CAPÍTULO XXI

ACREDITE EM SEU PODER

A quarta-feira começou agitada na casa de Keiko Takahashi. Era o primeiro dia do torneio neozelandês, e os WATB acordaram bem cedo para não perder absolutamente nenhum detalhe de um dia tão importante como aquele. Ann, na verdade, foi a primeira a acordar, e foi por causa dela que ninguém mais conseguiu descansar durante a manhã.

- Eu já disse que luto! Não vai ser você que vai me fazer mudar de idéia, Keiko-sensei! – Vociferou a garota, deitada em sua cama ainda de pijamas. Eram seis e meia da manhã. John e Takashi tomavam café da manhã ao som da discussão que há pelo menos meia hora se desenrolava no quarto de hóspedes, uma discussão da qual eles podiam ouvir todos os detalhes. A treinadora dos WATB encontrava-se no quarto com a mestra de Takuki, tentando convencê-la de que não era uma boa idéia ir para o ginásio considerando os eventos do dia anterior. Ann, porém, recusava-se a desistir do torneio, voltando ao seu temperamento normal para tentar convencer Keiko.

- Você não pode lutar, Ann! Lembra do que aconteceu ontem? O que você vai fazer se o remédio perder o efeito no meio de uma luta? É perigoso, muitas coisas podem dar errado! Eu entendo que você veio até aqui só para lutar, mas se não for possível...

- Vai ser possível! – Ann sentou-se na cama, ignorando a dor crescente no abdômem. Quanto mais cedo ela conseguisse dobrar sua treinadora, mais cedo poderia tomar o remédio e sentir-se bem novamente. – Se o remédio perder o efeito, eu chamo Takuki, acabo com a luta e tomo mais uma dose, oras! Eu já disse antes, não disse? Já tenho quase quatorze anos, já passei da idade de ter que baixar a cabeça para todas as decisões dos adultos!

Keiko suspirou. Então essa era a temida rebeldia adolescente de que suas amigas tanto falavam. A mulher já estava ficando com dor de cabeça por causa dos gritos, e no entanto Ann não parecia se importar com nada disso: seu olhar expressava toda a sua determinação e decisão, sem nenhum traço da dor que as cólicas deveria estar causando naquele momento. A treinadora finalment esgotou seus argumentos:

- Se você se diz tão grandinha assim, Ann, então você que se entenda com seus pais caso alguma coisa dê errado. – Foi tudo que disse antes de se retirar em busca de um comprimido para sua dor de cabeça. Os quatro WATB participariam do torneio, já estava decidido.

Quando William e Emy se reuniram a eles cerca de quinze minutos depois, Ann já estava completamente vestida e sem dores, pronta para desafiar qualquer um e vencer. Foi sua energia que guiou os WATB até o ginásio e levantou seu espírito de luta para o dia.


As regras para o novo torneio haviam sido divulgadas alguns dias antes do início da competição. Os competidores seriam divididos em oito grupos, e os vencedores se enfrentariam nas quartas de final do dia seguinte. Sexta-feira estavam programadas as semifinais e a grande final, encerrando o torneio. Logo na entrada do ginásio havia uma tabela com os nomes dos participantes dos grupos, assim como o número da arena em que suas lutas aconteceriam. O ginásio de Auckland, mais novo e moderno que o de Wellington, fora construído justamente para abrigar lutas múltiplas, agilizando o andamento do torneio.

- Olha só, eu estou na arena 1! Haha, com certeza os organizadores sabem reconhecer os grandes talentos quando vêem um...

