Olá, voltei! Espero que gostem. E queria esclarecer que eu não escrevo torturas gráficas (a menos que sejam sexys!), sinto muito por quem se decepcionou com a falta de sangue do Colin no cap. anterior.
Draco estava irritado, Harry estava demorando em conseguir seu simples pedido de chocolates belgas que sua mãe encomendava numa loja em Bruxelas. Qual poderia ser a dificuldade? Scorpius concordava com ele porque se moveu sob sua mão, positivamente irritado com a demora também.
- Seu pai é um leão incompetente. – Ele disse carinhosamente para sua barriga elegante, ele se recusava a se sentir gordo, afinal, aquele era seu filho e não gordura extra.
- Não seja malvado Draco, você o acordou às três da manhã e o fez ir até a Bélgica por uma caixa de chocolates. – Admoestou-o Lucius em seu roupão parado à porta do quarto do filho, ele não gostava de deixar Draco sozinho nessa fase tão avançada da gestação.
- Eu sinto falta dela, eu queria que mamãe estivesse aqui... quero os chocolates dela. – Draco choramingou, amaldiçoando internamente a torrente de hormônios em seu corpo.
- Eu sei que é difícil, mas tenho certeza que ela estaria orgulhosa de você agora. Você vai deixar Teddy viajar com um alfa e nem amaldiçoou ninguém quando te disseram a data...
- Assim que eu me recuperar do parto vou arrancar as bolas do Potter por mandar meu filhote pra longe com um lobo sarnento e vou buscar Teddy nesse clubinho de bola de pelos.
- Recuperar do parto? Você nem sabe quando vai dar à luz. – Lucius provocou-o. – Primeiras gestações tendem a se estender e você ainda nem chegou aos nove meses.
- Ah, mas eu sei sim. – Draco disse altivo. – Mandei Harry buscar meus chocolates porque acordei de mau-humor com a dor do canal de parto se abrindo, isso é muito irritante, parece que estão me cutucando com uma faca trouxa.
Draco tinha certeza de que toda a mansão estremeceu com o grito de seu pai.
- DRACO LUCIUS MALFOY!
- Por que está gritando? Você mesmo disse que ia levar horas de trabalho de parto e...
- Seu... seu... menino estúpido, se acordou com dor e já faz duas horas que despachou seu marido... pelas barbas de Merlin! SEVERUS! SEVERUS!
Os gritos de seu marido tinham acordado o pocionista, que correu para o quarto do enteado vendo-o com lágrimas nos olhos.
- Por que está brigando com nosso menino no meio da madrugada? – Ele perguntou olhando feio para Lucius.
- SEU menino acordou com as dores do canal de parto se formando e mandou o marido dele para a Bélgica para buscar chocolates!
- Por Morgana e Circe juntas! Draco, você se esqueceu de todas as aulas na escola de medimagia? O problema de medimagos especializados é que vocês se esquecem de outras áreas, agora me diga veela tolo, do que parturientes masculinos precisam durante o trabalho de parto?
- Da... da magia do parceiro... meu bebê vai sofrer por isso? – Draco perguntou com lágrimas escapando de seus bonitos olhos.
- Não, porque seu padrinho vai buscar Potter agora mesmo! Eu vou ficar aqui e cuidar de você meu menino tolo. – Disse Lucius começando a juntar os cabelos de Draco e prendê-los, ele se virou para Severus e disse numa voz mortalmente mansa. – Está esperando nosso neto nascer para se mover ou vou ter que te cruciar?
Snape respirou fundo e aparatou fazendo Draco rir.
- É tão lindo quando você o aterroriza! Auch! Doeu mais. – O loiro terminou choramingando.
- Sim, parir não é um passeio no parque.
- Quero o Harry, está doendo mais do que deveria. – Draco disse quando sentiu outra pontada afiada em seu baixo-ventre.
- Sinto muito filho, mas isso é só o começo. – Disse Lucius escondendo um sorriso.
- Potter nunca mais vai transar comigo. – O loiro menor garantiu com gotas de suor em sua testa.
Lucius riu abertamente dessa vez.
H D
Harry odiava chaves de portal, ele tinha conseguido acordar o responsável pelas chaves internacionais e o tinha convencido a preparar uma para ele. O homem o tinha olhado feio até que ele explicou o porquê de precisar ir para a Bélgica no meio da noite, rindo do embaraço do Chefe dos Aurores, o homem disse que sua mulher o tinha feito ir até a Colômbia atrás de uma sopa quando grávida. Harry agradeceu ao fato de que Draco não era dado a coisas exóticas, ele tinha certeza de que não poderia falar espanhol para suprir os desejos de seu marido grávido. E agora que estava com a chave de portal nas mãos, ele respirou fundo e se preparou para o puxão da viagem quando seus instintos o fizeram pegar sua varinha e conjurar um protego antes de um feitiço de Severus passar raspando em sua mão.
