When darkness falls
And surrounds you
When you fall down
When you're scared
And you're lost
A polícia procurava pelo assassino de Sandor Clegane, suspeitando que houvesse alguma relação com a guerra entre famílias da máfia. Todas as paradas que o trem fez ao longo do caminho, havia um policial fazendo uma vistoria e eventualmente questionando um ou outro passageiro.
Havia uma descrição do assassino. Um menino magrelo, não muito alto, com aproximadamente dezesseis anos. Ninguém viu o rosto do assassino e Jon era alto, forte e velho de mais para se encaixar na descrição. Quando o policial entrava dentro da cabine a única pergunta que fazia era a respeito da caixa de violino. Arya respondia que era dela.
Quem olhasse para ela veria uma moça sem grandes atrativos, mas de boa família e aparência, do tipo que aprende música, recita poesia e pinta aquarelas. Era uma jovem de quem nunca desconfiariam, porque não apresentava perigo algum. Uma magricela como aquela jamais conseguiria a proeza de matar Sandor Clegane.
Ela parecia mais feminina e delicada com o cabelo curto depois que Jon se acostumou com a visão. Ainda sentia falta de passar as mãos pelo cabelo dela e permitir que elas vagassem acidentalmente até as costas de Arya. Agora ele se contentava com a sensação de tocar a nuca exposta dela e sentir seu cheiro quando ela o abraçava.
Em breve eles chegariam à Flórida, mas desde o momento que alcançaram o território Targaryen, Jon já se sentia mais seguro. Ele recebeu um telegrama em uma das estações de parada. Daenerys Targaryen iria se casar com um cubano, dono de uma fortuna, que controlava boa parte dos cassinos da região. Os Targaryen em si se consideravam sortudos por controlarem os bordeis, cassinos e trafico de bebida. Quando Daenerys se casasse, eles teriam um verdadeiro monopólio.
O mínimo que ele e Arya poderiam fazer era assumir a posição de representantes da família Stark na ocasião. Chegariam na véspera do casamento e o evento estamparia todas as capas de jornal. Aquela ao menos seria uma boa oportunidade para causar uma boa impressão no velho Aemon e, quem sabe, conseguir a ajuda dos Targaryen para acabar de uma vez com essa guerra.
Arya estava ansiosa com a ideia e ele entendia o porque. Ela cresceu acreditando que Rhaegar Targaryen, havia raptado a tia dela, Lyanna. O rapto na época foi um escândalo para os Stark e uma questão de honra para Robert Baratheon, que era noivo de Lyanna. Ele jurou que mataria todos os Targaryen que conseguisse encontrar e de fato matou, o que incluía mulheres e crianças.
Não era um episódio que os Stark gostavam de comentar. Lyanna foi encontrada a beira da morte pelo irmão. Rhaegar havia sido assassinado por Robert de uma forma brutal, assim como Tywin Lannister havia cuidado de Elia e Rhaenys, esposa e filha de Rhaegar. Jon escapou do massacre por um milagre. Escapou porque Eddard Stark estava furioso com o comportamento selvagem de Robert e ao ver seu sobrinho recém-nascido assumiu-o como seu próprio filho bastardo. Uma mentira abençoada.
Jon era o filho de Rhaegar e Lyanna, o que em tese garantia a ele a proteção da família Targaryen, mas Arya não tinha qualquer razão para crer que seria bem vinda. Seu medo era que a semelhança entre ela e Lyanna servisse de desculpa para reavivar o ódio dos Targaryen de algum modo.
Jon não sabia o que esperar. Tudo o que ele queria era um lugar seguro para eles e um modo de ajudar Robb.
A medida que se aproximavam da Flórida o calor aumentava. Usar um terno já era quase insuportável e Jon só mantinha o traje completo quando ele e Arya iam até o vagão restaurante. Ela conseguiu comprar um pouco de maquiagem no meio do caminho, dando a ela um ar mais sofisticado, para distanciar sua imagem da imagem do garoto maltrapilho que cometeu um assassinato.
Aos olhos dos passageiros, eles eram um jovem casal em lua de mel. A história que inventaram desta vez era que Jon conseguido um emprego na área administrativa de uma empresa de construção, enquanto sua esposa tentaria dar aulas de violino em um conservatório de música. Ao menos Arya tinha conhecimento de música o bastante para discutir algumas óperas com algum passageiro mais curioso e Jon não precisava falar nada.
