Capítulo 30 - Though We Were Apart, She Is a Part of Me

Lá estava ele outra vez, pisando onde nunca mais achou que pisaria. A verdade, não podia negar, é que todo o tempo que passou longe dali foi repleto de saudades, saudades daquele lugar, das pessoas, saudades de tudo aquilo que fazia o County ser o County.

Grande erro pensar que voltar para Croácia o faria sentir-se em casa, pelo contrario, se sentia um estrangeiro em seu próprio país, era como se não pertencesse aquele lugar, mas apesar de tudo, aquilo parecia à coisa certa a se fazer, a única maneira de tirar Abby da sua cabeça e de seu coração, mesmo que aquilo parecesse impossível.

Passar pelas portas da área das ambulâncias, trouxe uma sensação que ele não imaginava que fosse sentir, era bom estar de volta, o fazia se sentir completo, o coração bater feliz, mas ao mesmo tempo era como se ele nunca tivesse deixado aquele lugar por mais que algumas horas. Ele caminhava devagar tentando reparar em todos os detalhes a sua volta, mas tudo parecia exatamente como antes.

"Ela ficou um pouco chateada, mas eu disse que não tinha problema... Afinal, não foi por querer".

Enquanto Abby suturava a mão de um paciente com atenção, conversava com Susan que estava sentada perto dela fazendo algumas anotações em um prontuário.

"É normal que ela fique chateada, ela amou aquele colar".

"Ray estava no Lounge fazendo alguns prontuários e eu a deixei lá com ele, aposto que daqui a pouco ela já vai ter esquecido essa historia toda".

Havia algo diferente no tom de voz de Abby naquele dia, algo especial...

Susan tirou os olhos do prontuário, e a encarou, notando um pequeno sorriso em seu rosto.

"Por que você está sorrindo?".

"O que?". Abby desviou o olhar para a amiga pela primeira vez naquela conversa.

Susan apontou para o sorriso que Abby tinha no rosto. "Você está sorrindo".

"Terminamos Sr. Ault, é só manter a sutura seca nos primeiros dias, e voltar daqui uma semana para nós podermos tirar". Ela levantou da cadeira e caminhou até a porta chamando Susan com o olhar.

"Do que você ta falando?". Abby perguntou como se a amiga estivesse ficando louca, depois que as duas saíram da sala.

"Do seu sorriso, e ele não é de agora... Você ta sorrindo desde que chegou aqui...". Susan parou de caminhar e a encarou como se tivesse acabado de fazer um grande descoberta. "Ah meu Deus, você está namorando... Claro que está! Como eu não pensei nisso antes?".

Abby revirou os olhos. "É claro que eu não estou namorando, mesmo porque... se eu estivesse você saberia".

"Então... Qual é o motivo de toda essa alegria?".

"Para falar a verdade... Eu não sei, eu só acordei com essa sensação boa, como se algo bom estivesse pra acontecer... Eu não sei".

Luka continuava distraído, tentando reparar em tudo a sua volta, mas desviou sua atenção, como se despertasse de um sonho quando sentiu que havia trombado em alguma coisa.

"Hey! Cuidado".

A voz, certamente de criança o fez olhar para baixo, onde encontrou uma pequena garotinha levantando do chão, depois de ter caído sentada com o choque entre os dois.

Ele se abaixou para que pudesse ficar da altura dela e a olhou por alguns segundos... Cabelos castanhos e compridos, uma franjinha, olhos tão verdes que chegavam a ser hipnotizantes; Os traços no rosto dela não lhe eram estranhos, ela certamente lembrava alguém... Mas ele não sabia quem.

"Desculpa, você está bem?".

"Sim, eu to bem...". A garotinha ficou de pé e levantou a barra da calça encarando seu joelho. "Mas cortei meu joelho".

"Luka...". Ele disse estendendo a mão, um pequeno sorriso no rosto, tentando parecer simpático.

"Melanie...". Ela apertou a mão dele. "Mas pode me chamar de Mel...".

Luka sorriu, vendo aquela pequena mão apertar a sua, como gente grande, a diferença de tamanho era de certa forma encantadora.

"Será que eu posso dar uma olhada no seu corte?". Ele apontou para o joelho dela, que tinha um pequeno corte, nada que um band-aid não resolveria.

Melanie o olhou desconfiada. "Você é médico?".

Ele concordou com a cabeça, a cada segundo aquela garotinha o encantava mais.

Melanie esboçou um pequeno sorriso, mostrando uma covinha em cada bochecha, e concordou com a cabeça também. "Ok...".

