Então né, não morri. Desculpa o atraso... Muitas coisas aconteceram, me afastei do fandom, entrei em bloqueio MAS estou de volta e é isso que importa. Ainda não vou poder voltar ao meu ritmo de um capitulo por semana, mas vou ver o que posso fazer... Eu realmente quero terminar essa fic logo, vou me organizar para que isso seja possível.
Capitulo 8
Sollux
Parou em frente a construção e exitou.
- É, cheguei... - Falou ao celular. - Não, não se preocupe. Eu tenho que fazer isso sozinho... Obrigado por ter falado comigo até aqui, AA. Depois te conto como foi.
Desligou o celular num suspiro e entrou pelas portas de vidro da instituição onde seu irmão estava internado. O lugar era colorido, decorado com bom gosto, mas mesmo assim lhe lembrava um hospital. Talvez fossem as moças de uniforme claro correndo para lá e para cá. Se dirigiu à secretária e se identificou, recebendo todas as orientações sobre a visitação. Dentro de pouco tempo, um homem de sorriso simpático apareceu e o guiou até o quarto. Ficava no segundo andar, no numero 203. O homem abriu a porta para ele e o deixou sozinho. Ainda ficou um tempo parado, quase pensando se talvez fosse melhor desistir enquanto era tempo. Balançou a cabeça para afastar esses pensamentos e entrou no quarto. Mituna estava sentado na sua cama, balbuciando algo consigo mesmo, enquanto se balançava repetidamente. De repente, ele notou a presença de Sollux e ergueu o olhar, abrindo um sorriso.
- Sollux!
Ele sorriu de volta.
- Oi, Mituna. - Foi se sentar ao lado do irmão na cama, ou melhor dito, na maca. Embora o quarto tivesse umas pinturas bem feitas, que quase faziam a pessoa se sentir em um jardim muito bonito, ainda não dava para disfarçar que aquilo era de certa forma um hospital – a maca, os aparelhos e as grades na janela não deixavam mentir. - Como está? - Perguntou, sem saber muito bem o que dizer.
- Estou bem sim, é. - Percebeu que ele tinha alguma dificuldade para falar e que tremia muito. O cabelo dele estava tão comprido e cheio de cachos que era difícil de ver seus olhos. E Sollux sabia que debaixo de todo aquele cabelo se encontrava a cicatriz do acidente que o tinha deixado daquele jeito.
Mituna sempre tinha sido uma figura importante na vida de Sollux. Na verdade, os dois eram só meio irmãos. O pai deles era desses que sai fazendo filhos em tudo quanto é parte. Aparentemente era um traficante ou algo do tipo, Sollux nunca chegou a conhecê-lo e nem fazia questão.
Mituna e ele não foram criados juntos. Sollux tinha ido para um orfanato assim que nascera e logo foi adotado. Mas, quando tinha 5 anos, Mituna o achou. Disse que estava procurando os outros irmãos, queria sentir um pouco da família original que nunca teve direito. A maioria estava em orfanatos ou já tinham sido adotados, mas era difícil de achá-los depois que tiravam o sobrenome Captor. Os pais de Sollux pretendiam trocar o sobrenome dele para o da família deles, mas ao ouvirem a história de Mituna, acabaram deixando o sobrenome original, apenas acrescentando o outro. Mituna não morava no Rio, mas vinha visitar Sollux com frequência. Os pais adotivos de Sollux o adoravam e praticamente o adotaram também. Ele já era casado e já tinha Terezi, mas nunca deixava de vir brincar e conversar com o irmão caçula. Sollux sempre o admirou muito. Até que o acidente aconteceu.
- Senti saudades, irmãoziiiiinho. - Disse Mituna com um sorriso débil.
- Eu também. Ah, eu conheci a Terezi outro dia desses.
- Sim, Sim! Terezi princesinha! Não é linda? Igual a mãe.
- Sim, ela é bem legal. E tem razão ela lembra com a Latula.
Na verdade, Sollux só tinha visto Latula uma vez e tinha sido justamente no dia em que Mituna sofrera o acidente.
