Takashi: Aha! Estamos de volta! Estamos de volta! Achei que esse dia nunca chegaria! (Olhinhos brilhando)
Wlliam: Jamie não esqueceu da gente! Jamie não esqueceu da gente depois de três semanas! (Olhinhos muito grandes brilhando)
John: É o milagre de páscoa! É o milagre de páscoa! (Olhinhos brilhando)
(Close no grupo de beybladers comendo ovos de chocolate sentados em um círculo em volta de um Yoshiyuki feliz vestido de Imperador)
Imperador Yoshiyuki: Só porque hoje é páscoa e eu posso passar o dia comendo chocolate, o Jamie me liberou da minha depressão crônica pós-derrota! XDDDDD (Olhinhos brilhando e cara lambuzada)
Lhana: (Ao lado do Yoshiyuki vestida de princesa) Jeimi-chan demoro tanto pra aparecer que o aniversário da Lhana já passou e ninguém viu! XD (Fazendo carinha triste mesmo com o 'XD')
Toshihiro: Oh, não, coitada da Lhana! Nós temos que comemorar o terceiro aniversário dela de uma maneira especial!
(Toshihiro liderando os Blue Fish na montagem de um cenário de festa de criança)
Julian: Se vão comemorar o aniversário da Lhana, tem que comemorar o meu aniversário também. Eu fiz 16 anos no dia 9 e ninguém prestou atenção. u.ú
Jing Mei: Ara, ara, é porque você ainda é um novato, e ninguém nunca presta atenção nos novatos. n.n'
Julian: Você também é novata, apareceu só um capítulo antes de mim. O.O'
Jing Mei: Mas quando o meu aniversário chegar, eu já vou ser definitivamente parte do elenco, e vou ter muitos fãs também!
Satsuki: Humpf, tá mais pra quem vai ser odiada... ¬¬''
Jing Mei: Diga o que quiser, eu sei que é invejinha porque você tem quase 17 anos e ainda é uma tábua! MWAhahahhahaha!!
(Jing Mei e Satsuki se encarando)
(Satsuki encarando a Jing Mei com cara de ódio)
(Satsuki correndo até o Koichi gritando coisas que ninguém entende, mas que com certeza tem a ver com 'tábuas' e 'gosto' e 'melhor namorado')
Jing Mei: (Olhar triunfante)
Shinji: Já repararam que des de que essa garota apareceu na história ela tem roubado a cena em todos os off-talks? O.õ
Takashi: Já repararam que desde que a NOSSA parte da história começou, as invasões de persongens nada a ver com a gente aumentaram consideravelmente? O.õ
Ken: Ora, Takashi, isso é porque uma história sem mim não tem graça, eu preciso aparecer e invadir pra manter a qualidade da fic!
Takashi: Manter a qualidade da fic baixa, você quer dizer...
(Ken e Takashi se encarando)
(Ken e Takashi continuam se encarando)
(Todo mundo ignora o Ken e o Takashi se encarando e voltam a comer chocolate)
Ann: E Julian, você não pode reclamar de ninguém ter lembrado do seu aniversário, o Jamie já até postou uma fic pra você...
(Interrompemos este off-talk para um anúncio de propaganda gratuito que sem fins lucrativos que só custa o tempo dos leitores e visa fazer o número de reviews da Série Aniversários aumentar mais um pouquinho)
(Musiquinha feliz de filme Tokusatsu tocando no fundo)
(Aparecem os WATB e o Julian cantando)
Coro: No caminho da justiça, meu coração vai me guiar! Através do tempo e do espaço, na batalha eu vou triunfar!
Solo do Julian: Não importa quem seja o inimigo, o mais forte eu não vou temer! Quando lembro de você, eu tenho coragem de vencer!
Solo do Takashi: No final eu sei que vou sorrir!
