(Musiquinha besta de programa de auditório tocando no fundo)

(Feixes de luz rodeando o palco)

(Abrem as cortinas)

(Aparece a Rumiko no centro do palco com cara de feliz)

Rumiko: Olá a todos! o/

Todos: Olá Rumiko! o/

Rumiko: Hoje, porque o James é um preguicoso que está pra se mudar e ganhar um quarto só dele, esse off-talk vai ser especial! XD

Todos: Especial como? O.o

Rumiko: Hoje nós vamos fazer um off-talk em formato de quizz! Eu vou fazer perguntas para um personagem misterioso e os leitores vao ter que tentar adivinhar quem ele é!

Obviamente, isso também é uma maneira de tentar ganhar mais reviews, mas a gente finge que é só a genuína vontade do James de variar um pouco as besteiras do off-talk! n.n

E que venha o personagem misterioso!

(Luzes focam em um vulto escuro sentado em um banquinho)

Rumiko: Muito bem, senhor Personagem Misterioso... Está pronto para comecar a rodada de perguntas embaracosas que vai tentar revelar a sua identidade para os leitores?

Personagem Misterioso: Eu nunca concordei em participar desse troco em primeiro lugar. ¬¬''

Rumiko: Ótimo, eu vou encarar isso como um "sim". Vamos comecar entao... (Rumiko puxa uma fixa gigante de perguntas para fazer ao Personagem Misterioso) Primeiro o básico: Voce é homem ou mulher?

Personagem Misterioso: Sou do mesmo sexo que a maioria da minha equipe. u.ú

Rumiko: O que isso significa? O.o

Personagem Misterioso: Significa que o fato de eu ter sido amarrado neste banquinho e forcado a participar desse show de estupidez nao significa que eu vou facilitar as coisas e responder às perguntas diretamente. u.u

Rumiko: Oh, nao... Isso vai deixar as coisas mais complicadas. E se eu me perder no meio das perguntas? O.o

Personagem Misterioso: Azar o seu. Nao é culpa minha se colocaram a personagem mais besta para servir de apresentadora. ¬¬

Rumiko: Era uma desculpa para eu aparecer mais... n.n'

Personagem Misterioso: Ah, claro... ¬¬''''''''

Rumiko: Mas enfim... voltando às perguntas... Voce é mais velho ou mais novo que o Jamie?

Personagem Misterioso: Mentalmente falando, me considero mais velho. u.u

Rumiko: Outra resposta indireta... Vai ser assim em todas as perguntas?

Personagem Misterioso: Vai. Agora faz a próxima que eu estou perdendo o meu tempo.

Rumiko: Voce tem uma fera-bit?

Personagem Misterioso: Que pergunta besta é essa? Eu sou um dos personagens principais da história, nao sou? Com excecao daquele anaozinho da sua equipe, que outros personagens principais nao tem fera-bit?

Rumiko: Oh, é... eu só li o que estava escrito... o.o'

Personagem Misterioso: Próxima... u.ú

Rumiko: Qual a sua altura?

Personagem Misterioso: Eu sou um pouco menor do que eu gostaria de ser, mas dá pro gasto.

Rumiko: Gordo ou magro?

Personagem Misterioso: Digamos que as minhas atividades diárias me impecam naturalmente de ser uma baleia.

Rumiko: Cor dos olhos?

Personagem Misterioso: Muito bonita, obrigado. u.ú

Rumiko: Ugh... Ainda bem que nao sou eu que tenho que adivinhar as coisas com essas pistas... (Rumiko respirando fundo antes de continuar) Cabelo?

Personagem Misterioso: Gosto muito dele, obrigado.

Rumiko: (Sussurrando) Nao foi isso que eu perguntei...

Personagem Misterioso: O que foi? Acho que ouvi alguma coisa...

Rumiko: Ah... nada, nada... n.n'''''

Personagem Misterioso: Humpf... u.ú

Rumiko: Voce tem irmaos?

Personagem Misterioso: Biologicamente falando, tenho um, mas considero meus amigos próximos como meus irmaos também.

Rumiko: Irmao mais novo ou mais velho?

Personagem Misterioso: Acredito que seja mais novo. Se nao for, eu vou me sentir enganado.

Rumiko: Finalmente estamos chegando em algum lugar... E a sua equipe?

Personagem Misterioso: O que tem a minha equipe?

