Harry voltou à mansão pouco depois de todos os alunos, e pais que quiseram acompanhar os filhos, embarcarem no trem rumo ao colégio. Quando entrou na sala de visitas de Lucius se surpreendeu por encontrar James e Casandra vestindo os uniformes dos alunos do primeiro ano, seus baús já tinham sido levados por Severus, que tinha reassumido suas funções como professor de Hogwarts alguns anos antes e que tinha uma lareira ligada a seu escritório no colégio.

- Vejo que os dois já estão prontos para ir, e eu que pensei que ia ter que suborna-los com esses doces... – Disse o moreno balançado dois saquinhos.

Cassandra pulou e agarrou um, James só ficou olhando o pai, o menino parecia deslocado na presença dele.

- O que foi James? Não quer?

- Sim, obrigada pai. – Disse o menino se aproximando de Harry.

Harry não deixou o menino pegar o saco e ao invés disso o puxou para um abraço tranquilizador.

- Você está bem? Se assustou hoje?

- Sim, mas não foi tão ruim, eu sabia que você ia aparecer.

- Sim, eu sempre vou estar lá James, pode demorar um pouquinho, mas eu nunca vou te deixar.

- Nem mesmo pelo Draco?

A pergunta pegou a todos na sala de surpresa, e Severus e Lucius saíram discretamente puxando uma Cassandra irritada com eles.

- Isso é uma tremenda estupidez Jamie, eu não tenho que escolher um de vocês mesmo porque meu veela bonito chutaria minha bunda se eu deixasse algo acontecer com você.

Harry podia dizer pelo olhar do menino que ele não acreditou.

- Seu pai está certo, você não nasceu de mim James, mas eu ainda te amo como se fosse meu filho. – Disse Draco com voz suave entrando na sala.

Dessa vez o menino olhou direto nos olhos claros de Draco antes de franzir as sobrancelhas e dizer com voz cortante:

- Eu não sou seu filho! Você nunca vai ficar no lugar da minha mãe!

Harry se preparou para dar uma bronca no filho, mas Draco o parou com um olhar duro.

- Eu nunca tentaria isso pequeno, eu perdi minha mãe também, lembra? E Sev cuidou de mim, mas não significa que eu a esqueci.

O menino o olhava desconfiado ainda.

- Quando quiser falar querido, não antes. – Tranquilizou-o o loiro.

- Você ia ficar feliz se eu morri também?

Os dois adultos paralisaram ao ouvir o menino perguntando isso.

- Eu não poderia me recuperar disso James, eu segurei você quando era um bebê frágil e minúsculo e você tem meu coração nas mãos desde então.

- Ele mentiu? Era tudo mentira? – O menino perguntou desesperadamente.

Draco quase soltou um suspiro de alívio quando o menino resolveu falar com eles, o psicomago era ótimo, mas ele se recusava a discutir o que o menino lhe contava nas consultas, um maldito gryffindor metido a ético na opinião de Draco.

- Se ele disse que eu queria você morto, ele mentiu. Você se lembra daqueles dias?

James abriu e fechou as bocas algumas vezes antes de fechá-la numa linha rígida.

- Não, eu não me lembro de nada.

A teimosia do menino em falar do assunto tinha sido um problema para Harry, ele não tinha muitas pistas sobre o sequestrador, e James, que tinha passado três dias com o homem se recusava a falar. Depois de dois dias em choque o pequeno ruivo tinha dito que não se lembrava e Harry tinha sido categórico quando a não usar legimência em seu único filho, e Draco e o psicomago disseram que era um mecanismo de defesa do menino que ia cair eventualmente. O moreno esperava que fosse logo, ele mal podia esperar para pôr as mãos no maldito que o fez viver as piores 67 horas e treze minutos de sua vida.

- Está tudo bem filho, não precisa falar disso se não quiser. Temos mesmo que leva-los para o colégio, animado para ir para Gryffindor?

O menino sorriu timidamente quando Draco deu um soco sonoro no braço de seu pai e disse:

- Pensei que não fôssemos influenciar o menino.

- Mas eu não estou fazendo nada amor...

- Tio Ron disse que me deserda se eu for para slytherin, ele apostou com tio George que você vai ter um ataque histérico quando souber eu sou um leão. – Contou James a Draco.

- Aquele miserável! Eu nunca teria um ataque histérico, sou muito lindo e elegante para isso. – Disse o loiro com um beicinho revoltado e um sacudir de cabelos muito típico dele.

James e Harry riram enquanto Draco brilhava, seu lado veela se regozijava de ver seu filhote se recuperando.

