CAPÍTULO VIII

LIN E LILY

As duas semanas seguintes passaram em um piscar de olhos. Depois de seu aniversário, o desconforto de Vladmir na casa dos Urameshi foi aos poucos se tornando uma distante memória do passado. Ele ainda continuava um garoto tímido que respeitava os mais velhos, porém agora também marcava sua participação nas diversas travessuras de seus irmãos e amigos. A rotina da família japonesa da vila chinesa mudou bastante depois que suas duas crianças bagunceiras tornaram-se três. Vladmir sorria com muito mais freqüência, vencia Toshihiro de formas cada vez mais humilhantes e conquistava a simpatia de toda a população de aposentados que se reunia na praça para jogar Weiqi no fim da tarde.

Março tornou-se abril. Um pouco atrasada, a primavera trouxe a primeiras flores e temperaturas mais confortáveis. Menos de uma semana dentro do novo mês e Hehashiro deixava mais uma vez a pequena vila rumo a Hong Kong. Estava preparando uma surpresa para sua namorada, ia buscá-la na ilha tecnológica e trazê-la até Xigaze, ignorando os planos iniciais que involviam a garota tendo que se virar em um país estrangeiro com uma língua estranha dentro de táxis e ônibus. Não que ele duvidasse que Lily já não soubesse pelo menos o básico do mandarim, inteligente e curiosa do jeito que ela era, mas o jovem adulto sentia tanta saudade da namorada que não conseguiria agüentar ainda mais um dia (o tempo que demoraria para ela ir de ônibus de Hong Kong para Xigaze) sem vê-la. Assim sendo, Hehashiro Urameshi despediu-se de seus pais e irmãos e partiu, sorrindo de orelha a orelha enquanto imaginava como seria o reencontro com Lily Brum. Era o dia três de abril.

Hehashiro e Lily retornaram durante a madrugada do dia quatro para o dia cinco. Apesar da longa viagem, o casal não parecia cansado, como se o felicidade pelo reencontro fosse capaz de apagar qualquer resquício de sono. Yan Urameshi foi a primeira a abraçar a nora, praticamente empurrando-a para dentro de casa para que ela pudesse comer alguma coisa antes de finalmente descansar. Os quatro homens da família só puderam observar – de olhos arregalados e queixos caídos – enquanto a matriarca dos Urameshi colocava na mesa um bolo tamanho família, biscoitos, chás, leite e as porcelanas festivas, guiando Lily de volta para sua cadeira toda vez que a garota tentava ajudar em alguma coisa. Todos conheciam Yan Urameshi como sendo uma senhora gentil e delicada, eram poucas as vezes que seu lado dominador e obsessivo se mostrava tão claramente.

- Pai... você sabia desse lado da personalidade da mamãe quando se casou com ela? – Perguntou Hehashiro ao sussurros, torcendo para que nenhuma das garotas o escutasse. Toshihiro e Vladmir também voltaram suas atenções para o homem, curiosos.

- Sim, Hehashiro, eu sabia desse lado da personalidade da sua mãe. Na verdade, foi justamente isso que me atraiu nela. – Ao perceber os olhares curiosos dos filhos, Jiroh sorriu, revivendo as lembranças de mais de vinte anos atrás. – Eu tinha recém me formado em Tóquio e conseguido meu primeiro emprego como assistente de pesquisa de um biólogo famoso. Nós viemos para esse fim de mundo em busca de animais ainda não catalogados, nos hospedando em uma casa de família no processo. Como vocês devem imaginar, era a casa dos pais de Yan. Eles nos trataram muito bem, como se fossemos membros da família. No começo, eu não via nada de especial nela, só mais uma garota chinesa educada demais e submissiva demais, como a tradição manda. Aí nossas expedições começaram a ficar mais perigosas e arriscadas, e nós passamos a voltar para casa com um número crescente de arranhões, picadas de insetos estranhos e até mesmo ossos quebrados.

- Deixa eu adivinhar... ele ficou cuidando de vocês do mesmo jeito que ela está fazendo agora com a Lily e vocês dois... – Começou Vladmir, o primeiro a entender onde seu pai estava querendo chegar.

- Exatamente. Eu passei a adimirá-la como pessoa, sua personalidade que a destacava de outras garotas que eu conhecia até então. O que eu posso dizer... meus sentimentos foram correspondidos, nós começamos a namorar em segredo e no final eu fui obrigado a me casar com ela e me mudar definitivamente pra cá quando meus anfitriões perceberam a barriga dela crescendo...

Hehashiro corou tanto que o vermelho de seu rosto chamou a atenção de Lily e Yan. Jiroh virou o rosto para o lado, assoviando enquanto olhava fixamente para uma teia de aranha entre a parede e o armário, fingindo que não era com ele, enquanto Toshihiro e Vladmir tentavam segurar as risadinhas.

- Hehashiro, você está legal? – Perguntou Lily, se levantando e se aproximando do namorado. – Aconteceu alguma coisa?

- Não... não.. não foi nada... – Lily estava com seu rosto a centimetros do namorado, encarando-o com curiosidade e preocupação. O mestre de Kufe corou mais ainda, se possível, e seu desejo de evaporar no ar tornou-se ainda mais forte quando a voz de Toshihiro soou na cozinha:

- Nada demais, Lily, a gente só acabou de descobrir como o Hehashiro veio a existir nesse mundo, se é que você me entende...

Os olhos de Yan se arregalaram por um segundo, antes de voltarem ao tamanho normal e acompanharem o restante de seu rosto em um sorriso muito parecido com o de seus filhos. A mulher cruzou a pequena cozinha em dois passos e abraçou o marido, beijando-lhe duas ou três vezes do jeito que Hehashiro e Lily costumavam fazer quando queriam espantar crianças pequenas e adolescentes pentelhos. Toshihiro e Vladmir viraram o rosto, o primeiro mostrando a língua e o segundo, envergonhado.