Rumiko: Quantos membros tem?

Personagem Misterioso: Menos que a sua. XDD

Rumiko: Ah... (Nao entendeu a colocacao do "XDD" no fim da resposta. E nem o porque que toda a audiencia fez cara de besta com a resposta) Ok... Voces participaram do campeonato mundial de 2003?

Personagem Misterioso: Existem coisas mais importantes para mim do que a fama e um título mundial.

Rumiko: O que por exemplo?

Personagem Misterioso: As coisas que valem a pena lutar para conseguir.

Rumiko: Qual a sua cor favorita?

Personagem Misterioso: Essas perguntas nao tem ordem ou lógica, tem?

Rumiko: Sei lá, eu só leio o que aparece... O.o

Personagem Misterioso: Imaginei... Minha cor favorita é a cor que aparece nos detalhes da minha beyblade.

Rumiko: Ai, meu Deus, eu to ficando confusa com essas respostas... o.o'

Personagem Misterioso: Nao posso dizer que estou surpreso com isso... ¬¬

Rumiko: Ao menos as perguntas estao acabando...

Personagem Misterioso: Ótimo, entao termina logo com isso...

Rumiko: Qual o seu maior sonho?

Personagem Misterioso: O mesmo que o de toda a minha equipe. XD

Rumiko: E quem é o seu maior rival?

Personagem Misterioso: Eu e o meu irmao temos os mesmos rivais.

Rumiko: Alguém especial?

Persoangem Misterioso: Meu irmao. u.ú

(Platéia em choque)

Rumiko: O.O Acho que estamos falando de outro sentido de especial...

Personagem Misterioso: Ok... Até o capítulo 20 dessa fic, ninguém. Nao que eu saiba, pelo menos...

Rumiko: E finalmente... A ÚLTIMA PERGUNTA!

(Platéia comemora)

(Personagem Misterioso viva dando vivas)

(Alguém se irrita com as vivas do Personagem Misterioso e nocauteia ele)

Rumiko: Oh, nao... Logo agora que eu ia fazer a última pergunta..

Bem, fica para a próxima!

A identidade do Personagem Misterioso vai aparecer no próximo off-talk! Se a gente receber bastate reviews e o povo gostar desse novo estilo de off-talk, a gente pode pensar em fazer ele de novo algum dia, quando conseguirmos convencer (ou amarrar) alguém a participar.

Entao... Quem é o Personagem Misterioso deste capítulo?

(Fecha a cortina)


CAPÍTULO XX

A IRMÃ ESPECIAL

Takashi acordou cedo na terça de manhã, ansioso demais para conseguir continuar na cama. Eram ainda seis e meia da manhã, porém ele mal podia esperar até depois da escola para ver se seu plano daria certo ou não.

- Good Morning, Takashi! – Cumprimentou John sentado na mesa do café. Ann e Keiko não estavam à vista.

- Good Morning, John! – Respondeu o chinesinho, sentando-se em frente a ele na mesa e servindo-se de cereal de chocolate. – Como está a Ann?

- Acho que hoje ela está um pouco melhor. Keiko-sensei está com ela agora, as duas estão discutindo pra ver se vamos ter treino hoje de manhã ou não. – Enquanto falava, John brincava distraidamente com seus ovos com bacon, sem pressa em comê-los. – O que quer que elas decidam, espero que não precisem gritar para chegar a um consenso, meus ouvidos já estão ficando seriamente afetados.

Os dois garotos riram, lançando mais algumas piadinhas sobre o comportamento estranho e irracional de seres humanos do sexo feminino. Os risos e as brincadeiras duraram por um tempo consideravelmente longo, até serem cruelmente interrompidos por um travesseiro felpudo aterrisando entre os copos de leite quente, derrubando-o no colo de seus donos. Foi a vez de Ann rir equanto seu irmão e seu amiguinho diminuto corriam desesperados até o banheiro com as calças manchadas e provavelmente queimando.

Ao menos com esta distração a manhã passou mais rápido na casa de Keiko Takahashi. Às oito e meia da manhã Takashi, Emy e William estavam novamente à caminho da escola, evitando desta vez o cemitério. Não queriam correr o risco de ter outro encontro inesperado. Na escola, o tempo demorou para passar entre as aulas que, de tão monótonas, Takashi não conseguia nem se lembrar sobre o que eram. Finalmente, às quatro da tarde, o garoto viu-se novamente em casa, sentado no sofá à espera de seu amigo.

