Esse capitulo é bem mais relevante que o anterior. Mas tem shipping.


Capitulo 5

Feferi

Mantinha os braços cruzados e a cara amarrada. Nem se dignava a olhar para o irmão.

– E tem outra coisa! - Eridan continuou seu sermão sobre como ela nunca-mais-devia-ver-o-Sollux-na-vida. - Você viu como ele fala com a língua nos dentes? Isso é muito irritante! Além de que ele deve ser gay, só gays falam assim!

Feferi afundou mais no seu assento, mas não conseguiu ficar quieta perante a isso.

– … As pessoas vivem me perguntando se você é gay, só porque parece não quer dizer nada.

Eridan virou-se para ela chocado.

– As pessoas fazem o que?!

– Eridan, presta atenção na pista! - Ela se desesperou quando o carro quase bateu no da frente.

Eridan voltou a prestar atenção na direção e se calou por alguns minutos.

– Não se preocupe, eu sempre digo que não. - Ela falou depois de um tempo, mais calma.

– Por que? Devia ter dito que sim, vai que eles estavam interessados.

– Eridan!

– O que foi? Eu estou aberto a todas as possibilidades...

– O que foi que eu já te disse sobre usar as pessoas?

– Eu não estou usando ninguém, Fef! Não é como se eu estivesse atrás de algo sério!

– Mas você vai acabar machucando o sentimento das pessoas assim!

Eridan deu de ombros e os dois se calaram ao se aproximar de uma blitz. Vários carros estavam sendo parados. Eridan não tinha habilitação (ainda) mas não estava nem um pouco preocupado. Abaixou o vidro fumê para que os policiais vissem que era ele quem estava dirigindo e passou direto por eles. Ah, o que não era possível de se fazer se você tivesse um pouco mais de dinheiro no bolso? A essa altura, todos os policiais do Rio já deviam ter recebido propina de Eridan pelo uma vez na vida.

Em poucos minutos eles chegaram ao prédio aonde ficava o escritório de Meenah. Eridan deixou o carro com o manobrista e os dois subiram até o escritório da mãe.

O prédio era enorme. Mas também, de lá Meenah controlava quase que a cidade inteira. O que não era da família Peixes, era da família Ampora. Se algo estivesse dando lucro, independentemente se era um hospital, uma escola ou um time de futebol, uma das duas famílias ia lá e comprava. Quem olhasse de fora, acharia que os Peixes e os Ampora eram rivais, sempre correndo para ver quem compra o que primeiro.

Mas a verdade era que Cronus, atual cabeça da família Ampora, deixava sempre o que desse mais lucro para Meenah. Ele fazia de tudo para indiretamente tentar agradá-la... O que Meenah achava um saco. Basta você ter um ou dois filhos com o cara para ele nunca mais esquecer de você!

Chegaram na cobertura, onde o andar inteiro era o escritório particular de Meenah.

A própria veio os recepcionar. Era muito alta, se vestia como se fosse uns dez anos mais jovem e usava muitos braceletes e anéis dourados.

Mas mesmo assim, alguma coisa nela impunha respeito e medo nas pessoas.

– Ah, Feferi, até que enfim! - Virou se para o garoto. - Bom trabalho, Eridan.

– Foi um prazer. - Eridan deu um sorriso convencido. - E eu devia alertá-la de que Fef anda tendo a má companhia de gentinha de zona norte...

Feferi lançou-lhe um olhar irritado e mostrou a língua para ele, mas ele apenas girou os olhos em resposta.

– Vamos conversar sobre isso depois. - A expressão da mãe não era nada feliz e Feferi se sentiu um tanto diminuída.

– Com licença. - Eridan disse respeitosamente antes de sair.

Eridan nunca tratou Meenah como mãe, da mesma forma que Feferi nunca tratava Cronus como pai. Os dois sempre foram criados separados e mesmo que fossem irmãos gêmeos, era óbvio que Meenah preferia Feferi. Até onde entediam, o nascimento deles foi mais um acordo estratégico do que qualquer outra coisa.

