Capítulo quentíssimo, gente! Aproveitem! ^-^
Cap. III
"Aonde você está indo, Malfoy?", Hermione perguntou a meio caminho das masmorras, ainda sendo levada por Draco.
"Meu quarto", disse parando bruscamente e a encostando na parede mais próxima.
"Como assim 'seu quarto', você não dorme com mais ninguém?", ele percebeu que ela se esforçou para fazer a voz sair. Estavam próximos demais.
"Granger, Granger, nós, sonserinos, não temos dormitórios comunitários, como já ouvi falarem que é o de vocês," estava colado a ela, quase sussurrando no ouvido da grifinória. "Nós ficamos em duplas, e meu colega resolveu não voltar esse ano, portanto", mordeu o lóbulo da orelha dela antes de continuar: "tenho o quarto só para mim."
Hermione ofegou, tentando empurrá-lo para longe; Draco fingiu ignorar a atitude dela e começou a beijá-la. E o resultado foi o que ele esperava, Hermione pareceu esquecer que queria afastá-lo. Sem se desvencilharem, voltou a andar para a sala comunal, que – se eles tivessem sorte – estaria vazia (o que não era muito difícil, visto a hora avançada).
A cada corredor que viravam, Draco colava Granger em alguma parece. Finalmente, depois de incontáveis minutos, viu-se abrindo a porta do quarto. Não podia nem acreditar que havia conseguido chegar até lá sem a garota dar mais algum ataque de lucidez e perceber o que os dois estavam prestes a fazer.
Mal entrara no quarto, Draco fechou a porta com um chute; ele ainda tentava se convencer de que iria se arrepender depois, e que era melhor parar enquanto a situação não tinha fugido do controle. Mas tinha sérias dúvidas sobre isso. Se a situação estivesse realmente sob controle, ele não estaria naquele momento com Hermione colada na porta do quarto dele, respirando com dificuldade, e quase não se aquentando de desejo.
O que essa filha da puta fez comigo?, foi a última coisa que ele conseguiu pensar antes de Hermione começar a puxar a camiseta de pijama dele para cima. Assim que se livrou da blusa, começou a abrir o zíper do casaco que ela vestia, rapidamente a despindo da peça. Hermione pareceu acompanhar todos os gestos dele com demasiada atenção. E ele não podia imaginá-la mais tentadora: o cabelo terrivelmente bagunçado emoldurava perfeitamente as feições dela; o olhar ao mesmo tempo vago e perturbadoramente focado nele; sem falar nos lábios, levemente inchados, entreabertos e que soltou um sonoro "Draco..." quando ele juntou seus quadris, fazendo tudo o baixo ventre dele reagir àquilo como a uma carícia.
Hermione não saberia precisar muito bem como tudo aconteceu. Só sabia que estava no quarto de Malfoy, sendo levada até a cama enquanto ele tirava a última blusa dela. E que aquilo simplesmente não estava certo, mas ela não conseguia pensar em nenhum argumento suficientemente bom para querer fazê-lo parar.
Antes de Draco a deitar, largou a pantufa que usava de qualquer jeito. Reprimiu um gemido quando ele deitou-se sobre ela, e mordeu o lábio dele a fim de descontar a raiva que estava sentindo por não ter forças para sair dali. Quando ela levou ambas as mãos às nádegas do sonserino, puxando-o para mais perto de si, foi Draco quem gemeu, o nome dela. Hermione. As mãos ávidas dele passeavam livremente por casa milímetro de pele que pudesse alcançar. Em algum momento, Malfoy começou uma trilha de beijos, mordidas, chupões até os seios dela, onde ficou por vário minutos para em seguida descer deliberadamente até o cós da calça de pijama. Hermione ofegou quando, assim que a livrara da peça, Draco começou a beijar-lhe a perna, subindo perigosamente em direção ao ponto que lateja vertiginosamente entre as pernas dela. Mas ele passou reto e voltou a beijá-la na boca. Hermione soltou um suspiro, não sabia se de alívio ou frustração.
Malfoy finalmente tirara a calça e a única coisa que ainda os impedia de se entregarem completamente um ao outro eram as duas únicas peças que tinham no corpo. Ele estava prestes a puxar a calcinha de Hermione quando ela, quase como um grito sufocado, falou:
"Para!"