- Vamos lá, Julian, você tá demorando demais... – Sussurrou o garoto, balançando para frente e para trás em seu assento. Já eram quatro e quinze da tarde. Takashi não tinha como saber se o mordomo realmente passara a mensagem, nem recebera nenhuma confirmação de que seu amigo viria, mesmo assim ele queria acreditar que Julian estava à caminho e que os cinco poderiam se divertir muito até a hora da janta. – Vamos lá...

Quatro e meia. A voz enérgica de sua mãe chamou-o da sala de treino. Era sua vez de enfrentar Emy, de treinar sua resistência e tentar melhorar sua técnica antes do campeonato que se aproximava. O garoto tentou pedir por mais tempo, porém Keiko foi irredutível. Já era tarde, Julian provavelmente não viria.

Sem outra alternativa, Takashi se levantou e caminhou vagarosamente até os fundos da casa, sempre com a esperança de que a campainha tocaria e que ele poderia correrr – sim, correr – para atendê-la. Infelizmente para ele, suas fantasias não se tornaram realidade, e ele foi obrigado a enfrentar não somente Emy, como também William e John. Só conseguiu ganhar do último quando Ann apareceu e Takuki se juntou à luta contra o líder da equipe neozelandesa.

- E é assim que se arrasa com um diabo da Tasmânia! – Concluiu Ann após sua magnífica seqüência de ataques.

- Ann, o que você está fazendo aqui? – Perguntou Keiko, preocupada. Há pouco menos de meia hora a garota havia se retirado do treino por causa das cólicas.

- Eu estou melhor, sensei! Tomei aquele remédio que você encomendou e agora me sinto ótima! – Respondeu Ann, colocando as mãos na cintura e saltitando para provar suas palavras.

- Estou feliz por você, Ann, mas você sabe que...

O que quer que Keiko estivesse tentando dizer foi interrompido quando a buzina de carro velho que era a campainha adaptada soou na frente da casa. Takashi não esperou que sua mãe o mandasse para sair correndo e atender. Apesar de já estar exausto com o pequeno exercício, não pode deixar de sorrir ao ver seu amigo cumprimentando-o com a beyblade em mãos. Julian recebera a mensagem afinal.

- Julian, que bom te ver! – Exclamou Takashi, torcendo para que seus pulmões ainda tivessem algum ar. – Vamos entrando, vamos entrando! Eu tenho que te apresentar os meus amigos WATB, eles vão com certeza ficar felizes em te ver também!

Takashi não deu a Julian tempo de responder antes de puxá-lo pela mão e arrastá-lo pela casa até a sala de treinos. Keiko foi a primeira a cumprimentar o recém-chegado, quase imediatamente dirigindo suas atenções para a beyblade que o garoto carregava. Enquanto a cientista examinava o peão, os demais WATB aproveitavam para se apresentar ao garoto também.

- Oi, eu sou John Willians, líder dos WATB. – Disse John, apertando a mão do garoto. Julian ia abrir a boca para responder quando John foi empurrado para o lado, sendo substituído por uma garota de longos cabelos castanhos e olhar severo:

- Oi, eu sou Ann, a vice-líder e irmã gêmea mais velha do John. O fato de ele ser o líder da equipe não significa que ele possa mandar em mim, como você logo vai perceber. – Enquanto apertava a mão de Ann, Julian pela primeira vez levantou um pouco o canto dos lábios, o mais próximo que chegara de um sorriso verdadeiro desde a morte da irmã.

- Prazer. Eu sou Julian Ross. – Respondeu ele, deixando seus olhos focarem-se na beyblade que a garota mantinha segura em sua outra mão, mais precisamente no bit-chip desta beyblade.

Julian foi apresentado a William e Emy e mais uma vez cumprimentado por Takashi antes de Keiko finalmente devolver sua beyblade, desculpando-se pela empolgação e dizendo que gostaria de vê-lo lutando em duplas com Takashi contra John e William. Ao encarar o amigo, Takashi percebeu uma sutil mudança em seus olhos: o tom cinza-claro que sempre lhe chamava a atenção havia escurecido consideravelmente, tornando-se quase negro, e o brilho que havia neles há duas semanas estava quase completamente sumido. Imaginando que o fenômeno era devido à perda da irmã, Takashi não fez perguntas, apenas encarou o amigo por um tempo mais longo do que o normal.