Coro de novo: No final eu sei que vou... sorrir! XDD
Emy: Só pra ninguém vir pra cima da gente cobrando direitos autorais, a música apareceu no episódio "Um sonho de Dez Verões" dos Combo Rangers Revolution. Quem sabe quem são eles já podem ter uma idéia do que vai acontecer na fic do Julian, quem não sabe, melhor pesquisar na internet. n.n
(Close no monstro em forma de privada destruindo a cidade)
Monstro Privada: MWAHAHAHAHA, eu vou destruir a cidade e ninguém poderá comigo!
(Toca musiquinha de ação no fundo)
Voz vagamente familiar: Parado aí, cabeça de banheiro!
Monstro Privada: Quem disse isso?
(Corta a cena)
(Aparecem o Takashi e o Julian vestido uma roupa ridícula falando com voz de criancinha besta)
Takashi: Quem disse isso? Quem vai salvar a cidade do monstro privada? Por que o Jamie teve que criar um outro AU pra gente? Por que sou eu que estou fazendo as perguntas se a fic é do Julian? E quem é o grande vilão da vez?
Julian: Tudo isso e muito mais você vai saber em "Em nome do Amor e da Justiça!", já disponível em Beyblade 2 – Série aniversários.
(Fim do comercial)
(Beybladers aplaudindo educadamente apesar de acharem que o comercial gratuíto foi uma porcaria)
Franklin: É por isso que eu sempre desconfio dessas merdas que oferecem de graça. ¬¬'''
Takashi: (Com uma roupa normal) Ah, eu até gostei da roupa ridicula. Ajuda a auto-estima.
Ken: Como é que vestir uma roupa ridícula ajuda na auto-estima? O.õ
Takashi: Ajuda porque eu crio consciência de que existem seres muito mais ridículos do que eu, capazes de criar uma roupa tão ridícula. u.u
Ken: Ah...
Ann: Ótimo. Agora que todo mundo invadiu e a gente já comemorou que o Jamie terminou os trabalhos da escola e pode voltar a dar atenção pra gente, VÃO TODOS EMBORA DAQUI!! Ò.Ó (Olhar assassino da Ann Willians)
Ken: Opa, acho que agora é a hora da gente se mandar...
(Personagens que invadiram somem em uma nuvem de fumaça)
Ann: Ah, agora está melhor. Temos o off-talk só pra gente de novo...
John: Na verdade, Ann, não foram todos que foram embora... O pessoal de Xigaze que estava preparando a festinha da Lhana ainda está por aqui..
(Close no cantinho escrito "Espaço reservado para a festa da Lhana" com todo o núcleo de Xigaze presente)
William: Oba, festa! Vamos todos nos juntar a eles!
Julian: Mas não é justo a gente se juntar a uma festa que não fomos convidados, a justiça...
Todos: Blébléblé Justiça... (mostrando a língua pro discurso do Julian)
(Julian fica depressivo porque todo mundo faz piada com os discursos dele e vai se consolar com a Lhana e os outros bebês e criaturas fofinhas comendo chocolate de páscoa)
Lhana: Oh, tadinhu do Julian! XD Ninguém escuta ele! XD (Lambuzada de chocolate)
Hikaru: Vamo brincá, Julian? (Lambuzado mais do que Lhana)
Julian: Brincar de que? (Parando de choramingar pra ouvir os bebês)
Hikaru: Vamos brincá de Justiceiros! Eu e a Momoko-chan e a Lhana-chan vamo se o monstro feio, e o Julian-chan vai matá a gente com raio de chocolate! XDD
(Lhana, Momoko e Hikaru pedindo pro Julian brincar com eles)
Julian: Tá bom, tá bom...
(Julian e os bebês brincando pelo off-talk)
(Hehashiro e Lily preocupados vigiando a Lhana)
(Hehashiro e Lily passam tempo demais vigiando a Lhana e decidem que seu tempo pode ser melhor aproveitado se eles fizerem outro anúncio gratuito)
Hehashiro: Se vocês quiserem saber como foi que a nossa querida menininha veio ao mundo, então a sua espera não vai durar muito!