Estupefato, Draco apoiou-se nos cotovelos e a olhou, esperando por uma explicação. Ela negou com a cabeça e o empurrou. A contra gosto, o sonserino saiu da cama e, olhando-a de cima, disse:
"Me diz que você não vai fazer isso, Granger", ele parecia calmo, mas pelo tom que usou Hermione desejou virar pó antes que ele resolvesse fazer alguma coisa contra ela.
Sem saber o que dizer, ela fechou os olhos e se virou de bruços no colchão, sem coragem para olhá-lo. Segundos depois, ouviu uma porta batendo e imaginou que era a do banheiro. Queria que o colchão fosse uma areia movediça e a engolisse! Não poderia ter chegado tão longe. Não com Malfoy. Principalmente porque não fazia ideia do que era tudo aquilo que sentia por ele, e porque isso não seria como um simples beijo. Ela amava o Rony, afinal; não tinha o direito de traí-lo de tal forma.
Um pensamento que há muito tentava evitar passou pela mente de Hermione: e se ela não fosse a única que estivesse se envolvendo com uma pessoa errada? E se o Rony também tivesse conhecido alguém e por isso não mandara nenhuma resposta? A cabeça da grifinória começou a girar. Lentamente, sentou-se na cama; ao alcance do braço, em uma cadeira, tinha uma camiseta de Draco pendurada. Tirou a peça de lá e a vestiu, embriagando-se com o cheiro dele. Podia simplesmente ter levantado e pegado a própria camiseta que estava jogada perto da porta, mas queria sentir o cheiro dele, vestir a roupa dele... ele.
Hermione ainda ficou alguns minutos sentada ali, com a face apoiada nas mãos, tentando entender tudo o que estava acontecendo, até que o som estridente de algo se quebrando encheu os ouvidos dela; logo em seguida Draco saiu do banheiro. Vestia apenas a boxer preta e Hermione teve que respirar fundo para tentar se concentrar em algo que não fosse ele. Tão magnificamente lindo dentro de todas as peculiaridades. O cabelo estava molhado e bagunçado, e ela desejou desesperadamente poder voltar no tempo.
A raiva de Draco ultrapassava todos os limites. Raiva dele e principalmente de Granger. Já tinha aceitado o fato de que estava prestes a transar com a sangue ruim e que há semanas ficava excitado só de pensar nela, mas aí a santa da Grifinória teve que estragar tudo! Com certeza ela estava pensando em como era errado trair o namorado. Grande bosta de namorado. Nenhuma garota em sã consciência iria mandá-lo parar de fazer qualquer coisa; para o ego inflado dele, Granger já havia feito issovezes demais. Que se fodesse o babaca do Weasley, a merda do sangue ou o orgulho sonserino. Ele teria a sangue ruim para ele. Só para ele. Porque um Malfoy jamais dividia alguma coisa.
E um Malfoy também jamais ficaria feito um cachorrinho atrás de uma cadela no cio por qualquer uma que fosse, muito menos por ela, zombou a parte ainda da sã da mente dele.
Teve sorte em, antes de sair do banheiro, não cortar a mão quando socou o espelho.
E ela estava lá, sentada na cama dele, só de calcinha e camiseta. A camiseta dele, que ela não tinha a porra de direito de vestir.
"Espero que você tenha uma boa justificativa para o que acabou de fazer, Granger", disse fingindo ignorar o olhar meio desfocado dela e a respiração irregular. Não podia imaginar como, mas ela estava ainda mais tentadora daquele jeito, com a roupa dele, na cama dele, olhando daquele jeito para ele. Ele.
Se ela não fosse uma grifinoriazinha idiota, aquilo já teria acabado há muito tempo e ele já estaria livre da presença constante dela nos pensamentos. Uma vez, uma única vez, e tudo acabaria.
"Uma boa justificativa?", perguntou exasperada, levantando-se da cama. "Faça-me o favor, Malfoy! Não venha me dizer que você acha tudo isso a coisa mais normal do mundo! E eu não posso fazer isso, droga!"
Embora ainda mais irritado pela reticência dela em não dizer que era por causa da porra do namorado que não "podia" ficar com ele, Draco ficou momentaneamente lisonjeado com a escolha do verbo, ela não podia, o que significava que ela queria.