- Ah, por que a gente tem que lutar? – Perguntou William, surpreso por ser chamado a lutar tão rapidamente.

- Porque eu estou curiosa para saber qual será a habilidade do nosso amiguinho, e já que ele e Takashi já se conhecem, essa também será uma boa chance pra o meu Ratinho de Laboratório aprender alguma coisa na prática! – Exclamou Keiko, como se aquela fosse a coisa mais óbvia do mundo.

- Ratinho de Laboratório? – Perguntou Julian, confuso. Os WATB riram enquanto Takashi tentava explicar, com o rosto cada vez mais vermelho:

- Essas manias de mãe de colocar apelidos bestas nas crianças. Por favor não faça perguntas e não conte pra ninguém. Já embaraçoso o suficiente sem toda a cidade sabendo.

- Fique tranqüilo, Takashi, eu não vou contar. – Julian tranqüilizou o amigo, colocando a mão em seu ombro em um gesto de apoio. – Eu tenho meus apelidos também, sei como você se sente.

- Qual é o seu apelido? – Perguntou Takashi, sentindo suas bochechas voltarem à cor natural depois de saber que as escolhas bizarras de Keiko Takahashi para apelidos infantis não seriam espalhados.

- Oh, é um segredo! Eu não conto pra ninguém!

Os WATB riram novamente quando o rosto de Takashi ficou vermelho pela segunda vez em menos de dois minutos, porém desta vez não devido à vergonha. Julian arriscou também algumas risadas, porém elas duraram menos e eram menos entusiasmadas do que as dos demais.

- Isso, riam enquanto podem! – Exclamou o Ratinho de Laboratório, mais vermelho do que nunca. – Eu um dia vou descobrir os apelidos secretos de vocês, e aí vão todos se arrepender de terem caçoado de mim!

- Gente, chega de ameaças... vamos logo para a luta! – Com alguma dificuldade, John voltou a ficar sério, preparando Takk. Algum tempo depois, William, Julian e Takashi faziam o mesmo. Ann se posicionou para ser a juíza enquanto Emy e Keiko tomavam seus lugares perante o mundo de monitores e botões coloridos.

- E GO SHOOT! – Exclamou Ann logo que os quatro lutadores se aprontaram. As beyblades caíram juntas na arena, e coube a Takk começar na ofensiva. O diabo da Tasmânia atacou Takashi primeiro, buscando desestabilizar o mais fraco de seus oponentes, porém a beyblade de Julian conseguiu salvar o amigo ao mesmo tempo em que contra-atacava. Surpreso, John quase perdeu a concentração, falhando em contra-atacar o contra-ataque.

- Você é melhor do que eu imaginei! – Exclamou o líder dos WATB, referindo-se a Julian. Em resposta, o convidado de honra do dia apenas balançou a cabeça, indicando que ainda não estava terminado. Seu movimento seguinte foi em direção a Tanka, que quase saiu da arena após uma única investida da beyblade azul piscina. – E o William está pior do que eu imaginava...

- Hey! Isso é coisa que se diga ao seu companheiro de equipe? – Perguntou William, indignado com o último comentário do líder. Julian e Takashi aproveitaram enquanto a dupla adversária discutia para atacar, passando muito perto de vencer a luta.

- Vocês dois, parem de brigar! Não estão vendo que desse jeito eles vão ganhar? – A intromissão da juíza nada parcial foi a única coisa capaz de fazer John e William voltarem à realidade. Julian e Takashi estavam fazendo o que bem entendiam com as adversárias na arena, era apenas por capricho que ainda não haviam terminado o confronto. Com medo de ter que encarar a ira da vice-líder (que por causa dos remédios readquirira um pouco de sua velha personalidade assustadora), os WATB decidiram por hora parar de discutir, partindo para o jogo sério:

- A luta foi realmente boa até aqui, amigos. – Começou John, com um sorriso um pouco mais malando do que o que usava normalmente.

- É, vocês lutaram bem, mas o Takashi ainda precisa tomar muito leite se quiser ganhar de mim um dia! – Concluiu William, com o mesmo sorriso apontado especialmente para o chinesinho nanico.

