CAPÍTULO XIV

KITA NO OOKAMI

Quando os beybladers finalmente chegaram à casa de Ken e Isaac, encontraram a mesa da sala de jantar coberta de guloseimas, desde pequenos docinhos até um enorme bolo de chocolate com os dizeres "Bem-vindos amigos" em glacê verde, tudo conseguido por meio de um telefonema e do trabalho árduo da babá dos Urashima. Os sete pré-adolescentes em fase de crescimento não fizeram cerimônia para começar a comer em silêncio, escolhendo não falar nada até suas bocas novamente estarem livres para articular palavras claras.

- Como eu ia dizendo no caminho pra cá... – Começou Ken, arrotando esporadicamente por causa do exceço de refrigerante. – Eu estou realmente curioso pra saber o que vocês dois andaram fazendo naquele fim de mundo, sabe? O quanto vocês treinaram...

Toshihiro reconheceu imediatamente o desafio do companheiro de equipe, tirando Fenku do bolso sem usar palavras. Pouco tempo depois, Isaac e Vladmir também tinham suas beyblades preparadas, e o grupo se dirigiu ao quarto dos "gêmeos", onde uma arena esperava por eles. Rumiko, Nathaliya e Satsuki os seguiram, igualmente ansiosas para ver os rumos da batalha.

- Vamos lutar um contra um! – Anunciou Ken, colocando-se em posição. – Eu vou primeiro, e quero que o Toshihiro me mostre o que ele andou aprendendo nesses últimos tempos!

- Se é isso que você quer, Ken, eu vou fazer a sua vontade, mas é melhor não vir pra cima de mim chorando a derrota... – O chinês trançado respodeu no mesmo tom, também se colocando em posição. A batalha começou sem que alguém precisasse dar a ordem.

A primeira coisa que Ken percebeu ao enfrentar o antigo companheiro de equipe foi que Fenku estava muito mais rápido. A segunda foi que ele estava muito mais forte. E a terceira foi que ele estava rápido e forte demais para sua fera-bit dragão de fogo. Toshihiro sorriu quando, sem precisar ordenar nada em voz alta, sua fera-bit atacou e venceu Fenrochi em menos de cinco minutos. Agora que podia se comunicar livremente com Fenku durante a luta, o chinês trançado podia sentir o aumento em seu poder, tornado evidente na quase humilhação de seu colega.

- Wow, Toshihiro, onde foi que você aprendeu a lutar assim? – Perguntou Rumiko, impressionada com a demonstração do namorado. – Foi incrível!

- Ah... bem... digamos que eu tenha tido uma boa professora...

O vice-líder japonês percebeu tarde demais que sua resposta não era exatamente adequada à situação. Nathaliya, Rumiko e Satsuki, lendo nas entrelinhas de sua fala, lançaram-lhe um olhar quase demoníaco, enquanto o ar ao redor da russa começava a se aquecer e as duas japonesas abriam e fechavam os punhos como se estivessem apenas esperando por um sinal específico para pular em seu pescoço. Com medo do que seu destino reservava para ele nos próximos segundos, Toshihiro lançou um olhar suplicante ao irmão, que respondeu com um sorriso um tanto sádico. Resignado, Toshihiro baixou a cabeça, torcendo para que sua punição não fosse como as de Len.

- Que... que professora? – Perguntou Rumiko, com a expressão mais assustadora que seu namorado já vira. Ela definitivamente estava passando muito tempo com Nathaliya, as duas poderiam se passar por clones naquele momento se não fosse pela cor de seus cabelos. – Onde você a conheceu? O que ela te ensinou? O que você aprendeu? – Até mesmo a voz da garota soava ameaçadora, o oposto de sua personalidade normal. Sem perceber, o garoto começou a recuar em direção à parede, sentindo na pele o que seu melhor amigo em Xigaze deveria ter sentido nas últimas semanas. Ele realmente estava com pena de Len naquele momento.

- Uma nova colega de aula. Ela luta beyblade e nós a desafiamos no torneio de Xangai. – O mestre de Fenku deixou o corpo escorregar pelo chão ao ouvir a voz do irmão. Ao que parecia, Vladmir já tinha se divertido o suficiente vendo o garoto ser torturado pela namorada e estava pronto para vir em seu socorro. – Toshihiro perdeu pra ela na final, mas pelo visto aprendeu alguma coisa no meio de tudo aquilo.

