N/A¹: Ah, finalmente mais um capítulo pronto! Demorou, mas está aqui. Estou muito feliz com a fic, ela já passou de 1200 views! Sério, estou muito feliz mesmo, muito obrigada a todos que ajudaram para isso acontecer!

Bom, nesse cap volta tudo ao normal, continuando do 4º, então, se você lembra como acabou, volta lá e dá uma olhadinha! Espero que gostem! ^-^


Cap. VI

Fazia quatro dias que Draco não via Hermione. Eles estavam de férias e não se cruzavam nos corredores, e ele tampouco foi à cozinha (mesmo que isso tivesse custado todo o esforço e resto de bom senso dele). Fazia quatro dias que eles haviam se beijado de uma maneira que ele nunca achou ser possível. Como se toda a alma dele estivesse exposta para quem quisesse ver.

Ele não soube por quanto tempo mantiveram os lábios grudados, só sabia que aquilo fora inúmeras vezes melhor e mais viciante do que ter feito sexo com Hermione. E isso não poderia ser verdade, mas ele não conseguia tirar essa ideia da cabeça.

E era por isso que ele estava há quatro dias trancado no quarto, apelando para a boa vontade de um elfo qualquer que levava comida para ele. Depois de ter sentido como se o coração fosse sair pela boca, as mãos de Hermione pousadas delicadamente sobre seu peito. O gosto que ele não conseguiu identificar, mas que o fez querer se afogar naquilo; o seu nome sendo sussurrado quando separaram os lábios, simplesmente o fez entrar quase em colapso. E não foi como se ele quase entrasse em colapso porque estava com aquele desejo desenfreado dos últimos dias. Ele quase entrou em colapso porque aquilo fora tão puro que ele achou que era até errado.

E aquilo era, de fato, errado!

Ele não podia simplesmente ter sentido tudo o que sentiu, então, nada melhor do que ficar sem ver a sangue ruim que estava causando toda aquela desordem na cabeça dele. Todos dizem que o tempo cura, pois que o tempo o curasse de tamanha estupidez. Talvez o tempo curasse, se ele pudesse ser privado de qualquer lembrança de Hermione, o que não acontecia, visto que todas as lembranças eram muito vívidas na mente dele. Além do fato de já ter recebido dois pergaminhos com qualquer coisa relacionada a saber o que tinha acontecido para ele sumir assim.

Depois de ouvir o nome saindo de maneira tão delicada dos lábios de Hermione, Draco a colocou sentada no sofá, vestiu as blusas que ainda estavam jogadas no chão e saiu da Sala Precisa com uma desculpa tão esfarrapa que ele nem se lembrava mais qual era. E desde então estava tentando entender tudo o que havia acontecido nos últimos quase três meses. Não chegou a nenhuma conclusão satisfatória, e ficou fugindo do óbvio, simplesmente porque não poderia ter deixado a situação chegar a proporções tão catastróficas.

Durante esses quatro dias ele ficou relembrando cada momento que teve com Hermione. Não, com Granger. Eles discutiam, muito. Por mais idiota que fosse a questão, eles inevitavelmente discutiam. Se era porque o café estava com muito ou pouco açúcar, ou como ele era um filho de uma puta por ainda continuá-la chamando de sangue ruim depois de tudo o que ele havia perdido por causa desse preconceito idiota, eles discutiam. Às vezes um simplesmente desistia de argumentar e eles ficavam quietos por um bom tempo, mas às vezes eles pareciam duas máquinas e não paravam de falar nem para tomar fôlego. Na maioria das vezes era ela quem tinha a palavra final. Draco acabou se acostumando com isso.

Sempre que estavam juntos, ele se sentia menos sozinho. Não porque ele estava com alguém (ele ficava o dia inteiro rodeado de gente), mas porque ela parecia ser a única pessoa capaz de entender, minimamente que fosse, o que ele sentia. Afinal, eles não eram tão diferentes assim. Opostos, talvez; dois lados de uma mesma moeda. Eles passaram pelas mesmas coisas, tinham as mesmas marcas, carregavam os mesmos pesadelos e incertezas. Ela sempre fora forte, e lutara pelos ideais nos quais acreditava; admitir que eram diferentes seria admitir uma fraqueza que um Malfoy não poderia ter. Então, era mais fácil enxergar só as semelhanças.

