Capítulo 19 – Profecia
Renesmee's POV
Voltei para o quarto e me esforcei para dormir.
Acordei bem cedo no outro dia.
Ainda não tinha falado com Lílian, Georgina, Phoebe e Olivia desde aquele dia. Isso estava para acontecer.
Pouco depois que amanheceu completamente, troquei de roupa e saí. Ainda não estava pronta para falar com elas.
Precisava falar com Hartford, precisava de mais respostas.
Fiz o caminho muitas vezes já feito aquela semana.
-Bom dia, Renesmee. – ele disse, assim que entrei.
-Oi. – eu disse – Vim aqui para...
-Eu sei. Saber se tenho mais notícias. – ele me interrompeu – Sente-se.
-Obrigada. E então?
-Tenho um... palpite.
-Qual?
-Horácio já está voltando. Quando ele chegar, nós lhe contamos.
-Mas... como... de onde você... tirou... isso?
-Bom, eu estava lendo um livro ontem... sobre a história do mundo bruxo, na época que ainda havia vampiros. E... encontrei uma... parte que me interessou.
-O que?
-Como os vampiros foram... expulsos.
-Não sabia que eles haviam sido expulsos.
-Sim. Essa é a parte que a maioria dos livros não cita. Somente os livros mais secretos, como é o caso do que eu tenho. Mesmo assim, recorri a um livro ainda mais importante. É o que Horácio está fazendo.
-Mas... por que... os livros não... põe essa parte?
-Profecias não devem ser mencionadas a todos. Há poucos que podem saber delas.
-Profecia?
-Sim. No meu livro ela está implícita, somente como uma insinuação. Então... Horácio foi buscar um livro que... detalhe mais o assunto.
-E sobre o que ela fala?
-Acho que... deveríamos esperar por Horácio, não concorda?
-Ok. Posso esperar aqui?
-Claro, ele já está chegando. Enquanto isso... quero perguntar algo a você... O que você estava fazendo ontem na floresta?
-Eu... quis caçar.
-A noite?
-Sim... bom... eu... não estava conseguindo dormir... aí, resolvi dar uma volta... e acabei por decidir caçar.
-Você não pode mais fazer isso. Principalmente agora com essa criatura rondando a área.
-Então... você também acredita que... o que eu achei na floresta era realmente ele?
-Não tenho certeza... Mas... há uma grande chance. É melhor não arriscar.
-Nunca mais acontecerá. – eu afirmei.
Esperamos durante mais algum tempo, até que a porta foi aberta.
-Louis, consegui! – disse Horácio, entrando com uma sacola de papelão.
Ele estava com uma capa de chuva ligeiramente molhada.
-Olá, Renesmee.
-Oi.
-Já contou a ela, Louis?
-Já. Estávamos esperando você para prosseguir.
-Então... prossiga. Aqui. – ele tirou o livro da sacola, e entregou-o a Hartford.
-Posso, Renesmee? – Hartford perguntou, abrindo o livro na página.
-Claro.
"Há séculos atrás, os vampiros compunham uma parcela da população bruxa. Todos – os bruxos e eles – conviviam harmoniosamente.
Nessa época, várias descobertas estavam sendo feitas, muitos feitiços inventados; como uma revolução mágica. Os conhecimentos nas áreas de poções e elaboração de feitiços estavam se ampliando cada vez mais.
Porém, os vampiros, por não possuírem poderes, ficaram fora desses feitos, dos prestígios. E é claro que não ficaram satisfeitos.
No início, eles apenas ignoravam. Fechavam-se em volta de seu mundo e fingiam que nada estava acontecendo.
Mas esses feitos tiveram consequências As elites bruxas começaram a surgir. O Ministério da Magia, por patrocinar muitos dos descobridores, acumularam muito poder.
Todavia, os bruxos não ocupavam as elites baixas, elas começaram a pertencer aos vampiros.
Reclusos cada vez mais em suas áreas, eles cortaram todas as ligações com os bruxos. Sentiam-se desvalorizados, apesar das habilidades incríveis que possuíam.
Alguns dos vampiros começaram a fazer experiências, testes, para ver se conseguiam absorver os poderes de outros bruxos. Não funcionava.
Um deles, porém, conseguiu. Nunca se descobriu como. Somente sabe-se que ele não nasceu bruxo.
Começou a transformar, daquela forma, outros vampiros, dando origem ao que, até aquele momento, seria o mais poderoso exército já existente.
