CAPÍTULO IV
UM RESULTADO INESPERADO
Sexta-feira pela manhã a turma dois do primeiro ano da escola Shibuya Chuugaku teve uma aula um pouco mais agitada que o normal, pois os alunos tinham pelo menos dois motivos para ficar ansiosos e desejar com todas as suas forças que os ponteiros do relógio da parade andassem mais rápido: a excursão às montanhas no fim de semana e as lutas semifinais do torneio regional de beyblade, do qual Rumiko Higurashi participaria. Inglês, matemática e geografia nunca pareceram tão torturantes.
Ao chegar em casa, Rumiko e Nathaliya foram obrigadas por seus pais a organizarem suas coisas, já que depois das lutas, com as inevitaveis comemorações que aconteciam mesmo se alguém perdesse, seria impossível para elas fazerem-no à noite. A lista de materiais obrigatórios para a excursão de dois dias incluia: uma ou duas mudas de roupa, botas para andar na lama, caderno para anotações, estojo, uma barraca de acampamento, colchões, cobertas e protetor para mosquitos. Seguir essa lista teria sido fácil se as duas meninas não tivessem perdido tanto tempo discutindo exatamente que roupas deveriam levar, se deveriam levar mais do que uma coberta, que apetrechos fofinhos e inúteis deveriam colocar no estojo e se poderiam ir com sapatos mais bonitos e confortáveis que suas botas de couro impermeáveis e pesadas, além, é claro, de ter que achar espaço para suas beyblades no meio de tudo isso. Depois de muita discussão e debate, as malas finalmente foram fechadas, autorizando as duas meninas a começar sua corrida frenética para não chegarem (muito) atrasadas ao ginásio, visto que a luta entre Rumiko e Koichi pela primeira semi-final estava programada para começar em apenas quinze minutos e o ginásio ficava quase do outro lado da cidade.
- Rumiko Nee-chan, considere-se sortuda por o Nii-chan querer tanto lutar contra você de novo. Se dependesse só dos juízes, ele já tinha ganho por W.O. a uma meia hora... – Yoshiyuki, postado na porta do ginásio especialmente para recepcionar as atrasadas, cumprimentou Rumiko e Nathaliya com seu sorriso meia-lua típico, guiando-as para seus lugares na arquibancada.
- Nós perdemos a noção do tempo organizando as nossas coisas pra excursão da escola de amanhã e...
Um barulho muito alto de alguma coisa mole batendo contra o metal duro interrompeu a explicação de Nathaliya. Ao olhar para o lado em busca da fonte do som, o trio não ficou exatamente surpreso ao ver os rostos de Ken e Isaac enterrados nas cadeiras frente a eles, provavelmente com expressões que diziam "oh, não, a excursão!" e "eu ainda nem fiz as minhas malas".
Koichi estava espernado por Rumiko na arena com sua habitual cara de poucos amigos, olhando feio para o juiz e o narrador para impedi-los de declará-lo o vencedor antes da luta começar pra valer.
- Está atrasada, Rumiko. – Cumprimentou ele, ainda sem olhar para a garota. – Estava começando a achar que não viria...
- E perder a chance de ganhar de você de novo, Koichi? – Devolveu ela, com Fenki já preparada para o lançamento. Tanto ela quanto seu adversário sorriam, ansiosos para se enfrentar novamente depois de mais de um ano.
- No que depender de mim, o resultado dessa luta vai ser bem diferente da do ano passado. – Fenhir também estava pronto. Os dois lutadores lançaram suas beyblades sem se importar em esperar pela ordem do juiz, duvidando que ele fosse tentar falar alguma coisa depois de passar tanto tempo sob o olhar assustador de Koichi Yuy.
Pelas circustâncias e pelos lutadores, o primeiro confronto das semifinais tinha um ar especial. Rumiko e Koichi haviam realizado a grande final do ano anterior, que terminou com a vitória da novata e a formação da equipe que se tornaria campeã mundial. Meses depois, na Rússia, estes mesmo dois lutadores se tornariam os únicos capazes de enfrentar os temidos e até então invencíveis Soldier of Russia de igual para igual, derrotando Nathaliya e Yoshiyuki para conquistar não apenas o troféu de campeão, mas também a amizade dos antigos rivais, podendo finalmente se levantar contra Hajime Yuy e seus planos perigosos. Essa não era uma luta qualquer, era a revanche de Koichi e a chance de Rumiko de provar que ainda era a melhor do mundo, além de ser o confronto entre os dois mais fortes da equipe tida como a mais forte. Qualquer que fosse o resultado, motivos não faltavam para a promessa de uma grande luta com efeitos especiais e fogos de artifício.