H D

Ted Lupin estava começado seu quarto ano em Hogwarts, e desde seu primeiro ano o sorteio não tinha sido particularmente interessante, mas esse ano era diferente. James e Cassandra iam ser sorteados, ele estava curioso sobre onde eles iam parar, Rose ele tinha certeza de que ia parar em Gryffindor, a menina era filha de Ron depois de tudo. Ele piscou charmosamente para Cassandra quando a menina subiu no banquinho, ela andava como se fizesse um favor ao mundo por existir e seus pais agiam como se fosse assim. Ele sinceramente não sabia onde ela ia parar, era inteligente demais para uma pirralha normal, mas slytherin até o último fio dos cabelos louros, mas tinha tantos arroubos gryffindorescos que ele não sabia para onde ela iria.

O salão estava em silêncio quando o chapéu seletor demorou para dar sua sentença, a menina parecia chocada por um instante e logo muito irritada. O chapéu riu e acabou gritando Slytherin, o que causou estrondosos aplausos na mesa da casa verde e prata.

- Bom pra você chapéu poeirento. – Sua audição sensível captou as palavras murmuradas pela loira que sorriu para um orgulhoso Severus na mesa dos professores.

O próximo que chamou a atenção de Teddy foi James, o menino caminhou corajosamente para o banquinho, ele ficou orgulhoso de como o menino ignorou o burburinho a seu redor e enfrentou o salão lotado. Ao contrário de Cassandra, a seleção de James foi tão rápida quanto a de Draco ou Ron em sua época, para assombro do salão mal o chapéu tocou sua cabeça gritou em alto e bom som:

- Slytherin!

Teddy podia dizer que estava decepcionado, ele tinha esperanças de ter o garoto consigo em Gryffindor, mas deu de ombros e o aplaudiu como tinha feito por Cassandra. Percebeu que o menino corou e mordeu os lábios rade modo raivoso, atirou o chapéu com malcriação para o pequeno professor e pisou duro até a mesa das serpentes, onde uma Cassandra zombeteira esperava por ele.

H D

Harry não podia acreditar em seus olhos e seu marido não parava de rir, Draco tinha jogado um braço sobre os olhos para rir cara de espanto e do esgar de desgosto de Harry.

- Meu filho é uma serpente. A culpa é sua, sabe disso não é? – Perguntou emburrado.

Draco se esforçou para parar de rir e concordou com Harry balançando a cabeça afirmativamente.

- Tudo culpa minha, aceito toda essa carga... podemos chamar Ron e contar pra ele?

Os olhos do loiro brilhavam tanto que Harry resolveu fazer o capricho do marido, os dois chegaram à casa dos amigos para ver Ron dançando pela sala, locicamente comemorando sobre Rose estar em Gryffindor. Harry e Hermione se sentaram para ver como Draco atormentava o ruivo grandalhão sobre a designação de James, os dois sorriam como quando viam seus filhos fazendo algo bonitinho e tolo.

- Acha que devemos salvar o Ron? – Perguntou Harry.

- Não, ele merece, ficou fazendo apostas sobre isso por meses.

- Você é má. – Harry riu quando Ron tapou os ouvidos e começou a cantarolar para ignorar o loiro saltitante que comemorava um Weasley em Slytherin.

- Aprendi com seu marido. – Ela disse piscando para o amigo.

H D

James ficou emburrado, ele sabia que seus avós estariam chateados com ele e seus tios também, talvez ele nem pudesse mais ficar n'A Toca. O banquete de boas-vindas parecia apetitoso a todos, mas ele nem tocou na comida, Cassandra bufou ao lado dele.

- Vamos lá leãozinho, não é tão ruim assim.

- Eu não estou falando com você Malfoy, sei que teve algo a ver com esse desastre. – Ele acusou.

- Claro, eu ameacei o chapéu pra colocar você aqui comigo ou ia invadir o escritório da diretora e fazer coisas más pra ele. – Ela desdenhou revirando os olhos.

O ruivo bufou, mas reconheceu que estava sendo um pouco paranoico, ele não percebeu o sorriso presunçoso nos olhos da menina, nem o olhar astuto de Severus na direção dos dois.

O adusto professor de poções chegou à agitada sala comum de seus alunos para dar seu costumeiro discurso para os alunos de primeiro ano. James e Cassandra quase não puderam conter o riso diante dos olhares assustados que ele provocava nos alunos, esses dois não tinha muito medo dele, Lucius os assustava bem mais. Ele dispensou os alunos e os mandou para a cama, esperou que tosos serenassem e não demorou para que sua filha aparecesse em seu escritório de pés descalços e com a capa jogada displicentemente sobre seu pijama verde.

- Algo te perturbando senhorita Malfoy?

- Oh, por favor, papai, não é como se você fosse me tratar como uma aluna qualquer. – Ela disse pulando no colo do pai.

- Claro que não, duvido que eu já tenha tido uma aluna que dobrou a vontade do chapéu seletor.

- Eu não fiz nada. – Ela negou suavemente com um sorriso doce. – Por que eu iria querer esse leão perto de mim? Não é como se eu tivesse que cuidar dele.

