Chapter 3: Coming Closer.
JPOV
Acordei com Marcela pulando em minha cama, pedindo para que eu acordasse.
- Papá, acorda. – ela me cutucava – Está sol lá fora. – gritou histericamente.
Ah, sim agora eu descobrira o motivo de tanta felicidade daquela pequena. Hoje era domingo e ela ficava feliz normalmente aos domingos porque ela podia ir até o bistrô comigo e passava quanto tempo pudesse lá.
Mar olhava para mim com uma cara de cachorro pidão que só ela sabia fazer e me ganhava facilmente com isso. Levantei e sai correndo atrás dela pela casa até que consegui alcançá-la e joguei seu pequeno corpo em meus ombros ela gargalhava descontroladamente e a levei até a cozinha.
Consuelo, nossa empregada, olhou brava para mim.
- Caída de la nina. – resmungou em espanhol.
- Están jugando, Consuelo. – Mar defendeu-me.
- Ven a comer. – Consuelo disse e Marcela sentou-se à mesa.
- O que temos para o café da manhã? – perguntei
- Ovos rancheiros. – respondeu, colocando um prato que o cheiro logo me deixara com água na boca – Buen apetito. – disse e voltou a mexer uma panela no fogão.
Consuelo parecia uma vovó coruja quando o assunto era Marcela já que desde que eu vim para cá com um bebê para cuidar e sozinho ela me ajudou sempre que eu precisava. Não tinha tato nenhum com crianças e ainda tinha que cuidar sozinho de Marcela depois que Maria fugira com meu melhor amigo.
Afastei os pensamentos que eu já sabia onde me levariam, apenas continuei comendo. Marcela brincava com a comida essa mania que ela tinha desde pequena a sempre enrolar um pouco antes de comer.
Estávamos saindo para ir até o bistrô e Mar saiu correndo até o carro como uma louca. Estava bem feliz em passar o dia comigo, às vezes eu me sentia culpado em não dar tanta atenção a ela, mas ela sabia que eu a amava mais que tudo nessa vida.
Após abrirmos o Bistrô alguns clientes começavam a chegar para o almoço. Marcela me acompanhava onde quer que eu fosse lá dentro parecia minha sombra, eu ia até a mesa de cada cliente e anotava o pedido do jeito que ele desejava, assim como era a regra da casa. E cada pedido era único e especial.
Marcela me atrapalhava mais do que ajuda, mas eu a deixei brincar com os apetrechos da cozinha enquanto eu preparava os pratos. Depois de passar a tarde toda na restaurante decidi que fecharíamos hoje mais cedo para que eu passasse um tempo a mais com Mar.
Ela me ajudava agora guardando a louça limpa. Escutei a porta sendo aberta um pouco bruscamente e deparei-me com Alice entrando e sentando em uma das mesas, ela parecia estar meio atordoada e seus dedos tamborilavam sobre a mesa.
Logo depois a porta se abriu novamente e James entrou, sentando-se na mesma mesa de Alice que pareceu congelar ao vê-lo. Aquilo estava estranho demais. Eu nunca gostei de James, ele sempre fora um bad boy que acha que manda na cidade só porque o pai dele é juiz.
Ele já se livrou de poucas e boas por causa do emprego de seu pai, sempre fazendo coisas fora da lei e nunca sendo punido, já cheguei a entrar com um processo contra ele, pois este quebrou meu restaurante numa noite em que estava bêbado, mas ele se livrou mais uma vez.
Ele conversava com Alice e ela parecia mandá-lo embora, tomei uma decisão e resolvi tirá-lo de perto dela, aquilo me incomodava, eu não estava gostando de vê-la com medo. Isso despertou algum tipo de sentimento em mim e eu estava com vontade de abraçá-la e dizer que aquele idiota não faria mal a ela.
Fui me aproximando e pude escutar um pouco da conversa.
- James, sai daqui. – Alice praticamente implorava – Eu já disse que não quero nada com você.
