CAPÍTULO V

EXCURSÃO

Os beybladers não dormiram durante a noite por variados motivos. Toda a vez que Rumiko fechava os olhos, a luta entre Yoshiyuki e o Lutador Solitário voltava a passar como um filme em sua mente, realista demais para ser apenas uma lembrança. Naquela tarde, o líder dos Soldier of Russia perdera não somente a luta, mas também a alegria e o sorriso brilhante que até então sempre o acompanhavam. Se não vencesse a luta da próxima segunda-feira, Rumiko provavelmente nunca mais veria esse sorriso, e isso era uma das coisas que ela menos queria.

- Nathaliya, você acha que eu posso ganhar na segunda?

A mestra de Fenki sabia que sua irmã, assim como ela, não estava conseguindo dormir. Na cama ao lado da sua, a russa se mexeu desconfotavelmente em baixo das cobertas e demorou algum tempo para responder, como se escolhesse suas palavras cuidadosamente:

- Você precisa ganhar, Rumiko. Não podemos deixar o que aconteceu na semifinal passar em branco. O Lutador Solitário vai ter uma surpresa, porque quando você realmente quer alguma coisa e luta a sério por ela, nada pode te parar. Eu sei disso mais do que ninguém.

As duas irmãs se encararam, conseguindo mesmo no escuro distinguir os contornos uma da outra. Rumiko sabia que as palavras de Nathaliya faziam sentido, embora algo dentro dela insistisse em gritar que força de vontade apenas não seria suficiente dessa vez. A mente de Rumiko começou a imaginar o que poderia acontecer durante a final do campeonato, com o Lutador Solitário se revelando uma cópia miniatura de Hajime Yuy, que incendiava a arena e fugia depois de derrotá-la de uma forma humilhante, gargalhando como o louco maníaco que ele era. Tendo pesadelos mesmo quando acordada, Rumiko só conseguiu dormir por volta das cinco da manhã. Infelizmente para ela, às cinco e meia sua mãe batia na porta, chamando suas filhas para tomar café.


Novamente o pai de Ken foi o responsável por levar as crianças e suas malas para a escola. Shinko Urashima logo percebeu que algo estava errado quando a bagunça em seu carro foi praticamente nula, sem que as crianças trocassem mais do que meia dúzia de palavras entre elas. Rumiko e Nathaliya tinham olheiras bem visíveis em seus olhos cansados, como se não tivessem dormido durante toda a noite, não muito diferentes de seus dois filhos e de Satsuki.

- Hey, o que houve, crianças? Não estão animadas com o passeio? – Perguntou o homem, tentando levantar um pouco o astral dentro do veículo.

- Sim, estamos, pai. – A falta de entusiasmo na voz de Ken deixava dúvidas quanto a credibilidade de suas palavas.

- Pois então mostrem! Até parece que você saíram de um velório! Eu sei que o que aconteceu ontem não foi uma das coisas mais agradáveis de se ver, mas ficar pensando sobre isso agora não vai ajudar em nada! – Aproveitando um sinal vermelho no meio do caminho, o médico virou-se para encarar os filhos e seus amigos. Seu jeito de falar lembrava muito Ken, a forma de espressar sua agitação e indignação era idêntica à de seu filho mais velho. As crianças ficaram impressionadas. – Aproveitem o passeio para relaxar a cabeça um pouco e recarregar as baterias para segunda, principalmente você, Rumiko-chan. Eu não sei como você vai fazer para ganhar se encarar seu adversário depois de uma série de noites mal-dormidas e nenhum descanso. Você não está esperando que o Lutador Solitário saia correndo ao te ver transformada em uma monstra insone e perca por desistência, está?

- Erm... não... – Rumiko não sabia muito bem como responder, nunca havia sido confrontada pelo pai de seu amigo dessa maneira. Ken e Isaac olhavam de Shinko para Rumiko com os queixos levemente caídos enquanto piscavam os olhos duas ou três vezes de cada vez, Nathaliya e Satsuki observavam a paisagem na janela sem realmente prestar atenção no que viam, ouvindo tudo que se passava dentro do carro atentamente, segurando a vontade de rir.

- Ótimo. Divirtam-se então, crianças!

Por causa da conversa, ninguém percebeu que o grupo de aproximava da escola antes da fala do pai de Ken. O homem largou as crianças na porta e saiu para o trabalho, não sem antes fazer o quinteto prometer que eles todos se divertiriam muito no fim de semana e que voltariam cheios de história para contar sobre a aventura.

Os colegas de Rumiko imadiatamente cercaram a garota, bombardeando-a com perguntas sobre as lutas da semifinal e da final, se ela se achava capaz de ganhar do Lutador Solitário depois do que acontecera a Yoshiyuki, se tinha alguma idéia de quem o Lutador Solitário poderia ser e se estava com medo de enfrentá-lo. Eram tantas as perguntas que a mestra de Fenki não sabia mais o que fazer, totalmente cercada e sem lugar para fugir. Para sua sorte, Nathaliya percebeu a situação e tratou de expulsar todos os curiosos com uma única frase, dita no seu tom mais assustador de garota esquentadinha:

- Deixem a minha irmã em paz ou eu não respondo por mim!

Os alunos saíram correndo, refugiando-se no ônibus da excursão. Apenas um ficou para trás, se aproximando de Rumiko sem ser notado:

- Seu amiguinho perdeu porque era fraco. Só há lugar para os mais fortes nesse mundo, Rumiko Higurashi, e a diferença de poder entre ele o Lutador Solitário era imensa.

Rumiko poderia ter ganho uma medalha olímpica em salto em altura ao ouvir o sussurro baixo e grave em seus ouvidos. Seu grito chamou a atenção dos demais beybladers, e logo todas as atenções estavam voltadas para Shinji Ueno, que imediatamente se encolheu sob os olhares inquisitivos dos beybladers.

