Capítulo 16 – Desorientação


Renesmee's POV


Abri os olhos lentamente, por conta da claridade que, pelo jeito, há algum tempo eu não via. Estava sem nenhuma noção de tempo.

Várias dúvidas invadiram meus pensamentos. Eu olhava em volta procurando respostas para elas.

-Oh, querida, você já acordou... – uma senhora disse – Eu sou a Sra. Adas. Como você está se sentindo?

-Bem, eu acho.

-Ah, tome – ela disse, entregando-me um pirulito – Horácio disse para eu entregar-lhe assim que acordasse.

-Obrigada. Que horas são?

-Oito e meia da noite.

-Nossa! Eu dormi durante quanto tempo?

-Doze horas. Horácio te deu uma poção.

-Poção?

-Sim, ele achou que seria melhor.

Alimentei-me rapidamente; minha garganta ainda queimava, mas não daquele jeito.

-Hmm... O que aconteceu? Quero dizer... lá no campo... por que aquele aluno... – eu não consegui terminar a frase, lembrando da cena.

-Eu não... não posso contar nem confirmar nada. Desculpe.

-Sem problema. Então... eu... já posso ir?

-Horácio pediu que você passasse na sala do Sr. Hartford antes de ir para o seu dormitório.

-Dormitório? E o jantar? – eu, de qualquer jeito, não comeria. Mas havia gente que comia.

-As aulas de hoje foram suspensas... o jantar será no salão comunal de cada casa.

-Por que?

-O Sr. Hartford achou que seria mais seguro.

Alguma coisa estava acontecendo.

-Então... acho melhor eu ir encontrar com ele. Obrigada, Sra. Adas!

-De nada, querida.

-Boa noite! – eu disse, e deixei a enfermaria.

Passei pelos corredores, vazios como nunca, e fui até a sala do diretor.

Durante o caminho, me permiti lembrar todas as minhas perguntas e dúvidas.

A Sra. Adas não sabia o que havia acontecido ou ela não podia me contar? O que aconteceu naquele campo, para fazer o diretor tomar tais precauções? Eu havia, graças àquele deslize, feito alguém desconfiar sobre o que eu era?

Subi a escada que me levaria ao meu destino delicadamente.

Quando me aproximei da porta, percebi que essa estava um pouco aberta, e que Horácio e Hartford conversavam.

Olhei pela greta, de um jeito que eu permanecesse imperceptível, e continuei quieta e atenta, para ouvir a conversa.

-Nós temos muito pouco para conseguimos decifrar o que aconteceu. – Hartford disse.

-Você acha que... ele era um...

-Não posso dizer com convicção... nós não dominamos sua espécie para concluir. Agora, mais do que nunca, vejo como ainda há muita a se descobrir.

-Mas nós já chegamos a alguma coisa?

-Bem pouco... mesmo com algumas evidências... sempre voltamos ao desconhecido.

-Você pretende contá-la?

-Não tenho certeza...

-Acho que ela poderia nos ajudar... em alguns aspectos.

-Sim... Vamos esperar que ela pergunte... então nós contamos.

-Está bem... Mas... Pelo que temos... quais são suas... suspeitas?

-Horácio... se minhas intuições estiverem corretas, o que eu não gostaria que acontecesse, o mundo bruxo está lidando com um... ser muito... poderoso, sendo aquilo ou não. Sabe, ele ainda tem o fator surpresa a seu favor.

-Então... você acha que...

Acidentalmente, eu provoquei um leve barulho, suficiente para chamar a atenção de ambos, e conseqüentemente interromper a conversa tão... reveladora.

-Ah, Renesmee, você chegou. Entre! – Hartford disse.

E aquele assunto pareceu ser esquecido; eu mesma teria que mencioná-lo.