda mais perigoso com essa previsão.
-É bom que Dohko de noticias logo; Laura murmurou para si mesma, enquanto levava a xícara de café puro aos lábios.
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.:História Dentro da História – Muito em Comum:.
Os poucos metros que percorreu até chegar ali, já havia sido suficiente para domar seus pensamentos, bem, não exatamente controlá-los, mas bani-los para algum canto escuro em sua mente, que os impedisse de surgir em momentos inoportunos.
Ouviu Rafaelle falar alguma coisa, enquanto empurrava a porta da delicatesem e dava-lhe passagem para seguir primeiro. Muitas cabeças ergueram-se em sua direção e na do jovem de melenas douradas.
Procurou manter-se controlada e não falar nenhuma besteira, sabia que Carite ficaria uma fera se ela saísse arrumando brigas com qualquer um em Londres por pouca coisa.
-Bom dia, meus queridos; uma senhora de certa idade, mas bastante elegante os abordou.
-Bom dia; o casal respondeu.
-Ahn! Vocês são novos aqui, não? –ela indagou em tom especulativo.
-Sim, eu e a senhorita De Siren, gostaríamos de uma mesa; Rafaelle falou, educado, porém bastante taxativo ao cortar as especulações e futuras fofocas da mexeriqueira.
-Claro, venham comigo, por favor... Eu me chamo Rosemertha e estarei aqui para servi-los; a senhora falou com um sorriso cordial, enquanto os guiava para uma mesa próxima a janela.
-É um lugar bastante agradável; Ariel comentou, quando Rafaelle puxou educadamente a cadeira, para que se sentasse. –Obrigada; ela respondeu sorrindo.
-Nós procuramos deixar os clientes à vontade aqui; Rosemerhta falou, polidamente.
-Não tenho duvidas; Rafaelle respondeu com um olhar entrecortado à senhora, que não parecia ter gostado de ser deixada de lado na conversa com o casal.
-Aqui está o cardápio, fiquem a vontade para escolherem e quando o fizerem, basta apenas me chamar; ela falou, entregando a eles um livrinho de capa preta.
-...; o casal assentiu, vendo a senhora afastar-se.
Suspirou pesadamente, acomodando-se melhor na cadeira, de onde estavam podia ver o movimento da rua, as carruagens passando, pessoas conversando. Depois de passar seis anos inteiros numa ilha isolada de Deus e do mundo, era bom ver as pessoas interagindo dessa forma, mesmo que não lhe apetecesse em nada, fazer parte disso; ela pensou.
-Um dobrão por seus pensamentos; Rafaelle falou, chamando-lhe a atenção.
-Uhn? –Ariel murmurou piscando, antes de voltar-se para ele. –Ah! Não é nada de mais; ela balbuciou envergonhada por ter se desligado do mundo e ficado em silêncio.
-Você parecia à milhas de distancia daqui; ele comentou. –Estava na Grécia, ou é impressão a minha?
-Não exatamente, estava me lembrando de algumas coisas do passado, embora tenha nascido em Atenas, os últimos seis anos eu vivi em Hélicos, a ilha é muito agradável, mas isolada do mundo praticamente; Ariel explicou, baixando os olhos para o cardápio.
-Eu também vivo numa ilha; Rafaelle comentou. –Mas ela não é assim tão isolada, alias, fica bem perto da costa de Edimburgo e da capital se pode vê-la;
-Já ouvi falar que a costa escocesa esta cheia de ilhas, algumas não são habitadas, não é?
-Infelizmente os recursos para se construir nas ilhas ainda é bastante precário, a minha... Quero dizer, aonde vivo só conseguiu sobreviver ao período da Idade Média, graças a proximidade com a capital;
-Interessante; ela murmurou.
-Você precisava conhecer La Rochelle, lá existe uma vila, simples em vista das capitais, mas as pessoas são bastante receptivas e existe um companheirismo sem igual ali. Na primavera os campos ficam verdes e floridos, enquanto no inverno, a neve que cai pelas casas parece chantily; ele comentou.
