Quase 3 meses depois, finalmente mais um capítulo! Gente, só tenho a agradecer por tudo mundo que está acompanhando a fic. Sem vocês ela não seria nada, e eu fico MUITO feliz em saber que vocês estão gostando! Então, aproveitem mais esse cap! ^-^


Cap. VII

O braço direito de Hermione estava doendo sob o peso do próprio corpo. Seu seio esquerdo era comprido por um braço forte e quente que a apertava, e uma perna estava incomodamente entrelaçada entre as dela. E ela podia jurar que estava em uma sauna, porque o calor era insuportável. Mas ela, como nos três dias anteriores, não se importou. Todos os gestos de Draco denunciavam o quão possessivo o loiro era; como se quisesse garantir que ela não fugiria durante a noite, prendia-se em torno dela de modo que Hermione mal conseguia se mexer.

Sem abrir os olhos, ela se livrou do braço e da perna de Draco que a prendiam e lentamente virou-se para olhá-lo. Nesses poucos dias, ela pôde ver como o sonserino realmente não dormia há muito tempo. No primeiro dia ele tinha um ar cansado e olheiras profundas maculando a pele clara; agora ela já podia ver como as feições dele tinham suavizado e os olhos estavam bem mais claros.

As pernas e braços de Draco se enroscaram nela novamente. Hermione sentia-se meio sufocada. Deixou o ar sair dos pulmões com lentidão enquanto pensava nas várias vezes que tentou conversar com o loiro ao seu lado e ele simplesmente fingia não ouvi-la; beijava-a até que qualquer pensamento coerente tivesse fugido-lhe a mente. Na maior parte dessas vezes, ele simplesmente parou de beija-la e continuaram com o que quer que estivessem fazendo antes dela tentar alguma conversa; mas em duas das tentativas Draco não parou e eles acabaram qualquer que fosse o assunto embaixo do chuveiro uma vez e sob os lençóis na outra.

Os olhos de Hermione vagaram mais uma vez sobre as feições tranquilas de Draco. A franja caia-lhe sobre os olhos e uma fina camada de suor grudava o cabelo ali. Ela acomodou-se melhor ao lado dele, de modo que conseguisse colocar os fios para trás. Assim que tocou a pele clara, as mãos de Hermione voltaram para perto dela. Antes de tocá-lo novamente, ela espreitou os olhos para a pouca luminosidade e percebeu como o sonserino estava vermelho. E, logo que voltou a encostar na testa dele, teve certeza de que Draco estava ardendo em febre.

"Draco!", chamou exasperada, já ajoelhada ao lado dele, e em um tom baixo para não o assustar. Ele meramente mexeu os olhos sob as pálpebras. "Draco, acorda!", disse um pouco mais alto.

Como ele não respondeu, ela pulou por cima de Draco e desceu da cama, pegando a varinha sobre a cômoda o mais rápido possível. Ela respirou fundo antes de sussurrar um "Aguamenti" com a varinha sobre o rosto dele.

Com a expressão confusa, Draco abriu os olhos lentamente, levando uma mão ao rosto para espantar a água. "Draco", Hermione chamou de novo. Ele virou-se para ela com um olhar questionador e emburrado.

"O que você está fazendo, Granger?" perguntou rouco e tentando levantar-se.

"Você está doente, Draco." respondeu nervosa e levando uma mão a testa dele novamente.

"Doente, Granger? Até parece!" segurou a mão de Hermione antes de chegar à testa dele. "Credo, Hermione, você está gelada!"

"Me larga, Malfoy!" disse já se estressando com ele. "E não sou eu que estou gelada, é você que está quente. Como eu disse, você está doente!"

Draco piscou confuso para Hermione, soltou a mão dela e tocou a própria testa. Notavelmente constatando que era ele mesmo quem estava quente. Deu um daqueles sorrisos desdenhosos que tanto irritavam Hermione e disse em seguida:

"Isso não é nada, volta pra cá vai, Hermione. Vamos dormir!" ele estava com o olhar meio desfocado e, mesmo sentado, parecia que desmaiaria a qualquer momento.