Talvez fosse um efeito colateral dos remédios, ou talvez fosse a animação por estar realmente prestes a lutar mesmo com as cólicas. O fato é que Ann Willians nunca se mostrara tão empolgada e energética apenas com o ato de entrar no ginásio da competição. Enquanto a mestra de Takuki continuava a gargalhar por causa de sua colocação, os demais WATB e Takashi tentavam achar seus nomes na tabela:

- Pelo visto eles evitaram colocar dois de nós no mesmo grupo. – Constatou Emy após rapidamente localizar os nomes dos companheiros espalhados por entre os grupos. – Eu poderia até dizer que essa formação foi planejada para que nós quatro fizéssemos as semifinais, não fosse pelo fato de eu estar no grupo sete e o John, no oito. Nós seremos adversários nas quartas-de-final, o que significa que os WATB não vão poder ser os quatro melhores da Nova Zelândia esse ano, infelizmente.

- Mas esse é o problema do mata-mata, não é? Nem sempre os melhores conseguem as melhores classificações. – William surpreendeu seus colegas ao ser o primeiro a comentar a declaração da loira CDF – Eu duvido que o mané que se classifique pelos grupos 3 e 4 seja melhor do que a gente, e com isso eu me refiro tanto ao Takashi quanto a qualquer outro ser insignificante que ouse nos desafiar.

- Hey! – Em resposta à nova provocação, Takashi pisou no pé do colega com toda a força que possuía. Inspirado por Ann, também vestia um calçado de sola reforçada. O chinesinho sorriu satisfeito ao ver o amigo gritar de dor e se sentar para massagear o pé dolorido em uma cena realmente cômica. – Vocês vão ver só! Eu vou vencer o grupo 3, e depois vou vencer quem quer que seja que se classifique no grupo 4 e vou vencer até a Ann se for preciso! Eu e o John vamos nos encontrar nas finais, vocês vão ver!

- É assim que se fala, meu Ratinho de Laboratório!

Keiko não poderia ter escolhido uma melhor hora para aparecer ao lado de seu time. Ao gritar o apelido íntimo de seu filhote, a mulher escolheu exatamente o momento em que um grande número de espectadores e participantes cruzava a porta de entrada rumo às arquibancadas. Eles ainda não sabiam, mas a nova narradora do torneio estava entre essas pessoas. O grupo só saberia a real extensão dos estragos ao entrar no ginásio.


- Welcome, welcome to another Beyblade Tournament! – Exclamou a voz de Fiona Campbell, uma garota de não mais do que vinte anos de idade, de cabelos roxos desparelhos e brilhantes olhos azuis. Usava uma calça jeans rasgada nos joelhos e uma camisa da BBA propositalmente recortada nas mangas, gola e bainha. Sua voz era até suportável quando comparada à voz do narrador do circuito mundial, que este ano curtia férias bem-merecidas no Hawaii depois de um ano trabalhando duro, mas ainda assim passava longe do recomendável por otorrinolaringologistas. – Vamos entrando, vamos entrando, que as lutas já vão começar! Neste ano pós-campeonato mundial teremos a presença dos WATB, que chegaram até a Rússia depois de se consagrarem vice-campeões continentais, e também de Takashi Yadate, um dos membros dos Taichi, a grande equipe campeã, mais conhecido como Ratinho de Laboratório! – A platéia aplaudio seus ídolos, rindo-se da revelação inusitada. O momento coincidiu com a entrada das ditas celebridades no ginásio, e Takashi por uma vez na vida agradeceu ao fato de ser tão baixinho e poder facilmente se esconder entre os amigos neste momento tão desconfortável.

- Parece que o apelido do nosso amiguinho agora é de conhecimento geral... – Comentou William casualmente enquanto ele e seus amigos se dirigiam às arenas. – Não é interessante?

- NÃO! – Exclamou a voz de Takashi vinda de algum lugar entre as pernas de John e Ann. – E mais um comentário seu e eu vou cuidar para que você e Tanka sejam desclassificados antes mesmo das lutas começarem!

- Eu tô pagando pra ver...

Takashi e William só pararam de discutir quando tomaram seus lugares nas arenas designadas. A maioria dos competidores já estava em posição, e todos eram pelo menos meio metro maiores do que o Pigmeu Asiático.


