Gente, que felicidade esses comentários! Sério! Muito obrigada! Sem vocês a fic não seria nada! Espero que continuem gostando. E acompanhando e indicando e comentando! haha
Cap. VIII
Um banho e quase meio maço de cigarros seguidos foi o tempo que Hermione levou para acordar.
Depois que adormecera em seus braços, Draco colocou Hermione confortavelmente na cama e foi tomar um banho para ver se conseguia formar algo coerente na cabeça. Ficou no mínimo uma hora sentindo a água cair sobre o corpo. Pelo que ele conseguiu entender de tudo o que ouvira mais cedo, juntando uma informação aqui e outra ali, chegou à conclusão de que o Weasley terminara com Hermione e, além disso, havia a traído com Pansy. O que Granger deve ter ficado sabendo, visto que teve um ataque quando viu Parkinson no Três Vassouras. E, ainda cogitou, pode ter sido até mesmo o Weasley quem contou, por isso ela ficara tão transtornada no dia em que conversaram.
Mas a parte que mais o intrigara era que, pelo que tudo indicava, Hermione havia se culpado pela traição do namorado, já que supostamente ele havia feito isso para dar o troco por ela ter ficado com o sonserino. No entanto, isso não encaixava com o que Pansy havia dito ...quando você mandou aquela carta ridícula dizendo que o amava e que estava morta de arrependimento por ter beijado o Draquinho aqui, quem estava ao lado dele era eu... Chegando a única conclusão possível, Weasley havia traído Hermione antes mesmo dela sequer cogitar chegar perto de Draco, o loiro saiu do banheiro querendo enforcar aquele infeliz. Ele e a vadia da Parkinson. Por um momento fugaz perguntou-se como Blás deveria estar depois de descobrir uma coisa dessas, mas não se prendeu a isso. E ele pensando mais cedo em como os amigos pareciam felizes justos, doce ironia. Eles que se entendessem sozinhos!
A boca de Draco estava seca e ele daria todos os seus poucos galeões por uma garrafa de uísque de fogo. Estava tragando do nono cigarro quando Hermione começou a mexer-se na cama e deixar alguns suspiros escaparem pelos lábios. Continuou sentando, apenas observando os movimentos dela. Depois do que lhe pareceu muito tempo, ela finalmente abriu os olhos, sentou-se e, esfregando excessivamente os olhos com resquícios das lágrimas, olhou atordoada ao redor. Seus olhares se encontraram por alguns segundos que pareceram dar à Hermione o entendimento do que estava se passando. Ela respirou fundo e jogou-se deitada novamente. Cobriu os olhos com os braços e ficou ali parada.
Malfoy levantou-se e foi até o banheiro, encheu um copo com água da torneira e tomou em um gole só. Poderia ter usado um Aguamenti para isso, mas quanto mais devagar fizesse tudo, melhor para sua sanidade. Pegou um essência de hortelã que tinha em uma das gavetas e despejou um pouco no copo, enchendo-o novamente em seguida o levou para Hermione. Sabia como ela odiava acordar e não escovar os dentes; aquilo teria que servir. Ainda atordoada, ela aceitou o copo e lançou-lhe um olhar questionador enquanto bebia, ele meramente deu de ombros e ela agradeceu. Draco voltou a sentar na cadeira em que havia ficado a observando. Pegou o cigarro que tinha deixado sobre o cinzeiro e deu mais uma tragada. Iria acabá-lo e finalmente poderiam conversar.
Ela ficou olhando para as próprias mãos durante os quase cinco minutos seguintes. O loiro amaçou a bituca no cinzeiro e disse:
"Vamos, Granger, ficar ai com essa cara de morta não vai adiantar de nada. O que, de fato, aconteceu?"