- Isso é verdade Cassie. – Ele disse orgulhoso de como ela podia negar qualquer esquema escuso convicentemente.

H D

James se sentia desolado, sabia que não devia chorar. Mostrar fraqueza naquele lugar seria seu fim. Ele dividira o quarto com apenas um garoto, um conhecido das festas de Draco, o menino era Fabriccio Zabini, filho de Blaise Zabini. Ele era bonito e um pouco reservado, ele sabia que o menino tinha sido gerado pelo pai e que ninguém sabia quem era o outro progenitor, na comunidade que frequentavam isso era um escândalo, mas sua mãe tinha dito que isso era besteira, que o pai dele tinha o direito de fazer o que quiser e que ninguém tinha nada a ver com isso.

- Já mandou uma carta para o seu pai? – Ele perguntou enquanto desfazia as malas.

- Não, a sabe-tudo já deve ter feito isso por mim.

- Você a chama assim? – O menino perguntou admirado.

James deu de ombros.

- Chamo ela assim desde sempre, é uma rata de biblioteca.

- Ela vai ser a próxima princesa da casa, devia evitar irritá-la.

- Princesa? Aham... – Ele parecia desinteressado, o que fez Fabriccio balançar a cabeça.

- Sabe das tradições aqui, não é?

- Não e não estou interessado, acho que preciso dormir.

O outro menino suspirou, ia dar trabalho ter um Potter em Slytherin.

H D

O riso de sua mãe era um dos sons mais contagiantes que o pequeno James jamis ouvira, ela ria francamente e sempre parecia alegre perto de Colin, por isso, ele se comportava com o amigo da mãe. E ele cozinhava muito bem, tinha feito pizza, uma comida trouxa que ele adorava e que fazia Lucius franzir o nariz quando ele pedia aos elfos da mansão.

James sempre se sentia seguro no apartamento de sua mãe, era pequeno e aconchegante. Ela e Colin estavam conversando e rindo depois do jantar e ele se distraia brincando com uma miniatura de um campo de quadribol onde podia ver uma minúscula Ginny Weasley jogando pelas Harpias. Seu sossego foi quebrado por um grito doloroso de sua mãe, ele levantou-se de chofre e correu para a sala, onde viu sua mãe no chão se contorcendo de dor e Colin sangrando a seu lado, ele ergueu os olhos para a figura esguia envolta em couro negro dos pés a cabeça que empunhava uma varinha em uma mão e uma faca muito afiada em outra. A coisa se aproximou dele e além dos furos para respirar, a única coisa que era visível no rosto da criatura eram seus olhos azuis muito frios, olhos de um predador. O menino ficou paralisado enquanto a figura sinistra se aproximava dele, sentiu a ponta da faca traçar uma linha dolorosa em sua bochecha e seu sangue quente escorrendo pela pele delicada, depois disso ele só se lembrava de flashes, os mais dolorosos com certeza.

Quando acordou James estava deitado na pedra fria de uma masmorra, ou foi isso que disse sua imaginação, algumas tochas iluminavam o lugar e ele pôde ver sua mãe com os braços pendurados por correntes acima de sua cabeça. Foram os gritos dela que o acordaram, ele podia ver uma poça de sangue embaixo dela e sentir o cheiro pungente de urina, o homem apontava uma varinha pra ela e parecia queimá-la, escrevia algo na barriga dela.

- Pare! Por que está fazendo isso? – Ele gritou, tentou se levantar e investir contra aquele homem, mas percebeu que seu pé estava preso, acorrentado a parede como um cão.

O homem eixou sua mãe, ela gemia para ele ficar longe de seu filho, mas ele se aproximou lentamente e se inclinou sobre o menino, que esperou bravamente pela dor que viria, mas nada disso ocorreu, o homem só deixou o couro de suas mascara passear contra os cabelos de James como numa carícia e que murmurou com aquela voz fantasmagórica "você cheira como ele". O menino nunca se esqueceria da voz... a voz que dizia coisas feias sobre sua mãe, que contava coisas sobre Draco e seu pai e que o fez sentir dor quando ele gritou que nada era verdade, que Draco nunca tinha querido outro bebê, que ele queria só a ele. Ele tinha machucado ainda mais sua mãe quando ele insistiu, ele começou a acreditar quando sua mãe numa voz fina e sumida pela dor disse que era verdade, que Draco tinha dito que fora culpa do "monstrinho ruivo" a morte de seu amado bebê.

Os flashes continuavam voltando, por mais que ele tentasse afugentar, se lembrava do homem tocando-o, de sua mãe gritando e do cheiro de sangue e podridão. E das palavras de novo, o homem não o deixava dormir, ficava falando e falando de novo... "só eu sou seu amigo, Draco te odeia, ele é um veela, quer seus próprios filhos e você matou um antes de naser", "seu pai nunca quis você, ele não casou com a sua mãe, ele não liga de eu a estar torturando", "papai não vem te salvar porque não te ama, ele tem o veela bonito dele", "vou matar sua mamãe, só ela te ama, quem vai te querer depois disso?".