Seus pais foram avisados do acidente e levaram Sollux até o hospital. Ele tinha por volta de uns 12 anos. Quando chegou, Latula já estava lá e o recebeu. Disse que Mituna estava desacordado. Aparentemente ele estava num barco, que acabou virando e ele bateu a cabeça numa pedra ou algo assim. O estado dele era crítico e os médicos diziam que Mituna jamais voltaria a ser como era, se acordasse. Sollux passou a noite no hospital e Latula ficou com ele o tempo todo, tomando conta dele. Lembrava que ela era uma mulher forte; Não mostrava fraqueza e conversava com os médicos a respeito do marido com calma e ponderação. Só chorou bem tarde da noite, quando achou que Sollux já estivesse dormindo.
- Irmãozinho! - Mituna o chamou, despertando-o de seus devaneios e se pôs a contar uma história um tanto sem sentido, sobre uma vez que tinha fugido do hospital ou algo assim. Sollux sabia que era mentira mas ouviu tudo sem questionar. E no fundo, sentia que Mituna também tinha noção de que nada daquilo era verdade, embora não fizesse sentido pensar assim. O irmão estava vivendo quase que uma realidade paralela agora, como os médicos diziam.
Ficou a manhã toda lá, até que o mesmo homem que o tinha guiado até lá apareceu e disse que o horário de visita tinha chegado ao final. Sollux tinha ficado feliz por ter vindo. Quer dizer, Mituna continuava bem diferente do homem brilhante que era e tirando toda a dificuldade para falar, a tremedeira e os movimentos repetitivos, ele estava bem melhor.
Quando já estava na porta, Mituna o chamou novamente.
- Sollux! - A expressão dele estava estranhamente séria. - 413. Não esquecer. - E voltou a sorrir e a acenar efusivamente. - Volte mais vezes!
Sollux, sem entender muito bem, só franziu a testa e acenou.
Karkat
Se dirigiu ao apartamento de Terezi, como fazia todos os dias a mais de um mês. O porteiro nem lhe lançava mais olhares estranhos, de tão acostumado que estava com a sua presença (claro que Karkat passou a tentar usar umas roupas mais "decentes" para ir até lá, não queria mais ninguém comentando sobre sua "cara de marginal").
Tocou a campainha e esperou que Terezi atendesse. Cruzou os braços. Ela estava demorando, o que não era comum. Já ia se perguntar se seria melhor ter pedido para o porteiro interfonar primeiro quando ela finalmente abriu a porta.
- Até que enfim, ehm! Achei até que você tivesse saído e nem me avisado e... - Tentou passar, mas Terezi bloqueou a sua passagem.
- Karkat. - A expressão de Terezi era estranha, como se estivesse medindo suas próximas palavras. - Eu não sabia que você vinha... Desculpa, mas hoje você não pode ficar aqui.
- … Por que? - Perguntou um tanto confuso.
- Eu tenho... Uma visita importante hoje. Amanha você vem, ok? - Tentou um sorriso, mas não pareceu muito verdadeiro.
- Ah, não, ok. Tudo bem. Eu tenho mais o que fazer de qualquer forma. - Deu de ombros e deu meia volta, tentando fingir neutralidade, mas no fundo se sentia um tanto rejeitado...
Vriska
Batucava os dedos no braço da poltrona, esperando enquanto Terezi ia atender a porta. Ainda não tinha ideia de porque a libriana a tinha chamado ali. Até agora só tinham falado de trivialidades – Céus, até do tempo elas falaram! Vriska sabia que Terezi não ia chama-la só para fazer uma social, mas também não tinha certeza se queria saber os reais motivos.
Se distraiu olhando ao redor. A maioria dos móveis eram novos, tirando a mesa de jantar, que fez Vriska se lembrar de todas as vezes em que almoçara com Terezi e seus pais na infância.
- Pronto. - Terezi chamou sua atenção novamente, se sentando a sua frente, dando um longo suspiro.
Vriska apenas resmungou, sem olhar Terezi diretamente.
- Bom, acho que já posso falar o motivo pelo qual te chamei aqui. - Terezi estava séria, o que por alguma razão fez Vriska se sentir como se estivesse num tribunal. - Agora que nos reencontramos, acho que não tem mais razão para que não resolvamos alguns assuntos pendentes, não?
- Olha, eu já pedi desculpas. - Vriska se adiantou, cortando Terezi, sem vontade de ouvir sermão. - Eu não queria que você tivesse ficado cega, ok? Você sabe disso.
- Não era isso que eu queria falar. - Terezi deu um meio sorriso. - Na verdade, sou até grata.