Hermione lhe lançou um olhar que beirava indignação e voltou a fitar as mãos. Vários segundos depois, soltou um suspiro e finalmente falou:
"Eu me culpei durante esse tempo todo por ter traído uma das pessoas mais importantes da minha vida... fiquei um mês achando que meu namoro tinha acabado por minha, e por sua, culpa... e ele simplesmente tinha feito tudo ant-
Ela não conseguiu terminar a frase. Voltou a chorar e afundou o rosto entre as mãos. Draco queria confortá-la, mas não estava com ânimo para isso. Que porra, tudo que o maldito Weasley fizera e ela ainda continuava chorando por causa daquele verme vermelho!
Agora era ele quem queria uma conversa. Não era possível ela ainda amar o namorado como parecia, e também sentir alguma coisa pelo sonserino. E ela sentia, ele sabia. Não tinha como negar que ambos sentiam algo um pelo outro. A cabeça dele estava uma merda. Agora tinha a mais absoluta certeza de que Hermione tinha fodido com tudo na vida dele. Estava com vontade de bater a cabeça dela na parece até que qualquer vestígio do Weasley tivesse escorrido de lá. Ele não admitiria que ela dividisse um sentimento com ele e o filho da puta do Weasley.
"O que você quer de mim, Granger?" Ela pareceu se surpreender com o comentário e o olhou por um longo segundo. Ele podia jurar que a grifinória aprendera aquele olhar frio e muito bem calculado com ele mesmo.
"Eu só posso ter ouvido errado o que você disse, Draco", muito calmamente, ela rebateu. Sem entender o porquê dela dizer isso, continuou olhando-a como se Hermione não tivesse dito nada.
Ela levantou-se bruscamente e parou na frente dele. Draco achou que ela iria tentar bater-lhe novamente, já estava preparado para segurá-la mais uma insuportável vez; mas, com uma expressão encolerizada, ela apenas disse:
"Você está ficando louco?"
"Louco, Granger, eu?", levantou-se também, ficando mais de uma cabeça maior do que ela. "Não sou eu que estou chorando por uma namorada enquanto estou no quarto de outra, cacete!"
O rosto dela pareceu se iluminar e dessa vez, sim, sem que Draco previsse, ela tentou bater-lhe novamente.
"Você. É. Um. Completo. Imbecil. Draco. Malfoy.", dizia enquanto tentava desferir golpes nos braços do sonserino. Draco virou seus corpos e aprendeu-a contra a parede, sibilando:
"Eu disse pra você não tentar me bater de novo, Granger!", ela tinha o olhar arregalado e parecia com medo. Draco imaginou o quão irritado parecia estar. A vontade de bater com a cabeça dela na parede só aumentou.
Ficaram se fitando por um tempo demasiadamente longo, até Hermione contorcer-se nos braços dele.
"Me solta, Malfoy! Você está me machucando", ele afrouxou o aperto, mas não soltou os abraços dela, tampouco afastou seu corpo, mantendo-a ainda presa contra a parede.
"Você ama esse filho da puta, não é, Granger? Iria correndo pros braços dele outra vez se ele chamasse. Eu vi no dia que ele veio até aqui. Ele te beijou como se não tivesse feito absolutamente nada, como se não tivesse ficado meses sem dar sinal de vida. E você aceitou. Não foi?", a voz dele saia como ácido queimando a garganta. Viu as lágrimas voltarem ao olhos de Hermione.
"Por que você se importa com isso, Malfoy? Que diferença ia fazer pra você? Me diz! Qual a porra da diferença que ia fazer? Aposto que você ficaria até feliz se eu sumisse da sua vida! Você sequer tem coragem de deixar que outros saibam que a gente tem alguma coisa! Qualquer que seja essa merda que eu ainda não consegui descobrir o que é!" Ela tinha o corpo mole, Draco achou que pudesse desmaiar a qualquer momento. Com uma voz fraca e derrotada, disse: "Mas agora isso não faz diferença nenhuma também. Me deixa ir embora."
