CAPÍTULO VII

BRATJA

Era uma manhã fria como todas as outras. Mesmo faltando uma semana para o começo da primavera, a pequena vila de Xigaze ainda não presenciara o desabrochar de nenhuma nova flor ou os dias cada vez mais longos se aproximando, como se até mesmo as estações do ano chegassem atrasadas naquele fim de mundo. Ignorando as baixas temperaturas e o fato de estar vestindo apenas um pijama simples de algodão, Toshihiro afastou as pesadas cobertas de sua cama e deixou o quarto na ponta dos pés, tentando não acordar seus irmãos. O garoto planejava não perder mais nenhum segundo daquele dia, afinal seu aniversário só acontecia uma vez por ano. Ainda estava escuro do lado de fora, ele era o único ser acordado em casa. O mestre de Fenku silensiosamente entrou na pequena cozinha, o cômodo mais quente da casa de madeira, e arrumou a mesa para o café da manhã, tomando cuidado para deixar o cartão de aniversário de Vladmir bem visível no lugar que o garoto normalmente ocupava. Toshihiro foi então para a sala, onde ficou vigiando a entrada da casa através de uma grande rachadura na parede perto da porta. Cinco minutos depois, ele e Len voltaram para o quarto, beyblades preparadas para o combate.

Len por pouco não tropeçou no colchão de Vladmir ao tentar chegar à cama de seu melhor amigo. Como fazia menos de dois meses que a família Urameshi voltara da Rússia, e em algumas semanas Hehashiro estaria de mudança para sua própria casa do outro lado da rua, o russo estava temporariamente dormindo no chão, forçando a cama de Hehashiro a ficar expremida entre a parede e o armário. Com duas pessoas a mais morando na pequena casa, ela parecia mais cheia do que nunca. Vladmir, entretanto, não reclamava, embora seu irmão "gêmeo" suspeitasse que as coisas não estavam tão bem quanto pareciam. Era por isso que o líder dos Blue Fish se encontrava ao lado do garoto em sua cama, aguardando o sinal para lançar Kailon: Toshihiro faria seu aniversário de quatorze anos ser inesquecível, tanto para ele quanto para Vladmir, acabando de vez com o que quer que fosse que estivesse encomodando seu novo irmão.

As beyblades foram lançadas, usando as cobertas bagunçadas como a arena da primeira parte do combate. Ao perceberem os olhos de Hehashiro e Vladmir mirando-os ainda sonolentos e confusos, os dois mudaram seus planos de ataque, fazendo Kailon atacar as cobertas de Hehashiro e Fenku, as de Vladmir. Em resposta, as duas vítimas logo acordaram e responderam lançando suas beyblades para contra-atacar.

- Quer começar o seu aniversário com uma derrota, Toshi-chan? – Provocou Vladmir, observando enquanto Castil rapidamente encurralava o leviatã contra o armário. – Achei que você faria alguma coisa mais inteligente do que me desafiar no meio da madrugada.

- Meu plano especial é te derrotar hoje, Vova! – Respondeu o garoto trançado, sorrindo apesar da situação. Mesmo depois de decidido o título mundial, Toshihiro nunca vencera Vladmir em uma luta de beyblade ou qualquer outra forma de competição. O russo conseguia vencê-lo sempre com facilidade, não importando seu esforço. – Vai ser o meu presente de aniversário!

Quando a luta dos irmãos começou a atingir proporções perigosas, Len e Hehashiro deixaram o quarto, dirigindo-se à cozinha para prepara o café da manhã. Os dois viram o cartão de Toshihiro e sorriram, entendendo mais ou menos o que o vice-líder dos Taichi pretendia fazer. O som de metal batendo contra metal e de coisas se espatifando foi ouvindo por mais algum tempo antes dos dois "gêmeos" também entrarem na cozinha. O de cabelos castanho-escuro desgrenhados presos em uma trança gigantesca mantinha uma expressão peculiar de desgosto e humilhação, enquanto o de cabelos castanho-claro com sombras de um azul profundo desaparecendo não tão compridos, mas não exatamente curtos, sorria triunfante, com um ar de nojenta superioridade que ele guardava apenas para ocasiões como essa.

- Hum... acho que não precisamos perguntar quem foi que venceu... – Comentou Hehashiro, fazendo sinal para seus irmãos se sentarem. – Mas pela cara do Toshihiro eu acho que eu tenho que perguntar como...

O sorriso de Vladmir se alargou ao ouvir a pergunta. Ele havia percebido o cartão de Toshihiro em seu prato, porém decidiu reponder à pergunta de Hehashiro antes de abri-lo. Ao seu lado, seu irmão começava o processo de escorregar até o chão pela cadeira para fugir das risadas e comentários maldosos que ele sabia que viriam:

- Nós decidimos usar o quarto todo como arena, quebramos um pé da sua cama, Hehashiro, e depois partimos para o guarda-roupa. Fenku entrou em uma gaveta e Castil o seguiu. Logo depois nós fomos bombardeados por um bando de meias voadoras, meias sujas voadoras, e Toshihiro foi nocauteado quando uma caiu bem em cima do nariz dele. É por isso que sempre digo pra ele guardar somente roupas limpas no guarda-roupa, mas ele não escuta...

Toshihiro já estava há muito transformado em tomate quando Len e Hehashiro precisaram senta-se também para impedir seus joelhos de batem com força no chão de pedra, segurando seus abdômens enquanto riam sem parar. Vladmir aproveitou o momento para ler o cartão, lançando um olhar preocupado na direção de Toshihiro ao terminar de decifrar a caligrafia rudimentar de seu irmão. O cartão continha frases em chinês e em russo também, as últimas gramaticalmente e ortograficamente incorretas, usando as poucas palavras que o chinês sabia no idioma nativo de seu novo irmão. Toshihiro insistira em aprender a escrever e falar russo, fazendo Vladmir ensiná-lo mesmo sabendo que ele era um péssimo aluno e que não conseguiria aprender quase nada.

- Toshihiro, eu quero falar com você... – Disse ele, agarrando o irmão pelo pulso e levando-o para os fundos da casa, longe dos olhares de seus amigos. – Por que... Por que você...

- Você é meu irmão, Vova, porque eu iria querer outra coisa? E mais: eu ainda não desisti de ganhar de você hoje, então é bom você ficar atento. Vamos conversar mais tarde, se a gente não tomar café logo, vamos nos atrasar pra aula.

Isso não era exatamente o que o russo tinha em mente, porém ele foi obrigado a concordar. Quando a dupla voltou para a cozinha, Jiroh e Yan Urameshi, provavelmente acordados pelas risadas, já estavam terminando de comer. A mulher abraçou os dois garotos, beijando-lhes as bochechas com um estalo. Os dois coraram e Toshihrio deu voz aos seus protestos, reclamando que eles não eram mais criancinhas para ficar recebendo beijinhos. Vladmir, entretanto, gostou da surpresa, era a primeira vez que alguém lhe desejava feliz aniversário dessa maneira, porém ele não fazia questão de dividir esse comentário com ninguém.


Na escola, mais uma surpresa. A professora que deveria dar a primeira aula do dia estava ausente por causa de uma gripe. Sem um adulto responsável para controlá-los, os trinta adolescentes fizeram a única coisa que poderia mantê-los ocupados e divertidos até a chegada do próximo professor: jogar futebol no pátio. O time de Toshihiro e Len enfrentou o time de Vladmir durante mais de meia hora, não conseguindo marcar mais do que dois gols enquanto observavam o russo, um atacante excepcionalmente forte e ágil, passar pela defesa bem armada e marcar cinco, seis, sete vezes.

- Droga, nem no futebol! Você vai ver, Vova, eu ainda vou vencer! E vai ser hoje, custe o que custar!

A resposta de Vladmir foi um olhar estranho na direção do irmão. O russo sorria, imitando seu sorriso triunfante e a comemoração da superioridade, porém seus olhos estava diferentes, como se o garoto estivesse triste ou desapontado mesmo com a nova vitória.