Depois de algum tempo se estudando, Fenhir foi o primeiro a partir para a ofensiva, jogando Fenki contra a borda da arena e rebatendo-o quando o peão negro vinha em sua direção novamente. O pégaso parecia "jogar tênis" com o centauro, no entanto Rumiko não esboçava nenhuma reação.
- Rumiko, você sabe lutar melhor do que isso. – Constatou Koichi, observando as duas beyblades se movimentarem abaixo de seus pés. Quase imediatamente, Fenki se desviou dos ataques de seu oponente e começou sua própria onda de ataques, forçando Fenhir contra a borda da arena.
- O que você estava dizendo? Eu acho que não ouvi... – Mais ou menos como acontecera em suas lutas contra Nathaliya e Yoshiyuki quatro meses antes, a personalidade de Rumiko estava se transformando, tornando-a mais corajosa e ousada, confiante e animada. – Fenki, Investida!
Assim como na luta contra Ken, o velho conhecido ataque do centauro não causou dano visível no adversário. Koichi, entretanto, não baixou a guarda, esperando algo mais além de um ataque tão fraco. Como Fenki não deu mais nenhum sinal de que prolongaria seu ataque, o líder dos Taichi decidiu atacar, ainda cauteloso:
- Fenhir, Final Storm!
O pégaso imponente apareceu para a multidão, mostrando-se maior e mais assustador do que em sua última aparição pública no campeonato mundial. Suas asas estavam maiores e com uma coloração mais escura, enquanto seus olhos vermelhos brilhavam de um jeito perigoso, mas ainda fascinante. Até mesmo Rumiko deixou seu queixo despencar alguns centímetros com a visão, porém nada que a impedisse de reagir na hora certa, evocando mais uma vez o seu monstro sagrado:
- Fenki, Ultimate Eartquake!
O vento causado pelo págaso e o terremoto do centauro acabaram formando uma nuvem de fumaça, impedindo que os lutadores vissem com clareza o que estava acontecendo entre as beyblades. Depois de alguns segundos de espera, a situação foi se revelando aos poucos, deixando ambos surpresos:
- Nossa... elas ainda estão girando mesmo depois de tudo aquilo! – Exclamou Rumiko, ao ver as duas beyblades revais girando lado a lado próximas a uma grande fenda no meio da arena. – Isso é incrível!
- A luta está longe de acabar. Tanto eu quanto você ainda temos alguns truques na manga, não estou certo? – O jeito com que o mestre de Fenhir falou, combinado com seu discreto sorriso, fez Rumiko ficar levemente desconfiada do que ele tinha em mente para seus próximos movimentos, porém quando a beyblade roxa recomeçou seus ataques de uma maneira mais "convencional", os possíveis planos de Koichi Yuy foram deixados de lado na cabeça da garota. Fenki respondeu da mesma maneira.
Com o passar do tempo ficou claro que ambas as beyblades e seus lutadores estavam ficando sem forças. Os dois atacavam sem usar suas técnicas especiais, tomando cuidado para não cair dentro da fenda. Como seu público esperava, suas forças eram praticamente equivalentes, algo que não mudara em comparação com o último torneio, embora as proporções dessas forças tenham aumentado consideravelmente neste tempo. Quando Fenhir e Fenku começaram a cambalear, Rumiko e Koichi tomaram a mesma decisão ao mesmo tempo, como se tivessem combinado o grã-finale da luta antes de entrar na arena:
- Chama da Amizade!
Tudo ao redor da arena foi engolido por uma forte luz branca quando os dois ataques se encontraram, deixando os lutadores mais uma vez sem saber o que estava acontecendo com as beyblades. Rumiko começou a rir, e Koichi também o fez algum tempo depois. Ninguém esperava ver tal ataque sendo executado novamente, ainda mais ao mesmo tempo por dois dos três lutadores que o conheciam. A Chama da Amizade havia sido desenvolvida após o ataque a Ken, Satsuki e Takashi, quando os Taichi ficaram com seus membros reduzidos pela metade e mais unidos do que nunca. Essa era a técnica que derrotara os Soldier of Russia, uma técnica criada a partir dos laços de amizade e confiança que ligavam seus criadores.
