Capítulo 39 – The Ugliest Nightmare
Luka mal conseguia formar uma frase enquanto falava com Abby no celular. Não havia nada que ele pudesse dizer para acalmá-la, nada que pudesse acalmar a voz abafada pelo choro desesperado.
De alguma forma, ele havia conseguido convence-la a ir diretamente para o County, para onde Melanie certamente seria levada, ao invés de encontrá-los no lugar do acidente.
Um passo após o outro ele se aproximou vagarosamente de Mel, que estava deitada no chão, como se tivesse medo de machucá-la ainda mais. Luka posicionou dois dedos em seu pescoço, e rezando silenciosamente por uma resposta colocou um pouco de pressão para poder sentir o pulso... Graças a Deus ele estava ali, um pouco fraco, mas o coração de Melanie ainda estava batendo.
O mundo parecia estar desmoronando, o chão parecia faltar aos seus pés e o ar aos seus pulmões, mas ele precisava ficar ali, forte por ela, forte por sua filha. Luka se sentou no chão ao seu lado, e pegou em sua mão fazendo leves caricias.
"Vai ficar tudo bem Mel... Vai ficar tudo bem".
Ele podia sentir a presença de pessoas cochichando a sua volta, uma voz um pouco mais alta que talvez estivesse tentando dizer alguma coisa, mas nada era capaz de desviar sua atenção... Seu foco. Todas as suas forças concentradas em uma única coisa, um rezar silencioso, o pedido constante para que Melanie ficasse bem.
Uma eternidade pareceu passar até que Luka pôde finalmente ouvir as sirenes da ambulância, a única coisa que foi capaz de desviar sua atenção, mas não de deixá-lo menos preocupado ou aflito, ele conhecia muito bem as dimensões daquele acidente, mas de certa maneira, preferia não saber.
Os para-médicos agiam rápido, deixando Luka um pouco inseguro sobre o que deveria fazer, sem saber se prestava atenção no que os para-médicos faziam ao socorrer Melanie, ou se continuava apenas pedindo pelo bem dela.
Depois de ser devidamente imobilizada e colocada na maca, Mel foi levada a ambulância, seguida por Luka que entrou logo em seguida, sem soltar sua mão nem por um instante.
"Vocês vão levar ela para o County certo?". Ele perguntou antes de um dos rapazes fechar a porta.
"Sim senhor, é o hospital mais próximo daqui...".
"Você pode avisar eles que essa é Melanie Lockhart? E que Luka Kovac está com ela?".
"Claro, eles conhecem vocês?".
"Eu trabalho lá... Essa é minha filha".
"Ok senhor, eu vou avisá-los que vocês estão com a gente".
"Obrigado". Luka assistiu a porta fechar, e logo em seguida voltou sua atenção para Melanie. "Agüenta firme pequeninha... Vai ficar tudo bem".
Abby entrou pelas portas da triagem desesperadamente, aflita como nunca, e ao mesmo tempo perdida... Sem saber como agir.
O olhar de Frank assim que a viu deixou bem claro que todos ali já estavam a par da situação, todos já sabiam exatamente o que havia acontecido com Melanie.
"Onde ela está Frank?". Não existia necessidade alguma de ser especifica, ele sabia muito bem sobre quem ela estava falando.
"No trauma 2". O tom de voz de Frank era completamente diferente do seu normal, tinha um acolhimento que Abby nunca havia sentido da parte dele, era o tom de quem tentava dizer 'eu sinto muito', mas ao mesmo tempo 'tudo vai ficar bem'.
Ela podia sentir os olhares que se focavam em si, enquanto fazia o caminho até a sala de trauma, que agora parecia ser tão longo, olhares de todos que sabiam muito bem o que estava acontecendo naquele momento, mas que não ousavam arriscar nem ao menos uma palavra de conforto.
Quando já estava quase chegando a sala, foi parada por Haleh, que apenas com um olhar confortante a envolveu num abraço carinhoso que supria a necessidade de qualquer palavra.