Com o período seguinte, entretanto, Toshihiro foi obrigado a esquecer a nova derrota. Pelas próximas duas horas, sua turma estava a mercê da professora Kin Fu Zen, a professora mais temida da escola. A mulher de 28 anos, cabelos loiros (pintdos) arrumados em um penteado tradicional, sempre vestida em um kimono festivo e com cara de boneca, não era de longe parecida com Zanxam-sensei, até então o pior pesadelo dos beybladers de Xigaze. Pelo contrário, Zen era o exato oposto de sua colega de profissão, e exatamente por isso era tão temida. Eram poucos os que conseguiam agüentar mais do que dez minutos de seu falatório empolgado, sua voz melodiosa de professora de jardim de infância. Quinze minutos em sua aula e seus alunos se sentiam de volta no tempo em que não sabia escrever e fazer adições simples, o tempo que tinha "hora da soneca" como uma das matérias em classe. Vinte minutos em sala e essa era exatamente a matéria que seus alunos escolhiam estudar, sob pena de ser tratado como um bebê debilitado até a hora do recreio. Até o momento, Vladmir detinha o recorde de tempo acordado em aula: vinte e dois minutos e trinta e sete segundos.

O despertador – ou o sinal para o recreio – autorizou a debandada em massa da sala de aula. Nenhum aluno queria ficar para trás, pois o último a sair da sala era aquele que a professora escolheria para seu "ajudante do dia" na próxima aula, o que significava que o infeliz teria que ficar não somente acordado, como teria que prestar atenção na matéria durante duas longas horas. Toshihiro, Vladmir e Len estavam entre os primeiros a sair. Os três já haviam sofrido como "ajudante" nos primeiros dias de aula, e a experiência ainda lhes causava pesadelos. Uma vez no pátio, o trio se encontrou com os demais Blue Fish, que logo fizeram questão de cumprimentar os aniversariantes e lhes entregar seus presentes. O líder dos Blue Fish começou entregando para cada um dos aniversariantes um kit de "conserte sua beyblade você mesmo por sua conta", um produto recém-lançado em Hong Kong e trazido até ele por seu pai em uma de suas viagens para jogar futebol. Os dois garotos sorriram com o pensamento de que poderiam lutar mais à sério agora que poderiam reparar danos mais profundos, sem se lembrar de que isso significaria que a arena – o quarto, as paredes, o teto, o abajour – também precisaria de mais reparos se isso acontecesse. Jun foi a próxima a entregar seus presentes, olhando estranhamente para Len enquanto o fazia:

- Ah, Len, não fica com ciúmes porque eu...

O queixo dos três garotos caiu quando de um embrulho especialmente caprichado saíram duas miniaturas prefeitas esculpidas em argila de Fenku e Castil em posição de ataque, como se estivessem se preparando para a luta. Len olhou das miniaturas para seus amigos e de novo para as miniaturas antes de encarar Jun olho no olho, em um dos raros momentos em que ele conseguia desafiar a garota fora de uma arena e sem a ajuda de Kailon:

- Faz um desshes pra mim e eu vou fingish que não eshtou morrendo de ciúme nesse ezato momento. – Respondeu ele, com uma expressão sinistra que assustou até mesmo Vladmir, satisfeito ao perceber que seu reluzente aparelho permanente de borachinhas esverdeada não arruinou o efeito assustador que ele planejava colocar em suas palavras. Jun foi a única que permaneceu inalterada:

- Eu sabia que você ia ficar assim porque eu tive tanto trabalho com um presente para dois garotos que não são nem meus namorados, porque convenhamos você sempre aranja um motivo pra ficar com ciúme do Toshihiro ultimamente, e então eu me preparei e fiz isso aqui... – A garota entregou para o namorado um outro embrulho caprichado. Len rapidamente abriu-o e encontrou uma perfeita cópia de sua fera-bit tubarão nadando lado a lado com o golfinho de Jun em uma cena que poderia ser chamada de romântica. Ele corou imediamente. – Feliz Dia-de-dar-presente-ao-namorado-sem-razão-nenhuma, Len! – E Jun pulou em seu pescoço. E Len corou mais ainda. E Toshihiro, Vladmir, Kian e Chang esqueceram-se completamente das miniaturas e dos outros presentes que ainda estavam para serem abertos para se divertir às custas do adolescente cabeludo.

De volta aos presentes, Kian entregou uma Enciclopédia Ilustrada dos Bichos para Toshihiro e um dicionário de mandarim para Vladmir. Os dois agradeceram ao garoto, seus presentes com certeza seriam muito úteis (por melhor que fosse o mandarim falado de Vladmir, ao tentar aprender os mais de cinco mil símbolos do alfabeto chinês o garoto expressava as mesmas dificuldades que seu irmão ao tentar memorizar as trinta e três do alfabeto cirílico, e Toshihiro simplesmente amava qualquer coisa relacionada a animais). Chang foi um pouco mais além do que seu mehor amigo no mesmo assunto, presenteando seus amigos com livros institulados "Aprenda a escrever qualquer kanji" e "Aprenda de uma vez o alfabeto cirílico" em dez lições. O grupinho de beybladers riu com a escolha dos presentes, ainda mais porque o adolescente com exceço de hormônios do crescimento se enganou com os embrulhos e entregou o presente de Toshihiro para Vladmir e o de Vladmir, para Toshihiro:

- Sem ofensas, Chang, mas eu acho que sete anos de escola foram o suficiente para eu aprender a escrever razoavelmente bem na minha língua...

- Hey, eu posso não saber escrever um texto sem um erro de ortografia a cada três linhas, mas isso não siginifica que eu não saiba os kanjis e...

Foi assim que os garotos perceberam que os presentes estavam trocados.


O recreio acabou com os Blue Fish e os aniversariantes ainda rindo. A aula seguinte era a de história, outra matéria detestada pelos estudantes por culpa do professor que a ensinava: um ex-tenente do exército que atendia pelo nome de Luoyang Li Tang e não tolerava nenhum tipo de indisciplina ou desrespeito aos grandes soberanos da China, do presente ou do passado.

- ... E por essa razão nós devemos ao grande e majestoso imperador Young Lee a nossa magnífica Beijin, a Capital no Norte! Como vocês sabem, a dinastia Ming...

Toshihiro não estava prestando atenção. A tentação de fazer a imitação de Fenku e a imitaçaõ de Castil atacarem as ilustrações de seu livro de animais era muito grande para resistir, ainda mais no único dia do ano em que ele se dava ao luxo de não querer saber de nada que não envolvesse seu aniversário. Por mais que o chinês trançado tentasse esconder sua grande batalha em baixo de sua classe, o professor com treinamento militar rapidamente encerrou a brincadeira, confiscando os dois bonecos antes que seu aluno pudesse gritar "injustiça!".

- Urameshi, se quiser ver seus brinquedinhos de volta, é melhor convencer seus pais a vir buscá-los. – A voz grave do professor Tang não deixava espaço para argumentações. A aula transcorreu sem outros grandes acontecimentos. Vendo o despontamento do irmão em perder seu presente, Vladmir foi tentar convencer seu professor a devolvê-los para ele, usando de sua fala educada e paciência inesgotável. Cinco minutos depois o garoto se tornava oficialmente o número 234.997.343 do grupo clandestino "Eu odeio o intragável puxa-saco da ditadura apelidado de professor Tang".


- Eu voto por um plano suicida muito bem executado para recuperarmos nosso presente. Eu voto por me nomear chefe da operação. E eu voto por vocês entrarem no clube clandestino também, ao que parece o professor Tang é conhecido por toda a China, dado o número de associados...

Vladmir, Toshihiro e Len estavam escondidos atrás do refeitório, longe das vistas de seus colegas ou de outros professores. A maioria dos alunos estava voltando para casa a essa hora, o que garantia a distração necessária para que eles planejassem tudo com calma.

- Eu não shabia que vossê era o tipo que tramava conthra professhoresh, Vladmir. Vossê paresse mais um daquelesh CDFs metidos que shabem tudo e defendem sempre os professhoresh... – Exclamou Len, percebendo o rosto lívido e os olhos salpicados de fúria que substituiam a expressão antes calma e serena do russo. Era a primeira vez desde a chegada do garoto em Xigaze que a sua expressão facial e a de Toshihiro se tornavam exatamente idênticas.

