Cap. IV

Depois de abraçar longamente a filha, Molly ainda ficou vários segundos olhando para a lareira de onde Gina havia acabado de sair. Percebendo que ninguém mais chegaria, ela disse:

"Gina, onde está a Hermione?". Rony acabara de entrar em casa e olhou para a lareira, como a mãe havia feito há pouco.

Antes que a irmã pudesse dizer alguma coisa, ele falou:

"Cadê ela, Gina?"

A garota, enfurecida, virou-se para o irmão.

"O quê?", disse com um dedo apontado para Rony, que já estava com as orelhas vermelhas. "Eu não acredito que você não contou pra mamãe, seu legume!"

Ele deu de ombros enquanto a mãe falava:

"Não me disse o que, Gina?"

"Esse imbecil não disse que faz mais de um mês que ele não fala com a Mione!", respondeu à mãe e logo voltou-se para o irmão novamente. "Você queria o quê? Que ela simplesmente chegasse aqui e fingisse que nada tinha acontecido? Deixa de ser tapado, Ronald! O que lhe custava responder? Me diz? Ela me disse que entenderia qualquer que fosse a sua resposta, mas só não entendeu o porquê de você simplesmente tê-la ignorado! Eu achava que você conhecia a Mione bem o suficiente para saber que ela odeia ser ignorada desse jeito."

A sra. Weasley estava perplexa, olhando para o filho como se ele tivesse acabado de cometer um assassinato.

"Alguém pode me dizer o que está acontecendo, Ronald?" perguntou fuzilando o filho, as duas mãos apoiadas nos quadris. Ele ignorou a pergunta da mãe e se virou para Gina.

"Ah, mas ela com certeza só te contou como eu fui o insensível que não respondeu à linda carta dela, não é?", os dois já estavam muito vermelhos, e Molly parecia que explodiria caso não a explicassem o porquê de toda discussão.

"Pois você está muito enganado, seu idiota, ela me falou tudo! E se você tivesse respondido, seria com você que ela teria conversado, e não comigo!". Bufando, ela virou-se para a mãe e perguntou: "Cadê o Harry? Ainda não chegou?"

"Não, ele só vem na hora do almoço. Ei, você pode ficar parado aí!", disse para Rony, que fez menção de sair.

"Eu vou subir," disse Gina "não tenho nada a ver com as babaquices dele!"

Rony não contaria à mãe que estava brigado com Hermione porque ela o havia traído, com Draco Malfoy. Inventou uma desculpa qualquer, que não foi de nada convincente, e disse que iria até Hogwarts conversar com a namorada.

Xingando-o por tamanha idiotice, Molly o deixou sozinho enquanto ele enfiava a cara nas chamas esverdeadas da lareira para tentar pedir à McGonagall para usar a lareira da sala dela. Por sorte, a diretora de Hogwarts ainda estava lá e o deixou usar a Rede de Flu para ir até a escola.

Assim que saiu do meio das chamas, a ex-professora da Transfiguração fez questão de, mesmo sem saber o que estava fazendo, lembrá-lo o porquê de estar lá. Ela perguntou se ele fora até o castelo para falar com Hermione, e quando ele respondeu que sim, McGonagall, com um sorriso no rosto, disse:

"Ah, ela deve estar nos jardins com o senhor Malfoy. Eu sempre vejo os dois lá nos finais de semana. Parece que eles se tornaram bons amigos."

O ruivo engoliu em seco e disse à McGonagall que talvez fosse até Hogsmead na hora de ir embora, portanto, ela não precisaria se preocupar com ele. A diretora abriu mais um sorriso incomum e, como num impulso, deu um abraço apertado em Rony, que ficou sem saber o que dizer e saiu de lá o mais rápido possível.

Enquanto caminhava pelos corredores que tanto conhecia, várias imagens de Hermione e Malfoy foram passando na mente dele. Várias vezes ele parou e respirou fundo, não ia adiantar em nada ficar irritado por suposições que uma mente enciumada havia feito. E, mesmo que não pretendesse admitir, sabia que também não estava em posição de exigir muita coisa da namorada. E ele não ficaria nem um pouco espantado se descobrisse que aquela puta loira e Malfoy estavam juntos em tudo isso. E talvez tivesse sido por isso que não respondeu à carta de Hermione, por vergonha, e por medo dela descobrir tudo.