Draco a colocou sentada na cadeira em que estava há pouco e acendeu outro cigarro enquanto, andando de um lado a outro, dizia:
"Não, você não vai a porra de lugar nenhum. Você não entende, não, é?", disse lançando-lhe um olhar quase de desprezo. "Mas agora você vai me ouvir. E vê se usa essa sua tão preciosa inteligência, porque eu vou dizer uma vez só: eu não sei que merda está acontecendo comigo! Você não tem ideia do que é odiar uma pessoa durante quase metade da sua vida e de repente se ver apaixonado por ela!", frisou bem "apaixonado", com uma entonação entre indagação e asco. "Por mais patético que seja, eu me sinto bem perto de você. Toda essa sua inocência e altruísmo, essa sua vontade de ver o lado bom em todo mundo. Eu preciso de você. E isso, certamente, é a coisa mais absurda e sem sentido que eu já disse em toda minha vida!"
Draco jogou-se na cama e ficou ali sentado, esperando acordar de um sonho bizarro no qual haviam dado uma dose excessiva de Veritaserum para ele. Ou simplesmente que Hermione dissesse algo. Mas nenhuma das duas coisas aconteceu.
A única coisa na mente de Hermione era a palavra "apaixonado" e o tom no qual ela havia saído da boca do sonserino. Ela pensou que, se lhe oferecessem alguma bebida bem forte agora, ela aceitaria de bom grado. A cabeça dela começou a girar. Os olhos ainda ardiam por causa das lágrimas há pouco derramadas, mas agora o choque era tão grande que ela simplesmente não conseguia fazer nada.
Apaixonado. Draco Malfoy apaixonado por ela, Hermione Granger. A sangue ruim que sempre foi humilhada por ele. E ela ainda ficava esperando pelo momento em que ele iria dizer que havia se cansado e a brincadeira entre os dois acabava; que ele já tinha matado o suficiente da vontade física que sentia dela. Mas isso, definitivamente, não estava nos seus planos.
Ela olhou para o lado, Draco estava sentado na cama. Parecia completamente desolado e sem a menor intenção de fazer qualquer movimento além de levar o cigarro até a boca, tragar, soltar a fumaça e repetir o processo. Como ela odiava aqueles cigarros! Levantou-se da cadeira e ajoelhou-se entre as pernas dele, segurou seu rosto para que ele a olhasse. E ele parecia ter sido humilhado.
"Draco, olha pra mim, por favor", pediu com a voz mais doce que conseguiu. Ele levantou o olhar, mas sua expressão ficou completamente ilegível.
Hermione respirou fundo e traçou o contorno do rosto dele com os dedos antes de voltar a falar. Sabia que o que diria poderia deixá-lo ainda mais irritado, mas tinha que dizer:
"Eu amo o Rony. Deus sabe o quanto eu já sofri por gostar dele e achar que não era correspondida – e talvez realmente não fosse. Então eu resolvi que não podia esperar até ter certeza de que iria sobreviver àquela maldita guerra para saber se ele sentia a mesma coisa que eu." Deu uma risada sem humor algum, lembrando-se de tudo o que acontecera; ainda tinha uma mão no rosto de Draco, que parecia a ouvir atentamente. "Nós começamos a namorar e tudo não durou mais que três meses, porque depois que eu voltei pra cá nós não nos vimos mais... E ai eu comecei a te conhecer de verdade. E naquele dia que você me beijou eu senti algo que eu nunca tinha sentido com o Rony, mas eu ainda o amava – e acho que mesmo depois de tudo o que ele fez, eu continuo amando. Mas talvez seja só um amor de irmão e eu tenha confundido as coisas... ou o sentimento tenha simplesmente mudado."
Draco parecia prestes a falar alguma coisa, mas Hermione não deixou e continuou falando:
"E tem você, Draco. Eu não sei dizer o que realmente sinto por você, mas é alguma coisa completamente diferente do que eu jamais senti pelo Rony. Parece que tudo que vem com você é demais. E eu não vou conseguir continuar qualquer coisa que seja com alguém que parece ter vergonha do que eu sou."