- Eu normalmente seria assim, Len, mas esse professor me tirou do sério. E eu não sou uma pessoa legal quando me tiram do sério. – A expressão de Vladmir tornou-se ainda mais assustadora. Len não precisava se lembrar do tempo em que os Soldier of Russia aterrorisavam seus rivais para acreditar nas palavras do amigo. – Eu tenho um plano. Escutem...


O professor Tang estava calmamente organizando seu material – tomando cuidado para não deixar nenhum pó de giz manchar as gravuras de seus magnificos imperadores e empilhando todos os seus livros e cópias de pergaminhos por ordem de tamanho e número de páginas – quando uma pedra do tamanho de um punho fechado entrou janela à dentro da sala de aula e foi de encontro a sua preciosa réplica de vaso Ming, espatifando-o em milhares de pedacinhos. O homem – Alto, musculoso e com um nariz ridiculamente quadrado, apesar de já estar aposentado e com mais de sessenta anos nas costas – já estava preparando um de seus discursos sobre a juventude desviada que fazia parte do muquifo que era a escola municipal de Xigaze quando percebeu um bilhete amarrado à pedra. Ao ler seu conteúdo, rapidamente identificou seu único aluno russo como seu autor, pois ninguém mais em toda a escola poderia escrever "idiota", "mercenário", "marionete" e "puxa-saco" com tantos erros ortográficos. Sorrindo com o prazer de poder castigar um de seus alunos – ainda mais um estrangeiro – o homem correu para a diretoria para apresentar o caso contra Vladmir. Segundos depois Toshihiro entrou na sala, rapidamente vasculhando as coisas do professor até encontrar seus bonecos e atirá-los pela janela quebrada para que Len os apanhasse. Como já era de se esperar, o professor Tang voltou logo depois, observando seu aluno com um olhar suspeito.

- O que você está fazendo aqui, Urameshi? – Perguntou ele, com sua melhor voz intimidadora.

- Eu vim pegar meu caderno que eu esqueci, professor Tang. – Respondeu o mestre de Fenku, com sua melhor cara-de-pau. Passar quase um ano em companhia de Ken e Takashi havia se provado últil para alguma coisa afinal. O professor, no entanto, não se deixou enganar tão facilmente. Ele era um adulto, um ex-oficial do exército com muitos méritos, experiente em guerras e combates, não poderia deixar uma criança de quatorze anos de idade enganá-lo:

- Deixe-me ver seus bolsos. – Exigiu ele, imaginando o lugar mais provável em que o garoto teria colocado os objetos roubados. Ele sabia que Toshihiro não estava atrás de um caderno, – apesar de tal objeto estar mesmo embaixo da classe do garoto – tinha que impedi-lo de sair da sala com seu intento, ou sua honra de professor seria para sempre afetada.

- Sim, senhor. – Toshihiro obedeceu. Para a surpresa de Tang, a única coisa presente no bolso do garoto era uma chave presa a um chaveiro de coração com a foto de uma menina de cabelos castanhos longos e olhos verdes brilhantes. O aniversariante foi obrigado a tirar e revirar seu casaco, tirar tênis e meias e até mesmo a desfazer sua trança antes do professor se convencer de que ele definitivamente não estava com os ele teve que deixar seu aluno ir embora.


Toshihiro foi direto para o banheiro feminino interditado do primeiro andar que seu irmão e seu melhor amigo estavam usando como esconderijo. Ao ver novamente seu precioso presente, o garoto abraçou seus amigos tão forte que o trio quase caiu dentro de um sanitário sem tampa entupido com as coisas mais nojentas que poderiam ser encontradas em uma escola. Felizes após mais um dia perfeito na escola, o trio fez o caminho de volta para a casa da família Urameshi, onde um grande almoço para amigos e família os esperava.

Os demais Blue Fish e Hehashiro já estavam lá, todos expremidos em uma mesa de seis lugares que teria que abrigar nove. Jiroh perguntou o motivo do atraso do grupo e riu junto com os demais ao ouvir a resposta. Não seria ele a punir seus filhos por quererem recuperar um presente perdido, ainda mais de uma forma tão engenhosa. Yan forçou os garotos a se sentarem e começou a colocar prato atrás de prato na mesa. Todas as comidas que os garotos mais gostavam estavam lá, incluindo algumas receitas russas que ela aprendera a fazer ainda no hotel. A mesa ficou tão cheia que as criaças decidiram sentar no chão e usar as cadeiras para apoiar seus pratos, pois não havia mais espaços para eles em seu lugar de direito.

- Mãe, você por um acaso espera que a gente convide a vila toda pra almoçar, é isso? – Perguntou Hehashiro, ainda tentando fazer sua produção de saliva voltar aos níveis normais.

- Isso tudo é pra gente? Tem certeza que vocês não querem que a gente engorde pra poder fazer churrasquinho depois? – Perguntou Vladmir, piscando diversas vezes como se para confirmar que não estava sonhando.

Os adultos riram com as perguntas de seus filhos. Yan respondeu apenas que seus dois caçulas mereciam uma grande festa por serem as pessoas maravilhosas que eram. Os dois aniversariantes coraram, agradecendo timidamente. Pela segunda vez, Len observou as expressões dos garotos tornarem-se idênticas.

Jiroh Urameshi estava sentado em uma das pontas da mesa, dividindo seu espaço com Hehashiro. Toshihiro e Vladmir estavam ao seu lado, um de cada lado, o primeiro dividindo espaço com Len e Jun e o segundo, com Chang e Kian. Yan Urameshi ocupava sozinha a outra ponta da mesa, uma recompensa por ter passado a manhã inteira cozinhando. Ela aparentava estar cansada após tanto trabalho, mas sorria mesmo assim, satisfeita por ver sua família feliz novamente. Assim como Toshihiro, ela era capaz de sentir quando o mais novo membro da família se sentia desconfortável ou tentava esconder seus verdadeiros sentimentos. Seus instintos de mãe lhe contavam que Vladmir ainda não estava completamente adaptado, por isso ela se sentia na obrigação de acostumá-lo o mais rápido possível, mesmo que isso significasse mimar demais seus outros filhos também.

Toshihiro e Kian abriram o almoço pegando o mesmo sushi. Enquanto os dois iniciavam uma pequena disputa pelo pequeno amontoado de arroz e peixe, Len e Jun se apoderavam dos sushi restantes, divindo-os entre eles e os outros adultos da mesa. Ao mesmo tempo, Vladmir, Jiroh e Hehashiro se serviam da culinária estrangeira enquanto Chang e Yan separavam uma pequena porção de yakisoba para cada um. Demorou ainda algum tempo para que Toshihiro e Kian percebessem a falta dos demais sushi. O mestre de Fenku não pensou duas vezes antes de pular no prato de Len e apanhar um ou dois para ele. Como seu amigo estava com as mãos ocupadas servindo-se de yakisoba, quem tentou salvar o dia foi Jun, que pulou por cima do namorado para impedir o ladrão de clamar sua recompensa. O resultado foi uma competição sem regras de quem era capaz de comer (e apanhar) mais sushi em menos tempo, envolvendo Toshihiro, Len, Jun e Kian. Vladmir, Hehashiro e Chang fingiram que não havia nenhuma criança hiperativa destruindo a cozinha na frente deles e continuaram sua refeição calmamente, enquanto Jiroh abria um jornal na frente de seu prato para não ter que ver o caos e sua esposa se levantava de seu lugar murmurando alguma coisas como "pegar as bebidas".

Quando a mulher voltou, seu marido ainda estava entretido no jornal, Vladmir, Hehashiro e Chang estavam quase terminando sua refeição e as demais crianças encontravam-se embaixo da mesa, catando os restos de arroz, peixe e vegetais perdidos no meio da guerra do sushi. Hehashiro parou de comer e passou a focar um ponto longuíncuo no horizonte, deixando seus pensamentos vagarem em visões da namorada que estaria chegando para morar com ele em duas semanas enquanto tentava ignorar os pés e mãos que o cutucavam por baixo da mesa a toda hora. Yan, com um sorriso divertido, deu a seu filho mais cabeludo uma vassoura e uma pá e ordenou que os quatro baderneiros limpassem a bagunça.