Quando o efeito da luz passou, nenhuma das beyblades estavam à vista na arena ou em qualquer outro lugar ao redor. Enquanto Rumiko parecia levemente preocupada, Koichi tinha uma ideia do que estava acontecendo:
- Fenhir e Fenki provavelmente caíram na sua fenda. Se elas ainda estiverem girando, devem aparecer em algum momento.
Com as palavras do líder dos Taichi, lutadores e torcida mergulharam em um silêncio profundo, marcado pela ansiedade e nervosismo. Centenas de olhares se voltavam para a fenda causada pelo centauro, à espera de um sinal de vida de alguma das beyblades. Por fim a espera terminou, para delírio das arquibancadas e da dona da beyblade negra que voara da fenda diretamente para sua mão, como se dissesse "missaõ cumprida".
- EU GANHEEEI!
A primeira coisa que Rumiko fez foi cruzar a arena e abraçar seu adversário, que fazia menção de ir resgatar sua beyblade perdida. Fosse Koichi um pouco mais magro, mais fraco ou desatento, os dois provavelmente não se encontrariam mais em condições de comemorar qualquer coisa. Vendo a maneira com que a garota sorria e o agradecia pela grande luta, o líder dos Taichi não pode deixar de sorrir também, embora não tão abertamente, e de sentir-se feliz apesar de tudo, pois tanto ele quanto sua adversária haviam lutado com tudo que tinham e o resultado era justo.
- Você mereceu, Rumiko. – Declarou ele, olhando nos olhos de Rumiko depois de fazer certa força para que ela o soltasse. – Agora deixa eu ir atrás de Fenhir, ou eu vou acabar ficando sem beyblade...
Yoshiyuki, Nathaliya, Satsuki, Ken e Isaac chegaram bem a tempo de ver o rosto de Rumiko tornando-se um tomate e o sorriso vitorioso de Koichi resultante disso. Enquanto os últimos três parabenizavam a amiga, Yoshiyuki foi tirar satisfações com seu irmão mais velho, puxando Satsuki junto com ele:
- Que coisa feia, Nii-chan... Perdendo pra uma garota! – Exclamou ele, sorrindo apesar das palavras. Ele sabia que seu irmão não seria afetado por essas palavras, porém seu espírito de criança feliz o obrigavam a provocá-lo de qualquer maneira. – Onde está a educação que o vovô te deu? Será que agora eu é que vou ter que mostrar para o mundo do que os Yuy são feitos, é? Agora a responsabilidade de parar a Rumiko é só minha, eu vou ter que trabalhar duro se quiser que o nome da nossa família fique pra sempre manchado e caia na vergonha... Oh, a derrota...
Yoshiyuki parou de falar assim que viu a barra de chocolate ao leite colocada na frente de seus olhos por seu irmão.
O garoto gênio terminou de comer bem em temopo de enfrentar o Lutador Solitário na segunda semifinal. Assim como seu irmão, o garotinho também era capaz de sentir um grande poder vindo do misterioso adversário, por isso não o subestimaria como Isaac antes fizera. Logo antes da luta começar, um pequeno detalhe chamou a atenção dos irmãos Yuy: o Lutador Solitário parecia caminhar com alguma dificuldade, como se estivesse com algum tipo de ferimento em uma de suas pernas.
- Oi! Vamos fazer uma boa luta, eu espero que você seja forte pra eu não precisar me segurar e poder me divertir nessa luta! – Exclamou Yoshiyuki enquanto arrumava Ceres, visando estudar a reação de seu adversário para ter alguma idéia de sua provável força.
- Volte para o berçário, bebê. Se você quer se divertir, está no lugar errado. Não há espaço para diversão no beyblade, eu vou te mostrar!
