Annie atravessa a passagem secreta indo parar em uma sala escura. Familiarizada ao ambiente, ela dirige-se até o interruptor e o aciona: pequenas lâmpadas de alta potência, embutidas nos quatro cantos do teto se acendem. Richard entra logo em seguida e, por uma fração de segundos, fica perplexo com o que vê: dividindo a sala em dois, havia uma comprida mesa de laboratório, cheia de frascos de vidro, tubos de ensaio, medidores, microscópios, tudo muito bem arrumado e contendo um aroma típico de substância química no ar, talvez formol... Aquele era o menor e mais completo laboratório científico que já botara os pés em sua vida...
RHHH!
Ao ouvir o som da parede se movendo outra vez, Richard volta a atenção para Annie... Ela estava de costas, ao lado da passagem e tinha acabado de acionar um botão vermelho na parede.
A entrada se fecha automaticamente. Então, Annie vira para trás e seus olhos batem em Richard. Ele estava de pé, próximo a ela, observando cada um dos seus movimentos. Nessa hora, Annie desejou não ter cometido um erro trazendo-o ao seu "esconderijo particular", o único lugar seguro da casa onde podia ficar sozinha e realizar experiências. E agora, o local onde faria novos testes... em Richard. Séria, Annie empurra uma cadeira cinza de rodinhas na direção dele para que sentasse, enquanto ela se limita a encostar no balcão e cruzar os braços, dizendo:
-Preciso saber do início... Como aconteceu?
Richard senta na cadeira e vai direto ao ponto:
-A organização onde trabalho recrutou seis agentes para participarem de um experimento. Algo ultrasecreto. Disseram que seria temporário, que havia um antídoto e... Bom, eu fui um desses caras, numa sala especial despejaram sobre mim um líquido dourado.
-Puro? Ou, diluído em água?- interrompe Annie superinteressada.
-Não, misturado com perfume francês – ele abre um sorriso sarcástico por um momento, mas Annie lhe lança um olhar de censura e Richard volta a ficar sério. - Tá, era misturado com água. Depois disso, adquiri poderes extraordinários: podia mover objetos com a mente, controlar coisas elétricas e até, me transformar em líquido... Mas, o antídoto aplicado não deu resultado... Foi sem efeito, zero. Só o que posso dizer é que há um propósito para tudo isso e que, nos mandaram esperar e manter em segredo.
Como demonstração, Richard olha fixo para um dos tubos de ensaio do fundo da sala e faz com que flutue no ar. Arregalando os olhos com a cena, Annie corre até o tubo e o segura, antes que caísse no chão. Com uma expressão de alívio no rosto, ela o recoloca no lugar com cuidado.
-NÃO BRINQUE COM O MEU MATERIAL! - exige em tom de alerta.
Richard consente, pensando: "O que eu fiz demais?Que mulher estourada!"... Por sua vez, esquecendo por um instante dos tubos de ensaio, Annie pensa no que ele havia lhe contado até agora e pergunta:
-Você teve efeitos colaterais nessa sua "aventura"?
-Por que acha que estou aqui? - rebate Richard.
Voltando pelo mesmo caminho que foi, Annie lança uma nova pergunta, embora já desconfiasse qual seria a resposta:
-Está sendo supervisionado por um especialista?
Richard levanta da cadeira de repente. Ficam frente a frente.
-Não o melhor. Você é.
Lisonjeada com o comentário, Annie abre um sorriso breve, mas se mantém firme:
-Pela primeira vez, vou ter que concordar com você – ela se aproxima dele e o empurra, fazendo com que caísse sentado na cadeira.- Mas, no momento, só o que posso fazer é examiná-lo e tentar descobrir mais sobre o 165.
Annie desvia os olhos para a mesa, procurando seu aparelho de medir pressão e não percebe quando Richard leva a mão direita até o bolso da camisa, tirando de dentro um fino objeto laminado...
(Fanfiction escrita por Annie Lane. Não copie. Crie).
