I was five and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight
A fumaça começou a escapar pelo capô do carro. O motor aguentou o bastante até eles chegarem a New York, mas não o bastante para levá-los até a Estação Central. Arya havia se vestido como um rapazinho e agora eles se passavam por irmãos. A imagem ainda não o agradava, mas ele tinha que admitir que eles conseguiriam passar despercebidos com mais facilidade. Aquela cidade era como um campo minado.
Ele comprou as passagens. O trem só sairia de madrugada e eles tinham tempo de sobra para comer alguma coisa e tentar saber notícias de casa. Ele acendeu um cigarro e fez sinal para que ela o acompanhasse.
Se sentaram num café, após comprarem um jornal de um garoto no meio da rua. Jon começou a ler assim que o pedido deles foi servido. Arya comia em silêncio, observando algumas manchetes pelo canto do olho. Havia notícias de mais mortes e tiroteios no território do pai dela, mas nada falando sobre os Bolton, ou sobre o próprio Eddard Stark.
Aparentemente Lancel Lannister havia sido baleado num confronto direto, defendendo o tio, Tywin. Jaime Lannister era o maior problema. Ele estava causando uma comoção séria no território Stark junto com alguns homens bem treinados. Aquela era a guarda real de Tywin Lannister tentando garantir o controle de Jeoffrey sobre os negócios com os escoceses e um porto seguro para desembarcar a mercadoria.
Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down
Jon resmungou deixando o jornal de lado e colocando uma dose de uísque no café. Arya mastigava seus ovos como se fossem feitos de borracha. Ficar em New Yorke era algo que não agradava nenhum dos dois. Uma cidade muito grande, com muita gente disposta a vender informação. Qualquer membro de uma família menor poderia se sentir tentado a vender informações sobre o paradeiro de Arya Stark.
- O que vamos fazer agora? – ela perguntou baixo para que ninguém ao redor notasse sua voz feminina. Jon se mexeu desconfortável na cadeira.
- Eu devia estar lá. Poderia fazer alguma coisa pra parar aquele desgraçado. – Jon resmungou – Jaime...Alguns homens apenas não tem honra ou limites. Os capangas dele não são muito melhores, se quer saber.
- O que está acontecendo? – ela continuou com o interrogatório.
- Mataram os garotos Karstark. – Jon disse num tom grave – Eles tinham o que? Catorze, quinze anos? Mais novos que Bran. Estavam voltando pra casa depois de terem ido no cinema com suas garotas. O velho Ricky deve estar louco a uma hora dessas.
- Isso pode ser um problema? – Arya perguntou. Jon deu de ombros.
- Robb vai ter que lidar com isso. O homem trabalha pro seu pai desde...Sempre! O problema será se o velho decidir resolver isso por conta própria e ignorar a posição que estamos. Homens desesperados, são homens perigosos. Ele não tem muito a perder agora. – Jon se esforçou para sorrir e parecer um pouco menos preocupado, pelo bem da paz de espírito dela.
Arya podia ter uma boa noção do que se passava naquele mundo, mas definitivamente não precisava ser arrastada para dentro dele. Não. Ela merecia ter sua ingenuidade preservada e viver sem aquele tipo de preocupação. Se Ned Stark soubesse o quanto Jon havia compartilhado com ela ao logo dos anos em seus momentos de estresse, provavelmente já teria dado um jeito de mandá-lo pra longe.
Ela esperta e curiosa de mais para seu próprio bem. Mais habilidosa com uma pistola do que metade dos homens que trabalhavam para os Stark e até mesmo melhor do que Bran na pontaria. Mesmo assim, ela era uma garota e não merecia se envolver naquela carnificina. Eles cuidavam do banho de sangue para garantir que as mulheres fossem felizes e vivessem em segurança. Com ela não seria diferente.
- Me espere aqui. – ele disse calmo – Vou ver se consigo ligar pra alguém e saber o que diabos está acontecendo em Winterfell.
Arya concordou enquanto Jon saia da mesa para perguntar ao atendente onde havia um telefone que ele pudesse usar. Com Arya disfarçada ele se sentia um pouco mais confortável para perdê-la de vista por alguns minutos, mesmo que isso não fosse aconselhável.