- O Toshihiro... perdeu? – A confusão causada pela resposta impensada foi imediatamente esquecida com a nova revelação. Não somente Rumiko, mas todos os beybladers presentes no quarto soltaram exclamações agudas e ininteligíveis, se aproximando do chinês como se ele fosse uma criatura alienígena. – Perdeu mesmo? Assim... assim como em... derrotado, esmagado, humilhado, vencido, superado, desclassificado, aniquilado, destituído, destruído e dominado?

- Exatamente. – Respondeu o russo, com os olhos fechados e um sorriso que lembrava vagamente o de Lin. – Tudo isso e mais um pouco, eu deveria dizer, Lin não deu nenhuma chance a ele...

- Obrigado por ser tão direto, Vladmir... – Sussurrou Toshihiro, sentido suas bochechas e orelhas esquentarem com a atenção recebida. Todos os olhares estavam voltados para ele agora, e a sensação de alívio pela intromissão anterior do irmão há muito desaparecera.

- Nossa... então essa garota deve ser mesmo muito forte! – Exclamou Ken, o primeiro a perder o interesse na cara de idiota que o companheiro de time estava fazendo no momento. – Se você ficou tão forte assim e ainda assim ela conseguiu ganhar, ela deve ter um poder imenso! Gostaria de poder conhecê-la...

Toshihiro quase deixou escapar a informação de que Lin estava em Tóquio também, mas conseguiu se segurar bem a tempo. Se não podiam revelar o real motivo da visita, também não deveriam mencionar a presença dela na cidade. Os dois irmãos trocaram um olhar significativo antes de mudar de assunto, propondo uma luta entre Vladmir e Isaac como uma revanche por seus irmãos.

Por mais que Ken, Rumiko, Satsuki e até mesmo Nathaliya estivessem torcendo para o russo de cabelos verdes, ele nada pôde fazer contra o poder combinado de Castil e Vladmir. Mesmo não tendo enfrentado Lin diretamente, o russo também havia aprendido alguma coisa com suas lutas, ajudado pelo fato de sua ligação com o morcego ser naturalmente mais forte.

- Droga, vocês dois ficaram mesmo bem fortes... – Admitiu Isaac, recuperando Comulk do fundo da arena. – Me pergunto qual dos dois venceria em um combate direto...

Toshihiro e Vladmir novamente se entreolharam antes de o russo responder:

- Até agora, a maioria de nossos confrotos terminou com a minha vitória. Na verdade, nos últimos três meses ele só ganhou de mim uma única vez...

- ... Na semifinal do torneio de Xangai. – Completou o chinês, sorrindo com a lembrança enquanto passava seu braço pelos ombros do irmão, praticamente pulando em cima deste. – Pois é, né... De que adianta ganhar todas as batalhas preliminares se no grande confronto decisivo você entrega o ouro?

- Me parece que vocês tiveram muitas oportunidades de se enfrentar nestes últimos meses, não é mesmo? – Perguntou Nathaliya, observando com interesse o comportamento dos irmãos.

- É, digamos que sim... – Vladmir concordou, um pouco sem jeito. As lembranças de seu último aniversário voltaram e ele sentiu-se grato por ter realmente vencido os fantasmas do passado.

- Então que tal um desafio em dupla agora? – Perguntaram Ken e Isaac ao mesmo tempo, sorrindo em posições idênticas de desafio. Quando seus oponentes concordaram, os "gêmeos" sorriram ainda mais. Mesmo que Toshihiro e Vladmir fossem mais fortes individualmente, eles duvidavam que alguém pudesse vencê-los no confronto dois a dois. Seu entrosamento estava ainda mais afiado do que no começo do ano, praticamente cinco meses de treino haviam se passado desde então. Ken e Isaac passavam mais tempo treinando juntos do que se desafiando, razão pela qual sua sincronia era tão afiada.

O terceiro confronto do quarteto terminou tão rápido quanto os dois primeiros, porém com um resultado um pouco diferente. Ken e Isaac dominaram o confronto desde o começo, confundindo seus oponentes com movimentos perfeitamente sincronizados. Fenorchi passou a maior parte do tempo focado em Castil, enquanto Comulk cuidava para que Fenku não pudesse ajudar o morcego. Gelo e fogo eram dois opostos que se combinavam muito bem ao comando de seus mestres, que encerraram a curta batalha com sua técnica especial, desenvolvida ainda na Rússia:

- Twin Byte!