- Grata? - Vriska a olhou como se fosse louca. Ela não tinha visão em um dos olhos e já não era grata, imagina ser cega dos dois olhos!
- Sim. - Terezi recostou na poltrona, como se pensasse em toda a sua trajetória até o momento. - Não por ser cega, mas pela oportunidade de desenvolver outros lados de mim que eu não conhecia e de me fortalecer como pessoa também. Sinto que sou muito mais independente hoje do que eu seria se enxergasse. E além disso, ser cega me faz ser de certa forma especial. Marcante. - Finalizou seu discurso com um dos seus característicos sorrisos.
Vriska achou graça.
- Se você diz... Mas acho que entendo seu ponto de vista.
- Além do mais eu já fui vingada, não? Seu braço está fazendo um som metálico. O que aconteceu?
- Eu perdi num acidente. E um dos meus olhos também. - Riu da ironia da situação. - Acho que você está mesmo mais do que vingada.
Terezi riu.
- Você não tem jeito mesmo, não é, Vriska? O que foi dessa vez?
- Uma tentativa de dirigir um carro que não deu certo. - O sorriso de Vriska desapareceu. - Mas então é isso? Nós não temos nada uma contra a outra, mas e dai? Fomos proibidas de nos falarmos, não?
Vriska ainda se lembrava das palavras de Latula, mãe de Terezi, naquele fatídico dia. E ainda doíam para falar a verdade.
As duas tinham seis anos na época. Moravam em Brasília, no mesmo codomínio e logo ficaram amigas. Eram quase que irmãs e eram temidas por todas as outras crianças, por serem verdadeiras valentonas. Eram uma dupla incrível e se auto intitulavam "scourge sisters"...
Latula e Aranea aparentemente se odiavam por algum motivo que nenhuma das duas meninas entendiam. Aranea nunca ficava em casa e mal sabia que Terezi era sua amiga. Latula sabia, mas estava decidida a tratar Vriska como sendo uma pessoa diferente da mãe. Latula e Mituna eram como os pais que Vriska gostaria de ter: amorosos, presentes e dedicados. Os dois sempre foram muito legais com ela e a deixavam dormir na casa deles diversas vezes.
Mas tudo acabou por causa de uma brincadeira "inocente".
A avó de Vriska sempre fora uma mulher de gosto e hobbies duvidosos. Um de seus hobbies era o de colecionar armas. A coleção ficava pendurada na parede da cozinha, já que não havia muito espaço no quarto. Não era uma combinação bonita: Uma mistura de pratos de louça pendurados e rifles e revolveres logo acima.
Vriska queria mexer numa das armas, achando que seria o ideal para afugentar as outras crianças do play. Terezi concordou com a ideia e lá foram as duas. Não tinha mais ninguém em casa. Puxaram uma cadeira da sala e Vriska subiu, mas não era alta o suficiente. Precisavam de mais altura. Empilharam vários livros na cadeira e finalmente a altura daria certo. Por via das duvidas, Terezi ficou em baixo, certificando que a pilha e a cadeira ficassem no lugar enquanto Vriska subia. Mesmo com a maior altura, tinha que se esticar até alcançar seu objetivo, um rifle comprido, de aparência pesada. Estava demorando para conseguir pegar e Terezi se impacientou, dizendo que Vriska deveria tentar pegar de outra maneira, teria que chegar mais perto. Tão preocupada em dar sugestões, esqueceu-se de vigiar a cadeira. Vriska foi mais para a ponta e finalmente agarrou a arma mas a pilha perdeu a estabilidade. Tudo foi ao chão. Na queda, Vriska soltou o rifle, que no impacto com o chão acabou disparando. O disparo acertou os pratos de louça, que se partiram em milhares de pedaços, que cobriram as garotas. E alguns desses cacos caíram justamente sob os olhos de Terezi...
Mais tarde no hospital, Terezi estava desacordada, sob o efeito dos calmantes que a deram e Latula estava aflita ao seu lado. Vriska chorava num canto, mas só tinha sofrido alguns cortes superficiais. De repente Aranea chegou, já a par de toda a situação e Vriska correu ao seu encontro. As duas mulheres se encararam e trocaram algumas ameaças e foi quando Latula disse, com os olhos intensos de raiva.
- Eu deveria saber. O sangue Serket é forte demais. - Baixou o olhar para Vriska e depois voltou a encarar Aranea. - Tão ruim quanto a mãe.