Ela sentara-se outra vez; ele caminhou com calma em demasia até ela, pairando, com toda a imponência que conseguiu juntar, sobre ela. Com o melhor tom de sarcasmo possível, disse:
"Granger, se você está se referindo ao idiota do seu namorado que, vale lembrar, não fala com você há mais de um mês, é só você fingir, por alguns minutos, que ele não existe. Não deve ser tão difícil assim." Continuaria xingando o pobretão se ele não fosse o queridinho da sangue ruim. "E não espere nenhuma declaração de amor nem nada do tipo, porque eu acho isso tão fodidamente errado quanto você, então, não pensa, só-
Mas ele não conseguiu terminar de falar, Hermione pareceu simplesmente ignorar que ele dizia e levou as mãos à cintura do sonserino, puxando-o para perto dela. Mais perto dela. E a boca dela estava terrivelmente perto do membro que começava enrijar só com a possibilidade do que ela poderia fazer. Naquele momento não fazia diferença alguma se ela agia feito uma louca, cada hora querendo uma coisa. Só fazia pensar que se ela desistisse dessa vez, ele a tomaria à força.
Ela levou a boca, macia e molhada, até o cós da boxer que ele usava, subindo vagarosamente até o umbigo; as mãos já não estavam mais na cintura e andavam como plumas por todos os lugares que alcançava. A respiração de Draco estava completamente fora de controle, e ele teve que se controlar para não dar uma boa surra na grifinória quando, deliberadamente, ela roçou as bochechas rosadas no pau duro dele. Só fazia pensar em como ele queria estar dentro da boca dela; puxou-a pela massa disforme que eram os cabelos castanhos e a beijou com força, não se importando se estaria machucando ou não a morena. Tirou a camiseta que ela havia colocado e, antes que pudesse voltar a beijá-la, Hermione segurou o rosto dele e o beijou.
Um beijo nem de longe igual ao que haviam acabado de trocar. Os lábios dela eram calmos e a língua, embora sem aquele fervor com o qual a beijara, movia-se insuportavelmente precisa. Mais uma vez ele se viu imaginando dentro da boca dela. E um pensamento fugaz dela fazendo tais coisas com o Weasley o fez empurrá-la sentada na cama. Se o pobretão havia sido o primeiro, ele seria o que ela nunca mais esqueceria. Ajoelhou-se entre as pernas dela e levou os lábios aos seios turgidos, chupando e mordendo; deixá-la marcada também estava no pacote.
Hermione gemeu alto, a linha tênue entre dor e prazer quase se rompendo. Malfoy era um filho da puta e iria fazê-la sofrer, além das marcas que já conseguia imaginar por todo o corpo. Pensou em Rony, que a tratava como algo extremamente frágil e jamais deixou sequer uma marca na pele dela. E nunca a fizera sentir o que Draco conseguia com simples toques. Enquanto sugava um dos seios, Malfoy levou um dedo hábil dentro da calcinha dela. Hermione contraiu os lábios do sexo pulsante dela e elevou o quadril na direção de mão do sonserino, que ela percebeu rir com tal ato. Que se fodesse a compostura ou qualquer coisa, ela queria acabar logo com aquela tortura.
"Agora, Granger, nem se atreva a falar que não me quer dentro de você, seu corpo está completamente preparado", disse debochado, colado à boca dela e fazendo movimentos circulares com o dedo no clítoris da morena.
Ela só conseguiu, mais uma vez, gemer; não havia possibilidade alguma de desistir do que estava fazendo.
Mordeu o lábio dele com demasiada força, querendo descontar as mordidas dele nos seios. Tentando se concentrar no que vazia – e amaldiçoando o loiro por ficar a torturando de tal forma – levou as mãos pequenas ao cós da cueca de Draco, puxando-a para baixo e começando a massagear o falo duro dele, que parou imediatamente os movimentos na virilha dela.
Ele parecia não aguentar mais aquela demora e puxou a morena sobre a cama, deitando-se sobre ela. Rapidamente tirou a calcinha da garota e se livrou da cueca. Quando hermione pensou que seria preenchida por ele, sentiu a língua do sonserino a invadir. Soltou um grunhido indecifrável e Draco investiu mais fundo. Mais uma vez ela pensou em Rony, em como ele nunca tivera coragem, ou mesmo vontade, de fazer aquilo. Se ele não parece, logo Hermione iria gozar; com uma vontade que não tinha, puxou os fios loiros para cima e fez Draco ficar completamente sobre ela.