Be brave
I'm coming to hold you now
When all your strength has gone
And you feel wrong
Like your life has slipped away
Follow me
You can follow me
And I
I will not desert you now
Quando chegaram em Miami, onde os Targaryen mantinham sua principal residência, os dois se chocaram com o estado em que a cidade estava. Obviamente a quebra da bolsa havia torando tudo um misto de caos e miséria, mas além disso a cidade ainda se recuperava de um furacão que havia ocorrido três anos antes. Era sobre os cacos de uma cidade arruinada que os Targaryen se reestruturaram, se tornando mais perigosos do que haviam sido no passado, quando toda Flórida vivia uma década de fartura. Quando mais escombros, mais fácil a proliferação de ratos.
Eles desembarcaram na plataforma da estação, sem saber exatamente o que fazer em seguida. Mal haviam pegado a bagagem e foram abordados por um homem barbeado, com cabelo vermelho grisalho nas têmporas e aparência severa.
- Imagino que o clima seja muito quente para alguém do norte. – o homem disse, fazendo Jon levar a mão à pistola imediatamente e se colocar entre ele e Arya – Guarde seu fôlego, rapaz. Estou aqui pra levá-lo até seu avô.
- Eu não tenho avô. – Jon disse desconfiado. O homem riu.
- Graças a Deus você não tem. O velho Don era louco. – o homem riu um riso seco – Não, estou me referindo ao seu tio avô. Você pode até tentar me dizer que não é Jon "Snow", mas não tenho duvidas de que essa garota que você carrega é uma Stark. Ela é a cara da tia quando tinha essa idade.
- E quem é você? – Jon perguntou de forma ríspida.
- A boa e velha educação carrancuda dos Stark. – o homem disse mal humorado – Eu sou Jon Connington, mas pode me chamar de Grifo. Deus do céu, você não herdou nada de Rhaegar. É a cara da sua mãe.
- Não posso me defender quanto a isso. – Jon disse sério – Aemon quer nos receber?
- É claro que sim. Você é sobrinho neto dele, não é? E pelo que eu sei, esse é o único lugar seguro para um Stark se esconder nesse maldito país. Não se preocupe, garoto. O velho consiglieri não atira em gente do próprio sangue, nem ataca moças indefesas, ao contrário de gente que eu conheço. – ele disse de forma impertinente – Vamos logo com isso, não tenho o dia todo.
Jon concordou com um aceno de cabeça e Arya o seguiu até o carro que o Grifo dirigia. A cidade ainda estava se reconstruindo por causa do furacão, mas a Depressão tornava tudo muito lento. Algumas partes da cidade já estavam prontas e as mansões daqueles que tinham dinheiro o bastante para se reerguer em grande estilo contrastavam de forma dolorosa com a miséria dos que perderam tudo para a natureza e a economia.
A "Fortaleza Vermelha" era o nome que os Targaryen deram à sua residência oficial. Era uma casa erguida de forma rústica, lembrando um castelo medieval em pedra avermelhada. O portão de ferro negro se abriu, dando passagem para um jardim elegante, cheio de rosas vermelhas. Arya observava tudo sem se impressionar. Não era muito maior do que Winterfell, que resistia em New Hampshire desde muito antes da guerra de independência. Para Jon aquilo era uma razão para se sentir intimidado.
O carro parou em frente à propriedade. O sol era gentil, tornando o clima totalmente diferente daquele que estavam acostumados no Norte. Uma jovem usando vestido lilás e com longos cabelos loiros, quase prateados, presos em um penteado elegante, esperava por eles do lado de fora. Ela sorriu de forma gentil para Jon e Arya.
When your fire has died out
And no one's there
They have left you for dead
- Bem vindos. – ela disse de forma simpática – Eu sou Daenerys Targaryen.
- Eu vou chamar alguém pra levar as malas pros quartos de hospedes, vocês dois se divirtam com Danny. – Grifo disse mal humorado enquanto sumia pela porta de entrada. Daenerys lançou a ele um olhar de reprovação.
- Oh não se aborreçam com ele. Grifo consegue ser insuportável quando quer e eu nem imagino o porque ele está assim. – ela disse lançando a Jon e Arya um olhar significativo – Bem, ele era muito leal ao meu irmão, acho que nunca superou a morte dele de fato e você...Bem, vocês dois o fazem lembrar daquela época. Mas isso são águas passadas. Estamos felizes em tê-los aqui.
- Você é a minha...- Jon tentou pensar numa forma de dizer aquilo sem parecer ofensivo.
- Tia? – Danny riu – Sim, sim. Eu era um bebê quando Rhaegar morreu. Nós temos a mesma idade, sabia?
- Algo incomum. – Jon disse sério – Esta é minha prima, Arya. A filha mais nova de Eddard Stark.
- É um prazer conhecê-la. Adorei o seu corte de cabelo, querida. Muito moderno e sofisticado. – ela disse entusiasmada.
