O Golpe Final

Bruce desviou os olhos, sentindo seu rosto corar involuntariamente. Inspirou e expirou lentamente duas vezes, antes de erguer novamente o rosto. E então, olhando fixamente nos olhos de Tony, repetiu o processo mais uma vez.

Não era nada demais, só estava respirando. Mas estavam tão próximos, e Tony já estava tão tomado pelo desejo que foi impossível resistir. Antes que Bruce terminasse a terceira expiração, puxou-o para junto de si e beijou-o.

Teria sido um beijo cheio de paixão e o início perfeito para seu relacionamento, se ao menos Tony tivesse escolhido um momento um pouquinho melhor. Já estando quase sem ar nos pulmões, Bruce começou a lutar para respirar depois de apenas dez segundos, precisando empurrar Tony em busca de ar.

Essa não era a reação que o engenheiro esperava, e fez com que repensasse tudo o que tinha feito. Teria interpretado errado os sinais? Mas a confusão durou pouco, porque assim que recuperou o fôlego, Bruce envolveu seu pescoço com os braços e puxou-o para um beijo, dessa vez sim, completamente apaixonado.

Bruce não entendia como tivera a coragem de fazer isso, mas estava feliz por ter arriscado. E isso era o mais próximo de um pensamento racional que sua mente podia chegar enquanto a língua de Tony explorava avidamente sua boca.

Passaram alguns minutos assim, parando ocasionalmente para respirar, até que as mãos de Tony começaram a ir para lugares perigosos e Bruce teve de o interromper.

"Tony." começou Bruce afastando-se levemente do outro. "Nós precisamos conversar."

"Conversar só complica as coisas." disse Tony contra seu pescoço, para depois começar a depositar uma série de beijos ali.

"Tony." repetiu com uma voz um pouco mais séria, sem causar grande efeito. "Tem uma coisa que preciso dizer sobre o Outro Cara."

Isso pareceu ao menos conseguir a atenção de Tony, mas não o suficiente para que se afastasse.

"Agora?" perguntou quase em um protesto.

Bruce sentiu-se corar violentamente enquanto se preparava para o que iria dizer a seguir. Temia estar adiantando as coisas, mas era algo que precisava dizer.

"Não sei se iria me transformar durante... Bem, não sei se... Sabe? Se iria..."

"Se sexo faria você virar o Hulk?" sugeriu Tony erguendo uma sombrancelha.

Bruce gostaria de poder cavar um buraco bem fundo para se esconder, preferencialmente um que fosse até o centro da terra. Começou a pensar que talvez Tony nem estivesse planejando dormir com ele. Sentiu-se ainda pior quando Tony completou: "Você se transformou das outras vezes?"

É claro que Tony se referia as outras vezes em que fez sexo desde que virou o Hulk. E não sabia como responder.

"Eu não... Desde o acidente eu não... Achei que seria muito perigoso e que ninguém iria querer estar comigo, então... Eu não dormi com ninguém desde o acidente."

Essa declaração pareceu ter verdadeiramente chocado Tony, que olhava para ele como se alguém tivesse acabado de contar que todos os filhotes do mundo seriam transformados em hamburguers.

"Isso é um absurdo! Precisamos reparar isso imediatamente!" e voltou a beijar Bruce avidamente, enquanto procurava tirar o cinto dele sem afastar seus corpos nem um milímetro.

Não era a reação que esperava, e deixou-se levar por um momento antes de perceber que não haviam discutido os riscos.

"Tony, espera. Estou falando sério, posso me transformar e acabar matando você."

Tony rolou os olhos teatralmente. "O Hulk é acionado pela raiva, certo? Posso fazer funcionar sem raiva. Se é o que você precisava, vamos fazer doce doce amor tão gentilmente que corações cor-de-rosa vão começar a voar espontaneamente ao nosso redor."

Era uma imagem mental estranha, mas Tony não estava acostumado a ser rejeitado. E esse era seu modo de dizer que podia ser gentil.

"Não é só uma questão de raiva." disse ignorando o resto da proposta. "Também tem a questão da aceleração dos batimentos cardíacos."

"Ok, entendi. Posso trabalhar com isso, doce doce amor como um casal de noventa anos. Seus batimentos não vão passar de oitenta. Noventa, no máximo."

Bruce levantou uma sombrancelha, supreso com a criatividade de Tony. Ainda estava preocupado, mas era difícil encontrar argumentos enquanto seus corpos estavam tão próximos. Quando Tony se afastou apenas o bastante para pegar um mini medidor de batimentos cardíacos de uma gaveta e colocar em um de seus dedos, desistiu de protestar e sorriu.

"Nada acima de noventa batimentos." declarou, cedendo.