Vriska ficou com muta raiva daquilo, afinal, quem era ela para dizer que sua idolatrada mãe não prestava? Mas mesmo assim, aquilo doía, provavelmente pelo modo como havia sido proferido. Depois daquilo, Vriska e Terezi nunca mais voltaram a se falar, por ordem de suas respectivas mães (não que elas quisessem muito depois do que aconteceu). Aranea decidiu se mudar para o Rio, a avó teve que parar de colecionar armas e nunca mais se falou sobre o assunto. Até aquele dia.
- Eu pensei sobre isso também. - Disse Terezi, fazendo Vriska voltar para a conversa em questão. - E eu cheguei a conclusão de que não me importo. Não sei o que nossas mães têm uma contra a outra, mas nós somos pessoas diferentes. Acho ridículo sairmos por ai e ignorarmos a presença uma da outra. - Abriu um sorriso. - O que acha? Vamos voltar a ser Scourge Sisters?
Vriska não pode deixar de sorrir também e dar de ombros.
- Não vejo porque não.
Terezi estendeu a mão.
- Amigas, então?
- Amigas. - Vriska apertou a mão da outra, selando o pacto.
Kanaya
Estava voltando para casa a pé depois de umas compras rápidas no armarinho da esquina quando viu uma figura familiar se aproximando. Apertou os olhos, tentando identifica-lo. Era Karkat! Se lembrava dele do dia da pizzaria, embora nunca tivessem se encontrado depois daquilo. Tinha simpatizado com ele e os dois tinham conversado um pouco naquele dia. Mas ele não parecia nada bem... Estava cabisbaixo e chutava as pedras no seu caminho, sem nem parecer perceber para onde estava indo.
Kanaya queria se aproximar mas não sabia se devia... Hoje mesmo tinha pensado em como não queria mais se intrometer na vida dos outros sem ser convidada! Mas ainda assim, a vontade de ajudar era tanta... E se ela pudesse fazer com que ele se sentisse melhor?
- Karkat? - Chamou-o, se aproximando.
Ele pareceu surpreso ao ouvir seu nome e despertou de seus devaneios, piscando algumas vezes.
- Ah, oi, Kanaya. Tudo bem?
- Sim estou, Obrigada. E quanto a você? - A preocupação na sua voz era visível.
- Também. - Disse, encolhendo os ombros e colocando as mãos nos bolsos.
- … Quer conversar? - Perguntou, estudando a postura do rapaz.
Karkat olhou para o lado, parecendo irritado com a pergunta. Quando Kanaya achou que ele ia negar, ele voltou a olhar para ela, decidido.
- - Quero.
Equius
Bateu repetidas vezes no saco de areia, de modo que já estava até forçando a corda. Parou, ofegante. Sua raiva já tinha passado e se sentia muito melhor agora. Droga. Só mesmo Vriska para mexer com sua estabilidade assim. Se virou para ir embora quando deu de cara com Nepeta, que observava tudo.
- Ah, Nepeta, eu... - Se sentia na necessidade de se justificar, não queria que ela o visse sendo tão violento.
- Teve um dia ruim? - Ela perguntou, sorrindo.
- … Um pouco. - Pegou uma toalha que tinha deixado num canto, enxugando o suor. - O que faz aqui?
- Treinando, oras, o que mais? - Disse ela indicando seu uniforme de judô. - E falando nisso, que tal um mano a mana?
Equius ficou um tanto desconfortável.
- Mas eu não luto judô há muito tempo, não creio que eu me lembre muito bem dos movimentos.
- E quem falou em judô? Quero testar o meu nível contra um lutador de MMA!
- Isso não é uma boa ideia... Eu posso te machucar sem querer...
- Eu tenho cara de indefesa para você? - Ela perguntou irritada.
Equius deu um longo suspiro, colocando a toalha e os óculos escuros de um lado e se encaminhando para o tatame. Nepeta deu um pulinho e correu para lá também, se pondo em posição de combate. Esperou que ele desse o primeiro golpe. Equius, ainda com medo de machucá-la, apenas tentou dar um soco alto, que sabia que ela desviaria. Ela de fato desviou, com um rolar de olhos. Ela tentou se aproximar para aplicar um golpe, mas ele percebeu e se afastou antes que ela conseguisse. A estratégia dele era não dar uma brecha para Nepeta e ao mesmo tempo mantê-la distante, sem machucá-la.