- Ueno-kun? Foi você que disse aquilo? – Entre todos, Rumiko era a mais impressionada. O Shinji que conhecia até o momento, apesar de calado, tinha uma voz muito mais aguda e uma tendência a gaguejar que não estavam presentes no sussurro de poucos segundos antes, como se o garoto fosse uma outra pessoa. Se a japonesa tivesse um pouco mais de cérebro, poderia ter transformado seu espanto em raciocínio e chagado a alguma conclusão importate, porém, em se tratando de Rumiko, isso não aconteceu.

- Eu... eu... é que... – Shinji tentou se explicar, recuando cada vez mais enquanto falava, encarando Nathaliya mais ou menos como encarava Koichi cada vez que era pego espionando. – Bem... eu... eu assisti a luta e... e...

Ao se ver a uma distância segura do grupo, o garoto também correu para o ônibus, sentando-se ao lado de Zanxam-sensei, um lugar do qual ele sabia que nenhum de seus colegas teria coragem de se aproximar.

- Humpf, covarde. – Exclamou Nathaliya, pegando a sua mala e a de Rumiko e levando para o ônibus. – Francamente, eu não sei qual é a dele. Fica tentando nos espionar, mas se borra de medo toda a vez que tentamos falar com ele. Covarde.

- Você já disse isso, Nathaliya. – Comentou Isaac, também apanhando sua mala.

- Eu sei, mas se ele é mesmo um covarde a única coisa que eu posso fazer é chamá-lo assim, não é? – Respondeu a loira, sem parar para encarar os amigos. – Covarde.


Durante a viagem até as montanhas, Ken e Isaac decidiram que essa era uma boa oportunidade para começar a cumprir a promessa que fizeram ao seu pai. Ruim para a professora, que tinha planejado terminar de ler seu livro super interessante sobre os diferentes tipos de folhas encontradas na floresta amazônica, mas que teve que passar longas cinco horas ralhando com seus dois alunos encrenqueiros. Quando a turma finalmente chegou ao seu destino, Zanxam-sensei teve prazer em deixar os irmãos um pouco mais de tempo dentro do ônibus enquanto os demais alunos formavam grupos e escolhiam os melhores lugares para montarem suas barracas.

- Ah, eu sinto muito, Urashima-kun, Isaakov-kun, mas parece que só sobrou o Ueno-kun para ficar no grupo de vocês, e eu temo que a essa hora só as partes sem grama e cobertas de lama sobraram para vocês montarem acampamento... – Foram as palavra de Miko Zanxam ao liberar seus dois alunos, depois de quase uma hora de espera.

Enquanto xingavam a professora de todos os nomes feios que conheciam – grande parte deles aprendida durante o convívio com Franklin Hill, o líder boca-suja dos Europe Fire! – Ken e Isaac apanharam sua bagagem e tentaram escolher um lugar apropriado para montar a barraca, algo que parecia impossível a essa altura do campeonato. Shinji seguiu-os um pouco distante, tropeçando nos próprios pés enquanto caminhava, esparramando seus pertences no chão toda a vez que o fazia. O trio só arranjou um lugar razoavelmente seguro depois de cerca de meia hora rondando o acampamento. Em uma zona relativamente afastada das demais barracas, rodeados por árvores de todos os tamanhos cobertas de folhas e flores coloridas eles começaram a trabalhar, ou melhor, Isaac começou a trabalhar, já que Ken e Shinji não eram exatamente coordenados para executar uma tarefa tão complicada quanto montar uma barraca.

- Vocês dois bem que podiam se esforçar um pouquinho mais, né? É complicado fazer tudo sozinho, ainda mais quando se tem um olho só pra fazer pontaria...

Ken, que estava sentado em sua mala esvaziando uma garrafa de suco de pêra e abacaxi, cuspiu fora tudo que havia em sua boca e um pouco mais, enquanto Shinji tropeçava mais uma vez em sua tentativa de se afastar dos garotos discretamente. A barraca estava pela metade, o russo realmente estava tento trabalho para passar as cordas e arames pelos pequenos orifícios do tecido e para prender tudo no chão. O mestre de Fenrochi foi o primeiro a se aproximar, seguido por Shinji depois de um tempo consideravelmente longo.

- Ah, Ueno, cuidado com...

O alerta do russo veio tarde demais. Shinji não havia percebido os restos de uma garrafa de suco largada no chão, tropeçou e caiu em cima da barraca, pondo um fim dramático em uma hora de trabalho árduo de seu colega. Os dois irmãos teriam prontamente gritado com ele se Shinji não tivesse levantado a voz primeiro, agarrando sua perna direita enquanto uma mancha vermelha começava a se espalhar por sua calça acinzentada.

- O que está acontecendo aqui? – O grito atraíu a atenção de Zanxam-sensei e de boa parte dos alunos, entre eles Rumiko, Nathaliya e Satsuki. Enquanto a professora fazia um novo curativo no ferimento de seu aluno – um corte mais profundo do que parecia à primeira vista – a dupla de beybladers explicava como exatamente eles estavam tendo dificuldades em montar sua barraca e como, depois de terem quase terminado, Shinji destruíra tudo de novo. O problema dos garotos foi resolvido quando Nathaliya deu um passo à frente e se aproximou da barraca destruída. Depois de alguns segundos analisando a situação, a russa começou a trabalhar, entregando em cinco minutos uma uma "chave" simbólia de uma barraca perfeitamente montada nas mãos de seus compatriota.

- Nathaliya, eu te amo! – Exclamou Isaac, deixando o queixo cair livremente com a visão a sua frente. A russa corou levemente, sorrindo para o garoto em resposta.

- É, casa comigo, Nathaliya! – Ken foi bem menos feliz em sua exclamação, recebendo da mestra do fogo um tapa bem sonoro na nuca. Quando Zanxam-sensei terminou com Shinji, os três garotos receberam ordens para voltar para as barracas até a hora da janta.


- Cara, tá tão chato aqui dentro... – Comentou Ken, depois de meia hora sem fazer nada a não ser encarar o teto.