-Deve ser incrível; Ariel comentou pensativa.
-O castelo de La Rochelle fica no alto de uma montanha, de costas para o mar, então no verão, quando o sol se põem, as paredes ficam tão douradas quanto ouro, enquanto as areias ficam brancas e as gaivotas sobrevoam a água como se fossem finos fios pretos no horizonte; o jovem falou dando um baixo suspiro.
-Você deve gostar muito de lá, não é? –ela falou sorrindo.
-É a minha casa; Rafaelle respondeu, retribuindo o sorriso.
-Eu gostava de Hélicos, mas minha casa era em Atenas, gostava da arquitetura dos templos gregos, que sobreviveram a uma infinidade de adversidades e ainda estão lá. Quando éramos pequenos, eu e meus primos escapávamos de casa e íamos até o Teatro da Acrópole, passávamos o dia brincando de atores; a jovem falou, sentindo as lembranças insistirem em voltarem novamente.
-O que você mais gostava de interpretar? –ele indagou curioso, enquanto acenava para a senhora pedindo que apenas trouxesse cafés e biscoitos, por enquanto.
-A lenda de Ártemis, mas nós sempre fazíamos a Guerra de Tróia, Endora e eu éramos Heitor e Aquiles, enquanto obrigávamos Merik a ser a Helena; ela falou rindo, ao lembrar-se de que não era nada fácil fazer o amigo colocar uma peruca de cachos loiros e ficar sentado, enquanto as duas se digladiavam e aproveitavam o melhor da brincadeira.
-Em casa eu era filha único, então as responsabilidades começaram cedo, mas eu gostava de visitar minha avó na Itália, ela sempre tinha alguma coisa nova para contar; Rafaelle comentou, apoiando os braços na mesa e observando-a calmamente.
-Qual a data que você mais gostava? –ela indagou curiosa.
-O inicio da primavera, em La Rochelle, os aldeões e as senhoras se reúnem e fazem um grande festival, tem muita dança, comidas típicas e algumas brincadeiras. Quando a noite chega, eles acendiam uma grande fogueira no campo e ficavam contando histórias do passado, dos nossos ancestrais; ele falou com ar nostálgico. –E você?
-Natal; Ariel respondeu prontamente. –Todo o ano no natal, as musas se reuniam e iam cantar em casa. A mansão tinha um salão enorme, então elas ficavam em um canto, tocando e cantando, enquanto o resto ficava livre para os casais dançarem, as roupas eram brancas e caneladas, tipicamente gregas, todos falavam muito e muito alto, então nunca faltava animação; a jovem falou empolgada. –Papai ia até Viena buscar um pinheiro, para ser enfeitado com laços e fitas. Já que em Atenas as árvores eram diferentes;
-Como assim musas? –Rafaelle indagou curioso.
-As musas; Ariel falou sorrindo. –Mas nove musas gregas, elas cantam normalmente no conservatório, mas fazem algumas apresentações em datas especiais;
-Você não esta se referindo as musas da mitologia, está? –Rafaelle perguntou um pouco confuso.
-Ahn! Bem...; a jovem balbuciou, só agora se recordando de com quem ela estava falando. –São nove mulheres que trabalham em Atenas e nós as chamamos de musas, porque cada uma tem uma habilidade diferente e que coincidentemente se parecem com a das musas da mitologia; ela apressou-se em explicar.
-Deve ser interessante, já li sobre muitas lendas gregas, mas particularmente acho muito bonita e igualmente triste a lenda de Orfeu e Eurídice; Rafaelle comentou.
-É muito triste, e pensar que ele correu tantos riscos para descer aos infernos e pedir a Hades, que permitisse que Eurídice voltasse a Terra, para no fim, no último instante ela olhar para trás, mas sabe... O que acho bonito nessa lenda é que...;
-O amor supera tudo; ele falou como se houvesse lido seus pensamentos.
-É; Ariel falou sorrindo. –Muitos reis e guerreiros poderosos do mundo todo, muitas vezes acham que tal sentimento é para fracos ou covardes, mas é necessário ser muito forte para ir até o fim; ela completou a última parte num sussurro.