Malfoy a penetrou lentamente. E ela sentiu-se sendo estirada e preenchida por tudo o comprimento dele, tão quente quanto os dois corpos que já escorriam suor. Draco moveu-se ainda lentamente e ela o apertou dentro de si. Acompanhado o ritmo dele com o quadril.
Hermione era inexplicavelmente suave e forte ao mesmo tempo. Sabia que não demoraria muito para gozar, mas queria satisfazê-la primeiro. Diminuiu a velocidade com a qual se movia e com uma mão excitou o clítoris dela, cada vez mais rápido. Em segundos, Hermione estava tendo espasmos de prazer sob ele, apertando-o freneticamente dentro dela. Mais uma, duas, três, cinco estocadas e ele se liberou dentro dela, sentindo todos os músculos relaxarem e todo pensamento possível esvair-se da mente por alguns segundos.
Desmoronou ao lado dela na cama, imaginando que uma sangue ruim não tinha o direito de ser tão boa assim. Hermione mexeu-se desconfortavelmente ao lado dele. Draco apoiou-se no cotovelo para falar alguma coisa, mas ela já estava se levantando. Ficou alguns segundos sentada na beira da cama, ele podia simplesmente segurar o pulso dela e a fazer deitar-se novamente. Mas isso implicaria em muitas outras coisas com as quais não estava preparado para lidar. Achou melhor deixá-la ir embora.
Um silêncio mórbido instalou-se no quarto enquanto Hermione se vestia. E o sonserino poderia dizer que a cama estava muito grande só para ele. Antes de sair do quarto, agora muito mais frio comparado à hora em que haviam chagado, ela simplesmente disse:
"Tchau, Draco." O peso daquela frase foi muito maior do que as duas pequenas palavras proferidas; ainda dava tempo, ela não tinha fechado completamente a porta atrás de si. Mas ele ao menos respondeu. Jogou-se na cama mais uma vez e quando acordasse iria, talvez, tentar tirar a sujeira que havia grudada na pele dele. Ou na alma; já não tinha tanta certeza.
Malfoy teve o melhor sono dos últimos vários meses.
Então era isso, eles transaram e pronto. Mais nada. Enquanto caminhava até o dormitório, Hermione pensava no quão burra havia sido. Mas ele te avisou, não foi? Disse que não haveria declarações nem nada do tipo, pensou resignada. Deixando, mais um vez, lágrimas rolarem pela face. Mas ela também não esperava nada disso; esperava, sim, que ele pudesse pelo menos ter falado para ela ficar. E ela ainda deu chances para isso. Ficou seis segundos sentada na cama, esperando por qualquer coisa que fosse. Vestiu-se com lentidão, e demorou um tempo desnecessário para fechar a porta ao sair. Mas não teve nada.
E, pela sabe-se lá qual vez na noite, pensou em Rony. Em como inevitavelmente dormiram juntos todas as noites durante os dias que passou na Toca após a Guerra. Em muitas dessas noites, simplesmente dormiram. Sem sexo, só com a presença um do outro.
Mas isso já está ficando ridículo, como se não bastasse ela trair o namorado, a pessoa que amava desde os quatorze anos, ainda ficava comparando os dois. E sabia que, se insistisse, encontraria mais infinitos pontos divergentes entre eles.
Naquela hora, Hermione quis ter aceitado o cargo de monitora-chefe e ter um quarto só para ela, onde não precisaria se preocupar se o choro estava alto demais e iria acordar as colegas. Ou simplesmente um lugar onde poderia gritar e quebrar algumas coisa sem ninguém querer saber o motivo para fazer tal coisa. Mas ela não tinha, e teve que se deitar em silêncio, mesmo que até ele fosse perturbadoramente barulhento.
A grifinória amaldiçoou meio mundo quando lembrou-se que a primeira aula de quinta-feira era com a Sonserina e que logo cedo teria que olhar para a cara de Draco. Ela queria dormir e quando acordasse descobrir que tudo não havia passado de um pesadelo. Ou simplesmente conseguir dormir.
Draco não foi à aula naquela quinta-feira. Há tempos não conseguia dormir direito e não desperdiçaria uma oportunidade daquelas.