Mas nenhuma culpa nas costas tirava a vontade que tinha de socar cada parte do corpo de Malfoy. Justo a fuinha oxigenada! Isso simplesmente não fazia sentido e ele tinha certeza que tinha dedo dela nisso tudo.

Passou pelas lustrosas portas de carvalho à entrada do castelo e não demorou muito a encontrar os belos amigos. Hermione estava lá, sentada em frente ao Malfoy e, de onde estava, Rony não conseguia ver nenhum espaço entre eles. O sonserino estava... fumando. Igual a ela. Inclusive, os dois poderiam ser até irmãos, os mesmos cabelos loiros, o mesmo olhar frio e arrogante, e provavelmente a mesma mania insuportável de provar o quão superiores eles acham que são.

Mas isso pouco importava no momento, ele só queria saber de quebrar a cara daquele filho da puta, que abriu um enorme sorriso irônico quando o viu andando até eles. As orelhas e pescoço do ruivo já estavam da cor do cabelo dele, e ele não se espantaria se conseguissem ver fumaça saindo dos seus poros.

Hermione levantou-se rapidamente e ficou fitando-o com um olhar indecifrável. E Rony sentiu falta de quando conseguia perceber cada mínima mudança nela com um simples olhar.

Malfoy só se levantou quando Rony estava a poucos metros deles, muito vagarosamente, como se não fizesse nenhuma diferença ter ele ali ou não.

"O que você está fazendo aqui?" Hermione perguntou com um tom cansado, lançando um olhar de esguelha para Malfoy, que estava parado atrás dela, o sorriso ainda no rosto.

"Não é óbvio o que eu vim fazer aqui?" disse dando mais um passo à frente, ficando a centímetros dela. Hermione não respondeu, continuou a encará-lo, como se ainda esperasse uma resposta.

"Bom, eu sei que o papo de vocês vai ser muito interessante, mas eu tenho mais coisas para fazer, se me dão licença..." Malfoy interrompeu o contado visual entre os dois, parou meio do lado, meio na frente de Hermione e disse alguma coisa, que Rony não conseguiu ouvir, no ouvido dela. Hermione meramente piscou e Malfoy virou-se para Rony. "Até mais, cenoura ambulante."

Rony sentiu como se todo o sangue dele fosse drenado do corpo, deu um passo na direção do loiro, com os punhos já cerrados, pronto para dar-lhe um soco, mas Hermione foi mais rápida e entrou na frente dele, segurando-o. Malfoy deu mais um risinho irônico e se virou para o castelo.


Tudo estava girando. Hermione achou que poderia desmaiar a qualquer momento, mas manteve-se firme e continuou a encarar Rony, só desviando o olhar quando Draco falou qualquer coisa que ela não conseguiu processar muito bem o que era. E em seguida ele sussurrou que estaria na Sala Precisa. Então tudo clareou um pouco e ela viu o namorado se preparando para dar um soco em Malfoy. Nem ela saberia dizer de onde tirou forças para impedi-lo, mas dizem que a adrenalina faz isso com as pessoas.

Então só restava ela e Rony. Ele parecia a ponto de explodir e ela, não fazia ideia se falava ou não qualquer coisa.

Os segundos foram passando e poderiam ter virado vários minutos, mas a noção de tempo da grifinória estava muito afetada para ter certeza de qualquer coisa. E naquela imensidão de silêncio, Hermine se permitiu pensar no que vinha evitando há quase dois dias. Ela havia, mais uma vez, traído o namorado. Ela se entregou a Malfoy. E, por pior que fosse admitir, não era como se ela sentisse mais do que um pequeno arrependimento. Sabia que era errado e não poderia ter feito isso com Rony, mas era quase como se não se arrependesse.

Ainda podia sentir o gosto de tabaco e menta grudados na língua dela. O cheiro de perfume e cigarro misturados que ela aprendera a gostar; o cheiro que, ela tinha certeza, independente de qual fosse o xampu que ele usasse, jamais sairia do cabelo dele. Não tinha como esquecer que, sob as várias blusas que usava, ainda havia várias marcas que ele deixara na pele dela. Que, mesmo achando uma atitude machista para "marcar território", eram um lembrete constante do quão bom foi cada toque. E ela podia jurar que Rony conseguiria sentir o cheiro de cigarro no cabelo dela.