Nepeta era bem mais ágil que Equius, embora os golpes dele fossem precisos e ela desviava de tudo. Já estava ficando cansada daquilo e sabia qual a estratégia que Equius estava usando. Preferia que ele lutasse "de verdade" mas sabia que ele não ia concordar. De repente, teve um ideia e se afastou dele, um pequeno sorriso travesso nos lábios. Ele estreitou os olhos azuis, tentando entender o que ela faria e se colocou em posição de defesa. Ficaram assim por alguns segundos, até que Nepeta tomou impulso e pulou em cima dele, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e caísse.
- Ganhei! - Ela anunciou entre risadas, ainda em cima dele.
- E desde quando isso é um golpe válido? - Ele reclamou, mas sorria também.
- Regras da zona norte! - Ela rolou para ficar deitada ao lado dele.
Os dois ficaram um tempo assim, apenas relaxando.
- … E aí? - Nepeta começou, com um certo tom travesso.
- O que? - Perguntou, embora soubesse bem o que Nepeta queria com aquele tom.
- Algum avanço com a Aradia?
Equius bufou.
- Por que sempre temos que falar sobre isso? Por que não falamos de você? - De repente ele percebeu algo. - Faz tempo que você não me fala do Vantas. Alias, desde aquele dia na pizzaria.
- Ah, sim, isso... - Nepeta brincava com a faixa do uniforme enquanto falava. - Eu descobri que não gostava dele. Quer dizer, gosto. Mas da mesma forma como eu gosto de você, entende? - Olhou de esguelha para o melhor amigo, que franzia a testa. - Mas eu gosto mais de você, não se preocupe! - Disse rindo. - É só que não era amor... Não como eu achava que era...
- Entendo... - Equius não sabia bem o que dizer. Será que isso era bom? Bem, por ele, era melhor, não tinha ido com a cara daquele... Favelado. Nepeta merecia coisa melhor. Bem melhor.
- Mas sabe o que isso significa? - Os olhos dela brilharam.
- Ahm... Não?
- Significa que eu vou poder me dedicar 24 horas ao seu caso com a Aradia! E nem me olhe com essa cara, já falei que vocês são minha nova OTP! E falando nisso... Já sei qual será o próximo passo!
- E qual será? - Perguntou sem levar muita fé.
- Eu vou falar sobre você com ela... Pode deixar comigo... - Ela pareceu pensativa. - Mas você não pode falar nada com ela até eu falar que pode, ok? - Falou com gravidade. - Nem. Uma. Palavra.
- Pode deixar. - Girou os olhos.
- Sério, Equius. - Ela botou as mãos no rosto dele, forçando-o a olhá-la nos olhos. - Não diga nada sem falar comigo primeiro. Me prometa isso.
- Eu prometo. - Usou o mesmo tom sério que ela. - Agora vamos embora antes que fique muito tarde.
- Aaah, não, eu estou bem aqui!
Equius se sentou e tentou puxá-la, mas ela se encolheu no chão.
- Nepeta, por favor, seja razoável.
- Me obriga! - Mostrou a língua.
Ele ergueu uma sobrancelha, considerando suas opções. Se inclinou e sacudiu os cabelos molhados de suor sobre ela, que rapidamente rolou para longe e levantou num pulo. Ela odiava quando ele fazia isso.
- Ew, Equius! Que nojento! Isso não vale!
- Claro que vale. - Disse ele se levantando, tentando esconder o sorriso. - Regras da zona sul.
Nepeta riu, esquecendo-se completamente que estava brava e correu atrás dele.
Karkat
Ele estava no apartamento de Kanaya. O condomínio não era tão grande quanto o de Terezi, mas podia dizer que com certeza valia mais do que poderia pagar juntando todas as economias que tinha em casa. Além disso, a decoração do lugar era finíssima, ficava até sem graça de ficar li, estragando a decoração.
- Pode se sentar. - Kanaya indicou o sofá. - Quer beber alguma coisa?
- Água seria bom. - Respondeu indo se sentar no sofá creme.
Dentro de poucos instantes, Kanaya voltou e lhe entregou o copo.
Karkat bebeu alguns goles e deixou o copo sob a mesinha de centro, olhando para os lados, curioso.
- Você mora sozinha?