– Colé, Feferi? Não basta todo esse seu desinteresse com os negócios da família, ainda tem que ficar por ai dando esmola? - Meenah perguntou irritada.

– Eu não estava dando-

– Esquece isso. Vem cá, quero te mostrar umas paradas.

Meenah, quando falando informalmente, soava completamente diferente da sua imagem de mulher poderosa. Mas ainda sim, ninguém ousaria desrespeita-la por isso, todos sabiam do que ela era capaz.

Feferi seguiu a mãe a contra-gosto. Provavelmente ela só queria se vangloriar porque comprou essa ou aquela outra fabrica ou algo do gênero.

Meenah a levou até a grande mesa circular de centro, onde havia um mapa estendido. Era o mapa da cidade do Rio inteiro. Cada parte adquirida por ela estava pintada de rosa (e cheio de glitter).

– Não é lindo? A cidade inteira quase só nossa! Quase. Mas está vendo essas outras cores aqui? - Mostrou outras grandes áreas pintadas de cores diversas. - Sabe o que isso significa?

– Que vão ser as próximas coisas que você vai comprar? - Arriscou Feferi.

– Também... Mas o que importa é perguntar: estão eles contra ou a favor da gente?

Meenah estreitou os olhos, como se aquelas cores representassem mais para ela do que pareciam.

– Se estiverem à favor, devemos cuidar para que continuem assim... Caso contrário... - Ela pareceu se perder no seu discurso.

– Caso contrário...? - Feferi perguntou, com um pouco de medo da resposta.

Meenah olhou diretamente para ela, o que quase fez a garota recuar.

– Teremos que acabar com eles.

Nepeta

Ela e Equius estavam passeando no shopping, mas dessa vez Aurthuour e Pounce tinham vindo com eles. Os dois adolescentes andavam mais a frente, conversando.

– Você percebeu o que eu percebi? - Perguntou Nepeta, mexendo as sobrancelhas.

– O que exatamente você queria que eu percebesse? - Equius perguntou confuso.

– Seu pai. Minha mãe. Tá rolando alguma coisa. - Nepeta tinha que se segurar para não dar gritinhos de emoção.

Equius olhou para os dois. Eles estavam apenas conversando, parecia bem normal para ele.

– … Tem certeza disso? - Perguntou.

– Absoluta! Eu sinto o amor no ar.

– Mas... Isso nem faz sentido. A diferença de idade é muito grande...

– Ai, que besteira, Equius! Amor não tem idade! E alias... - Se aproximou mais dele para sussurrar. - Se eles se casarem, iremos virar irmãos!

Equius imaginou como seria ter Nepeta como irmã.

– Tenho que concordar que essa ideia me parece interessante. - Disse com um sorriso, mas que logo desapareceu. - Apesar de que acho suas deduções precipitadas. Eles nunca tinham se visto na vida antes!

Nepeta girou os olhos com a inocência do amigo.

– Mãe! - Nepeta se virou para trás e gritou. - Vamos comprar sorvete e já voltamos!

Puxou Equius e saiu correndo antes que ele pudesse protestar.

– Por que fez isso? - Ele perguntou quando eles já estavam no quiosque de sorvete.

– Para deixa-los a sós, hehe! E porque eu realmente quero um sorvete.

Equius deu de ombros e entrou na fila com a garota. Depois de fazerem seus pedidos, foram saborear seus sorvetes sentados perto dali.

– Ah, Equius! Desculpa perguntar mas... O que aconteceu com a sua mãe?

– Ela morreu. Acho que foram complicações no parto ou algo do gênero.

– Você nem sabe o que aconteceu com ela? - Nepeta o olhou intrigada. - Qual era o nome dela?

Equius apenas negou com a cabeça.

– Não sei. Aurthuour nunca me disse muito sobre ela. E não há nenhuma foto dela em casa, antes que você pergunte.