- Oh, então você contou pra eles, Jiroh-chan... Eu estava imaginando quando é que você se recuperaria do trauma de ver o meu pai bêbado gritando para a vizinhança que os japoneses não passavam de homens sem lei que vieram para desonrar suas famílias e...

Yan continuou contando os detalhes dos dias que antecederam a cerimônia apressada e os primeiros meses de casados, antes de Hehashiro nascer, quando os pais da noiva se recusavam a falar com Jiroh, mas visitavam o casal todo o domingo para checar a saúde de sua filha e fututo neto. Ao final da narrativa, Jiroh e Hehashiro mantinham expressões idênticas de vergonha e humilhação, abraçados por suas respectivas esposa e namorada, enquanto os dois adolescentes se perguntavam se deveriam rir ou ficar com pena da situação de seu pai.

- E o mais curioso é que você e o seu pai têm as mesmas opiniões em se tratando de namoradas, pelo que eu posso perceber... – Declarou Yan, após divertir-se com quase um minuto de silêncio de choque e desconforto. – Ah, Lily, eu estou tão feliz por você finalmente estar aqui! Com um pouco de sorte você vai conseguir colocar o meu Hehashiro nos eixos finalmente! – A sogra esqueceu-se completamente do marido e dos filhos para voltar suas atenções à nora, empurrando-a novamente em direção à mesa para continuar o que estava fazendo antes da interrupção dos homens da casa. – Oh, meu filhinho... meu filhinho que ontem mesmo era uma criancinha que fugia de casa por cinco anos sem dar notícias agora está tão independente, indo morar sozinho com a namorada do outro lado da rua! Hehashiro de repente virou um homem e eu nem percebi... – Uma pequena lágrima escapou do rosto da mulher, porém ela conseguiu disfarçar fingindo que procurava mais alguma coisa no armário. – Não precisa mais se esconder embaixo da minha saia... estou me sentindo tão velha de repente, daqui a pouco vou estar cercada de netinhos arteiros me pedindo doces... Ah, os anos passam tão rápidos depois que você tem o primeiro filho...

Toshihiro desistiu de tentar segurar as gargalhadas quando até mesmo Lily começou a corar. Pela expressão no rosto de sua cunhada, nem ela nem Hehashiro estavam ainda pensando em filhos, pegos de supresa pela menção de futuros "netinhos". Yan escolheu essa hora para se aproximar da mesa, convidando todos a se sentar finalmente, tomando cuidado pra posicionar Lily ao lado de Hehashiro próximo à ponta da mesa em que ela se encontrava. Não havia marcas de choro em seu rosto, a primeira lágrima havia sido a única. Sua face mostrava apenas um sorriso iluminado que lhe rejuvenecia consideravelmente. Era alta madrugada e a família Urameshi, enfim completa, sentava-se à mesa para conversar e celebrar. Algumas horas depois, com o sol quase nascendo no horizonte, Lily e Hehashiro seguiriam para sua nova casa, onde as únicas coisas realmente no lugar eram a cama de casal e as cortinas do quarto de dormir. Eles só seriam vistos novamente durante o jantar na casa dos sogros muitas horas mais tarde.


O número de pessoas que se ofereceu para ajudar o novo casal a arrumar seus pertences foi surpreendente. Todos na vila queriam ajudar Hehashiro de alguma maneira, afinal a história do garoto que fugira de casa aos doze anos de idade para retornar cinco anos depois como se o tempo não tivesse passado não era exatamente segredo em uma comunidade tão pequena. As pessoas estranharam a presença de Lily no começo, muitos nunca haviam visto não-orientais tão de perto antes. A sul-africana já viera preparada para enfrentar algum tipo de preconceito, afinal populações pequenas e isoladas tendiam a valorizar muito a tradição e rejeitar o diferente. Foi uma surpresa para ela perceber que quem mantinha preconceitos era na verdade ela mesma ao tentar prever o comportamento de seus novos vizinhos. O mutirão para organizar a casa nova reuniu gente de todas as idades por três dias, e durante todo esse tempo Lily sentiu-se muito bem acolhida por todos, principalmente outras mulheres da sua idade, já que Hehashiro se encarregava de manter afastado qualquer homem entre quinze e trinta anos.

O esforço de todos foi recompensado na quinta-feira oito de abril, quando um grande banquete foi organizado como agredecimento ao esforço prestado. Novamente todos colaboraram com um pouco de comida, mesas e cadeiras, e a população de Xigaze passou horas reunida frente à casa recém-montada apreciando as flores primaveris e os raios de sol que banhavam seus jardins e iluminavam a tarde mais quente do ano até o momento.

- Sabe o que eu acho que seria perfeito pra uma comemoração agora? – Os beybladers reunidos no centro da grande mesa voltaram suas atenções para o líder dos The Strongest, o autor da pergunta. Seus olhares perguntavam por eles, indicando que Hehashiro deveria reponder de uma vez. – A gente podia fazer um mini-torneio de beyblade entre a gente pra lembrar os velhos tempos. Que tal?

Sete entre sete beybladers concordaram entusiasmados. As pessoas acomodadas nas proximidades também aprovaram a idéia, espalhando a notícia da competição entre os melhores do mundo em segundos.

- Ótimo, parece que vamos ter um grande público... – Exclamou Kian, percebendo o grande círculo de pessoas ao redor do grupo.

- Por mim tudo bem, eu não me importo de fazer um espetáculo ao ar livre... – Declarou Toshihiro, preparando Fenku em seu lançador de rabo de peixe, presente de Keiko Takahashi, mãe de um de seus colegas de time e professora dos WATB da Nova Zelândia, para que ele pudesse derrotar os Soldier of Russia. Talvez esse fosse o dia em que o presente finalmente cumpriria sua missão.

- Tem certeza que você não se importa em perder feio pra mim na frente de toda essa gente, Toshihiro? Porque é isso que vai acontecer, você está cansado de saber... – O mestre de Fenku optou por não prestar atenção na provocação de seu irmão "gêmeo" desta vez. O apoio daqueles que o conheciam desde seus tempos de bebê gorducho e desdentado deveria ser mais do que o suficiente para garantir-lhe a primeira vitória contra seu maior rival.