"Então vamos achar um lugar para eu poder olhar esse corte". Luka se levantou, pegou Melanie no colo e foi caminhando até uma das salas de exame, já que tudo parecia estar no mesmo lugar que antes.

"Você trabalha aqui?". Mel perguntou quando Luka a colocou sentada em uma das macas.

"Eu trabalhava". Ele respondeu, enquanto dobrava a barra da calça dela.

"Eu nunca tinha de visto aqui antes...". Melanie tinha o olhar fixo nas mãos de Luka, prestando muita atenção no que ele estava fazendo.

Luka levantou o rosto para olhá-la nos olhos novamente, com um sorriso divertido no rosto. "Você provavelmente não era nascida quando eu trabalhava aqui". Ele continuou limpando o corte. "E você? Vem sempre aqui?".

"Quase sempre, a minha mãe trabalha aqui... Mas eu costumo ficar na creche".

Luka terminou de passar a pomada no joelho dela, tentando imaginar de quem aquela garotinha podia ser filha. "Então acho que nós vamos ser colegas... Espero que eu consiga meu emprego de volta hoje". Ele colocou um band-aid em cima do corte. "Prontinho...".

Depois de abaixar a barra da calça dela, Luka levantou a cabeça para voltar a olhá-la.

Melanie tinha o olhar fixo no colar que Luka usava, agora à mostra por cima da camisa.

"Você gostou?". Ele perguntou pegando o pingente de madeira na mão.

Ela esboçou um sorriso triste, e concordou com a cabeça. "Eu tenho um igual a esse". Era possível notar o tom de chateação na sua voz. "Mas ele quebrou hoje de manhã".

Luka a olhou por alguns segundos, a felicidade e o sorriso que ela tinha estampado no rosto haviam desaparecido, ela certamente parecia triste pelo colar, mas de certa forma aquilo lhe intrigava.

"Você tem certeza? Ele deve ser só parecido...".

"Não". Melanie disse convicta no que estava dizendo. "É igual".

"E quem te deu o colar Melanie?".

"Minha mãe".

A historia para Luka era estranha, intrigante... Mas para Melanie não havia nada de diferente.

"Aqui". Sem hesitar, mas ainda intrigado ele tirou o colar do pescoço. "Você pode ficar com o meu". E em seguida passou o colar pela cabeça dela.

"Sério?". A pergunta foi acompanhada de um grande sorriso que começou a aparecer em seu rosto.

"Claro...". Ele respondeu sorrindo também.

Mel segurou o pingente de madeira na palma da mão e o olhou por alguns instantes. "Obrigada". Seus olhos brilhavam de tal maneira, que deixavam Luka encantado.

"Não precisa agradecer". Luka a levantou da cama para colocá-la no chão, mas antes que pudesse ela se inclinou dando um beijo em sua bochecha.

Ele sorriu a olhando diretamente nos olhos, aquela garotinha tinha despertado algo diferente dentro do seu coração, alguma coisa que ele não podia explicar, mas que o fazia se sentir bem.

Depois de devolver o beijo, começou a caminhar em direção a porta, para poder voltar à recepção.

"E então Mel... você não me contou o nome da sua mãe".

"Eu vou ver se a Mel está bem, levar ela pra creche, e já volto". Abby caminhava ao lado de Susan no corredor, e pegou alguns prontuários da mão da amiga antes de voltar para a recepção.

"Jerry? A Mel ainda está com o Ray no Lounge?". Ela colocou os prontuários no lugar e antes de ir para a sala dos médicos esperou a resposta de Jerry.

"Eu acho que não... Ray já saiu a algum tempo de lá".

Abby arqueou as sobrancelhas, pensando por alguns segundos, mas Dawn apareceu logo depois.

"Abby? Eu acabei de ver a Mel na sala de exame dois".

Mais aliviada, Abby começou a caminhar em direção a sala. "Obrigada Dawn".

Certamente, aquele momento não havia sido planejado daquela maneira por nenhum dos dois.

Antes que Luka chegasse à porta, Abby a abriu... E no instante seguinte seus olhares se encontraram.

O sorriso estampado no rosto de Abby começou a desaparecer gradativamente, como se ela não acreditasse naquilo que seus olhos estavam vendo, Luka... Bem ali, parado bem ali no meio da sala... Com Melanie em seu colo.

"Essa é a minha mãe Luka...". Melanie disse ainda no colo dele, apontando para Abby que estava parada perto da porta.

O sorriso de Luka que já era grande começou crescer ainda mais... Ali estava ela, a mulher que ele esperou cinco anos para rever, mas completamente surpreso por descobrir que agora ela tinha uma filha.