Contudo, ela amava o Rony. Amava tanto que seria capaz de dar vida por ele.

"Por que ele, Hermione?" depois de todo aquele silêncio perturbador, Rony se dirigiu a ela.

"Por que ele?" repetiu, como se não acreditasse no que tinha ouvido. "Você não acha que eu me pergunto todos os dia apenas 'Por quê?'", disse baixando olhar. "Você não acha que eu penso só que eu te traí? Não importa com quem foi, mas sim o que eu fiz! E eu não tinha o direito de fazer isso..." Hermione deu um passo na direção dele, deixando seus corpos quase colados. "Eu te amo, Rony, como nunca amei ninguém na minha vida."

Assim, tão perto, ela era capaz até de contar as sardas no rosto dele, como costumava fazer sempre que acordava antes dele ou ele dormia antes dela. Mas sempre gostava mais de quando acordava antes, porque ficava sempre tão concentrada olhando para cada detalhe do rosto dele que quase nunca percebia quando o namorado acordava, então, provavelmente vários segundos depois dele abrir os olhos, voltava o olhar para os olhos dele (adorava como os cílios ruivos mexiam enquanto ele estava dormindo) e encontrava aqueles orbes azuis a encarando. E depois eles se beijavam e ficavam vários minutos ali, abraçados, apenas sentindo um ao outro. E aquela era a melhor sensação do mundo. Mas ela já não tinha mais tanta certeza de qual era aquela sensação.

Ela tocou no rosto de Rony, e ele fechou os olhos e deu mais um pequeno passo na direção dela, acabando com a distância. Levou as duas mãos à cintura de Hermione e a puxou para mais perto dele, tocou os lábios dela e Hermione afundou as mãos nos cabelos ruivos. O cheiro dele estava em tudo lugar, e ela achou que poderia redescobrir qual era aquela sensação. Mas a mente dela estava lhe pregando uma peça e ela sentia alguma coisa de Malfoy maculando o namorado. Além de alguma coisa a mais, como um perfume que ela não lembrava pertencer a Rony. Eles separaram os lábios e Hermione afundou o rosto na curva do pescoço dele, querendo sentir mais do namorado e se lembrar porque o amava tanto.

Mas não foi mais dele que ela sentiu, foi mais de Malfoy; por um segundo ela achou que Draco havia voltado, ainda fumando. Então depois ela achou que o cheiro estava vindo dela, no entanto, quando ficou nas pontas dos pés e cheiro o cabelo de Rony, percebeu que o cheiro estava nele. Afastou-se com um olhar intrigado e ele pareceu perceber instantaneamente o que estava acontecendo, porque abaixou o olhar e as orelhas dele voltaram a ficar vermelhas.

Hermione sabia que ele não fumava, nem tinha nenhuma possibilidade de fazer isso. Ele sempre dissera como nunca entendeu o porquê das pessoas fazerem isso.

"Você está cheirando a cigarro", falou em tom acusatório. Ele não respondeu, decidido a não a encarar.

E, com um olhar mais atento, Hermione percebeu que não era o Rony dela que estava ali. Era só o Rony. A roupa dele estava ligeiramente amassada, e ela podia jurar que viu uma mancha vermelha no colarinho da camisa. E ainda tinha aquele cheiro que, definitivamente, não era dele. E, por um momento fugaz, ela se arrependeu por tê-lo traído, mas logo o sentimento foi substituído por raiva.

"Quem é, Ronald?" Ele finalmente a encarou, abrindo e fechando a boca várias vezes antes de conseguir falar.

"Do que você está falando, Hermione?"

"Não se faça de idiota, Ronald! Você está cheirando cigarro e a algum perfume de mulher barato, e" ela deu um passo a frente, apontando para o ponto vermelho, que realmente existia, no colarinho dele "eu posso jurar que isso é batom."

"Como se você pudesse falar alguma coisa, não é?" respondeu cínico, nada típico dele.

"O quê?" disse com a voz estrangulada, segurando o choro. "A primeira coisa que eu fiz foi contar para você o que tinha acontecido! E em vez de me responder e tentar conversar você simplesmente saiu procurando alguém para poder me dar o troco?"