"Draco Malfoy, será que você pode me ouvir pelo menos uma vez na vida?" gritou para ele, colocando as duas mãos na cintura. "Levanta daí! Vou te levar na ala hospitalar, a Madame Pomfrey deve ter algum reméd-

"Eu não vou a lugar nenhum, Granger! Não adianta insistir. Isso é só uma febrinha de nada, já já passa."

"Ah, faça-me o favor, Malfoy! Você é pior que criança. Levanta daí agora!"

"Puta merda, você é tão irritante!" reclamou já se levantando da cama. Hermione respirou fundo, coisa que sempre acontecia quando Draco resolvia ficar desfilando só de cueca pelo quarto.

"Sabe, se ficar olhando tanto assim, eu vou secar... E não vai sobrar nada pra você."

"Não seja ridículo, Malfoy! E você também, parece até que consegue ver através da camiseta." rebateu rapidamente, puxando para baixo, inutilmente, a barra de uma camiseta do sonserino que ela vestia.

"Ver eu não consigo, mas imaginar, ai já é outra história..." Hermione revirou os olhos e não respondeu, apenas o empurrou até o banheiro.

"Você vai tomar um banho gelado, e se essa febre não abaixar, você vai até a Madame Pomfrey, nem que eu tenha que te arrastar. Entendeu?!"

"Estou gostando disso, Granger. Vamos tomar banho, então?" disse meio cambaleante e com a voz fraca, evidentemente não se sentindo bem.

"Você deve ter feito um curso de 'como deixar Granger irritada', porque você é mestre nisso!" ironizou. "Vai, entra logo!"

Draco já estava com as mãos no cós da boxer, mas Hermione o parou com um berro. "O que você pensa que está fazendo?". Ele a olhou como se ela fosse louca e disse calmamente:

"Você não está achando que vai me fazer tomar uma merda de um banho gelado no meio da madrugada e ainda por cima de roupa, não é mesmo? E além do mais, não é nada que você já não tenha visto."

Resignada, Hermione virou-se e ligou o chuveiro, fazendo um feitiço em seguida para a água ficar ainda mais fria. Draco soltou vários impropérios enquanto era empurrado por ela para debaixo da água gelada e depois de cinco minutos disse que se Hermione não o deixasse sair daquele chuveiro, ele iria arrastá-la até lá também.

Malfoy enrolou uma toalha na cintura e jogou-se sobre a tampa do vaso sanitário. Hermione, com outra toalha na mão, foi até ele.

"Se até amanha cedo você não estiver melhor, eu te levo, arrastado se for preciso, até a Madame Pomfrey!" colocou uma mão na testa dele para verificar a temperatura e logo depois começou a secar seus braços e tronco. Draco estava sonolento e não deu nenhum sinal de que se incomodava, nem mesmo de que prestava atenção no que ela estava fazendo. Hermione ficou se perguntado em qual mundo ela imaginaria algum dia estar secando Draco Malfoy. Ficou tentando lembrar em qual momento a linha que os separava havia tão sutilmente se rompido e os transformado em amantes.

Desistiu de tentar entender qualquer coisa e começou a passar a toalha novamente pelo corpo dele, dessa vez analisando cada traço da pele clara. Os quase inexistentes pelos no peito; duas pintas maculando a barriga bem definida pelos vários anos de treino de quadribol; a Marca, com a qual ela já havia se acostumado, no braço esquerdo...

"Granger, se você quer ficar passando a mão em mim, não precisa fingir que ainda está me secando." disse de repente, fazendo-a largar a toalha pelo susto de ser surpreendida.

"Por que mesmo que sua mãe não de deu o nome de Narciso?" respondeu irritada, pegando a toalha do chão e batendo nele com ela.

Draco a fitava com tanta intensidade que a morena tinha certeza que estava ficando vermelha. Sem dizer nada, ele levantou-se e levou a mão direita até o rosto de Hermione. Traçou toda a lateral do rosto dela e o contorno dos lábios entreabertos. Ela podia sentir a respiração dele contra o rosto e calor do corpo enfermo chegando até ela. Ficaram se fitando por tempo suficiente para fazer as batidas do coração dela se acelerarem. Tão lentamente quanto o secava há poucos segundos, levou as mãos aos fios molhados que grudavam na testa dele, colocou-os, inutilmente, para trás e em seguida baixou a mão até tocar o tórax do sonserino com uma delicadeza que beirava a angústia. Ficou várias horas, dias, ou apenas segundos traçando os contornos da pele dele, acompanhando, ambos, com o olhar cada toque da mão dela. Respirando com certa dificuldade, Draco quebrou o silêncio:

"O que você fez comigo, Hermione?", perguntou quase suplicante, como se já soubesse a resposta e lamentasse isso.