- É, vocês realmente são bons nisso. – Comentou Vladmir depois de buscar sua beyblade em cima do armário. – Sua técnica está ainda mais impressionante.

- Vocês vão ver, eu e o Vova vamos treinar mais daqui pra frente pra derrotar vocês completamente da próxima vez! – Exclamou Toshihiro, desistindo por hora de pensar em como fazer para tirar sua beyblade de trás do pesado gaveteiro. Tanto a sua beyblade quanto a de seu irmão forma atiradas longe com o ataque de seus adversários.

- Nós vamos esperar para ver. – Foi a resposta dos outros "gêmeos", ainda em sicronia.

Horas ainda se passariam antes que o grupo finalmente se separasse, já tarde da noite. Rumiko, Nathaliya e Satsuki voltaram para suas casas enquanto Toshihiro e Vladmir faziam seu caminho de volta para o hotel. Depois das lutas, o nome de Lin não foi novamente mencionado, razão pela qual a pontinha de reconhecimento na mente de Satsuki ao ouvir o nome da garota não apitou novamente naquele dia. Quando Shinji contara sua história, mencionara o nome de seus melhores amigos, entre eles uma garota com o mesmo nome. Como a loira CDF não tinha nenhuma descrição de nenhuma das duas Lins, no entanto, ela preferiu concluir que tudo não passava de coincidência, ainda mais considerando que os amigos de Shinji muito provavelmente havia sofrido o mesmo destino de seu pai.


Shinji não compareceu à escola na sexta-feira e no sábado, deixando seus colegas preocupados. Quando Rumiko telefonou para ele atrás de notícias, o garoto respondeu apenas que não estava se sentindo muito bem e que logo estaria de volta. A japonesa se contentou com esta explicação e não encomodou mais, esperando que o colega voltasse na segunda-feira seguinte com se nada tivesse acontecido.

Assim que desligou o telefone, no entanto, a expressão tranqüila de Shinji mudou para uma apreensiva. Já fazia algum tempo que ele ouvia sons suspeitos do lado de fora de seu quarto, além da sensação de estar sendo observado tornar-se cada vez mais constante. O garoto de Hokkaidou, imaginando se tratarem de um grupo de mercenários contratados por Ryuma Watanabe para espioná-lo, decidiu parar de ir à escola, não querendo expôr seus amigos a um potencial ataque surpresa. A mentira que contara a Rumiko, no entanto, o forçava a aparecer por bem ou por mal na próxima aula, ou a preocupação da garota poderia trazê-la de encontro aos supostos mercenários.

Do lado de fora do templo, Osamu e Kazuo sorriam ao ouvir a desculpa esfarrapada de seu líder covarde. Depois de passarem os dias colados em seu adversário explorando suas fraquezas, a dupla sabia com certeza que ele não estava doente, mas sim assustado. Se Shinji ainda fosse como costumava ser, provavelmente os teria descoberto ainda no primeiro dia, o que reforçava a sua idéia de que o mestre de Kid Dragoon não mais merecia a fera-bit que carregava.


A aula de segunda-feira começo como qualquer outra, com Zanxam-sensei repreendendo Rumiko e Ken por dormirem durante a aula, uma pequena tentativa de justificativa dos dois alunos e a ordem para que eles ficassem do lado de fora até o fim do período. O zelador do colégio, que normalmente passava pelo corredor das salas de aula do primeiro ano naquele horário a caminho do refeitório, já estava acostumado com a presença indefectível dos dois estudantes em pé, apoiados na parede, muitas vezes em um estado de semi-sonolência. O homem sempre os cumprimentava, porém nem sempre recebia resposta, já que muitas vezes a garota de longos cabelos castanhos e o garoto de franja bagunçada nem sequer mantinham os olhos abertos.

Na sala de aula:

- Agora que estamos no mês de maio, estamos encerrando nosso primeiro mês de aula. O período de adaptação de vocês ao novo sistema do Chuugako se encerra a partir de agora, por tanto não esperem que eu continue sendo boazinha daqui para frente. – Alguns alunos trocaram olhares nervosos. Se a Zanxam-sensei enérgica, durona e intolerante que conheciam até o momento era sua versão boazinha, nenhum deles se aventurava a pensar no que encontrariam daqui pra frente. – Muito bem, então. Para marcar o começo dos desafios do primeiro ano, quem gostaria de resumir para mim o período entre 1603 e 1870 na história do Japão?

