Para quem estava esperando comédia: Esse é um daqueles capitulos bonitinho, shipping para todo o lado. Não digam que não avisei.


Capitulo 4

Feferi

Se dirigiu ao prédio onde funcionava o cursinho pré-vestibular, em passos apressados. Estava ansiosa, queria chegar o mais rápido possível! Entrou no prédio e cumprimentou as secretárias, que a cumprimentaram animadas. Se era porque gostavam de Feferi ou porque o pai dela era dono do lugar, jamais saberia.

Subiu os degraus e chegou no segundo andar. Olhou o relógio e esperou mais alguns minutos. Logo, vários alunos saíram de suas salas e Feferi seguiu o curso contrário da multidão, entrando numa das maiores (e melhores) salas do lugar.

Lá pelo meio das carteiras, guardando suas coisas preguiçosamente estava quem ela veio ver: Sollux Captor. Acenou para ele com um grande sorriso e ele a sorriu de volta.

- Que bom ver você aqui, FF!

Ela deu uma risadinha. Gostava do jeito que ele a chamava.

- Eu estava dando uma passada por perto e quis fazer uma visita!

Se aproximou e esperou que ele acabasse de guardar suas coisas.

Os dois tinham se conhecido a um tempo atrás, por acaso. Feferi tinha decido fazer um cursinho de informática e Sollux tinha sido o seu professor. Os dois logo ficaram amigos e Feferi ficou sabendo que o garoto morava na favela. Ela simplesmente não podia deixar que alguém tão inteligente ficasse num lugar assim! Então, ela pediu ao seu pai (ou tio Cronus, como ela preferia chamá-lo) para que o empregasse no cursinho. Ele prontamente concordou, estava mesmo procurando bons alunos para contratar e "estudar" lá. E assim, Sollux conseguiu dinheiro suficiente para sair da favela e mudar para a Tijuca e Feferi ia conseguir vê-lo com mais frequência. Todos ficavam felizes no final.

- Eu ainda não sei como te agradecer por tudo que você fez... - Disse Sollux, colocando a mochila no ombro.

- Ora, não se preocupe com isso! Amigos são para essas coisas!

- Mesmo assim, foi incrível o que você fez! E eu nem sou digno de uma coisa dessas...

Os dois se dirigiram para a saída do prédio.

- Claro que é! - Ela o corta. - E ainda por cima é o melhor professor de informática do mundo! Nem todo mundo tem paciência comigo!

- Até parece, você já sabia tudo.

Sollux abre a porta para ela passar, e ela dá uma risadinha.

- E aí, vai fazer o que agora? - Perguntou o garoto.

- Vou me encontrar com a minha mãe. - Feferi deu um suspiro. - Ela quer que eu aprenda mais sobre o "grande império" que ela comanda, mesmo eu dizendo que não quero assumir os negócios dela...

- Que besteira, FF! Você seria uma ótima chefe.

De repente, o celular de Sollux apita, avisando de uma nova mensagem, e ele o pega. Lendo rapidamente a mensagem, ele se vira para Feferi de novo.

- Aí, quer ir no shopping no dia 3?

- Ah, eu adoraria ir e...

- Ir aonde? - Uma voz pergunta e os dois se viram, dando de cara com Eridan, que olhava para os dois com uma expressão nada feliz e os braços cruzados.

- Eridan! - Feferi exclamou surpresa.

- Quem é esse aí? - Eridan perguntou, com um certo tom de desprezo.

- Esse é o Sollux e ele é meu amigo. - A garota respondeu meio irritada. - Sollux, esse é o Eridan.

- Amigo, é? - Eridan ainda olhava o outro com desconfiança. - E onde você pretende levar ela?

- Ao shopping. Um amigo meu quer fazer uma reunião e disse para eu chamar quem eu quisesse. - Sollux respondeu no mesmo tom de desprezo.

- Ah, é mesmo? Então posso ir? - Eridan estreitou os olhos para Sollux, que fez o mesmo.

