Nota do Shinji: A partir deste capítulo começa a terceira parte da fic, "Kita no Ookami", que vai se estender até o capítulo 16. Yadate-kun e os WATB vão dar as caras no capítulo 17. o.o'

Nota da Lin: Até lá, nós teremos tido tempo suficiente para acabar com o líder traidor, quanto a isso podem ficar tranqüilos. u.u

Nota do Osamu e do Kazuo: Boa leitura! E deixem review ou a gente vai bancar o lobinho abandonado e barulhento na sua janela na hora de dormir! XD


CAPÍTULO XIII

DE VOLTA A TÓQUIO

A enfermaria do ginásio mergulhou em silêncio quando o garoto de Hokkaidou terminou sua longa narrativa. Surpresos, os beybladers não tiveram coragem de trocar olhares ou palavras, preferindo digerir silenciosamente as novas informações enquanto encaravam o chão ou a parede. Depois de cerca de dez minutos a falta de ruídos começou a ficar desconfortável, fazendo com que Rumiko se obrigasse a falar:

- Então... você veio aqui porque precisa de ajuda. Da nossa ajuda. – Como a japonesa previra, as atenções de todos rapidamente voltaram-se para ela. Shinji em particular avaliava-a com atenção, como se tentasse decidir se ela estava falando sério ou provocando-o com sua afirmação.

- Exatamente. – Nervoso demais para olhar para os lados, o mestre de Kid Dragoon mantinha seus olhos fixos na única pessoa capaz de lutar de igual para igual com ele até o momento. – Eu preciso de mais poder para vingar os meus amigos, Kid Dragoon e eu sozinhos não vamos conseguir lutar contra todos aqueles mercenários, não se o meu pai não... – Shinji parou de falar ao mencionar o pai, sem nenhuma vontade de completar a sentença.

- E por que você espera que nós nos envolvamos em um confronto que não tem nada a ver com a gente? – A pergunta de Koichi ecoou pela sala até então tranqüila. Sua voz forte e um pouco desdenhosa parecia pressionar o garoto sentado na cama, esmagando seu corpo pequeno e magro com uma força invisível. Os demais beybladers lançaram ao líder japonês um olhar incrédulo e venenoso que foi prontamente ignorado. – Eu pelo menos não pretendo ir até Hokkaidou arriscar a minha vida e a minha fera-bit por nada.

- Koichi! – Exclamou Satsuki, imediatamente levando as mãos à boca. Ninguém esperava suas palavras duras, ainda mais dada a situação vulnerável em que Shinji se encontrava.

- Por nada? Por nada? – Perguntou o garoto de Hokkaidou, fechando os punhos nos lençóis de sua cama. – Eu não estou lutando por nada, eu não vim até aqui pra desperdiçar os esforços do meu pai e eu definitivamente não posso voltar de mãos vazias! – Shinji mantinha a cabeça baixa, falando novamente com a voz grave e sinistra do Lutador Solitário. – Se os Kita no Ookami ainda estivessem por aqui, eu não teria que envolver outras pessoas nos nossos problemas. Se você acha que os meus motivos não são fortes o suficiente pra você, então é melhor sumir das minhas vistas antes que eu perca o controle.

Ao redor dos dois, os demais beybladers ficaram apreensivos. Como o resultado do último encontro entre o líder dos Taichi e o líder dos Kita no Ookami ainda bem vivo em sua memória, o grupo temia os resultados de um novo confronto. Os olhos de Koichi estavam fixados em Shinji, que por sua vez evitava encarar qualquer um dos presentes. Os poucos segundos de silêncio pareceram horas de uma tensão sem fim, até finalmente o mestre de Fenhir se pronunciar:

- Eu não tenho medo de você, Ueno, minha opinião sobre você não mudou desde aquele dia no shopping. O seu problema não me interessa e eu não quero ter nada a ver com isso. Pensem o que quiserem de mim, eu não me importo. Não se encomodem em vir atrás de mim ou de Yoshiyuki enquanto o Ueno estiver por perto, nós não queremos nos envolver.

