Olá, eu voltei! Leiam logo que estão curiosos, que eu sei.
Fabriccio não podia deixar de sorrir ao ver o casal de amigos sorrindo um para o outro naquela manhã. Nem parecia que iam começar com os terríveis exames na semana seguinte, nenhum dos dois estava muito preocupado com isso no momento. Enquanto vários estudantes entravam em pânico, o casal mais famoso da escola se concentrava em tecer planos para aquela noite, ou melhor, cada um buscava uma maneira de surpreender o outro, já que era algo difícil naquela relação.
– Vocês dois vão fazer alguém vomitar o café da manhã se continuarem sorrindo desse jeito. – O italiano provocou o casal, fazendo cara de nojo.
– Está com inveja porque ainda não arrumou nenhum outro namorado depois do imprestável. – James respondeu, sorrindo.
– Como se isso fosse fácil depois de você ter infernizado o Luca por seis meses, ele pediu transferência pelo amor de Merlin. – O italianinho retrucou, cruzando os braços. – Agora todos os meus pretendentes tem medo de sequer chegar perto.
– Você não ia querer nenhum desses covardes, mesmo. – Disse James dando de ombros.
– Acho que como minha condição de solteirão é culpa sua, você é que devia tomar providências e me fazer ter orgasmos fantásticos. – Fabriccio reclamou.
Cassandra sorriu.
– Ele está certo amor, o que acha de ganhar o Fabriccio de presente? Posso deixá-lo amarrado numa cama com a pele brilhando de óleo de massagem. – Cassandra disse, provocando o namorado.
– Sim, nós dois, só pra você. – Fabriccio disse, insinuante.
James engoliu em seco e olhou de um para o outro sem saber se eles estavam brincando ou não.
– É bom eu ganhar alguma coisa estupenda nesse aniversário de namoro, ou juro que vocês dois é que vão terminar de joelhos pra mim. – Ele prometeu, muito sério e sedutor, antes de se levantar e sair da sala.
Fabriccio começou a se abanar com o guardanapo e Cassie sorriu de lado. Ela esperava que aquele fosse um bom dia.
– Você tem planos muito bons para essa noite, não é? – Fabriccio perguntou. – Ele é bem capaz de nos colocar nos joelhos e…
– Claro que sim, relaxe. Meu presente envolve um colar de pérolas e algemas. – Ela revelou. – O que ele fez? Sei que você sempre o ajuda.
– Não posso dizer, sabe como ele é. – Se desculpou o italiano.
– Eu acho que meu pai pode me dar um pouco de Veritaserum. – Ela ponderou, olhando para o amigo.
– Eu vou indo… ficarei longe dos dois e amanhã me contam como a noite foi divertida pra me deixar com inveja e com as bolas roxas. – Ele reclamou, fazendo um beicinho.
– Pobre menino. – Ela zombou vendo-o se afastar.
T J C
James sabia que Teddy estava no cio, só isso explicaria porque o lobisomem tinha se trancado no quarto pelos últimos dois dias. Ele estava preocupado porque era plenamente consciente de como o cio afetava o ômega, mas seu pai tinha dito que Severus e Draco tinham criado uma poção que ajudava a controlar o incômodo, apesar de não impedir que ele sofresse. Tudo o que ele queria era entrar no quarto e se deitar com Teddy para acalmar aquele cio, seu estômago torcia só de pensar no rapaz de cabelos azuis sofrendo. Ele parou na porta do quarto e bateu de leve, de jeito nenhum entraria no local, já que seu cheiro ia piorar mil vezes a situação do ômega.
– Teddy? Você está bem? – Ele gritou.
– Claro que não, filhote imbecil, suma daqui a menos que queira entrar e dar um jeito na situação. – A voz fria e irritada de Draco chegou até ele como uma chicotada.
– Mas…
A porta se abriu e Draco saiu rápido como um pomo antes de fechá-la.
– James, sei que esta preocupado, mas o lobo pode te sentir perto e não é bom para o Teddy quando o lado primitivo está irritado, não sei se ele vai ficar feliz na próxima transformação, mesmo com você por perto.
James rilhou os dentes, sabendo que seu dia perfeito ia ser um mar de culpa e auto-recriminação. Ele não queria que nada disso acontecesse com Teddy, ele deveria estar lá dentro, fodendo o ômega e fazendo-o feliz, mas também queria a namorada e isso era de enlouquecer qualquer um. Ele suspirou e olhou para Draco, que tinha clavado seus olhos cinzas nele de forma acusatória.
– Eu vou indo, então. E podia parar de me olhar desse jeito, eu não pedi pra estar nessa situação. – O ruivo reclamou com o padrasto.
