LEMBRANÇAS DE LUZ
Capítulo Doze – Obrigada Pela Dança
Uchiha Sasuke invocou uma de suas cobras albinas e mandou-a proteger os pertences de seu Clã enquanto se afastava do local onde Hinata lutaria. Ela não ia precisar dele ali e ficar simplesmente a faria acreditar que ele não confiava nela. E ele confiava. Estava com medo de que alguma coisa acontecesse, Masaru Ren poderia ter truques sujos na manga, disso ele não tinha dúvidas dado o sonífero que implantara por sua pele no caminho até ali, mas deixaria a Hyuuga cuidar dele, lidaria com o restante daquele exército problemático, mas não exatamente perigoso como aquele da última Guerra Ninja que enfrentaram, e então voltaria para ficar de olho na morena.
Deu às costas ao local onde deixara os guardas caídos e foi de encontro ao conjunto de Hyuuga que se reuniam depois de quase terminada a batalha naquele flanco. Hiashi, como líder, estava designando tarefas. Alguns deles, provavelmente os subordinados da Família Secundária, juntavam como prisioneiros todos os guerreiros que não eram ninjas, aqueles que seriam enviados para o Daimyo – e Sasuke até chegava a ter pena daqueles pobres bastardos nas mãos daquele senhor feudal idiota –, responsável por decidir seus destinos e o que fazer com o feudo de Masaru Ren.
Querendo ou não o feudo Masaru era antigo e tinha boas relações com vários feudos do extremo norte do País do Fogo, assim como com feudos de países vizinhos. Descartá-lo simplesmente tirando pessoas de suas casas, de seus empregos e de suas vidas, não era uma opção. Se bem que o que verdadeiramente importaria ao Daimyo seria perder as boas influências mantidas pelas sucessivas lideranças dos Masaru e o lucro arrecadado pelo feudo.
Sasuke se aproximou de Hyuuga Hiashi. Só tinha que informar-lhe de onde estava sua primogênita e para onde o próprio Sasuke estava indo, antes de partir. Não sendo um Hyuuga e não estando sob ordens de ninguém além da Hokage, não tinha porque acatar ordens de outrem. Esperou pacientemente enquanto ele conversava com alguns ninjas e com Neji, ladeado de Hanabi. A garota, quando avistou o Uchiha por perto, de olhos fechados e braços cruzados, puxou a manga do casaco do pai:
- Otou-san, acho que o Uchiha quer falar com o senhor.
O patriarca dos Hyuuga virou-se para o moreno que abriu os olhos ao ouvir o chamado da caçula. Afastando-se alguns passos de seus ninjas, Hiashi aproximou-se do remanescente do Clã Uchiha com o semblante pesado. Neji ficou atrás dele, mas já não parecia tão agressivo, apenas revoltado e desgostoso, como um gato com um espinho na pata. Sasuke controlou-se para não dar-lhe um sorriso de escárnio; provavelmente Hinata não gostaria que ele esfregasse na cara do primo dela que ganhara e Neji perdera. Por mais que fosse isso que quisesse fazer.
- Sim?
- Hinata está lutando com Ren, ela pediu para não ser interrompida – Sasuke recitou mecanicamente – Vou até o flanco norte ajudar Naruto agora que as coisas aqui estão sob controle.
Fez uma vênia praticamente imperceptível com a cabeça e começou a virar-se em direção a Vila quando Hiashi o chamou de forma nada polida apenas por seu sobrenome:
- Uchiha, espere um momento – o moreno parou no meio do movimento de virar seu corpo. Não se voltou para o patriarca, o que irritou o mais velho, pelo que notou o Uchiha com o bufo que ele soltou – Quanto aos acontecimentos do feudo de Masaru Ren, eu agradeço por você ter... Cuidado de Hinata, se posso dizer assim, mas quero que perceba que você não deverá mais ter contato com ela. Sei que você deixou seu passado para trás e está sob a proteção da Hokage e de Uzumaki Naruto, o herói da Vila, mas você tem o Sharingan amaldiçoado em seus olhos – Hiashi fez uma pausa, as veias finas em volta dos seus olhos apareceram e sumiram rapidamente, como um lembrete a Sasuke – O Byakugan deve permanecer no Clã Hyuuga, estou sendo claro?
Uchiha Sasuke quis gargalhar, coisa que era algo extremamente estranho para Sasuke sentir, mas ele quis seriamente gargalhar na cara de Hyuuga Hiashi naquele momento.
Quem aquele homem pensava que ele era?
Quem aquele homem pensava que a própria filha era?
Sentiu-se indignado por si mesmo e por Hinata.
Virou-se para ele, porém com o rosto impassível, como se o Hyuuga apenas tivesse dito-lhe adeus.
- Deixe-me ser claro também, Hyuuga-sama – desdenhou Sasuke – Hinata é obviamente mais forte do que você jamais sonhou que ela seria, ela toma suas próprias decisões sem precisar do seu consentimento, ela obviamente se tornou forte para poder proteger o Clã Hyuuga e ser uma boa líder e você ainda acha que pode controlá-la? - as mãos de Sasuke tremiam de raiva e ele achou melhor sair dali antes que assassinasse o líder Hyuuga – Hinata agora é minha, saiba disso.
"E eu sou dela", mas essa parte Sasuke isolou em sua mente.
Uma antiga memória passou por trás dos olhos escuros: "Nós não seremos mais Uchiha ou Jinchuuriki...".
- Clã Hyuuga, Clã Uchiha... Sharingan, Byakugan... Naruto me ensinou que existem laços que vão além dessas limitações. E o laço que eu e Hinata criamos eu não estou disposto a romper!
Uchiha Sasuke apressou o passo e deu um salto para pular os portões fechados da Vila Oculta da Folha em direção a seu melhor amigo antes que mais asneiras saltassem daquela boca odiosa – céus, conseguia sentir quase tanta raiva do patriarca Hyuuga quando sentia de Masaru Ren.
Deixou para trás vários Hyuuga estáticos, uma pequena Hyuuga sorridente e um velho Hyuuga satisfeito.
De todos os pensamentos de tivera sobre Masaru Ren durante aquela missão nunca lhe passou pela cabeça a palavra "covarde", que era o que ele estava se mostrando ser ao fugir-lhe correndo. Afinal, não se podia ser um covarde e ambicionar controlar a Vila Oculta da Folha, como mostrava ser esse o seu objetivo.
Correu-lhe atrás apenas para ouvir uma de suas frases de duplo sentido quando ambos pararam a uma distância considerável da Vila da Folha:
- Eu sabia que você ainda correria atrás de mim, Hinata-chan.