- Oh, minha querida Lice. – murmurou com uma paixão falsa – Você sabe que eu nunca lhe faria mal. – ele disse e eu podia ver o medo nos olhos de Alice.
- Você já não fez mal suficiente a mim, James? – Alice murmurou, sua voz falhando.
- Quer ser taxada de louca mais uma vez Alice? – James disse, cínico – Você sabe que ninguém acreditara em você, ninguém acreditou da outra vez.
Resolvi parar com aquela tortura psicológica que ele estava fazendo com Alice.
- Alice, algum problema? – perguntei, parando perto dela – Este rapaz está incomodando-a?
- Peça para ele se retirar, por favor? – Alice sugeriu, suas mãos apertavam uma a outra, ela estava nervosa.
- James, por favor, não quero confusão, já estou fechando. – murmurei – Você pode se retirar? Está incomodando a senhorita. – disse, o mais educado que eu pude.
- Se eu sair ela terá que sair junto comigo. – James falou – Está fechando não está?
Olhei Alice que olhava amedrontada para situação, acho que ela não queria ficar sozinha com James. Procurei por uma solução, queria tirá-la daqui.
- Eu a levarei em casa James. – falei, sem sequer pensar duas vezes – Agora você pode ir.
- Eu ainda vou te pegar sozinha, Lice. – James a ameaçou em alto e bom som.
Aquilo fez a raiva tomar conta de mim, simplesmente o segurei pela gola da camisa e o encostei na parede, ele olhava com espanto para mim.
- Se você tocar nela, eu irei até o inferno se for preciso, mas eu o farei pagar por isso. – sibilei, raivoso e soltei o canalha.
- Você me paga cozinheiro. – saiu pisando firme e bateu a porta.
Olhei para Alice que estava mais tranqüila ao vê-lo sair do lugar. Então seus olhos encontraram os meus e ela sorriu era tudo tão estranho parecia que eu tinha voltado a ser um adolescente apaixonado, porque aquele sorriso iluminado fez meu coração bater forte dentro do peito.
Sorri de volta para ela e nos ficamos um bom tempo apenas trocando olhares, até que Marcela apareceu dizendo que já tinha terminado tudo lá dentro e ficou surpresa ao ver Alice ali. E insistiu tanto que Alice aceitou ir tomar um lanche em casa.
Entramos no carro, Mar fez questão de ligar o rádio. A musica calma invadia o ambiente ninguém falou o caminho todo apenas escutávamos a musica, Alice olhava pela janela do carro, estava distante, podia perceber em seus olhos.
Estacionei o carro na entrada a garagem e Marcela já saiu saltitando do carro e levando Alice para dentro. Fui logo após elas, Consuelo estava na cozinha e quando nos viu entrando olhou curiosa.
- Buenas noches. – Consuelo cumprimentou Alice.
- Buenas... – Alice disse sorridente.
- Consuelo, você fez alguma coisa para o jantar? – perguntei, indo até a geladeira.
- Burritos. – Mar soltou um gritinho histérico – Alice, você precisa provar, é muito bom. – falou, alegremente e puxou Alice para se sentar a mesa.
- Marcela, vá com calma. – repreendi quando ela encheu a boca de uma vez.
- Desculpa. – disse de boca cheia e Alice gargalhou.
Eu olhava aquela cena admirado, pensando em como seria bom para Mar ter uma figura materna dentro de casa e também como eu ficaria feliz em ter alguém ao meu lado após tantos anos.
- Acho que desta vez você acertou. – Consuelo disse num sotaque arrastado e rindo, provavelmente, da minha cara de bobo olhando as duas comerem e conversarem como amigas de infância – Ela me parece uma boa mulher, bem diferentes daquela última. – falou, lembrando da minha última tentativa fracassada de me relacionar com alguém.
- Se tudo der certo... – sibilei e fui me sentar com elas, à mesa.
Dessa vez tinha tudo para dar certo.
Mais um capítulo!
Espero que tenham gostado!
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Beijos!