Era como a história que Ekil lhe contara um dia, dos deuses que mudaram o destino em favor de um casal jovem e apaixonado, que fora vitima das mais irônicas circunstancias, mas que haviam feito por merecer a proteção dos deuses. Eles eram almas gêmeas e ao longo dos séculos se encontravam buscando pelo momento em que finalmente poderiam ficar eternamente juntos.
-Eu acho que o amor sem duvidas é a força motriz que nos leva a evolução e acima de tudo, tem a capacidade de nos tornar, pessoas melhores; o jovem comentou.
-Eu gostava do natal, porque até mesmo aqueles que não se davam lá muito bem durante o ano, deixavam as diferenças de lado, para simplesmente estar junto; Ariel falou pensativa, com um olhar perdido para a rua. –Como diria tia Tétis, é a capacidade do ser humano de cometer seus pequenos milagres;
Um silêncio reconfortante caiu sobre o casal, não eram necessárias palavras para que eles se fizessem compreender. Era fácil simplesmente sentarem juntos ali, tomando café e verem o tempo passar. Não havia regras, nem nada mais, que os fizesse agir de maneira diferente. Mas o destino às vezes tem formas estranhas de aproximar as pessoas, criar caminhos e tecer seus laços.
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.I.
Não levou nem ao menos cinco minutos para compreender que alguns assuntos com Laura eram verdadeiros tabus. Era estranho como ela parecia saber tanto sobre si e ele, estava vendado diante dela.
-Sei o que esta pensando, mas ano quero evoluir meu cosmo apenas por desejar ter mais poder; a jovem falou em tom serio.
-Se é capaz de ler meus pensamentos com tanta precisão assim, não precisa aprender telecinese; o ariano falou em tom de provocação.
-Não li seus pensamentos, essa informação esta piscando em cima da sua cabeça numa placa fosforescente; ela replicou com igual ironia.
Serrou os orbes aborrecido, não estava gostando nada nada do rumo daquela conversa, tudo bem, admitia que ficara muito impressionado com o conteúdo daquele livro, mas não podia deixa-se levar apenas por isso.
-Em tempos normais estaríamos tentando cruzar uma barreira impossível Mú, eu sei como essas coisas funcionam; Laura falou dando um pesado suspiro. –Já vi os dois lados das linhas inimigas diversas vezes;
-E mesmo assim insiste em cruzá-la novamente? –ele indagou serio.
-Não tenho escolha; a jovem respondeu.
-Sempre se há uma escolha Laura, se você não a encontrou, talvez não seja a hora ou você não é forte o suficiente para suportá-la; o cavaleiro completou.
-Esta vendo? –ela exasperou, surpreendendo-o com seu rompante. –Até mesmo você admite, não estou preparada, por isso preciso de sua ajuda;
-Não sou um cavaleiro experiente Laura, você precisa de alguém que saiba trabalhar as habilidades que você já tem. Alem do mais eu não faço a mínima idéia de como ensinar telecinese a você... Eu mesmo mal sei como aprendi, alias, sinto como se já houvesse nascido sabendo. Não tenho didática para assumir isso; Mú falou.
-Não quero cartilhas Mú, quero treinar com você, quero a sua supervisão; ela falou veemente. –Sei os riscos que corro e você, esta com medo de se arriscar. Mas confie em mim, você não tem nada a perder ao fazer o que lhe peço;
-Você esta pedindo algo alem do que estou disposto a dar; o cavaleiro falou serio.
-Pelo menos me de a chance de provar que aquilo pelo que estou lutando não é uma causa perdida; a jovem falou, unindo fortemente as mãos sobre o colo. –Pessoas demais dependem disso;
-Não existem outros? –Mú indagou, inquieto.
-...; negou com um aceno, enquanto deixava os orbes recaírem instintivamente sobre o livro. –Ninguém mais, só eu...;
Ponderou por alguns minutos, tudo que ela dissera tinha lógica, era estranho saber sobre tantas guerras que aconteceram ao longo dos anos, que definiram muito o rumo do mundo. Mas o que Laura lhe falara era muito serio, envolvia o que ela chamava de destino e tantos outros fatores, que no momento alguns eram confusos de mais para si.