Em todos aqueles dias perto dela, mesmo que em vários momentos tivesse sido inevitável, ele não se permitia olhá-la de modo a ver quem ela realmente era. Olhava só sobre o prisma dos rótulos: sangue ruim, dona da verdade, intragável sabe-tudo de Hogwarts, amiga do santo Potter, namorada do pobretão... Mas nas últimas semanas estava ficando cada vez mais difícil vê-la assim. A filha da mãe tinha alguma coisa que o fazia querer ficar observando cada mínimo movimento que ela fazia, cada simples mudança nas feições, cada olhar indignado quando ele falava qualquer ofensa que fosse sobre alguém. Cada mordida nervosa que ela dava no lábio inferior quando estavam no meio de uma discussão ou perto demais um do outro. Ele tinha vontade de mergulhar no olhar conflituoso dela e descobrir o que cada um nos neurônios estava fazendo naqueles momentos.

Mas ele nunca permitiu que ela o visse tão exposto. Até quatro dias atrás, quando deixara que toda a máscara de indiferença fosse para o ralo! Quando sentiu o sangue gelando dentro das veias com aquele simples beijo, que, convenhamos, de simples não teve nada. Ele não era nenhum santo e todos sabiam disso, já tinha perdido a conta de com quantas garotas ficou antes de Hermione, mas nada chegou a ser remotamente parecido com aquilo. Talvez fosse esse o sentimento que os escritores tentavam - tão ridiculamente, ele pôde perceber agora – descrever nos romances. Algo transcendente, uma mistura de sentimentos que ele jamais seria capaz de explicar; admirava a audácia dos idiotas que tentavam. Era algo inexplicável. Simples assim.

Um sentimento inexplicável e proibido. Ponto!

Alguém bateu na porta. Draco ignorou a batida insistente o máximo possível, mas ele já podia até imaginar quem era a única pessoa que seria tão irritantemente chata a ponto de ficar plantada na porta até ele resolver abrir.


Hermione não soube precisar por mais quanto tempo ficou na Sala Precisa depois de Malfoy ter ido embora.

Ela tinha muito no que pensar. Primeiro Rony, depois Pansy Parkinson e, para fechar com chave de ouro, Draco. Ela tentou se lembrar de como tinha deixado tudo chegar a tal estado, mas não foi capaz. Simplesmente não podia acreditar que o namoro tinha acabado por um erro dela. Hermione nunca pensou que isso fosse acontecer, sempre teve na cabeça a ideia fixa de que jamais faria qualquer coisa que pudesse colocar o relacionamento com Rony em risco, porque para ela o amor que sempre sentira por ele era o suficiente para os dois. Mas como estava enganada; continuava amando Rony, e como amava; contudo, não foi o suficiente. Não podia culpar o ruivo inteiramente, afinal, fora ela quem o traiu primeiro, como a covardia de Ronald a deixava pensar.

Por vários momentos ela se pegou pensando se teria sido menos doloroso se não fosse Parkinson a "escolhida" do namorado, ex-namorado! Rony levara bem a sério uma frase que Hermione já havia ouvido algumas vezes quando começou a sair com a loira: Traição, com traição se paga. Ele não simplesmente havia feito a mesma coisa, como também escolhera praticamente a mesma pessoa, porque Pansy Parkinson (e todos sabiam) era a versão feminina de Draco. Os mesmos cabelos claros, talvez até o mesmo sangue puro, a mesma arrogância e, ela tinha quase certeza, as mesmas insuportáveis manias de xingar qualquer um que eles considerassem inferiores e de debochar de tudo. Os olhos eram diferentes, isso ela também tinha certeza. Draco tinha os olhos claros e cinzas, que ficavam quase pretos quando eles se beijavam, ou há alguns minutos, mesmo antes deles se beijarem, quando pareceu que ele estava perdido dentro de um mundo só dele. Nunca se deixou olhar muito, mas amava os olhos dele, parecia que iriam sugá-la caso os fitasse por tempo demais. Parkinson não, ela tinha os olhos escuros, castanhos e ponto, sem nada que pudesse chamar atenção; um contraste com toda aquela brancura, exceto pelo olho carregado de maquiagem preta e os lábios vermelhos.