Ele entrou na pequena cabine telefônica. Quando a telefonista atendeu ele indicou o número do telefone e aguardou sentado enquanto a ligação era concluída. Toda aquela história de telefone podia ser prática, mas ele gostaria que ao menos naquela situação a coisa toda fosse mais rápida. Dez minutos depois ele ouviu a voz familiar de Robb do outro lado da linha.
- Achei que estivesse com os meninos. – Jon comentou imediatamente.
- Eles foram com Hodor para o Canadá. Tio Bem está esperando por eles. – Robb respondeu – Está tudo bem por ai? – ele perguntou afobado – Como Arya está?
- O carro quebrou, vamos ter que seguir de trem. – Jon respondeu – Ela está bem. Tem um senso prático pra lidar com situações de crise que me assusta.
- Se ela fosse homem eu me preocuparia. Deus sabe que ela não teria dó nenhuma de roubar meu lugar. – Robb tentou parecer despreocupado – As coisas estão ficando sangrentas por aqui. Jaime Lannister está nos dando muito prejuízo com seus ataques aos comboios. Há uma carga grande chegando e nós precisamos entregar a mercadoria com urgência, mas como vou conseguir fazer isso com aquele desgraçado nos meus calcanhares?
- Espelho e fumaça. – Jon disse as pressas – Seja descuidado e espalhe o boato de que vai dividir o carregamento e cada um dos comboios vai tomar uma rota diferente. Esses desgraçados são gananciosos, vão querer roubar tudo. Ele vai separar o grupo dele pra tentar nos roubar. O único problema é que quando ele atacar os comboios não vai haver bebida e sim uma meia dúzia dos nossos rapazes armados até os dentes.
- Ando conversando bastante com Arya pelo que eu estou vendo. – Robb disse – É uma boa solução. Se conseguirmos o desgraçado...
- Se conseguirmos o desgraçado, a vida dele vai valer a vida do seu pai. É uma boa moeda de troca e Tywin Lannister não vai querer o menino de ouro dele com um dedo ou dois a menos. – Jon disse sério.
- Depois da morte dos garotos Karstark, uma mão a menos ficaria bem com aquele cabelo loiro. – Robb resmungou – Ricky está descontrolado.
- Imaginei que ficaria, mas você tem que mostrar quem dá as ordens, Robb. Você é o Don enquanto seu pai está fora de combate. – Jon retrucou – Eu tenho que ir. Não posso deixar aquela garota sozinha sem que ela arrume problemas.
- Cuida bem dela e se cuide também. Nos veremos quando tudo terminar. – Robb disse sério – E não importa o que digam, Jon. Você sempre vai ser meu irmão.
- É bom ouvir isso. Se cuide também. – ele disse antes de desligar.
Seasons came and changed the time
When I grew up I called him mine
He would always laugh and say
"Remember when we used to play
Quando voltou pra mesa Arya já tinha terminado de comer. Eles teriam de arranjar algo pra fazer até a hora de embarcar no trem.
Arya estava mais calada do que o normal para manter o disfarce. Ele sentiu falta de dar a mão para ela, ou passar seus braços ao redor dos ombros dela e caminharem juntos como um...Era melhor evitar aquele tipo de pensamento inadequado. Ela era irmã dele, ou ao menos era o que ele acreditou durante uma vida inteira. Eles não eram um casal. Jamais seriam um casal.
Acabaram sentando num bar para beber alguma coisa. Arya estava acostumada ao champanhe servido nas festas do pai, ou um pouco de vinho, mas preferiu não beber nada naquele lugar. Jon pediu uísque. Um longo gole desceu queimando pela garganta. Arya apenas o encarava, distante e solene como eram todos os Stark. Jon bebeu mais um gole e desta vez havia alguém tocando piano no fundo do bar. Ele parou para ouvir a musica e num momento de distração Arya roubou seu copo e bebeu um gole.
Ele riu e tentou acertar um tapa na cabeça dela, pelo bem do disfarce. Ela apenas lançava a ele um sorriso zombeteiro enquanto bebia mais um gole.