– Não, não pediu, mas anda desfrutando bastante pelo que me consta. – Draco atacou. – Seu pai não pediu para ser o escolhido para matar Voldemort, mas lidou com a situação. Eu não pedi para ser veela, mas lidei com a situação… você? Está fugindo como um menino assustado e machucando muita gente no processo, cresça e tome uma decisão pelo amor de Merlin! – Exclamou o loiro. – Sua mãe estaria decepcionada com a sua falta de integridade.
James acusou o golpe e olhou ferido para o padrasto.
– Não me olhe assim, James. – Draco pediu. – Sabe que eu não menti, ela era uma vadia insuportável e vingativa, mas tinha mais decisão e coragem do que muito homens por ai. O fato de não mentir para a Cassie sobre suas escapadas com o Teddy não a machuca, eu sei, mas o machuca. Ele é obrigado a aceitar suas migalhas de afeto porque ele é uma criatura e não pode evitar. – Draco terminou, cortante.
– Então, eu sou um canalha completo não importa de onde você olhe. Estou surpreso que ainda me deixe chegar perto do seu filho. – James disse, frio.
– Não, não faça isso. Não se atreva a questionar meu amor por você. – Draco disse, imperturbável. – Eu não acho que você é um canalha, mas acho que está fazendo isso do jeito errado. Odeio ver Teddy reduzido a esmolar sua atenção quando ele devia ter toda ela.
– Mas eu quero a Cassie também! E ele não pode dividir.
– James, vocês tem dezessete anos e namoram desde os catorze. Claro que você pensa que a ama, mas é o costume. Olhe nos meus olhos e me diga que não se sente completo ao lado do Teddy, negue que toda vez que o toca sente sua magia arrefecer a inquietação de quando está longe… negue que sonha com os olhos deles e que pode imaginar perfeitamente seus filhos. – Draco argumentou. – É amor, e é mágica também.
James recuou dois passos.
– E não, eu não estou usando legilimência com você, eu só conheço meus filhotes. Você se apaixonou por ele, pude perceber nas suas cartas, pelo jeito como você criticava o cabelo dele ou de como pôde dizer que disco seu pai poderia comprar para ele quando foram naquela loja trouxa. Agora, me diga, escreveu pra nós sobre esses encontros por quê?
O ruivo continuou calado e só negou com a cabeça.
– Escreveu sobre ele, porque sabia que podia contar aos seus pais algo que a Cassandra não suportaria ouvir, que se apaixonou por ele. Só quer protegê-la.
– Ela sabe! Ela sabe, seu idiota e é isso que vocês não entendem! – Ele gritou. – Ela soube desde a primeira vez que voltei da Casa dos Gritos e nunca disse uma palavra contra, ela pode ver através de mim e não me recriminar porque ela me ama. Mas vocês, cada vez que eu olho nos olhos dele posso ver a reclamação muda, posso ver a dor quando ela me beija ou abraça. Vocês a chamam de egoísta, mas quem é que não pode dividir? – Ele perguntou.
Draco pensou no que o enteado disse por um minuto.
– Não reclamar é o jeito dela de lutar por você e sabe disso. Abra seus olhos James, minha irmã só não entrou num confronto direto com Teddy porque ela tem medo do resultado.
James sabia, mas ele faria o mesmo se estivesse no lugar dela, os dois eram Slytherin antes de tudo. Nem ele sabia o que faria numa situação dessas e uma boa serpente não se arriscava sem saber que tinha a vantagem.
– Vou voltar com o Teddy, só vim dar a poção e daqui a pouco tenho que ir. Devia usar o dia para decidir o que fazer.
– Como se eu não pensasse nisso todos os dias. – James disse, revirando os olhos.
Draco não respondeu, só o viu partir dando um suspiro cansado.
T J C
James passou a tarde pensando, ficou a maior parte do tempo nos jardins da escola. Quando o sol estava se pondo, sentiu um par de braços conhecido abraçando-o pelas costas e sorriu.
– O calamar vai ser meu presente? – Cassie perguntou, já que ele tinha passado boa parte do dia olhando o lago.
– De jeito nenhum, ele é mais bem dotado que eu. – Ele brincou.
Ela riu e deu um tapa na cabeça do namorado.
– Que nojo, James.
– Veio só me sondar sobre seu presente, ou pretende começar com o meu agora?
– Eu vim te dizer que deve me encontrar na Sala Precisa depois do jantar, não demore ou vou começar sem você. – Ela ameaçou.
– De jeito nenhum! – Ele garantiu, beijando-a.