Takashi, preocupado em evitar o que quer que seus adversários estivessem preparando contra ele, não percebeu o brilho estranho que se apoderou dos olhos de sua dupla, nem o pequeno sorriso que se formou em seus lábios quando as feras-bit de John e William surgiram na arena, já preparadas para o ataque final:

- Furacão Dentada! – Ordenou John, direcionando seu ataque para a beyblade azul-piscina.

- Kind Squirrel! – Ordenou William, mirando em Takashi e sua beyblade multicolorida.

No meio da confusão de ataques e beyblades colidindo, ninguém conseguiu ver muita coisa, apenas as beyblades da dupla atacada saindo voando pelo teto da sala. Não ficou muito claro se Julian ou Takashi tiveram tempo de reagir, ou se, no caso de Julian, realmente queriam fazê-lo. Enquanto os WATB comemoravam sua vitória, os perdedores recoliam com cuidado suas beyblades parcialmente destruídas.

- Vocês realmente fizeram um estrago na minha beyblade. – Comentou Julian, observando as várias marcas de dentes espalhadas por toda a sua beyblade. – Foi realmente uma boa luta. – Julian e John apertaram as mãos, enquanto William se divertia caçoando de Takashi. – Não é à toa que vocês representaram nosso país ano passado, os dois são realmente muito fortes. Ainda bem que eu não cheguei a me candidatar na seleção para fazer parte desse time, eu não teria tido chances contra vocês.

- Ora, não diga isso, Julian! – Exclamou John, encabulado com os elogios. Ao seu lado, Ann fazia o sinal da vitória com as mãos, concordando com cada palavra que seu novo amigo dissera. – Você lutou muito bem, nós teríamos perdido se a juíza não tivesse deixado de ser imparcial e... – John teve que parar de falar quando alguma coisa muito pesada caiu em cima dos seus dedos do pé, esmagando-os – Digo, digo... se não tivéssemos usado as nossas feras-bit! – O garoto fechou os olhos para segurar algumas lágrimas, agarrando o pé dolorido em uma cena um tanto patética. Ann sorriu para Julian para indicar que aquilo era normal, apontando para a sola reforçada de seu tênis, feita especialmente para essas ocasiões. O grupo passou alguns bons minutos rindo da desgraça de John.

Depois da primeira luta, várias outras seguiram. Julian lutou contra todos os WATB, tanto individualmente quanto em duplas, por várias vezes riu das piadas e trapalhadas – principalmente de William e John – e não escapou de setir a ira de Ann Willians algumas vezes também. Superficialmente, o garoto parecia descontraído e animado, quase como o Julian que Takashi conhecera naquele dia no parque. No fim do dia, quando os amigos se despediram, os WATB consideravam sua missão cumprida. Apenas Takashi ainda tinha algumas reservas:

- O Julian estava estranho, vocês não notaram? – Perguntou o chinesinho aos demais durante o jantar, menos de quinze minutos depois da partida de seu amigo.

- Eu achei ele bem normal. – Declarou William, cravando com força o garfo no bife mal-passado. – Divertido, inteligente, do tipo que sabe tirar sarro dos outros sem se embaraçar... Até apanhar da Ann ele apanhou!

- Se a minha irmã estivesse aqui, seria você a apanhar agora. – Retrucou John, mirando a porta do quarto de hóspedes. Pouco antes de Julian ir embora, Ann reclamara de um pequeno desconforto e se trancara no quarto para tomar o remédio. Mais de vinte minutos haviam se passado e ela ainda não estava de volta, o que já estava deixando seu irmão preocupado.

- Eu ainda acho que ele estava estranho. – Takashi corrigiu os rumos da conversa. Não seria uma boa idéia estar falando (mal) de Ann quando ela finalmente aparecesse para comer, os quatro planejavam estar vivos para participar do torneio do dia seguinte.

- Estranho como? – Perguntou Emy, a única que parecia relmente interessada no que o amiguinho tinha a dizer.

- Não sei explicar direito. Ele estava diferente da primeira vez que a gente se encontrou. O olhar dele estava diferente também, não tinha a mesma energia que antes.

- Mas isso é óbvio, não é? – Perguntou Keiko, falando pela primeira vez desde que o garoto fora embora. – Ele acabou de perder um parente, ainda deve estar abalado com tudo.

- Não é disso que eu estou falando! – Exclamou Takashi, começando a ficar irritado. – O Julian está diferente e eu sei que não tem nada a ver com tristeza! É outra coisa bem diferente!

