Capítulo 60 – Daddy's little child

Qualquer que fosse o mal ou monstro feio que havia invadido seus sonhos, tinha também acelerado seu batimento cardíaco e a feito acordar extremamente assustada em meio ao quarto escuro e ao ruído que o vento forte do lado de fora fazia de encontro à janela.
Com medo, mas tentando permanecer tão corajosa como costumava ser sempre, procurou seu fiel escudeiro, o ursinho Pooh para poder então fechar os olhos novamente e voltar a seus sonhos, dessa vez sem nenhum monstro feio, mas para deixar tudo ainda mais amedrontador, não o encontrou.
Pelo menos Lubby estava ali, dormindo, mas estava. Melanie fechou os olhos, abriu, hesitou... Fechou novamente, e conseqüentemente abriu novamente. Pesadelo, sem ursinho Pooh, era assustador demais para qualquer garotinha de quase 6 anos. Cautelosamente ela saiu debaixo dos cobertores e colocou os pés em contato com o chão gelado, despertando a atenção do filhote que ficava cada dia maior.
Sabendo exatamente pra onde ir, Mel abriu a porta do quarto tentando captar cada detalhe que seus olhos eram capazes de enxergar através da penumbra, mas era difícil conseguir ver alguma coisa naquela escuridão. Caminhando velozmente pelo corredor, ela tentava chegar o mais rápido possível no quarto de Luka e Abby, já que agora até o barulho dos seus próprios passos estavam a deixando com medo.
Assim que chegou a porta pôde perceber que um lado da cama de casal estava vazio, justamente o lado no qual dormia sua mãe, o que normalmente a faria dar meia volta e voltar ao seu quarto, mas não dessa vez. Indo até o lado de Luka, ela ficou apenas parada alguns segundos antes de tomar a iniciativa para chamá-lo.
"Luka...". Um sussurro calmo deixou seus lábios, já que não queria o acordar bruscamente, mas infelizmente daquele jeito não funcionou. "Luka". Agora um pouco mais alto, Mel esperou brevemente antes de concluir que só assim não o acordaria nunca. "Luka!". Dessa vez, além de aumentar o volume, ela também optou por chacoalhá-lo um pouco, finalmente o fazendo despertar.
"O que foi Mel?". Meio acordado, meio dormindo, Luka não conseguiu nem ao menos abrir os olhos, suas palavras haviam sido quase subconscientes.
"Cadê a minha mãe?". Afinal, não custava nada tentar.
"Trabalhando, ela tinha o plantão da noite". Ele se virou de lado para poder olhá-la. "Qual é o problema?".
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, seus olhos se encheram de lagrimas, e seus dentes rapidamente pressionaram seu lábio inferior.
"O que foi princesa? Teve um sonho ruim?". Obtendo apenas um concordar de cabeça como resposta, Luka levantou da cama e a pegou no colo deixando-a encostar-se em seu ombro. "Quer um chocolate quente?". Novamente, apenas o concordar de cabeça, o que indicava também que Melanie estava morta de sono.
Os dois foram até a cozinha, e sem soltar Mel, já que ela continuava a manter os braços fortemente em volta de seu pescoço, Luka preparou a pequena xícara de leite com achocolatado, entregando em suas mãos logo em seguida. Enquanto a pequena Melanie se acalmava bebendo seu leite quente, ele afagava seus cabelos e dava pequenos beijos no topo da sua cabeça a tranqüilizando ainda mais.
Quando terminou, ela apenas deixou a caneca de lado, voltando a circundar seu pescoço com ambos os braços, Luka então levantou do sofá, e assumindo que Mel não iria dormir sozinha, passou a fazer o caminho de volta até o seu quarto.
"O que você acha de dormir comigo hoje?". Ele afagou suas costas em leves movimentos circulares. "Huh?".
Em meio a um bocejo, ela acenou com a cabeça, dormir sozinha naquela noite não era nem ao menos uma opção, e um pouco de companhia protetora não faria mal.
"Você quer que eu pegue o Pooh?".
Dessa vez o aceno foi negativo, afinal, quem precisa de qualquer outra coisa quando Luka estava ali, quando seu pai estava ali.
"Ok...". Eles entraram no quarto, mas ele caminhou primeiro até a porta do banheiro para poder acender a luz. "Vamos deixar a luz acesa, assim sua mãe não bate o pé na quina da cama". E assim também Melanie ficaria um pouco menos assustada, sem contar o pequeno sorriso que conseguiu colocar no rosto dela.
E em seguida foram até a cama, Luka deitou colocando Mel ao seu lado, quase deitada em seu peito, para que pudesse mantê-la o mais próximo possível, e faze-la se sentir o mais segura possível.
"Você quer que eu te conte uma história?".
Ela negou, já que seus olhos estavam pesados e os bocejos vinham em intervalos curtíssimos.
"Certo, então eu vou esperar você dormir para dormir". Ele passou a mão mais uma vez por seus cabelos, plantando um beijo no topo de sua cabeça em seguida. "Boa noite princesa...".
"Boa noite pai...". Pai. Tão subconsciente e real. Ela nem ao menos tinha precisado pensar, passar horas remoendo a idéia de chamá-lo ou não de pai, simplesmente havia saído, a prova mais do que concreta de que era exatamente isso o que ele era. Seu pai.
O sorriso de orelha a orelha não demorou milésimos de segundos para aparecer em seu rosto, 'Boa noite pai...'. Parecia música nos seus ouvidos, ele queria pedir que ela repetisse aquilo milhões de vezes, mas não era preciso, de agora em diante, havia a vida toda para ouvir aquela doce melodia. Pai. Com certeza cada uma das vezes, das próximas vezes seria especial.
"Boa noite filha...". A sensação daquela pequena mãozinha vindo em direção ao seu dedo indicador e o envolvendo só o fez ter ainda mais vontade de gritar para o mundo todo o tamanho da sua felicidade. Agora sim ele se sentia completo. Luka Kovac, completo. Como a muito tempo não se sentia.