- Obrigada. Foi uma solução bem prática para a viagem. Infelizmente Jon ainda não está muito conformado com isso. Acho que ele tinha ciúme do meu cabelo. – Danny riu diante do comentário dela e Jon tentou não esboçar uma reação desagradável.
- Oh por favor, vamos entrar. Vou mandar prepararem um bom suco de laranja e café fresco. Aemon estava ansioso para recebê-los. – Danny disse conduzindo-os para dentro.
A casa era mais iluminada do que Jon esperava. Não era mais do que uma casa luxuosa para uma família abastada, mas pelo que diziam o nome de "Fortaleza" não foi obtido por acaso. O lugar era cheio de passagens de evacuação e seus guardas eram uma elite de atiradores e assassinos. Ninguém entrava, ou saía da Fortaleza Vermelha sem a permissão dos Targaryen e muita gente havia acrescentado tons de vermelho sangue àquelas salas.
Daenerys os levou a sala de visitas, onde foi servido suco, café e bolo de limão. Arya parecia confortável naquele ambiente, como se estivesse apenas desempenhando um papel em um das festas do chá que sua mãe costumava oferecer. Jon se sentiria muito mais confortável num escritório, com um charuto e uma dose de uísque. Só se sentiria a vontade de verdade quando encontrasse Aemon Targaryen para uma conversa séria.
Quando Daenerys voltou, ela estava empurrando uma cadeira de rodas, em que se sentava um senhor tão velho quanto as paredes de Winterfell. O homem tinha um aspecto frágil e doentio, seu cabelo era branco e ralo e seus olhos opacos. Ele devia ser quase cego. Jon se levantou e Arya fez o mesmo. O velho sorriu um sorrio satisfeito.
- Me perdoem por não levantar. Minhas pernas não aguentariam o esforço. – ele disse com sua voz rouca – Sente-se, aproveitem o café. Sou apenas um velho curioso.
- É mais do que isso, pelo que ouvi falar. – Jon disse sério – É um prazer conhecê-lo, senhor.
- Formal e sério...Depois dizem que não se parece em nada com seu pai. – o velho disse sorrindo – É como ouvir Rhaegar falando outra vez, mas seu rosto...Oh sim, os traços Stark estão todos ai. Muito dignos para um rapaz na flor da idade. É um prazer conhecê-lo, Jon. Ouvi grandes coisas a seu respeito.
- Estou certo de que meus feitos não foram tão grandiosos assim. – Jon disse de forma modesta.
- E esta deve ser a adorável Arya Stark. – Aemon disse – Seja bem vinda, querida.
- Obrigada. – Arya respondeu educadamente.
- Estou certo de que estão cientes de que nossa Danny vai ser casar esta semana. Será uma honra tê-los no casamento. Oh sim, será uma bela festa. – ele disse de forma satisfeita o que deixou Jon desconfortável – Uma benção, ter todos os meus sobrinhos de baixo deste teto.
- Isso tudo é ótimo, mas eu tenho assuntos mais urgentes a tratar com o senhor. – Jon interrompeu o velho homem de forma deselegante.
- Você tem a impaciência do seu irmão. – Aemon disse de forma séria – Tudo ao seu devido tempo, rapaz. Paciência é uma virtude e educação um bem valioso que eu acredito que Ned Stark tenha lhe dado. Não vou discutir negócios esta semana, ainda mais na frente das damas. Sinta-se em casa, aproveite a festa e quando for a hora eu o chamarei para falar de negócios. Se me dão licença, eu vou me deitar um pouco. Aegon deve chegar a qualquer momento, será bom para vocês conhecerem um ao outro. O jantar é servido as oito em ponto, por favor, não se atrasem.
Aemon saiu da sala, tendo sua cadeira de rodas empurrada por Daenerys. Arya não comentou nada, mas Jon sabia que aquele havia sido um mau começo. O velho queria esperar até depois do casamento. Ned Stark não tinha todo este tempo.
Uma empregada os conduziu até os quartos de hospedes para que descansassem até a hora do jantar. Dada às circunstâncias, as acomodações eram surpreendentemente confortáveis e bem mobiliadas. Nada naquela casa era modesto, tudo refletia a riqueza da família Targaryen. Jon se jogou na cama e fechou os olhos, tentando pensar em como deveria agir enquanto estivesse debaixo daquele teto.
Follow me
You can follow me
I will keep you safe
Follow me
You can follow me
I will protect you
Aquela não era a casa dele, mas Winterfell também não era. Ele não tinha um lar. Vivia da caridade de Ned Stark desde que nasceu e agora viveria da caridade de Aemon por pura falta de opção. Pra piorar havia arrastado Arya para aquele lugar. Ela devia estar tão perdida quanto ele.