Ao longo do caminho, com seu Byakugan ativado, Hinata pôde notar inúmeros movimentos suspeitos feitos pelo lorde feudal. Então aquilo queria dizer que Ren tinha, sim, chakra. E uma considerável gama de armadilhas na manga que ele colecionara de outros ninjas e Vilas. Sasuke lhe contara sobre a coleção de Ren, técnicas antigas de Clãs, muitas coisas roubadas, muitas coisas compradas ilicitamente, muitas coisas usurpadas.
Não notara nenhum tipo de massividade em ensino de técnicas ninjas no feudo de Ren, o que queria dizer que aquelas habilidades deviam ser restritas ao líder, provavelmente ensinadas de forma hereditária. Pelo que pôde perceber naquela análise apressada das habilidades inimigas, Masaru era um guerreiro de distância com mais técnicas de captura do que de ataque e defesa. As técnicas Hyuuga, pelo contrário, eram basicamente ataques corpo-a-corpo, não tinha como se manter longe dele por mais muito tempo e simplesmente esperá-lo se render, isso não aconteceria. Além do mais, não era rendição o que Hinata procurava ali.
- Você pode fugir o quanto quiser, o final será o mesmo.
- Palavras tão duras para alguém tão suave.
A Hyuuga sabia exatamente quais eram as intenções de Ren ao continuar soltando aquelas sentenças durante a batalha, mas já estava farta. Teria que atacá-lo logo para poder causar algum dano e para desativar possíveis armadilhas. Masaru conhecia seu Clã, havia uma grande história de transações comerciais e boas relações de amizade com o Clã Hyuuga no passado, antes das desavenças com seu pai por causa daquele pedido indecente e incabível, portanto ele provavelmente deveria conhecer o fundamento de seus golpes – se é que ele não possuía pergaminhos de técnicas referentes ao Byakugan naquela coleção: ataques de curta distância atingindo os tenketsus dos inimigos para paralisar o fluxo de chakra.
A morena avançou atiçando seus leques cheios de chakra para frente. Ren se esquivou com agilidade enquanto Hinata voltava rapidamente os braços para trás para atingi-lo. Ren parou seu braço com um contragolpe e a kunoichi lançou o leque para cima com impulso antes de torcer seu braço sob o de Ren e desferir três golpes em seu estômago. A técnica de punhos leves de seu Clã não era o suficiente para causar excesso de dor física em um inimigo apenas com três golpes, mas era o suficiente para que um usuário experiente do Byakugan pudesse fechar pontos importantes de circulação de chakra. Com um pulo Hinata se afastou e capturou o leque no ar antes de pousar a três metros de Ren. Imediatamente o leque voltou a ficar coberto de chakra azul.
- Você se julga uma kunoichi apenas com isso? - ele desdenhou.
Não houve resposta por parte de Hyuuga, ela não precisava cair no jogo psicológico que ele estava arquitetando. Ao invés disso se concentrou em perceber algumas linhas ligadas a armadilhas ao redor – seus golpes serviram, também, para infectar o inimigo e preencher as linhas que estavam ligadas a Ren com seu chakra e deixa-las visíveis a seu Byakugan. Seis eram inofensivas, apenas algumas tarjas explosivas, algumas outras com armadilhas que ela não conseguiu identificar, mas havia uma linha em particular que a estava preocupando. Aquela linha em particular não estava ligada a uma armadilha comum já relatada em arquivos ninjas, definitivamente não era do País do Fogo, o que automaticamente a classificava como uma armadilha estrangeira desconhecida, ainda mais perigosa.
Moldou seu chakra com cuidado para formar agulhas e lançou-as com o leque rompendo as linhas que seguravam as tarjas. Elas queimaram antes de atingir o chão. Colocou-se em alertar quanto às outras linhas.
- Tarjas explosivas? - rebateu a morena querendo rebater o insulto anterior. Detestava aquelas lutas de palavras, nunca fora boa com palavras de qualquer tipo, quando mais jovem gaguejava e enrolava-se toda. Agora, mais experiente, ainda não gostava daquela troca de desaforos, mas Ren parecia ter opinião contrária a sua, o que automaticamente fazia-lhe mais vulnerável a ataques dessa estirpe verbal - Seu nível ninja é tão alto quanto o de um aluno da Academia.
- Que língua ferina, Hinata-chan.
Dessa vez foi Ren quem deu o primeiro passo. Taijutsu não era, definitivamente, o forte daquele lorde feudal, então a batalha corpo-a-corpo dele só podia carregar segundas intenções. Hinata percebeu logo que o que aquele homem gostava de fazer era brincar com joguinhos e armadilhas, algo etéreo e escondido na bruma, como as gueixas de seu feudo. Deixou as considerações de lado e resolveu investigar as habilidades inimigas do jeito mais instintivo que conhecia: contra-atacando.
- Gamakichi! – gritou Naruto quando viu o sapo travando uma dura batalha com um touro, sendo empurrado para trás enquanto segurava o animal pelos chifres. Gamakichi tinha crescido muito, atingindo quase o tamanho de Gamabunta, mas Naruto não tinha certeza se ele conseguiria vencer o touro sozinho.
- Jutsu de Invocação! – ouviu uma voz conhecia gritar quando já se preparava para invocar Gamatatsu e uma cobra negra com um padrão de triângulos amarelos no dorso, gigantesca – a sucessora de Manda depois de Sasuke tê-la matado na luta contra Deidara – surgiu enrolando o touro.
- Há quanto tempo, Gamakichi? – sibilou a cobra apertando o touro. O sapo estreitou os olhos.
- Shizuhei! – exclamou o sapo vermelho e empurrou o touro com mais força. O animal se debatia de todas as maneiras tentando se livrar do aperto de Shizuhei – Sério, de todas as invocações, porque justo essa serpente odiosa?
- Veja como fala comigo, pirralho!
Naruto ficou olhando abobalhado para a discussão até Gamakichi gritar para Shizuhei morder logo o touro e faze-lo parar de sofrer ao ser esmagado pela força retalhadora da serpente. Shizuhei obedeceu a contragosto, rindo de forma sibilante, lançando a língua bífida para fora e chacoalhando a cauda.
- Você é uma vergonha, dobe – a voz de Sasuke tirou o foco de Naruto da discussão do sapo e da cobra para olhar para o moreno Uchiha que se estendia altivo sobre o Uzumaki caído – Ficar nesse estado ao lutar com um bando de camponeses.
- Teme! – rosnou o loiro ao agarrar a mão que Sasuke lhe estendia para se levantar – E você, tá fugindo do flanco sul e deixando todo o trabalho para os Hyuuga? Ficou com medo do Hiashi?