- Eridan! Você não pode se convidar assim! - Feferi falou indignada.

- Deixa, FF, se ele quer ir, pode ir. KK disse que era pra reunir um monte de gente mesmo.

- Vamos embora, Fef. Meenah me pediu para garantir que você não se atrasasse, como sempre.

- Pode deixar que eu vou. - Lançou um olhar para o garoto de "saí daqui agora!".

A contragosto, ele ajeitou o cachecol sobre o ombro e se afastou.

- Desculpa por ele, Eridan é meio... Sobreprotetor.

- Tudo bem... - Sollux respondeu, um tanto desconfortável. - Não sabia que você tinha namorado.

- Ah, não! Você entendeu errado! - Feferi riu, achando a dedução dele muito engraçada. - Ele é meu irmão!

- Irmão?

- É! Nossos pais são separados desde sempre, mas nós dois temos uma relação boa. Bem, na maior parte do tempo.

Ouviram uma buzina e Feferi gritou irritada.

- Já estou indo! - Voltou-se para Sollux, sorrindo. - Foi um prazer te ver! Tchau, tchau!

- Digo o mesmo. - Ele sorriu. - Posso te ligar depois?

- Claro! - Ela deu mais uma risadinha e correu para o carro do irmão antes que ele voltasse a perturbar.

Terezi

- E aí? Mandou uma mensagem pros seus amigos? - Perguntou ela a Karkat.

- Mandei. E eles vão.

- Ótimo! - Deu um sorriso.

Ela, Karkat e Dave estavam reunidos na sala do apartamento da garota, esparramados no sofá e nas poltronas.

- Então o plano é juntar um bando de gente num shopping? Sério mesmo? - Dave perguntou incrédulo.

- Algum problema? É um bom jeito de conhecer pessoas novas. - A garota retrucou.

- Muita gente junta nunca dá certo. Vai dar merda. E alias, se chamar os amigos desse aí é capaz de juntar uma gangue lá. Se é que não vai descer o morro todo.

- Haha, nossa, você é muito engraçado, Strider. - Karkat respondeu irônico, mostrando o dedo do meio para ele.

- Disponha. - Dave mandou o gesto de volta, os olhos ainda fixos em Terezi. - Se a gente for preso por formação de quadrilha a culpa é sua, tá ligada?

Terezi riu.

- Não é você mesmo que é doido para que eu conheça seus amigos? Então, é uma ótima oportunidade!

Dave deu de ombros.

- É, eu posso ter dois ou três amigos que valham a pena chamar.

- Não esquenta, vai ser divertido. - Parou, mas depois continuou, as gargalhadas. - E se der confusão melhor ainda!

Aradia

Já estava a quase um mês fazendo trabalhando naquele apartamento. Seu patrão, Aurthuour, era uma pessoa super simpática e como já era aposentado, passava muito tempo em casa e ela costumava a conversar com ele sempre que podia. Ele tinha um filho que morava lá também, embora nunca o tivesse visto. Aparentemente, ele passava o dia todo na faculdade ou na academia.

Naquele dia, entretanto, Aradia estava sozinha. Como vinha fazer faxina todos os dias, tinha pouca coisa a fazer e podia cuidar de tudo no seu próprio ritmo. Acabou de estirar a colcha num dos quartos quando ouviu um barulho de chave. Provavelmente Aurthuour tinha voltado.

Pegou a vassoura e se dirigiu a cozinha, tranquilamente, mas parou subitamente no portal, deixando escapar um "Ah!" de surpresa.

Aquele definitivamente não era Aurthuor. Um rapaz, bem mais alto que ela, de cabelo comprido estava lá, pegando algo na geladeira. Com o barulho que ela fez, ele se virou e ficou tão surpreso quanto ela, deixando cair o copo de leite que tinha em mãos. Usava óculos escuros, tinha uma toalha nos ombros e estava sem camisa. Devia ter acabado de voltar da academia, pois estava suado e o suor escorria lentamente pelos seus músculos bem definidos.