Ninguém pôde fazer nada quando os irmãos Yuy viraram as costas e saíram da enfermaria sem olhar duas vezes para nenhum de seus amigos. Shinji permaneceu tenso, imaginando se as opiniões de Rumiko e dos demais seriam as mesmas que a do mestre de Fenhir. Se assim fosse, um mês inteiro de lutas seria perdido e seu plano de vingança se tornaria definitivamente um plano suicida. Novamente foi Rumiko quem quebrou a tensão:

- Hum... Ueno-kun, não precisa se sentir mal com o que o Koichi disse, ele provavelmente ainda está pensando na semifinal e por isso... – A garota sorriu sem jeito, esperando que o ex-adversário a encarasse. Como Shinji não o fez, Rumiko acabou continuando sua fala em uma voz um pouco mais aguda do que pretendia, um pouco mais nervosa e ansiosa do que queria. – Ah, bem... esquece ele, o Koichi é anti-social mesmo... A gente não necessariamente precisa concordar com tudo que ele diz e...

Rumiko encarou os amigos na espectativa, torcendo para que suas opiniões sobre o assunto coincidissem. Nathaliya, Isaac e Ken concordaram com a cabeça, os últimos dois deixando escapar um tímido sorriso. Satsuki mostrou-se primeiramente apreensiva antes de imitar o gesto dos amigos, adquirindo uma coloração avermelhada em suas bochechas enquanto seus dedos se entrelaçavam de maneira estranha em frente ao seu corpo.

- Indo direto ao ponto, é só dizer quando saímos daqui que nós estaremos preparados! – Nathaliya resumiu as intenções de sua irmã, lançando ao garoto de Hokkaidou um olhar animado. Com isso, Shinji finalmente ergueu o rosto, atrevendo-se a sorrir um pouco ao ver os cinco novos amigos sorrindo para ele.

- Vocês fariam isso mesmo? – Perguntou, querendo ouvir dos demais algo parecido com a declaração da russa. Depois do choque com a opinião de Koichi, a certeza que os outros estavam ao seu lado era muito bem-vinda.

- Nós vamos perder um pouco de aulas, mas eu acho que a Zanxam-sensei vai entender se a gente explicar... – Respondeu Isaac, olhando sugestivamente para Satsuki enquanto falava, como se esperasse que a loira CDF lançasse algum tipo de objeção relacionada ao assunto.

- É mais uma aventura pro meu currículo, e o mais norte que eu fui no Japão é Yokohama, então... – Declarou Ken, passando um braço pelos ombros do irmão enquanto sorria um de seus sorrisos maníacos e sugestivos para o novo amigo. Shinji ficou em dúvida se devia sentir-se feliz ou assustado com isso.

- Bem, eu imagino como você deve estar se sentindo com tudo que aconteceu, então eu acho que devia ajudar como puder... – Satsuki realmente pensou em mencionar as aulas que seriam perdidas em uma viagem às terras geladas do norte, porém a mensagem de Isaac foi tão clara a este respeito que ela não conseguiu encontrar algo mais a dizer sobre o assunto.

- Obrigado, pessoal, isso significa muito pra mim. – O sorriso de Shinji se ampliou. Era a primeira vez que sorria assim desde o ataque aos rebeldes. Pela primeira vez desde aquele dia não estava mais sozinho contra o senhor daquelas terras, nem via o futuro como uma névoa cinzenta. Rumiko, Ken, Nathaliya, Isaac e Satsuki haviam concordado em ajudá-lo a se defender e defender os Kita no Ookami, um grupo cujo futuro não mais dependia apenas dele.

Não muito tempo depois, Shinji foi autorizado a voltar para casa. Por enquanto nenhum dos beybladers deveria espalhar a notícia da viagem até Hokkaidou, não até Shinji ter um plano mais detalhado e estar totalmente recuperado.

Deitando em seu futon durante a noite, o garoto de Hokkaidou finalmente encontrou uma oportunidade para refletir sobre os acontecimentos das últimas vinte e quatro horas: a luta, o empate, a narrativa sobre seus tempos de criança, seu pai, Kid Dragoon, os Kita no Ookami e seus melhores amigos: os gêmeos Osamu e Kazuo Motomiya e Lin Mei Xing, tidos como a nova geração do grupo que há muito pouco tempo ganhara uma indentidade. Se o que Watanabe-dono escrevera em sua carta era verdade, ele deveria ser o último dos lobos do norte, a última peça na coleção do maníaco que os mantinha como prisioneiros em suas vastas terras. Havia ainda muito a ser feito, muitas decisões a serem tomadas e uma longa jornada até seu destino final. Por seu pai, por seus amigos, pelos Kita no Ookami, Shinji Ueno estava determinado a vencer Ryuma Watanabe, ignorando as conseqüências da batalha ou o fato de que a vingança não traria nenhum deles de volta. Ele queria lutar, apenas isso, e vencer. Depois disso, nem ele sabia.