- Se seu pai sonhar com isso sou um homem morto. – Jon disse um pouco mais calmo – Daqui a pouco temos que voltar pra estação. Há alguma coisa que precisamos comprar antes de ir? – ela acenou a cabeça negativamente. Seu rosto parecia mais preocupado do que o normal – Algum problema?
- Tem um homem no fundo do bar, ele está olhando pra cá já faz tem. Acho que o conheço. – ela disse usando um tom grave para disfarçar sua voz.
- Quem? – Jon perguntou tentando não parecer alarmado.
- Era a babá daquele cretino do Joffrey. O Cão de Caça. – ela disse.
- Aquele cachorro louco? – Jon pareceu surpreso – Vou pagar a conta e vamos sair daqui como se nada estivesse errado. Somos só dois músicos voltando pra casa e estamos atrasados para pegar um trem. Entendido? – Arya concordou com um aceno de cabeça.
Jon pagou a conta e os dois saíram do bar sem pressa. Pegaram um taxi para a Estação Central, tomando o cuidado de verificar se não estavam sendo seguidos. Arya respirou um pouco mais aliviada enquanto Jon mantinha a vigilância.
A estação estava consideravelmente vazia naquele dia. As poucas pessoas que aguardavam os trens da noite se agarravam aos seus casacos graças ao frio. Em meia hora o trem chegaria à plataforma e tudo parecia tranquilo ali.
Jon disse que iria ao banheiro. Antes de ir ele disse para que ela tomasse cuidado e mantivesse a pistola por perto. Arya concordou com um aceno de cabeça enquanto esperava pela volta dele. Ela gostaria de ir ao banheiro também, mas vestida de homem seria um problema. Talvez ela tivesse sorte e o local estivesse vazio.
Ela se aproximou do banheiro feminino para verificar se havia alguém por perto. Olhou em volta e a plataforma estava enfumaçada, mas quase deserta. Até mesmo os carregadores e demais funcionários pareciam ter abandonado o lugar para se esconderem dentro de salas mais quentes e acolhedoras.
- Em duvida? – a voz rouca e estranha pergunto, fazendo com que Arya se assustasse e virasse para ver quem era.
Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down"
O rosto deformado era familiar. Dificilmente alguém conseguiria se esquecer da cara de Clegane, ou Cão de Caça, como preferiam chamá-lo. Um homem de altura assombrosa que tinha a metade do rosto queimado, tornando-o uma visão grotesca. Ele era um assassino dos bons, do tipo que os Lannister pagavam bem.
- Eu sabia. Eu nunca esqueço um rosto. – ele disse parecendo satisfeito – Você é a cadelinha Stark. A pirralha irritante. – ele disse se aproximando dela de forma ameaçadora – Não adianta ficar muda, sei muito bem que não é um menino apesar de parecer com um. Tywin Lannister vai me pagar bem por levar você pra ele, cadela. É capaz até de me aceitar de volta na Califórnia.
Ele a agarrou pelo braço direito e puxou com força. Ela permaneceu onde estava, lutando para não ser arrastada por ele. Clegane a puxou com mais força.
- Vadia desgraçada, você vem comigo de um jeito ou de outro! – ele rosnou. Num movimento rápido Arya sacou a arma com sua mão esquerda, engatilhando e apontando imediatamente para a cabeça de Sandor Clegane.
- Eu não vou a lugar nenhum, desgraçado! – um tiro. Foi tudo o que ela precisou.
O som ecoou pelo lugar, assustando as poucas pessoas presentes no lugar. Arya abaixou a cabeça e saiu correndo o mais rápido que pode, se escondendo dentro do banheiro feminino, que por sorte estava vazio.
Havia sangue em suas roupas, e o cadáver de Clegane estava caído a alguns metros da porta de onde ela estava. Arya lavou o rosto e as mãos rapidamente. Retirou a roupa masculina e pegou um vestido mais fino dentro da sacola que carregava. Ela trocou de roupa em questão de segundos, arrumou o cabelo para que parecesse mais feminino, colocou luvas, um casaco de pele por cima de tudo. Se houvesse ao menos um pouco de maquiagem para colorir os lábios teria funcionado melhor. Ela colocou a aliança falsa no dedo e brincos nas orelhas.
