Capítulo 12 – Todo dia é dia das mães. Todo dia é dia do amor

Abby voltou à recepção para deixar seu último prontuário e apagar seu nome do quadro, outro plantão que havia terminado, ela não podia negar que a cada dia seus plantões se tornavam mais cansativos, o mais simples dos casos era capaz de deixá-la exausta.

Sua rotina de trabalho foi mudando completamente conforme a gestação ia avançando, mas com 37 semanas de gravidez completas, nem os plantões reduzidos, nem os casos mais simples conseguiam evitar os pés inchados, dores nas costas, e a vontade de ir ao banheiro o tempo todo.

Mesmo com todas as mudanças e com todos os cuidados que o staff insistia em ter com ela, Abby sabia que estava na hora de parar, era praticamente impossível continuar trabalhando com aquele barrigão. Suspirou terminando de apagar seu nome do quadro, decidida a conversar com Weaver no dia seguinte.

Ela caminhou até o lounge para poder pegar suas coisas e ir para casa, depois de um dia cansativo como aquele, tudo o que conseguia pensar era em tomar um banho quente e relaxante, e ver um bom filme aconchegada no sofá.

Mas assim que abriu a porta se surpreendeu ao ver o lounge decorado com algumas bexigas e uma faixa, e quase todo o staff lá dentro.

"Feliz dia das mães Abbs". Morris disse vindo em sua direção para lhe dar um abraço.

Abby havia esquecido completamente que era Dia das Mães, aquilo nem ao menos tinha passado pela sua cabeça, assim como aquela pequena festa surpresa no lounge, ela nem tinha desconfiado que eles houvessem planejado aquilo tudo.

Ela tentava respirar e controlar as lágrimas em seus olhos enquanto todos a abraçavam e lhe entregavam os presentes que haviam comprado, a maioria para o bebe.

Abby já tinha deixado algumas lágrimas caírem quando terminou de receber os presentes, todos do hospital tinham a surpreendido quando ela os comunicou sobre a gravidez, todos tinham respeitado sua decisão, e o mais importante, estavam a apoiando desde o primeiro momento.

"Eu... Eu queria dizer uma coisa". Abby disse limpando algumas lágrimas dos olhos enquanto todos a olhavam. "Vocês estão sendo ótimos comigo desde o começo...". Ela respirou fundo. "Eu aprecio muito vocês terem respeitado a minha decisão, eu acho que, o que eu estou tentando dizer é obrigado, não só por esses presentes, mas por tudo o que vocês tem feito por mim".

Luka suspirou e olhou o relógio na parede. "Vrijeme smrt 22:19" (Hora do óbito 22:19). Se afastou da maca tirando as luvas e os scrubs amarelos.

Apesar de saber que a idade e todos os outros fatores não eram favoraveis, a morte daquela paciente tinha o deixado incomodado.

Ele saiu da sala de trauma e foi ao encontro do marido que aguardava na sala de espera.

"Gospodin Petrović, jesam doktor Luka Kovac" (Sr. Petrović, eu sou Dr. Luka Kovac).

O senhor concordou com a cabeça, de certa forma já sabia que as noticias de Luka não seriam boas.

"Mi teretiti tvoja supruga, raditi sve taj mi konzerva, jedva mi cviljenje snimiti nje". (Nós tratamos a sua esposa, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, mas não conseguimos salva-lá).

Uma única lagrima percorreu o rosto dele. "Konzerva ja gledati nje?". (Eu posso vê-la?).

Luka concordou com a cabeça e o acompanhou até a sala de trauma.

"Jako mi je zao". (Eu sinto muito). Ele disse enquanto Petrović tocava ternamente o rosto da esposa.

"Hvala lijepa" (Muito obrigada). Petrović tirou o colar que a esposa tinha em volta do pescoço e mostrou para Luka. "Konzerva ja dobiti ovaj?". (Eu posso ficar com isso?).

Luka concordou com a cabeça de novo "Za sigurno". (Claro).

Petrović foi caminhando vagarosamente atéa porta, mas antes de sair parou e se virou, tirou o colar que usava do pescoço, pegou o que estava em seu bolso e caminhou novamente até Luka.

"Sakri od drugih". (Fica com isso) Ele disse abrindo sua mão, colocando os dois colares lá e e depois fechando.

"Ja cviljenje". (Eu não posso) Luka disse tentando devolver.

"Molim, ja znam vama jubav jako puno neko, kao ja jubav moje supruga, pohabati neki i dati drugi nje". (Por favor, eu tenho certeza que você ama muito alguém, assim como eu amo minha esposa, use um e dê o outro a ela).

Luka instantaneamente lembrou de Abby e esboçou um pequeno sorriso. "Hvala". (Obrigado).

O velho senhor sorriu também e logo em seguida saiu da sala.

Luka olhou para os dois colares em sua mão, toda aquela distancia e todo aquele tempo, ainda não tinham o ajudado a tirar Abby do seu coração, e nem ao menos da sua cabeça.

Algum tempo depois Abby chegou em casa com todas as sacolas que havia ganhando do staff do P.S.

A primeira coisa que fez, foi ir até o quarto de Melanie, que já estava pronto, e deixar tudo lá. Ela pensou em tomar banho primeiro, mas não resistiu e começou a abrir os embrulhos.

Roupinhas, brinquedos, sapatinhos, tudo o que ela podia imaginar, alguém tinha comprado.

Ao abrir o último pacote encontrou um vestidinho lilás, tão pequeno e delicado, um sorriso foi se formando em seu rosto ao imaginar sua garotinha o vestindo. A imagem de Melanie trazia também a lembrança de Luka, mas ela sabia que seria sempre assim, sempre que a olhasse lembraria dele, seu sorriso, seus olhos, com certeza eles estariam estampados em Melanie.

Luka chegou em casa depois de seu plantão, ainda pensando em Abby, ela não tinha saido da sua cabeça nem por um segundo depois de ter conversado com aquele senhor.

Por que era tão dificil até mesmo ficar sem pensar nela? Mesmo com toda a distancia, ele sabia que esquecê-la seria dificil.

Luka tomou um banho longo e logo em seguida deitou-se. Olhou para os colares em cima do criado-mudo ao lado da cama, enquanto alguns pensamentos iam fluindo em sua cabeça.

Pegou um deles, colocou em volta do pescoço e segurou o outro na mão, talvez ele não devesse mandar pra ela, sua cabeça dizia aquilo, mas ao mesmo tempo seu coração dizia o contrario.

Esperar, aquela era a melhor coisa a se fazer, algum dia ele conseguiria chegar a uma decisão. Abriu a gaveta e colocou o outro colar dentro de uma caxinha, ele só precisava esperar para chegar nas mãos da pessoa certa.