-Posso lhe ensinar; ela falou chamando-lhe a atenção.
-Como?
-Façamos uma troca, enquanto você me ensina telecinese eu lhe mostro como é minha vida; a jovem falou. –Você aprende rápido e conseguira acompanhar o ritmo de informações que tenho a lhe passar;
-Mas...;
-Mesmo com todos os treinamentos que fiz, sei que não sou forte o suficiente para proteger esse legado por muito mais tempo, por isso preciso de sua ajuda; Laura falou em tom serio.
-Não entendo, porque eu? –ele perguntou confuso. –A tantos cavaleiros no santuário, convenhamos, isso não tem lógica;
-Você se subestima demais, Mú; a jovem falou de maneira enigmática.
-Uhn?
-Não vou lhe prender aqui contra sua vontade e tão pouco vou implorar que me ajude se não esta disposto; ela falou empinando o queixo de maneira atrevida. –Você tem uma escolha a fazer, voltar a Jamiel e continuar a viver, afogando-se em magoas e naquilo que poderia ter sido, ou me dar dois anos de sua vida e permitir que eu lhe mostre que o mundo pode ser bem menos selvagem do que você imagina; ela falou com um brilho intenso nos orbes.
-Bem...;
Era tentador, mas precisava pensar, não podia tomar uma decisão daquela magnitude do nada.
-Olhe; Laura falou entregando-lhe três cartas, das quais uma ele reconheceu imediatamente.
-O Mago!
-Sabe o que significa?
-...; ele negou com um aceno.
-Essa lamina representa as escolhas que devem ser feitas; Laura falou fitando-o seriamente.
-E essa? –ele indagou apontando a segunda.
-A Papisa... Significa que uma mulher vai entrar em sua vida; ela respondeu com um sorriso nada inocente nos lábios. –E essa é um presente meu pra você, apenas o primeiro de muitos;
-A Imperatriz; ele sussurrou ao ver o nome no pé da carta.
-Não, uma nova vida; Laura falou fitando-o diretamente. –Que vai começar quando você fizer sua escolha; ela sentenciou.
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.:História Dentro da História – A Deusa Enfurecida:.
Bufou enquanto Jorge lhe ajudava a vestir o casaco, aquela garota ainda iria lhe deixar maluco; ele pensou aborrecido, não eram nem mesmo nove horas da manhã e ele já estava em pé, tudo bem que estava acostumado a acordar mais cedo ainda. Entretanto, era o motivo que lhe deixava com o sangue fervendo.
-Senhor, tem certeza que quer sair para cavalgar tão cedo? –o pajem indagou, curioso pela forma como o patrão vinha agindo na última semana.
Conhecia Christian desde que ele era apenas um garotinho, trabalhava para a família Dampier à anos e poderia jurar que aquele aborrecimento todo dele, tinha a ver com um par de saias, mas de quem? –ele se indagou.
-Sim Jorge e antes que eu me esqueça, prepare aquele conjunto verde para hoje à noite, pretendo ir ao sarau na casa de Lady Green Ville e pretendo usá-lo; o duque falou, dando uma rápida olhada no espelho, conferindo se as vestes de montaria estavam de acordo para sair.
-Como quiser meu lorde, devo mandar flores à dama, em honra ao convite? –Jorge indagou casualmente.
-Não, não... Caroline tem alergia a flores; Christian respondeu torcendo o nariz. Onde já se viu isso? –ele pensou rolando os olhos. –Estarei de volta as onze;
-...; o pajem assentiu.
Agradecendo pela ajuda, Christian despediu-se e deixou a casa pelos fundos, onde poderia encontrar o cocheiro e pegar o cavalo que havia pedido que Jorge mandasse selar. Quando a temporada terminasse iria para Gales passar um tempo na antiga casa dos pais e quem sabe, aproveitaria esse tempo para cuidar dos cavalos.