Jiroh e Yan ficaram encarregados de sortear a tabela para as lutas. Seria um processo eliminatório, o perdedor caindo fora até sobrarem apenas dois lutadores. No primeiro round de batalhas, o destaque ficou para a luta entre Lily e Len. Sendo o líder da equipe local, o chinês cabeludo tinha o apoio de 99,9 da torcida, com apenas Hehashiro e Vladmir torcendo a favor de sua adversária. Com tanto incentivo, em um primeiro momento Kailon passou muito perto de trucidar Roufe, o guaxinim, sem chances para contra-ataques. Len estava tão confiante na vitória que acabou não percebendo que a beyblade que seu tubarão tanto atacava era na verdade uma ilusão, permitindo que o verdadeiro Roufe o atacasse pelas costas, vencendo a disputa.

Em outra luta, Jun enfrentou Hehashiro decidida a vingar o namorado. Por causa disso, novamente a maioria da torcida estava a favor dos Blue Fish, embora Hehashiro tivesse um pouco mais do que duas pessoas para apoiá-lo dessa vez. A batalha causou algum danos às mesas e aos pés de criaturas desavisadas que cruzavam o caminho das beyblades sem pereber, e no fim a vitória ficou com o líder dos The Strongest. As outras lutas terminaram com Toshihiro vencendo Chang e Vladmir ensinando a Kian porque as beyblades não foram feitas para girar em cima de fatias de pão com manteiga.

- Parece que nossos caminhos se cruzaram de novo, Vova...

- É verdade, Toshi-chan, é verdade...

A tensão tomou conta do público e lutadores quando Castil e Fenku começaram a combater. A torcida estava um pouco mais silenciosa dessa vez, desanimada com os insucessos de três entre quatro escolhidos seus no round anterior. O único som que podia ser ouvido ao redor dos lutadores era o de metal batendo contra metal, de duas beyblades tentando superar uma a outra. O leviatã não começou mal, desviou-se dos primeiros ataques do morcego e conseguiu atacar duas ou três vezes antes de ser forçado a se desviar novamente. Sem uma arena propriamente demarcada, qualquer espaço disponível poderia ser útil como campo de batalha, e até mesmo um copo de vidro quebrado poderia ter fins estratégicos. Depois de mais de quinze minutos de um combate muito equilibrado, tal copo mostrou-se decisivo quando o morcego encurralado em seu interior usou um caco especialmente afiado para parar definitivamente o adversário, vencendo a luta.

- Nããããããããããoooooooooo!!!!!! – Exclamou Toshihiro, ajoelhando-se no chão enquanto cobria o rosto com as mãos em sinal de desespero. – Será possível que eu nunca vou conseguir ganhar? Por que eu, meu Deus, por que eu?

- Acho que alguém precisa de um pouco mais de treino... e sorte também. – Sorrindo após mais um triunfo na sua coleção, Vladmir ofereceu sua mão para ajudar o irmão a se levantar. Os dois se abraçaram logo em seguida, expulsando qualquer recentimento causado pela luta.

- Agora é nossa vez, Lily... – Declarou Hehashiro, beijando o rosto da namorada enquanto tirava Kufe do bolso da calça. – Boa sorte, você vai precisar!

- Oh, é mesmo? – Devolveu a garota, já com a beyblade pronta. – Engraçado, eu tenho a impressão de que era você quem não conseguia lutar contra mim sem ficar todo bobo e entregar o jogo em menos de dois minutos...

- Você vai ver quem vai entregar o jogo! Eu não besta como o Len a ponto de cair em uma de suas ilusões! – O líder dos Blue Fish cerrou os punhos com o comentário de Hehashiro, pensando em revidar, porém logo mudou de idéia. Ao invés disso, resolver juntar-se a Vladmir em uma torcida fervorosa pela mestra de Roufe.

Nos primeiros momentos da luta Hehashiro parecia de fato preso em algum tipo de ilusão. Sua piranha agressiva errava praticamente todos os golpes, deixando o guaxinim de Lily fazer o que bem entendesse com ela. Lily a princípio atacou com cautela, desconfiada de uma possível estratégia do namorado. Hehashiro, porém, encrava-a com os olhos vidrados, deixando um pouco de saliva escorrer pelo canto da boca como se ele estivesse sonhando acordado.

- Hehashiro, sua imitação de adolescente apaixonado é muito boa, mas o seu exageiro acabou de te custar a vitória! Roufe, ataque pra valer!

Lily sabia que Hehashiro estava fingindo, porém nem mesmo todo seu intelecto e suas ilusões foram capazes de prevenir a nova investida da piranha, desta vez certeira, utilizando a força do ataque de Roufe para aumentar seu efeito e derrotar a adversária.

- E assim a força bruta vence a inteligência! – Declarou Hehashiro, saindo do transe fingindo tão logo Roufe parara de girar. – Ah, Lily, Lily, eu não sou o líder da equipe por nada... – Os dois trocaram mais alguns beijinhos (mais para desviar os olhares de crianças e adolescentes curiosos do que para fazerem as pazes ou algo assim) antes do primogênito dos Urameshi se prepara para enfrentar seu irmão adotivo em um remake do desafio em Moscou.

- Hehashiro, eu prometo lutar pra valer agora se você prometer que não vai tentar me bater se eu ganhar. – A fala de Vladmir, pronunciada com uma calma e inocência que chegavam a assustar, tinha o objetivo não apenas de diminuir um pouco a tensão da última luta, como também de mostrar ao Urameshi mais velho que os acontecimentos do passado não mais afetavam o russo.

- Vladmir, eu prometo lutar pra valer se você não sair por aí mordendo pescoços se eu ganhar. – A troca de juramento fez todos ao redor sorrirem. O clima deste novo desafio não podia ser mais diferente do anterior. Enquanto praticamente toda a vila torcia por Hehashiro, esquecendo-se do azar que costumava trazer para aquele a quem apoiavam, Toshihiro, Len, Jun, Jiroh e Yan decidiram apoiar o russo. As duas beyblades foram preparadas e o mestre de Fenku deu a ordem:

- Go shoot!

