(Ed) Nota do James: (Palavrão bem feio no estilo "Franklin") que não deixou eu postar o capítulo ontem! ò.ó O atraso dessa vez não foi culpa minha, esse site é que é temperamental, não eu! ò.ó Eu não sou temperamental, nem estou nervoso. ò.ó NÃO estou nervoso e nem quero trucidar os organizadores do site por ter perdido meia hora do meu dia de ontem tentando postar esse capítulo quando deveria estar trabalhando no meu assignment de geografia pra segunda que vem. ò.ó É, eu não estou nervoso! ò.ó
Aproveitem o capítulo e culpem o ff. net pelo atraso. n.n'
Nota da Rumiko: Infelizmente, nós chegamos ao fim da primeira parte da história, o que significa que nós não vamos mais aparecer por algum tempo. O próximo capítulo vai trazer o início de "Kita kara no Onna no ko" (A garota do norte), e o capítulo de hoje vai mostrar a tão esperada luta entre eu e o Shi.. digo, entre eu e o Lutador Solitário! n.n
Aproveitem, deixem reviews e façam uma personagem principal feliz!/o/
CAPÍTULO VI
ENTRE A CORAGEM E O MEDO
- Muito bem, a bagunça terminou, sentem-se porque eu quero começar a minha aula. – O tumulto em volta de uma das mesas no centro da sala se dispersou com a chegada de Zanxam-sensei. Segundos antes, a grande maioria dos alunos da turma encontrava-se absorta nas palavras de Shotaro Kumamoto, um dos alunos mais nerds de toda a escola, e suas teorias sobre a verdadeira identidade do Lutador Solitário:
A confusão começou logo que Rumiko e Nathaliya entraram na sala. Com sua grande luta marcada para dali a poucas horas, a japonesa não teve problemas em chegar bem cedo na escola, antes mesmo de Satsuki, Ken e Isaac sequer pensarem em sair de casa. Surpreendentemente, um número considerável de alunos já estava presente, todos aglomerados em no centro da sala de aula, ao redor de um garoto que era o perfeito estereótipo de nerd: óculos fundo de garrafa, cabelo arrumadinho e uma pilha de livros em cima da classe. Shotaro Kumamoto estava de pé em sua cadeira e fazia uma espécie de discurso inflamado. Curiosas, as duas meninas se aproximaram:
- O que está acontecendo? – Perguntou Nathaliya, encarndo o nerd com desconfiança. Kumamoto não era muito popular entre seus colegas, com fama de fazedor de teorias malucas que, ao contrário de de qualquer coisa vinda da mente de Ken, tinham algum tipo de validade científica. Kumamoto era o nerd cientista louco, e por essa razão não eram muitos os alunos que se aproximavam dele por livre e espontânea vontade.
- Kumamoto está tentando descobrir a identidade do Lutador Solitário! – Respondeu uma das garotas mais entusiasmadas, olhando do nerd para as recém-chegadas. – Ele até agora tem três suspeitos...
- Exatamente. – Depois da introdução da colega, o próprio cientista louco tomou a palavra, assumindo uma pose intimidadora em sua cadeira. – Eu passei as últimas lutas coletando todos os dados possíveis sobre o nosso arqui-inimigo malvado, e depois de uma investigação meticulosa, hoje eu vou apresentar ao mundo as minhas conclusões! Mwahahahaha! – Rumiko agarrou o braço da irmã, levemente intimidade pela postura megalomaníaca do colega. Como nerd, Kumamoto nunca fora reconhecido por suas habilidades atléticas ou destacado dos demais por sua altura ou músculos. No geral, seu aspecto físico não era de se impressionar: 1,52m de altura, magro, cifose avançada por passar tempo demais encurvado diante de uma tela de computador, olheiras eternas e uma cabeça desproporcionalmente grande para acomodar o vasto volume de massa cinzenta contida nele. Agora que se sentia confiante e que era o centro das atenções dos colegas, no entanto, o garoto conseguia realmente passar uma imagem assustadora a pessoas como Rumiko ou Ken. Sua gargalhada ecou pela sala no exato momento em que a porta se abriu novamente, revelando uma Satsuki irritada puxando Ken e Isaac pela orelha e um Shinji aparentemente cansado e alheio aos acontecimentos ao redor.
- Ah, certo... e quais são as conclusões? – Nathaliya era a única que não se mostrava ansiosa ou realmente interessada no assunto. Seus instintos lhe diziam que pessoas como Kumamoto não eram confiáveis. Os recém-chegados, com a exceção de Shinji, que logo sento-se em seu lugar de costume e passou a apreciar a paisagem da janela, também foram atraídos pela confusão, para alívio das orelhas muito vermelhas dos mestres do gelo e fogo.