- E quente também... – Completou Isaac. O garoto estava deitado de barriga para cima sem camisa e sem o tapa-olho, coberto de suor. – E me parece que lá fora não está muito melhor. – De fato, desde a chegada do grupo na montanha a temperatura local havia subido consideravemente, e o ar úmido aumentava ainda mais a sensaçaõ de estar em um forno gigante. – Alguém aí tem uma garrafa de água? A minha acabou...

Shinji olhou imediatamente para a sua garrafa, ainda cheia, e depois para o russo. Não queria entregá-la ao garoto, não gostava de ter que se desfazer de uma provisão tão importante, porém o estado do russo dizia claramente que ele estava precisando ser hidratado com urgência, e assim o garoto de Hokkaidou fez o que deveria, sem dizer nenhuma palavra.

- Obrigado. – Isaac sentou-se para beber. Sentindo-se um pouco melhor depois de esvaziar a garrafa de meio litro em menos de cinco segundos, achou que poderia ser uma boa idéia iniciar uma conversa com seus companheiros de barraca:

- Hey, Ueno, por que exatamente você veio pra Tóquio?

Shinji encarou o colega com os olhos arregalados, como se Isaac tivesse perguntado sobre um tabu ou dito uma blasfêmia. Abriu e fechou a boca várias vezes antes de finalmente falar, em um tom não muito agradável:

- Isso... não é da sua conta.

- Ora, vamos! Nós estamos presos nessa barraca até a hora da janta, morrendo de calor e sem nada pra fazer, por que não passar o tempo conversando e contando coisas sobre a nossa vida pessoal para estranhos? – Insistiu Isaac, sentindo o olhar divertido de Ken ao seu lado. Aparentemente os dois exibiam a mesma expressão curiosa e animada, pois Shinji olhava de um para o outro não muito contente e um tanto impressionado.

- Se vocês querem mesmo saber... – O garoto suspiro fundo antes de continuar, encarando o chão enquanto falava. Para a surpresa da dupla de beybladers, ele não gaguejou uma vez sequer. – Eu vim de uma fazenda no norte de Hokkaidou para cá por que minha família está com uns problemas. – Uma pequena pausa, em que Shinji passou a encarar os colegas. – Que problemas são estes é algo que não diz respeito a vocês. Se eu achasse que vocês deveriam saber, eu contava. – O restante da frase veio em um sussurro, impedindo até mesmo Isaac de enteder exatamente seu significado. – Vocês não são fortes o suficiente...

- O que? – Perguntou Ken, referindo-se ao sussurro.

- Não é da sua conta. – Respondeu Shinji, de um jeito que lembrava vagamente Koichi em seus dias de mau-humor.

Os garotos tentaram prolongar a conversa, porém Shinji respondia apenas "não é da sua conta" a cada nova pergunta que faziam. Depois de algum tempo, os dois desistiram de conversar e a barraca ficou em silêncio. Ken brincava com o tecido da barraca, Shinji olhava para a janela e Isaac encarava o teto, suando cada vez mais.


- Isaac! Hey, Isaac! Acorda!

O russo abriu o olho – que ele não se lembrava de ter fechado – para encontrar o rosto borrado de Ken muito perto do seu. Sua cabeça latejava e ele se sentia fraco, cansado e com muita cede, para não falar no calor.

- O que... o que houve?

- Você tá legal? – Perguntou o japonês, sorrindo um pouco apesar da evidente preocupação. – Você desmaiou agora a pouco, o Ueno foi buscar água e chamar a sensei enquanto eu tentava te acordar...

- Eu to com calor... Tá muito abafado aqui... – Respondeu Isaac com a voz fraca.

- Mesmo? Nós não estamos mais na barraca, eu e o Ueno te tiramos de lá achando que aqui fora ia estar melhor, mas eu acho que não...

Zanxam-sensei e Shinji escolheram este momento para aparecer. A professora foi corredo até seu aluno russo quando percebeu o estado em que se encontrava, não perdendo tempo em jogar um pano umidecido na testa deste e medir sua temperatura. Aos poucos outras crianças foram se aproximando para saber o que estava acontecendo, a maioria a tempo de ver sua professora em pânico pela primeira vez em suas vidas.

- Isaakov-kun, isso não é bom. Por favor, agüente mais um pouco enquanto eu penso no que fazer... – A professora mordeu o lábio, gritando em seguida para que alguém trouxesse gelo. Ken se aproximou da mulher, alarmado, tentando ler o que dizia o termômetro. Seus olhos aumentaram consideravelmente de tamanho quando o número 40,9 tornou-se visível no mostrador digital, e ele imediatamente acomodou-se ao lado da cabeça do irmão, pela primeira vez com alguma noção do quão grave era a situação em que eles estavam.

- Hey, Isaac... vai ficar tudo bem... você vai ver... Nós vamos dar um jeito e...

O russo virou-se para encarar o irmão. Parecia cansado e seu rosto estava bem vermelho, destacando a pálida cicatriz em seu olho esquerdo. Quando o garoto abriu a boca, apenas Nathaliya conseguiu entender suas palavras, sua dor de cabeça era tanta que ele não conseguia mais se concentrar para falar japonês.

- Hey, eu acho que isso vai te ajudar, Isaac... – Exclamou Nathaliya, em russo também, não muito certa se o amigo conseguiria entender qualquer coisa em japonês a essa altura do campeonato. A garota tinha Comulk em sua mão, e assim que lançou a beyblade, o urso de armadura apareceu, indo para perto de seu mestre, de modo a praticamente colocar o garoto em seu colo.

- Wow, eu não sabia que feras-bit podiam fazer isso! – Exclamou Ken, se afastando para dar espaço ao urso. Muitos de seus colegas faziam comentários parecidos. – Viu só, Isaac? Até a sua fera-bit quer te ajudar!

- Comulk... É você mesmo? Você é tão... fofinho... – O russo fez algum esforço para sorrir, sentindo-se confortável nos braços da criatura que, surpreendentemente, não era quente. Em seguida, seu olho direito se fechou, espalhando pânico entre os alunos. Comulk sumiu logo depois, se desmaterializando em um uma chuva de pó colorido enquanto sua beyblade parava de girar.