- Ao menos agora eu tenho uma chance. Eu sei que tomei a decisão certa...


Era a primeira vez que Lin viajava de avião, tendo chegado à China de barco e seguido de ônibus até Xigaze. As pessoas passando apressadas carregadas de malas, os homens de terno e gravata gritando em seus celulares enquanto marchavam pelos corredores e as dezenas de lojinhas movimentadas espalhadas por todo o canto foram as primeiras coisas a chamar atenção da garota assim que ela e seus amigos entraram no aeroporto de Hong Kong. Antes de embarcar para Tóquio ainda haveria algumas outras surpresas, como a imensa fila para check-in e a quantidade de seguranças de olho nela e no grupo de adolescentes que a acompanhava.

- Não se preocupe, Lin, esses caras não mordem... – Brincou Toshihiro, encarnado um segurança especialmente corpulento com o que ele pretendia ser um olhar estupidamente inocente. – Eles só batem ou atiram, dependendo do sujeito. – Lin ergueu uma sobrancelha enquanto Hehashiro e Vladmir riam da piada. Como o mestre de Fenku falava em japonês, os gigantes homens de preto provavelmente nunca saberiam que estavam servindo de assunto para uma piada.

A viagem foi curta e tranqüila. O único problema aconteceu na hora do check-in, quando a funcionária do guichê proibiu os garotos de levarem suas beyblades na bagagem de mão, entendendo que os peões eram objeto perigosos e que poderiam ser usados para seqüestrar o avião ou machucar outros passageiros. A verdade nua e crua era que a mulher estava certa, as beyblades poderiam realmente se tornar armas perigosas capazes não somente de seqüestrar, como também de derrubar uma aeronave, mas isso não impediu Toshihiro e Hehashiro de gastarem preciosos vinte minutos tentando convencer a funcionária de que os "brinquedos" era inofensivos. No fim, o grupo acabou embarcando sem as beyblades e com uma multa por desacato à autoridade.

Finalmente no Japão, depois de passar pela alfândega e ter que esperar um funcionário verificar documento por documento no meio da papelada que acompanhava Vladmir e Lily para que eles fossem legalmente aceitos como visitantes no país, os garotos se dividiram em dois táxis: um que foi para o hotel três estrelas que os hospedaria durante a (provavelmente) curta estadia, com Hehashiro, Lily e Lin a bordo, e um outro que foi direto para Shibuya Chuugako, levando Toshihiro e Vladmir ao encontro de seus amigos.

- Ah, essa é a Tóquio que eu conheço! Já estou até me sentindo em casa! – Exclamou Toshihiro, sarcástico, ao se ver preso em um engarrafamento não mais do que cinco minutos depois de deixar o aeroporto. Vladmir riu baixinho, observando a paisagem urbana caótica e linha acinzentada de poluição acumulada no horizonte. O carro não se mexeu pelos quinze minuto seguintes, demorando três vezes o tempo normal para chegar ao seu destino. Com o atraso inesperado, faltavam apenas cerca de dez minutos para o fim das aulas quando a dupla cruzou os portões da escola.

- Acha que eles vão demorar muito? – Perguntou Vladmir, novamente entretido observando a paisagem local. As escolas japonesas eram bem diferentes das que estava acostumado a ver em Moscou e principalmente Xigaze.

- Temos que torcer para que o Ken não tenha ficado de castigo de novo, ou nossos planos de uma visita surpresa vão por água abaixo...

De fato, para fazer surpresa, os irmãos não contaram aos seus amigos que estavam chegando para uma visita. Sem saber exatamente quanto tempo demoraria para que Lin cumprisse sua missão – com ou sem a ajuda deles – os Urameshi se prepararam para passar uma semana apenas na capital japonesa. Não havia motivos para pensar que a viagem seria mais longa do que isso, ainda mais considerando que os outros aliados de Lin – os gêmeos chamados Osamu e Kazuo – já estavam na cidade a algum tempo e provavelmente tinham informações valiosas sobre o que seu líder traidor andava fazendo.