- Mwahahahahaha! – A segunda gargalhada do nerd fez tanto Rumiko quanto Ken se encolherem, e Satsuki e Nathaliya trocarem olhares incertos. As duas loiras estavam certas de que, o que quer que o colega estivesse prestes a dizer, não seria nada mais sério do que a teoria da conspiração de Ken envolvendo marshmellows e papel reciclado.
- Eu sou mesmo um gênio! Apreciem a minha genialidade, senhoras senhores! Eu sei quem é o Lutador Solitário e posso apontá-lo para vocês! – Até mesmo Shinji parou o que estava fazendo para observar a pose ridícula de seu colega. Kumamoto gritava tão alto que não seria surpresa se outros alunos de outras salas – e andares – aparecessem para pesquisar a causa do tumulto. Não que o verdadeiro Lutador Solitáiro estivesse preocupado em ser descoberto, ainda mais por um colega que não sabia nada sobre ele, mas porque seria divertido ver ele tentar.
- Então pára de enrolar e fala logo... – O olhar de Nathaliya deixou claro que a russa estava com sua paciênca se esgotando rapidamente. Sabendo do perigo que isso significava, Kumamoto foi bem mais direto ao continuar o seu discurso:
- Meus três suspeitos são: Número um, um cara realmente muito feio, com algum tipo de problema de pele e de crescimento que não quer mostrar a cara para não assustar seus adversários e ganhar as lutas por W.O., já que, como todos nós sabemos, ele é realmente forte.
Nathaliya e Satsuki sentiram seus olhos saltarem das órbitas com a primeira hipótes, enquanto Shinji se segurava para não rir. O garoto decidiu se aproximar do grupo também, achando que não serria uma má idéia se divertir um pouco antes da luta. Se Kumamoto achava que o fato de ele ser pequeno aos doze anos de idade significava que ele seria um anão para a vida toda e que seu rosto era realmente horrendo, quem seria ele para descordar?
- Suspeito número dois: estamos falando de um serzinho muito medroso e envergonhado, que não consegue se mostrar corajoso a não ser que esteja escondido e protegido do mundo com sua capa especial. Ele não é verdadeiramente corajoso, afinal precisa de uma capa para poder se mostrar, apesar de ser realmente forte. Em resumo, o Lutador Solitário é um covarde, mas um covarde bem forte.
Shinji não riu dessa vez, e Nathaliya e Satsuki trocaram outro olhar desesperado. As duas loiras acharam a segunda hipótese mais absurda do que a segunda, a teoria do covarde forte não fazia sentido. Se uma pessoa era realmente tão forte como o Lutador Solitário se mostrara até então, teoricamente não haveria razões para se esconder. Perto da dupla, o garoto de Hokkaidou passou a encarar o chão, tentando não pensar que dessa vez seu colega passara bem perto da verdade. Depois do que presenciara na estação de trem, Shinji sabia que grande parte da sua antiga personalidade o havia abandonado, provavelmente ficando em sua terra natal com seu pai. Desde que chegara a Tóquio, só conseguia agir como ele mesmo ao se esconder embaixo da capa e do nome falso, um reflexo do que ele antes tinha sido.
- Muito bem, muito bem, Kumamoto. Isso tá muito divertido, mas você só deu pistas de personalidades, nós ainda não temos nenhum nome na lista de suspeitos! – Exclamou Isaac, rindo junto com Ken do show do colega.
- Ora, Isaakov, eu ia justamente nomear um suspeito na minha terceira teoria! – Rebateu o nerd, fazendo uma pose ainda mais pomposa. Todos os olhares da sala voltaram-se para ele e o garoto sorriu satisfeito com a atenção. – Meu terceiro suspeito é alguém que consegue ser ainda pior do que um pseudo-corajoso ou um monstro deformado, alguém que nós nunca desconfiaríamos, que passa em branco por nós de tão insignificante e sem-graça. Pra essa categoria, eu tenho um suspeito, um suspeito que todos nós conhecemos muito bem: Shinji Ueno!
A classe explodiu em gargalhadas. Ken e Isaac chegaram ao ponto de ter que se ajoelhar no chão e massagear o abdômen dolorido. Depois da declaração, o único estudante a permanecer em pé e com uma expressão séria era Shinji, que encarava Kumamoto com absoluto choque.
- O que... o que...
- Muito bem, a bagunça terminou, sentem-se porque eu quero começar a minha aula.