Por cerca de um minuto as beyblades ficaram se estudando, tentando decidir qual seria o melhor momento para atacar. A beyblade azul escura de Hehashiro foi a primeira a fazer um movimento ofensivo, arriscando uma investida tímida para testar a reação do morcego. Castil revidou tão rápido que apenas os olhos treinados dos beybladers conseguiram acompanhar seus movimentos. Em um segundo Kufe estava ali, no segundo seguinte não estava mais. O líder dos The Strongest gastou alguns preciosos segundos procurando por sua beyblade, até encontrá-la em um jardim de grama mal cortada nas proximidades. O morcego continuou na ofensiva, tendo conhecimento da localização de Kufe muito antes de Hehashiro, e por mais um ou dois minutos a sorte do mestre da piranha pareceu estar sobre o controle de Vladmir e de quantas vezes mais ele estava disposto a atacar antes de satisfazer seus instintos sádicos.

- Kufe, nós não vamos desistir! Surf!

Uma onda gigantesca engoliu a beyblade negra e tudo ao redor em um raio de cinco metros. A mesa com os restos do almoço foi poupada por uma questão de centímetros. Comemorações pela vitória do chinês já haviam começado quando Castil e Vladmir reapareceram na luta, surgindo sabe-se-lá de onde para um último ataque certeiro que varreu o sorriso da torcida.

- Falta de sorte, Hehashiro, falta de sorte...

O russo foi imediatamente abraçado, esmagado e apertado por sua pequena torcida, deixando apenas Lily para consolar o namorado. O restante do público aplaudiu os lutadores, maravilhados com o espetáculo sem se importar com o vencedor. Âminos acalmados, as pesoas começaram a voltar aos poucos para suas casas, ainda comentando os eventos daquela tarde. Os que ficaram se reuniram em um pequeno grupo para conversar:

- Mas então, Hehashiro-chan, agora que você já tem uma casa e uma esposa tão inteligente e educada, quais são os seus planos para o futuro? – Perguntou uma mulher de cabelos negros muito lisos e muito longos, presos em um penteado tradicional. Ela era uma das cinco filhas do dono da mercearia e o jovem adulto nunca sabia dizer exatamente qual das cinco ela era.

- Ah... eu... – Em primeiro lugar, ele e Lily ainda não estavam oficialmente casados, apesar de morarem juntos, porém ele jamais diria isso em voz alta para os vizinhos, com medo das conseqüências da palavra "tradição" e de acabar como seu pai. – Eu ainda não tenho muitos planos... Quer dizer... ainda nem fiz dezenove anos e...

- Você vi seguir a carreira do seu pai? Vai ficar na vila seguindo os passos dele? Como filho mais velho, você devia... – Começou uma outra senhora, mais velha do que a primeira, já em seus cinqüenta anos ou mais. Hehashiro estava começando a ficar nervoso com tantas perguntas, ainda mais estando cercado de mulheres.

- Não, eu não pretendo ser biológo. Acho que o Toshihiro vai ficar muito feliz em fazer isso por mim. Eu ainda não sei exatamente o que eu quero fazer, mas quero que seja algo relacionado com beyblade, afinal eu meio que devo a minha vida a Kufe por ter me ajudado a encontrar a Lily...

- Oh, entendo... – A velha senhora mostrou-se um pouco desapontada com a resposta do líder dos The Strongest. Para ela e outras pessoas da sua geração, beyblade não era mais do que uma brincadeira de criança, apesar do espetáculo das feras-bit, e uma carreira profissional relacionada a isso não poderia ser levada a sério.

- Eu pretendo estudar psicologia depois que nossas vidas se acertarem, daqui a alguns anos talvez. – As mulheres ao redor do casal lançaram um olhar estranho na direção de Lily, como se não acreditassem em suas palavras.

- Estudar, é? Como em... fazer carreira e trabalhar fora? – Perguntou uma terceira senhora, de cabelos tão brancos que poderiam ter sido pintados.

- Exatamente. A Lily é inteligente demais pra ficar em casa. – Hehashiro respondeu antes que Lily pudesse fazer alguma coisa. – Mas isso é mais pra frente. Agora nós vamos ficar felizes se pudermos aproveitar a companhia um do outro e da nossa família e amigos.

A velhinha entendeu a deixa do jovem adulto e mudou o assunto da conversa para coisas mais simples como o clima da região e os mosquitos que logo chegariam com o calor. A festa acabou com Hehashiro e Lily completamente exaustos e sem energia para fazer qualquer coisa.

Finalmente sozinhos em sua nova casa, os dois puderam finalmente apreciar o resultado de três dias de trabalho. Ao contrário da casa de seus pais, construida inteiramente em madeira e terra batida, sua casa tinha paredes de tijolo e cimento, com melhor isolamento térmico para o inverno congelante. A cozinha era muito menor do que a cozinha de sua mãe, e a mesa de jantar tinha apenas quatro lugares. Em compensação, seu quarto era bem maior com uma cama de casal no centro do que o quarto que dividia com Toshihiro e Vladmir tinha sido com duas camas, um colchão e um guarda-roupa velho. A maioria de seus móveis era novo em folha, presente do marceneiro da vila. A sala era confortável, quente e sem rachaduras na parede.

- Eu tenho o presentimento de que logo, logo, nossos amiguinhos adolescentes irritantes vão eleger esse lugar como novo ponto de encontro e batalhas...

- Então é nosso trabalho arranjar uma proteção adequada para as paredes e móveis, eu não pretendo deixar o trabalho de nossos novos vizinhos ser desperdiçado por conta de criancinhas irresponsáveis!

Lily e Hehashiro sentaram-se lado a lado no sofá de couro almofadado, suspirando fundo e curtindo o silêncio. Em poucos minutos, os dois estavam adormecidos, sem energia para se arrastar até a cama.