Quando saiu do banheiro pessoas se aglomeravam ao redor do cadáver. Por sorte ninguém a viu entrar dentro do banheiro. Jon a avistou imediatamente, indo até ela com o rosto lívido de pavor.
Ao passar ao lado do cadáver de Clegane ela deixou escapar um gritinho agudo, antes de pender o corpo para o lado, como se estivesse a ponto de desmaiar. Jon veio de encontro a ela, amparando-a em seus braços.
- Babe, você está bem? Querida, fale comigo! – ele disse afoito. O trem deles já havia sido anunciado e o condutor fazia a chamada de embarque – Vamos dar o fora daqui o mais rápido possível, finja que está tendo uma crise.
Arya obedeceu, andando de forma desengonçada e fingindo estar trêmula e apavorada de mais para conseguir falar. Jon a conduziu para dentro do trem, fechando a porta da cabine o mais rápido possível. Um dos funcionários os abordou pouco depois, perguntando se a senhora estava bem.
- Uma coisa horrível. Ela tem pavor de sangue, está a ponto de desmaiar. – Jon respondeu – Se nos der licença, minha esposa precisa se acalmar. Mandarei chamar se acontecer alguma coisa.
O homem concordou e deixou a cabine em seguida. Arya estava sentada, de forma descuidada, como se tivesse desfalecido. Jon se sentou de frente para ela e esperou até que ela se sentisse segura para apara de fingir.
Music played and all people sang
Just for me the church bells rang
Now he's gone I dont know why
Until this day, sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie
- O que diabos aconteceu lá, Arya? – ele perguntou afoito. Ela respirou fundo e suas mãos estavam de fato trêmulas.
- Sandor Clegane. O maldito Cão de Caça me reconheceu. Ele estava tentando me arrastar para fora da estação e me levar até Tywin Lannister. – ela disse tentando manter a calma – Eu fiquei apavorada e atirei nele.
- Pelo menos foi esperta e fez isso com classe. Um tiro entre os olhos. – Jon disse incrédulo – Uma morte limpa.
- Por favor, sem brincadeiras agora. Ainda estou apavorada. E se alguém tiver me visto? – ela disse.
- As pessoas próximas disseram não ter visto quem atirou. Você foi rápida como um raio. – ele disse – E trocar de roupa foi uma boa ideia. O que fez com as outras?
- Joguei fora. – ela disse – Se tivesse tempo eu as teria queimado.
- Vai ficar tudo bem. – ele disse sentando-se ao lado dela e passando o braço ao redor de seus ombros para que Arya escorasse a cabeça contra o peito dele – Está mais calma agora?
- Claro que não. Eu matei um homem, Jon. – ela disse num tom baixo e urgente.
- Eu esperava que você nunca precisasse chegar a este ponto, mas admito que é um risco que você corre. – ele respondeu beijando a testa dela – Por mim você viveria sua vida tranquila numa casa chique e nunca teria de se preocupar com nada disso. Este é um negócio sangrento, babe.
- Em suma você queria que eu vivesse a vida da minha mãe, ou que fosse mais como Sansa. – ela resmungou.
- Não me entenda mal. Eu só queria que houvesse um modo de você não ter que passar por tudo isso. – Jon disse exausto – Agora tente ficar calma. Vai ficar tudo bem.
- Conseguiu falar com Robb mais cedo? – ela perguntou enquanto relaxava aos poucos nos braços dele.
- Consegui. Rickon e Bran estão indo pro Canadá com Hodor. – Jon disse – As coisas por lá estão complicadas por causa de Ricky Karstark. Mas não se preocupe, babe. Robb sabe se virar.
- Espero que sim. – Arya respondeu – Estou feliz que seja você quem está do meu lado. Não sei se...Não sei se conseguiria ficar bem depois disso se fosse Robb aqui.
Jon beijou o rosto dela e a acariciou em seguida. Arya vulnerável era algo estranho de imaginar e entender. Ela era sempre tão forte e inabalável, como uma rocha. Vê-la daquela forma era como vê-la nua. Como se pela primeira vez ele pudesse de fato ver e tocar a verdadeira Arya.