Shinji não conseguiu se concentrar durante a aula. Sabia que sua professora estava falando alguma coisa sobre a Restauração Meiji e as mudanças de um governo voltado para o comércio com o Ocidente e a modernização do país, porém nada disso para ele era novidade, e a onda de pensamentos e preocupações resultantes do fato de Kumamoto ter realmente classificado-o como suspeito – por mais que as reações de seus colegas indicassem que ninguém o levara a sério – mantiveram-no ocupado por todas as aulas seguintes, até o último sinal anunciando o fim do dia na escola. Quando a debandada de estudantes saiu correndo para a liberdade, ele se deixou ficar para trás, pensando em tantas coisas ao mesmo tempo que até mesmo Satsuki ficaria confusa se pudesse ler sua mente.
Percebendo que ficar parado pensando só o atrasaria para a luta, o garoto de Hokkaidou finalmente deixou a sala, correndo para o ginásio rápido demais para um garoto da sua idade. Pouco antes de chegar ao ginásio, entrou em um beco escuro e tirou a capa velha da mochila. Com um pouco de sorte, esta seria a última vez que precisaria usá-la. Se Rumiko correspondesse a suas espectativas, poderia apresentar-lhe suas reais intenções, o plano quase suicida que tinha em mente, mas que precisava de ajuda para cumprir.
- Essa vai ser a última vez, pai. Pelos Kita no Ookami, a última vez...
Segundos depois, o Lutador Solitário estava na porta do ginásio, mais uma vez determinado, mais uma vez sem medo do futuro.
Uma van escura, dirigida por um homem de sessenta ou setenta anos, mas que aparentava não mais do que cinqüenta, estacionou no portão da Shibuya Chuugakko, fazendo sinal para os Taichi e Soldier of Russia entrarem. Reconhecendo o avô dos irmãos Yuy, eles rapidamente o fizeram, ansioso para saber notícias da dupla.
- Bom dia, Yuy-san, Koichi... – Cumprimentou Satsuki, a primeira a entrar. No banco da frente, Yukio e o líder dos Taichi viraram-se para cumprimentá-la também. A loira ia perguntar onde estava Yoshiyuki quando percebeu a silhueta de um garotinho bem no fundo da van, observando a paisagem em silêncio. – Bom dia, Yoshiyuki!
- Oi. – Respondeu o Yuy menor, sem encará-la. Seu braço esquerdo estava engessado e ele parecia cansado e abatido. Satsuki decidiu sentar-se ao seu lado para tentar animá-lo.
- Como você está, Yoshiyuki? – Perguntou ela, enquanto o restante de seus amigos se acomodava na van. Ken e Isaac acabaram no primeiro banco próximo ao motorista e Rumiko e Nathaliya, no banco do meio.
- Ok, eu suponho. – As duas irmãs no banco da frente se viraram, surpresas. Yoshiyuki falava de um jeito que lembrava muito seu irmão mais velho em seus piores dias, a única diferença sendo o tom mais agudo de sua voz. Satsuki, Rumiko e Nathaliya trocaram olhares preocupados, se perguntando o que fazer para fazê-lo sorrir. Nenhuma de suas estratégias deu certo, porém, e até a chegada ao ginásio, ele nem sequer virou-se para encará-las.
Como já era de se esperar, o ginásio estava lotado completamente lotado cerca de quinze minutos antes do começo da luta. O grupo de seis beybladers e um adulto responsável teria encontrado problemas para achar um lugar caso não tivessem assentos reservados a eles na primeira fila, ao lado de Takao,Sazuke e Hikaru Higurashi, este dormindo tranqüilamente no colo de sua mãe. Todos acomodados, ainda faltavam cinco minutos para Rumiko e o Lutador Solitário se enfrentarem para valer.
Depois de se despedir de seus amigos, Rumiko seguiu o caminho do vestiário. Não queria encontrar seu adversário antes da luta, tinha o pressentimento de que, depois de passar os últimos minutos ao lado de um Yoshiyuki depressivo, sua vontade de vingar o amigo falaria mais alto do que a sua covardia nata, fazendo com que ela não conseguisse esperar pela hora marcada para enfrentar seu novo rival. Como acontecera antes na Rússia, a pressão e a vontade de ajudar seus amigos resultaram em uma mudança de personalidade da mestra de Fenki, tornando-a ainda mais forte e determinada.