A aula de segunda-feira começou chata como de costume. O professor do primeiro período faltou novamente, o time de Vladmir mais uma vez derrotou o time de Len e Toshihiro no futebol por uma goleada vergonhosa, a professora de matemática garantiu que todos os alunos recuperassem as energias gastas durante o jogo em cochilos estratégicos e o professor Tang continuava usando o trio de beybladers como seus ajudantes especiais, uma vingança depois do episódio das miniaturas roubadas. Os três haviam se tornado burros de cargas do ex-tenente, tendo que fazer de tudo, desde de escrever a matéria no quadro – função atribuída principalmente a Vladmir para que o professor Tang pudessee apontar cada erro ortográfico seu de forma a himilhá-lo perante a classe – até limpar a sujeira de seus sapatos – tarefa de Len, que quase sempre acabava sujando seu longo rabo de cavalo no processo.

Depois de uma hora inteira a mercê do ditador disfarçado de professor, quando o trio já pensava em organizar uma rebelião e destruir a sala de aula com suas beyblades, uma quebra incomum de rotina trouxe uma aluna nova para a turma. A diretora bateu na porta segundos antes de o professor Tang mandar Toshihiro apanhar sozinho os cinco livros mais grossos e pesados da pequena estante no fundo da sala, indicando que a garota em questão deveria entrar.

Ela não era muito bonita, mas não era exatamente feia. Ainda assim, no momento em que ela entrou na sala todos prenderam a respiração, como se hipnotizados. Havia alguma coisa na garota, algo diferente, relacionado não a sua aparência, mas sim à energia ao redor dela: calma e graciosa, porém perigosa e selvagem. A aluna nova vestia um grosso casaco do que parecia ser pele de lobo que ia até os joelhos, apesar das temperaturas amenas na região, e uma calça cinza. Seus cabelos negros estavam soltos, caindo delicadamente até mais ou menos o meio de suas costas, lisos e muito bem comportados. Seus olhos estavam fechados no momento, ela mantinha as mãos na frente do corpo e em sua testa encontrava-se bem visível uma faixa vermelha com o símbolo do yin e yang destacado. Ela fez uma reverência quando o professor a apresentou para o restante da turma, quebrando o feitiço de sua entrada.

- Classe, esta é Lin Mei Xing, ela será nossa colega a partir de agora. – O ex-militar estremeceu ao terminar de falar, pois sua nova aluna finalmente abrira os olhos. Seus instintos de soldado experiente gritavam em sua mente que havia perigo naqueles orbes negros e profundos, uma força que ele desconhecia, mas que deveria ser temida mesmo assim.

- Prazer em conhecer, eu espero que sejamos bons amigos a partir de agora. –Ninguém se moveu quando Lin deixou a frente da mesa do professor e sentou-se ao lado de Vladmir, uma escolha aparentemente aleatória uma vez que havia vários lugares vazios na sala. Os olhos de Len e Toshihiro, sentados logo atrás do russo, se arregalaram com inconfundível ciúme e inveja, enquanto o rosto do russo ganhava uma coloração avermelhada. – Olá, prazer em conhecer. Qual é o seu nome? – A voz suave da garota pegou Vladmir desprevenido. Seus dois amigos não conseguiam tirar os olhos da nova colega, e o russo demorou algum tempo para perceber que ela falava com ele:

- Ah... ah... Vladmir... Vladmir Igorov... – Balbuciou o garoto em resposta. Assim como o professor Tang ele aos poucos tomava consciência de que havia algo estranho com a nova aluna, embora suas reações fossem bem diferentes.

- Você não é daqui, é? – Com o diálogo entre a dupla mostrando sinais de se desenvolver, Len e Toshihiro passaram a lançar olhares quase assasinos ao russo, como se o fato de ele ser o sortudo escolhido pela garota nova para lhe fazer companhia o tornasse uma espécie de monstro ou criminoso. Vladmir não prestou atenção em nada disso, porém, concentrando-se na árdua tarefa de não deixar seu idioma nativo sobrepôr o mandarim neste momento tão crucial:

- Não. Eu sou de Moscou, fui adotado pelos Urameshi e passei a morar aqui faz uns dois meses. E eu costumo errar oito em dez kanjis que eu escrevo. – A garota sorriu, fazendo com que mais olhares tortos, desta vez vindos de todos os garotos na sala, atingiram Vladmir. Por alguma razão Lin parecia despertar sentimentos estranhos em qualquer ser do sexo masculino nas proximidades, gerando um clima de guerra e competição típico de machos selvagem disputando uma fêmea.

- Que bom, então eu não sou a única estrangeira aqui! – Em meio à tensão, a classe inteira, incluindo o professor, ficou em silêncio para ouvir o diálogo dos dois. Apesar de suas palavras, Lin não tinha nenhum sotaque nem indicação externa de que não fosse chinesa.

- Você não é da China? – Perguntou Vladmir, ignorando a atitude peculiar de seus colegas. – Mas você parece...

- Minha família é. Se bem que, como já faz alguns séculos que eles se mudaram para o Japão, acho que a única coisa chinesa em mim é mesmo o sobrenome...

- Você veio do Japão? – Toshihiro finalmente tomou coragem para se intrometer na conversa, agora que encontrara um ponto comum entre ele e a nova aluna. – Mas como é que...

- Eu vim de Hokkaidou. Minha família inteira mora lá, mas no momento nós estamos com alguns problemas e eles acharam que era uma boa idéia eu passar algum tempo aqui para... recuperar as raízes...

A chegada de Lin fez o professor Tang esquecer completamente o que ele deveria estar ensinando. O ex-militar passou o restante da aula assistindo enquanto seus alunos conversavam com a garota nova, por vezes gerando discussões, enquando colocavam-na a par de todos os assuntos da vila e das matérias da escola. Lin parecia ser muito inteligente e educada, entretanto os instintos de militar do velho professor continuavam gritando, exigindo que ele fizesse alguma coisa quanto a isso. Por mais que seu lado racional lhe avisasse dos perigos, porém, uma espécie de força externa impedia-o de se opor à garota, como se ela estivesse em uma posição dominante em uma matilha e ele fosse apenas um jovem lobo inexperiente.