Quando ninguém fez menção de responder, Takashi largou os talheres de qualquer jeito em seu prato e saiu da mesa, trancando-se em seu quarto. Sua mãe teria ido atrás dele se um grito agudo vindo do quarto de hóspedes não tivesse desviado sua atenção. Em dois segundos, John estava com Takk preparado para arrombar a porta e acudir a irmã. Ann encontrava-se caída em posição fetal no chão entre a cama e a porta, apertando a barriga como rosto contorcido por causa da dor. Seu irmão ajudou-a a voltar para cama e prontamente iniciou uma massagem para aliviar as dores.

- O que aconteceu, Ann? – Perguntou Keiko, aflita. A garota não parecia nada bem, mesmo John aparentava estar mais preocupado do que o normal.

- Acho que é o efeito do remédio. – Respondeu ela, falando o mais rápido possível para não piorar a dor. – Sempre que eu tomo alguma coisa... Quando o efeito passa... a dor volta pior... – O grito da garota paralisou até mesmo John. Ann estava começando a suar e sua respiração tornara-se acelerada.

- Ann, se isso continuar assim eu terei que te levar para o médico. – Declarou Keiko, autoritária.

- Não, eu não preciso... Eu não quero... – Como se somente para contradizê-la, outra pontada forte fez com que ela mordesse os lábios para não gritar novamente. – Vai passar... vai passar... O torneio...

- Você não está em condições de ir a torneio nenhum. Eu vou ligar para os seus pais agora e eles vão concordar comigo. – Keiko, que até então encontrava-se agachada ao lado da cama da garota, levantou-se e caminhou até a porta, ignorando os gritos de protesto de sua aluna. De tão concentrada que estava em deixar o quarto e apanhar o telefone, acabou não percebendo a aproximação de seu filhinho, trombando com ele bem próximo da porta. Os dois caíram no chão com um estrondo.

- Ai... alguém anotou a placa da jamanta? – Perguntou Takashi, levando as mãos a um ponto particularmente dolorido de sua cabeça. Quando seus dedos encontraram uma substância líquida, seu gritinho assustado chamou a atenção dos demais.

- Oh, não! Takashi!

De uma hora para outra, Ann deixou de ser o centro das atenções para dar lugar ao garotinho de oito anos de idade e tamanho de cinco com um grande corte na testa. O sangue logo começou a manchar a camiseta do garoto, assustando ainda mais sua mãe. No pânico geral, John se viu obrigado a deixar a irmã de lado para levar seu amiguinho até a pia do banheiro, onde ele limpou e esterilisou o corte, aplicando um curativo muito bem feito com gaze e esparadrapo.

- John... onde você aprendeu a fazer esse tipo de coisa? – Perguntou Keiko, impressionada e maravilhada com as habilidades até então desconhecidas do líder de seu time. Takashi encontrava-se seguro em seus braços, tomando um copo de água com açúcar para se acalmar. Ele ainda tremia um pouco, a quantidade de sangue que deixara sua cabeça em tão pouco tempo o impressionara.

- Quando a gente brigava, ele sempre acabava fazendo os próprios curativos para não ter que contar pra mamãe e pro papai como é que ele tinha se machucado. O John já tem prática. – Respondeu Ann, sentindo-se um pouco melhor agora que já haviam se passado quinze minutos desde seu ataque repentino. – Ele leva jeito pra essas coisas, é sem dúvida um irmão muito cuidadoso.

Por um momento os WATB pensaram que as orelhas de seu líder liberariam fumaça, dada a vermelhidão de seu rosto. Ann sorriu, abraçando o irmão em uma cena rara de troca de afeto entre eles:

- Obrigada, John, você é o melhor irmão que eu poderia ter. – Disse ela, beijando uma das bochechas vermelhas e aquecidas do garoto. Depois de demorar alguns segundos para absorver o choque, John retribuiu o abraço e o beijo:

- E você é a minha irmã favorita.

O momento bonitinho dos irmãos Willians foi abruptamente interrompido quando Ann forçou o rosto de John de encontro ao travesseiro, sufocando-o até ele implorar por sua vida enquanto gritava "Eu sou sua única irmã!".