Quando achou que já tinha despertado e voltado a dormir por vezes suficientes, Draco acordou e não se lembrava muito bem o porquê ter conseguido dormir tão bem. Deduziu já passar da hora do almoço e também não se lembrava da última vez na qual havia dormido tanto. Com certeza fora bem antes de todo o tormento com a guerra começar. Sentou-se na cama e percebeu que estava sem roupa, lembrando-se exatamente de tudo o que havia acontecido na noite anterior. O simples pensamento fê-lo sentir o estomago contorcer-se. Não podia realmente ter transado com Hermione e estar sentindo-se tão bem assim.
Ele tinha que se sentir sujo. Afinal, ela continua sendo uma sangue ruim! Mas Draco não tinha como contestar o quão bem estava, e duvidava muito que só aquilo iria fazê-lo esquecer a maldita da Granger. Inclusive, achava que só tinha aumentado o desejo que sentia por ela. E, se dependesse dele, teria mais uma grande noite.
Afundou-se nos travesseiros outra vez. E se arrependeu profundamente, o cheiro dela ainda estava ali, invadindo todo o ser dele. Draco fechou os olhos, respirou fundo e, inconscientemente, começou a descer a mão que estava sobre a barriga para o volume que começava a aumentar entre as pernas dele.
Depois do que pareceram séculos, Draco criou coragem e foi tomar um banho; demorou o máximo possível, mas quando terminou ainda era cedo demais para ir atrás da insuportável da Granger. Estava demasiado ansioso para ficar lá dentro sem fazer nada, tentou ler um livro, mas a única coisa que conseguiu foi acabar com seu último maço de cigarros. Teria que providenciar mais no dia seguinte, pensou enquanto jogava a última bituca dentro da lixeira do dormitório e saía para a cozinha.
E, pela milionésima vez em tão pouco tempo, Draco se arrependeu por alguma coisa que havia feito. Ele já estava até acostumado com esse sentimento, afinal, desde de que fora obrigado à entrar para o circulo de Comensais da Morte, sua vida era feita de arrependimentos; mas agora era por uma coisa muito mais simples: ter acabado com os cigarros. Granger não apareceu na cozinha naquele dia, e ele teve ganas de matá-la quando se encontrassem. Ela não tinha nenhuma merda de direito de simplesmente não aparecer, sem dar nenhuma explicação. E ai ele também se arrependeu por ter qualquer dia resolvido começar a fumar, porque era por causa daquela merda que ele tinha se viciado em café. E começado a ir até a bosta da cozinha de Hogwarts durante a noite e encontrado a filha da puta da Granger e começado todo aquele tormento.
E agora ele estava sem cigarros, sem café e sem a Granger! E o sono da noite anterior também já não existia mais. Voltou para o dormitório quase espumando de raiva. No dia seguinte resolveria os problemas, começando pelo cigarro, que iria arranjar com um sonserino que sempre vendia para ele. E depois tiraria satisfações com a grifinória.
Hermione tinha chegado ao seu ápice de esgotamento. Não pretendia ir se encontrar com Draco naquele dia, mas mesmo que pretendesse, não teria ido. Assim que acabou o jantar, foi para o dormitório pegar os materiais para fazer os deveres do dia, mas acabou deitando-se por alguns minutos, e quando acordou já era mais de uma da manhã. Não se deu ao trabalho de trocar de roupa, apenas ajeitou-se melhor na cama e voltou a dormir, acordando somente pela manhã.
Ela agradeceu mentalmente por sexta-feira não ter nenhuma aula com a Sonserina. E no dia anterior não tinha ao menos se perguntado o porquê de Draco não aparecer na aula, que ele se explodisse! Acabaria com vários dos problemas dela.
Passou a sexta-feira inteira sem ver Malfoy. Ao final das aulas, depois do jantar, lá pelas seis horas da tarde, deixou a mochila no dormitório e foi para a biblioteca. Era o que tinha se acostumado a fazer nas últimas semanas, e não se importou que talvez Draco também estivesse lá, já que haviam começado essa rotina juntos; ela gostava demais dos momentos que passava na biblioteca para se importar com aquele imbecil.
Não fazia nem dez minutos que estava lá quando Malfoy passou pela porta, ela logo viu que ele estava atrás dela. E não parecia nem um pouco amistoso. Fingiu que ele não estava ali e continuou com a leitura.
Draco parou em frente a ela, com as duas mãos apoiadas na mesa e começou a falar:
"Granger, vem comigo", não foi uma pedido, tampouco disse de maneira educada. Fitava Hermione com tal intensidade que ela achou que o sonserino conseguia ver até sua alma.