Alguém bateu de leve na porta do quarto e ele disse para entrar. A porta se abriu e Arya entrou, silenciosa como um felino manso. Ele nem mesmo precisava se virar para saber que era ela. O som dos passos e o cheiro eram o bastante para que ele soubesse. Conhecia-os como a palma de sua mão desde que se entendia por gente.
Ela se deitou na cama ao lado dele. Jon se ajeitou na cama para passar o braço ao redor de seus ombros pequenos, num convite silencioso para que ela se aconchegasse junto dele. Arya não precisou de um segundo incentivo para fazer isso. Ela beijou o rosto dele e passou a mão pela barba por fazer.
- Como você está? – ela perguntou calmamente. Jon beijou o topo da cabeça dela.
- Vou ficar bem. Só estou frustrado com tudo isso. – ele disse sério – Me sentiria melhor se tivesse uma posição de Aemon a respeito do quanto eles estão dispostos a ajudar Robb e seu pai. Não sei nem mesmo dizer até quando vão nos oferecer sua hospitalidade. Contanto que garantam proteção a você eu estou bem. Se me disserem que você ficará segura aqui eu poderei voltar pro norte e ajudar Robb de alguma maneira. Pra falar a verdade, eu não sei o que eu estava esperando de tudo isso.
Ela se ajeitou entre os braços dele, a respiração era serena e o rosto dela tinha paz, como ele raramente via. Ele encostou a ponta do nariz no nariz dela, fazendo-a sorrir.
- Não temos opção se não esperar. – ela disse – Ele parecia feliz em te ver.
- Ele parecia feliz em brincar com a minha paciência. – Jon resmungou.
- Já parou pra pensar que Daenerys, Aegon e você são toda família que ele ainda tem? Ele deve estar satisfeito em conhecer você e a primeira coisa que você diz é que quer falar de negócios, o que nós dois sabemos o que significa. É obvio que ele se ressentiria com a sua sutileza. – ela retrucou.
- Não sei se percebeu, mas estou fazendo isso pra ajudar o seu pai. Nosso tempo é reduzido, Arya. – ele disse ansioso.
- Eu sei, mas eu também sei que não estou em posição de fazer exigências. – ela disse – Nós dois vamos ter que aceitar isso.
- E como você está? Eu quero dizer, isso aqui parece uma prisão e nós dois estamos pisando num campo minado. – Jon perguntou sem fazer questão de esconder sua preocupação. Ela ainda estava abalada por causa da morte do Cão de Caça. Ela tinha pesadelos durante a noite e se enroscava nele em busca de conforto.
- Eu vou ficar bem. Eu sou uma Stark. – ela disse de forma teimosa – Daenerys parece o tipo de garota que minha mãe gostaria que e fosse. Apesar de não gostar de ter que ficar perdendo tempo com conversas fúteis e me preocupando com o vestido que devo usar, vou fazer um esforço de me dar bem com ela. Isso e gastar todo meu charme com o velho Aemon. Quem sabe ele se sinta mais inclinado a me oferecer proteção.
O braço de Jon a puxou com mais força pela cintura, num ato reflexo. Ela riu baixinho.
- Mesmo que ele não te ofereça proteção, eu vou dar um jeito. Podemos fugir daqui. Podemos ir pro México, ou mesmo pro Caribe. O que acha? Gostaria de viver num lugar ensolarado, com palmeira e areia branca? – ele perguntou sorrindo para ela.
- Não. Eu gostaria de voltar pra casa assim que possível. – Arya disse calmamente – Mas eu ficaria feliz em qualquer lugar onde você estivesse.
Ele não disse nada, apenas sorriu e sentiu que pairava no ar uma sensação de expectativa. Era sempre assim desde o dia em que ela o beijou de leve. Ele ansiava por outro beijo daquele, por um movimento dela que indicasse que ele não estava delirando. Jon a encarou nos olhos. Eram cinzentos como os dele. Eram tão parecidos fisicamente que ainda podiam se passar por irmãos, mas tudo o que ele queria era esquecer aquele passado incomodo.
Jon se perguntava se ela havia notado algo diferente nele. Se seus gesto de afeto estavam se tornando muito óbvios ou muito inapropriados. Foi quando ele se lembrou que a garota em seus braços era Arya e ela nunca ligou para aquilo que era apropriado.
- Melhor eu ir me vestir para o jantar. Não queremos deixar nosso anfitrião mal humorado, não é mesmo? – ela disse beijando a bochecha dele.
