Capítulo 65 – I'll Always Love You

Passados mais de cinco anos, ali estavam eles de volta ao lugar onde um dia haviam se despedido com a certeza de que nunca mais se encontrariam, acreditando que dali em diante suas vidas tomariam caminhos opostos que não se cruzariam novamente. Mas curiosamente, estavam enganados.
Passados mais de cinco anos, ali estavam eles de volta, de mãos dadas caminhando em direção ao mesmo banco em que um dia haviam se sentado para dizer adeus enquanto seus corações urgiam pela necessidade de se abrir e dizer a verdade.
Passados mais de cinco anos, ali estavam eles de volta, juntos, fortalecidos não só pelo tempo, mas por todas as barreiras que a vida já havia lhes imposto e que eles haviam sido capazes de superar.
Passados mais de cinco anos, ali estavam eles de volta, certos de que aquele não era o "felizes para sempre", de que a vida ainda lhes reservava muitas outras surpresas, mas certos também de que seriam capazes de superá-las, independemente de quão duras pudessem ser.
Passados mais de cinco anos, ali estavam eles de volta, contemplando num silêncio confortável a companhia um do outro, o amor que já não mais precisavam reprimir, a felicidade por se sentirem completos... Realizados.
Passados mais de cinco anos, Abby não mais sentia seu coração partido, não mais precisava se preocupar com o que o futuro lhe reservava, porque agora tinha Luka, e nele poderia sempre se apoiar.
Passados mais de cinco anos, Luka não mais precisava ignorar seu coração e contrariar suas reais vontades, não mais se sentia vazio ou sozinho, porque agora tinha sua família, seu porto seguro.
"Eu odeio ser a estraga-prazeres e arruinar o momento, mas eu estou realmente congelando...". Os ventos gelados do inverno de Chicago pareciam ainda mais cruéis naquele fim de tarde, e por mais que Abby adorasse estar compartilhando aquela paisagem digna de um porta retrato com Luka, tinha a sensação de não mais estar sentindo seus lábios e nem a ponta de seu nariz. "Por que mesmo nós estamos aqui?".
"Por que foi aqui que nós nos despedimos quando eu resolvi voltar para a Croácia, e acho que esse realmente é o lugar certo...". Além de concordar com ela a respeito do frio, não havia motivo algum para adiar aquilo pelo que seu coração tanto urgia.
"Lugar certo para o quê?". Por um segundo um pequeno aperto que já havia se tornado estranho fez uma breve aparição em seu peito, mas aquele era Luka, não havia motivo algum para apertos no peito ou nós na garganta. "Você está começando a me assustar Luka, agora você vai dizer que quer se mudar para Croácia?".
Ele não pode deixar de soltar um riso divertido, às vezes Abby podia ser tão inocente. "Não exatamente...". Seu tom nem por um segundo perdeu o tom enigmático, talvez assim tudo ficasse ainda mais especial.
"Então o que?". Abby questionou com um semblante indecifrável no rosto.
"O lugar certo pra dizer que eu te amo...". Ele começou, tentando conter o sorriso que insistia a se alargar de orelha a orelha e conter os pequenos timbres de excitação que teimavam em surgir em sua voz.
"Ah Luka, isso é realmente muito romântico, mas eu não me importaria se você tivesse me dito em casa-". Talvez ela se importasse, talvez amasse todas as vezes que ele a levava em lugares especiais sem motivo aparente, apenas pra dizer que a amava, talvez amasse todos os gestos de Luka, e apenas era Abby demais pra reconhecer. Mas dessa vez havia mais, e talvez aquilo nunca tivesse nem passado por sua mente.
"E pedir por favor para você se casar comigo". As palavras saíram rapidamente de seus lábios, quase cortando a fala de Abby enquanto ele ainda lutava para controlar o sorriso, agora uma mistura de bobo e nervoso que havia se instalado em seu rosto. Luka levou a mão ao bolso tirando de lá uma pequena caixinha preta de veludo, que continha a aliança mais delicada que Abby já havia visto. "E então, o que você me diz?".
"Eu te mataria se você tivesse feito isso em casa". Agora o sorriso trocava de rosto, e se estampava no de Abby. Ela sentia vontade de sorrir, gritar para todos que pudessem ouvir a sua felicidade. Sentia vontade de beijá-lo eternamente, e assim o fez.
Passados cinco anos, não haviam barreiras que o empediam de lhe pedir em casamento, passados cinco anos não haviam motivos pelos quais ela não pudesse dizer sim. Passados cinco anos eles podiam dizer livremente que se amavam. Passados cinco anos, eles finalmente podiam ser felizes.

- Abby e Luka se casaram no mês seguinte, ali naquele mesmo lugar.
- Numa cerimônia simples, apenas os dois, Melanie e claro, Lubby.
- Na semana seguinte viajaram para Croácia em lua-de-mel.
- Melanie conheceu o avô, tio e toda a família, e provou que seu charme não era restrito apenas a Luka.
- Abby conseguiu o cargo de atendente no County assim que terminou sua residência.
- Luka recusou o cargo de chefe do departamento para poder continuar passando um bom tempo ao lado de sua família.
- Em algumas ocasiões eles questionavam a hipótese de uma adoção, mas não demoravam muito para perceber que Melanie era um prato cheio.
- E perceber também que sua família não precisava de nada mais.
- Luka se especializou em interrogatórios quando Melanie os comunicou sobre seu primeiro encontro. E em psicologia juvenil quando Mel teve seu coração partido pela primeira vez.
- Os dois ficaram aliviados, mas porque não um pouco decepcionados quando ela optou por Artes ao invés de Medicina.
- Lubby os acompanhou por quase 14 anos, e deixou uma serelepe sucessora em seu lugar.
- Segundo eles brigas eram sempre boas, pois antecediam reconciliações.
- Por todos os anos seguintes, Luka e Abby se amaram incondicionalmente, cultivando aquele sentimento que crescia cada dia mais.