Na hora da saída, Lin se despediu de seus novos amigos e voltou rapidamente para casa. Toshihiro, Len e Vladmir demoraram algum tempo para deixar a sala de aula, discutindo sobre a nova colega:

- Eu juro que nunca vi uma garota tão bonita... – Começou Len, com os olhos perdidos em um ponto distante. – Tão inteligente... tão...

- Tão perfeita! – Completou Toshihiro, do mesmo jeito que seu amigo, porém com o detalhe de um filete de baba escapando pelo canto de sua boca.

- Parem de sonhar, vocês dois! Parem de agir como se a Lin fosse uma espécie de feiticeira hipnotizadora. – Exclamou Vladmir, puxando os dois pelos cabelos para fazê-los acordar. – Vocês dois estão comprometidos, não lembram não? O que a Rumiko e a Jun vão dizer quando ouvirem o que eu acabei de ouvir? Fora que é um exagero dizer que ela é perfeita e...

- Ah, nem vem! – Retrucou Toshihiro, liberando sua preciosa trança das mãos do irmão e abraçando-a logo em seguida como se ela fosse um bebê especialmente frágil. – A Rumiko e a Jun não têm nada a ver! E eu sei que você também gostou dela, eu vi a cor que as suas bochechas ficaram enquanto vocês conversavam!

- Se eu gostei dela ou não, não vem ao caso! – Apesar de suas palavras, o russo voltou a ficar corado. – Eu só não acho que a gente devia ficando tratando ela como uma Deusa ou coisa assim, porque isso eu sei que ela não é. Aliás, eu espero que não tenha sido o único a perceber alguma estranha na história dela...

- Não, vossê deve ter shido shim. Todosh eshtavam ocupadosh demaish babando pra preshtar atenção na hishtória dela. – Len rolou os olhos tentando lembrar exatamente quando a garota contara alguma coisa sobre suas origens. Ele vagamente conseguia recordar um momento em que Toshihiro interrompera uma conversa para falar alguma coisa sobre o Japão, porém os detalhes não estavam claros em sua mente.

- Lin veio do Japão, de Hokkaidou, parece. Sua família é chinesa, só que se mudou há bastante tempo. Eu acho isso muito estranho. Se faz tanto tempo assim que os Xing saíram da China, como é que ela consegue falar mandarim sem nenhum sotaque, manter seu sobrenome e ainda não ter quase nenhum traço japonês? E ela disse que veio para cá por causa de problemas na família... parece que ela está sozinha aqui. Que tipo de problemas faria uma garota da nossa idade vir morar sozinha em um outro país?

- Hey, que tal se a gente convidasse ela pra um almoço lá em casa? – Sugeriu Toshihiro, abrindo um enorme sorriso com sua brilhante idéia. – Ou melhor, que tal se você a convidasse, Vladmir? – O chinês passo um braço pelos ombros do irmão, fazendo-o se aproximar. – Como você mesmo falou, eu e o Len estamos comprometidos, não queremos que a Rumiko e a Jun fiquem brabas com a gente, mas você é uma criatura livre e desempedida que pode muito bem passar bastante tempo com nossa nova colega até descobrir as respostas para todas as suas perguntas, não é verdade?

Vladmir não respondeu imediatamente. Depois de quatro meses convivendo diariamente com Toshihiro, tinha uma boa noção de como acabavam a maioria de suas grandes idéias, pelo menos as que se tratavam de romance e coisas do tipo. Ele sabia que deveria rejeitar a idéia, tentar convencer Toshihiro de que se aproximar de Lin com esse tipo de intenção não era exatamente um bom plano, porém tanto o mestre de Fenku quanto o mestre de Kailon exibiam um mesmo sorriso sinistro que acabam com qualquer chance do garoto de opinar a respeito do plano. Por dois votos a um, ele já estava derrotado antes mesmo de tentar se defender.


O tal almoço realmente aconteceu. Mais ou menos uma semana havia se passado, uma semana em que Vladmir e Lin passaram todos os intervalos conversando sobre vários assuntos, nenhum deles realmente importante e pessoal, evitando propositalmente ensinuar qualquer coisa que pudesse ser relacionada com seus passados. Era uma espécie de jogo, um desafio, pois ambos sentiam as feridas escondidas pelo outro. Em apenas uma semana os dois haviam se tornado bons amigos, não precisando revelar seus segredos para perceber que havia algo em comum entre eles. Vladmir se orgulhava de ser o único até o momento a saber do interesse de sua colega por Weiqi e beyblade, embora o "jogo" o impedisse de descobrir exatamente o nível da habilidade da garota.

Naquele dia, a dupla escolheu um lugar mais afastado para conversar, pois não somente os alunos de sua turma, mas também alunos de tumas mais velhas insistiam em perseguir a garota nova assim que a viam. Lin não era de se irritar, como Vladmir logo percebeu, e por isso conseguia afastar seus perseguidores sem deixar de ser educada. Saindo quase escondidos da sala de aula, os dois seguiram a passos rápidos e silenciosos até encontrarem um banco de concreto parcialmente destruído, colocado apoiado na parede mofada e rachada dos fundos do refeitório. Não havia ninguém por perto, nem razões para acreditar que jamais haveria.

- E então, como estão indo as coisas na sua casa? – Perguntou Lin, procurando por algum assunto para começar a conversa. Ela e Vladmir estavam sentados cada um em uma das pontas do banco, separados por uma grande massa de pedregulhos desmoronados. A garota observava a grande árvore a frente deles, com as pernas juntas e as mãos sobre o colo, apoiadas no mesmo casaco de pele de urso que ela vinha usando desde seu primeiro dia. A faixa com o símbolo do Yin e Yang também continuava em seu lugar, como se grudada à testa da garota.