Era isso, então, ela traíra o namorado, ele a traiu e os dois terminaram. Há menos de vinte e quatro horas, ela diria, com toda convicção que sempre teve, que faria qualquer coisa para voltar até o primeiro dia no qual se encontrou com Draco e sair daquela cozinha antes que ele a visse; agora, o "qualquer" já era muito mais restritivo. Não podia negar que, durante todos os dias depois daquele primeiro beijo, se arrependera do que fez, como tampouco podia negar que se pegou inúmeras vezes desejando que acontecesse de novo. E aconteceu, e ela se arrependeu mais ainda por ter deixado acontecer e ter ido tão longe. Mas agora era como se todo o arrependimento tivesse sido substituído por algum sentimento que ela ainda não tinha conseguido identificar. Não era amor, isso ela sabia. E era isso que ela sabia.

Naquele começo de noite, Hermione prometeu não pensar mais em Rony, porque ela ainda não conseguira digerir o fato dele tê-la traído e terminado o namoro daquele jeito tão frio. Parkinson estava penetrando muito bem nele! E, se ela não pensasse, também não choraria mais, porque ela não queria chorar por ele. Não depois do modo como ele agira.

Por fim, saiu da Sala Precisa pensando naquele beijo recém-trocado. No modo como Draco a tocara, lembrou-lhe até aquela primeira vez, quando ele a tocou parecendo que encostava em algo sagrado. Agora aquele momento parecia tão distante que ela imaginou se não fazia anos ao invés de meses que acontecera. Deixou o ar sair vagarosamente dos pulmões, que clamavam por mais do cheiro de Draco. Da presença dele ao seu lado.

Ao anoitecer do dia seguinte, Hermione recebeu uma carta de Gina. A amiga queria saber o que estava acontecendo, já que Rony meramente dissera que os dois haviam terminado. Pelo que Gina sabia, ele não havia contado o real motivo nem para o Harry; Molly estava furiosa com o filho e queria a todo custo que ele pedisse à Hermione que voltassem a namorar. Hermione respondeu com uma carta breve, dizendo que contaria tudo pessoalmente a Gina quando ela voltasse para Hogwarts.

Há cerca de três minutos e meio Hermione estava plantada na porta de Malfoy. A cada três batidas que dava, contava dez segundos para as próximas. Ela havia passado tempo demais se decidindo se ia até lá ou não, agora, que já estava à porta do garoto, não iria desistir. Oito, nove, dez...

Já estava com os nós dos dedos quase tocando a porta quando Draco a abriu. Como se já soubesse quem estava ali, falou antes mesmo de Hermione se dar conta de que ele havia atendido:

"Como entrou aqui, Granger?" disse simplesmente.

"Disse para o seu amiguinho, o dos cigarros," explicou-se diante do olhar confuso dele "que se ele não me dissesse qual era a senha eu o denunciaria para a McGonagall." falou com um meio sorriso no rosto e entrou no quarto sem pedir licença.

Draco vestia apenas uma calça de flanela, e ela deu graças aos céus pelo quarto não estar muito iluminado. Não se lembrava de quase nada do ambiente; na verdade, não lembrava de quase nenhum detalhe do dia que estivera ali (o qual também parecia que já havia se passado há séculos, quando na verdade mal fizera uma semana). Estava tudo muito bagunçado e cheirando a cigarros e Malfoy. Ela respirou fundo e tentou não se lembrar das sensações que experimentara naquela noite, porque disso ela se lembrava muito bem.

