Capítulo 16 – Maybe She'll Tell Him, Maybe She Won't

A mãozinha de Melanie ainda segurava o dedo indicador de Abby, mesmo depois de ter pegado no sono. Poucas eram às vezes em que ela conseguia pegar no sono se não estivesse segurando o dedo de Abby.

Abby sorria enquanto a assistia dormir, tirou o dedo delicadamente de sua mão, tentando não acorda-la e levantou da poltrona. Deu um pouco de corda no móbile acima do berço, que logo começou a tocar uma suave melodia.

Ela já estava quase saindo do quarto quando ouviu a campainha tocar.

"Droga". Sussurrou caminhando mais rápido tentando chegar na sala antes que o barulho acordasse Melanie.

Com a respiração um pouco ofegante, abriu a porta tentando imaginar quem estaria ali.

"Abigail Lockhart?". Perguntou um rapaz parado do outro lado da porta.

"Eu mesma...".

"Encomenda para senhora". Ele disse passando um envelope para mão de Abby. "Você pode assinar aqui?".

"Claro". Ela assinou o papel e devolveu a prancheta para o rapaz. "Obrigada".

Um pouco intrigada, fechou a porta e se sentou no sofá, não se lembrava de estar esperando alguma encomenda. Antes de abrir checou o remetente. – Zagreb, Croácia – Luka, só podia ser ele.

Com uma paciente que raramente tinha, Abby abriu o envelope delicadamente, tentando não estragar o que pudesse estar ali dentro.

Abrindo uma pequena caixinha, encontrou um belo colar, visivelmente feito à mão, o pingente em forma de coração feito de madeira e a corentinha feita de um fio delicado.

Ela entrelaçou o fio nos dedos e segurou o pingente na mão, não conseguia lembrar de ter visto algo tão simples delicado como aquele colar.

Como num passe de mágica, centenas de incertezas começaram a entrar em sua mente, tantas perguntas sem respostas. O que afinal eles dois estavam fazendo? Se Luka estava tão longe tentando seguir em frente com sua vida, por que mandaria para ela um colar que com toda certeza tinha algum valor sentimental?

E o que ela estava fazendo? De repente era como se toda a certeza dos últimos meses tivesse desaparecido com um estalar de dedos. Talvez estivesse errada, talvez tudo aquilo fosse um grande erro, por que ela estava escondendo tudo aquilo dele afinal?

Completamente incerta, Abby pegou o telefone, e vagarosamente começou a discar os números, mas antes mesmo de terminar colocou o telefone de volta no gancho.

Ela iria mesmo fazer aquilo?

Abby respirou fundo antes de pegar novamente no telefone, dessa vez discou os números mais rápido, sem chance de desistir.

"Zdravo?". (Alô?). Disse uma voz algum tempo depois, e ela não precisava de muito para saber que aquela era a voz dele.

"Será que você ainda fala inglês?". Ela disse num tom de brincadeira.

"Abby?". Luka perguntou completamente surpreso. "É você?".

"Yep, sou eu...". Ela deu uma breve olhada para o colar em sua mão. "E adivinha só? Eu acabei de receber uma encomenda da Croácia".

"Sério?". Ele perguntou com um sorriso nos lábios.

"Obrigada Luka". Ela disse sorrindo também.

"Como você sabe que fui eu? O número de habitantes aqui é grande".

"Bom, na verdade, eu acho que eu não tenho muitos amigos croatas que me mandariam um colar tão bonito como esse".

"Você gostou?".

"Eu adorei, é muito lindo".

"Eu ganhei de um paciente alguns meses atrás, ele me disse que eu deveria ficar com um, e dar o outro pra uma pessoa especial".

"Então eu posso me considerar uma pessoa especial?".

"É, já que eu não tinha outra escolha". Ele disse caçoando dela.

"Rárá, muito engraçadinho". Ela disse tentando segurar o riso.

"Eu só estou brincado, você sabe que é muito especial".

Aquelas palavras saíram de sua boca, antes que ele pudesse ter dimensão de seu significado.

Um longo silencio começou a se formar, nenhum dos dois sabia ao certo o que dizer.

Agora era a oportunidade dela, só precisava dizer, respirando fundo mais uma vez, na tentativa de buscar um pouco de coragem, foi buscando algumas palavras em sua mente, algo que pudesse explicar o que estava acontecendo.

"Luka eu... Eu... Preciso te dizer uma coisa".

Mas antes que ela pudesse o ouvir, uma outra voz apareceu na linha, uma voz que ela não conhecia, uma voz de mulher.

"Luka, ljubavi konzerva vama pomagati unutra ovamo?".

Aquelas palavras entraram rapidamente em sua mente, mas somente uma chamou sua atenção – Ljubavi – meu amor, ela conseguia lembrar claramente do dia em que ele havia lhe ensinado o significado daquela palavra.

"Abby?". Luka chamou para ter certeza que ela ainda estava ali.

Naquele momento Abby começou a se sentir como uma tola, é claro que ele já deveria estar se relacionando com outra mulher, o tempo tinha passado rapidamente e ela mal tinha notado.

Finalmente a incerteza tinha se transformado em certeza, ela não podia contar, não podia simplesmente brincar com a vida dele, como se estivesse em seu controle.

"Eu... eu preciso ir...". Abby disse procurando as palavras.

"Abby, você está bem?".

"Aham, estou bem, mas eu preciso ir, tchau Luka".

"Abby, espera!"

"Eu preciso ir...".

"Tchau". Ele conseguiu responder rapidamente antes que ela desligasse.

Luka encarou a parede distraído, ainda estranhando a súbita reação de Abby.

"Ljubavi? Vi ste kazna?". (Meu amor? Você esta bem?).

Sua atenção foi desviada para sua tia, que estava parada na sua frente.

Ele concordou com a cabeça. "Da, dobro sam". (Sim, eu estou bem).

"Je tja cura ponovo". (É aquela garota de novo?). Marija perguntou sentando ao lado dele.

Luka concordou com a cabeça novamente, deslizando no sofá.

"Ja nemoj nalik gledati vama patiti". (Eu não gosto de ver você sofrendo). Ela disse pegando na mão dele. "Vama potreba prona'ci ono". (Você precisa resolver isso).

Ele fechou os olhos pesadamente, deixando os pensamentos fluírem novamente.

Abby colocou vagarosamente o telefone no gancho, sem acreditar muito bem que quase tinha contado tudo a ele.

Ela deslizou no sofá tentando entender o que tinha acabado de acontecer, não pensou que se sentiria assim, mas a verdade era que doía saber que Luka estava com outra.

Agora Abby tinha certeza que estava fazendo a coisa certa, ele já tinha seguido em frente com a sua vida, e ela não podia fazer, mas nada, o controle da vida dele não estava em suas mãos.

Dando um longo suspiro, ela fechou os olhos tentando evitar as lágrimas que queriam cair, era estupidez se sentir assim, afinal o que ela esperava que ele estivesse fazendo lá?

Seus pensamentos foram interrompidos por um choro baixinho que começou a vir da baba eletrônica, ela respirou fundo, tentando tirar tudo aquilo da cabeça, e levantou do sofá indo até o quarto de Melanie.

"Ta tudo bem princesa...". Abby disse pegando-a no colo, e começando a acariciar suas costas. "Nós vamos ficar bem...".