Indolentemente, ela, voltando o olhar para o livro, respondeu:
"Eu não tenho nada para falar com você, pode ir embora."
Malfoy foi até o lado dela na mesa e a puxou pelo braço. Hermione soltou um grito, que só não foi ouvido pela Madame Pince porque ela estava muito absorta em uma conversa com o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas para prestar atenção em qualquer outra coisa. A garota continuou gritando enquanto era arrastada para um dos corredores mais afastados da biblioteca, mas Draco tampava a boca dela com a outra mão.
Antes de soltá-la, ele lançou um feitiço silenciador ao redor deles.
"Vai parar de gritar?" perguntou irritado, tirando a mão da boca da grifinória.
"Vai me soltar?" ela devolveu. Draco soltou o braço dela, e Hermione os cruzou sobre o peito, esperando que ele falasse alguma coisa. Depois de incontáveis segundos fitando os olhos castanhos – minutos que Hermione dedicou a admirar a beleza do rosto dele -, Draco resolveu falar.
"Você não apareceu ontem", disse simplesmente, aproximando-se dela. Hermione tentou se esquivar, mas não tinha para aonde ir, estava colada em uma estante.
"E daí?"
"Por quê?" perguntou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo ela ter que responder tal pergunta.
"Isso não é da sua conta, Malfoy". Ele lançou um olhar que fez Hermione achar melhor responder o que ele queria: "Eu dormi, mas você continua sem ter nada a ver com isso."
Draco não respondeu nada; quando a morena se deu conta do que ele iria fazer, já era tarde demais.
Fazia mais de vinte e quatro horas que Draco não via a sangue ruim e quase vinte que não fumava (o garoto que arranjava cigarros para ele estava sem também, mas tinha prometido conseguir para a manhã seguinte), estava tão irritado que achava ser capaz de azarar qualquer um que cruzasse o caminho dele. E o comportamento de Hermione não estava ajudando nem um pouco.
Além do mais, agora ele não conseguia olhar para ela sem se lembrar da pele macia que ela tinha, dos gemidos sob o corpo dele, ou de como o nome dele soara tão divino quando saiu dos lábios dela. Mas também não conseguia se esquecer que era um sangue sujo que corria por baixo de tudo aquilo, embora a essa altura ela já estivesse quase não se importando mais com qualquer coisa que não fosse ter a intragável sabe-tudo nos braços dele.
Ele não ouviu a resposta de Hermione sobre o porquê dela não ter ido encontrar-se com ele, só fazia olhar para os lábios dela que, embora ele ainda tentasse descobrir o que tinham de demais, eram tão tentadores. Cobriu o pequeno espeço que os separava e a beijou com urgência. Precisava extravasar a raiva de algum jeito.
Mordeu o lábio dela e sentiu gosto de sangue. Do sangue impuro que não deveria nem chegar perto dele. Mas pensaria depois em como se livrar daquela sujeira toda. Sentia as mãos pequenas de Hermione o socando, mas não se importava, os lábios dela moviam-se perfeitamente junto com os dele. E ele mesmo tinha vontade de bater na grifinória, mas por motivos óbvios não fazia. Em algum momento ela parou de socá-lo e afundou as unhas não muito grandes no pescoço dele, provavelmente arrancando sangue. Agora estavam quites.
Mas o loiro queria mais. Que se fodesse que estavam na biblioteca e que qualquer um poderia aparecer. Fez questão de esfregar o quadril contra Hermione, para ter certeza de que ela sentisse como estava duro. Por ela. Pela intragável sabe-tudo de sangue ruim. A cada vez que se lembrava de por quem ficava excitado nas últimas semanas, tinha vontade de socar alguma coisa. Contudo, a única coisa que fez naquele momento foi apertá-la ainda mais contra si, que deixou um gemido perder-se entre o beijo.
Alguma coisa caiu não muito longe deles, e Hermione o afastou no mesmo instante.
"Nunca. Mais. Faça. Isso. Entendeu?" ela disse apontando um dedo perigosamente no rosto dele. Levantou os ombros e saiu andando sem nem olhar para o sonserino.
Draco ainda ficou ali por vários minutos, respirando fundo e tentando se concentrar em qualquer coisa que não fosse a sensação de desconforto entre as pernas.