- Bem, eu acho. Hehashiro e Lily vêm jantar com a gente todos os dias, seguindo as regras impostas pela minha mãe pra que eles pudessem se mudar ou coisa assim. – Ao contrário da colega, Vladmir encarava Lin enquanto falava, observando sua expressão calma tão parecida com a sua própria. Havia um leve sorriso nos lábios da garota, que logo se fez presente nos dele também. – Depois que descobrimos a verdadeira personalidade de Yan Urameshi, nenhum de nós teve coragem de desobedecê-la...

Lin finalmente encarou Vladmir. Seus olhos negros estavam bem abertos, transmitindo várias emoções ao mesmo tempo, como se refletissem a rápida velocidade de pensamento da garota. Lin parecia feliz, mas ao mesmo tempo preocupada, pensativa, inquieta. Como sempre, Vladmir se absteve de comentar ou perguntar algo relacionado a isso, respeitando os segredos de sua amiga.

- Do jeito que você fala da sua família, eu até sinto vontade de conhecê-los...

O coração de Vladmir disparou de repente. O tormento de emoções sumiu dos orbes negros, deixando apenas curiosidade e ansiedade. Um rápido pensamento – de como a garota ficava bonita sem a sombra das preocupações – foi logo deixado de lado pela mente racional do russo quando ele percebeu a oportunidade perfeita para fazer o convite que seus dois amigos comprometidos estavam esperando a tanto tempo:

- Ah... é mesmo? Então... seráquevocêgostariadealmoçarcomagenteumdiadesses? - Infelizmente para Vladmir, o ato de convidar sua colega para almoçar mostrou-se muito mais difícil do que ele imaginava. Sua voz tornou-se inesperadamente aguda enquanto as palavras saíam apressadas de sua boca, como se apostassem uma corrida, ao mesmo tempo em que suas bochechas adquiriam um tom avermelhado e ele era obrigado a encarar seus joelhos. O garoto ouviu algo muito parecido com uma risada tímida ao seu lado. Levantando um pouco o rosto para observar, percebeu que Lin estava rindo, usando uma das mãos para abafar o som, de olhos fechados. A visão fez com que ele corasse ainda mais, sentindo o calor em suas bochechas atingir níveis quase insuportáveis.

- Oh, eu adoraria. – Respondeu ela, abrindo os olhos, mas ainda sorrindo com a mão na boca. – Você fica realmente bonitinho quando envergonhado, sabia?

Seria preciso horas para que o rosto de Vladmir voltasse a sua cor normal.


No dia seguinte, Toshihiro, Vladmir, Len e Lin voltaram juntos para casa. O grupo havia feito planos para que Jun não crusasse com a nova aluna, pelo menos por enquanto, para evitar que o pavio mais curto da vila encontrasse o namorado com o olhar vidrado e babando por outra garota, ainda mais uma recém-chegada. Ninguém sabia o tipo de estrago que a mestra de Kaluz poderia fazer ao descobrir a razão pela qual seu namorado andava negligenciando-a na última semana. Infelizmente para eles, naquele dia a chinesa resolveu que seria uma boa idéia voltar junto com Len para casa, para que ele se desculpasse e compensasse a recente falta de atenção. Sem poder evitar o inevitável, Vladmir e Toshihiro tomaram cuidado para ficar o mais longe possível das duas garotas e de Len se quisessem chegar em casa sem nenhum grande ferimento ou trauma psicológico. Jun não perdeu tempo em declarar guerra contra Lin, e com o campeonato nacional de beyblade cada vez mais perto, a competitividade da garota estava em alta, fazendo com que a a possibilidade de um cofronto ainda maior estourar espalhasse um ar de pânico sobre a vila antes tão tranqüila.
Toshihiro:
Heheheh... Feliz Natal! God Jul! Merry Christmas!

(Passa um bando de beybladers vestidos de elfos de Papai Noel)

Len: O que tem de feliz nisso? (Len todo enfaixado e com olhos roxos e cara de quem deveria estar em coma no hospital) Parece que ninguém entendeu as implicações do último parágrafo do capítulo!

Jun: Oh, é... (Aparece a Jun com uma serra elétrica, uma espada de samurai e uma maquininha de dar choque) MWAHAHAHAHAHAHAHAHA, Len Yin, agora é hora de pagar por sua traição! Ò.Ó

(Toshihiro observando enquanto a Jun sai correndo atrás do Len)

Lin: E é tudo culpa minha... o.o' (Carinha inocente e muuuuuito tranqüila)

Toshihiro: Oh, não, Lin, não é culpa sua, imagina! n.n (babando)

Vladmir: Agora nós temos um novo personagem também, e no próximo capítulo vamos todos para Hong Kong.

Kian e Chang: (aparecendo do nada vestidos de elfos de Papai Noel) LUTA!!!

Hehashiro: Oh, é mesmo... o torneio! Quem liga, eu agora tenho a Lily e...

(Hehashiro abraça o que ele acha que é a Lily)

David: Hum... Oi? 8DD (David abraçado ao Hehashiro)

Hehashiro: Ah, sai daqui, coisa ruim! (Joga o David longe)

(David aterrisa em uma cama de colchões muito fofinho colocados estrategicamente ali por ordem da Lily)

Lily: Hehashiro, quantas vezes eu tenho que dizer que jogar seu melhor amigo pelos ares não é uma coisa legal? Esse é o exemplo que você quer dar para a Lhana, é?

(Lhana jogando o Hikaru pelos ares não muito longe dali)

Hehashiro: Ah... bem... eu...

(Lhana aparece do nada e joga o Hehashiro pelos ares)

Lhana: Oi, mamãe! XDDD Viu como o papai sabe ensinar criancinhas? XDDDD

Lily: Oh, Lhana... nem três anos de vida e já me fazendo grandes favores! (olhos brilhando emocionada) Você é mesmo a minha filhinha querida!