- Eu vou vencer hoje, eu sei que vou. E vou descobrir quem é esse Lutador Solitário pra fazer ele engolir tudo que ele fez com o Yoshiyuki. Fenki, eu conto com você. Vamos fazer bonito lá na arena. – A japonesa segurava sua beyblade negra firme em sua mão, olhando fixamente para o bit-chip do centauro. Por um milésimo de segundo, a criatura desenhada pareceu piscar de volta. Ainda mais confiante, Rumiko Higurashi seguiu o caminho da arena, pronta para encarar qualquer tempestade que seu oponente estivesse preparando para ela.
- OS COMPETIDORES JÁ ESTÃO PRONTOS! A FINAL DE HOJE SERÁ DECIDIDA EM TRÊS ROUNDS, O PRIMEIRO A VENCER DOIS SERÁ DECLARADO O CAMPEÃO ABSOLUTO DO JAPÃO! QUEM SERÁ QUE VAI GANHAR? RUMIKO HIGURASHI, A CAMPEÃ MUNDIAL QUE FOI A HEROÍNA DAS DISPUTAS DO ANO PASSADO? OU SEU DESAFIANTE MISTERIOSO, O LUTADOR SOLIÁRIO, HOMEM DE POUCAS PALAVRAS QUE DERROTOU O SEGUNDO NO RANKING MUNDIAL COM INCRÍVEL FACILIDADE?
- Cala a boca e começa logo. Quanto mais cedo isso acabar, melhor. – O Lutador Solitário encarava Rumiko mesmo ao se dirigir ao narrador. Os finalistas estavam frente a frente, em posição, apenas esperando a ordem para começar. O garoto tomava a expressão determinada da adversária como um sinal de que ela talvez fosse um desafio um pouco maior do que o líder dos Soldier of Russia. Se ela fosse realmente forte, então sua estada em Tóquio estava realmente chegando ao fim.
- CO... COMO QUISER! TRÊS, DOIS, UM... GO SHOOT!
Ao ver a hesitação do narrador – o mesmo do campeonato mundial, cuja voz se tornara ainda mais aguda e irritante nos últimos quatro meses – Rumiko lembrou-se vagamente das teorias de Kumamoto, porém seus pensamentos logo mudaram de foco quando as beyblades finalmente caíram na arena. A beyblade dourada do Lutador Solitário era rápida, seus primeiros ataques atingiram Fenki sem que Rumiko pudesse vê-los. Demorou alguns segundos para que a garota começasse um contra-ataque e equilibrasse o jogo.
- Vai, Kid Dragoon, acabe com a luta! – Por baixo da capa, o Lutador Solitário sorriu quando sua fera-bit surgiu ao seu lado, causando uma tempestade ainda mais forte do que a que vencera Yoshiyuki. Quando a beyblade negra saiu voando para as arquibancadas, no entanto, o sorriso do garoto desapareceu. Sem olhar para a adversária, ele recolheu sua beyblade da arena e aguardou o início do segundo round pacientemente, olhando para o nada.
Rumiko ignorou os comentários surpresos do narrador, que tentava ressaltar o quão habilidosa ela era mesmo com a rápida derrota no primeiro round. A garota sorriu quando percebeu que sua beyblade estava bem próxima de onde seus amigos estavam sentados.
- Um senhor dano aquele dragãozinho causou, hein? – Provocou Ken, enquanto Satsuki devolvia Fenki a sua mestra. – Melhor tomar cuidado, nós não seremos mais seus amigos se você perder pra esse zé mané.
- Sabe, Ken, eu até acreditaria em você e entraria em pânico se eu não tivesse uma idéia do que fazer no próximo round...
- Rumiko, você é um gênio! Deu confiança pra ele no primeiro round pra arrebentar com ele no segundo! Isso é que é plano! – A exclamação entusiasmada do mestre de Fenrochi recebeu uma pancada na cabeça de Nathaliya em resposta.
- Grite mais alto, gênio, eu acho que o Vladmir e o Toshihiro ainda não te ouviram lá na China. – Retrucou a russa, com seu olhar assustador marca registrada. – E além do mais, eu duvido que a minha irmã seja tão chiché a ponto de usar um plano tão velho quanto esse em uma luta tão importante. Não estou certa, Rumiko?
Nathaliya não chegou a receber uma resposta, porém, pois Rumiko já estava de volta à arena, pronta para o próximo round. Pelo bem de Yoshiyuki e da própria Rumiko, a russa torcia para seu palpite estar certo.
- E O SEGUNDO ROUND COMEÇA AGORA! SERÁ QUE VAMOS VER A VERDADEIRA FORÇA DA GRANDE CAMPEÃ MUNDIAL EM AÇÃO AGORA QUE É TUDO OU NADA PARA ELA? OU SERÁ QUE O LUTADOR SOLITÁRIO É SIMPLESMENTE DEMAIS PARA A NOSSA LUTADORA FAVORITA? ISSO É O QUE NÓS VAMOS SABER AGORA EM TRÊS, DOIS, UM... GOOOOO SHOOOT!