O ginásio inteiro trancou a respiração, Koichi cerrou os punhos e o eterno sorriso de Yoshiyuki desapareceu por alguns instates. Ninguém esperava essa resposta do Lutador Solitário, e a torcida do líder dos Soldier of Russia em especial passou a gritar palavras nada agradáveis ao garoto, enquanto Nathaliya e Isaac mais uma vez mergulhavam em lembranças de seus tempos como subordinados de Hajime Yuy. As palavras do misterioso beyblader soavam amargas, cheias de ressentimento e ódio, não muito diferentes do que eles eram há apenas quatro meses. Quem era o Lutador Solitário? O que estava escondido por baixo de sua capa? Por que ele lutava? Por que dizia todas aquelas coisas de um modo tão frio e sinistro? Os beybladers esperavam que a provável vitória de Yoshiyuki os ajudasse a responder a todas essas perguntas.
- Três, dois, um... Go Shoot!
Antes que o garoto gênio pudesse esboçar qualquer reação, a beyblade dourada de seu oponente iniciava seus ataques em pleno ar, tentando fazer Ceres cair fora da arena. Foi por pouco, mas o unicórnio conseguiu uma aterrissagem segura, à centímetros da borda da arena. Uma vez lutando em chão firme, a beyblade do lutador misterioso não diminuiu o ritmo, porém dessa vez o segundo melhor lutador do mundo estava preparado, iniciando também uma onda de ataques em alta-velocidade.
- É só isso que consegue fazer? – Perguntou o Lutador Solitário, pelo seu tom de voz nada impressinado com a demonstração de agilidade de seu oponente. Novamente sua capa impedia a visão de seu rosto ou de qualquer parte de seu corpo. A única coisa de que se podia ter certeza era que ele era um pouco menor que Rumiko, medindo provavelmente menos que 1,5m de altura e que possivelmente era bem magro. – Eu estou decepcionado, esperava mais do vice-campeão mundial.
A fera-bit filhote de dragão apareceu atrás de seu mestre, parecendo ainda maior do que na luta das quartas de final. Pressentindo o perigo, Yoshiyuki chamou Ceres, novamente deixando de sorrir por alguns instantes ao perceber a pequena diferença de tamanho entre as duas criaturas sagradas. Em todos os seus quase sete anos de vida e luta, era a primeira vez que ficava em clara desvantagem.
- Eu ainda não mostrei tudo, se quer saber! Ceres e eu somos mais fortes do que você pensa! – Ficando cada vez mais agitado com a situação insperada, Yoshiyuki passou a buscar uma maneira de compensar a diferença entre as feras-bit fora da arena, porém seu tiro saiu pela culatra:
- Você não passa de um garotinho inteligente que acha que pode ganhar só porque treinou com o papai desde bebê. – Respondeu o Lutador Solitário, parecendo ainda mais assustador e sinistro. Sua voz estava cheia de ódio e rancor, forçando seu adversário a dar alguns passos para trás, sem perceber. – Vou te mostrar o verdadeiro poder, o poder daquele que luta porque não tem outra saída! Observe com atenção, vai ser uma boa aula para você! E é bom que Rumiko Higurashi também preste atenção, pois ela será a próxima.
- Não dê a luta como encerrada ainda, eu já disse que ainda não acabei! – Exclamou Yoshiyuki, ficando realmente sério e começando a mostrar sinais de estar irritado. Em desvantagem ou não, não gostava de ser subestimado por seus oponentes por causa do seu tamannho e idade. Precisava impedir seu oponente de atacar para valer enquanto ele ainda não tivesse um plano para contra-atacar, ou sua luta poderia acabar como a de Isaac. – Ceres, Bomba de Chocolate!
Os Taichi observaram pela primeira vez o ataque do unicórnio, já que nas outras vezes que o garoto gênio o executara, uma nuvem de fumaça logo cobria seu efeito: do chifre de Ceres saíram pequenos objetos voadores, atirados como bombas em cima da beyblade dourada. Assim que entravam em contato com o material da beyblade adversária, os pequenos objetos explodiam, liberando uma substância marrom e gosmenta. Logo, a beyblade do Lutador Solitário estava completamente coberta por um chocolate muito viscoso e pegajoso. Yoshiyuki voltou a sorrir timidamente, mas por pouco tempo:
- Isso é tudo que consegue fazer, bebê? – Enquanto o Lutador Solitário falava, sua beyblade aumentava a própria velocidade de giro, expulsando a gosma por meio de uma lei da física. – Se você já terminou, acho que está na hora de eu fazer a minha pequena demonstração. Kid Dragoon, Tempestade Fantasma!