Nepeta ficou em silencio por um tempo.

– Você não acha isso meio... Suspeito?

– Talvez, mas Aurthuour deve ter um bom motivo para não me falar dela. Uma vez ele disse que ela tinha muitos problemas... E só.

Nepeta pareceu decepcionada.

Ficaram alguns minutos em silencio tomando seus sorvetes.

– Se me permite fazer uma observação também... - Equius começou. - ...Você não se parece nem um pouco com a sua mãe.

– Hehe, claro que não, seu bobo! Eu sou adotada! - Nepeta parecia animada por falar disso. - Mamãe pode não ser minha mãe biológica mas ela é minha mãe do coração!

– Então você também não sabe muito sobre as suas origens?

Nepeta balançou a cabeça.

– Sei que eu vim do Japão. Pounce costumava viajar por aí... Mas um dia ela foi fazer um trabalho num orfanato japonês e me achou. Aí ela se apaixonou por mim e me adotou. - Nepeta falava com carinho. - Mas ninguém sabe se eu sou mesmo japonesa... No orfanato falaram que um homem estrangeiro é quem tinha me deixado lá. Disse que tinha me achado na rua...

– Eu... Sinto muito. - Disse sem jeito.

– Sem problemas! E é legal! Eu sinto como se fosse alguma protagonista de um mangá de mistério, hehe! - Ela se levantou subitamente. - Agora vamos voltar! Se tiver beijo eu quero ver!

Gamzee

Já tinha se passado uma semana desde a primeira vez que tinha visto o garoto da cadeira de rodas pela primeira vez. E durante essa semana, tinham se visto todos os dias. Gamzee não sabia bem para onde ele ia, mas imaginava que fosse para a faculdade ou algo assim.

Era sempre a mesma coisa: Ele e Gamzee conversavam um pouco e Gamzee o levava para o outro lado da rua. Já era uma agradável rotina que Gamzee esperava ansiosamente desde a hora em que acordava.

Quando Gamzee o viu virando a esquina, já se pôs a postos, esperando por ele.

– Ah, olá! - Disse o garoto quando se aproximou de Gamzee.

– E aí, irmão? Estava esperando por você.

– Estava? - Perguntou um pouco surpreso.

Gamzee apenas assentiu e puxou uma coisa do bolso. Uma flor. Colocou-a no cabelo do garoto.

– Ficou melhor do que eu imaginava! - Exclamou Gamzee, encantado.

– Uh, obrigado. - O garoto corou.

– Não há de quê, irmão!

Gamzee deu a volta e começou a empurrar a cadeira pela rua.

– Ei, irmão! - Chamou a atenção dele. - Eu ainda não sei o seu nome.

– Tavros. Tavros Nitram. - Ele sorriu. - E você?

– Gamzee. - Deu um largo sorriso. - Gosto do seu nome. Combina com você.

Chegaram do outro lado da rua. Era geralmente aí que eles se despediam, mas hoje nenhum dos dois fez menção de se afastar.

– Onde... Onde você mora? - Perguntou Tavros.

Há tempos que queria perguntar isso. Gamzee era tão largado que ele tinha medo de descobrir que talvez nem casa ele tivesse.

– Cidade de Deus, onde os milagres acontecem!

Tavros riu.

– Nunca estive lá.

– É um bom lugar, não deixe te dizerem o contrário! Se quiser eu te levo para um passeio por lá um dia. Adoraria ser seu guia.

Mesmo que tecnicamente Gamzee o estivesse convidando para dar uma volta na favela, Tavros se sentia estranhamente disposto a aceitar. Talvez não fosse mesmo tão ruim, afinal.

Abriu a boca para responder alguma coisa, mas foi interrompido ao escutar uma voz.

– Tavros! Até que enfim te achei!

Os dois se viraram e deram de cara com uma garota, vindo em direção a eles e parecendo irritada.

– Ah, oi, Vriska. - Cumprimentou Tavros.