Hermione acordou relativamente tarde naquele sábado. Quando bocejou, a boca seca rachou e sangrou onde Malfoy havia mordido. Poderia ter feito algum simples feitiço para curar o machucado, mas queria, por um motivo que ela não conseguiu compreender, aquela marca ali. E agradeceu mentalmente por ter feito isso quando, enquanto servia um pedaço de bolo para Draco naquela noite, ele não tirou os olhos da boca dela. Ela conseguia até imaginar a mente masculina dele trabalhando, mas, depois de alguns segundos com isso na cabeça, se repreendeu por tais pensamentos.
Eles fizeram um acordo mudo de não comentar o que havia acontecido entre eles. Já estava ruim o bastante sem um precisar ficar lembrando o outro de que tinham transado em uma madrugada e de que quase teriam repetido o ato, dentro da biblioteca. Hermione não quis nem imaginar o que aconteceria caso alguém os visse.
Ela levantou-se e viu que nenhuma das colegas estava ali mais, provavelmente já teriam embarcado para as três semanas de férias. E ela ficaria ali. Evitou pensar em Rony, não a levaria a lugar algum. Entrava um sol fraco de final de outono pela janela, mas ela tinha certeza que o frio já era de inverno. Resolveu tomar um banho bem quente antes de sair para os corredores frios do castelo.
Quando saiu do banho, ela reparou em um pergaminho, que não lembrava ter deixado ali, em cima da comoda. Desenrolou-o com cuidado e logo reconheceu a letra de Draco. Ele, de modo muito cavalheiro, impôs que ela o encontrasse em uma árvore perto do Lago, onde costumavam ficar quando o tempo era bom. Hermione não considerava o frio que estava fazendo como tempo bom, no entanto, arrumou-se para se encontrar com o sonserino. Levando em uma das mãos algum livro, como ele havia pedido, e na outra algumas frutas, já que tinha perdido o horário do café.
Mal havia chegado perto de onde ele estava sentado, todo encolhido e com um cigarro entre os lábios, começou a falar:
"Vai adiantar alguma coisa se eu falar para voc-
"Para eu parar de fumar?" perguntou cortando-a e já respondendo: "Não, não vai. Então nem se dê ao trabalho."
Hermione bufou e se sentou na frente dele, encostando-se em uma pequeno tronco que havia ali; Draco estaca confortavelmente escorado entre as enormes raízes de uma árvore. Ela tirou a varinha das vestes e fez alguns floreios.
"O que você está fazendo?" perguntou o loiro, olhando-a de viés.
"Esquentando um pouco o ar... e secando o chão", respondeu com um dar de ombros.
Malfoy soltou a fumaça bem no rosto dela, que tossiu exageradamente, antes responder:
"Eu já tinha feito isso, Granger!"
"Ah... mas não foi suficiente" disse assim que conseguiu parar de tossir. Pegou uma das maças que levara e deu uma mordida, Draco não tirava os olhos dela. "Quer alguma coisa?", indicou a outra maçã e uma pera que estavam sobre a perna encolhida dela. Draco negou com a cabeça e ficaram por longos minutos sem dizer palavra.
Hermione comia tranquilamente sua maçã enquanto observava Draco tragar profundamente o cigarro e depois de alguns segundos soltar a fumaça, ora pelo nariz, ora bela boca. Estava quase terminando de comer quando ele acendeu o segundo. Ele tragou, olhou para cima enquanto expelia o conteúdo do pulmão e quando voltou a olhar para frente, focou-se por alguns segundos em um ponto que Hermione não soube onde era. Logo em seguida ele disse:
"Isso vai ser bem divertido."
Sem entender o porquê daquelas palavras, ela olhou para trás e a única coisa que conseguiu enxergar foi uma profusão de cabelos ruivos indo furiosamente na direção deles.
Ah, gente, mais um capítulo! Espero de verdade que tenham gostado, eu dei o meu melhor para ficar tudo perfeito, e (pelo que eu esperava dele) acho que quase cheguei lá, mesmo ele tendo ficado bem maior do que eu pretendia!
Muito obrigada pelos comentários e, sinto decepcionar a Johanna Monroe, mas o Rony não vai sumir tão cedo! haha (acho que deu para perceber com esse final).
Bom, é isso. Mais uma vez, espero realmente que tenham gostado e, se acharem digno, comentem!
Bjs! *-*