Tomados pelo poder, eles criaram os três feitiços mais temidos em todo mundo: a maldição da morte, a do controle e a da tortura, conhecidas como maldições imperdoáveis.
Usaram-nas, algumas vezes.
O Ministério, assim como os demais bruxos, resolveu que estava na hora de agir.
Isso resultou em uma luta horrenda, onde milhares de bruxos foram mortos. Os vampiros, por serem imortais, foram cortados em pedaços, muitos dos quais foram queimados. Outros foram transformados em talismãs: varinhas.
Os bruxos acreditaram, na época, que a resistência dos vampiros ficaria armazenada nas varinhas.
Contudo, o Ministério achou muito perigoso, e mandou destruir todas. Com exceção de uma.
Essa foi usada para fechar permanentemente o mundo bruxo aos vampiros puros.
A varinha foi então escondida, com a intenção de que lá permanecesse para sempre.
Mas, acreditava-se que, algum dia, a varinha daria um jeito de se aproximar de um ser em especial; aquele que deveria possuí-la; o encarregado de fechar o portal uma segunda vez."
-Espera. Vocês não... acham que esse 'ser em especial' sou eu, acham? – perguntei.
-Sim, nós achamos, Renesmee. Assim como achamos que... a tal varinha seja a sua. – Hartford disse.
-Não é possível... não... eu não... não pode ser.
-Pode sim. Pode ser que essa profecia esteja quase se realizando. – Horácio disse.
-Essa história é realmente verdade?
-Sim, sem a menos dúvida. – Hartford disse.
-Mas... espera!
-O que? – Horácio perguntou.
-Ela diz "usada para fechar permanentemente o mundo bruxo aos vampiros puros".
-Sim.
-Mas então... como meus pais conseguiram vir me visitar?
-Nenhum feitiço é forte o bastante para vencer o tempo. Isso aconteceu a séculos.
-Mas eu não...
-Renesmee, não se preocupe... nós a ajudaremos com o que for preciso. – Hartford disse.
-Ah! – exclamei – Tem outra coisa.
-O que? – os dois perguntaram.
-No dia em que comprei minha varinha... o vendedor disse 'Essa varinha não funcionou com mais ninguém... você deve ter algo em especial'.
-Está vendo? – Hartford disse – Você é especial, Renesmee.
-Então... com essa... profecia... concluímos que o ser lá fora é um vampiro?
-Provavelmente. – Horácio disse.
-E... 'fechar o portal para os vampiros' se enquadra a mim também?
-Disso eu não sei. Há uma chance que sim.
-E então... eu nunca mais vou poder... vir aqui?
-Não tire conclusões precipitadas. Nós ainda não sabemos sobre isso. – Hartford disse.
-Só... aproveite Hogwarts e seus amigos. – Horácio disse.
-Não! Se eu for mesmo esse daí... sou muito perigosa para ficar perto deles.
-Pelo contrário, Renesmee. Você, mais do que qualquer um, pode protegê-los.
-Verdade?
-Sim... você é o que aquele ser mais teme. Se não fosse por você, ele já teria feito muito mais.
-Sério?
-Sim. Mesmo que ele não saiba da profecia, uma coisa que não sabemos, ele pôde sentir o seu poder. Um exemplo foi aquele seu... passeio ontem.
-Então... se vocês tem certeza.
-Absoluta. Qualquer novidade lhe contamos. – Horácio disse – E, espero você na aula de poções hoje.
-Eu vou. Até mais tarde. Tchau.
Deixei mais uma vez os dois conversando.
Por que toda vez que eu venho aqui, sempre volto com a cabeça cheia?
Por mais que ainda achasse estranho, Hartford e Horácio tinham razão; se eu fosse tão especial, com certeza poderia proteger Chace, Lílian, Georgina, Phoebe e Olivia. Quer dizer, eu acho.
E bom... se... ao ser fechado, o portal proibisse a minha passagem também, eu deveria aproveitar cada momento aqui com eles. Certo?
Sim, eu acho que sim. Pelo menos eu não podia passar insegurança para eles,e Chace precisava de meu apoio agora. Eu me controlaria; uma promessa que faria a mim mesma.
Passei pelos corredores já cheios de alunos.
-Nessie! – Georgina gritou, e veio correndo me abraçar – Que bom falar com você! Você sumiu!
-É. Também é muito bom falar com você!