- E vamos agora começar as lutas! – Anunciou Fiona ao ver que todos os competidores já estavam em posição. – Lembrando que é todos contra todos agora! Prepararem-se para o grande espetáculo que começa em três, dois, um, GO SHOOT!!

- GO SHOOT!! – Gritaram os beybladers em coro. O som de centenas de peões escapando dos lançadores e caindo nas oito arenas se propagou por não mais do que alguns segundos antes de ser substituído pelo do choque do metal contra metal. O torneio neozelandês havia oficialmente começado.

- E na arena 1 a luta já está praticamente acabada! – Exclamou Fiona pouco mais de dois minutos depois de iniciados os confrontos. – Ann Willians, a vice-líder dos WATB, não encontrou nenhum adversário digno de desafiá-la em seu grupo, e já está com a classificação para as quartas-de-final garantida! Isso é que é poder, minha gente!

Assim que as lutas em seu grupo terminaram, a vencedora pegou Takuki e seguiu em direção a sua treinadora para assistir com ela as demais lutas. Ann estava passando pela arena dois quando se deteve, porém, reconhecendo um dos lutadores.

'Julian está lutando... Ele parece ser melhor do que os outros, os movimentos dele são bem mais controlados e decididos. Com um pouco de sorte seremos adversários amanhã. Não que eu tenha que me preocupar em perder para ele, claro, ontem ele não me pareceu tão bom a ponto de desafiar o nosso reinado. Eu e John vamos fazer a final de novo esse ano, e dessa vez EU é que vou ganhar!'

Os pensamentos de Ann não haviam se concluído quando Julian Ross foi anunciado o vencedor do grupo dois, segundo lutador classificado para as quartas-de-final. O garoto chamou por sua amiga e os dois deixaram juntos a arena, decididos a observar os confrontos restantes das arquibancadas.

- E o grupo cinco já tem um vencedor! Como já era de se esperar, William Hopfiel, dos WATB, não teve piedade de seus oponentes, mandando todos para longe sem parar para pensar! – Anunciou Fiona enquanto o vencedor em questão acenava e sorria para o público, esperando que as meninas bonitas da platéia caíssem de amores por ele agora que havia mostrado todo seu poder. O mestre de Tanka ficou desapontado quando percebeu que a grande maioria do público na verdade ão estava mais prestando atenção nele agora que as lutas em seu grupo estavam terminadas e ainda havia outros cinco grupos batalhando.

- Convenhamos, se o William um dia parar para pensar no que está fazendo, ele vai demorar tanto para conseguir chegar a qualquer conclusão lógica que vai acabar perdendo a luta! – A exclamação de Ann serivu para que William a localizasse nas arquibancadas e fosse em sua direção. Como a garota provavelmente ainda estava sob efeito dos remédios para cólica, o garoto não achou prudente devolver a provocação, valorizava sua vida demais para se arriscar tanto.

- E o oponente de William Hopfiel acaba de ser decidido! Ruby Wray, uma novata no campeonato, acaba de vencer todos os seus oponentes com um golpe impossível de dizer se aconteceu por sorte ou se foi muito bem planejado! E no grupo quatro parece que Ted Black vai ser o vencedor logo, logo!

Ann, Julian e William ignoraram Fiona para prestar atenção nos três grupos ainda não mencionados por ela. Enquanto Emy e Takashi pareciam estar com dificuldades para derrotar todos os oponentes de seus grupos, John adotara a estratégia inusitada de deixar que seus concorrentes se auto-destruíssem lutando uns contra os outros antes de se mexer para enfrentar apenas o último vencedor. Naquele momento, além do mestre de Takk outros três beybladers ainda lutavam, duas meninas e um menino, estando tão concentrados em seu confronto triplo que até se esqueceram da presença do líder dos WATB entre eles.