(Lily abraça a Lhana)

(Lily e Lhana saem para passear no parque ensolarado, jogando longe qualquer um que se aproxime delas)

Takashi: Eu não sei se vocês repararam, mas agora nós temos Ken e Len, Lin e Lin, Lily, Lin e Lhana pra confundir a gente na hora de digitar e escrever nome de personagens. Jamie-baka podia ser mais orginal, né?

Isaac: Ao menos não tem nenhum personagem chamado Lan-Lan ou algo assim... u.x

Lin: Não temos? O.õ (olhar significativo pro Isaac)

Ken: Alerta spoilers do próximo capítulo...

(Imagem começa a ficar tremida e muito mal-definida, diálogos se tornam chiados enquanto as mãos que digitam o off-talk decidem o que fazer com os diálogos-spoiler que deveriam se seguir e que agora serão censurados)

(Série de diálogos censurados cortados do off-talk)

(Por favor, finjam que nada disso aconteceu)

Isaac: Como eu ia dizendo... nomes confusos, não é? Eu espero que o Jamie ainda saiba quem é quem na hora de escrever...

(Passa o Len vestido como Ken, o Ken transformado em Lin, a Lin muuuito parecida com a Lily, a Lily com cara de bebê e a Lhana com cabelão liso em rabo de cavalo)

Isaac: Ou não... O.x

Len-Ken: Eu sabia que as coisas no off-talk tinham uma tendência a ficarem ridículas, mas isso aqui já é exagero... u.ú

Ken-Lin: Oh, não se preocupe, até o próximo capítulo nós voltaremos ao normal. u.u

Lhana-Len: E se no próximo off-talk isso acontecer de novo? (Tropeça no próprio cabelo e cai no chão)

Lily-Lhana: Oh, não vai acontecer! XD Se acontecer, o Jamie-chan vai comer muito chocolate como castigo! XDDD

Lin-Lily:E como isso resolveria o problema? O.õ

Lily-Lhana: Simples, ele ia comer tanto chocolate, mas tanto chocolate, que ia ficar bem gordo e não ia mais conseguir sair da cama, e ia depender da gente pra fazer tudo pra ele! XDDD

Len-Ken: Oh, planos malvados de adulto com cara de bebê fofinho! Eu quero participar também!

Lin-Lily: Vamos esquecer a confusão do nome e começar o nosso plano para dar chocolate ao James. u.u

Takashi: Yeah! Vamos nessa!

Felipe: (Aparece do nada com mais seis vultos atrás dele) D.E.M.O.N.S., hora da ação! Vamos engordar o James e usá-lo como peru da ceia de ano novo! ò.ó

Erik: Ano novo? Mas o peru não é na ceia de natal? O.õ

Felipe: Nosso plano chegou muito tarde pro natal, vai ter que ser ano novo mesmo...

Elizabeth: Quem se importa! Vamos fazer peru do Jamie! ORE WA BURNING!!! (Girando um taco de beisebol em chamas)

William: Coitado do Jamie... Se ele ficar mais gordo do que já é, não vai ser esse ano que ele vai desencalhar... ç.ç

Luiz: O que significa que por tabela ele não vai desencalhar você também, não é?

William: Exatamente... TT.TT (William modo Angst indo para um cantinho do off-talk chorar suas mágoas e complexos de inferioridade)

(Resto dos D.E.M.O.N.S. e beybladers com nomes trocados se dirigem ao supermercado para abastecer seus estoques de chocolate)

(James não suspeita de nada e continua dormindo na cama super-quetinha após quatro dias viajando por Oslo)

(Grupinho de beybladers se aproxima do James e deixa o saco gigante de chocolate nos pés da cama dele)

(O peso do saco gigante de chocolate faz peso em um lado na cama e catapulta o James contra a parede)

James: Bom dia... mamãe... (cara esmagada na parede) Mais um delicado despertar...x-x

Len-Ken: Agora a gente tem que fazer ele comer o chocolate...

Isaac: Mas como faremos isso se o Jamie-chan foi nocauteado pela nossa catapulta não-intencional? õ.x

Lin-Lily: Oh, isso é simples...

(Lin-Lily pega um funil gigante)

(Lin-Lily coloca o funil na boca esmagada do James)

(Lin-Lily força o saco gigante de chocolate pelo funil)

(Beybladers fecham os olhos pra não ver uma cena nojenta demais para qualquer horário)

Lin-Lily: Terminei! n.n

(James super-gordo deitado no chão ainda nocauteado por causa de tanto chocolate)

Elizabeth: E agora? O.õ

Felipe: Agora a gente espera ele acordar. E enquanto isso vamos preparando a nossa festa de ano novo.

Rumiko: Oh, ano novo! Falta tão pouco agora!

Toshihiro: Vamos desejar feliz ano novo pra todo mundo e não destruir a Terra dessa vez, assim a gente pode ver os fogos esse ano de novo!

Len-Ken: Enquanto o Jamie não acorda...

(Beybladers reunidos no centro de uma pracinha muito bonitinha com um arsenal de fogos de artifício esperando para ser lançado)

Rumiko: Vamos fazer a festa agora, porque esse é o último capítulo do ano!

Nathaliya: O próximo capítulo vai aparecer no nosso aniversário, e depois disso vamos voltar a nossa programação normal das quartas-feiras!

(Quarenta e cinco beybladers e um James muito gordo e ainda nocauteado no centro da pracinha bonitinha esperando anoitecer)

(Frases entre parênteses resolvem ajudar a mãe natureza e fazer já ser de noite)

(Nathaliya acende os fogos)

(Beybladers ficam olhando os fogos muito felizes, sorrindo e desligados do resto do mundo)

(James acorda e percebe que está muito mais gordo do que o normal e que sua cara amassou consideravelmente)

(James resolve se vingar dos beybladers)

(Close no sorrisinho malvado do James)

(James desvia um dos fogos, que explode pra baixo ao invés de pra cima)

(Fogo desviado chega no centro da Terra e explode)

(Adivinhem... a Terra explode também)

(Pedacinhos voadores da Terra fazem outro espetáculo de fogos de artifício)

OWARI

HAPPY NEW YEAR!! XDDDDDDDD