Aradia corou e ele fez o mesmo, talvez percebendo a situação em que se encontrava.

- Você deve ser o Equius, certo? - Ela falou, tentando quebrar a situação incomoda.

- S-Sim, sou... - Ele olhava vidrado para ela, o que a fazia um tanto desconfortável. - Você é a nova empregada.

- Aradia. - Ela se apresentou sorrindo.

Ele deu um meio sorriso de volta e reparou a sujeira que tinha feito, se abaixando para catar os cacos de vidro. Aradia se adiantou e ajoelhou perto dele, pegando um pano de chão.

- Você não pode botar a mão nisso. Vai se cortar! - Ela disse.

- A-Ah, s-sim, certo... - Ele ajeitou o cabelo atrás da orelha, meio sem jeito. - Eu posso dar um jeito nisso. - Ele tentou pegar o pano da mão dela, mas ela não deixou.

- Não precisa! Afinal, eu sou paga para fazer isso. - Ela sorri para ele de uma forma que o deixa sem palavras.

Ela acaba de limpar a bagunça, sentindo que ele a observava, mas tentou ignorar isso.

De repente, o telefone dele toca. Tinha combinado de se encontrar com Nepeta agora. Quando colocou o celular de novo no bolso, viu Aradia olhando para ele.

- Já vai? - Ela perguntou.

- Er, sim.

- Foi um prazer conhecê-lo. - Ela disse, simpática como sempre.

- O prazer foi todo meu. - Ele deu um sorriso e foi em direção a porta. Deu uma ultima olhada para trás e saiu do apartamento.

Gamzee

Finalmente seu "avô" o tinha liberado e ele pôde botar planos mais importantes em prática. Como o de virar palhaço.

Saiu nas ruas com uma blusa larga, uma calça de bolinhas e o rosto pintado. Já tinha conseguido as clavas e agora apresentava seus malabarismos no trânsito, quando o sinal fechava. Era um trabalho gratificante. Não que rendesse muita grana – longe disso. Mas só de ver as crianças que passavam por ele felizes, já ficava mais que satisfeito.

E foi assim que Gamzee conheceu ele.

Gamzee apresentou seus malabarismos e quando fechou o sinal, se dirigiu a calçada novamente. Alguém batia palmas para ele. Um garoto, provavelmente da sua idade, usando cadeira de rodas.

Gamzee deu um largo sorriso e fez uma reverência teatral, o que fez o garoto rir.

- Ótimo espetáculo! Bravo! - Elogiou o garoto.

- Valeu, irmão! - Percebeu que talvez ele quisesse ajuda para atravessar a rua. - Quer que eu te leve para o outro lado?

- Uh, não precisa, não quero incomodar. - Respondeu ele.

- Imagina, irmão! Gosto de ajudar, ainda mais alguém que curte malabarismo!

- Ok, então. - O garoto sorriu, tímido.

Gamzee esperou o sinal fechar e o empurrou até o outro lado, fazendo algumas palhaçadas no caminho que fizeram o garoto rir.

- Bom, obrigado. - Disse ele um tanto envergonhado. - Eu nem tenho moedas para te dar...

- Que isso, irmão, eu não tô nessa pela grana. Você já me pagou com esse milagre do seu sorriso.

O garoto corou.

- Uh... Bem... Te vejo outro dia então... - Acenou timidamente e se afastou.

Gamzee acenou de volta e voltou para o seu trabalho no trânsito. Um sorriso não saiu de seu rosto pelo resto do dia. Tinha gostado daquele garoto. Gostado muito. Esperava poder vê-lo de novo logo.


Bom, agora vocês vão começar a ver as ligações entre os personagens, o que será importante para a trama principal. Eu faria uma sinopse (decente) da trama principal, mas acho que um pouco de spoiler seria inevitável e quero ver quantos percebem what's going on.