Ninguém se surpreendeu quando Satsuki ergueu a mão:

- O ano 1603 marca o início da Era Edo, um dos períodos mais importantes da nossa história. A morte de Toyotomi Hideyoshi e ascensão de Ieyasu Tokugawa são os marcos que definem esta nova era, caracterizada pelo domínio do sistema de castas, o poder dos senhores feudais – chamados daimyôs – e da família Tokugawa principalmente, e do total isolamento do país em relação a outras nações. O contato com o estrangeiro foi proibido até meados dos anos 1850 do calendário ocidental, quando a pressão dos países europeus que viviam a primeira revolução industrial forçou alguns portos a se abrirem ao comércio internacional. Pouco tempo depois, o movimento conhecido como Restauração Meiji em 1868 derrubou os Tokugawa do poder e mudou o sistema de governo, abrindo finalmente o Japão para as novidades tecnológicas do ocidente.

Quando Satsuki terminou de falar, a maioria dos alunos ficou surpresa ao perceber a mão de mais alguém erguida no ar: Shinji também queria falar.

- Sim, Ueno-kun, tem algo mais que você gostaria de acrescentar? – Perguntou Zanxam-sensei, erguendo uma sobrancelha para o garoto. Shinji não gostumava falar em aula, a professora entendia que ele era tímido demais para tanto.

- Eu gostaria de acrescentar que, durante a Era Edo, os samurais a serviço de um daimyô era reconhecidos como guerreiros valorosos que prezavam a honra acima de tudo. A Restauraçaõ Meiji deixou muito destes samurais desesmpregados, pois o antigo sistema caiu e com a chegada das armas de fogo, espadas não eram mais necessárias. Muitos destes samurais optaram pelo suicídio ritual chamado seppuku para não perderem sua honra e abandonar a espada, porém houve casos de ex-samurais que não tiveram escolha a não ser continuar vivendo, sem honra ou qualquer outro pertence, de repente presos a uma dívida injusta...

Se a classe já estava impressionada com o fato de seu colega mais calado ter falado alguma coisa por livre e espontânia vontade – sem falar no conteúdo de tais palavras – todos ficaram ainda mais surpresos quando Shinji se levantou e saiu correndo da sala, desaparecendo no corredor graças a sua incrível velocidade.


Nem mesmo Ken e Rumiko perceberam a saída do colega, ocupados cochilando apoiados na parede. Shinji correu sem se preocupar para onde estava indo, procurando apenas escapar das lembranças de sua família e das histórias que seu avô contava sobre o porquê de os Kita no Ookami estarem em situação tão desfavorável. Quanto mais ele corria, porém, mas nítidas as lembranças se tornavam, mais a voz fraca de seu avô gritava que não havia saída e que qualquer rebelde seria aniquilado pelas forças do destino. O garoto de Hokkaidou correu tanto que logo estava fora dos domínios da escola, cruzando as ruas de Shibuya sem se preocupar com carros, pedestres, muros ou árvores.

Até seu corpo bater contra alguma coisa mole e peluda.

- Hey, Shinji, como tem passado? Se divertindo na nova vidinha fácil da cidade, eu suponho...

O garoto em questão caiu sentado com o impacto, um pouco atordoado. Ao procurar pelo objeto que o derrubara, viu-se diante do que parecia ser uma massa de pêlos acinzentados cobrindo os contornos de algo semelhante a um corpo magro, porém forte. Olhando para baixo, Shinji descobriu um par de pesadas botas de couro negro que cobriam em parte duas pernas maiores e mais poderosas do que se poderia esperar em alguém de seu tamanho. O dono das botas usava uma calça larga também cinza, presa por dentro das botas. Olhando mais para cima, para além do que ele descobrira ser um casaco de pele de lobo, estava um rosto que não imaginava jamais encontrar naquele lugar, naquelas circunstâncias:

- Osamu? É você mesmo?