- Não precisa me atacar, já estou indo buscar os chocolates do seu filho.
- Não, você vai pra casa ficar com seu marido em trabalho de parto, leão imbecil!
- Trabalho de parto?! Quando isso aconteceu?
- Ele acordou com as dores, mas achou melhor te mandar buscar chocolates belgas, um homem tem que ter suas prioridades, não é?
- Espere até ele estar recuperado, vai ser tão bom castiga-lo. – Harry ameaçou e num piscar de olhos apareceu ao lado da cama de sua cama e de Draco, bem a tempo de ouvir o loiro gritar e se contorcer na cama.
- Harry! Está doendo. – Draco disse parecendo doente.
- Sinto muito amor, alguém já chamou o medimago?
- Eu sirvo ou quer esperar pela volta do obstetra dele como o veela manhoso estava pedindo? – Perguntou o medimago Charles, o mesmo que tinha feito o parto de James.
- Desculpe, não tinha te visto.
- Ele não pode fazer o meu parto, ele vive implicando comigo. Ele nem gosta de mim. – Draco choramingou, ofegante.
- Deveria me agradecer por ter me dado ao trabalho de te ensinar em vez de ficar tremendo de medo da sua língua como meia dúzia dos meus colegas, agora sr. Potter pode conseguir que seu veela me deixe despi-lo para examinar a condição da dilatação do canal de parto?
- Draco...
- Já sei, já sei... mas se eu morrer investiguem a varinha dele. – Draco pediu infantilmente, e se arrependeu quando viu Harry empalidecer notavelmente.
- Você não tem autorização para morrer.
- Eu sei, era uma piada ruim. – Draco garantiu. – O velhote até que sabe o que está fazendo.
Charles deu um suspiro exasperado e moveu sua varinha trocando o pijama de Draco por uma bata hospitalar. O loiro revirou os olhos e corou quando o medimago tocou-o para examinar seu canal de parto.
- Estamos bem, só mais uma ou duas horas e estaremos prontos para o bebê. Vamos ver se nosso rapazinho está na posição certa?
O medimago murmurou o feitiço que mostrou uma imagem espectral do bebê.
- No lugar exato, ele deve ter herdado genes do outro pai, um rapaz muito obediente.
- Você me ama, sou o único aluno inteligente que teve em anos, e olha que você viveu muitos.
- Não sei como você e seu ego cabem no mesmo cômodo jovenzinho.
- É de família, por que acha que os primeiros Malfoys construíram a mansão desse tamanho? – Harry espetou, mas logo perdeu o sorriso quando Draco se arqueou gritando.
- Essa foi ruim. – O medimago comentou. – Desculpe pirralho, mas seu trabalho já está adiantado demais para a poção.
- Eu sei, e eu não ia tomar uma poção que nubla os sentidos. Não quero me esquecer de nada disso.
- Sempre soube que era duro, agora, que tal se concentrar em respirar corretamente para não sentir tanta dor?
- Isso não ajuda, é só para distrair os parturientes imbecis! – Draco rosnou apertando os dedos em seus lençóis de algodão egípcio.
- Deixe de ser absurdo, é um exercício que ajuda a relaxar. OBEDEÇA! Só Merlin sabe o que aconteceria aqui se o frouxo do Wilkins fosse fazer seu parto. – Charles murmurou ao ver o loiro começa os exercícios, ele tinha certeza que o veela tinha passado todo o pré-natal sendo mimado por seu colega.
- Wilkins é um doce de pessoa ao contrário de você! – Draco gemeu se dobrando de novo pela dor.
- Isso é normal? – Harry perguntou. – Ele parece doente.
- Dar à luz é difícil, só seja um marido normal e fique segurando a mão dele. – Charles disse voltando a lançar feitiços de diagnóstico.
Draco olhou carinhosamente para seu marido inquieto a seu lado.
- Relaxe Harry, vamos ver nosso filho logo.
Harry sorriu e segurou a mão do marido. Eles esperaram juntos por mais uma hora até que Draco teve dilatação suficiente para começar a empurrar. Para o moreno esses foram momentos de dolorosa expectativa, ele ainda suava frio pensando no parto complicado de James e na quase morte de Ginny, ele tinha evitado seu temor, mas ele tinha pavor de perder Draco nesse parto.