"Meio abafado aqui, sem janelas, não acha?". Virou-se para Draco e ele estava acabando de fechar a porta, apoiou-se nela e ficou encarando Hermione como a uma estranha. Ela ergueu uma sobrancelha para ele, que finalmente falou:

"Te garanto que é melhor do que uma vista privilegiada para o Lago Negro." desencostou-se e caminhou até uma mesa que havia ali, pegou um cigarro, acendeu-o e tragou lentamente. Hermione quase podia ver a nicotina descendo pela traqueia, preenchendo os pulmões, entrando em cada minúsculo alvéolo pulmonar e impregnando o sangue através dos capilares sanguíneos com a substância tóxica enquanto ele relaxava as feições para em seguida soltar a fumaça pela boca. "Mas não foi para falar sobre janelas que você veio aqui, Granger."

Granger. Nada de Hermione. Ela podia ter se esquecido de muitas coisas, mas não de como foi ouvir seu nome sair da boca dele, ali, naquele mesmo quarto. Sentiu o estômago dar uma volta incomoda e por um momento olhou para o chão. Respirou pesadamente e olhou no fundo naqueles olhos cinzas; poderia simplesmente ficar horas apenas olhando para ele, mas não era para isso que tinha ido até lá.

"Por que você está trancado aqui?" perguntou no fim do que pareceram horas.

"E quem disse que eu estou trancado aqui, Granger? Está me vigiando por acaso?"

Ela sentiu as bochechas corarem e desviou o olhar do dele. "Eu fiquei rondando as masmorras para ver se esbarrava com você. E não foi difícil descobrir que um elfo estava te trazendo comida...".

Hermione voltou a olhá-lo e Draco estava com os olhos comprimidos, como um míope que tenta enxergar de longe sem os óculos.

"Você é insuportável, Granger!"

Ela fingiu não ouvir e continuou falando: "Eu queria conversar, Draco.".

"Conversar?" perguntou debochado. "Ok, vamos conversar, então! Qual você gostaria que fosse o tópico? Sua chatice irremediável ou o motivo para o meu autoisolamento? Porque eu não sei se deu para você perceber, mas eu não quero falar com voc-

"Sobre a gente!" disse exasperada, olhando-o tão profundamente quanto podia. "Sobre tudo o que está acontecendo, cacete! Você não pode ser tão imune a tudo como quer que os outros pensem, Malfoy! Não é possível que você não sinta nada." falou exaurida.

Draco deixou, a meio caminho da boca, a mão com o cigarro cair ao lado do corpo. Pela primeira vez desde que entrara ali, ela sabia que tinha realmente a atenção dele; como Draco parecia que não ia dizer nada, voltou a falar:

"Eu só queria tentar entender tudo o que eu estou sentindo. Tentar colocar algum sentido nessa loucura toda, porque eu não consegui pensar em nada que pudesse ser suficientemente coerente."

Ele apagou o cigarro no tampo da mesa e ficou por alguns segundos olhando com demasiada atenção para a guimba que acabara de triturar entre os dedos. Hermione teve a impressão de que era ela quem ele queria esmagar.

"Acho melhor você ir embora, Granger." já recomposto, disse calma e lentamente.

"Não, eu não vou embora antes de termos uma conversa civilizada." caminhou para mais perto dele, parando a poucos centímetros do loiro, teve que levantar ligeiramente a cabeça para continuar olhando-o nos olhos.

Malfoy respirou fundo, parecia querer clarear a mente. Fechou os olhos por alguns segundos e, quando os abriu, Hermione pôde ver as pupilas escuras dilatadas.

"Granger, tenha na cabeça a certeza de que se você não sair daqui agora, vou garantir que não saia tão cedo." disse no mesmo tom quase monótono que usara há pouco.

"Eu não vou sair" falou firme.

Draco deu às costas a ela e deu um soco na mesa. Apoiou uma das mãos na cadeira ao lado dele e ficou ali, respirando pesadamente. Depois de alguns segundos só com a respiração dele cortando o silêncio perturbador, Hermione foi para a frente do loiro, ficando parada entre Draco e a parede.