- Mãe, vassoura é pra mulherzinha! – Exclamou Toshihiro, encarando o objeto na mão da mulher com ar de desdém. – Eu e o Len temos jeitos bem melhores de varrer a sujeira longe!

Vladmir entendeu o que seu irmão ia fazer um segundo antes que ele fizesse. Aproveitando-se do fato de ainda estar de rabo de cavalo desde que o professor Tang lhe pedira para desfazer a trança à procura das miniaturas, ele e Len baixaram as cabeças e passaram a usar suas longas cabeleiras como vassouras, balançado-as de um lado para o outro para reunir a sujeira enquanto Jun e Kian usavam as pás para recolher tudo.

- Toshihiro, Len, pro chuveiro agora, antes que eu tenha que parar de fingir que estou lendo o jornal! – Exclamou Jiroh Urameshi, ainda escondido atrás do jornal. Seu tom de voz indicava que ele estava realmente falando sério e que os garotos deveriam obedecer se não quisessem ter problemas.


Em alguns minutos o barulho de água corrente vinda do banheiro contou aos demais habitantes da casa que os dois cabeludos estavam finalmente tomando banho. Tendo de repente uma inesperada meia hora sem a companhia do irmão, Vladmir pensou em ir para seu quarto ler alguma coisa, porém seu pai o impediu:

- Hey, Vladmir, eu quero te dar o meu presente de aniversário. Venha comigo, por favor.

O russo encarou o homem um pouco desconfiado, mas obedeceu. Conhecendo Jiroh Urameshi, ele provavelmente esperaria pelos dois filhos para entregar-lhes os presentes ao mesmo tempo, como todos os seus amigos fizeram até o momento. O homem o levou até o quarto que divia com a esposa, um pouco menor, porém mais organizado que o quarto das crianças, com menos rachaduras nas paredes e danos a objetos em geral causados por beyblades em guerra. A cama de casal estava velha e enferrujada, e rangia a cada movimento daqueles em cima dela. Jiroh passou a mão por seus cabelos castanhos bagunçados como se tentasse pensar em alguma coisa para dizer, cada movimento seu observado atentamente pelo adolescente ao seu lado.

- Você... queria me dar alguma coisa, Jiroh-san? – Perguntou Vladmir, percebendo que o homem não sabia exatamente como começar o que quer que estivesse pensando.

- Em primeiro lugar, eu não quero parecer autoritário nem nada, acho que você já teve o suficiente de gente assim por uma vida toda, mas eu sou seu pai agora, e eu queria que você me chamasse assim... – Começou o biólogo, encarando o garoto com olhos gentis idênticos aos de Toshihiro.

- Eu... eu... – Vladmir corou e baixou o rosto, fechando os punhos em sua jaqueta. Ele estava tentando tratar os adultos como "pai" e "mãe" desde a confirmação da adoção, porém ele só se lembrava de fazê-lo quando estava realmente concentrado nisso, não conseguindo controlar seu instinto em outras ocasiões.

- Não, tudo bem, eu sei dos seus esforços. E eu não quero te precionar. – Jiroh estava sorrindo, usando uma de suas mãos para erguer o rosto do filho de modo que seus olhares se encontrassem novamente. – Mas você tem razão, eu quero te dar uma coisa. – O homem se levantou, indo em direção ao armário torto, se abaixando para pegar alguma coisa em uma das gavetas inferiores. – Eu vi você jogando lá na praça com os vovôs outro dia, eles me falaram bem de você, disseram que você tem futuro se quiser realmente aprender as técnicas, então eu acho que um pouco mais de incentivo não faz mal...

Vladmir entendeu as palavras de seu pai quando o homem depositou uma caixa de aparência pesada em cima da cama, fazendo-a ranger mais alto que o normal. Jiroh indicou que o garoto deveria abri-la. O russo sabia seu conteúdo antes mesmo de levantar a tampa da caixa e deixar o queixo cair com a visão do mais perfeito e brilhante tabuleiro de Weiqi que ele jamais vira, muito diferente dos tabuleiros de mesa que os idosos aposentados usavam para jogar no centro da vila. Os olhos do garoto se iluminaram ao checar as pedras, todas novas, perfeitas, brilhates.

- Ah, Weiqi... No Japão nós o chamamos Go. Eu tentei várias vezes fazer o Hehashiro e o Toshihiro se interessarem pelo jogo, mas acho que aqueles dois têm a mente muito obtusa para apreciar a beleza de jogar. Um tabuleiro de 19x19 linhas, pedrinhas redondas, brancas e pretas para serem colocadas nas interseções das linhas, e você e seu adversário formam um campo de batalha em uma disputa por território com possibilidades de movimentos infinitas enfatizando a união e a estratégia. Uma por uma as pedras vão preenchendo os espaços em branco, formando correntes, barreiras, cercando o inimigo. Uma pessoa pode demorar horas e horas para decidir onde fazer sua próxima jogada, e a discussão de um único jogo pode levar dias. Ah, se ao menos aqueles dois conseguissem enxergar a beleza do jogo... Estou feliz que ao menos um dos meus filhos vai poder jogar comigo quando eu ficar velho e me aposentar!

Vladmir estava sem palavras. Quando ainda morava na Rússia, desenvolvera certo interesse por jogos de tabuleiro ao aprender xadrez como atividade extra-escolar junto com natação. Com alguns anos de prática, já era considerado um bom jogador, vencendo um ou dois torneios juvenis. Ao chegar na China, uma das primeiras coisas a lhe chamar a atenção foi o número de pessoas reunidas na praça central em volta de tabuleiros similares ao de xadrez, só que com todos os quadrados em branco. Os jogadores acrescentavam peças pretas e brancas no tabuleiro em turnos, por vezes tirando uma ou outra peça inimiga do jogo. Na época seu mandarim ainda era pouco desenvolvido, por isso ele esperou chegar em casa para perguntar ao seu pai que jogo era aquele. Uma semana depois ele estava jogando com os velhinhos da praça, aprendendo com eles as técnicas do jogo cada vez que tinha tempo livre, ou cada vez que Toshihiro e Hehashiro começavam a passar dos níveis normais de bagunça. Sua paixão pelo jogo cresceu com o tempo, ele gostava do jogo do mesmo jeito que gostava de xadrez, ou até mais. Ele queria melhorar, aprender cada vez mais. Até mesmo a possibilidade de se tornar um profissional não lhe soava de todo absurda, afinal ele ainda não tinha certeza do que gostaria de ser no futuro.

- Ji... Pai, eu... isso é...

- Quer jogar uma partida? Eu quero ver com os meus próprios olhos se o que os vovôs estão falando é verdade ou não. Prepare-se.

As duas horas seguintes foram duas horas muito tensas, tanto para Vladmir quanto para Jiroh. Foi um alívio quando a vitória apertada do dono da casa foi declarada, ambos os jogadores sorriam aliviados e felizes, um pouco mais unidos nessa nova característica comum entre eles.


Hehashiro e Toshihiro não sabiam de nada do que estava acontecendo entre os outros homens da família. Quando os dois adolescentes cabeludos já estavam a quase uma hora embaixo do chuveiro – o tempo que durava a água quente para o banho de todos os membros da família – o quase-adulto-independente resolveu investigar por conta própria o que estava acontecendo. O banheiro ficava nos fundos da casa, ligando à parte principal por um estreito corredor de madeira mofada. Os outros Blue Fish ainda estava na sala, lutando beyblade para passar o tempo.

- Hey, vocês dois, vamos rápido com isso aí, eu não quero tomar banho frio! – Reclamou o mestre de Kufe, batendo na porta com força. Normalmente, na rotina da família, sábado era o dia em que apenas Toshihiro tomava banho, o dia em que ele lavava a trança gigantesca e usava toda a água quente. Porém aquele quize de março não era um sábado, e ele adoraria poder tomar um banho quente no fim do dia se seu querido irmãozinho colaborasse.