As propriedades da família cresciam cada dia mais com seus investimentos e Gales agora se tornava um dos melhores lugares para a criação de haras, pelo que andara ouvindo um de seus vizinhos adquirira alguns garanhões árabes para criar uma nova raça com os galeões.
Cumprimentou o cocheiro e sem precisar de ajuda montou e disparou para o Hyde Park onde encontraria com Rochester. Certamente o amigo saberia lhe ajudar a resolver o problema que vinha lhe atormentado desde o dia anterior.
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Olhou para todos os lados, para ver se não havia ninguém por perto, dessa vez decidira que iria evitar as pessoas e procurar um lugar ainda mais calmo para tocar, sem chamar a atenção.
Tanto que nem havia trazido o estojo da flauta e a mantinha enrolada em um fino lenço nas mãos, enquanto caminhava pela grama do parque. O dia anterior fora bastante agradável, Rafaelle era uma boa companhia e tal qual ela mesma, era insaciável quando o assunto eram conhecimentos gerais.
Ele sempre queria saber mais um pouco sobre tudo, haviam discutido história antiga, mitologia e uma infinidade de coisas que para qualquer outra pessoa seria banal ou perda de tempo.
O jovem lhe convidara para ir a um sarau aquela noite, mas não lhe dera certeza, queria sossego em Londres, não chamar a atenção, alem do mais, precisava ir a biblioteca britânica, seus interesses em Londres eram bem maiores do que ir a saraus ou bailes da rainha, precisava encontrar uma coisa que procurava desde Atenas e se encontrasse, logo deixaria a cidade.
Mais alguns passos e viu-se sair numa pista de caminhadas, olhou novamente para ver se não vinha ninguém e resolveu atravessar quando concluiu que não. Entretanto o lenço da flauta ficou preso em um galho de árvore.
-Droga; Ariel resmungou, puxando-o com força, mas isso só fez o instrumento cair no chão e o lenço rasgar. –Era só o que faltava; ela falou, deixando o lenço de lado para pegar a flauta, mas surpreendeu-se ao ver no chão de terra, algumas pedrinhas pularem do solo.
Franziu o cenho e concentrou-se para ouvir o barulho, mas quando o fez notou que era o equivalente a cavalos correndo, pegou a flauta e levantou-se, mas já era tarde, dois garanhões negros vinham em sua direção. Sentiu o corpo congelar e simplesmente não conseguiu se mover.
Ouviu o barulho dos animais relinchando, quando os dois cavaleiros puxaram as rédeas com força e jogaram os animais para os canteiros.
-Ficou louca; um deles berrou.
Piscou confusa, apoiando-se numa árvore, ainda sentindo a mente dar voltas, fora apenas um segundo, mas tudo ficara branco em sua mente que não soube o que fazer. Normalmente seus reflexos eram incrivelmente rápidos, mas...; ela ponderou, sentindo o sangue começar a ferver.
-Isso é amador, até mesmo para você; ela pensou inflamando seu cosmo.
-Essa história ainda não chegou ao fim, criança! –uma voz respondeu.
Nuvens negras cobriram o Hyde Park e quando Christian puxou as rédeas do animal e saiu do canteiro batendo as mãos nas roupas, foi que notou os orbes violeta da jovem tornarem-se rosados. Sentia seu cosmo elevando-se e as nuvens tornarem-se ainda mais escuras.
Não era possível que ela estivesse fazendo aquilo, era? –ele pensou, se bem que, naquela noite em que estivera com ela, enquanto Ariel chorava, caíra um temporal sobre Londres, que misteriosamente se acalmara depois que ela havia dormido. Coincidência? Talvez não?
-Não tenho medo de você, quer vir, pois venha; a marina falou apagando seu cosmo, fazendo com que as nuvens se dissipassem rapidamente.
-Deus, o que foi isso? –Rochester resmungou, tentando levantar-se, mas suas roupas haviam ficado presas em uma touceira nos canteiros e ele não conseguia sair. Seu cavalo mascava as plantinhas distraidamente, ignorando completamente o desespero do dono.