– Já tinha achado que a sua cadeira tinha emperrado por aí ou algo assim! Esqueceu que era para a gente ter se encontrado a meia hora atrás?

– Uh, desculpa Vriska, não foi minha intenção...

Enquanto isso, Gamzee observava tudo, com interesse. Se era amiga do Tavros, com certeza ele queria conhecer! E o fato de que ela usava uns óculos escuros como se fosse um tapa-olho, deixava-o mais curioso sobre ela.

Vriska finalmente notou o garoto vestido de palhaço.

– … Seu amigo, Tavros? - Ela perguntou com uma sobrancelha arqueada, como se o analisasse de cima a baixo.

– Uh, sim... Esse é o Gamzee.

– Olá! - Gamzee estendeu uma mão para ela.

– Vriska Serket, primeira e única. - Ela pareceu amigável e apertou a mão dele de volta. Um toque frio e mais forte do que provavelmente era necessário. Gamzee olhou para a mão dela e constatou que era uma prótese.

– Serket. - Os olhos de Gamzee se estreitaram por uns segundos, mas nenhum dos outros dois perceberam.

– É, eu sei. - Disse Vriska já acostumada. - Igual em Aranea Serket, minha mãe.

– Noooossa, eu vejo sua mãe na globo todos os dias! - Gamzee sorriu, impressionado. - Deve ser muito maneiro ter uma mãe jornalista.

– É. É legal. - Disse Vriska não muito convicta. - Vamos, Tavros? Você já me fez esperar demais por hoje!

– Sim, claro... - Tavros se virou para Gamzee. - Então... Te vejo por aí.

– Claro, irmão! Estarei esperando! - Gamzee acenou.

Os dois se afastaram, Vriska empurrando a cadeira de Tavros.

Gamzee esperou até eles sumirem de vista para parar de sorrir, o rosto inteiramente sério. Serket. Que mundo pequeno.

Eridan

– Dá para acreditar nisso, Kan? - Eridan andava de um lado para o outro no apartamento de Kanaya. - Tem um cara dando em cima da Fef!

– É, realmente é um absurdo pensar que alguém possa estar interessado por uma garota bonita e extrovertida como Feferi. - A garota cruzou as pernas, esperando que Eridan terminasse seu monólogo.

– Quer dizer, eu tenho 18 anos! 18 anos! Já está mais do que na hora de que eu... Você sabe. Mas a Fef não! Ela é pura! Ela é inocente e vem esse cara querendo tirar a inocência dela! Não sei se você consegue me entender, Kan...

– Pode parecer inacreditável, mas eu compreendo a profundidade dos seus problemas pessoais. - Botou uma mão embaixo do queixo. - Mas você não acha que está sendo precipitado quanto a este rapaz? Como pode ter certeza das intenções dele com a Feferi são ruins?

– Você não viu a cara dele... Parece um tarado! Sério! Ele não pode corromper minha irmã assim!

– Não pode corrompê-la ou não pode corrompê-la antes que você tenha sido corrompido primeiro? - Ela ergueu uma sobrancelha, desconfiando da postura de irmão preocupado de Eridan.

– Kan, você está fugindo do ponto. O que importa é que tem um cara atrás da Fef. E pobre ainda por cima! Quer dar o golpe do baú e a Fef nem para reparar nisso!

– Eridan, eu sinceramente acho que a Feferi já é adulta o suficiente para saber com quem se mete.

– Ela é muito distraída com essas coisas, nem parece perceber de quem ela é herdeira. - Parou de andar e massageou as têmporas. - Kan... Temos que fazer alguma coisa.

– Temos?

– Ele vai levá-la para o shopping ou algo assim. Eu vou junto, mas não posso garantir que vou conseguir manter Fef distante dele. Sabe como ela é. Mas se você fosse...

– Você está me propondo que eu apareça de penetra num encontro que você já está indo de penetra?