Um vendaval mais forte do que o criado por Fenhir ameaçou tirar Yoshiyuki do chão no momento em que seu mestre deu o comando. Alarmado, Koichi levantou-se e correu em direção a arena, à tempo de ver seu irmãozinho apavorado cobrir o rosto com o braço esquerdo na tentativa de se proteger do ataque. Segundos depois, Ceres saiu voando da arena, em rota de colisão com seu mestre, que impedido de ver o que estava acontecendo, não conseguiu se desviar em tempo. O impacto do choque fez Yoshiyuki praticamente voar de encontro ao irmão, gritando com a dor de ter seu braço quebrado em várias partes por sua própria beyblade. O garotinho só teve tempo de encarar o irmão antes de perder os sentidos. Tomado pela raiva, Koichi deixou o mestre de Ceres com Satsuki – que o havia seguido assim que o viu se levantar – e colocou-se frente a frente com o Lutador Solitário, que calmamente recolhia sua beyblade após ser declarado o vencedor.
- O que foi? Veio tirar satisfações comigo por causa do bebê? – Perguntou o mestre do dragão, não parecendo nada intimidado por estar diante de um garoto muito mais alto e forte do que ele, e provavelmente mais velho. Koichi respondeu com um soco em seu rosto, fazendo-o recuar alguns centímetros. – Logo vê-se que os dois são irmãos, nenhum deles é exatamente forte...
Quando o Lutador Solitário avançou contra o líder dos Taichi, foram poucos os que conseguiram acompanhar seus movimentos. Em um segundo, o garoto estava parado encarnado o adversário, instantes depois Koichi era jogado até a parede com a boca pingando sangue pelo que parecia ter sido um único soco do lutador misterioso.
- Você teve o que mereceu. – Declarou o Lutador Solitário, observando o irmão de seu adversário se apoiar na parede para se levantar e limpar o sangue em sua boca com as costas da mão. – Eu sinto muito pelo seu irmãozinho, mas o bebê precisava acordar para a realidade. Nem todos tem a sorte de ter uma vida fácil como a dele...
Dizendo isso, o Lutador Solitário deu às costas aos garotos e deixou o ginásio correndo em uma velocidade anormamente rápida para quem entrara mancando neste mesmo lugar. Havia uma certa familiaridade com essa última cena que Koichi, preocupado com o estado do irmão e com as centenas de perguntas explodindo em sua mente, não conseguiu exatamente identificar.
Não demorou muito e todos os beybladers estavam reunidos ao redor de Satsuki tentando reanimar o líder dos Soldier of Russia. Havia um corte profundo no braço do garotinho, temporariamente fechado com um pedaço de pano amarrado pela loira. A vermelhidão do tecido antes branco preocupava Koichi, que se perguntava o que os médicos estavam fazendo que ainda não haviam chegado para atender seu irmãozinho.
- O que foi que aconteceu? – Perguntou Ken, confuso e perturbado pelas cenas que acabara de presenciar. – O que aquele cara fez exatamente?
- Soco no estômago. – Respondeu Koichi, virando o rosto à procura dos médicos. Avistou os homens vestidos em jalecos brancos do outro lado do ginásio e fez sinal para eles se aproximarem, dando um jeito de passar a mensagem de que, se não o fizessem, ele os buscaria à força.
- Eu não consegui ver nada, foi tão rápido! – Exclamou Rumiko, cobrindo a boca com as mãos ao ver o estado de Yoshiyuki.
- Quem é esse cara? É impossível alguém ser tão forte assim! – Exclamou Isaac, se juntando à Satsuki na tentativa de acordar o líder de seu time.