Draco fechou os olhos e respirou fundo. Hermione podia ver a veia na têmpora dele pulsando freneticamente. Ele abriu os olhos e levou uma mão à nuca dela, afundando os dedos no emaranhado que era o cabelo castanho. Puxou-a para mais perto de si e afundou o rosto em seu pescoço; parecia até como no dia em que ela havia ido até esse mesmo quarto depois dele ter ficado vários dias sumido. Como se ele realmente precisasse dela. A grifinória sentia os lábios dele em seu pescoço e queria dizer que ele não podia simplesmente recorrer a beijos ou qualquer outro tipo de carícia a cada vez que eles tinham uma conversa desagradável. Queria dizer que ele precisava crescer e encarar os problemas de frente, não ficar camuflando tudo. Mas não conseguiu fazer nenhuma dessas palavras saírem; como havia acabado de dizer, tudo que vinha dele era demais. Um peso grande, angustiante e sufocante demais.
Cada beijo em sua pele parecia carregar a dor de algo que não poderia ter acontecido. A mão possessiva dele em seu cabelo imprimia todo o medo que ele jamais a deixou conhecer. A respiração irregular parecia quase o fazer sufocar. E ela queria desesperadamente uma resposta para tudo aquilo. Talvez ela também estivesse apaixonada, de um jeito totalmente novo e incontrolável. Talvez não fosse só um desejo físico o que ambos sentiam.
Draco levou uma mão à sua cintura e conduziu-a de modo que se sentasse no colo dele, uma perna de cada lado da sua cintura. Antes que seus lábios se tocassem, Hermione fechou os olhos e permitiu-se ser levada por cada toque que recebia. Suas bocas se encaixaram pela primeira vez com a noção certa do que faziam; as mãos da grifinória foram urgentes à nuca dele, arranhando a pele clara e puxando os fios demasiadamente loiros do cabelo, um pouco comprido demais e desalinhado, dele.
Ele os deitou na cama e ficou vários segundos sobre Hermione, apenas olhando para ela. Depois, com certa presa, tirou as três blusas que ela usava, seguido do sutiã. Hermione podia jurar não haver melhor sensação do que a do rosto dele, com a barba por fazer, acariciando toda a extensão de sua barriga e seios. Ele ficou tanto tempo nisso, apenas sentindo cada detalhe dela, que a grifinória chegou a pensar – por um momento fugaz, antes de voltar toda sua atenção às voltas que podia sentir em seu baixo ventre – que Draco estava disposto à pratica do sexo tântrico. Hermione tinha plena noção dos sorrisos que ele deixava escapar a cada suspiro que ela dava. O sonserino deixou um rastro quente de beijos do umbigo até o vale entre seus seios, beijando e mordendo cada um em seguida, para depois voltar a beijá-la na boca.
Hermione forçou seus corpos e ajoelharam-se na cama, ela puxou as blusas dele pela cabeça e colou seu corpo contra a pele quente do peito do sonserino. O volume dentro da calça dele pressionando sua cintura e os lábios em uma briga entre si. Sentiu Draco estremecer e apertar mais forte seu seio quando arranhou-lhe toda a extensão das costas. Ela odiava se sentir tão impotente perto dele. Não devia ser possível alguém exercer um poder tão grande sobre outra pessoa. Mordeu o lábio inferior dele antes de separar seus lábios e começar uma trilha de beijos por todo o peito que agora já estava perfeitamente gravado na memória dela. As mãos saíram das costas para o cós da calça de moletom que ele vestia. Ela achava quase engraçado o fato dele, longe das outras pessoas, usar roupas que ninguém imaginaria em um Malfoy. E calça de moletom parecia a preferida de Draco, e dela também – marcando tão bem cada curva e músculo das pernas dele.
Hermione não saberia dizer quanto tempo passaram se tocando, sentindo e gravando cada parte do corpo um do outro. Ela queria ter certeza de que se jamais fosse possível vê-lo e senti-lo dessa forma novamente, teria intrínseco nela todos os menores detalhes.