Epílogo:
When the whole world fits inside your arms.

"Não esquece de acordar a Mel". Era uma manhã típica na casa dos Kovac's. Abby terminava de vestir o casaco próxima a porta praticamente pronta para sair. "Ela já ta ficando atrasada".
Luka por sua vez tinha algumas horinhas de descanso antes do seu plantão, ainda de roupão estava apenas tomando café da manhã com a esposa. "Eu já vou até lá começar a batalha para tirar ela da cama". Depois de um sorriso capaz de alegrar o dia de qualquer pessoa, ele uniu seus lábios em um breve selinho e abriu a porta para que Abby pudesse sair. "Vejo você mais tarde".
Ainda com a xícara de café em mãos, Luka começou a se arrastar em direção as escadas tentando bolar uma nova técnica para tirar Melanie da cama. Certamente ela tinha herdado isso de Abby, se possível com ainda mais experiência.
"Mel, hora de acordar filha, você já ta ficando atrasada". O começo foi o mesmo: Abrir as cortinas, acender a luz, puxar os cobertores, e um chacoalho delicado. "Melanie...".
"Pai?". Ela murmurou com a voz ainda completamente tomada pelo sono "Eu não estou me sentindo muito bem...".
"Você usou essa semana passada, não vai funcionar". Revirando os olhos, ele começou a tentar puxa-la para fora da cama.
"Não pai, é sério... Minha cabeça ta doendo, minhas costas também".
"Me deixa ver...". Com muita desconfiança, Luka levou a mão até sua testa para comprovar que Melanie tinha sim razão. "Você está um pouco quente na verdade...".
"Viu! Eu te disse". Por um instante ela pareceu saudável demais, mas isso pode ser facilmente camuflado com uma tosse um pouco forçada. "Eu to me sentindo muito mal".
Luka hesitou por um segundo. Ela realmente estava quente, podia piorar se fosse para escola, e além do mais, perder um dia de aula não era o fim do mundo, Melanie podia ser preguiçosa na hora de acordar, mas era uma excelente aluna.
"A garotinha do papai da doente?". Descontraindo um pouco ele bagunçou ainda mais o já bagunçado cabelo dela. "Vem cá, eu vou te fazer um chá e procurar um anti-térmico".
Se havia outra coisa a qual Melanie havia puxado Abby era o tamanho. Era pequena e delicada como a mãe, porém com os traços mais marcantes do pai. Com facilidade Luka a pegou no colo, como se ela fosse novamente apenas aquela garotinha de cinco anos, um tanto manhosa quando doente.
Mel não reclamou nem um pouco, na verdade ela gostava daquilo, se sentia bem no colo do pai, protegida, segura. Encostou a cabeça no ombro dele como costumava fazer quando criança, deixando que ele a levasse até o outro quarto do apartamento. Luka a deitou na cama de casal e puxou o edredom para que ela pudesse se manter aquecida, em seguida, inclinou-se um pouco para poder lhe dar um carinhoso beijo na testa. "Eu já volto".
A manhã, a tarde e o começinho da noite se passaram da mesma forma. Luka havia ligado no hospital e constatado que o movimento estava fraco, portando poderia ficar em casa fazendo companhia à Melanie. Fez inúmeras xícaras de chá, preparou uma sopa rica em nutrientes, perfeita para derrotar qualquer gripe, prestou atenção no horário dos remédios e de resto, apenas ficava deitado na cama ao lado dela, assistindo juntos programas bobos na televisão ou apenas velando seu sono.
Já era noite quando Abby chegou, se encaminhou diretamente ao quarto para constatar por si mesma como as coisas estavam. Quando chegou a porta não pode deixar de parar por um segundo e apenas apreciar a cena. Melanie já estava dormindo, encostada bem próxima a Luka, e claro, segurando seu dedo indicador. Um sorriso enorme invadiu seu rosto, não importa quantos anos se passassem, aquela sempre seria a cena que encheria seu coração de alegria.
"Hey...". Ela disse baixinho não querendo acordar Mel, mas querendo chamar a atenção de Luka que estava concentrada em um livro.
Ele logo colocou o livro de lado percebendo sua presença ali, e abrindo também um grande sorriso convidativo para que ela se aproximasse da cama. "Como foi seu dia?".
"A boa parte é que ele terminou". Ela caminhou rapidamente até lá e se deitou do seu outro lado. "Eu senti falta de vocês dois, como ela está?".
"Bem, é só uma gripe... Amanhã já vai estar novinha em folha".
"Isso porque ela estava sob os cuidados do Dr. Kovac".
Luka riu um pouco e lhe deu um pequeno sorriso. "A Dra. Kovac não estava disponível".
Abby repetiu o gesto, mas o tornando um pouco mais longo dessa vez. "Vou tomar um banho e vir me juntar a vocês". Não havia nada melhor que ela pudesse pensar em fazer, nem agora, e nem nunca.
"Quer comer alguma coisa?". Luka perguntou, gentil como sempre.
"Não, não estou com fome, só cansada".
A mais pura verdade, e o melhor de tudo aquilo era poder ter logo logo o mundo todo dentro de seus braços. Luka soltou um pequeno sorriso e encarou o teto por um instante. O que era aquela sensação que poder ter o mundo todo dentro de seus braços causava?

Fim