Lily: Assim que o James receber bastate reviews para esse capítulo, para a fic do Julian e para a fic do Shinji, ele vai colocar no ar tudo que os leitores querem saber sobre como a nossa linda filhinha nasceu e tudo que aconteceu logo antes e depois disso!
Toshihiro: Então não percam tempo e mandem um review assim que terminarem de ler, depois vão lá ler a fic do Julian e deixem um review também!
Vladmir: E agora que nós finalmente terminamos com os anúncios de propaganda idiota, vamos logo começar o capítulo antes que a Terra exploda.
CAPÍTULO XVIII
MAU PRESSÁGIO
Com a chegada de Ann e John a Wellington, os WATB tornaram-se uma equipe novamente. Ansiosos para começar a treinar, Emy e William aparecem na casa de sua professora às seis e meia da manhã com as beyblades prontas para o combate, deixando Keiko muito satisfeita com a motivação de seus alunos. A mestra já tinha preparado um confronto em duplas para ver o quanto o líder e a vice-líder da equipe neozelandesa havam progredido quando Takashi apareceu na sala de treinamento com um sorriso estranho nos lábios. Desconfiado do que seu filho poderia estar tramando, a mulher usou de sua voz mais doce ao perguntar:
- Takashi, o que te trás tão cedo para a sala de treinamento?
O sorriso de seu filho se apliou enquanto ele respondia:
- Eu vim enfrentar o William e fazer ele engolir as coisas que ele disse pra mim nas nossas últimas lutas!
- Ah, é? – Ao ouvir seu nome sendo mencionado, William se aproximou do garotinho, já preparando Tanka. Seu sorriso revelava que ele tinha toda a intenção de fazer nesta nova luta tudo que sempre fazia ao enfrentar Takashi. – Eu não sei o que te aconteceu pra você mudar tanto do dia pra noite, mas como eu sou um cara legal que não recusa desafios, vou fazer a sua vontade.
- É melhor não me subestimar...
Ao ver a determinação do filho, Keiko achou melhor não intervir e aproveitar o desvio em seus planos para recolher novos dados e fazer novas análises. Ann se prontificou para ser a juíza no confronto inesperado enquanto Emy e John se acomadavam ao lado da arena para assistir.
- Preparem suas beyblades! – Ordenou Ann, cheia de autoridade. Takashi encarou o oponente. William tinha um sorriso sinistro no rosto, não percebendo a mudança de atitude do adversário como um sinal de perigo. – Começem quando eu der a ordem! Três, dois, um, GO SHOOT!
Para esta luta especial Takashi estava usando sua beyblade especial, montada por sua equipe como uma lembrança do campeonato antes de eles se separarem alguns meses antes. A base desta beyblade pertencera a Koichi, o anel de ataque, a Toshihiro, o disco de peso, a Ken, e sistema central que mantinha todas as peças juntas fora de Rumiko. Satsuki fizera um desenho no bit-chip, um walkman em homenagem a Fran. Sendo esta uma beyblade formada a partir das beyblades mais poderosas, em teoria ela deveria ter herdado um pouco deste poder.
Confiante, Takashi lançou o primeiro ataque. Todos ao redor se surpreenderam quando as lições ensinadas por Julian se confirmaram na arena, com Tanka passando a centímetros de sair do jogo nesta única investida. Orgulho foi a única coisa que impediu William de deixar sua boca pendendo solta por mais do que dois segundos.
- Eu avisei que era melhor não me subestimar! Eu não sou mais o Takashi que você podia humiliar à vontade com a sua fera-bit fofinha, William! – Exclamou o chinesinho, feliz com a sensação de ser um vencedor para variar. – Eu aprendi o verdadeiro significado da força, e por isso agora eu acredito que até mesmo você pode cair diante dos meus pés!
- Hey, não tão rápido! A luta está só no começo, Takashi! – Retrucou William, mandando Tanka atacar. Foi a vez da beyblade de Takashi ficar com problemas. – Eu não sei o que te possuiu para você achar que realmente pode contra mim, e por causa disso eu vou ter um prazer especial em ganhar dessa vez!