- Quanto tempo você acha que nós vamos ficar por aqui, Toshihiro? – Perguntou novamente o russo, preocupado em manter uma conversa para disfarçar a tensão. Os dois estavam realmente animados em reencontrar seus amigos, imaginando o grande momento como uma cena de filme romântico cheia de efeitos especiais e música dramática.

- Aqui em Tóquio? – Perguntou o chinês trançado de volta, brincando com a ponta de seu cabelo para não ficar sem nada para fazer. – Por mais que eu queira que tudo dê certo pra Lin, eu espero que demore um pouco pra ela conseguir vencer esse tal líder que ela tanto fala, assim a gente pode ficar mais tempo... – Os dois garotos ficaram em silêncio por mais algum tempo, procurando por alguma coisa para dizer, até uma luz cair sobre o mestre de Fenku, permitindo-o perceber uma coisa que até então não o havia preocupado e nem ao irmão. – Hey, Vladmir, como é que a Lin espera que a gente ajude ela quando a gente nem sabe direito o nome do tal líder que ela vai desafiar?

Em resposta, o russo ergueu uma sobrancelha, intrigado. Como confiava em Lin e em seus motivos, nunca lhe ocorreu perguntar uma coisa tão simples como o nome da pessoa com quem eles provavelmente teriam que lutar.

- Eu acho... eu acho... que essa informação não deve ser relevante, se fosse, Lin teria nos contado... – Foi a resposta do mestre de Castil, uma resposta que não soou tão segura quanto ele esperava.

Outras possíveis perguntas e reflexões foram afastadas das mentes dos irmãos quando o sinal indicando o fim da aula soou pelos arredores do prédio principal da escola. Toshihiro e Vladmir prontamente se posicionaram ao lado do portão, observando atentamente cada rosto que se aproximava à procura de seus amigos. As imagens de um reencontro mágico se tornaram ainda mais fortes em suas mentes com o aumento da espectativa, a qualquer momento Rumiko, Nathaliya, Isaac, Ken e Satsuki surgiriam na multidão, prontos para correr para o abraço.

Rumiko, Nathaliya, Isaac, Ken e Satsuki realmente surgiram na multidão, porém suas cabeças estavam tão juntas e eles estavam tão entretidos cochichando alguma coisa entre eles que os dois visitantes ilustres foram completamente ignorados. Após o choque inicial pela "calorosa" recepção veio o sentimento de revolta e indignação que forçou os garotos a seguir seus amigos por entre a massa uniformizada, se aproximando furtivamente por trás e...

- Quem cochicha, o rabo espicha! – Exclamou Toshihiro, praticamente gritando, colocando-se ao lado do círculo fechado e isolado da realidade. Os sussurros pararam, por um momento o chinês chegou a pensar que seu plano teria sucesso, até a voz mecânica e sem graça de quem não gosta de interrupções que pertencia a uma Satsuki de mau-humor penetrar em seus ouvidos:

- Quem se importa, o rabo entorta.

- Quem reclama, o rabo inflama! – Retrucou Toshihiro mais uma vez, sua última tentativa de conseguir chamar a atenção de seus amigos. O motivo da conversa deveria ser muito importante para que nenhum deles sequer prestasse atenção no mundo ao redor. O chinês trançado suspirou, desiludido com aqueles que chamava de companheiros, amigos e namorada. Vendo a expressão dramática no rosto do irmão, Vladmir decidiu tomar as rédias da situação, se aproximando do grupo também:

- Nossa, mas que bela recepção essa nossa! Eu estou muito comovido com a maneira que nossos amigos nos receberam tão calorosamente depois de meses sem nenhum tipo de contato! Desse jeito eu até sinto vontade de vir da China para cá mais vezes...

Para assombro de Toshihiro, a técnica de Vladmir foi realmente eficiente: Rumiko ergueu o rosto alguns centímetros à procura da voz familiar, ficando completamente estática ao encontrar a figura do namorado e do futuro cunhado parados diante de seus olhos, sem praticamente nenhuma mudança visível em sua aparência desde a despedida na Rússia. Quando a mestra de Fenki não voltou a discutir o que quer que fosse com seus amigos, os outros beybladers também decidiram espiar o que estava acontecendo, assumindo poses bem parecidas com a da companheira.