- Não, moro com a minha mãe. Mas ela não está aqui no momento, ela é obrigada a viajar muito por causa da profissão dela.
- Ah, sim...
- E você? Se me permite a pregunta, claro. - Aproveitou para saciar sua curiosidade.
- Não, de boa. Eu moro com meu padrinho. - Deu de ombros.
- E seus pais?
- Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe... Meu padrinho disse que meu pai pediu para que ele cuidasse de mim até ele voltar... Mas eu aposto que o filho da puta me abandonou, isso sim! Meu padrinho odeia que eu fale mal dele, mas foda-se, se ele fosse mesmo um pai de verdade deveria estar aqui comigo. Minha mãe deve ter morrido ou algo assim, ninguém sabe muito dela.
- Entendo... Eu também não tenho pai. Quer dizer, não na teoria. Minha mãe optou por fazer uma criação independente, então somos só eu e ela. E a minha avó, que sempre a apoiou e a ajudou muito.
- Nossa... Deve ter sido difícil.
- De fato, ainda mais com o emprego dela. - Disse, cruzando as pernas e olhando as próprias mãos. - Mas fico feliz que ela tenha tomado essa decisão... Minha mãe é uma mulher muito corajosa... Não sei se eu teria feito o mesmo.
- Você admira ela. - Não foi uma pergunta.
- Evidentemente. - Voltou a olhar para ele. - Ela é... Uma mulher incrível...
Karkat riu.
- Não, sério, Kanaya. Você já é incrível.
- Você nem me conhece a tanto tempo para poder afirmar isso. - Reclamou, mas não deixou de sorrir.
- Já conheci o suficiente para saber disso. E isso de "admirar os mais velhos" é palhaçada. Sério. A gente vai ver e eles são tão fudidos quanto nós, as vezes até mais.
Kanaya riu da maneira dele de se expressar.
- E então? Vai me dizer o que estava te incomodando.
Karkat grunhiu, afundando no sofá.
- Nem é tão importante assim no final das contas... Eu só tava meio puto porque aparentemente meus amigos nunca tem tempo pra mim...
- Como assim?
- Ah, sei lá! Talvez eu só esteja me sentindo rejeitado porque a Terezi me mandou embora hoje.
- Porque ela faria isso? - Kanaya ergueu uma sobrancelha.
- Como vou saber? Ela disse que tinha uma visita hoje e que eu não poderia ficar lá.
Algo clicou na mente de Kanaya.
- Vriska.
- Ehm? - Franziu a testa, confuso.
- Vriska me disse que Terezi tinha a convidado para ir na casa dela hoje.
- Ah... - Ficou mais aliviado em saber disso. - E o que essas duas têm, afinal?
- Não sei bem... Mas espero que elas se resolvam. - Suspirou.
- Bom, se era verdade tudo bem... Mas porque ela não me disse isso? Porra, eu não sou confiável o suficiente?
- Talvez ela só quisesse manter isso em particular por enquanto... Deve ser um tópico complicado para ela. Ela vai te contar quando estiver pronta.
- É, é, eu sei. - Esfregou as mãos nervosamente no rosto. - Na verdade eu nem sei porque estou assim. É só que... - Deixou os braços caírem. - Eu não quero ser deixado pra trás.
- Por que você seria deixado para trás?
- Argh, não sei! Que merda, odeio conversa sentimental! - Se exaltou por um momento, mas se acalmou e voltou ao tom normal. - Eu sempre faço tudo por todo mundo, tento ajudar e parece que eles só me procuram quando tem problemas! Quando estão bem, eles têm outras pessoas para compartilhar as felicidades... Mas agora nem os problemas eles andam dividindo comigo... - Olhou para ela, como se esperasse que ela tivesse a resposta para tudo. - O que foi que eu fiz de errado?
- Nada. As pessoas são assim. - Suspirou novamente. - Eu entendo como você se sente. Eu sempre fui a conselheira dos meus amigos. Sou aquela que todos procuraram para fazer favores e desabafar, mas... Ultimamente, acho que andei me metendo demais na vida alheia. Vriska... Vriska disse para eu parar de dar opinião na vida dela sem ser chamada.
- Ei, ei, Kanaya! Não fica assim! É obvio que essa Vriska é uma vaca e você não devia dar ouvidos a ela! O que tem de errado em tentar ajudar? Porra, nada!