– Não é um encontro, é uma reunião de amigos ou sei lá. E a Fef ia adorar te ter lá, qual o problema?

– Eridan, isso não é nem...

– Por favor, Kan. Quantas vezes foi que te pedi um favor? E se não quer fazer isso por mim, faça pela Fef. Você quer que ela termine numa furada?

Kanaya suspirou.

– Se é assim, estarei lá.

– Ótimo! - Eridan sorriu satisfeito.

Tavros

Ele e Vriska estavam almoçando juntos, aproveitando que hoje Tavros tinha aula vaga na faculdade. Os dois se conheciam a bastante tempo. Se encontraram pela primeira vez na creche que frequentavam, lá pelos 6 anos de idade, e desde lá eram amigos... Ou desde lá que Vriska nunca mais deixou Tavros em paz.

Mas ele realmente valorizava a amizade com Vriska... Mesmo que ela tenha feito bullying com ele em todos os anos que ficaram na creche juntos... E as vezes apenas parecia gostar de ser rude com ele... E mesmo que ela tenha sido tecnicamente responsável pelo acidente que deixou Tavros paralítico e a fez perder um braço e um olho, Tavros gostava da companhia dela. E alias, durante muito tempo da sua vida se imaginava namorando-a futuramente... Não que tivesse falado disso com ela alguma vez, nunca faria isso. E de qualquer forma, agora não estava mais certo se gostava tanto dela assim.

Agora os dois estavam em silêncio. Vriska parecia estar meio irritada e Tavros achou melhor deixa-la em paz. Para se distrair, ele brincava com a flor que Gamzee lhe havia dado antes. Por algum motivo, não conseguia para de pensar nele... Parte dele queria conhece-lo melhor, mas outra parte lhe dizia que talvez ele pudesse metê-lo em confusão... Era tão difícil decidir qual parte estava mais certa.

Seus pensamentos foram cortados quando seu celular vibrou. Pegou o aparelho e viu que Nepeta lhe havia mandado uma mensagem. Com um sorriso, respondeu rapidamente a garota.

Vriska notou que Tavros trocava animadamente mensagens com alguém e decidiu se meter.

– Falando com quem? - Perguntou, se inclinando para ver o que ele digitava. Parecia RPG. - Ah, Já sei. A tal amiga dos gatos.

– É, ela mesma. - Respondeu sorrindo. - Ela está me chamando para sair com ela e os amigos.

– Ah, sim... - Vriska respondeu sem muito interesse. Um bando de perdedores que gostam de desenho animado e coisas infantis do tipo se encontrando? Não era para ela, com certeza. - Qual era mesmo o nome dela?

– Nepeta.

Ao ouvir o nome, algo clicou na mente de Vriska e a fez sorrir maliciosamente.

– Hmm, Nepeta? Então eu conheço ela.

– Conhece? - Ele parou de digitar a mensagem que ia mandar e olhou para Vriska, curioso.

– Ela estuda na minha faculdade. - Se esticou e tirou o celular das mãos do garoto, pegando-o de surpresa.

– Uh... O que você vai fazer? - Ele perguntou, incerto se devia puxar o celular de volta ou não.

Ela olhou para ele com um sorriso.

– Nada. E só que agora eu vou nesse encontrinho de perdedores de vocês. - Ela jogou o celular de volta para ele. - Não é ótimo?

– É, uh, acho que sim...

Sollux

Digitou o numero no telefone rapidamente e esperou. No segundo toque ela atendeu.

– E aí, AA? - Cumprimentou, se jogando na cama.

– Oi, Sollux... - Ela respondeu do outro lado.

– Você parece cansada. Aconteceu algo?

– Ah, é minha prima. Ela veio morar aqui... - Ouviu uma estática. Provavelmente ela tinha suspirado.

– Espera, prima? Tá falando daquela sua prima puta?

– Ela mesma.

Franziu a testa.

– Uou, que droga, ehm! Lamento por você.

– Tudo bem. No geral ela até que não fez nada. Ainda. Passa o dia inteiro fora.