-Ariel; Christian falou aproximando-se dela e hesitante, tocou-lhe o braço.
A jovem virou-se bruscamente em sua direção, com os orbes cintilando de maneira perigosa. Recuou por puro instinto, mesmo que tentasse negar que aquilo lhe assustara.
-Ariel; ele repetiu, esperando-a reconhecê-lo.
-Christian; ela murmurou piscando e abrandando o olhar.
-Você está bem? Por pouco não lhe atropelamos; o duque falou preocupado.
-Eu só...; Ariel balbuciou e ainda atordoada com o que acontecera, indicou o lenço que estava preso nas touceiras, mas assustou-se ao vê-lo no chão, sem o rasgo que tinha certeza que havia feito nele, ao tentar desenroscá-lo.
-Alguém pode me ajudar? –Rochester indagou, ouvindo o relinchar relaxado de seu animal, que ainda o ignorava.
-Só um minuto; Christian falou, segurou a jovem delicadamente pelo braço e afastou-a da pista de caminhada. –Espere aqui; ele pediu antes de ir ajudar o amigo a sair do enrosco em que se encontrava.
-Aff! Que idéia foi essa? –Rochester resmungou, enquanto Christian o ajudava a ficar em pé.
-Foi apenas um acidente, nada mais; o jovem respondeu, tentando desviar o assunto. Rochester era um homem comum, não era capaz de sentir as variações de cosmo no ambiente, por isso não havia notado o que ele acabara de presenciar.
Havia alguma coisa nisso tudo que não sabia. Ariel era filha de Sorento, até ai compreendia todos os fatores que implicavam nesse fato, principalmente o que ela já havia lhe contado sobre a morte dos pais. Entretanto, agora ficara claro que havia um motivo para nunca ter sabido da existência dela.
Era a única forma que Ekil e os demais encontraram de protegê-la de Afrodite, mas agora a Deusa sabia onde ela estava e já começara a agir. Jamais entenderia o nível de leviandade de Afrodite para lançar maldições e desgraças sob a vida das pessoas e achar que um dia não seria punida.
Respirou fundo, enquanto afastava-se do amigo e ia até a jovem, que segurava fortemente o lenço entre as mãos, embora seu olhar fosse vago.
-Ariel; ele chamou num sussurro.
-Ela não vai vencer de novo... Não dessa vez; ela sussurrou mais para si mesma do que para ele.
-Como? –o cavaleiro indagou confuso.
-Christian, como se mata um Deus? –Ariel perguntou voltando-se para ele de repente, fazendo-o se sobressaltar.
-Onde quer chegar com isso? –ele perguntou chocado.
-Eu preciso saber, como se faz isso? –ela indagou impaciente.
-Não sei, eu... Aqui não é o lugar pra se falar sobre isso; Christian falou lançando um olhar de soslaio a Rochester que acompanhava a discussão, confuso.
-Então vou perguntar a tia Carite, ela deve saber; a jovem falou dando-lhe as costas e ameaçando se afastar quando a mão dele fechou-se em seu braço, impedindo-a de ir.
-Vou acompanhá-la até em casa;
-Mas...;
-Nada de mais; Christian completou em tom serio, sabia que se a deixasse sozinha agora ela seria capaz de fazer uma besteira. –Rochester, pode levar Apolo pra casa para mim, diga a Jorge que vou me atrasar, por favor; ele completou.
-Como quiser, Vossa Graça; Rochester falou um pouco aborrecido por não saber o que Christian pretendia, mas puxou os dois cavalos, para fora do parque consigo.
-Christian não precisa, eu-...;
-Xiiiiiii; o duque sussurrou, tocando-lhe os lábios com a ponta dos dedos, vendo a face da jovem corar graciosamente. –Você esta nervosa, alem do mais, quero lhe acompanhar; ele completou veemente.
-Tudo bem; ela murmurou dando-se por vencida.
-Vamos; ele falou estendendo-lhe o braço.
Continua...