- Hey, gente? O que foi que houve? Nós por um acaso viramos fantasmas e não fomos informados, é isso? – Perguntou Toshihiro, rindo-se das expressões assombradas dos demais. A cena estática durou mais alguns segundos, interrompida quando Rumiko se recuperou do estado de choque em que se encontrava para praticamente voar no pescoço do namorado, agarrando-o no meio da rua sem se preocupar com que as pessoas passando ao redor poderiam pensar.

- Toshihiro! Toshihiro! É você mesmo? É verdade? O que você está fazendo aqui? Eu estou com tanta saudade! – Foi apenas por milagre que o chinês trançado não foi de encontro ao chão ao sentir o peso da garota caindo com tudo em cima dele. Toshihiro devolveu o abraço, imediatamente sentindo-se envolver pelo calor agradável que o corpo da namorada emanava. Agora que estava ao seu lado novamente, não conseguia entender como aguentara os quase três meses de separação.

- Nós viemos para uma rápida visita, aproveitando a lua-de-mel do nosso querido irmãozinho... – Vendo que o irmão estava ocupado demais dando atenção à namorada, Vladmir respondeu por ele, sorrindo com a interação dos dois. Ao seu lado, Nathaliya se aproximava um tanto hesitante, encarando-o de uma forma estranha. – O que foi, Nathaliya? – Perguntou ele, dirigindo-se à russa.

- Tem certeza que é só isso mesmo? Por alguma razão eu não consigo parar de pensar que o motivo da visita é outro...

Nathaliya encarava o companheiro nos olhos, com um olhar penetrante que era único dela. Seu auto-controle foi a única coisa que o impediu de contar tudo sobre a missão de Lin e a ajuda prometida. A mestra de Lan-Lan havia sido bem clara ao declarar que ninguém mais além deles deveria saber sobre os Kita no Ookami, nem mesmo seus amigos.

- Não sei do que você está falando. – Respondeu ele por fim, rapidamente pensado em uma artimanha para impedir futuras indagações. – Eram vocês que pareciam querer esconder alguma coisa andando colados e conversando aos cochichos... Eu me pergunto que tipo de segredo seria esse...

Foi a vez de Nathaliya ficar em alerta, assim como os outros beybladers ao seu lado. O grupo discutia como chegar até Hokkaidou e o que fazer ao chegar lá, como exatamente eles deveriam vencer o tal Watanabe usando apenas suas beyblades quando seu inimigo contava com mercenários sanguinários e um sistema de alarmes que poderia ter saído dos filmes de James Bond, ao menos segundo o relato de Shinji.

- Eu não sei do que você está falando. – Respondeu a garota, sem perceber imitando o companheiro. Os dois trocaram um olhar de cumplicidade antes de começar a rir, percebendo a situação em que se encontravam. Os dois reconheceram o direito do outro de guardar secredo, decidindo com aquele único olhar não tocar novamente no assunto. Algum tempo depois, Rumiko e Toshihiro deram uma pausa nos abraços e conversa a dois para se juntar aos demais. O grupo então seguiu para a casa da família Urashima, onde uma pequena festa improvisada seria preparada para comemorar a chegada inesperada dos melhores vice-líderes do mundo.


- Estão atrasados! – A voz de Lin, apesar de calma, transmitia uma autoridade que nem mesmo juntos os gêmeos conseguiam desafiar.

- Desculpe, Lin, nós passamos a tarde observando o líder agindo na escola, tentando recolher alguma informação útil. – Justificou um dos garotos, provavelmente Osamu.

- Ao que parece, aqui em Tóquio ele passou a mostrar o covarde que ele realmente é, ao menos perto dos colegas. – Completou o outro garoto, Kazuo. Os olhos azuis-esverdeados dos garotos tinham um brilho desdenhoso, seus sorrisos maliciosos contavam muito mais para a companheira do que as palavras apenas.