Hermione parou seus gestos e lentamente olhou para os olhos dele: aquele mar cinzento de ressaca que sugava tudo que cruzava seu caminho. Diante do olhar de completo desalento dele, teve a iniciativa de, pela primeira vez sem ter sido ele a dar o primeiro passo, fazer o que tinha vontade durantes todos os minutos que passava com ele, e beijou-o como uma expressão de tudo o que estava sentindo mas não tinha palavras para traduzir.


Os dias foram passando e vida na qual os dois se isolaram chegou ao fim junto com as férias. Longe de todos, os dois viveram como um casal, mas Draco não sabia o que fazer agora que não seriam só eles. Teriam que voltar às aulas e ao convívio dos outros colegas. Ele já havia desistido de tentar entender a relação que tinha com Hermione, mas não significava que estava disposto a deixar que todos soubessem que ele também era um traidor do sangue. Apesar de, cada dia mais, achar Hermione tão diferente dele quanto qualquer pessoa de sangue puro, ainda tinha um certo orgulho a que se prender.

A grifinória ainda tentava conversar com ele, mas todas as vezes ele fingia não entender o que ela estava querendo de dizer e, de um jeito ou de outro, mudava de assunto. Sabia que ela detestava essa situação e que mais cedo ou mais tarde teriam que ter uma conversa. Ele via como em certos momentos ela ficava o observando com uma certa tristeza no olhar, como se esperasse por alguma coisa que sabia que não teria. E era nesses momentos que Draco tinha vontade de jogar todo o resto de bom senso que tinha pro alto e dizer, para quem quisesse, que Hermione agora era dele. E ele, lamentavelmente, pertencia única e exclusivamente à sangue ruim da Granger.

Era a última manhã de que dispunham juntos antes das férias acabarem e Hermione ainda dormia profundamente com os braços em volta de Draco. (Ele tinha sérias suspeitas de que suas noites insones voltariam assim que a morena deixasse aquele quarto.) Com cuidado para não a acordar, levantou da cama a fim de tomar um banho.

Em baixo do chuveiro, Draco ficou se lembrando do dia em que ficara com febre. Todos os dias seguidos àquele, Malfoy agradeceu mentalmente por ter ficado ruim; parecia que depois daquilo – depois do modo como Hermione o beijou e como fizeram amor, ele podia dizer – eles sentiram como se pudessem ser mais sinceros, em cada mínimo gesto, um com o outro.

Quando saiu do banho, Hermione ainda estava dormindo. Tinha um leve sorriso no rosto, os cabelos estavam incrivelmente bagunçados sobre o travesseiro, o lençol amontoado em um canto – apesar do inverno congelante lá fora, os feitiços de aquecimento deixavam o quarto aconchegavelmente quente – deixando o corpo esquio, coberto apenas pela calcinha e uma camiseta dele, à mostra, e os braços em volta do travesseiro de Draco. Se ficasse horas a observando dormir, ele não se cansaria. E saber disso fazia o loiro cogitar arrancar esse sentimento do corpo à facadas se fosse preciso.

Ele voltou a deitar-se ao lado da grifinória e a velar o sono dela. Depois de poucos minutos, com Hermione novamente enrolada ao corpo dele, ouviu-a sussurrar ainda com os olhos fechados "Tão cheiroso...". Inconscientemente, Draco abriu um sorriso e a puxou para mais perto de si.

"Cheiroso, gostoso, irresistível, e só esperando alguma dama solitária vir se aproveitar de mim." Ela riu da piada sem graça e deixou vários beijos na base do pescoço dele. Calmamente, continuou falando: "Mas, pensando bem, acho que sou eu quem vai se aproveitar da dama solitária!" Subitamente, e com um grito de Hermione, virou-se de modo que a garota ficasse deitada sob ele.

