Chapter 8: Surprise.
APOV
Alguns meses depois.
Não poderia estar melhor.
Nossa relação estava cada vez mais firme e eu praticamente morava na casa de Jasper. Carlisle havia arrumando uma vaga no pronto-socorro de Forks para que eu pudesse voltar a trabalhar, já que voltar para Nova York estava em segundo plano.
Marcela estava cada vez mais apegada comigo, fazíamos tudo juntas. Parecíamos verdadeiras mãe e filha.
Eu a levava na escola quando podia e também saímos para fazer compras em Port Angeles. O bistrô de Jasper também estava indo muito bem. Cada dia mais clientes, tanto que ele teve que contratar um assistente.
Consuelo adorava cozinhar para nós, o que era uma benção, já que eu não sabia nem fritar um ovo e provavelmente colocaria fogo na cozinha.
Quem sabia cozinhar muito bem era Jasper, varias vezes ele já se propôs a fazer nosso jantar, inclusive com a minha sobremesa. A torta que ele fez para mim, que também era um enorme sucesso no restaurante.
Estava chegando em casa, Jasper provavelmente já estava em casa junto com Marcela já que hoje eu fiquei até um pouco mais tarde no hospital.
Entrei em casa e vi Jasper e Marcela jogando no Playstation 3, aqueles dois não paravam de jogar e eu nem me habilitava a mexer naquele negócio, era uma briga para fazer o carrinho andar.
- Olá. – falei, sentando ao lado de Jasper no sofá.
- Oi boadrasta. – Marcela disse, rindo.
Boadrasta. Esse era o modo que ela me chamava já que eu não me sentia confortável com ela me chamando de mãe e segundo ela, madrasta são as ruins, igual a madrasta da Branca de Neve e como eu era boazinha eu seria uma boadrasta.
Só mesmo essa pequena pra inventar esse tipo de coisa.
- Oi amor. – Jasper disse sem desviar o olhar da tv.
- Nem um beijinho? – murmurei, fazendo bico.
Ele sempre caia nessa, então desvio o olhar da tv e me beijou apaixonadamente. Nossos lábios um contra o outro se pressionando com avidez quando senti sua língua pedindo passagem logo a concedi e então senti sua língua brincando em minha boca.
- Ganhei. – Marcela gritou, nos interrompendo.
- Mas assim não vale. – Jasper reclamou – Alice me interrompeu.
- Não adianta, eu ganhei. – Marcela comemorava.
- Eu vou querer uma revanche. – Jasper resmungou – E com você, dona Alice, eu me acerto mais tarde. – ele sussurrou em meu ouvido, malicioso.
- Eu vou cobrar. – falei, deitando no sofá e observando os dois jogarem.
Coloquei uma almofada no colo de Jasper e deitei ali. Estava quase dormindo quando a campainha tocou. Olhei para Jasper que estava tão surpreso quanto eu, Marcela saiu correndo para atender a porta.
Jasper e eu fomos atrás dela.
Marcela estava parada a porta que estava entreaberta e parecia surpresa com quem quer que estivesse lá. Jasper foi até lá e abriu a porta.
Uma morena muito bonita estava parada na porta. Seu corpo esguio com curvas bem acentuadas, seus traços perfeitos, lábios cheios tingidos num vermelho intenso, seus olhos castanhos bem delineados com uma maquiagem forte e seu cabelo negro como a noite que caiam copiosamente sobre seus ombros terminando em cachos que iam até a cintura.
Ela era perfeita.
- Maria? – Jasper disse, incrédulo.
- Olá. – ela disse, sorridente.
Fiquei paralisada. Então aquela era a ex-mulher de Jasper? Ela era, de longe, muito mais bonita que eu e também muito mais alta.
- Não vai me convidar para entrar? – perguntou, oferecida – Olá Marcela. – Maria disse, agora se dirigindo a menina que saiu correndo e veio em direção a mim.
Jasper fez um sinal para que Maria entrasse e Marcela se escondeu atrás de mim, exatamente como uma criança indefesa. Puxei-a para a sala enquanto Jasper fechava a porta e Maria nos seguia até a sala.