- Tem razão. – Jon respondeu tentando não soar frustrado.
Arya se levantou da cama e saiu do quarto, deixando Jon sozinho e inquieto com as sensações que ela provocava nele.
I won't let them
Harm
Harm you
When your heart is breaking
You can follow me
You can follow me
I will always keep you safe
Ele saiu da cama e foi tomar um banho. A água quente era agradável contra a pele dele e uma navalha afiada se encarregaria de deixá-lo com uma boa aparência. Estava se sentindo um mendigo com aquela barba por fazer.
Ele terminou de se vestir. Lustrou os sapatos e ajeitou a gravata. O cabelo era um desafio a parte e Jon tinha de admitir que estava ansioso para conhecer o meio irmão. Aegon tinha fama de ser um bon vivan elegante. Jon não se considerava nem mesmo bem educado, que dirá elegante. Não. Ele era um nortenho rude, sistemático e nem um pouco amistoso. Mesmo assim era preferível causar uma boa impressão.
Antes de descer para o jantar ele bateu na porta do quarto de Arya para ver se ela já estava pronta. Ela abriu a porta e Jon respirou fundo ao se deparar com Arya usando um vestido azul escuro de musselina e com detalhes em veludo. Não era exatamente uma surpresa vê-la bem vestida, mas era como se pela primeira vez ele se desse conta de como ela era bonita.
Ele ofereceu o braço a ela e os dois desceram as escadas juntos. Quando chegaram na sala de jantar, todos já estavam sentados a mesa. O homem alto, de cabelo curto e loiro, vestia um terno em risca de giz, muito bem cortado. Tinha ares de aristocrata bem educado. Ele se levantou assim que avistou os convidados e só se sentou novamente quando todos já estavam devidamente acomodados.
Jon se sentiu desconfortável. Aquele era o meio irmão dele. Aegon Targaryen. Pelo que todos diziam ele era a cópia do pai e o futuro Don. Ele não demonstrava qualquer reação em particular pela chegada de Jon, talvez um toque de curiosidade.
- Agora podemos todos jantar como uma verdadeira família. Não posso dizer o quanto isso me deixa feliz. – Aemon disse satisfeito – Mas antes de comer, devo fazer as apresentações. Aegon, este é seu irmão, Jon. E está linda senhorita que o acompanha é Arya Stark. – Aegon os encarou e Jon sentiu no olhar do irmão o ar de superioridade.
- É um prazer finalmente conhecê-los. Vocês são o principal assunto nesta casa a quase uma semana. – Aegon disse tentando soar educado – Quando me falaram que eu tinha um irmão, esperei por um homem alto e loiro, mais parecido com os Targaryen. Confesso que fiquei surpreso.
- Temo ter puxado o rosto carrancudo dos Stark. – Jon disse recebendo um olhar severo de Arya quase que imediatamente – Sem ofensa, babe. Mas até você tem que admitir que nós não temos cara de muitos amigos.
- Eu que o diga. Quando criança me chamavam de Cara de Cavalo. – Arya disse fazendo Aemon rir baixinho e Aegon esboçar um sorriso, enquanto Daenerys continuava silenciosa.
- Com certeza este apelido já não é mais adequado. – Aegon disse tentando ser simpático – Mas haverá muito tempo para conversas depois. Eu não sei quanto a vocês, mas eu estou faminto.
Por alguma razão, aquele primeiro encontro o deixou desconfortável. Aegon parecia sorrateiro e sedutor como uma serpente, o que deixava todos os instintos dele alerta. Ele se sentia inquieto e a julgar pela forma como Arya se sentava ao lado dele, Jon podia dizer que ela estava tão desconfortável ali quanto ele.
Precisava ter paciência. Aemon não se sentiria inclinado a ajudá-lo caso se sentisse pressionado e Daenerys parecia indiferente a eles. Quanto a Aegon, se os instintos de Jon estivessem corretos, ele não moveria um músculo para ajudar o meio irmão a menos que fosse para achar a porta da rua.
Follow me
You can trust in me
I will always protect you
My love
Nota da autora: Mais um capítulo pronto e finalmente Jon conheceu a família dele. Pra ajudar vocês a entenderem como eu estou imaginando os personagens ai vai um guia prático do temperamento de cada personagem.
Jon = Michael Corleone jovem com um pouco da impulsividade do Jimmy de Boardwalk Empire.
Aegon = Jay Gatsby temperamental
Arya = Jordan Baker armada e perigosa (de The Great Gatsby)
Daenerys = Margareth Schroder (Boardwalk Empire) + Daisy (Great Gatsby)
Musica do capítulo: Follow Me do Muse
Espero que gostem e comentem.