Sasuke não respondeu, apenas arrancou Kusanagi da bainha e investiu contra Naruto. O loiro ficou estático com o movimento e saiu do caminho no último segundo quando sentiu o chakra ofensivo de um ninja de baixo nível vir por trás de si e ser interceptado pela katana do moreno Uchiha direto na garganta.
- Hinata pode cuidar de Ren sozinha – o shinobi arrancou a espada do corpo inerte do ninja e deu um sorriso malicioso para Naruto enquanto se colocava costas com costas ao loiro – Já você eu não tinha tanta certeza, usuratonkachi.
O loiro soltou uma risada antes de bater a palma com a do melhor amigo e ambos partirem para o ataque conjunto em que eram tão bons.
- Vou te mostrar o poder do próximo Hokage!
O Hospital de Konoha estava lotado. Como comumente acontecia durante as batalhas ninja, Sakura estava sobrecarregada de trabalho, assim como Ino, Shizune e a própria Tsunade que estava cuidando de casos mais graves enquanto também dava ordens para os generais dos flancos através de Katsuyu. Recebera a pouco a notícia de Sasuke tinha deixado o flanco sul e, consequentemente seu disfarce, para ajudar Naruto no flanco norte que estava lutando praticamente sozinho com ninjas fortes e um indivíduo particularmente desagradável com habilidade de fazer invocações semelhantes a um dos Pain.
Ainda bem que aquele ali não tinha um Rinnegan!
Um latido grave e conhecido chegou aos ouvidos de Tsunade e ela imediatamente mandou que Sakura fosse examinar Tsume que vinha carregada pelo seu fiel mascote, Komaru. A mãe de Kiba começou a reclamar que estava bem e que a rosada podia examinar outras pessoas mais machucadas na sua frente, mas a Haruno recusou e examinou-a assim mesmo.
Tsume soltou um gemido quando Sakura finalmente conseguiu tirar o estilhaço de agulha que tinha ficado cravada no ferimento. Komaru ganiu levemente fazendo a matriarca dos Inuzuka lembrar-se que devia relatar uma coisa incomum que vira acontecer no campo de batalha:
- Haruno, você precisava chamar Tsunade-sama aqui, tem uma coisa... – ela fez uma pausa enquanto a nin-médica aplicava chakra curativo na ferida para fechá-la e cicatriza-la – Que ela precisa saber sobre o inimigo.
- Hei, seus idiotas! – a voz de Kiba se elevou chamando a atenção de vários ninjas amigos e inimigos ao redor, inclusive de Shino que esperou para ouvir o que o Inuzuka tinha para dizer. Kiba respirou fundo e gritou a plenos pulmões: - Eu ajudei a reconstruir essas casas e não quero ter que fazer isso de novo, ENTÃO PAREM DE DESTRUÍ-LAS!
E avançou com Akamaru para atacar uma dupla de ninjas que estava colocando tudo em chamas por causa de seus chakras do elemento fogo.
Shino até poderia abaixar a cabeça e suspirar ou se estapear na testa ante aquele comentário ridículo no meio da batalha – tudo bem que eles realmente tinham deixado a luta avançar mais para dentro da Vila do que fora ordenado, mas sobre aquilo não havia realmente muito o que fazer –, mas ele apenas ficou parado por dois segundos olhando para o nada antes de ignorar o companheiro completamente e voltar a atacar os camponeses que estavam se fazendo de soldados com insetos paralisantes. Com ausência de chakra naqueles corpos feitos para todas as atividades humanas, menos para lutas, o veneno inibidor de seus insetos fazia efeito rapidamente dando espaço para Shino e os chunins que estava comandando amarrarem-nos.
Enquanto observava os movimentos de Kiba sincronizados com os de Akamaru para fazer os ataques do Clã Inuzuka, sua visão periférica notou um movimento estranho de um ninja parado atrás de um muro semidestruído. Fez um movimento com a cabeça para que seus óculos caíssem sobre o nariz e observou-o sem a obstrução das lentes negras. O ninja fez uma curta série de sinais de jutsu incoerente, não pertencentes ao País do Fogo e sua Vila ninja, que deixaram Shino bastante preocupado quando ele viu uma linha de chakra brilhar ao sol tendo sua outra extremidade presa a Kiba, linha muito semelhante às linhas de chakra usadas pelos ninjas titereiros, como Kankurou. Sacou um par de shuriken e lançou-as uma em direção ao ninja, outra em direção ao fio somente para testar o que aquilo poderia ser e se podia ser rompido com uma lâmina comum. O ninja aparentemente viu a ofensiva de Shino, pois deu um sorriso antes de fazer um selo simples com os dedos indicador e médio levantados em frente ao rosto. O Aburame viu a shuriken romper tão fácil a linha de chakra que não poderia ser verdade.
A outra shuriken acertou Kiba.
- O quê...? – indagou o Inuzuka sem saber o que estava acontecendo e como diabos uma shuriken quase acertara seu olho quando há um momento ele estava ao lado de Akamaru acuando um soldado – que devia ser, na verdade, um lenhador, porque aquele lá sabia empunhar um machado – contra um prédio próximo a eles.
O ninja sumira e sangue começava a escorrer do corte no supercílio de Kiba enquanto Shino se aproximava para ver se o melhor amigo não tinha mais ferimentos além do corte da shuriken que lançara. O latido de Akamaru podia ser ouvido perseguindo o ninja para encurrala-lo entre outros ninjas da Folha que o capturaram. O grande cão branco farejou seu dono e voltou, confuso e amuado, até onde Shino tentava ver se não havia mesmo acertado o olho do melhor amigo.
- Você está bem, Kiba? – Akamaru ganiu e seu dono acariciou-lhe a cabeça.
- Bem eu tô, mas como que eu vim parar aqui? – ele ainda estava atordoado quando Shino tirou uma atadura da bolsa das costas para usar no ferimento do outro.
- Não sei – respondeu o Aburame, o que surpreendeu grandemente o Inuzuka. Como assim, Shino não sabia? Desde que estivesse presente, Aburame Shino tinha o costume de saber tudo o que acontecia no campo de batalha – Havia uma linha de chakra estranha presa a você que agora não há mais, deve ser o motivo.
- Ai, Shino! – reclamou o Inuzuka quando o melhor amigo segurou rudemente a atadura sobre o olho de Kiba para estancar o sangue.
- Desculpe.
O que tinha acontecido? Já estava mais que óbvio para o Aburame que aquilo resultara daquela linha de chakra que se ligara a Kiba depois daquela sequência de selos desconhecida, mas como ela tinha se ligado ao Inuzuka se ele e o ninja inimigo nem tinham se aproximado? Shino odiava coisas mal explicadas.