Subitamente a porta se abriu, liberando um jato d'água que molhou Hehashiro da cabeça aos pés. Len e Toshihiro encontravam-se sentados na banheira, sorrindo marotamente com as mãos em posição para lançar um segundo jato. Derrotado, o projeto de adulto se junto a eles, decidido que um pouco de diversão não faria mal a ninguém.

Dez minutos depois, Hehashiro foi o primeiro a deixar o banheiro, enrolado em sua toalha tamanho família e com uma segunda toalha para seu cabelo rebelde, que não era tão longo quanto o de seu irmão mais novo, mas que passava do meio de suas costas. Carregava em uma das mãos as roupas encharcadas para depois estender no quintal. Ele passou por Kian, Chang e Jun no caminho até o quarto, a mestra de Kaluz corou um pouco ao vê-lo e desviou o olhar. Ele já estava mais ou menos vestido quando os outros dois cabeludos apareceram, Len muito nervoso e corado, e Toshihiro com cara de quem ganhou um presente de natal antecipado. O cabelo dos dois ficava ainda mais longo quando molhado, chegando até quase ao joelho.

- O que aconteceu? – Perguntou o mestre de Kufe, observando Len com um olhar suspeito.

- Ah, nada, só a toalha do Len que caiu no meio do caminho. – Respondeu Toshihiro, tentando parecer sério enquando caminhava até o guarda-roupa quase desmoronado para apanhar roupas secas para ele e Len. O rosto do líder dos Blue Fish assumiu uma coloração avermelhada típica da situação. – Bem na frente da Jun. – Com a situação completamente explicada, os irmãos começaram a rir, o mais velho imaginando a reação da garota e o mais novo se lembrando do desenrolar dos fatos. Mais irritado do que envergonhado, Len pegou suas roupas e foi terminar de se vestir em algum lugar vazio dentro da casa.

- O que deu nele? – Perguntou Toshihiro, parando de rir ao ouvir a porta do quarto bater.

- Será que foi alguma coisa que dissemos? – Indagou Hehashiro, encarnado o irmão com uma expressão inocente. Os dois ficaram se encarando por um tempo consideravelmente longo, até perceberem que estavam seminus e congelando.


Algum tempo depois, quando a partida de Vladmir e Jiroh já havia terminado e Len não estava mais tão brabo e Jun já conseguia encarar o namorado sem ficar imaginando suas "indecências", o grupo de crianças, adolescentes e um jovem irresponsável que legalmente já era um adulto decidiram sair para passear pela cidade e tomar um sorvete, apesar do frio e do fato de só haver uma única sorveteria na vila, com preços exorbitantes sobre uma simples casquinha de morango justamente pela falta de concorrência.

Durante a caminhada até a sorveteria, Toshihiro percebeu que seu irmão "gêmeo" estava mais quieto que o normal, pensativo e se deixando ficar para trás no grupo, como se não quisesse ser atrapalhado com o que quer que ele estivesse fazendo.

- Hey, Vladmir, você tá legal? – Perguntou o garoto, se aproximando do russo de modo a colocar uma mão em seu ombro. – Você tá muito quieto. Muito mais quieto do que o normal, quer dizer...

- Ah... não é nada... eu só... – Vladmir sentiu seu rosto esquentar, ele provavelmente estava corando. Tinha vergonha de dizer ao irmão o que estava pensando, não sabia qual seria sua reação. – Estava pensando... em algumas coisas...

- Que coisas? – Insistiu o chinês trançado, curioso. Mesmo morando com Vladmir por quase quatro meses, ele ainda tinha dificuldades em interpretá-lo algumas vezes, diferente do que acontecia entre Rumiko e Nathaliya, Ken e Isaac ou Koichi e Yoshiyuki, por exemplo, que começaram a se entender tão logo a batalha no ginásio de Moscou terminara.

- Coisas, Toshihiro... coisas... – Vladmir passou a encarar o chão, desvencilhando-se do irmão. Toshihiro não desistiu, porém:

- Eu quero saber que coisas! Eu sou seu irmão, não sou? Você pode confiar em mim pra dizer qualquer coisa!

- Eu estava pensando sobre como eu sempre consigo vencer você, não importa o que você tente. – Respondeu o russo, voltando a encarar o mestre de Fenku com um olhar penetrante, um que não era visto desde os tempos dos Soldier of Russia...

Toshihiro recuou alguns passos, assustado com a mudança inesperada no irmão. Vladmir continuou a encará-lo por alguns segundos antes de voltar a caminhar, novamente perdido em seus pensamentos. Desta vez, Toshihiro não tentou se aproximar. Esperava que o sorvete animasse um pouco o russo e o fizesse falar sobre o que quer que o estivesse encomodando. Para o chinês, o fato de ele nunca ser capaz de ganhar do irmão era frustrante, nada mais do que isso. Mais uma vez, ele não fazia idéia de como isso afetava Vladmir.

Dentro da mente do vice-líder dos Soldier of Russia uma corrente de pensamentos o transportava novamente para os seus dias como marionete de Hajime Yuy, o homem que o enganara por treze anos para tê-lo como aliado. A derrota na partida contra Jiroh lembrou-lhe o quão curioso era o fato de ele nunca perder para seus irmãos, mas ser facilmente vencido por seu novo pai. O fato de nunca perder lembrou-lhe de quanto ele machucara estes mesmos irmãos menos de seis meses antes. Durante a final do campeonato mundial, Yoshiyuki e Nathaliya perderam suas lutas contra Rumiko, e depois disso suas ligações com seus irmãos se tornaram tão fortes que era como se eles estivessem sempre vivido lado a lado. O mesmo aconteceu com Isaac depois de o garoto sacrificar seu olho por Ken no labirinto de túneis do ginásio. Pelas cartas que seus amigos mandavam – a maioria em russo, já que agora essa era a única maneira de exercitar seu idioma nativo – ele sabia que todos estavam realmente felizes e muito bem-adaptados à nova vida em um novo país. Vladmir sentia-se feliz por seus amigos, mas... e quanto a ele?

Castil vencera Fenku na final. Castil derrotara Kailon e Kufe tomando cuidado para causar o maior dano possível não somente às beyblades, mas aos mestres também. Ele havia machucado as pessoas que agora lhe chamavam de irmão e amigo, e por mais que elas insistissem que tudo isso era parte de um passado distante, estando no seu lado da história pensar assim se tornava um pouco mais difícil. Por mais que gostasse dos velhinhos que lhe ensinavam Weiqi na praça e por mais que achasse seus novos pais duas pessoas muito carinhosas e simpáticas, sua adpatação à Xigaze não estava sendo tão fácil quanto ele imaginava.

E, claro, no meio de tudo isso ainda havia os pensamentos relacionados aos seus pais biológicos. As poucas informações que sabia sobre eles e as poucas fotos que tinha vinham todas de Daitenji-san ou de Hajime Yuy, duas pessoas que os conheceram muito antes de ele nascer ou mesmo de Igor e Anya pensarem em se casar, em um tempo em que todos eram amigos e confiavam no pai dos irmãos Yuy como confiariam em qualquer outro amigo. Doía pensar que cada aniversário seu seria também um aniversário de morte de seus pais, mortos junto com seus avós enquanto iam para a maternidade. Tudo planejado por Hajime Yuy e sua Operação Mente. Por causa disso ele viveria onze anos em um orfanato e mais dois como um boneco sem emoções. Se ele pudesse conversar com Igor e Anya naquele momento, perguntaria a eles o que eles achavam de sua nova vida, de sua nova família, se eles estavam orgulhosos do que ele havia se tornado. Tinha tantas perguntas a fazer que ele se perguntava se algum dia conseguiria enumerar todas.