Malfoy deu um passo incerto na direção dela, fazendo-a encostar-se na parede. Uma mão fria do loiro foi para a nuca de Hermione, prendendo os dedos nos fios castanhos. Draco não tirava os olhos dos dela. Ambos respiravam com dificuldade, e Hermione tentava se lembrar do motivo pelo qual havia ido até lá. Ele levou o rosto até a curva do pescoço de Hermione, roçando as bochechas, nariz e boca na pele macia. Ficou incontáveis segundos, ou até minutos, ali, parecendo que queria apenas sentir a pele e o cheiro dela, respirando fundo cada vez que levava o nariz para os cachos mal controlados. Ela não ousou de mexer; sentia o coração pular descontroladamente dentro do peito, tinha certeza de que Draco poderia escutá-lo, ou pelo menos sentir a pulsação correndo furiosamente sob a jugular perto da boca dele.

"Granger, pelo amor de Merlim, me manda parar" a voz saiu entrecortada, perecendo uma súplica.

Ela levou as duas mãos aos fios loiros e sustentou-se ali. "Mas eu não quero que você pare" disse com dificuldade, "e das outras vezes você também não queria."

"Mas agora é diferente, porra!" voltou a fitá-la. "Será que você não entende?" disse baixo, como se qualquer barulho fosse macular aquele momento.

Hermione fechou os olhos. Ah, ela entendia. Como ela entendia! Provavelmente pelos mesmos motivos eles estavam tendo reações completamente diferentes: ele a mandando sair quando tudo o que ela queria era ficar.

Malfoy levou a outra mão à cintura de Hermione e, antes que pudesse abrir os olhos, ela sentiu os lábios com gosto de tabaco nos dela.


Desde o momento em que abrira a porta, Draco travava uma luta interna. Uma parte dele queria enxotar Hermione dali. Outra parte queria agarrá-la e não deixar que ela saísse enquanto fosse possível viver apenas da presença de Granger.

No momento, ele suspeitava que a segunda parte estava prevalecendo à coerência da primeira. E Hermione estava contribuindo em muito para que ele achasse que nenhum motivo seria suficiente para querer tirá-la dali. Tão decidida em não sair de lá enquanto não conversassem; isso, definitivamente, era uma das coisas que gostava nela, não desistia enquanto não conseguisse o que queria (mesmo que às vezes, ou quase sempre, fosse insuportavelmente irritante). Ele não podia dizer que teriam de fato uma conversa, mas sabia que ela não sairia enquanto não tivesse a atenção que queria.

Ele quis acreditar que Hermione era ingênua o suficiente para não ter entendido o que ele quis dizer com vou garantir que não saia tão cedo, mas, quando ela disse que não queria que ele parasse, viu que estava enganado. Ela entendera muito bem. E ele achava que ainda tinha força de vontade e autocontrole o suficiente para fazê-la sair de lá à força. Contudo, todo o ser dele ainda estava agindo de acordo com a parte que queria Hermione junto dele.

Ela tinha gosto de maçã misturado ao dela naquele dia. Hermione sempre comia maçã de manhã, embora ele achasse que já estava quase anoitecendo. No dia que o infeliz do Weasley fora até lá, enquanto a fitava comer, ficou se perguntando que gosto teria a boca dela misturada com o suco da fruta. Agora sabia, e maçãs nunca lhe pareceram tão tentadoras.

Hermione agarrava-se às costas dele como se a vida dependesse daquilo. Ele podia sentir as unhas dela o arranhando nas costas e no couro cabeludo, tinha certeza de que ficaria vermelho e dolorido, mas não seria nada comparado à mancha que ela já havia feito dentro dele. Contudo, seus lábios mexiam-se com demasiada calma, como em um acordo mútuo para desfrutarem ao máximo cada sensação.

Draco separou seus lábios e lentamente abriu o casaco que Hermione vestia. Ele queria simplesmente poder se fundir nela. Naquele momento nada mais importava: sangue, orgulho, a parte da mente dele que gritava para parar com aquilo. A única coisa relevante naquele espaço era ela. Hermione! Hermione! Hermione! Sua mão estava ligeiramente trêmula quando deixou o casaco cair no chão; seu coração batia tão descontroladamente que o fez cogitar a possibilidade de ter um ataque cardíaco. As respirações dele e de Hermione chocavam-se entre eles, parecendo fazer ruir o muro que os separava a cada expirar do ar quente que preenchia seus pulmões.