Lin não respondeu imediatamente, ocupada em analisar as mudanças físicas e psicológica em seus amigos mais antigos. Osamu e Kazuo eram gêmeos idênticos, era praticamente impossível diferenciá-los. Sendo assim, há muito tempo sua mãe decidira que Kazuo, o mais novo dos dois, deveria andar sempre com os longos cabelos negros presos em um rabo de cavalo, enquanto Osamu, o mais velho, deveria deixá-los soltos. A regra facilitou enormemente a tarefa de identificá-los, porém como a dupla também era conhecida por um certo desrespeito por regulamentos, não raramente era Osamu quem prendia o cabelo e Kazuo que o deixava solto, confundindo todos os seus amigos e irritando boa parte deles.

O Osamu e o Kazuo de pé a sua frente continuavam cerca de dois centímetros menores do que ela, vestindo o casaco de pele de lobo que era uma característica dos membros de sua equipe. Lin, aos quatorze anos, era a mais velha entre os quatro escolhidos para a "nova geração", a mais inteligente e sensata. Os gêmeos eram um ano mais novos, muito ágeis na corrida e com as palavras. O líder do grupo era também o caçula, com recém-feitos doze anos em algum momento entre o dia 28 de fevereiro e primeiro de março daquele ano. Sua principal característica deveria ser a coragem e o espírito de liderança, duas coisas que mostravam-se ausentes no momento.

- Onde exatamente vocês fizeram isso com o cabelo de vocês? – Quando Lin voltou a falar, não foi para comentar algo a respeito da missão ou do líder, mas sim na diferença mais gritante na aparência dos garotos: havia uma mecha azul no cabelo muito liso de Osamu, e uma mecha verde separada do resto do cabelo preso de Kazuo. – E com que dinheiro?

- Ah, Lin, nós não gastamos um centavo com isso, pode acreditar! – Respondeu Kazuo, enrolando seus dedos na mecha colorida.

- Desafiamos um cabelereiro orgulhoso a ganhar da gente em uma corrida, e essa foi a nossa recompensa pela vitória! – Completou Osamu, sorrindo e jogando os braços atrás da cabeça. – Fica tranqüila, nós não vamos gastar o dinheiro dos nossos pais com besteiras.

Lin também sorriu, contente com o amadurecimento mostrado pelos garotos. Seus pais haviam lhes dado algum dinheiro horas antes da repressão final, embora as origens deste dinheiro ainda fossem desconhecidas, já que os empregados da fazenda não deveriam andar com dinheiro dentro da propriedade.

Os gêmeos em seguida levaram sua amiga para o templo em que estavam hospedados, um templo propositalmente próximo do escolhido por Shinji. A garota queria ficar a par de tudo que estava acontecendo em Tóquio antes de apresentar aos gêmeos a sua "ajuda" conseguida na China. Os três Kita no Ookami passaram a tarde conversando, trocando novidades e discutindo planos. Quando anoiteceu, Lin voltou para seu hotel, esperando encontrar seus amigos já adormecidos.


Kazuo:
Ahaha, finalmente! Finalmente chegou a hora da vingança! Shinji Ueno, prepare-se!

Osamu: Nós não vamos deixar barato o que você fez, ex-líder!

(Osamu e Kazuo segurando tochas flamejantes correndo atrás do Shinji)

(Shinji correndo dos gêmeos com olhar de cachorro pidão emplorando por ajuda)

Takashi: Hey, isso não vale! Esses gêmeos só aparecem a uma cena atrás e já estão fazendo as primeiras linhas do off-talk! Isso não é justo! Não é justo! ò.ó

Lin: Takashi-kun está irritado porque ainda faltam mais três capítulos para você aparecer, não é? u.u

Takashi: Maldito James que fica enrolando tanto pra me colocar de novo na história... ele vai ver só quando eu aparecer. ò.ó

Ken: Quero ver... O que é que alguém que é ainda mais nanico que o Jamie vai conseguir fazer contra ele? O.õ

Takashi: É melhor não me subestimar, Paquiderme Patológico Patético!

James: Isso, nunca subestime os baixinhos! u.ú (aparece do nada e finge que estava ali desde o começo do off-talk)

Takashi: Não to falando com você. (Ignora o James) Eu to de mau com você por ter dado mais importância aos Kita no Ookami do que a mim. Eu não vou falar com ninguém chamado James Hiwatari até o capítulo 17 aparecer no ff. Net, e tenho dito! u.ú

James: Nem se eu te colocar em parzinho romântico com a Satsuki? O.õ (sorrisinho malicioso)

Takashi: Você faria isso? (Agarrando a gola da camisa do James (parênteses do parênteses – Takashi de 2008 é só quarenta centímetros menor que o James de 2008 – fim do parênteses do parênteses) Faria mesmo?