- Empurre com mais força pirralho! – Charles o incentivou.
- Vá pro inferno velhote! – Draco gritou de volta ao cair em seus travesseiros, ofegante e suado.
- A próxima já vem ai, vamos lá garoto, sei que se livrar dessa barriga enorme! – O medimago brincou e na próxima contração Harry teve certeza de Draco tinha empurrado com tanta vontade para tentar enforcar o medimago entre suas pernas.
Harry não sabia se ria desses dois ou se preocupava pelo grito agudo e nada Malfoy que Draco deu pouco antes de ouvir o choro forte de um bebê. Draco ria quando o sacudiu para tirá-lo de seu estupor.
- Vamos lá amor, ele está bem, não é como James. Eu estou bem também.
- Certeza? – Harry perguntou infantilmente.
- Venha aqui e veja com seus próprios olhos, leão preguiçoso. – Disse Lucius, que limpava seu neto choroso dos fluidos do parto. – Leve-o para o seu marido. – O veela mais velho instruiu.
Draco nem se importou em continuar brigando com Charles, que usava feitiços para tirar sua placenta e fechar o canal de parto, concentrado em ver como Harry segurava o filho deles com reverência e sorria como um bobo. Ele negaria a vida toda, mas quando o moreno colocou o pequeno pacotinho em seus braços ele tinha lágrimas escorrendo por seu rosto.
- Ele é perfeito! – Draco murmurou.
- É lógico que ia dizer isso, o bebê tem a sua cara pirralho presunçoso. – Charles disse brincando e Draco perdeu toda sua pose Malfoy para dar um pequeno pontapé no ombro do medimago.
- Quieto velhote.
Lucius sacudiu a cabeça pela falta de decoro do filho enquanto Severus e Harry riam.
H D
Cassandra se sentia positivamente embaraçada pelo arroubo muito gry de James ao receber uma carta dos pais contando que ele já era um irmão mais velho. O ruivo tinha começado a pular no meio do grande salão e ela desconfiava que teria dançado sobre a mesa se pudesse. Ela deu um sorriso condescendente para ele e depois mal podia aguentar toda a energia do amigo em sua ansiedade pelo fim de semana, ele queria muito conhecer seu irmão.
Como de costume no fim de semana que iam para casa eles encontraram Teddy nos jardins, só que dessa vez ele estava com uma Victorie que parecia muito irritada para o gosto de Cassandra, ela achava a menina extremamente deselegante. A loira segurou James pelo braço quando percebeu que a briga dos dois namorados estava inflamada demais, ela olhou abismada quando Victorie começou a brilhar, ela tinha sentido a magia veela de seu pai vezes o suficiente para saber que aquele não era uma manifestação amigável, era como quando seu pai estava furioso com seu pai Severus. Só que pelas lágrimas descontroladas da menina, ela sabia que a jovem veela jamais teria o controle de Lucius para não atacar seu parceiro. Ela e James viram como a magia dourada de Victorie se inflamava e agiu como um chicote impulsionando Teddy para as paredes do castelo.
- Não! O que você está fazendo Vic?! – James gritou ao lado dela.
- É sua culpa! É tudo culpa sua seu cretino! – A menina reclamou descontrolada.
Quando a menina mais velha avançou para James, Cassandra viu como o menino já tinha sua varinha em mãos e murmurou um feitiço simples que tinham aprendido logo que entraram na escola. Logo, sua prima flutuava muitos metros acima deles e puderam correr para verificar Teddy, que estava sentado perto da parede parecendo machucado.
- Jamie, vá buscar alguém em vez de ficar parecendo um idiota.
- Certo, cuide dele.
Cassandra se sentou ao lado de Teddy, para nada assustada com seus olhos amarelos, típicos de sua forma lupina.
- Tem que terminar com ela, sabe disso, não é? É uma veela muito chata e pegajosa, teve uma crise de ciúmes e te atacou. Esse não é um relacionamento saudável.
- Eu tinha terminado, acho que por isso ela ficou meio louca. Também porque vou viajar, oh, acho que quebrei o braço, isso doí. – Ele comentou, um pouco envergonhado.
Cassandra se compadeceu do mais velho e o abraçou, Teddy era muito apertável na visão dela, mas ela ainda se lembraria de perguntar a idiota com genes deselegantes sobre culpar James, ela só esperava que não fosse nada do que ela pensava.