Ninguém respondeu a sua pergunta, os médicos logo chegaram e colocaram o garoto gênio em uma maca. Yukio Yuy se juntou aos garotos na enfermaria e observou enquanto os médicos suturavam o corte e colocavam gesso no braço quebrado. Yoshiyuki só acordou cerca de uma hora depois, sem o brilho costumeiro em seu olhar ou sequer uma sombra de seu sorriso marca registrada. Como última conseqüencia da luta, o medo e o pavor que preencheram os momentos anteriores a sua derrota, sensações associadas apenas com o momento em que ouvia seus pais contando todas as suas atrocidades como se fossem apenas uma brincadeira, fizeram com que Yoshiyuki se visse pela primeira vez como um garotinho normal de seis anos de idade, frágil e fraco, indefeso. A derrota para o Lutador Solitário despertara um lado obscuro de sua personalidade que até então era desconhecida, fazendo sumir o ar alegre e feliz que sempre o rodeava. Enquanto encarava seus amigos, os olhos do garotinho mantinham-se distantes, como se vagando em uma dimensão paralela. Usou o mínimo de palavras para se despedir, e na volta para casa, não usou nenhuma.
Sem motivos para comemorar depois da luta, os irmãos Urashima conseguiram arrumar suas malas antes de dormir. Os pais de Rumiko e Nathaliya evitaram perguntar muito sobre os eventos daquela tarde ao verem os olhares desanimados das garotas. Ainda levaria muito tempo para que os irmãos Yuy voltassem a ir à escola. Com o passeio do dia seguinte, os beybladers planejavam esquecer esquecer aquela sexta-feira pavorosa, pelo menos até a próxima segunda-feira, quando Rumiko ficaria cara a cara com o Lutador Solitário, lutando por muito mais do que o título do campeonato.
(Luzes apagadas, silêncio de velório)
(Ainda mais silêncio)
(Um holofote acende de repetente)
(Aparece o Shinji sentado em um banquinho no meio do palco com cara de sono)
Shinji: Oi. Por causa do que acabou de acontecer no capítulo ali de cima ninguém quis participar do off-talk de hoje. (suspiro) Eu particularmente acho que eles foram pra algum tipo de velório ou coisa assim... vestidos de preto e tudo... o.o
(Shinji pisca, pisca, pisca)
(Shinji parece bem mais acordado e mais assustado de repente)
Nã... não... Eu... não disse nada disso... não disse...
(Shinji levanta do banquinho e começa a caminhar pelo palco)
Eu só estou aqui de mensageiro... é... as bobagens não começaram ainda e eu tenho que... tenho que... é, eu tenho que me preparar para a excursão da escola e...
(Shinji some em uma velocidade absurda)
(Silêncio de novo)
(Silêncio...)
(Silêncio começa a ficar chato)
Toshihiro: Oba, o off-talk de hoje é só nosso!
(Todas as luzes acendem e o Toshihiro feliz dançando feliz no meio do palco fica ridiculamente visível)
Vladmir: Achei que você não fosse ficar tão animado considerando o motivo de termos o off-talk só pra gente dois capítulos antes de voltarmos a aparecer na fic... u.ú
Toshihiro: Quem liga para os motivos! A gente está aparecendo, não está?
(Toshihiro fazendo uma dancinha ainda mais ridícula, puxndo o Kian pra dançar junto)
Hehashiro: Mas ainda assim..
David: Ainda assim eu sou mais o Toshihiro! Vamo fazê uma festa exclusiva dos Personagens que Já Não Aparecem Mais e não vamo convidá o pessoal de Tóquio porque eles não são parte desse grupo! ò.ó (David expusando o Kian do palco pra ir dançar junto com o Toshihiro)
Lhana: FESTA!! XDDDDD
(Lhana dançando de um jeito muito mais fofinho que o tio ou o padrinho, porque um bebê quando dança é sempre fofinho e dois adultos-barra-pré-adolescentes dançando do mesmo jeito é simplesmente ridículo ¬¬'')
Vladmir: Sem querer ser chato, mas já sendo... – porque parece que é mais ou menos pra isso que eu estou aqui... u.ú – A Lhana não é teoricamente parte dos Personagens que Já Não Aparecem Mais, ela pra começo de conversa ainda nem apareceu na fic, e não vai fazê-lo até a próxima faze, a naõ ser que a gente conte (passa um caminhão muito grande barulhento do lado de fora do off-talk e ninguém escuta o que o Vladmir estava tentando dizer) e por isso ela teoricamente não devia fazer parte da festa...