- Ganhar sempre não significa que você é mais forte, sabia? – Takashi observou com prazer a expressão de seu adversário se contorcer em dúvida. Parte da razão de ser deste desafio era, afinal, repassar as palavras de Julian para que seus amigos ficassem confusos e o admirassem pela sua sabedoria.
- Que ridículo! Que argumento sem fundamento é esse? – Perguntou William, esqucendo-se temporariamente da luta para tentar raciocinar perante uma frase tão absurda. – Claro que quem ganha é mais forte!
- Ganhar sempre não significa ser o mais forte, assim como perder sempre não significa que você seja mais fraco. – Repetiu Takashi, sentindo-se na pele de um professor de primário que repete a mesma lição várias vezes para que seus alunos idiotas possam entender. – Uma pessoa só é verdadeiramente forte ao reconhecer a verdadeira força...
- Acho que a perspectiva de ser humilhantemente derrotado finalmente mexeu com seu cérebro... Você tá mais afetado que o normal... – Declarou William, interrompendo o amigo enquanto voltando a observar as beyblades. – Eu vou acabar com isso agora! Tanka, ataque Kind Squirrel1!
Ao ouvir que o ataque da fera-bit se aproximava, Takashi fechou os olhos, concentrado. Era hora de testar as palavras de seu novo amigo, de ver até onde sua confiança poderia levá-lo. O ataque do esquilo acertou sua beyblade em cheio, porém o chinesinho não considerou em nenhum momento a possibilidade de ser derrotado. Quando o efeito do golpe passou, ele era o único a sorrir em meio a um mar de expressões de assombro, surpresa e incredulidade.
- Hey, como você fez isso? – Perguntou William, se recusando a acreditar no que estava vendo. – Era pra Tanka ter te mandado longe!
- Eu te disse! Agora que eu sei o que a verdadeira força significa, eu não tenho mais limites! – Exclamou Takashi, sentindo seu sangue ferver com a possibilidade da vitória cada vez mais real. – Eu posso fazer o que eu quiser! Eu posso ser o que eu quiser, eu posso...
Keiko foi a primeira a socorrer o filho quando este caiu para trás, adormecido, ao mesmo tempo em que na arena sua beyblade entregava os pontos. Surpresos, os WATB ajudaram a mulher a levar o garotinho para sua cama, onde ele permaneceu por algumas horas, dormindo e provavelmente tendo sonhos muito bons, já que havia um sorriso em seus lábios quando ele agarrou seu ursinho de pelúcia favorito e se acomodou embaixo das cobertas.
Uma vez que Takashi estavam em segurança em seu quarto, os WATB e Keiko voltaram para a sala de treinamento discutindo a luta que acabara de acontecer. Estavam todos impressionados, embora William tentasse dizer o contrário:
- Bem, no fim eu ganhei de novo! Ele falou, falou, mas ainda falta muito pra ele poder realmente me vencer! – O mestre de Tanka abriu um grande sorriso, falando em uma voz mais aguda em uma velocidade mais rápida do que o normal, sinal de que não estava sendo muito sincero em sua opinião.
- O Takashi não perdeu. – Retrucou Ann, usando sua voz firme para evitar que alguém a interrompesse. – Ele só ficou cansado com o esforço de resistir a Tanka. Se a luta tivesse continuado, se Takashi estivesse mais preparado e tivesse um pouco mais de treino, nós não poderíamos dizer quem seria o vencedor. Eu tenho certeza.