- Eu joguei uma shuriken no ninja inimigo e outra naquela linha para testá-la, foi quando a linha se rompeu, ele sumiu e você... Apareceu... Ali... – a voz de Shino ficou mais fraca. Ele terminou bobamente de amarrar a atadura em volta da cabeça de Kiba. O de caninos já percebera que o melhor amigo entendera a jogada inimiga.
O ninja nunca chegara perto de Kiba, mas travara uma dura batalha corpo-a-corpo contra Shino momentos antes. Uma luta onde houvera vários cortes entre ambos os lutadores e o uso de uma kunai de lâmina curva por parte do outro. Vários estilos de armas não era raridade no mundo ninjas, mas o Aburame se lembrava de haver qualquer inscrição naquela lâmina.
Uma inscrição numa lâmina curva.
Mas a lâmina o cortara, o que isso teria a ver com a linha de chakra e Kiba?
Talvez nada, mas Shino tinha um pressentimento estranho.
- Kiba, peça para Akamaru farejar Tenten, preciso falar com ela.
- Esse é mais ou menos o formato daquela lâmina, tinha alguns desenhos que não consegui identificar – entregou o papel a Tenten. Estavam escondidos atrás de uma pilha alta de vigas de madeira perto do extremo leste da Vila, Akamaru estava alerta para qualquer sinal de aproximação inimiga.
- Você tem certeza que foi essa a arma que te cortou?
- Absoluta.
- É ruim do Shino se enganar, hein, Tenten?
- Não, eu não estou duvidando de Shino, mas da existência de uma lâmina como esta – ela encarava o desenho de forma incrédula e, mesmo assim, um brilho admirado e cobiçoso instalou-se nos olhos da morena – Venho de uma família de ferreiros e, como sabem, sou perita em armas, mas esta lâmina aqui...
- Pelo relatório do grupo que foi até o feudo de Masaru Ren, ele gostava de colecionar artefatos míticos. Naruto nos contou que Sasuke ficou perturbado por Ren ter também pergaminhos Uchiha.
- Isso é mau! – refletiu Tenten sem dizer mais nada, o que já estava deixando Kiba impaciente e irritadiço. Além de ter um corte ardido no supercílio e um olho incapacitado, a morena ainda tinha que manter-se os enrolando daquele jeito?
- Dá pra falar logo qual é o problema dessa maldita faca, Tenten?
- Eu só conheço a lenda, portanto é tudo o que posso dizer a vocês – ela dobrou o papel e enfiou-o no bolso. Contou-lhes que Neji e os outros Hyuuga já tinham terminado de exterminar os inimigos e iriam se espalhar pela Vila, fora um pequeno contingente que ficaria na entrada sul para impedir outros inimigos que se aproximassem por aquele flanco. Gritou para Lee segurar as pontas por ali enquanto incutiu aos outros dois rapazes e ao cão para correrem até o hospital, precisavam falar com Tsunade-sama – Essa lâmina é perigosa, mas são esses brinquedinhos míticos de Masaru Ren que me preocupam. Vamos depressa, eu conto-lhes a lenda no caminho.
Há muito, muito e muito tempo, quando o mundo ainda era jovem, quando as florestas eram grandes e quando as vilas eram pequenas e quando ainda havia muitas coisas obscuras andando sobre e sob a terra, batalhas e guerras eram travadas por homens comuns, ocasionadas por querelas comuns como terra e ouro.
Nessa época anterior ao Eremita dos Seis Caminhos e anterior a qualquer outro ninja, existia um grande ferreiro de lâminas em uma vila do ocidente, para lá do que é o País do Vento.
Esse ferreiro era grande e experiente em fazer qualquer tipo de lâmina. Ele sabia como aquecer o fogo de maneira correta para fundir todos os tipos de metais. Lâminas de aço puro ou ouro e prata, espadas e ferro negro ou punhais de turmalina e platina. Há quem diga que, para os senhores com mais dinheiro, ele conseguia fazer até mesmo sabres de diamante e katanas de ferro de meteoros.
Não foi o próprio ferreiro lendário, mas foi a partir de sua técnica milenar que Kusanagi foi forjada, reza-se a lenda.
Mas saber fazer lâminas não era de grande utilidade em uma vila pacífica, onde arados de ferro e ferraduras eram mais úteis do que punhais de pedras preciosas. Sem saber fazer outras coisas que não instrumentos de matança, o ferreiro lendário deixou sua vila e foi viajar pelo mundo, onde ganhou fama e fortuna ao fazer armas cada vez melhores e mais poderosas para grandes senhores.
Um dia, dormindo ao relento no meio da floresta, em uma de suas andanças, o ferreiro foi pego por sob as asas escuras de um corvo gigante e levado para o castelo de uma rainha feiticeira. Ela queria que ele lhe fizesse um jogo de lâminas capaz de matar a pessoa mais amada do inimigo que cortasse. Bastaria uma gota de sangue do inimigo na lâmina para que a pessoa mais amada dele fosse morta, sendo aquele o pior castigo que qualquer um poderia receber, disse-lhe a feiticeira com a voz carregada de mágoa e ódio.
O ferreiro negou, dizendo que era muito habilidoso com o metal comum, mas incapaz de forjar armas mágicas. E que também nunca forjaria uma arma vil como aquela. A feiticeira, então, para convencê-lo, contou-lhe sua história de como um grande senhor jurara-lhe amor eterno e prometera se casar com ela e depois fugira com uma saltimbanco, renegando até mesmo sua fortuna por amor aquela qualquer. Ela lhe disse que não podia mais usar a lâmina, uma vez que o senhor fugira, mas que a manteria ali e não permitiria que ninguém mais lhe ferisse o coração.
A feiticeira terminou a história com lágrimas nos olhos e o ferreiro se compadeceu de sua dor, assim como também estava embebido e encantado por sua beleza, concordando em fazer um jogo de vinte e uma lâminas de coração partido. A rainha agradeceu e assegurou-lhe de que iria enfeitiçar todo ferro necessário para seu intento.
Sete luas subiram e deixaram o céu até que as lâminas todas estivessem prontas. Eram tão afiadas como o ferreiro nunca havia visto, curvas e negras como a noite, e com inscrições em uma língua antiga que foram aparecendo a cada martelada que desferia contra o ferro, como se fossem cicatrizes de fogo.
- As Vinte e Uma Adagas do Coração Partido – sussurrou Tsunade para si mesma quando Tsume terminou de lhe contar o que havia acontecido em campo de batalha, sobre aquela estranha linha de chakra e o jutsu de substituição que tinha trocado o inimigo de lugar com a própria Tsume no momento que Komaru iria atacá-lo. Se ele não tivesse sentido o cheiro da dona, com certeza ela estaria morta, jazendo no chão da batalha com o pescoço estraçalhado pelas garras do cão gigante.
- Você sabe do que se trata, Hokage-sama?