Até o momento, ninguém havia percebido a ausência de Shinji entre eles, porém quando o garoto reapareceu em cima de uma árvore diretamente acima dos colegas, com um saco disforme em seus braços e um olhar que poderiam assustar até mesmo um grande animal selvagem, todas as atenções se voltaram para ele. Sem se enconlher perante as dezenas de olhares, Shinji pulou diretamente para o chão, – estava a pelo menos dez metros de altura em cima da árvore – caindo como um gato com o mínimo de ruído, ignorado o ferimento em sua perna que mais uma vez se abria, e se aproximou do russo.

- Talvez eu tenha alguma coisa aqui que possa ajudá-lo. – Declarou ele, olhando para Ken com o olhar determinado. O japonês não sabia se deveria ficar impressionado ou assustado com a mudança repentina no colega. – Ou pelo menos dizer se ele pode ser ajudado. – Shinji se ajoelhou perto do rosto do russo e jogou uma espécie de pó esverdeado no olho machucado do garoto. Depois de alguns segundos, o pó tornou-se vermelho e o menino de Hokkaidou baixou a cabeça.

- E então? – Perguntou Ken, com medo da resposta.

- Eu sinto muito. Mesmo que uma ambulância chege aqui agora, eu temo que seja tarde demais pra ele.

- Não! Isso é mentira! – Explodiu o mestre de Fenrochi, tornando o medo em fúria. – Como é que você pode saber uma coisa dessas com um simples pozinho colorido?

- Não me subestime, Urashima. – Rebateu Shinji. – Esse "pozinho" foi desenvolvido pela minha mãe, ele tem propriedades especiais que me permitem saber as chances de sobrevivência de uma pessoa. – o garoto não se intimidou, encarando Ken com um ar autoritário que até então ninguém imaginava que ele possuía. – Isaakov-kun não vai agüentar muito mais tempo. Por causa do calor, sua cabeça deve estar explodindo agora, ele está perdendo líquidos muito depressa. Sua pressão sobe a níveis alarmantes enquanto o coração bombeia sangue cada vez mais rápido para o corpo, por sua vez aumentando ainda mais a temperatura. É um ciclo vicioso do qual ele não tem escapatória. No fim, as altas temperaturas vão atingir também o cérebro, causando uma pane geral, e tudo vai estar acabado. É melhor aceitarem a realidade. – O olhar de Shinji pela primeira vez mudou de Ken para Nathaliya. – Além disso, ele é muito fraco. Disso eu tenho certeza.

- Do... do que você está falando?

O garoto não respondeu, continuou encarnado a russa sem piscar, como se a desafiasse a discordar de suas palavras. Rumiko e Satsuki, assim como muitos de seus colegas, levaram as maos à boca, assustadas, porém Ken se levantou, forçando Shinji a fazer o mesmo.

- Escute aqui, seu espertinho! – A determinação era visível nos olhos de Ken, fazendo Nathaliya sorrir com o canto do lábio e Rumiko e Satsuki relaxarem um pouco. – O que você acabou de dizer é suficiente para tirar nota máxima numa prova de ciências, quanto a isso não há dúvidas. Ruim pra você, o Isaac não é um exemplo de livro, uma forma matemática que você aplica a fórmula e sempre dá certo! Ele é um ser humano, um ser humano com uma força fora do comum! – Os olhos de Ken começaram a ficar marejados enquanto ele pensava no que estava prestes a dizer, porém ele não parou. – Você não deve saber, mas ele sobreviveu a uma tempestade de neve no meio da Sibéria quando tinha dez anos! Sobreviveu à mesma tempestade que matou sua mãe e seu pai! – Alguns dos alunos soltaram exclamações surpresas, entretanto nem Shinji, nem Ken pareceram ter notado. – Os fatores que interferem na vida de um ser humano não podem ser calculados, as pessoas são diferentes dos livros! Isaac não vai ser derrotado por uma febre, eu tenho certeza!

Depois de mais alguns segundos se encarando, Ken quebrou o contato visual, voltando a se ajoelhar perto do irmão. Havia uma garrafa de água em sua mão, presente de um de seus colegas, e o garoto simplesmente derramou seu conteúdo no rosto do russo enquanto dirigia a ele algumas palavras:

- Isaac, escuta: eu não sei o que você está pensando agora, se é que você está conseguindo pensar... Mas eu realmente acredito no que eu disse! Você já passou por tanta coisa na vida, já sobreviveu a tantas situações improváveis... prove que consegue passar por esta também! Vamos lá, reaja! Reaja!

Vendo a reação de Ken, Nathaliya também decidiu fazer alguma coisa, juntando-se ao garoto:

- Vamos, Isaac! Eu sei que você consegue! Levanta daí! Você é forte o suficiente para isso! Não deixe esse calorzinho te derrotar, mestre do gelo!

As reações de Ken e Nathaliya iniciaram uma reação em cadeia, e logo todos os alunos gritavam suas palavras de incentivo. Para espanto de Shinji, depois de alguns intantes o russo de fato começou a mostrar alguma melhora. Talvez isso fosse por causa do pensamento positivo e incentivo de seus colegas, ou talvez tudo tenha sido o efeito da água na cara, mas o fato é que ele abriu o olho novamente, virando o rosto de um lado para o outro enquanto tentava entender o que estava acontecendo.

A comemoração foi geral. Depois de trocar algumas palavras em russo com Nathaliya, Isaac voltou a falar japonês e foi tranferido para a barraca de Zanxam-sensei por medida de segurança. Nathaliya, Satsuki e Rumiko acompanharam o garoto, deixando Ken e Shinji sozinhos na floresta.

- Eu estou confuso. – Declarou o garoto de Hokkaidou depois de algum tempo observando as árvores. – É a primeira vez que eu erro, eu devo ter feito alguma coisa errada...