Colou seu corpo ao dela e ficou a observando durante alguns segundos; queria gravar perfeitamente a imagem dela em sua mente. Draco tinha o costumeiro sorriso sedutor nos lábios, e Hermione o beijou com urgência, ao mesmo tempo em colocava as pernas ao redor da cintura dele e forçava o corpo para que invertessem as posições. Draco simplesmente delirava nas (poucas) vezes em que ela tomava essas atitudes. Certamente eles passariam mais vários minutos naquela cama...


Logo que entrou no salão principal para o jantar, com Draco a poucos centímetros de si, Hermione sentiu algo chocando-se contra ela. Assim que conseguiu recuperar o fôlego, viu que era apenas Gina que a tinha esmagado em um de seus abraços. Sorriu para a amiga lhe lançou um olhar divertido quando viu o estranhamento entre ela e Malfoy. Pretendia dizer a Draco que depois se encontravam, talvez até despedir-se com um beijo no rosto ou algo mais; mas quando virou-se ele já estava caminhando em direção à mesa da Sonserina. Escondeu o aperto que sentiu no coração e abraçou a amiga mais uma vez.

"Gina! Que saudades!" disse assim que se separaram, já se encaminhando para a mesa de sua casa.

"Ah, Mione, nem me fale. Sabe, minhas férias foram horríveis sem você!" Hermione deu=-lhe um olhar de quem não acreditava; Gina, com um sorriso maroto e rindo, completou: "Tá, tudo bem, nem tão horríveis assim."

As duas ficaram boa parte da madrugada conversando. Irritada, Hermione nem se deu ao trabalho de avisar Draco de onde estava. Como havia prometido, contou para a amiga tudo que havia acontecido entre ela e Rony (poupando o detalhe de com quem ele a traíra) e, principalmente, o que estava acontecendo entre ela e Malfoy. Gina, furiosa e querendo voltar para casa só para ter o prazer de bater na fuça do irmão, também contou como ele andava estranho e sempre com respostas evasivas demais.

As duas semanas seguintes passaram em uma lentidão delirante. Hermione e Draco continuavam agindo como se fossem apenas amigos; às vezes Malfoy roubava alguns beijos da grifinória em corredores desertos, mas a relação deles não passou disso. Ela sempre inventava alguma desculpa para fugir das investidas do loiro, mas a verdade é que ela estava realmente frustrada com o que vinha acontecendo. Sabia que tudo relacionado a ele era complicado, mas ainda assim teve esperanças de que Draco poderia assumir o que estavam tendo. Nessas duas semanas, no entanto, ele sequer deu sinal de que estava pensando no assunto.

A cada dia ela tinha que exercitar sua força de vontade para não se deixar levar por todos os natos encantos dele. E a cada noite ela se jogava na cama pensando que poderia ser um pouco menos exigente e simplesmente ir levando o que quer que fosse o que eles tinham sem algum compromisso sério.

Era sábado de manhã e ela estava pensando seriamente em dizer à Gina que não iria à Hogsmead; havia feito isso várias vezes no semestre anterior. Havia feito isso para poder passar mais tempo com Draco, mas hoje ele também resolvera que iria ao povoado. E não havia a chamado para ir com ele, somente avisou que precisava ir até lá.

Hermione respirou fundo antes de criar coragem para se levantar. Sentia que aquele não seria um de seus melhores dias. Fez tudo muito lentamente, torcendo para que a amiga desistisse de esperá-la e arrumasse outra companhia, o que provavelmente seria mais agradável para a ruiva. Quando chegou ao salão principal, a primeira pessoa que viu foi Gina, que já estava saindo de lá.

"Ah, pensei que você não viesse mais, Mione!" disse agarrando-se ao braço da amiga e puxando-a em direção à saída do castelo. "Vamos logo, não quero ir andando, você come alguma coisa no Três Vassouras!"

As duas passaram a manhã toda andando sem rumo pelo vilarejo que, para Hermione, já havia perdido a graça. Mas, mesmo com o mau humor com o qual havia acordado, achou bom ter saído um pouco do castelo e ver rostos diferentes dos que via todos os dias. Na hora do almoço, voltaram ao Três Vassouras.