- Essa lâmina que Komaru falou me remete a uma lenda muito antiga e ainda mais improvável e incrível.
A Hokage se calou, pensativa. Seus olhos dourados se anuviaram de apreensão. No começo daquela loucura de Masaru Ren, antes mesmo de enviar os quatro ninjas para o seu feudo, ela sabia que ele devia ter alguma carta na manga ou ser um grande tolo para tentar atacar, sozinho, apenas um feudo, a maior vila ninja das Cinco Grandes Nações. Ele revelou-se um jogador habilidoso, porém. Fazer com que os ninjas atacassem pobres trabalhadores era desonesto, mas ele parecia fazer jus ao velho ditado de que "no amor e na guerra vale tudo", o que fazia as tropas da Folha diminuir seu poder de ataque pela metade para não ferir demasiados camponeses.
Contratar mercenários e ninjas renegados fora outra jogada inteligente. Se eles destruíssem a Folha, poderiam ficar com toda a riqueza que a cidade oferecia, além de vender as mulheres como prostitutas e os homens como escravos para os senhores do extremo ocidente ou além-mar do oriente.
E, por fim, havia a coleção nada modesta de artefatos míticos que Sasuke relatara ter visto.
"Maldito!", pensou Tsunade com um rugido, "Esse idiota está se mostrando ser mais problemático do que eu pensei!".
- Tsunade-sama! – um grito de uma voz conhecida e muito bem vinda naquele momento chamou-lhe a atenção e a Hokage voltou seus olhos para o grupo que vinha andando depressa pelo corredor do hospital. Eram proibidos de correr ali.
- Kiba! – Tsume exclamou ao ver o filho se aproximando com o olho ferido – Ficou cego?
- Que cego, kaa-san! Isso foi só um arranhão!
- Menos mal, assim ainda pode ser útil!
- Tsunade-sama, viemos relatar um problema envolvendo...
- ...a lenda das Vinte e Uma Adagas do Coração Partido.
- S-sim, como sabe...? – e então o entendimento chegou aos olhos de Tenten mais rápido do que aos outros presentes – Mais alguém foi ferido? Quer dizer que as lâminas realmente funcionam?
- Funcionam? – perguntou Shino para si mesmo, mas a voz de Kiba e Tsume em uníssono sobrepôs-se.
- Claro que elas funcionam! – gritaram. Kiba começou a falar do campo de batalha, do inimigo e da linha de chakra e do teletransporte e do seu olho e Tsume começou a falar de Komaru e da troca de lugar e de como ela caiu na armadilha de senbons do inimigo.
- CALEM A BOCA, INUZUKAS!
Mãe e filho se calaram perante a voz da loira. Komaru abanou a cabeça em sinal de descrença pela sua dona e companheira, Akamaru ganiu baixinho.
Tsunade voltou-se para Tenten.
- Eu estou ciente da lenda, Tenten, mas, por favor, esclareça a situação para os outros aqui.
- A Lenda das Vinte e Uma Adagas do Coração Partido parece ser verdadeira, se for para confiarmos nas histórias e no que tem acontecido. Pelo desenho que Shino me mostrou... – ela tirou o papel do bolso e entregou a Hokage - ...é bem provável que elas realmente existam, mas...
- Mas, Tenten? Não enrola! – pediu Kiba.
- Mas a lenda também diz que quando a feiticeira foi usar as lâminas, por mais que ela as tenha enfeitiçado, não serviram de nada!
Um silêncio incômodo instalou-se no local.
- Em teoria, a lâmina cortou Shino, mas aparentemente a pessoa mais importante para ele continua viva, e quando a linha de chakra foi cortada, o ninja inimigo trocou de lugar com Kiba bem no momento que Shino estava atacando. O mesmo processo aconteceu com Tsume e Komaru – explicou Tenten tentando deixar a situação o mais clara possível para que todos pudessem ver e pensar.
- Obviamente a lâmina funciona, apesar de não ser do jeito que se conta na lenda – uma nova voz preencheu a sala. Uma voz grossa, profunda e entediada, um pouco enrouquecida pelo tabaco – E a linha de chakra é uma armadilha problemática.
- Shikamaru – chamou Tsunade e o moreno entrou no quarto. Ele tinha um cigarro na boca aparentemente recém-aceso. Uma moça de cabelos cor de areia entrou atrás dele, desgostosa com a situação, e arrancou-lhe o cigarro dos lábios.
- Não é permitido fumar no hospital, seu idiota! – e apagou o cigarro na sola de sua sandália ninja antes de jogá-lo no lixo mais próximo.
- Sabaku no Temari, o que está fazendo aqui? – perguntou Tsunade, um pouco desacreditada e um pouco feliz pela presença da loira, a Areia poderia estar mandando reforços.
- Isso é o que eu gostaria de saber, Tsunade-sama – rebateu a ninja do vento – Num momento eu estou numa reunião idiota com o Conselho de Anciãos da Areia e em seguida eu estou aqui na Folha, no meio de uma batalha, presa do jutsu das sombras desse preguiçoso!
- Pelo menos você não estava tomando banho numa hora dessas... Ou coisa pior! – gracejou Kiba, o que não foi exatamente bem vindo por Temari, nem por qualquer outra pessoa presente na sala, que lhe lançou um olhar estreitado.
- Eu quase sinto pena do inimigo por aparecer no meio do Conselho da Areia – Tsume sussurrou para Tenten que concordou com um aceno e as sobrancelhas franzidas em pena.
Tsunade suspirou começando a entender o que estava acontecendo
- Shikamaru, por favor, se você tiver alguma observação a fazer sobre essa situação, diga-me.
- Só uma... – ele tinha se aproximado da janela, talvez com o intuito de acender outro cigarro, mas depois se lembrou de Temari ali ainda e recuou de seu intento. Virou-se para os ocupantes do quarto, as mãos nos bolso e o quadril apoiado na janela – Essas Adagas do Coração ou o que sejam... São faquinhas problemáticas.
- As Vinte e Uma Adagas do Coração Partido? – Neji resmungou consigo mesmo ainda as portas da Vila, junto de Hiashi e Hanabi, os três Hyuuga que tinham ficado para trás para proteger o flanco sul – Aquela velha lenda?
- Sim, parece que a lenda é verdadeira – disse uma versão em miniatura de Katsuyu, a lesma que era a invocação de Tsunade. A Hokage a enviara a todos os seus ninjas e soldados para alertar sobre as recentes descobertas de Shikamaru sobre aquelas lâminas.
- Quer dizer que os soldados de Masaru Ren possuem adagas que matam a pessoa mais querida de quem elas cortam? – perguntou Hanabi com um sorriso de desdém e os braços cruzados sobre o peito de seios pouco desenvolvidos.