- Não vamos perder tempo, Kid Dragoon, vamos acabar com isso! Tempestade Fantasma!
Um novo vendaval sacudiu o ginásio. Desta vez, porém, Rumiko estava preparada para este ataque. Usando o ataque Ultimate Earthquake não para atacar, mas para se defender, a beyblade negra encontrou abrigo na fenda cravada por ela mesma, reaparecendo para a luta assim que os ventos cessaram.
- Ahá! Funcionou! Funcionou! Eu sabia que ia dar certo! – Rumiko, assim como grande parte do público, comemorou o primeiro sucesso contra a Tempestade Fantasma. Nathaliya abraçou a primeira pessoa que encontrou – Isaac – e os dois quase caíram da arquibancada, enquanto Hikaru produzia sons variados e sem sentido aparente sacudindo braços e pernas no colo de sua mãe. O bebezinho dava a impressão de estar entendendo o que se passava ao seu redor toda a vez que Rumiko ou Nathaliya estavam envolvidas, um fato que nunca deixava de impressionar seus pais.
- Parabéns, Higurashi, sua idéia foi bem interessante. Parece que eu terei que lutar a sério finalmente. – Mesmo sem poder ver a expressão do Lutador Solitário, Rumiko sabia por seu tom de voz que ele não estava em nada desapontado por seu ataque ter falhado. Ele parecia até mesmo contente com isso.
- Pena pra você, eu não pretendo te dar uma chance para lutar a sério nesse round! Isso é pelo que você fez ao Yoshiyuki e ao Isaac! Fenki, Chama da Amizade!
O público no ginásio delirou, mesmo sendo capaz de ver apenas muita fumaça e ouvir uma explosão. Os gritos histéricos do narrador recomeçaram quando Rumiko foi declarada a vencedora do segundo round, fazendo até mesmo Yoshiyuki erguer um dos cantos dos lábios, mais ou menos como seu irmão fazia quando queria sorrir, mas não queria que ninguém o descobrisse desse jeito. Pela primeira vez desde que sentara-se em seu lugar, o garotinho gênio ergueu os olhos – maiores do que olhos normais, mas sem o costumeiro brilho e alegria – do besouro esmagado no chão para observar a luta.
- E ENTÃO VAMOS COMEÇAR O TERCEIRO E DERRADEIRO ROUND! – Começou o narrador ao perceber os dois competidores já preparados. Rumiko o interrompeu, porém:
- Espera um pouco, tem uma coisa que eu quero fazer antes de começar essa luta. – A japonesa baixou o braço que segurava Fenki no ar, pronto para o lançamento, e dirigiu-se ao adversário, encarando-o onde ela imaginava estarem seus olhos. – Eu quero que o Lutador Solitário mostre o seu rosto antes da luta começar. Esse é o último round, eu tenho o direito de saber com quem estou lutando. A menos é claro que ele esteja com medo...
Os olhos do mestre de Kid Dragoon se arregalaram com o pedido, e ele agradeceu por não poder ser visto desta maneira. Seu coração acelerou quando o pensamento de lutar desprotegido passou por sua mente. Se ele se revelasse, perderia a única coisa que lhe dava segurança, que tornava-o corajoso e forte, capaz de vencer qualquer um, como nos tempos dos Kita no Ookami. Ele não podia tirar a capa, porém também não podia – ainda – revelar a Rumiko seus motivos.
- Eu não estou com medo, mas tenho meus motivos pra não querer me mostrar agora. – Respondeu ele, lutando para manter a voz no tom firme que todos associavam com o Lutador Solitário.
- Oh, não me diga... – Pela reação de Rumiko, ela provavelmente já imaginava uma resposta como essa. O restante do ginásio se calou, esperando pela solução do impasse. – Será que por um acaso você é alguma espécie de anão raquítico e com problemas de pele que é tão feio que me causaria um ataque cardíaco assim que tirasse a capa? Ou será que você é só um garotinho covarde que precisa se manter escondido pra não chorar assustado e voltar correndo para o colo da mamãe?
Uma onda de calor invadiu o peito do Lutador Solitário com a última pergunta da japonesa, uma mistura de raiva e tristeza que fez seu corpo se aquecer, abafado pela pesada capa. Ele não podia voltar para o colo da mamãe, não podia e nem queria. Seus amigos haviam se sacrificado para que ele escapasse, ele não podia recuar neste momento crucial. Seu pai, os Kita no Ookami, Lin, Osamu e Kazuo contavam com ele, ele era o líder afinal de contas. As palavras de sua adversária tiveram um efeito inusitado no garoto de Hokkaidou, que pela primeira vez sentiu que não precisava de sua capa para lutar para valer, como o verdadeiro líder dos Kita no Ookami, o filho de Kenshin Ueno, o mestre de Kid Dragoon.
