A lua só pode ser vista quando o sol não está iluminando o céu, mas quando o sol se põe e já não está, é a lua que resplandece no céu noturno. No dia do enterro de Teddy Lupin-Potter, a noite era coroada por uma lua cheia gigantesca e linda. James estava olhando o céu da sacada do apartamento dos dois no Beco Diagonal, eles tinham vivido ali por trinta anos e cada polegada do lugar estava cheia de lembranças do lobisomem, mas não era algo que pudesse consolar o ruivo, pelo contrário, o martirizava. Era praticamente tortura que ele não pudesse mais tocar os cabelos azuis, nem sentir o cheiro tão peculiar de Teddy. As lágrimas voltaram a se acumular em seus olhos e ele olhou com certo rancor para a lua brilhante.
- Você ganhou. Eu sempre tive vontade de te destruir e descobrir se isso pararia a maldição. Pena que papai não me deixou tentar. – O ruivo reclamou.
Seus dois filhos tinham passado o dia com ele, desde que tinham enterrado o corpo de Teddy em Malfoy Manor, ao lado de Andrômeda, que tinha partido apenas alguns anos antes. Blacks tem vida longa, quando não morrem em guerras ou pela licantropia, claro. Ele, que se achava uma serpente fria não tinha podido evitar chorar como um menino perdido sem Teddy. Ele não chegava ao extremo de ter querido morrer com o marido, mas desejava ter tido muitos anos mais com o lobisomem, a vida era injusta. E foi com essa sensação desgarradora que ele foi se deitar na cama que dividiu com Teddy desde antes do casamento, era a última noite que ele passaria ali, pelo que lhe restava de vida.
T J C
Alexander sempre foi um homem precavido e que sabia prever os movimentos da maior parte das pessoas perto de si e as que tinha que investigar por seu trabalho. Ele já era um homem velho, sessenta e três anos, mas altamente vigoroso, o que era incomum num squib, já que ao contrário dos magos, eles não viviam vidas centenárias sem problema nenhum. A explicação para sua boa aparência e saúde eram o motivo de ele e Cassandra viverem num dos hotéis Malfoy nas Bahamas. A loira tinha pesquisado com afinco e com a ajuda dos pais tinha usado um ritual de magia negra e uma série de poções que o deram uma vida muito mais equilibrada e parecida com a dos magos, claro que isso o impedia de viver em Londres, os magos ingleses tinham muitos receios de magia negra ainda.
Ele estava tomando um Bahama mama, bebida muito popular na ilha, quando ouviu o som característico de um mago saindo da lareira.
- Bem-vindo James, você demorou mais do que eu esperava.
Era verdade, Alexander tinha pensado que o ruivo apareceria ali nada menos o marido fosse enterrado, mas já tinham se passado meses.
- Sabia que eu viria?
- Sem sombra de dúvida, não sei se conhece, mas uma escritora trouxa disse uma vez que quando o sol desaparece a lua é quem exerce fascínio.
- Não, o que isso tem a ver com minha visita?
- É de um excelente livro, Morte no Nilo. Cassie sempre foi sua lua e Teddy seu sol… sem o sol, a lua pode brilhar de novo, certo?
James fechou os olhos, mortificado. Ele e Sasha nunca tinham sido inimigos, até simpatizava com o homem, por isso, era estranho ter esse tipo de conversação.
- Eu nunca tentaria nada para atrapalhar seu casamento. Eu só… não quero mais ficar sozinho.
- Ela diz que eu teria ido uma serpente como vocês… e não tenho nada contra um pouco de ajuda para mantê-la feliz e contente.
James parecia surpreso, o que fez Sasha sorrir. O russo se levantou e se aproximou do ruivo, o cabelo dele continuava tão vermelho flamejante como sempre.
- Além disso, eu sempre quis ter você gemendo pra mim.
Se tinha uma coisa que James sabia fazer era flertar, por isso, se aproximou do russo e fez um beicinho.
- Não sei se pode me fazer gemer Sasha… ouvi dizer que squibs são menos resistentes, talvez esteja velho demais para me domar.
O riso maldoso do russo foi música para os ouvidos de James, que logo se viu preso nos braços fortes e sentindo a barba áspera passar por seu pescoço, provocando-o.
- Não sou só mais velho ruivo, sou muito mais experiente. – Sasha disse, mordiscando a pele branca de James.
- Muita conversa, pouca ação. – James murmurou.
Alexander sorriu, Cassie tinha dito sobre a impaciência de James, seria épico ajudá-la a dar lições de controle para o novo amante deles, mas enquanto isso, atacou a boca do ruivo, dominando-o e fazendo-o estremecer junto a seu corpo.
- Que feio rapazes, começando a festa sem mim.
James separou-se do russo apenas o suficiente para ver Cassie parada na porta, úmida de um banho na piscina e usando nada mais que uma tanga transparente na cintura.
- Ela é uma deusa, não acha? Sempre fica deliciosa depois de um mergulho… a água fria, a pele dela quente… a deixa toda arrepiada. – Sasha disse no ouvido de James, abraçando o ruivo pelas costas.
Cassie sorriu para o ruivo, e se aproximou, passando os braços por seu pescoço e pressionando os seios em sua túnica.
- Você está em casa agora, é seguro. – Ela disse, antes de se inclinar para beijá-lo.
James sorria internamente. Ali, apertado entre Cassie e o marido dela, era a primeira vez desde a morte de Teddy que podia dizer que o buraco em seu peito diminuía. Ele realmente estava em casa.
E foi isso, para quem leu até aqui, obrigada e nos lemos por ai!