Não era surpresa que os membros do Clã Hyuuga soubessem do que se tratavam as Vinte e Uma Adagas, um clã tão antigo quanto o deles tinha inúmeras histórias contadas ao longo de gerações. Algumas verdadeiras, outras tão fantásticas que não podiam passar de lendas, mitos, contos de fadas, mas já dizia o velho ditado: "nenhuma história é contada sem motivo".
- Não exatamente – explicou Katsuyu – Como na lenda, as adagas não matam a pessoa querida de quem elas cortam, mas possuem a habilidade de, ao cortar uma pessoa, ler em seu sangue quem é sua pessoa mais querida.
- E de que isso serve para o inimigo? A leitura de sangue se restringe a adaga, o inimigo não tem como saber quem é a pessoa querida – argumentou Hiashi.
- Você está certo, Hiashi-sama, de fato o inimigo não tem como obter esse conhecimento, então de que servem as adagas, se elas não podem nem transmitir o conhecimento e nem matar a pessoa amada? – perguntou Katsuyu.
Os três Hyuuga ficaram em silêncio, refletindo sobre o poder daquelas armas, agarrando os conhecimentos antigos de suas lendas e tradições, remonte dos tempos dos primeiros homens e ninjas de olhos vítreos, brancos como leite e ausentes de pupilas.
- Se as adagas estão lendo os sentimentos através do sangue – finalizou Neji – É a linha de chakra a verdadeira armadilha.
- Kiba, Tsume-san e Temari, também? – Ino trocou olhares estupefatos com Chouji – Mas ela foi transportada desde a Areia?
- Sim, ela se encontra em companhia de Tsunade-sama. Vão mandar uma ave para o Kazekage e explicar o motivo do sumiço de sua irmã – Katsuyu estava no ombro de Ino explicando a situação – Se vocês encontrarem algum ninja em posse das adagas, não lutem a curta distância para não serem atingidos pela lâmina.
- Acho que esse aviso serve pra você, Chouji, que usa um estilo de luta direto.
Chouji concordou, mas tinha uma última coisa que o estava incomodando.
- A linha de chakra, essa é a chave da armadilha, não é?
- Sim – concordou Katsuyu. Ela ia chegar lá, mas era bom que os ninjas fossem percebendo os detalhes por si sós – As adagas não funcionam diretamente, mas usando chakra...
- ...é possível fazer um jutsu de transporte semelhante ao usado para invocar animais ninja.
- Do jeito que o Fukasaku-jii-san faz pra me levar pro Monte Miyoboku?
- Sim, mas no caso dessas adagas, como elas podem ler os sentimentos através do sangue, quem elas transportam é a pessoa mais amada daquele que foi cortado.
- Isso é muito sujo, 'tteba!
O ninja das invocações com quem Naruto e Sasuke estavam lutando, além de vários outros ninjas mais fracos no flanco sobre as estátuas dos Hokages, fora ferido por uma investida dupla de Rasengan e Chidori e, sem alternativa, infiltrou-se pela floresta em direção norte, para além da cabana de confinamento de trás das montanhas. Os dois shinobis estavam em seu encalço, mas não precisavam se preocupar. O ninja não iria muito longe com aquele ferimento, e se caso encontrasse companheiros com habilidades médicas, curar a ferida levaria tempo suficiente para que os dois o encontrassem.
As invocações de Gamakichi e Shizuhei tinham ficado no alto da montanha, guardando o flanco norte da Vila. Katsuyu os alcançara antes que partissem em perseguição ao ninja inimigo e relatara-lhes todos os detalhes sobre a aparição das adagas lendárias.
- Matar a pessoa amada era o objetivo das adagas quando foram criadas, mas elas nunca funcionaram, não até a sua união com chakra, pelo menos – Sasuke falou, mas estava pensativo e preocupado, o rosto sempre tão sério e impassível meio torcido em uma careta de sobrancelhas franzidas – Katsuyu, você deu esse aviso a Hyuuga Hinata?
- No que está pensando, teme?
- Naruto, qual o estilo de luta do Clã Hyuuga?
Um gracejo sobre Sasuke estar preocupado com Hinata passou pela mente de Naruto, mas foi rapidamente desviado quando o loiro se lembrou com quem a morena estava lutando. Masaru Ren muito provavelmente tinha uma daquelas adagas malditas em sua posse.
- Estilo corpo-a-corpo, uma luta direta, o que a torna...
- ...um alvo fácil para uma adaga.
- Eu não consegui encontra-la, Sasuke-san, Tsunade-sama só me mandou para os ninjas dentro do perímetro da Vila.
"Ela não sabe.", pensou Sasuke.
Mas avisá-la talvez também se tornasse um problema. Uma vez que Hinata ficasse na ignorância, ela poderia atacar o lorde feudal sem medo de que algum ente querido, provavelmente Hanabi, seu pai ou... – odiava admitir – Neji estivesse no lugar de Masaru Ren quando ela fosse dar um golpe perigoso. E, por outro lado, o conhecimento das habilidades da adaga poderia preveni-la de não ser cortada por ela, porém prejudicaria sua luta.
Hinata era uma ninja de elite ANBU, o que não a tornava um inimigo fácil de abater, mas mesmo assim ela ainda era uma Hyuuga e a prioridade de sua luta era o corpo-a-corpo, ataques de curta distância e pouco uso de jutsus como o Rasen Shuriken ou seu Chidori alongado como uma lâmina através de sua espada.
Soltou um palavrão e praguejou.
- Sasuke?
Uma arma daquelas...
- Oi!
Se Masaru Ren tinha uma arma daquelas, que outros artefatos ele não poderia ter em sua posse?
Cerrou os dentes com força.
Droga!
Estava preocupado com ela.
Desde quando... Argh, não adiantaria de nada começar a se perguntar quando começara a sentir qualquer coisa, não importa. Não é a duração do sentimento que o torna maior, melhor e mais forte.
Estava preocupado com ela e isso era um fato.
O motivo disso era...
- SASUKE-TEME!
Sasuke parou sobre um galho, os olhos negros meio arregalados encaravam o par de safiras de Naruto, estes estalados num misto de surpresa e irritação. O loiro posicionou-se melhor no galho em que tinha parado e pousou uma mão amigável no ombro do Uchiha.
- Dobe...
- Fica calmo, dattebayo! – Naruto deu um sorriso pequeno. O moreno olhou para seu melhor amigo e sentiu a agradável segurança e conforto que eram tudo o que o loiro representava-lhe depois de voltar para a Vila da Folha. Sem esperar mais, Naruto tomou um ar sério e franziu as sobrancelhas claras antes de começar a falar – Foi sua escolha deixar Hinata para cuidar de Ren sozinha, já que esse era o direito dela, então não volte atrás em sua decisão – o aperto em seu ombro intensificou-se – Eu sei o que você está pensando, mas eu tenho certeza que Hinata conseguirá evitar machucar Hanabi ou Neji ou o pai dela se eles aparecerem na sua frente, ou eles serão hábeis o suficiente para se defenderem dela, e onde quer que Masaru Ren surja, os Hyuuga vão cuidar dele.
