~Residência da agente Mack – Los Angeles – C.A. – 08:00 am.~
O apartamento de Annie era na medida certa para alguém que mora sozinha, contava com um visual moderno e uma organização impecável. A começar pela estante da sala em madeira clara, que exibia livros científicos em ordem alfabética e ainda combinava com os móveis, realçados pelo piso de jatobá. Annie havia acabado de acordar e estava sentada num dos cantos da bancada – de lajota, mogno e metal – que abrigava o bar e uma modesta coleção de bebidas na sala. Buscava informações de Richard no laptop ao mesmo tempo em que bebia seu achocolatado. Não notou quando uma poça d'água entrou pelo vão da porta, desviou de seu sofá novo, da mesa de centro, e parou, poucos passos atrás de si, onde ergueu-se como uma fonte, adquirindo forma humana.
Annie parecia mais preocupada com o laptop que acabava de desligar sozinho antes de exibir os resultados de sua busca... É quando ouve uma voz conhecida:
-Agente Mack?
Num pulo, Annie levanta da banqueta virando-se para Richard com a expressão de quem fora pê-ga de surpresa. E, antes que pudesse dizer algo, ele se adianta:
-Desculpe invadir seu apartamento e interromper seu café. Mas, temos uma conversa pendente e...
-Não – diz Annie.
Ele a olha confuso por um segundo:
-Não, o quê?
-Não desculpo por invadir meu apartamento e muito menos, por atrapalhar meu café matinal. FORA! - ela anda por trás do sofá em direção a estante para apanhar a chave da porta.
Percebendo a intenção dela, Richard age mais rápido: com o poder da mente, ele faz a chave flutuar passando por cima da cabeça de Annie e vindo em sua direção. Num pulo ele pega a chave dourada no ar. Annie enlouquece:
-O QUE ESTÁ FAZENDO?
-Tentando convencê-la a mudar de idéia. Não pense que estou feliz em revê-la, mas já disse, é a única capaz de me ajudar.
Ela se aproxima devagar, lamentando ter deixado sua arma no quarto e, num tom ríspido indaga:
-Tem alguma noção do perigo que corremos vindo aqui? Se tiver uma escuta nessa sala estamos mortos! Como pode ser tão idiota?
Richard balança a cabeça:
-Nada eletrônico funciona quando estou por perto... A não ser que EU queira – afirma.- Escute, sei que trabalhamos em lados opostos, mas ninguém precisa saber. Só o que quero é que invente um antídoto que me faça voltar ao normal. E, sou capaz de pagar por isso, quanto for.
Annie se aproxima mais um pouco sem que ele se desse conta e num gesto rápido tira a chave de sua mão, depois responde direta:
-Investigou sobre mim e de nada adiantou para me conhecer. Não é desse jeito que vai conseguir o que quer. Eu NÃO estou a venda.
Sem saber que atitude tomar, Richard se afasta, desviando os olhos para a estante. Não para o aparelho de som cor vermelho metálico, nem para a tv com home theater, ao invés disso, ele estica o braço e segura um dos vários porta-retratos da família Mack, onde apareciam pai, mãe, e irmã abraçados, cada qual com um sorriso simpático estampado no rosto.
-O que tenho de fazer?- ele pergunta, ainda de costas pra ela, com o retrato nas mãos.
-Seja gentil.
Colocando o porta-retrato no lugar, ele volta-se pra Annie e pede num tom baixo:
-Por favor?
Com a calma de quem está acostumada sempre a ganhar, Annie provoca:
-Não me pareceu espontâneo.
-Por favor – ele repete esforçando-se para se manter calmo.
Sentando no braço do sofá, Annie avisa num tom sincero:
-Não sei se posso... Faz muito tempo que não trabalho com o 161 e, o composto químico testado em você foi o 165. Nada sei sobre ele, teria que estudá-lo e...
-Posso conseguir as informações que precisa.
Annie olha nos olhos dele por um instante. O rapaz era mesmo determinado, charmoso, e o que disse sobre seus poderes era verdade. Além disso, ele não parecia oferecer perigo algum, ao contrário, estando em suas mãos, quem corria perigo era ele. Certa de sua decisão, Annie comunica:
-Está bem. Mas, quero algo em troca.
-Por que dificulta tanto as coisas? Sem acordos, agente da CIA! – retruca.
Levantando do sofá e deixando a chave sobre a estante, Annie segue em direção ao quarto, dizendo:
-Conhece a porta da rua. Adeus.
Percebendo o erro que ia cometer, Richard corre atrás dela e estende o braço na bancada, bloqueando sua passagem:
-Espera!... Está bem! Faço o que quiser! Qualquer coisa...
-Quero saber quem está por trás desse novo composto químico. Nomes, propósitos, coordenadas, t-u-d-o.
Richard consente. - Primeiro, faça a sua parte.
Com sua mania de confiar nas pessoas, a palavra dele já basta para Annie, que não demora a concordar:
-Tudo pra garagem – ela se aproxima dele séria, queria passar, mas ele não tinha entendido e continuava bloqueando seu caminho. - Dá licença?
Richard a encara por um instante, em dúvida, mas acaba abrindo espaço para que ela passasse.
-Garagem? -repete, enquanto a seguia até o final do longo corredor do apartamento.
Preso na parede do fundo, havia uma réplica de um dos quadros de Vincent Van Gogh. Annie toca em uma parte da pintura, enquanto revela:
-Garagem é como costumo chamar meu "laboratório secreto".
Então, eles ouvem o som de uma parede se movendo...
(Fanfiction escrita por Annie Lane. Não copie. Crie).