Draco passou quase toda a manhã no Três Vassouras com Pansy e Blaise. Fazia meses que não os via e os três marcaram de se encontrar no vilarejo. Quando, mais de um ano antes, ficou sabendo que seus amigos tinham começado a namorar, ele duvidou que o relacionamento iria para frente. Ambos tinham um temperamento absurdamente difícil de lidar – quase tão difícil quanto o dele – e viviam tendo brigas feias quando ainda não namoravam. Mas Draco se enganara em relação aos dois, que por sinal pareciam muito felizes.

Em certos momentos, observando os amigos, sua mente voou para Hermione. Para a relação conturbada deles e para os sentimentos que ele ainda não conseguira classificar. Em outros momentos quis que ela pudesse estar ali entre os três, rindo das mesmas piadas, compartilhando segredos de quando ainda eram crianças. Mas sabia que isso, por mais que ele talvez já não tivesse preconceito em relação ao sangue dela, seria impossível. Seus amigos jamais a aceitariam, e a certeza de que nunca iriam poder compartilhar uma vida juntos doía mais do que qualquer maldição imperdoável. Pegou-se pensando também o que a mãe dele diria caso descobrisse; achava que ela talvez fosse a única que pudesse entendê-lo.

À hora do almoço, uma dupla que entrou no bar chamou imediatamente a atenção do loiro. Era Hermione e a Weasley.

Draco não sabia se seu corpo queria gelar ou entrar em combustão. Hermione logo o percebeu e os dois ficaram se fitando por tempo suficiente para Pansy perceber a distração do amigo e seguir a direção do olhar dele. Ele sabia que Hermione não deveria estar nem um pouco feliz com o comportamento dele nas últimas semanas, e ser encontrado com os amigos que sempre a maltrataram (tudo bem que nem ele poderia argumentar muito sobre isso, já que se comportava igual – ou até pior – a eles) não ajudaria em nada para melhor a situação, principalmente porque ele não havia avisado que se encontraria com eles.

"Por que você está olhando tanto pra essa sangue ruim, hein, Draco?" Pansy perguntou com nojo na voz, fazendo Draco desviar o olhar de Hermione.

"Do que você está falando, Parkinson? Eu não estava olhando pra ninguém!"

Pansy olhou mais uma vez para Hermione, que continuava parada na entrada do estabelecimento como se não tivesse capacidade para dar mais algum passo; Draco voltou sua atenção para um copo de uísque de fogo que tinha em cima da mesa.

Os três ficaram em silêncio por alguns segundos. Apenas o tempo que Hermione levou para chegar até a mesa deles e, tão inesperadamente quanto o que Malfoy ainda descobriria, puxar os cabelos demasiadamente loiros de Pansy de modo que ela caiu da cadeira completamente descomposta.

Parkinson deu um berro de surpresa, Draco e Blaise estavam tão atônitos que mal conseguiam se mexer.

"Levanta daí, sua vadia!" entredentes e completamente distorcida pelo que pareciam lágrimas contidas, a voz de Hermione chegou aos ouvidos de Draco como um gatilho para ele voltar a agir. Rapidamente, levantou-se da cadeira e, com a voz mais fria que conseguiu, disse para Hermione:

"O que você pensa que está tentando fazer, Granger?"

"Com você, Malfoy, eu converso depois." disse sem nem dirigir o olhar a ele, continuava olhando para Pansy, que estava sendo amparada pelo namorado. "Meu assunto agora é com essa daqui!"

"Alguém tira essa louca de sangue sujo daqui?" esganiçada, Pansy gritou para todos no ambiente poderem ouvir. "Eu não tenho nada para falar com você, sua nojenta!" Ela tentou partir para cima de Hermione, mas foi segurada por Blás, que sussurrava alguma coisa no ouvido dela.

Hermione cobriu rapidamente o espaço que as separava e desferiu um tapa no rosto já vermelho de Pansy, que se avermelhou mais ainda no mesmo instante. Ela estava pronta para batê-la novamente, mas Draco colocou os braços em volta dela e impediu-a de se mexer.

"Dá pra você explicar o que está acontecendo aqui, Granger? Senão vou realmente achar que você está louca." falou em um tom só para o pequeno grupo deles ouvir. De longe, madame Rosmerta observava tudo atentamente; Gina parecia ainda em estado de choque para ter qualquer reação. Se debatendo no aperto de Draco, Hermione esperneava inutilmente:

"Me solta, Malfoy!" enquanto isso, Pansy começou a falar novamente que ela era louca e que qualquer coisa que ela pudesse dizer não era verdade. Todos olharam para ela, tentando entender o porquê dela dizer aquilo, mas logo a atenção voltou-se para Hermione quando, suplicante, ela disse: "Draco, me solta."