James: Hum... Não! 8DD Mas foi bom ter você falando comigo de novo. 8DDD

Takashi: Jamie malvado... duas decepções no mesmo dia... vai ver quando eu aparecer... eu vou me vingar! (Takashi sai andando rápido até o cantinho obscuro do off-talk)

Vladmir: Oh, Takashi em modo angst, Kita no Ookami muito perto de se enfrentar e colocar a gente no meio da batalha... São tantas emoções... u.ú

Yoshiyuki: Nem me fale... (totalmente inexpressivo)

Satsuki: E o Koichi não quer ajudar o Shinji! Que insensível! Eu nunca imaginei...

Isaac: O Takashi com certeza ajudaria o Shinji... ele é bem melhor do que o Koichi neste aspecto... n.x

(Pausa pra todo mundo entender o que o Isaac está insinuando)

(Pausa mais um pouco pra Rumiko e o Ken entenderem o que o Isaac está insinuando)

Nathaliya: Isaac, isso foi golpe baixo... ò.ó

Isaac: Foi a verdade. Eu tenho certeza que o Takashi pre-modo-Angst-de-canto-obscuro-do-off-talk ajudaria o nosso amiguinho Shinji, o que faz com que ele seja uma pessoa melhor do que o Koichi neste aspecto. Não é verdade? n.x

Hehashiro: Mas então isso significaria...

Isaac: Significaria que a partir de agora este off-talk vai entrar no mundo hipotético da possibilidade opcional da Satsuki e do Takashi realmente formarem um par romântico e dexarem o Koichi pra titia a ver navios. n.x

(Passa um super-efeito de computador muito caro e que deixa todo mundo nauseado pra marcar a mudança de atmosfera do off-talk)

(Pause estratégica para os personagens se recuperarem da náusea)

(Foca em Satsuki e Takashi em um restaurante muito chique e romântico em Veneza)

Satsuki: Por que Veneza? O.õ

(Porque é mais romântico e mais bonito do que Tóquio, oras!)

Takashi: Hey, desde quando as frases entre parênteses fazem outra coisa que não seja narrar besteiras? Quer dizer, desde quando elas podem responder perguntas?

(Desde agora. Eu sou o Deus do off-talk, eu faço o que quiser e tenho o destino de todos vocês nas minhas mãos! MWQWQWQWWQWQWQWQWQWQ!!!)

Ann: Ah-ha-ha. Ninguém controla o meu destino, nem o meu irmão, nem o James e nem as frases entre parênteses! E tenho dito!

(Oh, é...)

(Ann é atacada por uma cólica lascerante e precisa se ausentar do off-talk)

Ann: Ora, seu... (doooooooor) Seu... (mais doooooooooor) Seu... (e muito mais doooooooooooooooor) x.x

(Aha! Como eu disse, eu controlo os destinos de todo mundo!)

(E como eu decido o que vai aconter, vamos voltar para Veneza, onde Satsuki e Takashi ainda estão tentando ter um encontro romântico)

Satsuki: Oh, a noite está tão linda! (olhando pra lua cheia e as estrelinhas brilhando)

(Passa um gondoleiro cantando)

(Close na Rumiko vestida de gondoleira levando o Toshihiro enquanto canta com uma voz de homem muito bizarra)

(Close no gravador pendurado no cinto da Rumiko por onde realmente sai a voz de homem muito bizarra)

Takashi: É, a noite é mesmo linda, mas não tão linda quanto você, Satsuki! (Pausa para leitores vomitarem) As estrelas e até mesmo a lua empalidecem quando expostas ao seu brilho, sua beleza torna tudo ao redor algo sem graça e monótono, pois nada pode se comparar a você, minha amada Satsuki! (outra pausa para vômitos, risadas, velórios...)

Satsuki: Oh, Takashi, isso é tão lindo! Você é tão romântico! (Mais uma pausa. Quem quiser consultar o psicanalista, faça-o agora ou cale-se para sempre!)