- Além do fato de você ter tratado o Isaac como um boneco previsível, o que mais poderia dar errado? – O sarcasmo na voz de Ken era evidente, porém Shinji fingiu não perceber:

- Bem... há uma... condição para o pó funcionar... Segundo a minha mãe, para que o pó funcione, eu preciso ter a mente livre de problemas e querer realmente ajudar a outra pessoa... – Shinji não encarava Ken, permanecendo distante mesmo em sua voz. Apesar de não estar mais gaguejando, não mostrava mais a mesma autoridade de antes.

- E você tem problemas te incomodando ou não quis realmente ajudar o Isaac? – Perguntou Ken, torcendo para que o colega respondesse que era a primeira opção.

- Não é da sua conta. – Respondeu o garoto, com a voz livre de emoções.

- De novo isso? – Ken novamente perdeu a paciência, caminhando até Shinji e segurando-o pelos ombros para fazer seus olhos se encontrarem. – Olha aqui, senhor "eu-me-acho", isso é da minha conta sim! Isaac é meu irmão e eu quero saber!

- Irmão? Vocês têm sobrenomes diferentes! – Exclamou o outro, um tanto confuso.

- Eu bem que gostaria de responder "não é da sua conta" agora, mas não vou, porque eu acho que seria bom pra você saber disso, quem sabe aprende algo sobre a vida... – Ken não precisava mais segurar Shinji para fazê-lo encará-lo, o garoto de Hokkaidou parecia interessado no assunto. – Para a sua informação, senhor sabe-tudo-decora-de-livro, o Isaac é meu irmão adotivo, se você não lembra do que eu disse sobre como os pais dele morreram. E ele é russo, como ele disse no primeiro dia de aula. Os pais dele morreram por causa de uma conspiração armada por um cara mau chamado Hajime Yuy, que não por conhecidência é o pai do Koichi e do Yoshiyuki Yuy, que eu sei que você já ouviu falar.

Shinji tentou interromper, porém Ken o impediu com um movimento de sua mão. Falando sobre os acontecimentos do campeonato mundial, o garoto sentia-se mais corajoso do que o normal, apesar da pequena dor o peito que ele associava a certos momentos:

- Em 2001, quando Isaac estava fazendo dez anos, ele e os pais dele estavam em um trem para Moscou. Infelizmente para eles, Yuy-teme tinha um plano para impedir que eles chegassem, e uma bomba explodiu naquele trem. O pai dele ficou ferido quando tentou protegê-lo e a mãe, que não se machucou, decidiu usar seu corpo para aquecê-lo. O socorro demorou pra chegar, o pai dele acabou morrendo logo, e a mãe acabou congelando abraçada a ele, logo antes do resgate chegar. – A voz de Ken tornou-se menos firme, seus olhos novamente começaram a ficar marejados. – Deve ter sido horrível... ver os pais morrerem lentamente na sua frente enquanto você não pode fazer nada…

Tanto Shinji quanto Ken pararam de se encarar, virando seus rostos para direções opostas em um movimento perfeitamente sincronizado. Eles não sabiam, mas naquela hora dividiam o mesmo tipo de sentimento, ambos se recusavam a deixar as lágrimas fugitivas escaparem de seus olhos. As coisas que o colega falava traziam lembranças nada agradáveis ao garoto de Hokkaidou, que lutava com todas as suas forças para não mostrar o quão abalado realmente se sentia no momento. Apesar da voz trêmula, Ken continuou falando:

- Isaac, Nathaliya Yoshiyuki são parte dos Soldier of Russia, a equipe que enfrentamos na final do campeonato mundial passado. Eles eram a equipe treinada pelo Yuy-teme, e naquela época eram tão ruins quanto ele. As feras-bit deles tinham a habilidade de roubar a mente das pessoas ou coisa assim, suas vítimas não podiam sentir nada, ouvir nada, ver nada, ou falar nada. Eles atacaram todos os nossos amigos, um por um, usando essa habilidade a cada nova luta. Nós ficamos um mês lutando contra eles e contra nós mesmos, contra a parte de nós que achava que não havia jeito de derrotá-los e queria fugir. Até que, no dia do meu aniversário, que também é o aniversário do Isaac, eu o desafiei depois de encontrá-lo tocando piano numa sala. Eu não sei bem porque eu fiz aquilo, na verdade, mas na hora me pareceu a coisa certa a fazer. Só que ele era muito melhor do que eu e ele venceu bem fácil. Ironia, eu sei, mas foi o cara que eu hoje chamo de irmão que me transformou em um vegetal sem mente por mais de uma semana. No fim, eu só me lembro de acordar numa sala com o Yuy-teme me dizendo que eu não tinha mente própria e devia obedecer a ele...

Ken parou de falar, sabia que se abrisse a boca não conseguiria produzir nenhum som com sentido. A dor no peito aumentava com as lembranças que, apesar de fazerem parte de um passado aparetemente distante, ainda estavam bem marcadas em todos os beybladers. Se Ken não estivesse determinado a contar tudo para Shinji em uma tentiva de fazê-lo se abrir também e de ensiná-lo mais uma lição, já teria há muito desistido. Respirou fundo e contou até dez mentalmente antes de continuar, um pouco mais controlado. A próxima parte da história era a que mais doía contar, mas também a que mais valia a pena:

- Hajime-teme mandou eu atacar os Taichi e qualquer um que se opusesse a mim e a ele. Eu devia derrotá-los. Nessa hora, Isaac e os Soldier of Russia estavam ajudando meus amigos, eles já tinham perdido e decidiram mudar de lado. Eu acabei mandado para um labirinto de túneis em baixo do ginásio e lá eu encontrei... Isaac. Com outros dois amigos. – Ken parou novamente para recuperar o controle, teve que respirar fundo mais algumas vezes antes de continuar. – O Isaac disse para os dois que sabia o que podia me fazer voltar a ser o que era, ele queria que eu o atacasse quantas vezes fosse necessário, sem me segurar! – A voz de Ken tornou-se extremamente aguda quando uma única lágrima escapou de seus olhos. – E é óbvio que eu fiz exatamente isso! Minha beyblade acertou ele umas três vezes, e é por isso que ele hoje tem aquela cicatriz horrível no olho! E tudo pra me fazer voltar ao normal! Eu, que até então ele considerava o seu pior rival!