- Obrigada, Karkat. - Ela sorriu. - Mas é difícil, não é? Ser aquele que ajuda a todos... E no final...
- Não tem ninguém para te ajudar quando você tem problemas. - Completou Karkat.
Os dois sorriram um pro outro. Talvez tivessem acabado de encontrar a solução de seus problemas.
Aradia
Ela estava checando as atualizações do facebook quando recebeu uma solicitação de amigo. Tavros Nitram. Se animou com isso, fazia tempo que queria falar com ele. Os dois tinham se dado muito bem naquele encontro no shopping e tinham prometido manter contato. Aceitou o convite e foi logo abrindo uma janela de bate papo.
Aradia Megido: oi! 0u0
Aradia Megido: quanto tempo
Tavros Nitram: Sim, verdade :]
Tavros Nitram: Como está?
Aradia Megido: bem e você
Tavros Nitram: tAMBÉM
Tavros Nitram: Uh, também*
Tavros Nitram: Ah, eu vou colocar as fotos daquele dia no face agora
Aradia Megido: oh claro
Tavros Nitram: desculpa a demora em fazer isso, fiquei dois meses sem internet :(
Aradia Megido: nossa 0_0
Aradia Megido: mas sem problemas não se preocupe
Enquanto falava com ele, foi ver as fotos que ele tinha colocado. Eram todas tiradas de celular e nem estavam tão boas, mas era bom lembrar daquele dia, que no final das contas, tinha sido bastante divertido.
Tavros Nitram: uH, vou fazer uma pergunta estranha mas
Tavros Nitram: Você conhece alguém que conheça bem a biblioteca nacional?
Aradia Megido: eu vou lá bastante 0u0
Aradia Megido: por que
Tavros Nitram: eU PRECISO IR LÁ POR CAUSA DA FACULDADE,
Tavros Nitram: mAS EU NÃO CONHEÇO NADA LÁ, ESTOU COM MEDO DE NÃO CONSEGUIR ACHAR AS COISAS :(
Tavros Nitram: Uhh, foi mal pelo caps****
Aradia Megido: hm lá é bem tranquilo na verdade
Aradia Megido: mas se quiser eu vou com você!
Aradia Megido: seria muito divertido
Tavros Nitram: Mas não vou te atrapalhar?
Aradia Megido: não imagina 0u0
Aradia Megido: eu só não posso alguns dias da semana
Aradia Megido: quando você esta pensando em ir
Tavros Nitram: nA QUINTA
Aradia Megido: ok então nos vemos lá
Tavros Nitram: Obrigado :]
Tavros Nitram: Agora vou ter que sair, tenho trabalhos da faculdade para fazer ainda,,,
Tavros Nitram: Tchau,
Aradia Megido: tchau 0u0
Fechou a janela e ficou só olhando as fotos, rindo das palhaçadas que seus amigos fizeram. Parou em uma que estava até que bem bonita, dela, Sollux e Karkat juntos.
- Esses são seus amigos? Tão patéticos quanto você. - Falou uma voz logo atras dela, e nem precisava se virar para saber que era Damara.
- Por favor, Damara... - Tentou ser educada.
- Que foi? Não gosta da verdade?
Já ia retrucar alguma coisa quando ouviu sua mãe chamar. Levantou-se da cadeira, trocando um último olhar atravessado com Damara e foi ver o que a mãe queria.
Damara observou a prima se afastar e depois de ter certeza que ela estava longe, sentou-se no computador, rapidamente salvando a imagem e colocando para imprimir.
- Parece que a priminha inútil não era tão inútil assim.
Pegou a foto impressa, dobrou e guardou no sutiã, apagando qualquer registro de que tinha feito algo no computador antes de se levantar.
- O mundo é mesmo pequeno. - Disse sorrindo, consigo mesma e se afastando. Tinha muito o que fazer agora.
Em relação a esse capitulo, eu estava bastante indecisa sobre o que fazer com o Mituna. tentei fazer as falas dele de varias formas diferentes, mas acabei me decidindo por deixar normal... Espero que tenha funcionado. A Damara, já que ela não fala japonês, eu tentei dar falas curtas/diretas para ela... Não acho que tenha ficado muito perceptível na verdade...
Espero que tenha sido do agrado de vocês.
(E eu adoraria ouvir teorias sobre o que a Damz quer com essa foto, just saying. )