Lhana: (parando de dançar pra ficar bem perto do Vladmir) Tio Vladmir tá me expulsando? XD (fazendo uma carinha fofinha de coitadinha)
Vladmir: Não, eu estou só apontando um fato que as pessoas daqui parecem ter esquecido. u.ú
Lhana: Ah, então tá! XDDDD (Lhana volta a dançar como se nada tivesse acontecido)
Cathy: Ah, como é bom aparecer de novo... (Sentada em uma cadeira vestindo um biquini e óculos escuros "tomando sol" na luz dos holofotes)
Christie: Ah, é verdade! Eu estava me perguntando como é que as pessoas nessa fic estavam conseguindo sobreviver sem a grande presença que o ser lindo, maravilhoso, excepcional e muito rico e famoso que sou eu! (Deitada em uma cadeira de praia usando um chapéu de palha muito chique importada da França, um óculos escuro de armação italiana e lentes alemãs e uma canga fabricada por freiras cegas isoladas do mundo e das estações de esqui nos Alpes suíços, também "tomando sol" com holofotes enquanto bebe uma limonada feita com limões escoceses) (Não, a Escócia não produa limões. Não pergunte) Essa fic estava ficando tão chata e banal sem a minha pessoa! Eu me pergunto como é que nossos maravilhosos e espertos leitores conseguiram aguentar tanta encheção de saco, eles provavelmente estavam ansiosos pelo momento em que eu voltaria a aparecer e dar a essa fic o glamour que ela merece e...
(Bola de futebol vinda de lugar nenhum faz um favor à sociedade e cala a boca da Christie)
Christie: X-X
(Muda a cena pro Felipe e o Franklin em um canto obscuro do off-talk)
Felipe: E é assim que você tem que fazer quando quiser que a sua namorada pare de te encomodar! n.n (Com o pé em uma posição suspeita)
Franklin: Minha vez de tentar fazer essa porra... (Franklin pega uma outra bola de futebol – a bola oficial da Copa do BRASIL de 2014, que ainda não existe oficialmente, mas que pode aparecer nas mãos do Franklin porque ele é fodão e tem muita grana pra isso. u.ú)
(Franklin chuta a bola na direção da Christie e da Cathy)
(Franklin é muito ruim em pontaria e a bola voa longe)
(Muda cena pra Ann, Luiz e Takashi conversando sobre um assunto qualquer enquanto tomam suco de uva em copos gigantes e bizarros que só faltavam pedir "me derrubem!")
Ann: Mas então... como eu ia dizendo antes das frases entre parênteses aparecerem, a verdade sobre o Lutador Solitáiro é que...
(E a Ann é interrompida de novo pelas frases entre parênteses em um momento crucial de seu discurso – clichê – pela bola que o Franklin chutou na cena anterior – clichê – que caiu exatamente na posição certa pra fazer TODOS os copos de suco derramarem na roupa nova que a Ann ganhou semana passada e estava usando pela primeira vez hoje – clichê e clichê! Isso não é legal?)
(PÁRA TUDO!)
(Congela a cena)
(Efeitos especiais e sonoros pra aumentar o dano causado pela bolada do Franklin)
(Todo mundo menos a Ann e o Franklin voltam ao normal para apanhar um saco de pipoca tamanho família)
(Todo mundo volta a suas posições originais pra assistir ao que vai acontecer quando a cena descongelar de verdade)
(Descongela a cena)
Ann: EU MAAAAAAAAAAAAAATO!!!!!!!! Ò.Ó
(Franklin corre por sua vida, Ann corre pela vida do Franklin – ou para acabar com ela...)
(Insira aqui uma daquelas perseguições sem sentido dos desenhos do Tom e Jerry e Pernalonga e afins)
(Corta a cena de novo enquanto a perseguição estilo Tom e Jerry – barra – Pernalonga continua)
(Voltando para o Shinji...)
Shinji: Eh? Por que eu de novo? O que eu fiz de errado dessa vez? (Shinji fazendo as malas para a excursão do próximo capítulo)
Voz: Nada. Ainda. O.o
Shinji: Hey! Quem é você? Achei que a gente não ia ter mais "vozes" no off-talk por um bom tempo... O.õ
Voz: Oh, eu estou só fazendo a figuração. E escrevendo as frases entre parênteses. E ferrando com a vida do Franklin. E... bem, você entendeu, né?