Os demais WATB se entreolharam, concordando com sua vice-líder. Ann falara exatamente o que estava na mente de seus companheiros desde que o chinesinho caíra para trás no meio de seu discurso. Era impressionante o quanto apenas um dia fora de casa mudara tanto o garotinho. William ainda passou algum tempo tentando entender o que seu amiguinho queria dizer com "verdadeira força", porém desistiu de pensar sobre o assunto quando sentiu seus neurônios começando a torrar. Uma vez na sala de treino, Keiko chamou seus alunos para começar a luta em duplas, seguindo com o cronograma planejado para aquele dia:
- Se preparem. – Ordenou Keiko, ligando todas as máquinas acopladas à arena. Precisava de toda a ajuda possível ao calcular o novo poder de Ann e John Willians, afinal. – Três, dois, um, Go Shoot!
Emy, William e Keiko não precisaram esperar a luta começar para se impressionar com os gêmeos: na hora de lançar as beyblades eles fizeram uma coreografia ensaiada, coreografia essa que terminava com Ann puxando a correa de John e John, a de Ann. Seus movimentos aconteciam em perfeita sincronia, e em perfeita sincronia suas beyblades passaram a se mover na arena. Enquanto William e Emy lutavam para tentar combinar uma jogada, Takk e Takuki não tiveram dificuldades em coordenar seus movimentos. As duas feras-bit cercaram Tauik e a empurraram em direção a Tanka. Não somente os movimentos ofensivos do diabo da tasmânia e do coala eram idênticos, mas também seus movimentos evasivos. Ann e John não se falavam, apenas se olhavam, deixando Keiko maravilhada com sua performance. A mestra não se lembrava de tê-los visto trabalhando tão bem juntos durante o último campeonato mundial. Quando William tentou utilisar o ataque Kind Squirrel, os gêmeos já sabiam o que fazer, pois havia decifrado o padrão da técnica durante a luta de Takashi. Em uma questão de segundos, Takk já havia contra-atacando, atacando mais um pouco e recuado para junto do coala, ficando em cima deste. Os gêmeos preparavam seu golpe final.
- Arremesso Sísmico! – Gritaram os dois ao mesmo tempo, enquanto Takk era arremessado na direção de Tauik. Emy foi pega de surpresa e sua beyblade por muito pouco não saiu da arena. Antes que a dupla de neozelandeses pudesse se recuperar, Takk passou a servir de trampolim para que Takuki pudesse atacar Tanka. Fim da luta. Ann e John estavam definitivamente muito mais fortes e muito mais unidos. Ninguém se surpreenderia se eles novamente ganhassem o torneio da Nova Zelândia.
- Excelente, garotos! Excelente! Estão de parabéns, os quatro! – Exclamou Keiko, maravilhada com os números que piscavam diante dela na tela do supercomputador. – Quando vocês disseram que tinham treinado bastante, não imaginei que tivessem fortalecido justamente a parte que tinham mais dificuldade! Agora tenho que obrigar William e Emy a dobrar o treinamento, para ver se o desafio se torna maior!
O líder e a vice-líder dos WATB coraram levemente com o elogio, enquanto William e Emy tentavam não imaginar o tormento que seria treinar duas vezes mais do que eles já treinavam. Por mais que eles gostassem de beyblade, a perspectiva de ter que passar dez horas trancafiados em uma sala cheia de máquinas em companhia de uma professora excepcionalmente exigente não lhes parecia animadora.
Já haviam se passado duas semanas desde a chegada de Ann e John a Auckland. A rotina de Takashi não havia se alterado muito, a não ser por um detalhe: seu despertador não era mais o beijo de sua mãe, mas sim os gritos histéricos de Ann. Isso acontecia não porque a garota tinha pesadelos horríveis todas as noites ou porque sua natureza maléfica gostava de ver seus companheiros feio zumbis no treino da manhã, mas sim porque seu querido irmãozinho tinha um sono muito pesado e ela considerava seu dever de irmã três minutos mais velha acordá-lo na hora certa. Não era problema seu se todos na casa tinham que sofrer com seu senso de responsabilidade. As últimas duas semanas haviam sido consideravelmente difíceis de agüentar neste aspecto, por isso Takashi não reclamou quando, em uma segunda-feira, eram oito e meia da manhã e ele ainda permanecia na cama. Só percebeu um pouco tarde que isso deveria significar que alguma coisa estava errada.