"Não é bem assim, Hermione. Você não entender-

"Ah, mas você também não fez questão nenhuma de me fazer tentar entender, não foi?" A essa altura, qualquer um que estivesse do lado de fora do castelo seria capaz de escutá-la, mas, por sorte, eles eram os únicos ali.

"Olha, eu sabia que essa história de você voltar para cá não ia dar certo. Não tem como namorar assim, entende? Eu acho melhor a gente... terminar. Pelo menos por algum tempo."

Hermione estava boquiaberta, não podia acreditar na naturalidade e até frieza com a qual Rony falara aquilo. Ele estava simplesmente terminando com ela assim, como se falasse do tempo. E ela até pensou em dizer que para o Harry e a Gina namoro à distância tinha dado certo, mas não sabia se conseguiria dizer alguma coisa.

Sentiu todos os músculos do corpo caírem. Não tinha forças para tentar argumentar e, sinceramente, também não fazia questão. Naquele momento era como se toda a eloquência dela não existisse. Mas só tinha uma coisa que ela queria saber, e não sairia de lá sem isso.

"Quem, Ronald?" disse no mesmo tom que ele usara.

Rony ficou vários segundos com os olhos abaixados, fitando os próprios pés.

"Pansy... Pansy Parkinson" disse por fim, num fio de voz.

O perfume não era barato, afinal, pensou Hermione.

Lançou um último olhar para Rony e, sem dizer mais nada, seguiu pelo caminho que há pouco Draco havia feito. Era isso que ele queria, era isso que teria.


Draco não soube muito bem porque disse à Hermione que estaria a esperando na Sala Precisa, ele não tinha nada a ver com a vida dela. Ela e o Weasley que se matassem, não faria diferença.

Mas foi como se ele sentisse que ela iria precisar de alguém depois daquela conversa. E ele realmente não se importava se ela ficaria bem ou não... ou ele queria acreditar que não se importava, porque se importar com a sangue ruim mudava muita coisa.

Quando entrou, a Sala estava transfigurada em uma aconchegante sala de estar; algumas estantes de madeira escura e repleta de livros cobriam duas das paredes. Na parede direita à porta tinha uma janela, que permitiu a Draco observar boa parte da conversa entre os dois. Um suntuoso sofá de couro preto estava perto da janela e, próximo ao sofá, havia uma mesa de centro com uma garrafa de Uísque de Fogo, um copo e um maço de cigarros. Não era como se ele ainda esbanjasse dinheiro, visto que toda a fortuna fora confiscada pelo Ministério e ainda não haviam conseguido nenhum progresso com o processo, por isso ele não gastava mais seus galeões com coisas banais como Uísque de Fogo, que fazia meses que não bebia.

Draco encheu o copo, acendeu um cigarro e apoiou-se na janela; quando olhou para o casal lá embaixo, mal reconhecíveis por causa da distância, Weasley estava se inclinando para beijar Hermione. A vontade dele era de poder aparatar entre os dois e socar a cara sardenta do ruivo. E ele não gostou de sentir aquilo, não era uma simples questão de ser possessivo, era como se doesse ver tal cena. E simplesmente não estava certo o filho da puta ficar aquele tempo todo sem dar as caras e depois agir como se não tivesse feito nada de extraordinário.

Ele viu Hermione se afastar do pobretão algum tempo depois, então ele percebeu a postura dela mudar e, em alguns poucos minutos, parecia que ela gritava. Não tardou muito e ela saiu quase correndo de lá. O loiro não pôde conter um pequeno sorriso de satisfação que brotou nos lábios. E ele ainda ficou uns bons minutos ali, olhando a figura meio pálida do Weasley passar as mãos no cabelos várias vezes seguidas e depois caminhar meio sem rumo, deixando pegadas fundas na neve que se acumulava. Quando já não conseguia mais ver o ruivo, perguntou-se se Hermione iria até lá.

Draco já estava no terceiro copo de Uísque e no segundo cigarro quando Hermione passou completamente desolada pela porta. O cabelo era uma massa completamente informe sobre a cabeça, os olhos estavam vermelhos e ela soluçava. Ele não soube o que fazer, muito menos o que foi aquele aperto que sentiu dentro do peito. Deixou o copo sobre a mesinha e apagou o cigarro em um cinzeiro que surgira ali. Ela ainda estava encostada na porta e ele apenas a observou.