Shinji: Oh, então isso quer dizer que todos nós estamos sendo controlados feio marionetes por você, uma voz misteriosa que só vai mostrar a cara no fim do off-talk e chocar todo mundo com a revelação surpreendente?
Voz: Hum... é! XDD Mas esse não é o caso agora! (Pausa significativa) Eu estava a ponto de dizer que não faz sentido você estar arrumando as malas para o próximo capítulo porque o próximo capítulo já aconteceu a bastante tempo, e depois esperar você rebater dizendo que tem que manter as aparências e eu respondo que ultimamente é só isso que você anda fazendo e aí nesse ponto a nossa conversa seria interrompida por motivos que só o Jamie sabe. XDD
Shinji: Você não é o James-san? O.O
Voz: Claro que não! Se eu fosse, ao invés de VOZ, na frente da minha fala ia aparecer um JAMIE, não é?
Shinji: Que seja... u.ú
Voz: Pois bem... Agora que a nossa conversa terminou, eu posso fazer mais algumas dessas frases entre parênteses, destruir a Terra, fazer mais frases entre parênteses, revelar ao mundo a minha identidade secreta, chocar todo mundo e fazer mais algumas frases entre parênteses!
(Corta a cena)
(Franklin inconsciente no chão coberto de suco de uva e Ann com uma cara feliz de quem acabou de realizar o maior objetivo de sua vida.)
(Beybladers ainda comendo pipoca e cumprimentando a Ann)
(Frases entre parênteses fazem todo mundo parar o que estava fazendo para prestar atenção na voz e nas frases entre parênteses)
(Beybladers olhando para o nada procurando a fonte das frases entre parênteses)
(Frases entre parênteses ordenam que a Terra se destrua e ficam esperandoos efeitos pirotécnicos que acompanham essas coisas)
(Efietos pirotécnicos se atrasam por alguma razão e a Terra se destrói de uma maneira absurdamente sem graça e mundana)
(Frases entre parenteses...
Carlos: Hey, isso tá ficando muito enrolado, visse? Eu tô ficando cum sonu...
Voz: Ah… tá bom… tá bom... eu vou ir direto ao ponto então! n.n
(Carlos dorme e fica babando no William, que estava perto demais para conseguir fugir em tempo)
Voz: Oh, desculpem-me, eu tinha dito que ia direto ao ponto com as frases entre parênteses, mas mesmo assim essa última frase aparece do nada e sem necessidade. Isso não vai mais acontecer, porque eu agora vou revelar a minha identidade secreta e...
Erik: Seja rápido. ¬¬''
Voz: Quem disse que eu sou um garoto? O.õ
Alice: Não és? XDDD O.O'
Voz: Não. Que coisa, as pessoas sempre acham que só os meninos é que sabem criar caos e confusão e...
Jun: Então você é... a Elizabeth?
Voz: Hum... Não! XDD
Lily: Então quem?
Voz: Bem, se vocês todos não tivessem me interrompido, eu teria dito já faz algumas linhas... XD Mas enfim... Preparem os colchões, porque o choque vai fazer todos vocês capotarem! n.n
(Beybladers arrumam montanhas de colchões macios no chão – passando por cima do Franklin de propósito porque ele ainda não acordou e as frases entre parênteses decidiram que hoje ele ia ser a grande vítima das insanidades do off-talk)
(Frases entre parêntes fugiram do ponto de novo, eu sei)
(Voz se prepara para revelar sua identidade)
(Musiquinha de fundo tocada pelos Personagens que Ainda Não Apareceram)
(Beybladers esperando acabarem as frases entre parênteses)
Voz: Sim, eu entendi a mensagem que eu mesma deixei sub-entendida na última frase entre parênteses. Sem mais rodeios, porque senão a gente não vai a lugar nenhum e esse off-talk está ficando looooongo demais, e bem...
Eu sou...
(Luzes dos holofotes se focam na identidade da Voz)
(Beybladers capotam porque era isso que eles precisavam fazer e porque, se eles não capotassem, toda a energia gasta para arrumar os colchões pelo palco e em cima do Franklin seria desperdiçado)
Gaby: Oi! Aposto que ninguém adivinhou, né? n.n
OWARI
(Porque nesse off-talk nada fez sentido, então o fim também não precisa fazer... n.n)
Assinado:
Gaby Andrews