Ele sorriu mentalmente, nunca deixava de estar feliz perto dela, era como a lua, que o iluminava e inspirava, mas ainda podia sentir um frio insinuante no peito, a preocupação com Teddy e as palavras de Draco ainda ecoavam em sua mente.
T J C
A noite já tinha caído no Colégio, o jantar tinha sido estranho para James, já que ele tinha se preparado para não deixar Cassie perceber o quanto ele estava abalado pela conversa com Draco. Tudo o que ele não precisava era aumentar os motivos da briga desses dois, só Merlin poderia adivinhar o que aconteceria se esses dois resolvessem levar a briga a um patamar mais sério. Cassie era comedida e fria, mas Draco apesar de ser uma serpente tinha muitos rompantes passionais dignos da casa vermelho e dourada.
Ele caminhou muito calmamente para seu quarto nas masmorras, sabia que tinha que estar perfeito para o aniversário de namoro ou Cassie iria castigá-lo, de uma maneira deliciosamente erótica, mas ainda assim, seria um castigo. Sem muita pressa, ele tomou banho e se trocou, quando estava arrumando sua gravata ouviu uma estranha comoção no salão e fez sua melhor cara de mau, pronto para colocar ordem na bagunça do primeiro ano. Quando chegou ao local, o que ele viu foi alunos em pânico e não uma briga.
– O que diabos está acontecendo aqui?! – Ele trovejou.
O silêncio foi imediato e ele olhou para Fabriccio, que tinha tentando conter o pânico dos alunos do primeiro ano e agora parecia emburrado por James conseguir ordem tão facilmente.
– Os professores despacharam todos os alunos para as salas comunais. Tem feitiços protetores adicionais nas portas. – O italiano disse, parecendo nervoso.
– Por quê? – James perguntou, preocupado, Cassie estava sozinha na Sala Precisa.
– A escola foi invadida. Foi um bando enorme de lobisomens. – Fabriccio disse, de um fôlego só.
James levou três segundos para correr em direção a porta. Ele saiu da sala rapidamente, não sem antes lançar alguns feitiços de proteção que seu pai tinha ensinado. Os corredores estavam vazios e ele podia ouvir rosnados e os gritos de professores, que lutavam pela escola. Com o mapa do Maroto nas mãos ele seguiu os corredores secretos e saiu no corredor do quarto de Teddy, pôde ver como tinha um lobisomem rosnando e investindo contra a porta do quarto do ômega. James poucas vezes na vida tinha visto o mundo banhado de vermelho, mas essa era uma das ocasiões em que o primogênito Potter perdeu as estribeiras e uma maldição ensinada por Lucius acertou o lobisomem em cheio, fazendo-o cair numa confusão de pêlo negro e sangue. James não se enganou ao analisar o inimigo, aquele era muito pequeno e franzino para ser um alfa, era só um batedor, um beta fraco na melhor das hipóteses. Quando o lobisomem começou a se incorporar ele lançou um desmaius potente e logo um feitiço restritivo, dificilmente seguraria o lobisomem quando acordasse, mas daria mais tempo.
– Teddy, abra a porta! Precisamos sair daqui. – Ele gritou, batendo na porta.
Quando o ômega abriu a porta, parecia assustado e irritado ao mesmo tempo.
– Eu avaliei mal. Não eram dois ou três lobisomens desgarrados, um alfa deve ter formado uma força de ataque. – Teddy comentou, os cabelos pretos devido a seu humor escuro. Parecia um pouco doente, como alguém com gripe.
– Por você? – James questionou, segurando-o pelo braço e sentindo o outro estremecer sob seu toque.
– Sim, sou um prêmio muito apetecível, sabe? – O lobisomem brincou.
– Foda-se meus planos então, vamos te levar para o salão e fazer uma orgia. – James reclamou, sem nenhum humor.
– Não seja atrevido, além disso, quando usa essa voz e estufa o peito me deixa mais excitado do que o cio. – Teddy disse, langoroso, se encostando no ruivo.
James rilhou os dentes. Era difícil controlar sua vontade de corresponder aos pedidos do lobo quando sua magia também pedia isso. Ele sabia que não devia ceder, mas só de pensar em um alfa qualquer chegando perto de Teddy, ele tinha vontade de ter um tapete de pele de lobo em seu quarto na mansão. Sem pensar ele jogou Teddy na parede e prensou-o na pedra fria com seu corpo, o ômega gemeu e se esfregou contra o ruivo, o som gutural saindo de sua garganta foi cortado pela boca possessiva de James, que cobriu a sua própria. Quando suas línguas se entrelaçaram, Teddy pensou que iria derreter e só pôde apertar seus dedos na camisa de James, sentindo como o ruivo sugava sua língua sensualmente. O ômega tinha sonhado com isso por um longo tempo, já que em suas "brincadeiras" James nunca o tinha beijado e era uma sensação abrumadora, que ele tinha certeza que poderia levá-lo ao céu. Os dois estavam tão focados um no outro que nem perceberam o vulto que se aproximava lentamente pelo lado oposto do corredor.