- Sabe, Higurashi, citar as teorias do Kumamoto foi um ato bem esperto da sua parte. Eu tenho que admitir que o nerd da turma tem algum faro investigativo, afinal ele acertou quem eu era na terceira tentativa...
Os olhos de Rumiko e de todos sentados na primeira fila das arquibancadas se arregalaram quando a capa velha foi atirada longe, revelando um garoto baixinho, de não mais que um metro de altura, magro e de aparência frágil, com olhos expressivos e cabelos pretos bagunçados.
- As coisas nem sempre são o que parecem, Rumiko Higurashi. Guarde essa lição. – Declarou Shinji Ueno, colocando sua beyblade em posição de lançamento. – Agora vamos ao que interessa, tem outras coisas que eu preciso fazer ainda hoje!
Rumiko ficou parada encarando Shinji sem saber o que fazer. Na arquibancada, a reação dos beybladers teve um pouco mais de barulho e movimento: Ken quase caiu arquibancada abaixo, Satsuki se engasgou com uma pipoca, Isaac bateu a cabeça no muro que os separavam da arena e Nathalia cuspiu fora seu suco de laranja, molhando o colega russo no processo. Koichi ergueu uma sobrancelha ao reconher o garoto que várias vezes os espionara, juntando as peças do quebra-cabeça em sua mente enquanto Yoshiyuki falava em voz altas suas conclusões em uma voz monotônica e sem graça:
- O garoto do shopping... Era por isso que estava seguindo a gente e tinha um machucado na perna sexta-feira passada. É, é uma conclusão óbvia.
Shinji conseguiu observar cada uma das reações de seus colegas, deixando escapar um pequeno sorriso. Eles todos podiam ser fracos, mas ao menos eram fracos engraçados.
- E então, Higurashi, pretende ficar me encarando com essa cara de zumbi o dia todo ou vai deixar a luta começar de uma vez?
Rumiko ainda não havia se recuperado da surpresa. Tinha uma boa razão, ao menos para seu cérebro diminuto de Q.I. menor que 100. Shinji era a última pessoa que ela relacionaria com o frio e cruel Lutador Solitário, que humilhara Yoshiyuki e atacara Koichi, que vencera Isaac como se o russo fosse apenas um iniciante, principalmente depois do fim de semana, depois de o garoto ter tentado ajudar Isaac, pulando de uma altura incrivel e...
Lentamente, as peças começaram a se encaixar até mesmo para a mestra de Fenki. Shinji, apesar de desastrado, sabia correr muito rápido, além de ser muito inteligente e estar um ano a frente de outras crianças de sua idade na escola. Ele também nunca lutara beyblade perto de seus colegas, apesar de carregar um peão sempre consigo. A única coisa que não se encaixava era a covardia do colega de turma e a frieza do adversário, as duas características não pareciam combinar em uma mesma pessoa, porém alguma coisa no olhar determinado do adversário a sua frente lhe indicava que essa última peça se encaixaria em breve.
- Vamos lutar! – Respondeu ela, com um olhar que refletia o do adversário. O narrador rapidamente entrou em posição para fazer seu trabalho, porém antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ambas beyblades estavam na arena, se atacando como se não houvesse amanhã. – Eu não posso perder, eu não posso perder, eu não vou perder... Fenki, apareça e me ajude! Vamos vencer o Lutador Solitário, o Ueno-kun ou quem quer que seja!
- Kid Dragoon, não fique para trás! Tudo pela nossa missão!
As duas feras-bit surgiram próximas aos seus mestres. Seus tamanhos eram equivalentes, o que trouxe o mesmo tipo de sorriso para os lutadores por razões distintas. Na arena, as duas beyblades continuaram os ataques em alta velocidade, preparando o terreno para o ataque final. Os lutadores se encararam, se estudando e aguardando o momento certo.