Os olhos de Hermione pareciam querer suga-lo para dentro dela, e ele sabia que, se isso fosse possível, não pensaria duas vezes antes de se deixar ser sugado. Ela levou as mãos à nuca dele novamente e sugou os lábios de Draco, puxando-o para mais perto e colando o quanto fosse possível os seus corpos. Uma mão do sonserino puxou a coxa esquerda de Hermione, colocando-a em volta de sua cintura; ela soltou um suspiro longo e apertou a perna em torno dele. Draco apertava cada parte que fosse possível do corpo de Hermione, queria gravar na memória cada detalhe dela. Separou seus lábios e novamente afundou o rosto no pescoço da grifinória; o corpo dela contorcia-se contra o dele, uma das mãos que estava no cabelo desceu perigosamente pelo peito dele e foi parar em sua coxa direita, perto o suficiente – ele sabia – de sua virilha para que ela pudesse sentir o volume preso dentro de sua calça. Hermione apertava a perna dele e puxava os fios loiros de modo possessivo e urgente; Draco mergulhava nas maravilhosas sensações através de seu corpo enquanto mordia o pescoço dela e sentia o lóbulo da sua orelha também ser mordido.

Respirando com dificuldade, o sonserino desentrelaçou seus corpos e ficou vários segundos olhando para a figura descomposta que era Hermione. Por um momento ele se perguntou por que ela, assim como ele, não poderia ter nascido uma puro sangue. Porque, ele podia sentir Salazar se revirar no túmulo, ele não conseguia se ver mais sem Hermione. Parecia que tudo o que vinha dela era como drogas que o faziam ter seu momento de paz, e querer cada vez mais.

Ela mexeu-se incomodada e Draco levou os lábios ao decote da camiseta que ela vestia, beijando a pele macia e quente. Ele respirou fundo mais uma vez e abaixou-se para tirar os tênis dela. Tênis trouxa que combinavam perfeitamente com Hermione, e eram quase como um, mais um, lembrete para o que ele estava fazendo. Depois de tirados os sapatos e as meias, ele ajoelhou-se na frente dela e levou as mãos ao botão da calça jeans; abriu o zíper com demasiada calma e lentamente puxou a peça pelas pernas dela. Malfoy podia sentir o tremor no corpo de Hermione, mas ignorou isso e ajudou-a a tirar a peça do corpo. Ele queria poder deslizar-se para dentro dela o mais rápido possível, mas a vontade de ter aquele momento muito bem gravado na mente era maior; aproximou a boca das pernas dela e deixou um rastro de beijos do joelho direito dela até virilha, onde deixou uma mordida que fez um gemido escapar pelos lábios da morena.

Ele levantou-se novamente e tirou a camiseta que ela vestia. Podia ver a barriga dela subindo e descendo como na primeira vez que se beijaram. Parecia que já fazia tanto tempo desde aquela data que ele achou não ser possível ter se passado pouco mais que alguns meses. Draco tirou a própria calça e aproximou-se o máximo possível de Hermione, juntando suas bocas como se a vida dele dependesse daquilo – e ele tinha sérias dúvidas de que realmente dependia! Ele podia sentir a pele dela arrepiando-se onde ele tocava, uma das pernas mexendo-se de modo que ficasse enganchada na sua cintura, as unhas arranhando suas costas e couro cabeludo e peito e nuca, e puxando-o para um espaço impossivelmente mais perto. Sem separar seus lábios, Draco tirou o sutiã de Hermione; em seguida a colocou no colo, sentindo cada parte do tronco dela encostando no peito dele.

