Capitulo 42 – It's Time to Move

"Espera só um pouco". Abby disse levantando da cadeira, intrigada com o toque da campainha. "Eu já termino de cortar suas panquecas". Ela caminhou até a porta da sala, e seu pequeno sorriso foi desaparecendo gradativamente quando descobriu pelo olho-mágico quem era o visitante.

Depois de um longo suspiro, que era também um sinal de como estava cansada de toda aquela situação, Abby abriu a porta encarando Luka por um segundo. "Luka-". Ela disse tentando dar fim aquela futura discussão antes mesmo que ela começasse.

"Espera". Luka disse a interrompendo para evitar que fosse escorraçado dali antes mesmo que pudesse dizer qualquer coisa. "Me escuta só por um minuto".

Abby desviou o olhar, começando a encarar o chão e hesitou alguns instantes antes de abrir a porta mais alguns centímetros, o suficiente para que ele passasse, mas também para que ficasse ao lado da saída.

"Me desculpa por ontem". Ele disse num tom calmo que buscava compreensão depois de entrar e ficar parado ao lado dela. "Eu sei que exagerei, que não devia ter dito aquilo e o mais importante... que não era nem um pouco verdade, você não ta tentando afastar ela de mim, ela só esta confusa... Demorou um pouco para que eu entendesse isso, mas eu entendi".

Abby abriu um sorriso triste, ouvir um pedido de desculpas de certa forma era bom, mas não o suficiente para fazê-la esquecer tudo o que ele havia dito no dia anterior.

"Eu não quero pressionar a Mel e nem nada do tipo, mas eu não posso esperar de braços cruzados o dia em que ela vai compreender essa situação toda e ver que eu só quero ser o pai dela. Eu só quero ajudar ela a perceber isso, só quero a chance de poder conquistá-la".

Os dois se encararam por o que pareceu ser uma eternidade, como se tentassem se comunicar apenas pela troca de olhares, como se buscassem nos olhos um do outro uma resposta, ou qualquer sinal que fosse.

"Abby... por favor". Aquilo ela exatamente o que ela podia ler em seus olhos, mas mesmo assim Luka precisava dizer, precisava ter certeza que ela sabia exatamente como ele estava se sentindo.

"Eu não sei Luka...". Ela soltou outro longo suspiro. "Eu não sei". Ela pausou por um segundo tentando impedir a si mesma de continuar, mas foi inevitável "Eu não sei como agir, não consigo distinguir o certo do errado... Não sei o que fazer diante de uma situação que eu mesma criei... Eu não quero que nenhum de vocês dois se machuquem, mas já não sei se é algo que eu posso impedir".

"Eu só preciso de uma chance de mostrar pra ela que aquilo que nós estávamos construindo não vai mudar, eu quero que ela saiba que eu ainda sou o mesmo... O mesmo Luka que ela conheceu".

"Mãe, as panquecas vão esfriar-". Melanie que vinha caminhando da cozinha em direção a sala parou assim que seus olhos encontraram Luka parado perto da porta. Ela ficou estática por um segundo, tentando imaginar o que ele estava fazendo ali.

"Bom dia Mel...". Luka disse se abaixando para ficar da mesma altura que ela, deixando de lado a conversa decisiva que estava tendo para tentar dar um primeiro passo para reconstruir sua relação com sua filha.

Por um segundo Mel permaneceu ali parada no meio da sala, sem saber o que agir, por mais que de um lado tudo o que ela queria erra correr e pular nos braços de Luka... Seu Luka, ele não podia ter mudado do dia para noite, só pelo fato de que agora ela sabia que ele era seu pai. Mas por outro, tudo parecia confuso demais, seu pai, afinal, o que era ter um pai? Como ela devia agir? O que ela precisava fazer?

Em passos lentos e incertos ela caminhou até perto de Abby, segurando em sua perna, a puxando levemente para conseguir chamar a atenção se sua mãe, ao invés de apenas se manifestar através de palavras.

"O que foi Mel?". Abby se abaixou também, passando a mão levemente pelo cabelo da filha. "Por que você não diz 'oi' pro Luka?".

"Eu posso ir pro meu quarto?". As palavras deixaram sua boca em forma de sussurro, como se ela não quisesse que Luka ouvisse aquilo o que ela estava falando.

"Pode". Abby levantou passando a mão por suas costas. "Pega suas panquecas se você quiser comer no quarto, eu te ajudo a cortar em um segundo".

Melanie mal terminou de ouvir o que sua mãe estava dizendo, e o mais rápido que pôde correu em direção ao corredor para poder ir ao seu quarto.

Os dois observaram ela sumir no corredor, e em seguida voltaram a se encarar, novos pontos de vista surgindo para discussão que estavam tendo.

"Nem um 'oi', nem um 'bom dia'". Luka disse se sentindo derrotado, se tudo continuasse daquele jeito, ele nunca conseguiria conquistar Melanie como filha.

Abby se sentia na obrigação de dizer aquilo, mais do que não deixar que sua filha se machucasse, ela precisava também protegê-la. "Você está agindo como a criança e esperando que ela aja como o adulto".

Ele a encarou surpreso por um instante. "O que você quer dizer com isso?".

"Ela é a criança Luka, ela tem o direito de ficar confusa, ela tem o direito de não saber como agir, agora você precisa fazer o seu papel, agir como o adulto, e compreender ela".

"Eu não vou começar outra discussão com você... Não vou...". Se no dia anterior Abby havia pedido para que ele saísse, agora ele sentia a necessidade de sair dali, espairecer, tentar novamente por as idéias no lugar.