Sem entender completamente nada do que acontecia, e com um olhar que nitidamente a ameaçava caso tentasse atacar Parkinson novamente, ele a soltou.

"Qual o seu problema com a minha namorada, garota?" perguntou Blás, também soltando Pansy.

Hermione deu um riso que combinaria perfeitamente com Malfoy e disse:

"Ah, então foi você o premiado com um par de chifres na cabeça quando a sua namorada resolveu ir parar na cama do meu namorado. Ex-namorado!"

O tempo pareceu parar por alguns segundos para Draco e, aparentemente, para todos que estavam em volta. Ele olhou para Hermione e viu um sorriso de triunfo brotar nos lábios dela. Se o que ela dissera não fosse tão absurdo para processar, Draco teria cogitado a possibilidade de beijá-la ali mesmo e que se fodesse todo mundo. Mesmo sendo absurdo o que Granger dissera, ele percebeu que fazia todo o sentido.

Blaise olhava sem qualquer expressão de Hermione para Pansy repetidamente. Como ninguém ali parecia inclinado a dizer qualquer coisa, Draco, olhando atentamente para a reação de Pansy, disse debochado:

"Ficar quieta não vai te ajudar em nada, Parkinson. Você sempre pode dizer que não é verdade. Embora eu ache que essa história toda é completamente plausível!"

Pansy lhe lançou um olhar ferino e depois olhou para o namorado, que parecia esperar por alguma explicação. Draco sabia que quando as coisas não saiam como a amiga esperava, ela tinha o costume de foder com a situação inteira; então aquele silêncio todo não podia ser sinal de boa coisa. Quando ela resolvesse falar, certamente acabaria despejando alguma bomba. Ele só ficou imaginando o que poderia ser pior do que Hermione acabara de dizer.

Recobrando a postura arrogante, Pansy olhou para o namorado e, como se comentasse sobre o clima, lamentou:

"Infelizmente, isso que a sangue ruim disse é verdade. E" virando-se para Hermione, continuou: "pode-se dizer, minha querida, que foi ele quem foi parar na minha cama. Primeiro, porque fui eu quem o seduziu – convenhamos, não é, aquele traste só conseguiria por mérito dele alguém como você mesmo. Segundo, porque era o meu dinheiro que pagava o quarto do motel, já que ele não teria dinheiro nenhum para isso." Chegou mais perto de Hermione, inclinando-se um pouco para ficar com o olhar na altura do dela. Com o tom mais ácido possível, ainda disse: "E tem mais, meu amor, quando você mandou aquela carta ridícula dizendo que o amava e que estava morta de arrependimento por ter beijado o Draquinho aqui, quem estava ao lado dele era eu. E, devo admitir, depois daquele dia nossas noites foram muito mais proveit-

"Já chega! Cala essa maldita boca, Parkinson! E você, Zabini, leva essa infeliz daqui. Você, Granger, vem comigo."

Draco mal deu tempo de qualquer um processar o que ele havia dito e começou a arrastar uma Hermione completamente imóvel e com olhos rasos de lágrimas para fora do lugar.


Hermione só conseguiu respirar novamente quando sentiu o ar frio de inverno batendo em seu rosto. As palavras de Parkinson, que ela ainda não conseguira processar completamente, giravam na mente dela. Sem conseguir se conter mais, deixou as lágrimas que estava segurando desde que entrou no Três Vassoura rolarem livremente pela face.

Só se deu conta de que Draco estava na frente dela quando ele colocou os dedos sob seu queijo e levantou seu rosto. Ela balançou o rosto desconfortavelmente e olhou em volta, percebendo que estavam parados na porta do bar.

"Granger, olha pra mim!" ouviu-o dizer em um tom que beirava irritação. Sem se conter, e sem nem saber o porquê de fazê-lo, deu um passo à frente e começou a socar o peito de Draco. Rapidamente ele a segurou com força e fê-la parar. "Por Salazar, Granger, deixe de ser tão estúpida! Toda vez que você tiver algum problema relacionado ao Weasley vai me bater?"

