Dia 2

A segunda parte foi ridiculamente fácil, porque já a estava fazendo sem nem mesmo perceber: falar no mesmo ritmo.

O entusiasmo de Tony era contagiante, era impossível não entrar em sua órbita. Por um instante, Bruce ponderou quem realmente estava seduzindo quem, mas chegou a conclusão de que não importava.

Toda questão da programação neurolinguística é que não se trata de fingir ou agir de um modo diferente, é simplesmente um questão de fazer conscientemente aquilo já faria em um relacionamento, talvez acelerando um pouco as coisas. Se estava se sentindo bem e agindo de modo natural, era porque estava fazendo a coisa certa.

E Tony, bem... Tony parecia mesmerizado. Quando estavam conversando, ignorava todas as outras pessoas ao seu redor. O que era meio embaraçoso. Quando teve de o avisar que Steve estava gritando com ele há uns bons cinco minutos em uma das reuniões, e percebeu que ele genuinamente não fazia ideia disso, pensou que talvez tivesse ido longe demais. Mas o prêmio era alto demais para que pudesse desistir. Talvez nunca mais fosse encontrar outra pessoa que o aceitasse por quem era, e que fosse tão parecido (ainda que tão diferente) de si mesmo.

E a satisfação de saber que Tony jamais havia ficado assim por culpa de outra pessoa também era boa demais para desistir.