Mexendo-se sobre ele, que passeava as mãos por todo lugar possível que pudesse alcançar, fechou os olhos sentindo aquela sensação maravilhosa que precedia o fim começar a atingir. Pôde sentir Draco levantando o tronco e movendo os dois na cama, de modo que ele ficasse sobre ela. Seus lábios foram tomados pelos dele, e seu quadril arqueava em desespero para mais perto dele.
"Olha pra mim", Draco sussurrou entre-cortado, os lábios colados no pescoço dela. Por um breve segundo, ambos pararam de se mexer e fitaram-se com paixão. Ele continuou a olhá-la ao passo que uma de suas mãos ia de encontro a junção de seus quadris; Hermione não ousou piscar enquanto ele se enterrava dentro dela e fazia movimentos circulares com os dedos. Sentiu uma vontade de gritar que nunca antes a acometera. Gritar o nome dele. O nome que não saia mais de sua mente e do seu corpo e de sua alma e de sua vida. O nome se misturou a outros ruídos que ela nem sabia conseguir produzir, e à voz de Draco – rouca, cansada, viril – chamando por ela. Hermione sentiu as pulsações do membro dele dentro de si, gozando poucos segundos depois dela. Não haveria palavra capaz de descrever o que estava sentindo quando ele praticamente jogou o corpo sobre o dela e os virou novamente na cama. Queria simplesmente nunca se esquecer daqueles momentos que acabaram de viver.
Ela apoiou a cabeça no peito suado dele. O sonserino estava com o rosto avermelhado, o cabelo completamente bagunçado e alguns pontos de suor brotavam na têmpora e pescoço. E ele tinha um cheiro magnífico, levemente picante e almiscarado, e completamente ele. Hermione pensou que quando tivesse que sair daquela posição – com uma perna de cada lado da cintura de Draco, completamente descomposta em cima dele – possivelmente ficaria envergonhada, mas a sensação era tão boa que deixou o pensamento de lado em poucos segundos. O loiro tinha a cabeça apoiada displicentemente em um dos braços enquanto passeava as pontas dos dedos da outra mão em movimentos aleatórios desde o pescoço de Hermione até o meio da coxa esquerda dela, indo e voltando, como se nem percebesse o que fazia.
Ficaram alguns minutos assim, até que Draco, inesperadamente, sentou-os na cama. Hermione o olhou com uma sobrancelha arqueada; seu rosto a poucos centímetros do dele e seus troncos completamente colados, ela podia sentir os movimentos do peito dele subindo e descendo conforme respirava.
"Granger, quer ser minha namorada?"
Os olhos de Hermione pareceram crescer dentro do globo ocular. Draco sentiu os músculos dela ficarem tensos sobre ele, e achou que ela faria um discurso qualquer sobre como ele era um filho da puta que estava agindo como se há menos de uma hora eles não estivessem brigando justamente por causa da falta de compromisso que ele demonstrava. No entanto, ela não disse nada. Não demonstrou mais nenhuma reação além do espanto inicial e ficou o encarando por segundos infinitos.
"Diz alguma coisa, Granger", falou seco.
"Você só pode estar fazendo uma piada de muito mal gosto, Malfoy", respondeu depois de vários outros segundos em completo silêncio. "A não ser que você simplesmente tenha sérios problemas de personalidade ou qualquer coisa do tipo!"
"Talvez eu realmente tenha algum problema, de sanidade! Porque só isso para me fazer te dizer uma coisa tão estúpida quanto essa", disse tirando-a de seu colo e levantando-se da cama. "Mas eu esperava pelo menos que você fosse responder 'sim', já que estava tão desesperada para que eu assumisse alguma coisa", continuou em um tom ácido.
Já estava na porta do banheiro quando Hermione levantou-se atrás dele. Percebeu que havia conseguido deixá-la muito irritada. Só isso a faria sair da cama assim, sem nenhuma roupa e sem se importar com isso. Arrependeu-se do que tinha acabado de dizer, mas não pretendia pedir desculpas.