Keiko, depois de muito tempo, acordou seu filho com um beijo. Não um beijo amoroso e doce de uma mãe feliz e despreocupada, mas sim um beijo de uma mãe preocupada e aflita. Takashi logo percebeu a mudança de atitude da mulher, preocupando-se também:
- O que houve, mãe? – Perguntou ele, observando sua mãe abrir a cortina do quarto com mais força do que o normal.
- Ann. – Respondeu a mulher, suspirando. – Ela está com cólicas de novo. Com o campeonato começando daqui a dois dias, eu temo que sua participação fique comprometida.
- Ah, não!
Os olhos de Takashi se arregalaram. Era pior que ele podia imaginar, embora um tanto óbvio. Claro, todo começo de mês Ann ficava menstruada. Mesmo ainda não entendendo muito bem o que isso significava, ele sabia que esses eram períodos terrivelmente doloridos para a garota, que ficava de cama por pelo menos uma semana sem forças para se levantar. A única coisa boa desses períodos era que a personalidade facilmente irritável e impiedosa da garota sumia completamente, deixando uma Ann calma e amigável em seu lugar.
Enquanto Keiko terminava de resmungar sobre a sorte de sua aluna favorita, Takashi rapidamente se vestiu e saiu do quarto, andando rápido na direção do quarto de hóspedes que o gêmeos ocupavam. O chinesinho abriu a porta sem bater, encontrando Ann conversando com seu irmão deitada na cama. Ela parecia cansada, e John tinha todos os traços de alguém que está há muito tempo sem conseguir relaxar os músculos faciais.
- Morning, pessoal... – Sussurrou ele, entrando no quarto e fechando a porta devagar. Os gêmeos sorriram ao vê-lo e o cumprimentaram de volta. Takashi então se aproximou dos dois, surpreendendo-se com o que viu. Durante o ano anterior, acompanhara quatro mestruações da amiga, porém essa era a primeira vez que via Ann com uma aparência tão horrível: seus cabelos, normalmente bem penteados e disciplinados, estavam embaraçados e apontavam para todas as direções possíveis espalhados no travesseiro e nas cobertas. A garota estava pálida, seus olhos cansados estavam rodeados por um círculo escuro, assumindo uma coloração acinzentada que substituia a mistura intrigante de azul e verde que era sua cor natural. Em nada lembrava a Ann Willians sempre bem-disposta e pronta para a luta, a primeira a pegar a beyblade pela manhã e a última a largá-la de noite. – Como você está, Ann? –Takashi se arriscou a perguntar, mesmo já sabendo a resposta.
- Na verdade, até que eu to bem. – Respondeu a mestra de Takuki, com a voz semelhante a um sussurro. – Comparado com a do mês passado, essa aqui até que não é tão ruim... – Ann fechou com força os olhos por um segundo, deixando escapar um gemido de dor. John prontamente começou a massagear o abdômen da irmã, sorrindo quando ela novamente relaxou. – Eu acho até que poderia levantar e tomar o café da manhã com vocês, mas a sua mãe não quer deixar...
Como se para confirmar as palavras da garota, Keiko entrou no quarto naquele exato instante trazendo café para os gêmeos. A mulher dirigiu um olhar severo para sua aluna antes de declarar:
- De jeito nenhum, Ann. Você não vai levantar neste estado. Eu sou a responsável por você enquanto estiver na minha casa, é meu dever cuidar para que nada de ruim aconteça com você. Tome seu café da manhã sossegada que Takashi e John tem um longo período de treinos pela frente.
- O que? Eu também? – Perguntou Takashi, surpreso. Mesmo depois de sua primeira luta contra William (que ele foi impedido de terminar por insistência de sua mãe), era a primeira vez que ele era oficialmente chamado para uma sessão de treino. – Eu vou ter que treinar também? Desde quando sou considerado um lutador da equipe?