H D
Draco ficou furioso, claro que ele teria ido exigir a expulsão da filhotinha sem graça da Fleur se não estivesse se recuperando de seu parto. Ele recebeu os três meninos em seu quarto, devidamente arrumado e sereno, nada parecido com o parturiente irritado de três dias atrás. Ele segurava Scorpius quando James pulou em sua cama, o menino tinha os olhos arregalados e olhou avidamente para o bebê em seus braços.
- Eu lavei minhas mãos e coloquei roupas limpas. – O ruivinho afirmou.
- Venha aqui filhote, sente aqui comigo.
O menino se aproximou e se sentou ao lado do veela para logo depois receber em seus braços seu pequeno irmão.
- Ele é loiro como você.
- Mas tem os olhos dos Potter, cuidado com a cabeça, isso, desse jeito. – Draco instruiu.
- Olá Scorp, sou seu irmão James, tem que me obedecer porque sou mais velho e mais esperto.
Cassie revirou os olhos ao ouvir isso.
- E mais modesto também... quando vou poder segurá-lo? – Cassandra perguntou.
- Não, ele é meu irmãozinho, vai ficar aqui. – James protestou, interessando em como o menino podia bocejar e parecer lindo com uma boquinha sem dentes.
- Não seja egoísta Jamie, nós também queremos conhecer o Scorpius. – Teddy disse.
- Ok, mas você não vai segurá-lo com esse braço defeituoso. – James disse brincando.
- Ei! Madame Pomfrey o deixou perfeitamente bom!
- Sei... – James provocou ainda.
H D
Draco tinha o coração na mão quando s despediu de Teddy no final daquele ano letivo, ele esperava sinceramente que a temporada do menino com outros lobos o ajudasse em suas transformações, mas odiava ter seu filhote afastado dele.
- Vai se cuidar, não é? Nada de se machucar ou...
- Eu vou ficar bem Draco, vão ser só dois meses. – Teddy tranquilizou-o. – Vou voltar antes que se dê conta.
- Eu vou te buscar antes... se lembra do seu anel certo? Se algo der errado, se ficar assustado é só ativá-lo e voltar para casa.
Harry assentiu atrás de Draco, ele mesmo tinha enfeitiçado o anel e dado de presente para o afilhado. Ele tinha plena confiança em Dimitri, mas ele também se sentia mal de se separar do menino.
- Volte logo, e não se esqueça de avisar que chegou e se instalou. – Harry instruiu.
- Podem esperar no pé da lareira. Já vou, Dimitri deve estar me esperando, se cuidem. Tchau! – O menino desapareceu com o barulho próprio da chave de portal.
- Ele vai ficar bem, certo?
- Sim, é bom para as crianças saírem um pouco de casa. A ida dos nossos filhos é mais normal que a nossa, estou pensando em mandar o James para aquele acampamento de quadribol ano que vem.
Draco estremeceu fazendo um beicinho para o marido.
- Não fique chateado, os filhos crescem rápido assim mesmo. Agora, vamos para a casa, quero me despedir do Scorpius antes de ir para a Central.
H D
Lucius sorria para seu neto quando Draco e Harry chegaram do Ministério.
- Como foi? Ele chorou e esperneou?
- Não, foi um menino forte. – Draco respondeu sorrindo.
- Não estava falando do Teddy filho, mas de você.
- Há-há, que engraçado. – Draco respondeu olhando feio para o pai.
- Os dois se comportaram muito bem. – Harry disse. – Agora, que tal me dar meu filho para que eu possa me despedir?
- Não sei Potter, ele está confortável onde está... – Provocou Lucius.
- Não seja malvado papai. – Draco pediu sorrindo.
Lucius ainda sorria ao entregar o bebê para Harry e comentou:
- Ah, James me pediu para contratar um professor de voo porque quer entrar para o time de quadribol ano que vem, achei uma excelente ideia, o que acham?
- Acho que está mimando meu filho além dos limites.
- Claro que não, eu nunca mimaria um Potter, isso é um verdadeiro absurdo. – Lucius negou com dignidade.
Harry não aguentava a cara-de-pau de seu sogro e como sempre nessas situações, começou a rir.
- Contrate a droga do professor, ele só vai aflorar os genes brilhantes dos Potter mesmo.
- Estaria mais para neutralizar tais genes... – Lucius murmurou.
- O quê? – Harry perguntou distraído com as carinhas fofas de Scorpius.
- Nada Potter... nada. – Desconversou Lucius.