Agora um pouco mais distante, Toshihiro observava Vladmir visivelmente preocupado. A mudança de humor no garoto o deixou nervoso também. Vladmir nunca perdia a calma desse jeito, nem mostrava-se brabo ou irritado. Na verdade, era raro ver nele qualquer expressão que não fosse a calma e serenidade que acompanhavam um garoto tímido e não acostumado a mostrar suas emoções. Era raro até mesmo para ele ver o irmão sorrindo, e quase sempre ele o fazia no meio de uma luta apenas. Pensando um pouco mais fundo, Vladmir não demonstrava alegria por estar perto dos amigos, era impossível saber quando estava se divertindo ou se estava se divertindo. Mesmo que sua ligação com o russo não fosse tão forte quanto ele gostaria, o chinês trançado podia sentir as dificuldades de seu novo irmão em se adaptar a sua nova vida, e se esforçava para mudar isso. Fazer seu irmão ficar um pouco mais feliz e confortável ao redor de seus amigos era um de seus objetivos do dia, uma espécie de resolução de ano novo, só que no aniversário. Toshihiro gostava muito do irmão, não dava importância para o que acontecera no passado, e queria que Vladmir pudesse entender isso logo. Não era culpa dele se Hajime Yuy era um megalomaníaco obsessivo e com o poder de controlar mentes. Antes de o dia terminar, Toshihiro estava decidido a dizer tudo o que pensava, acabando de vez com o drama que envolvia seu irmão.

Mais cedo do que o esperado, o grupo chegou na sorveteria. O dono do estabelecimento observou os clientes se aproximarem, curioso. Os Urameshi eram bem conhecidos na vila, primeiro por serem uma família com sobrenome estrangeiro, depois por terem um filho desaparecido que retornou, depois por ter um filho campeão mundial, e por último por terem adotado um outro filho estrangeiro vice-campeão mundial. O homem, um dos velhinhos que normalmente ficava na praça depois de fechar a sorveteria jogando Weiqi com os amigos, de cabelos acinzentados muito ralos e olhos quase fechados, cobertos por rugas, sorriu ao ver Vladmir, queria de algum jeito parabenizar o garoto por sua grande vitória contra seu rival – o dono da única sapataria da vila – alguns dias antes. Talvez essa fosse a oportunidade:

- Olá, meus jovens, o que desejam?

- Ah, senhor Hu... – Começou Hehashiro, o auto-intitulado líder do grupo. – Hoje é aniversário dos meus irmãos e...

- Não diga mais nada, jovem Hehashiro, não diga mais nada! Vamos, entrem todos vocês! Hoje o sorvete fica por minha conta!

Os olhos de seis entre sete beybladers se arregalaram com o convite do velhinho. Todos, com exceção de Vladmir, conheciam Min Sei Hu como um velhinho pão-duro que cobrava caro por um dos melhores prazeres da vida e não gostava de crianças. O sorveteiro estava sempre mau-homorado no trabalho e tinha o hábito de cortar qualquer baderna jogando um balde de gelo na direção dos bagunceiros. Seu monopólio no comércio de sorvetes da região prevenia o abandono da clientela, e ele se aproveitava dessa situação muito bem. Vladmir, sendo o único que conhecia o outro lado da personalidade do velhinho, tomou a frente do grupo, esquecendo-se por um momento dos pensamentos que o atormentavam, e entrou na sorveteria.

- Obrigado, senhor Hu, nós vamos tentar não fazer muita bagunça.

- Oh, que nada, meu jovem, que nada! Eu me sinto no dever de te dar um belo presente hoje, você é um jovem muito bem educado que merece isso e muito mais! E ainda por cima é tão habilidoso no Weiqi, nem parece que começou a jogar a menos de dois meses!

Vladmir corou com os elogios, deixando seu rosto semelhante a um sinal de trânsito. Toshihiro ficou satisfeito ao perceber um pequeno sorriso em seus lábios. Confusos, porém animados com a mudança de temperamento do velho sorveteiro, as outras crianças também entraram, servindo-se de multiplos sabores de sorvetes e coberturas. Enquanto os Blue Fish e Hehashiro aproveitavam os efeitos do exceço de açúcar, Toshihiro aproveitou a chance para ficar sozinho com seu "gêmeo" do lado de fora da sorveteria. Ele tinha em sua mão uma casquinha de chocolate coberta de balas e outras porcarias, enquanto Vladmir segurava um copo com uma bola de limão sem coberturas.

- O que você quer dessa vez, Toshihiro? – A voz do russo estava um pouco áspera, lembrando a última vez que os dois se falaram.

- A mesma coisa que antes. Confia em mim, Vladmir, eu quero saber o que está acontecendo com você. Eu quero te ajudar e...

- Eu não preciso de ajuda. – Interrompeu o russo, olhando para qualquer lugar menos para o irmão. – Eu posso cuidar de mim mesmo, eu sei como resolver...

- Não, não sabe. – Foi a vez de Toshihiro interromper. O grupo de dentro da sorveria percebeu os dois conversando, porém o velho sorveteiro sugeriu que eles não interferissem, usando sábias palavras que somente os mais idosos conseguem dizer. Os mais novos entenderam a mensagem, deixando os irmãos resolverem seus problemas sozinhos. – Se você soubesse, não estaria tão triste desde que a gente chegou em Xigaze.

- Quem foi que te disse que eu estou triste? – Perguntou o russo, levemente irritado por ter sido interrompido. Ele ainda não encarava Toshihiro.

- Eu não preciso que alguém me diga pra entender, Vova, eu não sou tão denso quanto eu pareço. Se você ainda está pensando no que aconteceu ano passado...

- É meio difícil esquecer uma coisa assim quando tudo ao seu redor te faz voltar a essas lembranças. – Vladmir deixou o sorvete de lado e abraçou os joelhos, olhando para algum ponto distante à frente.

- Eu já esqueci. E eu ando ao lado da possível lembrança o tempo todo. – Retucou Toshihiro, arriscando uma aproximação. Estava a apenas alguns centímetros do irmão agora.

- Pra você é fácil. E pra Nathaliya, pro Yoshiyuki e pro Isaac também. Vocês perderam, vocês de alguma maneira compensaram pelos problemas...

- Então é isso? Tudo é uma questão de compensar? – Toshihiro desistiu de se importar com o que o irmão poderia fazer, abraçando-o bem apertado. Havia um pequeno sorriso em seus lábios, e seus olhos estavam começando a ficar marejados. – Você não precisa compensar mais nada, Vova! Não tem nada mais que a gente precise desculpar ou compensar!

- Claro que tem, Toshihiro! Você sabe que sim! – Vladmir levantou um pouco a voz, porém não tentou se livrar do abraço. Na verdade, ele até mesmo passou a se apoiar no corpo do irmão, sentindo-se mais confortável do que gostaria de admitir, porém ainda sem encará-lo. – Eu te transformei em um boneco, explodi a beyblade do Len e quase matei o Hehashiro!

- E você também salvou a vida do David, nos guiou no labirinto e aceitou vir morar aqui mesmo com todos esses sentimentos ruins guardados dentro de você. – Toshihiro apertou o irmão ainda mais, inclinando-se para poder deixar seu rosto lado a lado com o do russo. Quando Vladmir virou-se e seus olhos se encontraram, o chinês trançado deixou escorrer a primeira lágrima. – Só o fato de você estar aqui comigo agora, no nosso aniversário, tomando sorvete junto com a gente e tramando contra o professor de história já compensaria até se fosse um assassino sangüinário que mata criancinhas!

- Hey, eu não...

- Eu gosto de você Vova, eu gosto de você como se a gente já tivesse nascido junto, crescido junto e ajudado um ao outro naqueles momentos difíceis. – Os olhos de Vladmir se arregalaram ao perceber que seu irmão estava com o rosto encharcado e vermelho. Ele demorou um pouco mais para perceber que também estava chorando. O calor do corpo de Toshihiro invadia-o: intenso, porém confortável, forte, mas gentil. Através dele, o garoto podia sentir o que seu irmão sentia, o quão verdadeiras eram suas palavras o que elas realmente significavam. – O que quer que você tenha feito antes, eu não me importo. Eu não me importo porque eu sei que aquele Vladmir que me transformou em um boneco, que explodiu a beyblade do Len e quase matou o Hehashiro não era o verdadeiro Vladmir, era só mais um dos bonecos insensíveis do Yuy-teme.

- Toshihiro...