Ao observar Shinji do outro lado da arena, Rumiko tentou refletir nele a raiva e repulsa que sentia pelo Lutador Solitário, pela luta de Yoshiyuki e tudo mais. Até aquele momento, ela imaginava seu adversário como sendo alguém frio e sem coração, mais ou menos como Hajime Yuy, porém com alguns anos a menos. A realidade estava se mostrando bem diferente, entretanto. Mesmo a frieza associada à voz do lutador sem rosto não estava presente no garoto a sua frente, Shinji possuía um calor único, um espírito guerreiro que emanava dele e de sua fera-bit. Ela queria muito poder sentir ódio do adversário para dar uma razão maior para Fenki trucidá-lo, porém não estava conseguindo. Shinji estava tão determinado quanto ela, o resultado da luta era imprevisível baseado apenas em força de vontade.
- É agora, Fenki, Chama da Amizade!
- Kid Dragoon, Big Bang Impact!
As duas exclamações quebraram o silêncio da arena. As explosões que se seguiram ao encontro dos ataques lançaram os lutadores em direções opostas. Enquanto Rumiko caia com seu traseiro servindo de amortecedor, Shinji sentia o impacto do chão duro contra suas costas, perdendo os sentidos. As exclamações seguintes foram de surpresa ao perceber onde estavam as beyblades: Kid Dragoon encontrava-se parada ao lado de Rumiko e Fenki, ao lado de Shinji.
- OH, NÃO! TEMOS UM EMPATE NA LUTA! O QUE FAREMOS AGORA? EU NÃO ACHO QUE O LUTADOR SOLITÁRIO TENHA MAIS CONDIÇÕES DE LUTAR...
Como se somente para contradizer o narrador, Shinji reabriu os olhos, sentindo as costas doloridas ao tentar se levantar novamente. Seu estado se devia não ao impacto contra o chão, mas ao gasto de energia com seu ataque especial, um truque novo ainda em fase de testes. Se um dos médicos não estivesse por perto para segurá-lo, o garoto teria novamente caído, desta vez de cabeça. Ele logo foi levado para a enfermaria, seguido de perto por Rumiko e, mais tarde, seus colegas de turma, Koichi e Yoshiyuki.
- Hey, Ueno! Ueno! U-E-NO!
O despertar de Shinji não foi dos melhores. Com todo o cansaço e dor que submetera seu corpo nas últimas horas, seus ouvidos ainda precisavam sofrer com a voz esganiçada de Ken gritando para acordá-lo. Onde estavam os médicos para pedir silêncio em um momento como aquele?
- Eu não sou surdo, Urashima... – Devolveu o garoto de Hokkaidou, fazendo algum esforço para cobrir as orelhas com as mãos. Com os olhos finalmente abertos, ele pôde perceber que não estava em companhia apenas de Ken. – O que... o que vocês estão fazendo aqui? – Perguntou ele, referindo-se não somente a Koichi e Yoshiyuki, como também a Rumiko, Satsuki, Nathaliya e Isaac.
- Nós ficamos preocupados quando você desmaiou, os médicos disseram que era por causa do cansaço, mas eu não quis acreditar... – Respondeu Rumiko, a mais próxima de sua cama além do mestre de Fenrochi.
- O que aconteceu com a luta?
- Hum... bem... Como você parecia mesmo sem condições de continuar, eu meio que convenci eles a declarar um empate...
Rumiko corou, encarando o chão. Apesar de estar cheia de si na hora de fazer o pedido, agora que estava diante de seu adversário a idéia lhe soava um tanto idiota. Para seu alívio, Shinji sorriu:
- Entendo... acho que não poderíamos ter chegado a um resultado melhor...
- O que você quer dizer com isso? – Quem perguntou foi Satsuki, se aproximando do grupo. Com a ajuda de Rumiko, Shinji se sentou na cama, preparando-se para fazer aquilo que planejava fazer desde que se inscrevera no torneio como Lutador Solitário.
- Existe uma razão para eu ter feito o que fiz. Eu tenho algo que eu preciso recuperar, e para isso eu vou precisar de ajuda...
E com isso, o garoto de Hokkaidou começou a contar seu plano e sua história para o grupo de beybladers reunidos na enfermaria. Shinji ficou satisfeito ao observar as diversas reações dos beybladers, muito parecidas com as sensações que circulavam dentro dele a cada nova palavra. Quando a narrativa terminou, sete entre sete beybladers se mostravam surpresos.
Ken: Oh, nós finalmente vamos ficar sabendo qual é a história do Shinji! O.O
Isaac: Conte a sua história, Shinji! n.n
Shinji: (Sentado no centro de um círculo de beybladers curiosos com um livro de historinhas no colo) Bem, quando eu nasci... (Passa um caminhão, um navio, um avião, um trator, e tudo mais que é grande, pesado e faz muito barulho enquanto o Shinji fica falando)... e essa é a minha história. u.u
(Beybladers chocados)
Beybladers: Oh, isso é...