Os dois veelas sorriram para o moreno que babava em seu filho.
H D
Dois meses depois...
Teddy achou que uma surpresa para sua família seria interessante, por isso, pediu a Dimitri que arrumasse sua viagem de volta. Faltava apenas uma semana para que as aulas recomeçassem e ele estava ansioso para rever sua família, claro que as proteções da mansão denunciaram sua chegada mal ele passou pelos portões, ainda tinha um longo caminho até a mansão, a propriedade dos Malfoy era enorme e era cercada por jardins e campos. Seus sentidos o aletaram do trote leve de um cavalo, ele sabia quem era antes mesmo de sentir o cheiro, afinal, era só Lucius quem gostava desse esporte.
- Teddy! Por que está se esgueirando como um ladrão? Teríamos ido te buscar como se deve...
- Entrar pelo portão dificilmente é se esgueirar. – O menino disse sorrindo para o loiro. – Vovó disse que era impossível entrar numa mansão bruxa tão antiga sem ser detectado, mas eu pensei em tentar...
- Bem-vindo! Venha, vamos te levar para seu veela saudoso. – Disse Lucius estendendo a mão para o jovem lobisomem subir no cavalo com ele.
- Estamos falando do Draco ou de você? – Teddy brincou, piscando o olho para o mais velho muito coquete.
- De Draco claro, eu não sinto saudades, é muito mundano para mim. – Lucius afirmou, provocando o menino.
- Imagino que sim. – Disse Teddy com um sorriso divertido e um brilho malicioso no olhar. – Ouvi histórias interessantes sobre você e lobisomens...
- Cuidado Teddy, a curiosidade pode fazer lobinhos caírem nas garras de bruxos malvados. – Lucius disse com um sorriso batendo com o indicador nos lábios cheios do adolescente.
O menino corou, mas não se afastou do homem que enlaçou sua cintura e incitou o cavalo a trotar rumo à mansão. Quando eles chegaram perto dos jardins Teddy podia ver Draco e Harry sentados numa manta sob o fraco sol da manhã e ele podia jurar que o carrinho ao lado deles era de Scorpius.
- Ei veela bonito, queria me ver? – O menino gritou pulando do cavalo e indo correr para os braços de Draco.
Lucius sorriu para a cena da chegada de Teddy e levou o cavalos para os estábulos, sentiu a presença de Severus mais do que o viu.
- Nunca vou entender a graça que você em cavalos... eles nem são alados.
- São bonitos, e meu lindo Áries é um campeão muito bem treinado. Ele nem tremeu com a presença de Teddy, seria um excelente cavalo de guerra, se ainda vivêssemos nessa época, claro.
- Sei... e por que esse brilho de menino travesso em seus olhos?
- Nada, só achei divertido que Teddy tenha despertado uma paixonite adolescente por mim.
Severus riu.
- Filho deLupin, é claro.
- Se ele fosse do Black teria herdado a queda dele por você. – Provocou Lucius. – Aqueles dois eram destinados, como Teddy e James, eles só demoraram em ficar juntos porque Black era um lento.
- Esperemos que ter herdado o nome do pulguento não faça com que James seja tão lento... ou imagino que terei que te punir por andar seduzindo lobos inocentes.
- Imagine... quando seduzi Remus de inocente ele não tinha nada. – Disse Lucius fazendo um beicinho.
H D
Draco ainda não se sentia preparado para voltar ao trabalho, ele amava trabalhar em St. Mungo, mas queria ficar em casa com Scorpius mais um tempo, quem sabe até pelo menos o primeiro aniversário do bebê. O pequeno loirinho era o xodó da casa como era de se esperar, ele e Harry tiveram alguns problemas com James depois do nascimento do caçula, o ruivo tinha adorado o irmão, mas isso não impossibilitou que ele sentisse ciúmes da atenção que o bebê recebia. Ele até mesmo tinha feito as pazes com Molly para poder se esconder n'A Toca em seu aniversário porque estava chateado com o que achava que era falta de atenção dos pais. Ele tinha voltado uma semana antes de Teddy, e ainda estava estranho, era noite alta já e Draco estava dando uma mamadeira para Scorpius quando ouviu passos no corredor, era James claro. Cassandra o tinha expulsado de sua cama, alegando que ele tinha sido um fujão e infantil ao ir para os Weasley, e o ruivo ainda estava tentando ganhar o perdão da menina.
- James? Venha aqui. – Draco chamou.