- O verdadeiro Vladmir é aquele que está aqui comigo agora, o meu irmão forte e inteligente que sempre granha de mim e que tenta me ensinar russo mesmo sabendo que eu sou uma anta que não aprende. Só que o verdadeiro Vladmir é muito tímido e tem muitos problemas, e eu quero muito ajudá-lo a resolver todos esses problemas pra que a gente possa ficar ainda mais feliz e fazer muito mais coisas legais.

Como resposta, Vladmir abraçou Toshihiro de volta, enterrando seu rosto no peito do irmão como a criancinha pequena e desprotegida que ele se sentia no momento. Ele não sabia o que dizer, não tinha o que dizer. O calor do corpo de Toshihiro protegia-o, sugava aos poucos os medos e a ansiedade que o acompanhavam desde o término do campeonato mundial. Lágrimas rolavam livremente no rosto dos dois, mas eles não se importavam. Toshihiro mais uma vez envolveu o irmão em seus braços, sem desalojá-lo, e os dois ficaram naquela posição por um longo tempo, até o velho sorveteiro chamá-los, pois a sorveteria estava prestes a fechar e o sol estava se pondo no horizonte. Não havia sinal de Hehashiro ou dos Blue Fish.

- Obrigado, Toshihiro, eu não imaginava que você...

- Ah, que isso! – Os dois garotos estavam em seu caminho para casa, andando abraçados ainda com o rosto vermelho e os olhos inchados. – Eu sabia que você não estava tão bem quanto queria que a gente pensasse que você estava, e isso também não estava fazendo bem pra mim.

- Desculpa. Eu não queria que você ficasse mal. – Ver o pequeno sorriso de Vladmir fez Toshihiro quase gargalhar.

- Você não tem que pedir desculpas, caramba! Tô começando a achar que a sua mania de se culpar é alguma coisa genética! – Os dois garotos sorriram com a brincadeira, porém Vladmir logo voltou a ficar sério, olhando para o céu colorido e as primeiras estrelas a brilhar:

- Eu queria saber onde os meus pais estão agora. Queria saber o que eles acham de mim.

- Bom, se eu fosse eles, com certeza estaria muito orgulhosa de ter um filho tão educado, gentil e inteligente como você, Vladmir.

Os irmãos se viraram, surpresos. Yan, Jiroh e Hehashiro estavam parados a poucos metros de distância, sorrindo para a dupla.

- Mãe? Pai? Hehashiro? O que vocês estão fazendo aqui? – Perguntou Toshihiro, tentando colocar seus olhos de volta em seu lugar de origem depois que estes se arregalam e saltaram das órbitas com a surpresa. Foi Yan quem novamente respondeu:

- Hehashiro nos contou o que estava acontecendo na sorveteria e nós achamos que seria uma boa idéia dar um passeio em família. Não concordam?

- É, é uma boa idéia! – Respondeu Vladmir, antes que Toshihiro pudesse sequer pensar em alguma coisa pra dizer. – Mãe...

A mulher vence a distância que a separava dos garotos em poucos segundos, em passos largos demais para alguém que vestia um kimono tão apertado. Yan Urameshi abraçou os dois aniversariantes, apertando-os contra seu peito protetoramente:

- Eu amo vocês dois! Mais do que qualquer coisa! Vladmir, eu posso não ser Anya Grygorievna, mas eu tenho muito orgulho de você por você ser como você é, assim como eu tenho orgulho do Toshihiro e do Hehashiro mesmo depois de eles terem fugido de mim.

- Mãe, isso não...

- Não corta o momento, Toshihiro, não corta o momento... – Sussurrou Hehashiro no ouvido do irmão. Yan continuava falando com Vladmir, fazendo o russo sorrir, corar e chorar ao mesmo tempo. Hehashiro e Jiroh haviam se aproximado do grupo e o homem passava as mãos pelos cabelos dos filhos menores, sorrindo também.

- Obrigado, mãe, pai, eu prometo que eu vou um filho melhor a partir de agora. E que eu não vou deixar o Toshihiro destruir a minha futura cama e nem ficar tempo demais embaixo do chuveiro no sábado. E nem...

- Ela entendeu, Vladmir, ela entendeu...

A volta para casa foi bastante animada com toda a família reunida para fazer piadinhas com Toshihiro. Quando o assunto das brincadeiras tornou-se suas ligações diárias para Rumiko e a correspondência por cartas, telegramas e afins, a família passou a caçoar também de Hehashiro e suas declarações melodramáticas para Lily ao telefone, em cartas perfumadas e através de fotos curiosas e proibida para menores.

- Ah, você é sortudo, Vova, não tem namorada. – Declarou Hehashiro, já dentro de casa, quando todos se sentaram para jantar – O dia em que você ficar comprometido, se prepare, porque a gente vai devolver em dobro tudo que levamos hoje, não é, Toshihiro?

- É, nós vamos! E vai ser um senhor espetáculo...

Vladmir logo parou de prestar atenção nas ameaças e besteiróis de seus irmãos sobre o que eles fariam em sua festa de noivado e de casamento dependendo da noiva – bonita, feia, calma, agressiva, idiota, inteligente, chinesa, russa ou americana – e dirigiu seus pensamentos para outro lugar: Nathaliya. Ele tinha certeza, observando as atitudes da garota, que sua mais velha amiga estava começando a pensar nele de um jeito diferente. Seria interessante se eles acabassem namorando um dia, considerando que seus irmãos já formavam um casal.

A idéia não era má. Um casamente conjunto, talvez? Com os dois casais dentro de uma igreja ou um templo ou algo assim, com todos os seus amigos do campeonato ao redor fazendo festa e jogando arroz em cima deles... O único problema é que ele não conseguia ver Nathaliya como algo além de amiga. Uma grande amiga, sim, mas amiga apenas. No momento, não havia ninguém que o atraísse dessa maneira, ou pelo menos do jeito que ele imaginava que alguém apaixonado deveria se sentir. Ele esperava que essa pessoa – quem quer que fosse – ainda demorasse para aparecer. Por mais divertido que fosse ouvir os planos de Toshihiro e Hehashiro sobre o dia que ele arranjasse uma namorada, o russo não tinha certeza se gostaria de vê-los se realizando.


- Sabe, Toshihiro, esse foi o melhor aniversário que eu já tive.

Era noite alta em Xigaze. Hehashiro já estava dormindo – em um colchão no chão também, já que sua cama estava agora quebrada – e roncando alto, porém os dois "gêmeos" continuavam acordados, conversando sobre vários assuntos. O comentário de Vladmir veio de repente, sem nenhuma relação com o que quer que eles estivessem discutindo instantes antes.

- Pra mim também, Vladmir, pra mim também.


Toshihiro:
Oh, Vladmir! Oh, Vladmir! Nós finalmente nos entendemos! (Chorando cataratas enquanto corre na direção do Vladmir em uma montanha florida com um lindo pôr-do-sol ao fundo)

Vladmir: Oh, Toshihiro! Oh, Toshihiro! Finalmente chegou o dia em que nós finalmente resolvemos as nossas diferenças! (Correndo na direção do Toshihiro em uma montanha florida com um lindo pôr-do-sol ao fundo)

(Toshihiro e Vladmir se aproximando com os braços esticados para se abraçar)

(Toshihiro e Vladmir muito perto de se abraçar)

(Aparecem a Rumiko e o Eventual Par Romântico do Vladmir e ficam entre os dois)

Rumiko: Alto lá! Só eu abraço o Toshihiro! (Abraça o Toshihiro e mostra a língua pro Vladmir)

Eventual Par Romântico do Vladmir: Eu na verdade não sou tão possessiva como o James-san quer que todo mundo pense nessa cena, mas pelo bem do off-talk eu vou interpretar o meu papel... (mostra a língua pro Toshihiro) E só eu posso abraçar o Vladmir!

Takashi: Poxa... uma personagem que nem apareceu ainda na história conseguiu um nome secreto pra poder aparecer... E eu aqui esperando até o capítulo dezoito pra fazer a minha estréia... TT.TT A vida não é justa...

Toshihiro: Não é justo vocês interromperem a nossa cena sem pé nem cabeça com um comentário sem pé nem cabeça! E logo agora que eu estava gostando... (Abraçado na Rumiko com cara de bobo-alegre)

Hehashiro: Ah, tadinho do meu irmãozinho... Quatorze anos de idade e já hipnotizado por uma garota... Ah, o que será que vai acontecer quando ele ficar mais velho e...