Uchiha Sasuke olhou para o homem loiro a sua frente, o rapaz que sustentava os mesmos olhos azuis daquele garotinho brigão e encrenqueiro, solitário e lutador, com quem firmara amizade há muito tempo.
Mas aquele brilho... O brilho não era o de Uzumaki Naruto.
- E você já considerou que a pessoa mais importante para Hinata agora possa ser você, teme?
O brilho...
- Se isso acontecer, você vai ter que se defender da sua namorada furiosa e eu vou matar aquele lorde feudal idiota pelas açoitadas que ele deu na Hinata-chan, dattebayo!
Ah, sim, o sorriso ainda era o mesmo. O sorriso nunca mudaria, mas o brilho... O brilho nos olhos de safira de Naruto era o brilho do Sexto Hokage da Vila Oculta da Folha.
O lorde feudal do norte correra para dentro da floresta, se embrenhando pelos caminhos mais fechados e obscuros. Do jeito que as coisas iam, o sol não demoraria a se pôr e aquela luta ainda não teria acabado.
"Quantas mais armadilhas ele tem escondidas?".
Ainda na clareira, Hinata precisou atacar. Era o único jeito de vencer uma luta que conhecia, uma vez que dialogar com o Ren parecia que não surtiria efeito. Ao menos, ela não estava disposta a aceitar nada que o inimigo tinha para falar, ela só queria vingar a honra de sua família.
Dentro das árvores o seu campo de ataque se restringia, assim como o de Ren, mas as possibilidades de haver armadilhas plantadas por ali eram incomensuráveis. Seus leques tinham sido destruídos, um depois do outro, um deles perfurado por agulhas e o outro destroçado pelo par de adagas que Masaru Ren agora empunhava. Hinata se armara com uma kunai momentaneamente, mas ela sabia que era muito melhor lutadora quando o fazia com as mãos nuas.
Conseguira fechar vários tenketsus de Ren, ele não teria chakra por mais muito tempo. Uma hora, talvez duas, três e estaria morto. Além de que, quando não conseguia acertar-lhe os pontos de chakra, conseguia deixar-lhe hematomas e feridas que devia estar sendo bem desagradáveis para um senhor feudal, mesmo um senhor feudal treinado em artes marciais. A própria Hinata tinha alguns ferimentos ela mesma, sendo todos eles ocasionados pelas armadilhas covardes de Ren. Com as adagas que ele empunhava, não sofrera nenhum arranhão.
"Preciso terminar com isso logo".
Precisava, antes que se cansasse demais. Uma noite e um dia inteiro lutando não era algo que pudesse ser chamado de tarefa fácil e relaxante.
Começou a concentrar chakra nas mãos antes de jogar sua kunai para Ren, rápida e com muita força, mirando-lhe bem o espaço entre os olhos verdes aquosos que tanto odiava, desde o primeiro momento que vira a foto do lorde no arquivo da missão que Tsunade lhes entregara. Correu bem atrás da kunai, quase tão rápida e ainda mais letal que a arma de ferro negro. Em seus punhos, as formas dos leões de chakra do Juuho Sooshiken – os Punhos Gentis dos Leões Gêmeos – começavam a se formar enquanto se aproximava do lorde.
Quando ele notou o chakra nas mãos dela, seus olhos se arregalaram. Estaria perdido se aquela técnica o acertasse. O Juuho Sooshiken iria estraçalhar sem piedade qualquer parte de seu corpo que acertasse, não iria restar nada de seus órgãos internos se Hinata o atingisse em qualquer parte do torso. Até as linhas condutoras de chakra de seu interior seriam destruídas tamanha a periculosidade daquela técnica.
Hinata espalmou as mãos no chão e Ren foi pego de surpresa quando as pernas de Hinata atingiram seus joelhos e o levaram a cair estatelado na terra. Ela imaginara demais a destruição que os leões gêmeos poderiam infringir-lhe que ficara paralisado.
Moveu-se rápido a ponto se sentir os cortes do chakra da Hyuuga na lateral de seu ombro quando se esquivou do primeiro ataque dos punhos gentis de Hinata virando-se sobre si mesmo para longe. Rolou pelo chão de musgo da floresta para sair do alcance dela, mas um dos punhos do kunoichi se fechou sobre sua panturrilha e Masaru gritou quando sentiu pele, carne e músculos queimando, quase chegando até os ossos.
Tomou impulso e girou o corpo, impedido de ficar em pé agora com sua perna debilitada, tentou acertar Hinata no rosto com a adaga que ainda possuía. A morena esquivou-se e mirou para acertá-lo com o outro punho a qual o lorde desviou chutando-lhe no estômago com o pé bom. O chute fez Hinata perder o ar, permitindo que o inimigo atiçasse a adaga para sobre a morena, arrancando-lhe fiapos de cabelo e tecido das mangas de seu quimono.
A investida da moça ficou mais feroz quando Ren conseguiu se levantar e cambalear para perto das árvores. Mais armadilhas, podia apostar. Ele recostou-se a um carvalho, a Hyuuga atacou sem hesitar. Uma linha fina e negra foi cortada e uma série de troncos grandes atacou-a de todos os lados, presos nos galhos das árvores altas por cordas. Uma armadilha tão infantil que só poderia haver outra por trás dela, mas quando Hinata cortou os troncos e voltou ao chão, Masaru Ren continuava no mesmo lugar, a dificuldade para respirar acentuada em seu peito arfante.
- Você é uma inimiga dura de enfrentar, Hinata-chan – ele zombou. Ela ficou surpresa que ele ainda conseguisse falar depois da dor infringida em sua carne por sua técnica dos leões.
- E você é um homem baixo que se esconde atrás de armadilhas.
- Mas eu não estou me escondendo – ele zombou, abrindo os braços e mostrando-se totalmente vulnerável, escorado na árvore – Estou bem aqui.
- Sim, e entre nós mil armadilhas.
- Você aprende rápido.
Outra linha cortada, uma chuva de senbons despencou sobre Hinata novamente, a qual ela pode defender com o Jyuuken, menos duas delas que se infiltraram em seu ponto cego, a lateral de sua coxa esquerda. Arrancou-as com um puxão temendo que houvesse ali algum veneno. Não tinha nada que nem mesmo lembrasse um antídoto consigo.