Ela não teve tempo de responder. Conseguiu apenas perceber que ele a envolvia nos braços e em seguida aparataram. Sentindo um vento cortante soprar em seu rosto, Hermione abriu os olhos para uma imensidão de neve a sua volta. Estavam no alto de uma das montanhas que cercava Hogwarts e o povoado. Olhando de um lado, não viu mais do que muita neve e várias outras montanhas; do outro, ao longe, podia ver o castelo e Hogsmead.

O ar era rarefeito e ela tinha dificuldades para respirar, além de já começar a sentir as extremidades do corpo congelando. Olhou para Draco, que ainda tinha os braços ao redor dela e estava a observando. A ponta do nariz dele estava começando a ficar ligeiramente rosada, ela queria tocá-lo e aconchegar-se nos braços acolhedores dele. Estava exausta!

"O que estamos fazendo aqui, Malfoy?" lutando contra tudo que desejava, afastou-se dos braços dele e pergunto com um amplo gesto das mãos indicando o lugar.

"Garantindo que você vai me explicar direito o que está acontecendo, Hermione!". Ela virou-se de costas para ele e assustou-se ao sentir algo lhe atingir segundos depois dele dizer Expelliarmus!

"Que merda você pensa que está fazendo, Malfoy?" gritou quase pulando em cima dele, que mais uma vez defendeu-se rapidamente e prendeu-a entre os braços. A respiração dele batia quente contra a testa fria dela. Àquela mínima distância e banhados pela luz clara do começo de tarde, Hermione podia ver cada detalhe dos olhos dele. Era de um azul profundo, rajado com diversas linhas meio marrons e que em conjunto pareciam cinza. Descobriu que poderia ficar horas ali, apenas contando quantas riscos havia em cada íris dele. De repente, estava com os braços em volta da cintura do sonserino e afundava o rosto na curva do pescoço alvo dele; mais lágrimas molhando seu rosto e o casaco que ele usava.

Draco não disse nada, apertou-a ainda mais forte perto de si e esperou que ela se acalmasse completamente. O que levou vários minutos.

"Draco?" chamou com a voz embargada. Não se importando com a aparência horrível que deveria estar, olhou-o com a visão ainda um pouco embargada pelo choro. "Eu estou com frio, Draco..."

Ele a olhava tão ternamente que ela pensou nunca tê-lo visto daquele jeito. Sem pressa, secou o resto de suas lágrimas e o nariz, como se estivesse cuidando de uma criança; depois segurou o rosto dela entre as mãos geladas e, em um tom cansado, quase sussurrou:

"Promete que não vai tentar me bater de novo, e que vai me explicar tudo?". Com um aceno leve de cabeça, Hermione concordou; Draco depositou um beijo na ponta do nariz dela e aparataram novamente.

Desaparataram o mais perto possível do castelo e seguiram o resto do caminho até o quarto de Draco em absoluto silêncio. Ela queria protestar dizendo que alguém poderia vê-la entrando nas masmorras, mas não tinha forças para isso.

Assim que entrou, percebeu o quanto sentiu falta daquele lugar nas duas semanas que ficou longe dali. Tinha cheiro de cigarro, Malfoy e menta!

Antes de qualquer coisa, foi até o banheiro lavar o rosto; quando voltou ao quarto Draco já havia tirado os casacos, estava sentado em uma das duas cadeiras da mesa e tinha um cigarro entre os lábios. E nesse momento ela achou que entendia o porquê de alguém fumar. Ignorando qualquer senso de lógica, esgueirou-se para o colo dele, sentando-se de lado e colocando os braços em volta de sua cintura. Sentiu que ele respirou fundo uma vez e afundou o nariz no cabelo dela. A intervalos irregulares ele a afagava na nuca, ao mesmo tempo em que soltava a fumaça tóxica dos pulmões. Hermione se perguntou se ele havia percebido a sincronia entre os dois atos. Apostaria que não.


E ai, pessoal, o que acharam? Adorei a Hermione batendo na Pansy! haha E mais uma vez, muito obrigada por acompanharem a fic! ;D

Comentários?

Bjss, até o próximo cap! Mah. *-*