- Eu decidi que, já que você é forte o suficiente para resistir ao ataque do William, você deve ter algum talento para o beyblade, afinal. Se você aprender a controlar a sua energa e ganhar um pouco mais de resistência, pode ser que você consiga lutar no mesmo nível que os WATB, por isso eu te inscrevi no torneio e a partir de hoje você vai treinar com todos nós. Isso não é maravilhoso? – Respondeu Keiko, sorrindo radiante.
- O QUE? COMO ASSIM? E EU NÃO FIQUEI SABENDO DE NADA?
O começo de protesto do chinesinho foi interrompido com a chegada de Emy e William, que entraram no quarto já preparados para treinar. Ao julgar pelas expressões surpresas e preocupadas que tomaram conta de seus rostos ao encararem Ann, nenhum deles sabia ainda das últimas "novidades'. Não surpreendentemente, Emy entendeu a situação mais rápido que seu colega:
- Ann, você está bem? São as cólicas de novo? – Ann apenas concordou com a cabeça, uma vez que um nova pontada de dor foçara-a a manter a boca fechada para não gritar. A confirmação teve o efeito de uma bomba para os neozelandeses, que se entreolharam assustados. – Ah, não! E como fica o torneio? Você vai desistir? – Perguntou a loira novamente, esquecendo-se que sua amiga não conseguiria responder no momento. John, ainda fazendo a massagem, foi quem respondeu:
- Nós não sabemos, nem tão pouco queremos pensar sobre isso agora. Vamos esperar até quarta para decidir, não podemos desistir tão fácil considerando que viemos aqui só para isso, não é?
- Mas John, isso... – Keiko tentou contestar seu aluno, reforçando seu papel de responsável por eles. O líder dos WATB, entretanto, encarou sua professora com um olhar sério e decidido, muito parecido com o que sua irmã sempre usava, antes interrompê-la:
- Se a minha irmã acha que estará em condições de lutar na quarta, ela vai fazer isso. A vida é dela e só ela tem o direito de decidir o que quer. Já temos quase quatorze anos, não somos mais crianças. – Em seguida, o olhar do garoto suavisou um pouco, mais parecido com o olhar que todos conheciam como sendo típico de John Willians. – Sinto muito por te desafiar, Keiko, mas é isso que eu penso, e, conhecendo Ann, não creio que ela aceite desistir de uma luta ou de um campeonato sem lutar.
Todos encararam John, surpresos. Era realmente muiro raro ele apoiar a irmã deste jeito, por livre e espontânea vontade. Normalmente ele seria o primeiro a discordar dela e a apanhar em resposta. Keiko e John continuaram se encarando por alguns segundos, medido forças, até que a mestra por fim cedeu, levantando-se e caminhando em direção à porta:
- Muito bem, façam como quiserem. Vocês têm razão, eu não sou a mãe de vocês e vocês realmente são grandinhos e maduros. Mesmo assim, eu vou cancelar os treinos da manhã, já está tarde e deste jeito Takashi, William e Emy vão se atrasar para a escola.
Ao julgar pelas reações de William e Takashi ao último comentário, nenhum deles se lembrava de que era segunda-feira e eles tinham sete horas trancados em uma prisão do saber pela frente. Mal o dia começara e as más notícias já se acumulavam...
Com a confusão da manhã, o trio de estudantes saiu atrasado para a escola. Ao ver o pânico refletido nos olhos de sua colega CDF com a perspectiva de perder a primeira aula, William teve uma idéia:
- Hey, porque não aproveitamos que estamos atrasados para pegar um atalho novo que eu descobri?
- Você descobriu um atalho novo? – Perguntou Takashi, intrigado. Seu faro apurado para confusão denunciava que a sugestão de seu amigo não era apenas para chegar mais rápido. Tanto ele quanto William eram membros dos D.E.M.O.N.S., afinal.
- Sim, descobri por acaso um dia desses. – William aproximou-se de seus amigos, seus olhos aumentados pelas lentes grossas emitindo um brilho sinistro. – Quem diria que pelo meio do cemitério existiria um atalho para a escola?