"Você é patético, sabia? Quer dizer, então, que você só disse aquilo porque eu parecia 'desesperada'?" e ela realmente soava desesperada, mas não pelo motivo que ele havia insinuado. "Será que é algum crime eu querer ter um compromisso com alguém, e não só esses encontros que mais parecem um campo de guerra do qualquer outra coisa? Embora às vezes eu ache que você se esqueça disso, eu tenho sentimentos, Malfoy! E não quero passar o resto do meu ano me escondendo dentro desse quarto como se o que eu estivesse fazendo fosse algo errad-
"Não se atreva a terminar essa frase! É errado! E você sabe disso tão bem quanto eu", ele, que estava apoiado na pia, de costas para ela, virou-se e a encarou como se a desafiasse a continuar, os braços cruzados sobre o peito e um olhar calculado no rosto.
"Errado porque eu sou uma sangue ruim ou porque você é um Comensal? Ou, talvez, pelo dois motivos juntos? Você é tão estúpido! Está vendo isso aqui?" disse apontando para a cicatriz rosada no ante-braço esquerdo. "Essa merda só existe por causa de pessoas como você, que só enxergam o que querem! Que ficam fingindo que existe alguma porra de diferença entre os nossos sangues", Draco conseguia ver a veia no pescoço dela pulsando com força; o rosto estava vermelho e ela parecia à beira de lágrimas. "Não tem nada de sujo em mim! E eu tenho certeza absoluta que você sabe muito bem disso. Tem sujeira, sim, nessa Marca horrorosa que você carrega no braço! Essa coisa nojenta que fez muita gente morrer por nada! E eu nunca te julguei por isso, mas você tem vergonha de mim por causa do sangue que corre nas minhas veias. Você acha que tem alguma porra de lógica nisso?"
Draco teve a impressão de que ela havia gastado todas as forças dizendo aquilo. Mal acabara de falar, Hermione encostou-se na parede e praticamente derreteu até o chão, com lágrimas – mais uma vez – nos olhos e toda encolhida. Agora era a própria cabeça que ele queria bater na parede. De fato se sentia um estúpido e patético. Abaixou-se ao lado da grifinória a fim de tentar acalmá-la.
"Olha, Hermione, me desculpa. Eu... não... não foi isso que eu quis dizer, entende?" percebeu também que havia perdido a capacidade de falar. Levou uma mão até o rosto dela, mas antes que pudesse sequer encostar na pele da grifinória, ela o fez parar:
"Não encosta em mim, Draco. Por favor, não encosta em mim", disse sem emoção alguma, o que o sonserino achou incontáveis vezes pior do que a raiva com a qual ela falava há pouco. "Me deixa sozinha, por favor."
Ele ainda ficou quase um minuto ali, parado, olhando para a figura à sua frente e esperando que ela mudasse de ideia, por fim desistiu e saiu do banheiro, fechando a porta atrás de si. Queria gritar com ela e dizer que toda aquela bosta de discurso era uma merda e que ela estava completamente errada. Mas não podia, porque, afinal de contas, ela não havia dito nenhuma mentira; nada com o qual ele não tentasse conviver diariamente, tentando convencer-se de que não pensava daquele jeito.