Então, se estava envenenada, o que provavelmente estava, não tinha mais nada a temer. Refez os selos do seu ataque mais forte e pôs-se a correr na direção de Ren, uma linha reta, ziguezagueando apenas para desviar das armadilhas entre eles. Mais troncos, mais agulhas, dardos, kunais, buracos no chão, papéis bombas. Armadilhas tão bobas que ele só podia ter algo muito poderoso escondido. Precisava tomar cuidado ao mesmo tempo em que precisava terminar com aquilo logo.
Os leões gêmeos apareceram novamente em seus punhos e a expressão tranqüila de Masaru se transfigurou para algo que beirava o pânico. Gostou da reação, mas não esboçou nada em seu rosto de máscara de gueixa. Aproximou-se mais, com seu Byakugan podia ver que havia algumas linhas perdidas perto do lorde, assim como aquela fatídica linha de chaka que a intrigava desde o começo da luta.
Quando percebeu, saindo da distração de sua mente, já estava a uma distância de Masaru Ren que seria impossível evitar golpes, tanto os que ele poderia desferir quanto os que ela desferiria. Seus punhos avançaram, leões azuis rugindo, enquanto Ren desviava-se o melhor que podia com a perna avariada e investia com suas duas lâminas, uma delas negra e curva, com inscrições por sua extensão, e a outra reta como uma flecha, de aço prateado e brilhante, do comprimento de um fêmur de criança.
As mangas do meio quimono da morena, mesmo que aos pedaços, causavam uma boa distração, impedindo que Ren visse direito a direção dos punhos da kunoichi. Tentou de novo a técnica de derrubá-lo. Ren pulou e se desviou do golpe, dando uma pirueta para trás apoiando-se nas mãos, no tempo exato de Hinata avançar e pegá-lo com um golpe em cheio nas costelas do lado direito quando se pôs novamente sobre os pés. O lorde cuspiu sangue quase sobre o rosto de Hinata. Enquanto o golpe da morena se infiltrava em seu corpo, o inimigo cerrou com força os punhos e enterrou na parte de trás do ombro da Hyuuga uma de suas adagas, essa a lâmina prateada. A outra passou de raspão por seu rosto.
- Está feito! – ele exclamou antes que Hinata pudesse fazer alguma coisa, tudo aquilo na velocidade de um piscar de olhos.
A adaga que raspara seu rosto cortou a linha de chakra. A outra adaga foi arrancada de seu ombro e arremessada para se enterrar fundo numa árvore. Masaru Ren sorriu, seus lábios vertendo tanto sangue quanto o ferimento no ombro da morena.
- Ninguém mais... – ele arfou. A Hyuuga não acreditava em seus ouvidos, como ele ainda podia dizer aquelas coisas em seus últimos minutos - ...poderá tê-la, Hinata-chan.
Investiu contra ele o outro punho, o Juuho Sooshiken ainda brilhando.
- Obrigado pela... Última dança.
E Masaru Ren desapareceu.
O leão do punho esquerdo ainda estava em movimento para acertar seu alvo quando a efêmera fumaça branca surgiu, sugando Ren para outro lugar e colocando ali outra pessoa.
Hyuuga Hinata arregalou os olhos sem saber o que estava acontecendo. Cabelos castanhos e curtos sumiram, dando lugar a cabelos mais escuros. A pele rosada de Ren, quase a de uma mulher, deu lugar a uma pele mais pálida. Os olhos aquosos, verdes, trocados por olhos mais brilhantes.
E seu ataque ainda a caminho do seu alvo, mas aquela pessoa a sua frente não era seu alvo, nem de longe. Tentou refrear-se, assustada, mas a velocidade do jutsu não permitia.
Queria gritar, o mundo tinha ficado em câmera lenta, e também mudo.
E preto e branco.
E com o brilho azul de seu ataque.
E com a cor daqueles olhos.
Seu quimono parou de chacoalhar, os guizos presos em seus cabelos curtos com dificuldade pararam de tilintar, alguns deles tinham caído no chão, mas nem por isso deixara de dançar com toda a graça que aprendera a ter.
Os lábios carmins de sua mãe sorriam mostrando-lhe os dentes muito brancos e alinhados.
Ela uniu as mãos e bateu palmas, sua única e mais importante platéia. Desde que sua mãe gostasse de sua dança, nada nem ninguém mais importavam. E Hikari gostava. Ela que lhe ensinava e Hinata aprendia rápido, e a matriarca do Clã Hyuuga ficava muito satisfeita com as realizações de sua filha nas artes das gueixas.
Hinata saiu de sua posição de agradecimento e curvou-se para a mãe. Os guizos tilintaram como a voz de Hikari. Sim, sua mãe tinha a voz de guizos tilintando. Não era irritante como outras pessoas poderiam imaginar se lhes contasse. Era confortador, como chegar a casa e anunciar "Cheguei", para receber, vindo da cozinha, com o som dos guizos na cortina da porta, um singelo "Seja bem vinda".
- Você dançou muito bem, Hinata-chan – disse-lhe a mãe, sentando-se então sobre as duas pernas dobradas, colocando as mãos para frente com delicadeza, e curvando o pescoço apenas o suficiente – Obrigada pela dança.
Olá!
Desculpem-me a demora com a atualização, leitores, eu sinceramente sei como é difícil esperar, já que eu também sou leitora, então, para começar, minhas mais profundas desculpas e os meus mais sinceros agradecimentos a todos que acompanham a fic e ainda não desistiram dela. Eu tento fazer capítulos cada vez melhores e maiores para compensar a demora, portanto espero que essas 23 páginas acima tenham agradado!
Quero muito saber a opinião de vocês, portando não economizem nas reviews, ok?
Aliás, eu pretendia postar essa capítulo ontem, sábado, como prometido, mas o imprevisto de um casamento surgiu e eu não pude, portanto, desculpe-me por isso também.
Amanhã, dia 30, é meu aniversário, então me dêem suas desculpas como presente, pode ser?
Ganhador(a) do Bônus de Maior Review: Haru x3 – 1077 palavras.
Pode me mandar por review ou MP sua preferência de casal ou personagem, desde que seja de Naruto, aceito qualquer coisa.
AGRADECIMENTOS:
Hinasusa, Arishima Niina, Mandy 'Usagi-chi, Aryel-Chan, DarkHina-Chan, Mirtilo Saltitante, apm.2303, Elara-chan, Pisck, hinahinaaaa, Haru x3, juunim, Bela F., Hana-Lis, Raissa Shields(2), Lana231, Nomu-chan, Akasuna no Luna, Blue Hime, Dark Temi, sayurichaan, Miss Camile e CherryRodrigues.
OBRIGADA POR LEREM E NÃO DESISTIREM DE MIM!
Beijos, Tilim! :)