De alguma maneira, Abby sentia braços amigos em volta de si, braços que com certeza seriam capazes de levantá-la e apóia-la, mas naquele momento Abby sabia que não era a pessoa que precisava de apoio, todos os anos sozinha com quem a principio era uma pequena recém nascida que quase se encaixava perfeitamente nas palmas de suas mãos, tinha lhe ensinado a ser forte por duas, forte por ela, e por quem mais precisava dela em todos os momentos... Sua filha, o maior amor que ela poderia ter na vida.
"Você sabe que pode contar comigo pra tudo o que precisar não é?". Haleh perguntou olhando fundamente nos olhos dela.
"Obrigada Haleh". Abby abriu um sorriso fraco, e se desvencilhou dos braços da amiga continuando seu caminho.
Ao chegar na porta, Abby parou observando a cena que acontecia lá dentro, uma cena com a qual ela já estava acostumada, uma cena tão comum no seu dia a dia, mas que agora tinha uma sensação completamente diferente, uma sensação que ela desejava nunca ter que experimentar.
Respirando fundo ela passou calmamente pelas portas, atraindo apenas o olhar de Luka que observava o trabalho de praticamente todos os médicos de plantão naquele momento.
Nenhuma palavra foi trocada entre os dois, apenas olhares, o olhar sofrido no rosto de Luka, como o de quem pedia perdão por ter causado toda aquela dor e decepção, e o olhar de compreensivo de Abby, de quem de alguma maneira tentava o assegurar que a culpa de aquilo tudo não era de ninguém.
Ela conseguiu encontrar um pequeno espaço perto da maca, e se abaixou segurando a mão da filha. "Não se preocupa meu amor...". Abby cochichou baixinho em seu ouvido. "Eu estou aqui... Sua mãe está aqui...".
Por mais que ela quisesse agir e tomar atitudes, ajudar sua filha no momento em que ela mais precisava, como médica Abby sabia que mal seria capaz de tomar decisões primarias, então tudo o que fez foi permanece ali, apenas segurando sua mão, dando o melhor apoio que poderia dar... O apoio de mãe.
"Abby...". Ela ouviu aquele tom de voz calmo e baixo chamar seu nome, e logo se virou para se deparar com uma figura de Luka visivelmente abalada.
Ela o conhecia bem o suficiente para saber o que viria a seguir, então apenas passou a mão carinhosamente em seu rosto, tentando ser forte por ele também. "Não é sua culpa Luka... Nada o que aconteceu foi sua culpa".
"Eu sinto muito Abby... Eu... Me desculpa, me desculpa". Por mais que Luka tentasse nenhuma palavra parecia a certa para se ser usada naquele momento.
"Melanie vai ficar bem Luka, ela é corajosa... Assim como o pai".
"Ela está tendo uma parada!". A voz de Susan ecoou alta e firme pela sala, fazendo com que os dois despertassem subitamente, e voltassem suas atenções para o que estava acontecendo em torno da maca.
"Começando massagem cardíaca". Carter subiu na banqueta posicionando as duas mãos em cima do peito de Melanie para dar inicio a massagem.
"Eu entrei". Kerry disse depois de entubá-la. "Ventilem!".
"Vamos lá Mel, volte para nós". Susan pegou as pás nas mãos as posicionando sobre o peito de Mel. "Carrega em 100! Afasta".
O pequeno corpo deitado na maca saltou ao receber o choque, mas nenhuma mudança foi indicada nos monitores.
"Outra dose de atropina". Carter gritou voltando a massagem cardíaca.
Todos pareciam correr contra o tempo, enquanto Melanie continuava a não responder aos tratamentos. Rodadas e rodadas de atropina, massagens cardíacas constantes, choques... Nada daquilo parecia fazer efeito, e por mais que todos ali soubessem muito bem que o tempo estava praticamente esgotado, nenhum deles parecia forte o suficiente para admitir a verdade.
"Fique com a gente Mel, fique com a gente". Susan sussurrava enquanto agia. "Carrega em 200 de novo! Afasta".
A única resposta foi o barulho constante do monitor, como se ele dissesse 'Não há nada mais que possa ser feito'.
Simultaneamente todos se afastaram, deixando que apenas o silêncio falasse por eles.
"Hora da morte...".