Takashi: Sim, eu sei. Eu sou o namorado mais romântico que você poderia desejar, minha doce Satsuki! Só eu posso expressar com exatidão tudo que o seu amor e a sua presença ao meu lado representam, sem meias-palavras, sem meios-olhares, sem meio-sorrisos. Eu sou o que há de mais perfeito para alguém tão perfeita quanto você, e ainda assim eu sei que toda essa perfeição não se compara a você, Satsuki... oh, Satsuki...

(Esse seria um bom momento para uma pausa, mas dessa vez eu vou deixar a cena continuar)

Satsuki: Ah, Takashi! Hoje percebi como é bom ficar ao seu lado, aqui em Veneza, observando o luar enquanto saboreio um jantar tão delicioso de... massa carbonara... o.o'

Takashi: Não precisa dizer mais nada, Satsuki... (Takashi pega nas mãos da Satsuki) Este é sem dúvida o momento pelo qual eu esperei durante os últimos dois anos e meio, desde que essa fic apareceu na internet!

(Takashi se aproxima de Satsuki)

(Satsuki fecha os olhos)

(Takashi sobe na mesa pra poder chegar perto do rosto da Satsuki)

(Takashi fecha os olhos)

(Satsuki e Takashi corando...)

(Oh, os lábios estão quase se encostando...)

Koichi: Alto lá! ¬¬'

(Hey, eu não disse que você podia entrar! Xô, Xô, eu te bani do off-talk de hoje!)

Koichi: Se você me baniu, como é que eu ainda estou aqui? ¬¬'

(Muito bem então...)

(Koichi evapora e some do mundo)

Koichi: ¬¬''

(Hey, era pra você evaporar!)

Koichi: Você me baniu do off-talk, suas palavras não tem mais efeito sobre mim. Depois de ver o que aconteceu com a Ann, eu finalmente entendi o que se passa, e aproveitei que o Takashi tomou o meu lugar para agir. Em mim vocês não mandam, frases entre parênteses, e por isso eu serei a causa da sua ruina! ¬¬''

Satsuki: Koichi! É você... O.O''

Takashi: Nããããããããããããããããooooooooooooo! Será possível que nem em um off-talk com as frases entre parênteses me ajudando eu consigo ficar com a Satsuki? TT.TT

(Takashi volta pro cantinho obscuro do off-talk)

(Satsuki fica olhando para o Koichi como se ele fosse um fantasma)

Koichi: Vamos, Satsuki, vamos fugir daqui e passar o resto de nossas vidas tentando derrotar a tirania das frases entre parênteses! ¬¬'

(Ainda não! Eu escolho o destino da Satsuki, eu faço o que quiser com ela)

(Satsuki desmaia e NÃO vai embora com o Koichi)

Koichi: Se é assim... Então eu vou tomar medidas drásticas...

(Koichi some do off-talk)

(Hey, o que é isso?)

(Medidas drásticas. Eu agora assumi a forma de frases entre parênteses também. Vamos lutar a sério agora)

(Ora, como se atreve? Eu vou te mostrar o meu poder, vou fazer você pagar por ter me desobedecido!)

(Frases entre parênteses lançam um raio de luz super-poderoso na direção das outras frases entre parênteses)

(Outras frases entre parênteses rebatem o raio de luz super-poderoso com um espelho gigante)

(Frases entre parênteses usam outro espellho para refletir o raio de luz super-poderoso refletido pelas outras frases entre parênteses)

(Frases entre parênteses e outras frases entre parênteses ficam colocando espelho atrás de espelho para refletir o raio super-poderoso infinitavemente refletido)

(Esperto você... Engula isso: Frases entre parênteses destróem a Terra com os raios refletidos!)

(Eu imaginei que você fosse fazer isso. Bem, ruim pra você que sempre que a Terra é destruída, o off-talk acaba. Com o fim do off-talk, acaba o seu poder sobre nós, o que significa que... É o seu fim!)

OWARI!!!!!!

(Nããããããããããããããããããããããããããoooooooooooooooooooooooooooooooooo)


(Pos-off-talk)

(Beybladers recuperam sua liberdade)

(Takashi sai do cantinho obscuro do off-talk)

(Frases entre parênteses são forçadas a voltar a sua função normal, livre de impulsos dominadores megalomaníacos)

(Satsuki leva o Koichi para um restaurante em Veneza)

(Passa um gondoleiro cantando)

(Close na Rumiko vestida de gondoleira...)