- Vai ficar tudo bem. – ele disse mais uma vez – E eu estou feliz de poder ficar perto de você. Seria muito chato tomar conta da Sansa.
- Nisso eu concordo. – ela disse – O que eu fiz...Jon, isso me torna uma pessoa horrível? Eu não...Eu não queria precisar fazer aquilo.
- Somos todos horríveis quando nos deixamos levar pelos negócios da família. – ele disse sério – Você me acha horrível, babe? – ele perguntou em tom grave. Arya se endireitou no assento para poder encará-lo.
- É claro que não. – ela disse imediatamente. Jon deixou escapar um sorriso fraco.
- Matei mais pessoas do que gostaria de admitir. Algumas porque estava seguindo ordens e outras por vontade. – ele disse sério e melancólico – Se você é horrível por matar aquela cachorro louco, eu sou o próprio diabo.
- Não diga essas coisas. – ela disse aproximando o rosto do dele – Você não é um monstro. Um bastardo insensível quando quer, mas não um monstro. Eu não me sentiria tão bem dormindo do lado de um monstro, me sentiria?
- Há mulheres que gostam da ideia. – ele disse jogando a cabeça pra trás – Algumas chegam a achar que homens como eu tem cura e merecem uma chance de redenção. O que você acha?
- Redenção significar que você teria de mudar pra se tornar uma pessoa melhor. – ela disse – Eu não mudaria nada em você.
- E eu te amo por isso. – ele disse rindo baixo. Arya inclinou o rosto e deixou que seus lábios roçassem contra os dele de leve. Jon chegou a fechar os olhos, sentindo-se inundado por uma sensação de incredulidade e deslumbramento.
Uma parte dele desejou que aquele beijo fosse mais desinibido. Que os lábios dela estivessem abertos, esperando pela língua dele. Jon ficou imóvel, com medo de que um movimento mais ousado a afastasse de uma vez por todas. Pelo amor de Deus, eles cresceram como irmãos. Ele não devia se sentir tão fascinado quanto no dia em que foi pra cama com aquela dançarina ruiva.
Suas mãos inquietas podiam antecipar a sensação de trazê-la pra perto e tocar a pele expostas. Sua boca ansiava pelo gosto dela e tudo aquilo era perturbador de mais para se colocar em palavras.
Ele não sabia dizer desde quando esses sentimentos estavam dentro dele, ou porque ele subitamente desejava que Arya fosse mais do que uma missão. Ele queria que ela fosse mais, mas não sabia exatamente o que. Provavelmente algo que explicaria aquela mania irritante de buscar por ela na cama inconscientemente, quando os dois já estavam adormecidos. Ou a sensação de inquietude de quando ela lhe roubava o copo. Ou mesmo a vulnerabilidade dele diante do toque mais inocente dela.
O trem começou a se mover e Arya se afastou dele, voltando a deitar sua cabeça contra o ombro de Jon. O coração dele estava acelerado e suas mãos suavam. Ela era uma criança, não sabia o que estava fazendo. Ou talvez soubesse e isso a tornaria a pessoa mais cruel do mundo. Jon respirou fundo e jogou a cabeça pra trás. Precisavam chegar logo na Flórida, pelo bem da sanidade dele.
Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down
Nota da autora: Este capítulo saiu na velocidade da luz! Olha só como eu estou numa onda Tarantino colocando Bang Bang de trilha sonora do capítulo XP. Então, só um pequeno esclarecimento, não sei como funcionava direito a linha ferroviária nos USA durante as décadas de 20 e 30, na verdade há um gap na Wikipédia durante esse período, então estou usando uma licença poética aqui. Amantes do Hound, eu sei que vc's vão me odiar por isso, mas eu juro que não tinha a menor chance de surgir um SanSan nessa história, então não há grandes perdas. Usei o Hound pq pra mim ele é um personagem que se encaixa muito bem nesse contesto. Finalmente alguma insinuação maior, espero que não tenha ficado muito forçado. Tomara que gostem e comentem.
Bju
Bee