Deitado em sua cama de colunas ricamente talhada e decorada, Julian observava a lua e as estrelas bilhando na rua. Tinha em suas mãos uma carta de Helen, a última que ela lhe escrevera, já no hospital. Não conseguia parar de ler e reler o pedaço de papel perfumado, queria manter aquela última recordação de sua irmãzinha o mais próximo possível dele, queria senti-la perto dele novamente. A verdade é que ele se sentia culpado por dessa vez – e dessa vez apenas – não ter ido ver a garota no hospital, não ter ido desejar boa sorte para ela antes da cirurgia que poderia ter-lhe dado uma vida normal.

Helen tiha problemas desde que nascera. Sua família precisava sempre vigiá-la, mesmo quando ela dormia, pois os riscos de um ataque repentino eram os mesmos vinte e quatro horas por dia. A doença que a atacava era rara, poucos médicos haviam ouvido seu nome e os que sabiam como tratá-la eram em um número ainda menor. O médico que a acompanhava precisava vir periodicamente dos Estados Unidos para vê-la, já que não havia ninguém com conhecimento suficiente na Nova Zelândia.

Ao longo de seus quase oito anos de vida, Helen fora internada inúmeras vezes no hospital. Julian e sua irmã mais velha acompanhavam seus pais em cada uma das vigílias e maratonas casa-hospital, hospital-casa, com o coração na mão cada vez que a condição da menininha piorava. Era um alívio quando, depois de cerca de uma semana, Helen podia voltar para casa. Todos na família pareciam mais vivos quando ela estava por perto, mais felizes, mais dispostos. Ela era a alegria da casa, aquela que motivava a todos e os dava energia para cumprir suas obrigações e seguir com a vida. Era essa Helen que não estava mais presente.

Quanto tempo havia se passado? Duas semanas? Três? Um mês? Julian não tinha mais certeza. Lembrava-se apenas que, no dia em que conheceu Takashi, sua irmãznha fora novamente levada ao hospital. Por alguma razão obscura o garoto se deixou ficar para trás, acreditando que, como nas outras tantas vezes que vira essa cena, Helen logo estaria de volta. Ele viu seus pais e sua irmã partirem junto com a ambulância e saiu para o parque atrás de seu cachorrinho, decidido a prepará-lo para quando Helen voltasse e os dois pudessem brincar juntos de novo.

Tão forte era sua certeza de que a garota logo estaria de volta que a primeira reação de Julian ao ver sua mãe chorando e o olhar distante e desolado de seu pai enquanto eles conversavam com ele naquele vinte e nove de abril foi de absoluta negação. Não podia ser verdade, seus pais estavam tentando enganá-lo, não podia ser verdade. Não era verdade, Helen logo apareceria pulando pela sala, abraçando-o e contando as fofocas das enfermeiras com sua voz melodiosa e gentil. Não era verdade.

Mesmo durante o velório da menina, quando seu rosto calmo e pacífico – adormecido, com certeza – estava visível para todos os amigos e parentes em um recipiente de madeira branca – aquilo em que ela estava deitada não era um caixão, não podia ser – Julian não havia aceitado completamente a realidade. A toda hora seus olhos se desviavam para o local em que ela estava, esperando o momento em que Helen se levantaria gritando "Surpresa!" e todos abririam champanhe para comemorar. Ele não estava presente quando todos se reuniram do lado de fora do cemitério para o último adeus, estava ocupado procurando o verdadeiro corpo de sua irmã escondido na igreja, já que estava convencido de que aquilo que sua família estava enterrando naquele momento era apenas um boneco.

Somente quando, durante a noite, Helen não apareceu em seu quarto para desejar-lhe boa noite e pedir que ele tocasse uma de suas músicas favoritas na flauta doce foi que a possibilidade – e possibilidade apenas – de que a garota talvez não pudesse mais voltar começou a ganhar espaço em sua mente. Mesmo assim, uma vida sem Helen era inimaginável para ele. Ele não via como poderia continuar vivendo normalmente sem a pessoa que lhe incentivava, que lhe ensinara a gostar de música e que lhe pedia para tocar lindas canções nos dias ensolarados no jardim. Ainda era muito cedo, ainda não era hora.