Quando os dois se separaram, ofegantes e mergulhados um no outro. Ouviram uma voz firme e conhecida gritar um feitiço potente:
– Estupefaça!
A voz de Cassandra acordou James de qualquer estupor que a proximidade de Teddy pudesse causar e o ruivo só teve tempo de se virar e colocar o corpo diante de Teddy, imprensando o ômega na parede e sacando sua varinha para conjurar um protego rapidamente. A loira fez um esgar de desprezo quando os dois finalmente olharam para trás para ver o enorme lobo branco que agora jazia inconsciente do outro lado do corredor.
– Obrigada pela confiança, amor. – Ela disse, girando sua varinha.
– Cassie…
– Se vai tirá-lo daqui, sugiro que use a lareira da McGonagall. – Ela interrompeu-o.
James puxou Teddy e começou a andar rápido, sabia que ela estava logo atrás deles, podia ouvir os saltos da bota que ela usava. Sabia que estava encrencado, já que ela sim devia ter saído da Sala Precisa e ido diretamente procurá-lo. Isso seria o inferno de explicar. Não foi difícil chegar ao escritório da diretora, até que o ruivo se lembrou de que precisavam da senha.
– Puta que pariu! Não temos a senha. – Ele gemeu, batendo a cabeça na parede.
– Deixe de ser ridículo, ele é um professor, sabe a senha. – Cassandra disse, revirando os olhos.
– Sim, eu sei, saía da frente, dramático. – Teddy enxotou-o.
Quando Teddy se aproximou da pequena gárgula para dizer a senha, os três ouviram um rugido animal e feroz, ao mesmo tempo em que viam o enorme lobisomem cinzento avançar na direção deles. James se colocou a frente de Teddy e lançou um potente feitiço aturdidor no lobo, que pareceu ne, sentir, recuando apenas alguns metros para trás.
– É um alfa sangue-puro! – Teddy murmurou, impressionado e assustado. – Resistente a feitiços, é muito forte.
– Mais um motivo pra você falar a porra da senha e sumir daqui! – Cassie gritou, enquanto girava sua varinha para lançar uma série de feitiços cortantes, que acertaram uma das patas do lobo, fazendo-o guinchar de dor.
Teddy murmurou a palavra animago rapidamente, e a parede começou a se abrir e a escada estreita surgiu.
– Vai logo! Não podemos subir os três, ele vai conseguir ir nos seguir e de jeito nenhum vou enfrentar esse bicho num espação restrito! – Cassie disse.
James que já tinha empurrado Teddy pelas escadas, parou de súbito. O ômega segurava sua mão, trêmulo e incerto, ele olhou para os olhos ambarinos do rapaz e ouviu como Cassie gritava outro feitiço restritivo, ao mesmo tempo em que ouvia a voz de um dos aurores de seu pai.
– Vem comigo, por favor! – Teddy pediu, parecendo desamparado.
O ruivo olhou para trás e viu como a trança intricada que prendia o cabelo de Cassie se movia graciosamente enquanto ela girava para desferir outro feitiço certeiro no lobo, que rugia enfurecido. Foi um instante fugaz em que os olhos cinza da menina e os verdes de James se encontraram e ele ficou paralisado, sem saber o que fazer. Isso até que viu pelo canto de olho como dois lobisomens negros chegavam no corredor, ele fez sem pensar, simplesmente empurrou Teddy com mais força e deixou a parede de pedras se fechar atrás dele.
T J C
Lucius chegou na escola quase ao mesmo tempo em que os lobisomens começavam seu ataque. O problema era que os lobos estavam em maior número do que ele tinha imaginado e mesmo ao lado de Harry e um contingente grande de aurores, tiveram dificuldades para avançar por dentro do castelo e alcançar os andares superiores onde imaginavam que estavam os lobos mais perigosos. Eles podiam ouvir os rugidos animais e feitiços furiosos enquanto avançavam, mas sabiam que graças as técnicas de caça do loiro, não seria difícil conter os lobos.
– Onde é que Teddy se meteu?! – Harry perguntou para o nada, correndo ao lado de Lucius e lançando alguns feitiços esporádicos.