Shinji não tentou se levantar, sabia que suas pernas não o segurariam se tentasse. O garoto a sua frente era sólido e real demais para ser uma alucinação, seus longos cabelos negros balançavam com a leve brisa primaveril enquanto seus alhos azuis-esverdeados o encaravam com uma energia difícil de descrever, mas que com ceteza não era nada amistosa. Havia uma curiosa mecha azulada no meio do conjunto negro, porém Shinji quase não a percebeu, ainda tomado pela surpresa.

- Quem você esperava, Watanabe-dono e um bando de assassinos sangüinários? – A voz de Osamu soou ácida, assim como seu olhar, confundindo Shinji, que primeiramente ficara feliz em rever um amigo que ele achava não fazer mais parte deste mundo.

- Bem... eu... – No meio de sua resposta, um estalo. – Era você que estava me seguindo nesses últimos dias?

- Haha, ao menos um pouco de cérebro você ainda tem... Será que eu deveria ficar feliz com isso? – Osamu agarrou Shinji pela gola do uniforme, erguendo-o do chão finalmente. Seus olhos ficaram no mesmo nível quando os pés do líder passaram a flutuar cinco centímetros acima do chão.

- O que... o que você... me solta, Osamu! – Sentido o olhar do companheiro cortá-lo como facas afiadas, Shinji tentou se libertar, sem sucesso. O mais velho dos dois sorriu ao perceber a diferença em suas forças. – Por que... por que isso tudo? O que você quer? – Shinji se debatia, chutava e socava o garoto que o prendia, porém Osamu continuava parado na mesma posição e com o mesmo olhar venoso.

- Kid Dragoon. – Respondeu ele apenas, aproximando o rosto de Shinji do seu de modo a praticamente encostar seu nariz no dele. – Você não merece mais o poder que tem, líder, está na hora de passá-lo adiante.

Dizendo isso, Osamu finalmente soltou Shinji, jogando-o de encontro com um muro próximo. O som das costas do menino se chocando contra a parede ecoou pela rua, podendo ser ouvido a uma distância considerável. Apesar do choque, o mestre de Kid Dragoon não perdeu a consciência, fixando seus olhos confusos no garoto que até pouco tempo atrás chamava de amigo.

- Por que...

- É melhor se preparar, Shinji Ueno. Os Kita no Ookami não vão descansar até recuperarem o que nos é de direito. Lute enquanto pode, fuja se for capaz, porque logo, logo, Kid Dragoon será nossa, e um traidor como você vai ser punido como merece.

Um garoto praticamente idêntico a Osamu, porém com os cabelos presos em um rabo de cavalo, surgiu das sombras e se colocou ao lado do irmão, encarando Shinji com profundo desprezo. Sem dizer qualquer outra coisa, os dois desapareceram novamente, correndo pelas ruas de Shibuya ainda mais rápido que o garoto que deixaram para trás. Nenhum dos dois ouviu o pedido feito em uma voz fraca e abalada:

- Por favor, me expliquem o que está acontecendo!


Shinji:
Oh, não... o.o

Ken: Mais drama... o.o'

Isaac: É impressão minha ou a gente está cada vez mais entrando em um enredo clichê de anime barato? n.x'

Osamu: Provavelmente não é impressão, afinal de contas nós vamos todos enfrentar o Shinji e vencê-lo, pegando Kid Dragoon e nos mandando da história, aproveitando que somos os vilões da vez...

Kazuo: É, somos os vilões... sabe que eu até gosto deste papel? (olhar sugestivo)

Vladmir: Vocês não deviam. Ser vilão não é legal. Ser vilão te deixa com tendências dramáticas e vontade de fazer um capítulo de 20 páginas pra resolver essas tendências. u.ú

Lin: Mas sem vilões, não tem história. É até bom saber que o andamento da drama depende de mim e das minhas ações. Esse lado de ser uma antagonista é até bem interessante...

Ann: Eu concordo. Sabe que é uma boa idéia... me fazer de vilã para condizir os rumos da história... eu sempre quis fazer isso! MWAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!! n.n

Osamu e Kazuo: Nós queremos fazer isso também! (Falando juntos em sincronia perfeita)

Ken e Isaac: E nós também! (Sincronia perfeita só pra imitar os outros gêmeos)

Lin: Ai, ai... não sei porque, mas eu não estou gostando nada dessa situação...

(Corta a cena)

(Volta pro close no castelo escuro e sombrio)

(Dentro do castelo a Ann no trono vestida de rainha com um boneco de pano arrebentado no lugar do rei)

(Gêmeos dois de cada lado da Ann fazendo pose de soldado importante)

(Chega o Shinji vesti...