Nós rimos; isso não é coisa que companheiras de quarto deveriam dizer!
-Você viu a Phoebe?
-Não, desculpa.
-Ok, vou continuar a procurá-la. Ela também adoraria falar com você... assim como as outras. Vamos combinar mais tarde de nos encontrarmos.
-Vamos sim. – disse, já voltando a andar, assim como ela.
-Ah, a propósito... – ela disse, virando-se para mim de novo – Chace quer muito falar com você. Ele está te procurando.
-Obrigada, Georgie.
Chace. O único que eu queria ver no momento.
Passei pelos corredores a uma velocidade constante.
Ele deveria estar tomando café.
Ao chegar à porta do salão, logo localizei Chace, sentado ao lado das que imaginei serem suas irmãs; as semelhanças eram notáveis.
As três, assim como Chace, tinham aqueles olhos azuis, os cabelos lisos, levemente ondulados, no mesmo tom de castanho.
Outra coisa comum com as quatro era a dor que sentiam. Ainda era possível perceber que o impacto causado pela morte de Mackenzie ainda não havia desaparecido, e ainda ficaria entre eles durante muito tempo. Nunca é fácil dizer tchau para alguém.
Mesmo sem estar tão perto deles, pude sentir a conexão que havia entre eles, e não fui capaz de interrompê-la. Não parecia certo.
Resolvi esperar do lado de fora do salão, até que eles acabassem.
Encostei-me em uma das muitas pilastras que lá havia, e esperei. Até que os Grant saíram do salão.
-Nessie! – Chace exclamou, abrindo um sorriso.
Ele olhou para as irmãs e se aproximou de mim.
-Oi, Chace. – eu sorri, instantaneamente.
Ele beijou-me ternamente.
-Vem, quero te apresentar às minhas irmãs. – ele disse, guiando-me, pela mão que ele segurava.
Aproximamo-nos das três, que nos olhavam sorridentes.
Paramos em frente delas.
-Essas são minhas irmãs Sabeen, – ele apontou para a mais alta – Annika e Chloe. – apontou para as duas que tinham a mesma altura – Essa é a Renesmee.
-Podem me chamar de Nessie. Muito prazer. – eu disse.
-É muito bom nós finalmente conhecermos você. – Sabeen disse.
-Bom... vamos deixar vocês conversaram. – disse Annika – Nos vemos mais tarde. Foi um prazer conhecê-la.
-Tchau. – eu disse.
As três partiram, conversando.
-Temos muito que conversar, não te vejo há dois dias! – eu disse.
-É verdade. Mas vamos conversar em um lugar mais... especial. – ele sorriu.
No início eu não identificava onde ele estava me levando. Até que eu vi; a torre onde nós tivemos nosso primeiro encontro, e nosso primeiro beijo.
Ao chegarmos lá em cima, sentamo-nos no banco direcionado para aquela esplêndida vista.
Ficamos alguns minutos no silêncio, apenas nos olhando.
-Como você está? – eu perguntei.
-É tudo tão estranho... eu sinto falta dela. – ele disse.
Abracei-o, e ele ficou aninhado em meu ombro.
Era como se eu tentasse absorver parte do que ele sentia.
-Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa.
-Obrigado. – ele fez uma pausa – Sabe... você me lembra a Mackenzie. – ele disse.
-Lembro?
-Sim. Sua personalidade e a dela. Acho que teriam se dado muito bem.
-Queria ter podido conhecê-la. – e era a mais pura verdade – Mas... o que aconteceu com ela? – queria saber a versão que haviam contado a ele da história.
-Foi algum animal... que estava passando pela floresta e conseguiu entrar em Hogwarts.
-Eu realmente sinto muito; posso imaginar como tem sido difícil para vocês.
-Nós temos muitas pessoas com quem contar.
Eu esbocei um sorriso.
-Mas... o que aconteceu com você? Sumiu durante dois dias.
-Eu... desmaiei por causa do sangue... aí fui para a enfermaria.
-Hmm...
Ficamos fitando o horizonte; em qualquer parte do dia era lindo.
Quando olhei para ele de novo, vi que uma lágrima escorria por seu rosto. Sequei-a com meu dedo, tocando seu rosto de leve.
Ele olhou para mim.
-Da onde quer que ela esteja, está olhando por você. – sussurrei.
E não hesitei em beijá-lo novamente.
N/A: Estou amando escrever essa história. Espero que vocês também estejam gostando! =]