- Por que ele faria isso? – Perguntou Shinji, estupefato, se perguntando como alguém poderia ser tão idiota.

- Ele disse que o único jeito de me fazer voltar a ser eu mesmo era acabando com a raiva que estava dentro de mim. Ele sabia que eu estava com raiva dele por ter perdido a luta. E esse era o jeito que ele conhecia de acabar com a raiva. Ao menos funcionou. Eu voltei ao normal, nós encurralamos o Yuy-teme, fizemos ele contar todas as barbaridades dele e agora ele é um foragido da polícia e nós somos uma família feliz com dois pares de gêmeos bagunceiros! – Foi um alívio para Ken poder sorrir novamente depois de ter que relembrar os piores dias de sua vida. Em contraste com os acontecimentos durante o dia da grande final, as lembranças que se seguiam à conquista do título pelos Taichi eram as mais felizes possíveis.

- Vocês são estranhos... – Foi o comentário de Shinji. De alguma forma, os papéis haviam se invertido durante a conversa, e era o garoto de Hokkaidou quem tinha dificuldades para controlar suas emoções e palavras. – Eu queria ter alguém pra confiar desse jeito, mas...

Os ouvidos de Ken se apuraram, percebendo que talvez seu plano tivesse dado resultado. Com um pouco de sorte e usando as palavras certas, Ken poderia fazer seu colega contar um pouco mais de sua história, algo mais do que um "não é da sua conta".

- Ueno... por um acaso você... não tem amigos ou coisa assim? – Ken não ficaria surpreso com uma resposta afirmativa, afinal seu irmão e os demais Soldier of Russia eram exatamente assim no passado, ele já conhecia bem esse tipo de história. Para sua surpresa, no entanto, a resposta de Shinji foi outra:

- Eu tinha. – O mestre de Fenrochi estremeceu ao pensar no significado mais provável para o uso do verbo no passado. Sua intuição lhe dizia que estava prestes a ouvir algo ainda mais sinistro do que a história que contara. Quando Shinji retomou a palavra, sua voz estavam bem mais controlada do que a de Ken, apesar de não encará-lo nos olhos. – Na fazenda onde eu morava, nossas famílias eram obrigadas a trabalhar para o dono das terra por causa de uma dívida idiota da época dos samurais. Meu pai foi o primeiro em gerações a se revoltar, e acabou se tornando o líder de uma revolta. Nós tínhamos tudo planejado, íamos obrigar Watanabe-dono a nos libertar daquele lugar, usando a força se necessário, mas de algum jeito ele descobriu tudo, provavelmente tinha um espião... – Shinji parecia hipnotizado enquanto contava sua história, revendo as cenas mais violentas da revolta falhada como um filme de terror muito assustador. – Todos os rebeldes foram caçados e mortos, um por um... Meu pai se arriscou para me ajudar a fugir, me colocando em um trem pra cá. A última lembrança que eu tenho é dele me empurrando para dentro dizendo que nos encontraríamos mais tarde... e a porta se fechou... e antes do trem partir... eu ouvi gritos... tiros... pessoas correndo e...

Todo o controle que o garoto apresentava até o momento começou a despencar. Relembrar essa cena em particular era algo para o qual ele não estava totalmente preparado. Ao chegar em Tóquio, recebera uma carta de Ryuma Watanabe, o dono da fazenda, dizendo que seu exército particular havia dado um fim em todos os rebeldes, seu pai incluído, e que ele deveria voltar logo se não quisesse ter o mesmo destino. Shinji jamais contaria o conteúdo da carta para alguém, se recusava a adimitir que seu pai, a pessoa que ele mais admirava e que lhe ensinara tantas coisas nos últimos doze anos, estava realmente morto. Dizer isso em voz alta parecia tornar a morte muito mais real, e ele não estava pronto para isso ainda.

- Ueno... você está bem? – Perguntou Ken, preocupado com a palidez do rosto do colega. Shinji mantinha os olhos fixos em um ponto distante, abraçado a sua mochila com força enquanto um número considerável de lágrimas escorria por suas bochechas. Sem querer, Ken acabou passando os olhos por um dos bolsos da mochila, coberto por um plástico transparente. Nele havia uma beyblade dourada vagamente familiar, porém como ela não tinha um bit-chip no momento era impossível saber exatamente onde ele encontrara tal beyblade.

- Eu... eu...

Sem maiores explicações, Shinji saiu correndo da barraca, sumindo das vistas de seu colega sem fazer esforço enquanto corria desabalado em meio a árvores e flores primaveris. Só parou quando o silêncio ao seu redor lhe provou que estava bem longe do acampamento. O ferimento em sua perna estava novamente sangrando, o que fez com que mais lembranças, desta vez felizes, o invadissem. Por uma razão ou outra, Shinji estava sempre se machucando, caindo, tropeçando. Seu pai era sempre o primeiro a acudi-lo em um acidente, e seus curativos à base de ervas garantiam uma cura rápida para o que quer que fosse.

- Pai, eu queria que você estivesse aqui agora...

Shinji sentou-se apoiado em uma árvore e passou algum tempo observando o céu no pôr-do-sol e ouvindo o canto dos pássaros da região. Acabou adormecendo sem perceber, e em seu sonho estava acompahado de seu pai, aprendendo a montar em um cavalo, a fazer fogueira com pedras e gravetos, a caçar pássaros com estilingue. Ele estava com o pequeno instrumento de madeira na mão, pronto para atirar em um passarinho inocente que seria seu jantar quando de repente tudo ficou escuro. Ao longe, seu pai gritava por ajuda. Usando o estilingue, Shinji tentou atirar para todos os lados tentando defender o homem que não podia ver, mas que sabia estar por perto. Sua falha em acertar um alvo fez com que mais gritos se juntassem aos de Kenshin Ueno, todos emplorando pela ajuda do líder. Eram as vozes de uma garota, de sua mãe, duas vozes idênticas de garotos, vozes de homens e crianças. Todas queriam a ajuda de Shinji Ueno, do líder, queriam que ele mostrasse a coragem que tinha certeza que herdara do pai e que já mostrara em tantas outras ocasiões perigosas. Elas precisavam dele, no entanto Shinji já não conseguia mais se mover, como se mãos invisíveis o puxassem cada vez mais fundo na escuridão do pesadelo. Tudo ficou silencioso por algum tempo, até uma nova voz ecoar no espaço vazio.