Colocou uma roupa qualquer e ficou sentado naquela maldita cadeira por mais muito tempo. Tinha certeza que seu futuro não escaparia a um câncer de pulmão, visto a quantidade de bitucas que tinha dentro do cinzeiro. Por vários minutos ficou simplesmente parado olhando para o nada, fazendo nada e pensando em nada. Então Hermione ligou o chuveiro e ele se lembrou do motivo pelo qual estava sentado ali. Se tivesse sido no mínimo esperto, nessa hora estaria em baixo do chuveiro com ela, não sentado esperando por qualquer que fosse a reação pós briga que ela teria. Fora tão burro! Devia ter pensado que aquilo soaria como uma piada; quantas vezes ela não tentou ter aquela conversa e ele sempre fugia? Aí, de uma hora para outra, ele resolve que deveria pedi-la em namoro. Poderia ter começado com um "Eu estava pensado, e acho que-
Não! Não tinha que ter falado porra nenhuma. Ela parecia fazer questão de não querer entender a confusão que estava dentro da cabeça dele. Como se fosse fácil admitir que sentia alguma coisa por uma pessoa de sangue sujo como ela. Como se ele pudesse contar para todo mundo e não sofrer as consequências. Mas, pensando bem, ela também seria julgada por sair com um ex-Comensal da Morte. Talvez muito mais do que ele, que no máximo seria considerado mais um traidor do sangue entre tantos outros – e as únicas pessoas que ainda se importavam com isso não eram consideradas lá grandes coisas pela sociedade; ele, inclusive, era um nada. Já ela teria que se explicar com os amigos, e com todo o resto do mundo bruxo que lutou contra Voldemort. E Draco tinha certeza que ela não abaixaria a cabeça em nenhum momento, defenderia-o de quem quer que fosse e não deixaria ninguém atrapalhar seu relacionamento.
Ele conseguiu sentir-se ainda pior do que antes. Era óbvio que não tinha dito aquilo porque Hermione parecia desesperada. Havia falado por ele! Pela sanidade dele que dependia cada vez mais da presença de Granger. Queria poder senti-la perto de si sabendo que ela seria dele, e apenas dele. Queria acordar ao lado dela e não ver mais o olhar às vezes vago, à espera de alguma coisa, que tanto o incomodava. Queria saber que poderia a fazer mulher sempre que desejasse, e sem medo de ser a última vez. A queria e ponto!
Ficou ali sentado, pensado em inúmeras formas de pedir desculpas. (Ele, um Malfoy, quebrando a cabeça para encontrar um jeito com o qual pudesse se desculpar com uma sangue ruim, soava tão irônico.) Nada lhe parecia suficientemente convincente; por fim o chuveiro parou de funcionar e ele não fazia ideia do que poderia dizer.
Hermione saiu do banheiro enrolada em uma toalha; o cabelo molhando pingando por todos os lados, os olhos inchados e uma expressão que beirava a exaustão. Draco ficou observando enquanto ela juntava as roupas que estavam emboladas pelo chão e se vestia; mesmo sem tocá-la, podia sentir como era a textura da pele dela contra a sua. Sentiu que seus olhos estavam queimando e que lágrimas idiotas desciam por eles, e uma dor lancinante atravessava todas as entranhas do corpo do sonserino. Antes que Hermione pudesse vê-lo chorando, tratou de secar os olhos e esconder tudo o que sentia, não queria que ela pensasse que só estava fazendo aquilo para que fosse perdoado. Limpou a garganta e levantou-se, parando poucos centímetros atrás dela.
"O que você quer, Malfoy?", perguntou antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
"Me escuta, por favor. Deixa eu me explicar, Hermione." Odiando-se por ter que pedir qualquer coisa a ela, aproximou-se um pouco mais e envolveu-a pela cintura, colando seus corpos e suspirando de encontro ou pescoço descoberto.
Hermione respirou fundo, fazendo sua barriga subir e descer dolorosamente contra os braços do sonserino. Fora isso, ela não fez mais nenhum movimento, nada que indicasse que queria afastá-lo. Tampouco precisou, o que disse foi o suficiente, quase como um tapa na cara de Draco: "Eu já ouvi o bastante por uma vida inteira, não quero – não preciso – ouvir mais nada. Vou sair por essa porta, Draco, e não espere que eu volte correndo para te procurar. Se você me quiser ao seu lado outra vez, vai ter que ser bem claro quanto o que deseja, porque – embora você certamente não ache – eu sou mais que uma garotinha qualquer cujo corpo está disposto ao seu bel prazer."
E ai, o que acharam? Comentário?
Bjss! Até o próximo cap. *-*