– Deve ter ido para o escritório da diretora, ele não é tolo e sabe que o melhor local para ele no momento é a mansão. Além disso, é o local mais difícil para os lobos acessarem.
Harry assentiu, mas ainda assim não podia deixar de sentir um aperto no peito só de pensar no que poderia estar ocorrendo com Teddy. Foi com horror que ele chegou no corredor do escritório da diretora. Havia um enorme lobisomem cinzento sangrando profusamente e ganindo lastimeiramente, um som que evocava lembranças dolorosas da guerra nele, mas quando viu Cassie ao lado de um auror, ajoelhada e parecendo exausta por sustentar com a ajuda dele um escudo potente que mal resistia as investidas de um lobo negro que gania enlouquecido seu sangue gelou. Lucius reagiu primeiro ao ver sua filha em perigo e com dois feitiços rápidos deu cabo do lobisomem, que caiu ao lado de outro, igualmente negro, mas que parecia morto.
– Cassie, você está bem? – Harry perguntou ao vê-la sangrando no ombro, enquanto Lucius usava feitiços especiais para prender os lobisomens vivos.
– Sim, foi só um golpe com as garras. Doí para caralho, devo ressaltar. – Ela disse, quando o cunhado afastou o tecido de sua túnica azul céu para lançar feitiços curativos.
– Onde está Teddy? Você o viu?
A loira assentiu, mas foi para o pai que olhou.
– Eles foram juntos? – Lucius perguntou.
– Ele escolheu o lobo. – Ela concluiu, com lágrimas grossas escorrendo por seu rosto manchado de sangue. – Ele escolheu a ele.
Harry praguejou ao ver a menina chorar, mas se sentiu aliviado ao saber que o filho e Teddy deveriam estar seguros em Malfoy Manor.
– Sinto muito. – Ele disse.
– Sente mesmo? – Ela perguntou. – Porque tenho certeza que seu marido não o faz. – Completou, amargamente.
– Cassie… - O moreno disse carinhosamente, sem saber como consolá-la.
– Acha que pode dar conta do resto? – Lucius questionou o genro colocando a filha de pé.
– Sabe que sim, para onde vão?
– Levá-la a enfermaria.
Harry assentiu e viu como os dois loiros partiam silenciosos, às vezes ele odiava a postura estoica dos Malfoy. Se virou, e seguido por seu auror foi usar o contra feitiço no lobisomem cinzento que ainda gania de dor, Cassie tinha mão para o Sectumsempra.
– Como chegaram tão rápido, chefe? – O auror perguntou depois de ver como o chefe ajudava o lobisomem que não mais sangrava mas que ainda gania ao se ver imobilizado. Estava curioso já que tinha se feito de surdo-mudo durante o interlúdio familiar.
– Não vai acreditar nisso Robb, mas meu ilustre sogro é o mais novo vidente da Inglaterra Mágica. – Harry disse, fazendo uma careta.
O jovem auror não entendeu porque seu chefe achava isso ruim, era uma honra ter um vidente na família, ainda mais quando despertavam depois de mais velhos, eles tinham mais sabedoria e calma para lidar com as visões.
– Mas chefe, isso é bom.
– Diga para o marido quando tivermos que nomear nosso filho de Abraxas ou qualquer coisa do tipo. – Harry reclamou.
Robb preferiu não continuar no assunto, não achava que ia entender de qualquer maneira.
T J C
Draco deu um pulo quando as chamas da lareira ficaram verdes e suspirou de alívio ao ver Teddy e James. Teddy correu para seus braços estendidos, e ele primeiro se certificou de que o ômega estava bem, para só depois se dar conta de que James tinha se deixado cair de joelhos no tapete, sem se mover.
– Jamie? – O veela chamou-o, com o apelido infantil. – Você se machucou, amor? Onde?
– Na alma, duvido que você possa consertar. – O ruivo disse, se levantando com os olhos rasos d'água.
– James… eu sinto muito, eu não queria. – Teddy disse, dolorido ao ver que seu escolhido se sentia mal por ter deixado a namorada para trás.
James deu de ombros e puxou o lobisomem para um abraço apertado.
– Eu queria e esse é o maldito problema, eu queria vir com você. – James soluçou, com o rosto escondido no pescoço do ômega.
Teddy não se sentia bem pela felicidade que emanava em seu coração, mas seu lobo estava tão em paz que ele pôde consolar seu escolhido com murmúrios carinhosos, os dois ficaram abraçados sob o olhar perplexo de Draco por um longo tempo antes de alguém explicar algo ao veela.
E foi isso, o que acharam? Não sejam maus e me digam.