O menino obedeceu e entrou no quarto branco de Scorpius, o bebê estava muito interessado em sua mamadeira, mas largou o bico para dar um sorriso desdentado para seu irmão mais velho antes de voltar a comer.
- Ele te ama, ele não larga a mamadeira quando é seu pai.
- Eu só tenho cabelos mais chamativos. – James brincou.
- Não consegue dormir?
- Não... pesadelos.
- Quer que eu fique com você?
- Eu não sou uma criança, tenho doze! – O menino protestou em voz baixa.
- Tão velho. – Draco disse sarcasticamente. – O que seu terapeuta disse dos sonhos?
James soltou um suspiro.
- Só um jeito de eu ser confrontado pelos fatos que quero ignorar. – O menino disse com voz em falsete, imitando o medimago. – Eu durmo bem com a Cassie, o que invalida os argumentos dele. – Teimou o menino.
- Dorme bem com ela, como dormia comigo e seu pai porque se sente seguro. Pretende dormir com ela até quando? Quando ela arrumar um namorado ele não vai gostar disso.
James franziu o cenho.
- Namorado? Que namorado? Ela é muito nova pra isso e... e... – James não encontrou argumentos, fez um gesto irritado.
- Ok, ok... entendi. – Draco disse com um sorriso. – Treinou com seus tios?
- Sim, podemos montar um time inteiro na casa da avó! – O menino disse animado. – Tio Ron disse que eu seria um excelente batedor, ele acha que vou ficar muito grande para apanhador.
- Pode jogar em qualquer posição que quiser, tem tempo para escolher ainda.
- Não! Os testes vão ser logo e quero garantir minha vaga, preciso ser específico, além disso, Cassie é uma buscadora bem melhor que eu. Ela voa como uma possuída.
- Verdade, ela voa com muita elegância.
James revirou os olhos.
- Está com ciúmes porque ela está mais interessada no pomo que você na idade dela.
- Ah, não pode me culpar por isso. Seu pai me desconcentrava com aquela bunda num uniforme apertado.
O ruivo fez uma careta de desgosto.
- Não na frente do bebê, ele é inocente seu pervertido!
Draco riu suavemente e deu palmadinhas no braço da poltrona.
- Fique aqui, assim que Scorpius dormir cuidarei de você.
- Claro, seu filho primeiro. – James disse entredentes.
- Não, só porque ele é um bebê pequeno. Não gosto dos seus ataques de ciúme, são injustificados. – Draco disse sério. – E nem pense em se trancar no quarto James Sirius, eu sei mais feitiços que você.
James lançou ao padrasto um olhar venenoso, mas saiu silenciosamente do quarto, ele nunca perturbaria a paz que reinava no cantinho de Scorpius, mas ele ainda tinha dificuldades para controlar seu temperamento explosivo, principalmente quando os ciúmes o dominavam.
Ele ainda refletia sobre seu mau temperamento e pensava na bronca que ia ganhar do pai pela manhã quando Draco entrou no quarto com um recipiente na mão. Ele ficou quieto na cama, encolhido num canto. O veela se sentou e passou as mãos em seu cabelo.
- Aqui, não é poção para dormir sem sonhos, mas é um sonífero leve, uma fórmula que usa algumas ervas fracas, até os trouxas usam essas.
James franziu o cenho, mas bebeu assim mesmo e se surpreendeu ao ver que não tinha um gosto horrendo como a maior parte das poções.
- Agora, você vai fazer um exercício. Vai limpar sua mente, ouça só a minha voz.
- Quer me hipnotizar?
- Claro que não, só te ajudar a dormir já que não quer minha bela companhia.
- Desculpe por isso, é só que às vezes é difícil. Sinto como se fosse explodir, já se sentiu encurralado?
- Mais do que imagina meu bonito, mais do que imagina... – Draco suspirou, odiava ver James em tamanho turbilhão emocional, Harry tinha vencido a guerra para evitar isso.
- Por causa da guerra?
- Sim, era assustador. Quer falar sobre isso?
- Você quer?
Draco sorriu, seria interessante, ele e seu filho de doze anos insones e dividindo angústias de traumas passados.
- Te conto o meu se contar o seu. – Draco brincou.
- Isso nos vestiários de Slytherin soaria como um convite pervertido.
- O que aqueles adolescentes hormonais andam propondo para o meu bebê?! – Draco perguntou horrorizado.
James riu, Draco nunca deixaria de ser uma dramático superprotetor.
Daqui para a frente vamos saltar uns aninhos na fic para podermos ver mais de Teddy e James! Beijos.