Não era uma voz comum, porém. Era sua voz, mais firme e segura, grave e determinada. A escuridão foi desaparecendo, ao mesmo tempo em que o cenário familiar do ginásio de Tóquio tornava-se visível. Shinji viu a si mesmo na arena, encarando Yoshiyuki Yuy com o corpo coberto pela pesada capa de viagem. A luta foi rápida, a Tempestade Fantasma de Kid Dragoon não teve dificuldades para expulsar o unicórnio adversário da arena, causando certo estrago. Ver de outro ângulo o soco do irmão mais velho de seu oponente foi uma experiência interessante, embora ele lembrasse muito bem da dor que sentira no momento. Se não estivesse tão acostumado com castigos físicos, muito provavelmente teria desmaiado com o impacto. Seu revide aparentemente fez mais estrago, Koichi Yuy foi arremessado contra a parede. O Lutador Solitário deu as costas à cena e foi embora. Novamente tudo ficou escuro.

"O forte sobreviverá e o fraco irá morrer". "O forte sobreviverá e o fraco irá morrer". "O forte sobreviverá e o fraco irá morrer". A frase ecoava em seus ouvidos, a frase que era sempre repetida pro Watanabe-dono. Se ele acreditava nela ou não, não vinha ao caso, embora ele a repetisse de vez em quando sem perceber. Por fim, a escuridão foi desaparecendo e ele passou a ouvir várias vozes gritando seu nome. Antes que pudesse completamente abrir os olhos, a voz firme e aliviada de Nathaliya Alexandrova penetrou em seus ouvidos:

- Finalmente te encontramos, Ueno! Eu achei estranho quando a sensei disse que não precisávamos sair pra te procurar durante a noite, mas agora me parece que não estava falando non-senses...

Os raios de sol da manhã penetraram nos olhos de Shinji, forçando-o a piscar várias vezes antes de poder focar o rosto da russa. Nathaliya avançou contra o garoto e puxou-o pela mão até o acampamento, onde ele teve que ouvir um grande sermão de sua professora sobre fugir sem dar explicações e deixar todos preocupados, tudo antes de ele realmente entender o que estava acontecendo. Somente muito mais tarde foi que ele ficou sabendo que havia permanecido em seu esconderijo durante toda a noite, que Ken estava muito irritado por ter que dormir sozinho e que Isaac estava bem melhor agora que a temperatura da montanha estava de volta ao normal.


Durante o resto do dia, os alunos do primeiro ano tiveram a aula sobre biologia, geografia e ecologia que era o objetivo do passeio, relaxaram vendo as paisagens maravilhosas e o monte Fuji, brincaram e comeram à vontade. Quando a noite estava começando a cair novamente, todos recolheram suas barracas e voltaram para casa, fazendo mais bagunça do que durante a ida.

As famílias das crianças estavam esperando na porta da escola quando o ônibus chegou novamente em Tóquio, por volta da meia-noite. Ken logo percebeu que não havia ninguém para buscar Shinji, e por isso perguntou para seu pai se ele não poderia o colega para onde quer que ele estivesse vivendo no momento.

- Hum... acho que vamos ter espaço... Pode chamar o seu amigo sim, Ken...

Shinji ficou surpreso com o convite, porém não o recusou. O garoto percebeu o olhar estranho de Ken direcionado a ele durante todo o percurso até o templo em que estava hospedado, dividindo um quarto com outros garotos que também não tinham dinheiro para pagar um hotel na capital, mas fingiu não perceber.

- Obrigado pela carona, Urashima-san. Nos vemos amanhã, Urashima, Isaakov.

Educadamente, Shinji se despediu da família Urashima e entrou, atirando-se em seu futon e adormecendo quase instantaneamente, se recusando a pensar no que poderiam acontecer em sua luta do dia seguinte, se suas esperanças seriam confirmadas ou não, se Rumiko era forte o suficiente para vencê-lo e provar-se útil para o plano desesperado que tinha em mente. Queria acreditar que depois de amanhã se futuro não se tornasse mais tão negro.


(Interrompemos o off-talk que ainda não começou para permitir aos leitores um momento de reflexão sobre o capítulo que acabou de acabar.)

(O momento de reflexão é muito importante, porque as informações reveladas nesse capítulo são importates, e por isso precisam ser muito bem assimilidas antes de partimos para as besteiras normais do off-talk)

(Fim do momento de reflexão. Vamos começar agora mais uma edição especial e sem sentido do off-talk, criada para satisfazer as necessidades de um autor irresponsável)

(Passa letreiro luminoso de neon brilhate)

Letreiro: Inspirado na atual situação do James, a ediçaõ especial do off-talk: Responda a pergunta!

(Beybladers centados em fila esperando a pergunta)

(Aparece a Zanxam-sensei vestida de apresentadora de programa de auditório pra fazer a pergunta)

Zanxam-sensei: E a pergunta é... (Zanxam-sensei faz uma daquelas caras assustadoras ao ler a pergunta) Meses atrás Zanxam-sensei te passou uma montanha de lição de casa pra fazer para esta sexta-feira. Hoje é quarta e você ainda não começou a trabalhar. Como você sai dessa situação?