Hermione suspirou e o olhou com fúria, indo na direção de Draco como um furacão. Primeiro, ela parou na frente dele e lhe deu um tapa na face alva, que instantaneamente se avermelhou. Depois começou a distribuir socos por todos os lugares que alcançava. Com dificuldade, e uma certa dor, Draco conseguiu fazê-la parar e a jogou de qualquer jeito no sofá.

"Ficou louca, Granger? Qual o seu problema, seu namorado te dá um pé na bunda e sou eu quem apanha?" disse cínico, como se contasse alguma piada.

Hermione começou a soluçar novamente e voou para cima dele, mas Draco conseguiu segurá-la antes de ser atingido por mais um tapa. Seus olhares se encontraram e ele viu como as palavras que dissera eram verdadeiras. Imaginou apenas que eles tinham brigado, mas nunca que o Weasley terminaria com ela. Talvez o contrário, mas isso...

"O que aconteceu?" soltando o braço dela, perguntou sem nenhuma emoção na voz. A grifinória apenas balançou a cabeça, sentou-se novamente, encheu o copo com Uísque e virou de uma vez, fazendo uma careta quando terminou, algumas gotas caindo na blusa dela. Voltou a pegar a garrafa, mas Draco a tirou das mãos que tremiam ligeiramente.

"Ei! Me devolve isso, Malfoy!" disse levantando-se e tentando tirá-la da mão dele.

"Granger, você não vai ficar bêbada aqui; se quiser, fique sozinha, pode até entrar em coma, mas não perto de mim, eu não vou cuidar de ninguém! Entendeu?" ele colocou a garrafa de volta na mesa e Hermione avançou para ele novamente, mas desse vez não foi para bater.

Seus lábios se encontraram com violência, as línguas brigando pelo controle da situação. E ele logo viu o corpo inteiro reagindo a ela. Sem quebrar o beijo, Hermione começou a puxar os casacos dele para fora do corpo, Draco logo a ajudou e ela, com um floreio da varinha, que tirou do bolso da calça, despiu-se das blusas de frio ficando apenas de sutiã. O sonserino não podia acreditar que dessa vez seria tão fácil. Ela acabou de tirar a camisa dele e afundou as unhas em suas costas, arranhando-o. Draco apertava aquela porra de bunda arrebitada que ela tinha com uma mão e friccionava o seio direito com a outra. Estava completamente duro e queria se livrar logo da calça.

Suas bocas continuavam em uma guerra de línguas, lábios, dentes e gemidos; Hermione desceu uma mão da nuca de Draco por todo o peito dele, apertando e arranhando a pele clara. O loiro estava delirando e queria acabar logo com aquilo, mas a mão dela continuou descendo e, antes que ele perdesse qualquer capacidade de pensamento, percebeu o que ela estava fazendo.

Nunca, em toda a breve existência dele, Draco se imaginou mandando alguma garota, por quem estava excitado, parar, mas foi isso que fez; juntou tudo resto de pensamento coerente que ainda tinha e empurrou Hermione.

Ela o olhou estupefata e tentou aproximar-se novamente.

"Não, Granger, eu não vou transar com você!" ele tomou fôlego e continuou falando. "A não ser que você me diga que não está fazendo isso para se vingar do estrume do Weasley."

Ela baixou o olhar e não respondeu. Draco deu um passo para trás e disse:

"Como eu imaginava. Então, que fique bem claro que eu não vou ser brinquedinho de uma sangue ruim que levou um pé do namorado."

Hermione jogou-se na extremidade esquerda do sofá e se encolheu ali. Draco ficou no mesmo lugar, respirando fundo e lembrando a si mesmo que teria muitas outras oportunidades para transar com ela. Depois de algum tempo em completo silêncio, a morena virou-se para ele e, com a voz rouca, falou:

"Só fica aqui comigo, pelo menos..."

Ele soltou a ar que nem sabia que havia prendido e se jogou na outra ponta do sofá, ficaram mais alguns minutos assim, até Granger resolver que não estava tão confortável daquele jeito e ir se aninhar ao lado dele, passando o braço direito sob o braço dele.