– Rodando bolsinha?

Ela ri.

– Não duvido.

– Mas se ela não fez nada por que você tá assim?

– Meu emprego. - Ela grunhiu.

– Pensei que estivesse gostando.

– E estou. Estava. Sei lá. É que... O senhor pra quem eu trabalho tem um filho, já te contei isso, né?

– Aham. - Sollux se mexeu na cama, ficando de barriga para baixo e usando os cotovelos como suporte. - Não era o cara que você nunca tinha visto e tal?

– É mas eu vi e... Ele me incomoda. Ele fica me olhando, sabe.

– Olha tipo só olhar ou olhar tipo tarando mesmo?

– Não, olhando tipo encarar. Não dá para saber exatamente o que ele está pensando.

– … Que cara tenso.

– Eu geralmente não ligo para essas coisas, mas ele conseguiu me assustar.

– Tenta falar com ele...

– Falar o que? Ele não me fez nada, além de me olhar. Nem falar comigo direito ele fala.

– Ah, entendo...

De repente ele escuta um barulho forte de algo caindo no chão do outro lado do telefone e uma exclamação de susto vindo de Aradia, que faz ele se levantar num susto.

– AA? Tudo bem com você? Aconteceu alguma coisa?

– … Eu... Estou. - A voz dela voltou ao normal. - Parece que a minha prima me deixou uma surpresinha no meio das minhas coisas.

– O que?

– Um vibrador.

Sollux ficou chocado por um minuto, sem saber o que dizer exatamente

– Mas que- Por que- Que merda!

– Eu já devia esperar...

Ficaram em silêncio por um tempo. Ele queria anima-la de alguma forma, mas não sabia bem como.

– … Escuta, AA, o KK me chamou para ir no shopping e talz. Não quer ir junto? Vai ser bom pra você, pra desestressar.

– Não sei...

– A gente não se vê a um tempão e é você mesma quem vive me mandando sair de casa... - Ele lembra de algo. - Ah, e a FF vai estar lá também. Tenho certeza de que vocês duas vão se dar muito bem.

– Ah, sim, a garota que você tá tentando ficar. - Ele quase podia ouvir o sorriso na voz dela. - E aí, algum progresso?

Ele franziu a testa se lembrando da ultima vez que a viu.

– Eu teria feito se o irmão dela não tivesse aparecido...

– Que falta de sorte.

– Pois é! O cara é meio riquinho metido, sabe? Sabe AA, acho que o mundo seria mais fácil se eu e você namorássemos.

– Pensei que você tivesse dito que não daria certo porque você não quer ir ao cemitério comigo.

– Ah, que droga, AA! Tem que me lembrar disso? Não dá nem pra eu fingir que tenho amigos normais por um instante?

Ela ri.

– Mas ok, eu vou nesse negócio do KK. Pelo menos para te dar apoio moral com a "FF".

Ele girou os olhos, mas manteve um meio sorriso no rosto.

– Vou mandar uma mensagem pra ele depois, então. Até mais, AA.

– Até, Sollux.

Encerrou a ligação e pegou o celular, mandando logo uma mensagem para Karkat.


Engraçado que eu comecei amando esse capitulo, mas de repente passei a odiá-lo. Não sei dizer se estou satisfeita mas...
Fiquei em dúvida se fazia a Meenah aparecer agora ou não. Eu estava com muitas dúvidas de como escrever ela, mas estou satisfeita com o que saiu.

Falando de outras novidades... Eu estou com planos de fazer uma capa "seria" para essa fanfic. Vai demorar um bocado mas até lá eu devo fazer uns fanarts aleatórios dos personagens. Quem quiser ver, estarão no seguinte tumblr: cuscuzdetapioca (Link no meu profile) Talvez eu poste alguns outros detalhes que não vão aparecer na fic, então quem quiser, fique a vontade.

Próximo capitulo: Quarta-feira/Quinta-feira