(Passa uma cena de flashfoward com a vida do Toshihiro e da Rumiko como um casal feliz e com x filhos)

(A cena fica censurada por conter um absurdo número de spoilers, mas quem conseguiu ver fica chocado mesmo assim)

Vladmir: Oh, Toshihiro... se isso tudo for verdade, eu tenho pena de você... (Se desgrudando do Eventual Par Romântico do Vladmir para ficar ao lado do Toshihiro dando tapinhas gentis nas suas costas)

Hehashiro: Eu também, irmãozinho, eu também... (Hehashiro imitando o Vladmir)

Toshihiro: (Com as costas vermelhas de tantos tapinhas) Olha, gente, eu agradeço a preocupação de vocês, mas...

Ken: MEU ANIVERSÁRIO É AMANHÃ! (Aparece do nada pulando feito macaco)

Toshihiro: O aniversário do Ken é amanhã e... O.õ (piscando um monte de vezes pra tentar entender o que acabou de dizer)

Isaac: ISSO MESMO! NOSSO ANIVERSÁRIO É AMANHÃ! (Pulando igual ao Ken, só que batendo a cabeça na parede por erro de cálculo de distância) x-x

Koichi: Oh, é mesmo? E qual seria a nova idade dos irresponsáveis? ¬¬''

Ken: Acreditem se quiser, a dupla de gêmeos mais irresponsáveis e sem noção está completando 16 anos e roubando o centro das atenções do off-talk!/o/

Rumiko: Nossa... tá todo mundo velho aqui... o.o'

Ken: Você é uma pra falar, né, Rumiko? Tá fazendo 17 em duas semanas...

Rumiko: Eu tô o que? O.O (Desmaia)

Yoshiyuki: Vocês estão todos exagerando. o.o Um dia todos vamos ficar velhos, e ao contrário do James, vamos amadurecer também. o.o Aceitem a realidade. o.o

Satsuki: Ah... o Yoshiyuki está agindo estranho até no off-talk... Y.Y

Takashi: E tá parecido demais com o Koichi pra ser coisa boa... u.ú

Koichi: Não, a carinha besta de fim-de-frase ainda é diferente. ¬¬'''

Rumiko: Então ainda há esperança!

Shinji: Acho que nós precisamos ver o desenrolar da história primeiro e...

Satsuki: Você não fala nada, foi por sua culpa que ele ficou assim! (olhar ameçador na direção do Shinji)

Shinji: Tudo bem... (Shinji some do off-talk em uma nuvem de fumacinha)

Toshihiro: Hey, era pra gente estar no centro das atenções desse off-talk, não o Ken, o Isaac ou o Yoshiyuki! Vocês tiveram seis capítulos pra aparecer, agora é a nossa vez, caramba!

(Toshihiro expulsando todos os personagem que não fazem parte dessa parte da história)

Ken: Foi isso que eu quis dizer aquela hora com "roubando o centro das atenções do off-talk"!

(Ken apanha do Toshihiro e some do off-talk em uma nuvem de fumacinha)

(Núcleo de Xigaze sozinho no off-talk finalmente)

Toshihiro: Ótimo, agora podemos começar as discussões que realmente interessam...

Vladmir: Tipo...

Toshihiro: O próximo capítulo!

Personagem que Vai Aparecer no Próximo Capítulo: Oh, é, vai ter personagem novo no próximo capítulo!

Vladmir: Eu já não te vi por aqui? O.õ

Personagem qeu Vai Aparecer no Próximo Capítulo: Pode ser que sim, pode ser que não, quem sabe os nomes que o James-san ainda me dando por aí... u.u

Hehashiro: Ótimo, então novos personagens no próximo capítulo, mas tem algo muito mais imporante no próximo capítulo! (Hehashiro puxa a Lhana e a Lily e fica abraçando as duas) A LILY VAI ESTAR DE VOLTA!!!! XDDDDDDDDD

(Hehashiro sorrindo felizão por causa do próximo capítulo)

(Lhana comendo o chocolate que o Yoshiyuki deveria estar comendo no off-talk caso estivesse com sua personalidade normal)

(Lily em dúvida se faz o Hehashiro voltar ao normal com uma pancada na cara ou se tira o chocolate da mão da Lhana por ser um veneno perigoso à saúde de bebês fofinhos e bunitinhos)

Kian: Esse capítulo foi muito longo, eu quase não consegui ler todo!

Chang: Foi o capítulo mais cumprido da fic até agora... o.o

Len: O horror... o horror... (Se lembrando dos acontecimentos indecentes do capítulo) X-X

Jun: Do que você está falando, Len? EU vi o horror! O.O (Jun ainda traumatizada com a cena de terror em toalhas do capítulo) Ainda bem que o trauma só durou até o meu aniversário...

(Beybladers tapando os ouvidos das crianças pra que elas não entendam o significado do que a Jun e o Len estão dizendo)

Kian: Eu tenho a impressão de que a gente devia dizer alguma coisa importante no meio das bobagens... vocês não?

David: (aparece do nada em uma nuvem de fumacinha) Jamie queria dizer que o próximo capítulo vai atrasar porque na próxima quarta ele vai estar curtindo o frio de -14 graus em Oslo no natal.

(Aparece o James empacotado em roupas de frio tremendo feito vara de saracura (?))

James: Ah... aham... natal... natal... (falando com os dentes batendo) na Noruega... em Oslo... frio... neve... Capítulo na quinta... ou sexta...

(James tem um ataque de hipotermia e morre)

Isaac: Ai, ai... é por isso que amadores naõ devem ir para o frio... (Isaac no meio de uma tempestade de neve usando só um calçaõ de banho) n.x''

Toshihiro: Achei que eu tinha expulsado eles daqui... (olhando pro Isaac e congelando só de pensar no que aconteceria se estivesse no lugar dele)

Isaac: Isso é um off-talk, Toshihiro. Não importa o que você fizer, coisas sem sentido vão sempre dar um jeito de acontecer e acabar com a lógica das ações por temp cronológico e lógica. n.x''

David: Ah, gostei da explicação da essência do off-talk! De agora em diante, nada do que fizermos vai ter ordem de tempo, espaço, ou lógica!

(David bebê brincando com o neto do Hehashiro que não existe nem na imaginação do James ainda)

(Ken e Isaac jogando xadrez em uma mesa inclinada sem deixar as peças caírem)

(Ken derrota o Isaac em cinco minutos e o russo decide virar um samurai procurando vingar seu orgulho morto no xadrez e sair pelas florestas tropicais da Amazônia à procura de índios inteligentes que possam ensinar-lhe a jogar xadrez tão bem quanto o Ken)

Vladmir: Eu achei que eu fosse o mestre do xadrez... O.o E do Weiqi... O.o

Eventual Par Romântico do Vladmir: E você é... ou vai ser... Na parte da fic que faz sentido lógico e cronológico. u.u

(Takashi fica mais alto que o Chang e começa a pisar em uma vila de anões de tamanho normal)

(Elizabeth rouba as roupas da Gaby e vai para um defile de moda na Lua)

(Erik e Franklin realizam um casamento Gay no pôr-do-sol de em uma ruína grega no meio do Iraque)

(Felipe e Luiz são descobertos fazendo coisas indes...

(Frase entre parênteses é interrompida por uma bola de futebol transformada em foguete)

(Non-senses continuam até a imaginação das mãos que escrevem todas essas porcarias cansarem de escrever e irem dormir em uma cama quentinha que ninguém sabe onde fica)

(Os personagens de Beyblade 2 desejam a todos os leitores um Feliz Natal cheio de presentes e Papais Noeis e neve e tudo mais)

(Os personagens de Beyblade 2 destróem a Terra de novo pra poder encerrar o off-talk de uma vez)

(Todas as Terras desde e de outros universos paralelos se destróem como presente de natal dos beybladers)

OWARI

Merry Christmas!

XDDDDD

(Musiquinha de natal tocando no fundo)