Julian demorou quatro dias para aceitar completamente os fatos. Ir até o cemitério dizer adeus a sua irmã lhe custou mais do que ele teria imaginado semanas antes. Naquela pequena sepultura estava enterrada não somente sua irmã, mas também uma parte dele. Quando Takashi apareceu, o garoto chegou a pensar que toda a coragem que ele reunira para ir até lá fosse desaparecer. Explicar para o chinesinho quem ela era – e tentar admitir em voz alta que ela não era mais parte deste mundo – foi ainda mais difícil do que ir até o cemitério. Quando Julian achou que não agüentaria mais o peso em seu peito, Takashi falou, acalmando-o com suas palavras do mesmo jeito que duas semanas antes havia sido acalmado pelo novo amigo.

Ao voltar para casa naquele dia, finalmente sentindo-se mais leve e quase normal, ouviu seu pai falando com o médico especialista pelo telefone. Pelo pouco que conseguiu distinguir do diálogo entre os dois homens, o médico havia executado uma operação-teste em sua irmã de cujos resultados ele não estava bem certo, mas que muito provavelmente poderiam curá-la caso bem-sucedida. Seu pai estava indignado porque aparentemente o médico esquecera de informá-lo dos altos riscos que uma criança tão nova e tão frágil corria. Se Helen não tivesse sido operada, ela não teria partido. Se o médico não tivesse errado um dos procedimentos durante a operação, Helen ainda estaria com eles.

A nova informação fez o sangue de Julian ferver. Desde pequeno, o garoto tinha um forte senso de justiça, um conceito próprio que desenvolvera sozinho e que modelava todas as suas ações. Esse senso de justiça gritava dentro dele que algo estava terrivelmente errado. Sua irmã era inocente, não deveria pagar por erros de um médico incompetente. A morte de Helen poderia ter sido evitada, o médico era o único culpado. Não era justo, era imperdoável. A pequena fagulha de esperança que se acendera após o encontro com Takashi apagara-se.

O telefonema daquele fim de tarde veio na hora certa. Era sua chance de corrigir as injustiças do mundo, e ele não a desperdiçaria. Em nome da irmã que estava sempre sorrindo, que nunca desanimava mesmo nas piores crises e nos momentos de maior estresse, Julian faria tudo que o fosse preciso para cumprir seu novo objetivo.

Deitado em sua cama de colunas ricamente talhada e decorada, Julian observava a lua e as estrelas bilhando na rua. Tinha em suas mãos uma carta de Helen, a última que ela lhe escrevera, já no hospital. Lera e relera-a várias vezes, até decorar todo seu conteúdo. Em uma única folha de papel perfumado e ricamente decorado encontrava-se um poema escrito em caligrafia caprichada, muito mais evoluída do que se poderia esperar de uma criança da idade de Helen Ross. O poema dizia assim:

Dear Julian,

I hope that I can talk to you once more,

And listen to your voice singing in this rainy day.

I want you to play for me as before,

For the music hide words I can't say

I hope I can talk to you once more.

No, it's not a good bye. Not like that.

Like the waves breaking in the shore,

I'll go and come back. Yes, like that.

I hope I can talk to you once more,

And show you that wonderful moon,

How it shines so much that my eyes go sore!

See there? It says I'll be with you soon.

So, when I finally talk to you,

There is only one thing left to do:

Say 'thanks' and 'I love you'!

Helen Ross.

- Sim, Helen, você vai voltar. Nós nos veremos de novo, e não vai demorar.

E foi pensando na irmã que Julian adormeceu naquela noite.


Nota da Rumiko:

Sim, o finzinho foi sinistro, dramático e de grande impacto. Alguma coisa nao está muito certa com o Julian, coitado...

Sugestoes, idéias sobre o que pode estar acontecendo com ele, quem era no telefonema, e tudo mais... se voces escreverem tudo em um review a gente promete que considera o que está escrito.

E nao se esquecam de responder à charada do off-talk!

Rumiko Higurashi se despedindo, diretamente do computador da universidade do Jamie que sabe colocar acento grãfico (acabou de descobrir como fazer pra escrever ã, å, ä e ficou bem feliz n.n) em metade das palavras. Um dia a gente descobre como usar o acento circunfléxo e aí ninguém vai poder dizer quando um off-talk foi escrito no laptop ou quando ele foi escrito no teclado em ingles!

E o próximo capítulo sai na segunda que vem! E na quarta a gente finalmente volta ao ritmo normal, com um capítulo por semana e no tempo certo!

Bye, bye,

Rumiko Higurashi