Ela observava cada detalhes, seus olhos percorriam a sala e pararam numa foto que estávamos nós três juntos e felizes. Eu me lembro quando Consuelo tirou essa foto de nós dizendo que a casa precisava de fotos alegres.
- A sua casa é bem bonita. – Maria comentou, sentando-se no sofá e cruzando as pernas – Não quer falar com a mamãe, Marcela? – perguntou, chamando Marcela que se recusou a ir.
- Maria, o que você quer? – Jasper perguntou, ríspido.
Agora ele estava em pé em frente ao sofá, seus braços cruzados em frente ao corpo, isso significava que ele não estava nada contente com a aparição de Maria. Isso me fez sentir uma pontada de felicidade, afinal ele não a queria.
- Nossa Jasper. – ela disse, fingindo-se ultrajada – Eu procurei vocês por tanto tempo e quando finalmente achei você acha que é por interesse. – falou – Eu estava com tanta saudade da nossa filha. – murmurou, sorrindo.
Consuelo veio até a sala e Jasper pediu que ela levasse Marcela para o quarto dela, logo Consuelo subiu com ela e ficamos a sós com Maria.
- Eu não acredito que você apareceu depois de sete somente porque deu vontade. – Jasper sibilou, sua voz estava ácida.
- Jasper eu não tenho culpa se você não confia nem na própria sombra. – Maria disse – Eu voltei, eu realmente estava com saudades da Marcela.
- Você deveria ter pensado nisso quando sumiu na calada da noite como uma criminosa. – Jasper cuspiu as palavras com ódio – Eu não sou um bonequinho Maria, eu não voltarei para você e duvido que Marcela queira ver sua cara novamente. – disse com escárnio.
- Você é um idiota e eu vou ter a Marcela de volta, pode anotar o que eu estou falando. – Maria disse, raivosa – E pelo visto você não esperou nada para enfiar outra mulher dentro de casa. – sibilou, me olhando dos pés a cabeça.
- Maria, acho que melhor você sair daqui. – Jasper murmurou, eu sabia que ele estava forçando para que sua voz não se elevasse – Eu não quero discutir e a ultima coisa que eu quero é você dentro da minha casa. – falou.
- Você se apaixonou por essazinha não foi? – Maria perguntou – Grande amor que você sentia por mim. – Maria estava provocando Jasper e eu sabia que isso não ia acabar nada bem.
- Não fale assim de Alice, você não tem esse direito, Maria, não tem. – sua voz agora estava descontrolada – E nunca duvide do amor que eu tinha por você, eu tinha, porque depois que você fugiu com meu melhor amigo eu mudei Maria, você me fez desacreditar no amor. Você não mediu seus atos, você abandonou sua filha a quem você supostamente amava tanto, você me abandonou, você não merece nada além do meu desprezo e minha pena, - parou para respirar e continuou – isso mesmo, minha pena, por você ser tão mesquinha a ponto de fazer tudo isso e ainda achar que tinha razão, eu nunca mais quero ver você Maria e pode ter certeza que com a Marcela você não conseguirá ficar, eu lutarei com todas minhas armas e você não a tirará de perto de mim. – as palavras simplesmente escapavam de sua boca.
E pela primeira vez na vida eu vi Jasper descontrolado, Maria estava perplexa assim como eu. Pude ver algumas lágrimas escorrendo de seu rosto, então pegou sua bolsa e correu para a saída.
Olhei para Jasper que sentou no sofá e apoiou os cotovelos no joelho e abaixou a cabeça. Ele estava tão frágil naquele momento, eu não falei nada, apenas sentei ao seu lado e abracei-o.
Ele ficou um bom tempo abraçado comigo, eu não consegui ver, mas eu pensei sentir meu braço molhado, provavelmente ele estava chorando. Eu não sabia o que fazer, ele tinha guardado essa mágoa por tanto tempo e agora ele precisava extravasar de alguma maneira.
Após algum tempo Consuelo apareceu e disse que Marcela tinha dormido, então sugeri que fossemos dormir e ele aceitou.
Naquela noite tão chuvosa, que era tão comum em Forks, somente o barulho da chuva era escutado com o silencio sepulcral que se instalou na casa hoje após a inesperada visita de Maria.