Kazuo: Ah, o Shinji não!

Osamu: Eu protesto! Nosso líder patético e covarde não merece a honra de aparecer na bobagem nossa de cada dia!

Shinji: Que seja...

(Shinji some como se nada tivesse acontecido)

(Chega o Koichi vest...

Ken: Agora eu é que sou contra! A próxima aparição dele está prevista pra daqui a muuuuitos capítulos!

Isaac: É, isso mesmo! Se o Shinji não pode, o Koichi também não pode!

Koichi: ¬¬''

(Koichi some como se nada tivesse acontecido)

(Pois então dêem uma sugestão pra mensageiro, eu não quero perder meu tempo escrevendo nomes que vão ser regeitados)

Ann: Oh, as frases entre parênteses estão falando conosco de novo! Bem, se é assim que elas querem.. eu como vilã da história vou decidir o mensageiro, afinal são as minhas ações maléficas que vão determinar o rumo da besteira de hoje! MWAHAHAHAHAHA!!! ò.ó

Gêmeos: Escolhe logo, a gente tá perdendo tempo!

Ann: Só pra deixar claro, quem manda aqui sou eu. Meu mensageiro hoje vai ser... Oh, sim, o Toshihiro!

Toshihiro: Eu? Por que eu? O.õ

Ann: Porque a sua trança é ótima pra guardar mensagens em código!

(Ann escrevendo uma mensagem em código na trança do Toshihiro)

Ann: Agora vá até o castelo do rei bonzinho e entregue este bilhete a ele!

(No castelo do Rei bonzinho)

Rei bonzinho: Oh, uma mensagem em código da rainha má! Pena que eu não sei ler mensagens em código, eu sou um rei muito bonzinho, mas estupidamente incompetente... Ah, Vladmir, leia a mensagem pra mim!

(Vladmir pega a trança do Toshihiro e começa a traduzir a mensagem em código)

Vladmir: Oh, Rei bonzinho, a rainha má disse que a próxima ação dela para determinar os rumos da história vai ser atacar o nosso belo e pacífico reino cliché com seus soldados gêmeos e exército de gente ruim! O que faremos?

Rei bonzinho: Oh, é simples... Vamos contra-atacar com um plano que impeça a rainha má de controlar os rumos da história com suas maldades! Vamos chamar o James!

(Aparece o James vestindo pijamas com óculos tortos, cabelos (mais) dessarrumados e cara de sono)

James: Yo, vossa excelência rei bonzinho chamou?

Rei bonzinho: Eu quero que você mude a personalidade da rainha má para ela deixar de ser má e o mundo ficar em paz. Faça isso e eu vou te dar o posto de conselheiro do rei bonzinho.

James: Mas vossa majestade, se eu tornar a rainha má um rainha boa, eu ou ter que tornar o rei bonzinho um rei malvadinho para manter o balanço entre o bem e o mal necessário para o equilíbrio do mundo e da faixa na testa da Lin! Eu vou ter que torná-lo um ser sanguinário e sem sentimentos, um homem que não se importa com os outros, só com ele mesmo! Você quer mesmo que eu faça isso?

Rei bonzinho: Se é para salvar a rainha má e fazer aqueles gêmeos me aceitarem como líder novamente, eu faço qualquer coisa...

Rumiko: (aparece do nada só pra encher linguiça) Hey, por que a gente ainda não sabe qual é a identidade do rei bonzinho?

Nathaliya: Porque ele acabou de estragar o suspense com a última frase que ele falou como rei bonzinho. Como o James já está obedecendo as ordens dele (close no James usando sua imaginação de escritor demente pra mudar as personalidades da rainha má e do rei bonzinho), temo que nosso rei seja agora o...

Rei malvadinho: Ah, que sacanagem! Só porque eu tenho 1,50m o James tá me tirando pra Malvadinho! Ele vai ser só o "malvadinho" quando eu terminar com ele...

(Olhar sinistro do rei malvadinho em direção ao James)

(James já evaporou da face do off-talk há muito tempo usando seus instintos de auto-preservação)

Rei malvadinho: Bem, agora eu é que controlo a história! Eu vou fazer as minhas ações decidirem o rumo do mundo, vou dominar tudo com a minha maldade sem limites e vou fazer os gêmeos pagarem pelo que aconteceu no capítulo de hoje!