"O que você pensa que está fazendo, Granger?" perguntou com a voz mais fria que conseguiu.

"Só me deixa ficar aqui, por favor." Ele não disse mais nada, o tom de voz que ela usara não tinha nada a ver com a grifinória implicante que ela era, parecia de uma criança acuada.

Draco nunca fora de deixar que fossem tão próximos dele. E ele podia dizer que aquilo era proximidade, intimidade, demais para ele. A única pessoa que ele permitia fazer isso era Pansy, mas também não era a mesma coisa, porque eles eram só amigos, e Pansy nunca parecia uma criança acuada. Nunca se deixava intimidar ou ficar por baixo. Ela simplesmente se encostava em Draco quando estava cansada e queria dormir. Não era como um consolo, só um hábito.

Ele respirou fundo mais uma vez, tentando ignorar o movimento que os seios de Hermione faziam contra o braço dele enquanto ela respirava, tentando ignorar que ela estava só de calça e sutiã e principalmente tentando esquecer que poderia não ter se importado com o que ela estava fazendo e ter se enfiado dentro dela mais uma vez. Mas um soluço grave e estrangulado levou para longe tais pensamentos.

Hermione voltara a chorar, e não era como se só estivesse deixando as lágrimas rolarem face abaixo. Era doloroso, e Draco quis não estar ali. Nunca fora obrigado a presenciar uma cena dessas e não fazia ideia do que deveria fazer; mas uma parte de mente dele - a mesma que quase sentia a dor junto com Hermione e que queria estrangular o Weasley por deixá-la assim - o fez colocá-la no colo sem nem pensar no que estava fazendo. Ela não protestou e se aninhou ao peito dele como se estivesse acostumada a fazer isso. Talvez o pobretão costumasse segurá-la assim, pensou fervendo de raiva. Ou o que ele achava que era raiva.

Ele a apertou contra si, uma das mãos afagando carinhosamente os cabelos revoltos. Malfoy não fazia a menor ideia do porquê de estar fazendo aquilo, mas parecia a coisa certa.

"Dorme um pouco, Granger. Acho que vai ser bom." Ela ainda continuava com os soluços, mas logo ele foi percebendo que eles diminuíam e a respiração de Hermione ficou calma e ritmada. E a única coisa que ele queria naquele momento era que a poção para sono sem sonhos fizesse efeito no organismo dele e que ele também pudesse dormir.

Mas não, ficou ali, sentado com uma sangue ruim no colo dele, velando o sono dela. As pernas e braços já estavam dormentes e ele podia simplesmente deixá-la no sofá e ir embora; no entanto, tê-la ali era estranhamente reconfortante. Talvez ele não precisasse da poção para conseguir dormir.


Parecia que um rolo compressor havia passado por cima do corpo de Hermione. Ela sentiu as pálpebras grudadas e a boca seca. E também tinha aquele cheiro que ela gastava tanto. Levou apenas alguns segundos para lembrar-se de onde estava. Inspirou profundamente antes de abrir os olhos com dificuldade. O ambiente estava à meia luz de fim de tarde, e os braços de Draco pendiam pesadamente ao lado do corpo dele, que estava dormindo feito uma criança. Hermione achou que aquela era uma das imagens mais linda que já vira.

Ajeitou-se um pouco melhor no peito nu, não querendo acordá-lo, e seu olhar caiu sobre o antebraço esquerdo dele. Uma batida de coração ficou perdida no espaço enquanto ela tomava consciência do que estava vendo. Era, definitivamente, a Marca Negra. Não estava escura como na época da Guerra deveria ter ficado, mas ainda assim a cicatriz marcada a fogo era muito nítida. Alguma coisa contorceu-se dolorosamente no intestino dela. Antes que pudesse pensar no que estava fazendo, viu-se levando os dedos finos até a caveira e fazendo o contorno. Estava, então, certa sobre a suposição do porquê de Draco só usar manga comprida. Ele deseja esconder aquilo, talvez dele mesmo.

Enquanto passeava os dedos pelo braço dele, lembrou-se nitidamente do dia no qual também ganhara uma marca no braço. Também estava fadada a levar consigo para sempre uma lembrança de quem era. Mas não se envergonhava por isso. Muito pelo contrário.