Emy soltou um gritinho agudo de medo enquanto Takashi fazia milagres com seus lábio super-esticados. Os dois D.E.M.O.N.S. sorriram ao ver as mãos de suas colega começarem a tremer enquanto seus óculos de armação colorida escorregavam por seu nariz até praticamente cair no chão. A simples menção da palavra "cemitério" fora o suficiente para deixar Emy Fraze, a grande CDF metida a cientista, completamente apavorada.
- O que foi, Emy? – Perguntou Takashi, tendo que se esforçar para sua voz permanecer livre de malícia. – Você não está com medo dos fantasmas, está? Eu não acredito que alguém tão inteligente e lógica como você possa ver algum sentido nessas lendas velhas...
- É, alguém como você deveria achar um absurdo a história da velha carcomida que aparece pra arrancar os olhos daqueles que passam perto da sua sepultura... – Continuou William, fazendo uma imitação cômica do que ele imaginava ser a tal velha carcomida no momento em que ela tornava a lenda realidade.
- Ou a história do espírito das crianças que morrerem queimadas dentro de casa que saem pra brincar na rua e nos seguem até nossas casas para nos dar o mesmo fim que elas...
Emy não precisou ouvir o final das lendas do cemitério para sair correndo pela rua, gritando que não queria mais saber de nada. Preocupada em se distanciar o mais rápido de possível de William e Takashi, porém, ela não percebeu que na verdade estava caminhando diretamente para o cemitério. Ela só parou quando se viu diante dos portões de ferro imponentes, quando já era tarde demais para voltar atrás.
- Acho que agora não temos outra escolha, não é? – Perguntou William, colocando a mão no ombro da colega. Emy não percebera sua aproximação, pulando alto com o susto e falhando ao tentar ralhar com ele, pois sua respiração tornara-se acelerada demais para que ela pudesse formar qualquer frase com sentido. – Takashi logo vai estar aqui, nós podemos começar o nosso atalho...
William pegou as mãos de Emy e a guiou para dentro do cemitério, andando devagar para que Takashi pudesse alcansá-los quando seu andar rápido característico finalmente permitisse que ele alcançasse seus companheiros. A garota se encolhia mais e mais a cada passo, usando o corpo do amigo para se proteger do que quer que fosse que a estivesse encomodando no espaço silencioso e pacífico do cemitério de Alckland. O chinesinho demorou cerca de cinco minutos para aparecer, arfando e com o rosto vermelho, e assim o trio seguio seu caminho.
- Olha, esse aqui é o o meu bisavô! – Exclamou William, parando no meio da caminhada em frente a uma sepultura particularmente empoeirada e desgastada, onde mal podia-se ler as inscrissões "Descanse em paz, Frederick Hopfiel" talhadas na pedra. A foto cravada no túmulo parecia um pouco mais conservada que o espaço que a rodeava, era possível distingüir quase claramente as feições de um homem em seus sessenta anos, sorrindo com o rosto coberto por espinhas. Não tinha mais cabelos e a armação de seus óculos era muito mais grossa do que uma armação normal. – Ele tem alguma coisa nele que me lembra eu mesmo, mas eu não consigo dizer muito bem o que é...
Takashi e Emy acharam melhor não comentar. A visita ao túmulo do vovô Hopfiel acabou acalmando Emy, que forçou os garotos a oferecerem uma pequena prece ao morto antes de continuarem seu caminho. Não haviam caminhado duzentos metros quando Takashi avistou um conhecido seu, dirigindo-se até ele em passos rápidos, surpreso:
- Julian? O que faz aqui?
Ao ver seu mais novo parado diante dele em um lugar como aquele, naquela situação, Julian não conseguiu esconder a surpresa. Na verdade, tanto ele quanto Takashi pareciam reagir da mesma maneira ao encontro inusitado, nenhum deles conseguia imaginar o que o outro estaria fazendo em um cemitério às nove da manhã.