Shinji: Ótimo, todos sempre ficam chocados com a minha história. As reações poderiam ser um pouquinho mais variadas, né? O.o
James: Ah, mas com uma história dessas, o que você queria?
Shinji: É culpa sua eu ter uma história dessas em primeiro lugar! ò.ó
Rumiko: Gente, gente, não vamos brigar... Esse é o último capítulo em Tóquio pelas próximas seis semanas! A gente tem que fazer uma despedida descente e...
Ken: Último? Como assim último? O.O O Shinji ainda nem contou a história dele! O.O
Shinji: Eu contei, Urashima. Não para os leitores, mas eu contei. u.ú
Takashi: Então isso significa que nós teremos que esperar até o capítulo 13 pra saber o que o Shinji contou e e tudo mais?
Ken: Tudo mais? O.õ Tem mais?
Takashi: Bem, ele disse nomes... Quem são essas criaturas? Ele tem que dar nome aos bois, na minha opinião.
Toshihiro: Vocês que esperem! Falta só uma semana pra nossa aparição e eu tenho certeza de que todos os leitores estão com muita saudade da gente! De mim, principalmente! n.n
Vladmir: Hum... acho que não... u.ú Acho que é de outra pessoa que eles sentem falta...
Hehashiro: É de mim!/o/ Óbvio!
Jun: Essa discussão não faz sentido... ¬¬''
Len: Não faz sentido o Jamie ter mudado o título do próximo capítulo...
Toshihiro: E por causa de uma música...
Vladmir: Eu não vejo nenhum problema. A música é linda. u.ú
Isaac: Verdade. Linda. n.n
Ken: Linda porque vocês entendem o que ela diz...¬¬''''
James: (pulando emocionado cantarolando) Eu sei cantar em russo! Eu sei cantar em russo! (James bate a cabeça no teto e capota) x-x
Hehashiro: Legal. Agora nosso capítulo de re-estréia tem o nome de uma música. ¬¬'
Toshihiro: Uma música em russo.¬¬''
Vladmir: Uma música em russo de FullMetal Alchemist. XDD
(Começa a tocar no fundo a música que vai ser o título do capítulo 7)
Prosti menya, mladshiy brat!
Ya tak pred toboy vinovat.
Pyitatsya vernut' nyelzya
Togo, chto vzyala zyemlya.
(Isaac começa a tocar a música no violino)
(Nathaliya e Yoshiyuki começam a cantar a música)
(Música continua até irritar todos os beybladers)
(Beybladers resolvem caçar os Soldier of Russia se eles continuarem tocando a música)
(Inserir música de perseguição cliché)
Isaac: Ah, isso não é justo! Se a gente ainda fosse os vilões malvados, ninguém ia forçar a gente a parar de cantar! ç.ç
(Perseguição)
(Perseguição)
(Personagem que vai aparecer no próximo capítulo fica observando a perseguição se perguntando se quer mesmo aparecer no próximo capítulo e fazer parte do grupo de malucos do off-talk)
Shinji: Ah, a vida de Personagem que Ainda Não Apareceu é realmente bem boa... (Senta junto com personagens que ainda não apareceram na história e fica observando a perseguição)
Personagem que Ainda Não Apareceu 1: É...
Personagem que Ainda Não Apareceu 2: Pois é...
Personagem que Ainda Não Apareceu 3: Só...
(Personagens que Ainda Não Apareceram fazendo comentários sem sentido sobre a perseguição)
(Continua tocando a música em russo)
Milaya mama! Nyezhnaya!
Myi tak lyubili tebya.
No vse nashi silyi
Potrachenyi byili zrya.
(E a música irrita também os Personagens que Ainda Não Apareceram e eles resolvem que vão perseguir os russos também)
(Ficam os russos sendo perseguidos eternamente até o próximo off-talk, fechando com chave de ouro a primeira parte da saga de Beyblade 2 – Chikara wa Kimi no Naka ni Aru)
James: No próximo capítulo: Vladmir comemora seu primeiro aniversário como membro da família Urameshi. Como será que ele está reagindo às (drásticas) mudanças em seu estilo de vida?
Em Beyblade 2 – Chikara wa Kimi no Naka ni Aru! Capítulo 7 – Bratja (Brothers)
OWARI
(Sim, os trabalhos da escola são capazes de tirar a inspiração de qualquer um. Reclamações quanto ao teor de humor (!) do off-talk ou do drama do capítulo devem ser dirigidas aos meus professores que me forçam a pensar como acadêmico ao invés de ser criativo e feliz que eu sou. u.ú)
James Hiwatari - o artista repreendido