Nesse momento ela percebeu o quão iguais e diferentes eles eram. O quão paradoxal aquela relação – se é que se podia dizer isso do que eles tinham – era. Hermione amava o namorado, ex-namorado, forçou a mente a lembrar, e mesmo assim sentia-se atraída e, de alguma forma completamente torta, ligada a Malfoy.

Sentiu alguma coisa mexendo-se sob ela e logo viu que Draco acordara e a fitava com uma expressão indecifrável. Há algum tempo, achava que estava aprendendo a ler as mínimas mudanças na expressão dele, mas percebeu que precisaria de mais muito treino para isso.

"O que está fazendo, Granger?", perguntou tirando o braço do contato com os dedos dela, que mexeu-se desconfortavelmente no colo dele.

"Sabe, você não é o único que carrega marcas, físicas, de tudo o que aconteceu", disse fitando as íris cinzas, que estavam quase invisíveis devido à pupila dilatada. "Mesmo que talvez não seja o que realmente nos caracteriza, ou que você não goste das lembranças que isso traz, é uma parte de nós..."

"Do que você está falando?" disse insuportavelmente calmo, como se contivesse dentro de si um vulcão pronto para explodir, mas quisesse escondê-lo o máximo de tempo possível. Hermione respirou fundo e esticou o braço esquerdo para ele.

Malfoy pareceu levar alguns segundos para entender o que ela estava fazendo e finalmente enxergar o significado daqueles rabiscos. Ele ficou olhando sem emoção alguma, mas por fim puxou o braço fino para perto da boca e depositou um, dois, três beijos ali. Hermione não fazia ideia do quê aquilo significava e, pelo olhar meio contrariado de Draco, ela viu que ele também não sabia. Mas isso não importava, ela estava sentindo-se estranhamente segura ali; qualquer outra coisa era um mero detalhe.

O sonserino inspirou profunda e muito lentamente, desviou o olhar do "sangue ruim" gravado na pele dela e fitou os olhos castanhos. Ela sentiu todo ar do pulmão ir embora e não lembrava-se mais como fazia para respirar. Era como se houvesse um buraco onde deveria estar o estômago, a respiração estava rasa e ela podia jurar que qualquer um dentro do castelo conseguiria ouvir as batidas descompassadas que o coração dela dava.

Menos de uma fração de segundo depois, os lábios dela eram tocados pelos de Draco. Só tocados. Sem nenhum movimento, língua, urgência, desejos desenfreado. Era quase como um pedido de permissão. Ela entreabriu os lábios e sentiu o loiro estremecer ligeiramente quando apoiou as mãos no peito dele a fim de se acomodar melhor. E parecia que o coração dele estava prestes a sair do peito, tamanha a velocidade com a qual trabalhava.

Draco levou as duas mãos à cintura dela, segurando-a inexplicavelmente possessivo e carinhoso, como que para se certificar de que ela não fosse sair dali. Seus lábios dançavam uma melodia áspera e asfixiante e ao mesmo tempo, como tudo o que vinha deles, banhado em paradoxos e antíteses, Hermione sentia-se no mais alto dos céus. A grifinória sentia como se toda a tensão daqueles longos meses estivessem se esvaindo do corpo dela e só restasse os dois, sem nenhum pensamento de culpa ou qualquer comparação.

E ela percebeu que Draco havia se tornado, mesmo que de maneira inconsciente e relutante, seu porto seguro.


N/A: Por favor, não me matem!

Eu sei que MUITA gente odeia Rony e Pansy juntos; eu, particularmente amo, mas não nessa fic! haha Na verdade eu não gosto da Pansy aqui, e a ideia inicial não envolvia os dois juntos, seria só Dramione e ponto! Mas tive essa ideia e não pude deixar de aproveitar...

Eu, sinceramente, não gostei muito desse cap, mas ele era necessário, então não pude fazer muita coisa a respeito.

O próximo capítulo já está em andamento, não sei se vai demorar ou não, mas vou fazer de tudo para conseguir postar rápido, e ele vai esclarecer algumas coisas!

O que acharam? Comentários?

E muito obrigada por estarem acompanhando a fic!

Bjs! *-*