Rumiko: Hum... Eu vou gritar, entrar em pânico, fazer um escândalo e pedir pra Satsuki fazer tudo pra mim! n.n

Satsuki: (Ignorando a Rumiko) Em primeiro lugar, eu nunca deixaria pra fazer uma montanha de lição de casa dois dias antes de entregar. Em segundo lugar, eu tenho pena de quem deixa. u.ú

Toshihiro: Ah... eu... Colo do Vladmir! XD

Vladmir: Eu escrevo tudo em russo pra um certo alguém não poder copiar. E se necessário fico as duas noites acordado para terminar tudo. u.u

Ken: Eu cometo suicídio... e depois apareço vivinho da Silva no sábado, dizendo que fui enxotado do mundo espiritual pela minha irresponsabilidade. 8D

Takashi: Eu compro uma passagem pra Antártica e fico lá por tempo indeterminado./o/

Koichi: Isso não vai acontecer. Eu sempre faço as tarefas no dia que elas foram propostas. ¬¬'

Yoshiyuki: Eu compro um monte de chocolate, como um monte de chocolate e faço todo o trabalho na quinta-feira à noite com uma severa hiperglicemia que vai deixar o Nii-chan de cabelo em pé! XDDDD Porque eu posso não ser mais o vilão da história, mas eu ainda sou maaaaau... XDDD E temporariamente feliz só pra esse off-talk. XD Depois eu volto a ser um ser depressivo por tempo indeterminado. T.T (Vai pra um canto obscuro e fica chupando o dedo)

Nathaliya: Eu entro em modo bersek e não deixo ninguém se aproximar até ter terminado tudo. ò.ó E Ciesel faz churrasquinho de quem tentar me impedir. ò.ó (Beybladers se afastando da Nathaliya vagarosamente)

Isaac: Eu... Faço companhia pro Takashi... n.n''

Ann: Eu culpo o John pela fata de organização que me levou a ter tõa pouco tempo pra fazer tanta coisa. E ele que resolva seus problemas. ò.ó

(John não pode responder porque está ocupado tentando sumir das vistas da Ann antes que ela realmente o culpe e ele precise encarar as conseqüências)

William: O que?Pra sexta? Eu desisto. Vou sair com a minha namorada que eu ganho mais! XD

Emy: Não, o William não tem namorada. u.ú E quanto a mim, só o tempo que alguém leva pra ler todas essas respostas sem sentido é tempo o suficientente pra que eutermine qualquer lição que seja. u.ú

Lily: Dois dias pra fazer tanta lição? Quem seria tão estupidamente desorganizado o suficiente pra deixar uma coisa dessas acontecer? O.õ

(Hehashiro, David e Mário não podem responder porque estão muito ocupados tentando terminar todas as tarefas antes que a Lily perceba que eles são bons exemplos de pessoas estupidamente desorganizadas)

Lhana: Eu rabisco tudo assim, ó! XDD (Lhana com uma caneta colorida desenhando por todas as folhas das tarefas) E depois troco pelo trabalho do papai! XDDD

Franklin: Eu contrato um especialista pra fazer o trabalho por mim. Simples.

Christie: Oh, eu jamais deixaria uma coisa dessas acontecer! (Apanha um microfone e aproveita que todas as luzes estão focadas nela) Como poderia eu, uma moça tão educada e inteligente, organizada e direita, deixar um desvio desses manchar a minha reputação de garota perfeita? O que os meus fãs vão dizer se souberem que eu, a maravilhosa Christie Robert deixei-me cair na tentação de atrasar a lição de casa? Oh, que sacrilégio, que blasfêmia, que...

(Erik rapta a Christie pra fazer ela calar a boca e some do cenário)

Alice: Ah... Agora o Erik não vai poder responder! XDD Mas por mim eu digo que eu desisto de tentar fazer qualquer coisa se chegar a esse ponto. XDD Acho que mudo-me para algum lugar bem distante e espero a tempestade passar... XDDD (Se levanta e vai atrás do Erik e da Christie. Franklin faz o mesmo logo depois, dizendo que não pode deixar a Christie sozinha com Erik)

Chang: Eu acho que não teria outra alternativa se não colar a bunda na cadeira e trabalhar... n.n

Kian: Eu concordo com o Chang!

Len: Eu sou mais a resposta do Toshihiro...

Jun: Se é pra ficar copiando resposta de quem já falou, eu faço minhas as palavras da Ann, só trocando "John" por um certo... "Len"...

(Len some misteriosamente)

Cristiano: Eu faço o que o Capitão achar que eu devo fazer! n.n

Felipe: Muito bem, Critiano, muito bem! (Tapinha na cabeça do Cristiano)

Ayatá: Repararam como o Felipe não respondeu à pergunta? O.õ

Felipe: Nem você! ò.ó

Ayatá: Eu não preciso. Como parte do grupo dos CDFs essas coisas não acontecem comigo. ¬¬''

Felipe: Chato. ¬¬'''''''''' Eu, como sou muito original, ia fingir que não era comigo e continuar jogando bola, afinal quem precisa estudar quando já se tem uma carreira milionária garantida fazendo a coisa que mais gosta? XD

Luiz: O Felipe é preguiçoso... Eu encarava a tarefa e lutava até o fim pra terminar, desafiando meus próprios limites e...

Felipe: Ih, olha só... o Luiz tá falando como macho! Quem diria... O.O

(Luiz e Felipe começam a brigar e acabam sendo expulsos pela sensei)

Carlos: Eu... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz (Dorme)

Elizabeth: Eu entro em BURNING-mode e aí...

Cathy: Aí já era a lição de casa... u.ú Não me convide pra trabalhar com você.

Gaby: A gente podia fazer a lição juntas, ia ser bem mais fácil! n.n

Marie: É, boa idéia! Vamos trabalhar em equipe na lição de casa!/o/

Shinji: Ah... Eu... Eu... Eu... Eu... (fica gaguejando por tempo indeterminado)

James: Eu fico escrevendo off-talks e postando capítulos ao invés de trabalhar! XDDDDDDD

Não é legal?

(Zanxam-sensei tem um ataque após ouvir todas as respostas)

(Beybladers comemoraram porque nocautearam a sensei)

(E ninguém mais trabalha!)

OWARI

(Próximo capítulo: Rumiko versus o Lutador Solitário! Quem vencerá?)