James odiava sonhar, ele não bebido sua poção por semanas, ele tinha conseguido parar de sonhar, mas agora tudo voltava e o fazia gemer em sonho. Ele podia ver com clareza o momento em que sua mãe morreu, ela estava lá, nua e pendurada por correntes, seu corpo coberto de sangue e queimaduras. Mas, quando ela viu o homem riscando a faca em sua barriga ela gritou tão alto que os ouvidos dele doeram, um clarão chegou ao quarto e ele viu o homem desaparecer, levado para outro lugar com a magia de sua mãe, ele choramingou feliz e tentou se aproximar para ajudá-la, mas a corrente ainda o prendia no lugar. Ele gritou e esperneou, chamou por seu pai por horas enquanto assistia mis sangue escorrer do corpo de sua mãe, ela sorria docemente pra ele antes de perder a consciência e murmurar um último "eu te amo".

A agonia era tão potente que o fazia chorar em sonhos, podia sentir um par de mãozinhas delicadas em seus cabelos, o perfume delicado envolvendo-o.

- Acorde Jamie, por favor, acorde. Você está me assustando.

Ele tentou bravamente fugir da voz, das imagens horríveis, ele gemeu quando se lembrou de como as mãos cobertas de couro tinham apertado sua garganta, a falta de ar o fez sufocar em meio a seu sono e apavorou Cassandra.

- James Sirius acorde agora mesmo! – Ela ordenou em sua melhor imitação do tom autoritário e assustador de seu pai Lucius.

A menina suspirou aliviada quando os olhos verdes se abriram e o menino voltou a respirar mesmo que com dificuldades.

- Você me assustou, teve pesadelos? – Ela fez uma pergunta óbvia.

- Sim, muitos. – Ele respondeu laconicamente.

Cassandra suspirou e se deitou ao lado do menino outra vez, passaram um tempo sem falar nada, com ela acariciando os cabelos ruivos e macios de James até ele se acalmar de verdade. Ela sabia exatamente quando foi porque parou de sentir os batimentos cardíacos do menino em ritmo desenfreado sob a palma de sua mão.

- O que você está fazendo na ala dos meninos?

- Acordando você.

- Como conseguiu isso? Tem feitiços. – Ele parecia assombrado.

A menina sorriu ladinamente.

- Sou a irmã preferida do Draco, ele foi prefeito por muitos anos, conhece atalhos e alguns truques muito úteis.

- Eu deveria contar isso ao seu pai, seria uma vingança adequada.

- Mas você não vai fazer isso porque teria que dormir sozinho, eu pretendo ficar aqui, então me dê mais espaço e uma parte do seu cobertor.

James suspirou, essa garota tinha herdado o lado mandão de Lucius, mas sem a elegância do mais velho na opinião dele. Mas não reclamou quando ela deslizou a seu lado e o abraçou. Era mais seguro dormir com ela do que sozinho, Cassandra espantava sonhos ruins. Ele ia adormecendo com as caricias dela em seu cabelo quando se lembrou de perguntar:

- O que você fez com Fabriccio?

- O mandei sair. – Ela respondeu simplesmente.

O menino suspirou mentalmente e lamentou pelo colega de quarto ter enfrentado Cassandra numa noite ruim, ela era assustadora.

H D

Colin acordou de mau humor, ele ainda sentia dores pelo corpo da explosão de magia de Ginny, os medimagos acreditavam que eram sequelas do ataque que ele sofreu no apartamento dela "protegendo" os dois ruivos, mas era porque a vadia tinha batido nele com força suficiente para deixa-lo com muitos ossos quebrados e marcas de maldições escuras pelo corpo, coisa que ajudou na veracidade dos ferimentos de seu clone quando ele se incorporou a seu outro corpo em . Ele tinha aprendido essa técnica de um mago japonês muito malvado que gostava de ser dois para poder usar melhor os meninos que pegava nas ruas de Hong Kong, foram fotos maravilhosas que ele fez aquela semana. Ele se espreguiçou tentando melhorar as dores, mas satisfeito consigo mesmo, parte da sua vingança tinha dado completamente certo. James era um pesadelo de problemas emocionais e Ginny tinha morrido horrivelmente mesmo tendo salvado o monstrinho ruivo, ele estava satisfeito, por agora.

Pronto, agora me digam se isso esclarece algumas das milhares de dúvidas e curiosidades de vocês. Galerinha, só lembrando eu escrevo lemons, mas só coloco na história quando encaixa no enredo, então pode levar um tempinho.
Beijos.