Sem saber precisar quanto tempo depois, Draco estava sentado na cama, as mãos apertavam a cintura de Hermione, enquanto ela lentamente o colocava tirava de dentro de si. E ele poderia jurar que nunca havia visto uma cena mais bonita. Os fios revoltosos que eram o cabelo da grifinória emolduravam perfeitamente a expressão de deleite que ela tinha no rosto; caindo sobre os ombros e seios, era como se um enxame de fadas estivesse voando junto aos fios enquanto ela, levemente inclinada para frente, se mexia sobre ele. As mãos apertavam os ombros dele e a intervalos irregulares ela fechava os olhos e mordia o lábio.

Ele deslizou uma mão da cintura dela para a junção de seus corpos e começou a fazer movimentos circulares no clitóris de Hermione enquanto separava os lábios dela com a própria boca. Podia sentir todos os músculos de Hermione se contraindo sobre ele. A força parecia querer sumir do corpo dela a cada movimento de seu dedo, e vários sons próximos a miados começaram a vazar por entre as bocas coladas. As mãos dela agora puxavam os fios loiros do sonserino com demasiada força, mas ele estava alheio demais a qualquer sensação que não fosse os movimentos espasmódicos que o corpo da grifinória começava a fazer contra o dele para prestar atenção em qualquer outra coisa. As pernas dela apertaram ainda mais atrás dele quando ela levantou o corpo em êxtase antes de afundar-se no peito dele. Draco continuou pressionando-lhe o clitóris até que os músculos parassem de comprimi-lo dentro dela. Ele estava delirando em sensações que só a maldita sangue ruim conseguia fazê-lo sentir; com um último movimento quase sem forças, Hermione apertou os músculos em volta dele, que sentiu sua própria liberação sair para dentro dela, um ruído rouco escapando-lhe da garganta.

Os corpos grudavam pelo suor, Hermione tentava recuperar o ritmo da respiração e Draco, com o rosto afundado entre os seios dela, tentava absorver qualquer vestígio de Hermione. No que pareceu horas depois, Draco separou seus corpos e ditou-se com a morena dos lençóis bagunçados. Ela ficou alguns segundos parada observando o teto para em seguida sentar-se na beirada da cama. Ele sabia o que isso significava. Ela já havia feito uma vez, mas ele não deixaria que ela fosse embora agora. Já estava tudo tão fodido mesmo, uma noite dividindo a mesma cama não causaria mais tantos danos.

"Fica, Granger", disse segurando a mão dela que estava no colchão. Ela virou o rosto para ele, um misto de sorriso mal contido e incredulidade.

"Por quê?" perguntou sem sair do lugar. Draco odiava o fato dela querer saber o motivo de tudo.

"Eu disse que você não sairia daqui tão cedo, Granger. Então trate de voltar pra essa cama antes que eu te obrigue a isso."

"Eu ainda não sai da cama, Draco", disse com um sorriso divertido nos lábios, os olhos brilhando para ele. O sonserino balançou a cabeça a fim de espantar todos os vestígios de Hermione que há pouco ele queria cada vez mais dentro dele. Conseguiu apenas mais um sorriso vindo dela. Seria impossível se desfazer de tudo aquilo.

"Eu já disse como você é insuportável?", perguntou puxando o braço fino de modo que ela caiu deitada sobre o peito dele. Os dois respiravam fundo enquanto os olhares se fuzilavam. Ele queria simplesmente conseguir tirá-la daquele quarto. Tirá-la dele. Hermione mordeu o lábio, e ele soube que ele precisava dela. "Você, definitivamente, não vai sair daqui tão cedo", resmungou antes de levar uma mão à nuca dela e colar seus lábios mais uma vez.


N/A²: Gente linda do meu coração, esse cap estava programado para ter MUITO mais conteúdo, mas eu acabei me empolgando, e se eu fosse escrever tudo que planejava, ele ia ficar MUITO maior que os outros, então preferi deixar assim mesmo.
Ah, e não se vocês perceberam, mas eu dei uma mudada também no ponto de vista... nos outros ficava mudando várias vezes, agora vou tentar fazer meio que cenas inteiras com um ponto de vista só.
Bom, acho que é isso! O que acharam? Comentários?
Bjs! *-*