Osamu e Kazuo: Ora, ora, o rei malvadinho está irritado hoje!

Osamu: Me pergunto o que aconteceu...

Kazuo: Ele deve ter tido um senhor pesadelo...

Osamu e Kazuo: Um pesadelo envolvendo dois beybladers idênticos e muito fortes, incrivelmente rápidos e corajosos, tudo que o rei malvadinho não é!

Lin: Eu sabia que eu não ia gostar disso... u.u

Ann: Ah, agora eu sou uma rainha boa! XD Eu devo ser simpática e ajudar a todos... Mas no momento...

(Ann com dor na barriga)

Ann: No momento eu vou pedir para meus súditos procurarem o tal James... porque a única maneira que ele encontrou de me tornar boazinha de novo foi me deixando com cóóóóóóóólicas... x-x

John: Oh, não! Nossa rainha boa desmaiou! E agora? Nosso rei é um boneco de pano e nós ficamos completamente indefesos em um ataque das forças do mal! O que faremos?

Satsuki: Simples... nos deixamos ser aniquilados... ai pelo menos no off-talk fugimos do cliché do bem vencendo o mal...

John: A idéia seria boa se a gente estivesse do lado mal...

(Rei malvadinho invadindo o castelo da rainha boa com o exército ainda bonzinho dele)

Satsuki: Oh, é mesmo! O exército do rei malvadinho ainda é bonzinho, então há uma esperança de nós cairmos no cliché novamente, meus amigos!

Exército da rainha boa: OBA! Cliché!

Vladmir: Ué, mas se o exército do rei mauzinho é bom, então o exército da rainha boa tem que ser mau, não? u.ú

Satsuki: Oh, é... então nós somos os malvados sobre o comando da rainha boa e vamos enfrentar os bonzinhos comandados pelo rei mauzinho... O.o

Takashi: Alguma coisa aqui não está fazendo muito sentido hoje...

Ken: Oh, sério? Não me diga...

Isaac: No dia que alguma coisa fizer sentido, não será mais off-talk...

Takashi: Ainda assim... Eu tenho um mau pressentimento...

(Pressentimento do Takashi: O mundo NÃO vai acabar no fim do off-talk)

(musiquinha de suspense)

Rumiko: Oh, não! Se o pressentimento do Takashi for verdadeiro, o que vai ser da tradição do off-talk? O que vai ser do fim indefectível de nossas aventuras absurdas? Como fazer se não destruirmos o mundo no off-talk? O que vamos...

James: (de volta com toda a pompa) Oh, é simples... Eu ia deixar isso para o fim do off-talk, mas como já estamos chegando lá mesmo...

Nòs não vamos destruir o mundo no off-talk hoje. Semana passada, enquanto eu passei dia após dia mergulho em um mar de lenços de papel sujos com meus fluidos interiores por culpa de uma gripe tenebrosa, eu passei a ver o mundo de outra forma! Eu vi a luz! Eu vi o mundo com outros olhos, uma vez que meus outros sentidos se aguçaram com a perda do olfato! Eu sei a resposta para nossos problemas, eu sei!

Yoshiyuki: Ele está mesmo fora da casinha. Internem ele. Vai fazer bem. o.o

(Passam os caras do hospício e levam o James embora)

Yoshiyuki: Ai, ai... tchau pra vocês... o.o

(Yoshiyuki também some)

Rumiko: Faremos o que agora?

Satsuki: Vamos perguntar para as pessoas se elas preferem um final feliz bem-vence-o-mal no off-talk ou se elas querem que os malvados vençam no fim. Simples. n.n

Lin: Mas quem seriam os malvados? O exército ou o rei?

Satsuki: Boa pergunta... eles que decidam, eu definitivamente não estou no humor pra decidir esses assuntos triviais...

(Satsuki some)

Lin: Já que está todo mundo sumindo, acho que vou aproveitar a onda...

(Lin some)

(Personagens somem um a um até só sobrar o Takashi)

Takashi: Ah, então é por isso que a gente não ia destruir o mundo hoje... tá explicado...

Me sinto melhor agora.

Fui.

(Some)

OWARI – non-sense continua na próxima semana quando a gente souber com certeza quem é bonzinho e quem é malvado no off-talk.