- Vamos lá, Ratinho de Laboratório, mostre do que você é capaz! – Exclamou William em seu melhor tom provocativo ao ver seu amiguinho diminuto em dificuldades. Takashi imediatamente encarou-o de volta, com os olhos em chamas e o rosto fumegante:

- Você vai ver o ratinho de laboratório, William! Eu vou vencer aqui, eu sei que posso vencer aqui! Vamos ao ataque! Vamos vencer!

A súbita mudança nos rumos nas lutas do grupo 3 chamaram a atenção da narradora, que passou a dar atenção exclusiva ao chinesinho e seus novos ataques:

- Meu Deus, vejam isso, meus amigos: o Ratinho de Laboratório campeão mundial finalmente acordou para a luta! Ele agora está sozinho contra um único oponente e sua beyblade multicolorida está com a vantagem! Será que ele vai conseguir se classificar para as quartas-de-final?

- Mas é claro que eu consigo! – Takashi respondeu, elevando sua voz alto o suficiente para que o ginásio o ouvisse sem precisar de microfone. Os lutadores nas arenas vizinhas também pararam para escutá-lo, alguns estupefatos, outros felizes e ainda outros orgulhosos. – E eu não sou nenhum Ratinho de Laboratório! Eu sou Takashi Yadate, membro dos Taichi, e vou mostrar pra todo mundo o porquê de eu ser parte da equipe campeã mundial!

Poucos segundos depois a beyblade de Paul Tinny, o infeliz que teve o azar de estar do lado receptor da determinação do chinesinho, foi mandada para longe, caindo em algum lugar no meio das arquibancadas, na cabeça de outro infeliz que só queria assistir à competição e voltar para casa sem ter antes que passar no hospital para costurar a testa.


A falta de sorte do torcedor atingido chamou a atenção do restante do público, da narradora e dos demais participantes, interrompendo a competição até que pobre coitado fosse retirado do ginásio em uma ambulância. Somente depois que o adolescente de dezesseis anos – um dos colegas de classe de Marik Hopfiel, irmão mais velho de William – não estava mais à vista foi que Fiona declarou Takashi o vencedor do grupo três e próximo adversário de Ted Black.

- Grande luta, Ratinho de Laboratório! – Cumprimentou William, o único na pequena torcida do garoto a sorrir. – Você conseguiu acertar logo o mais chato dos amigos do meu irmão, eu te devo essa! – O mestre de Tanka abraçou o amiguinho, apertando-o em seus braços até Takashi começar a implorar por sua vida e pela integridade de seus pulmões e costelas.

- Agora falta só a Emy e John... o que será que está acontecendo com a Emy pra ela estar demorando tanto pra vencer? – Perguntou Ann, observando a arena sete com curiosidade. Sua amiga não era fraca, não era burra, e tinha Tauik para tirá-la de situações difícies. Ao contrário de John, o cérebro dos WATB não parecia estar prologando a luta de propósito, ela parecia mesmo em apuros.

- Pode ser que ela esteja com algum problema relacionado a sua nova técnica. – Sugeriu Keiko, também com os olhos voltados para a arena sete. Takashi estava em seu colo, usando-a para se proteger de um William excepcionalmente feliz e perigoso. – Ela pode estar se sentindo insegura por ainda não tê-la dominado, o que faz com que ela perca sua concentração mesmo em uma das lutas mais simples.

- Ao menos ela ainda não saiu da arena...

Tão logo Ann terminou de falar, Taiuk passou realmente perto de perder após uma investida combinada de quatro oponentes. Emy conseguiu se segurar no último segundo, atacando uma das beyblades e tirando-a da arena.

- E as batalhas seguem quentes no dois últimos grupos restantes! Emy Fraze, uma das integrantes do WATB, está encontrando dificuldades para enfrentar os adversários que resolveram combinar seus ataques contra ela! Será que uma das melhores beybladers do mundo vai coseguir escapar dessa? Ou será que três oponentes ao mesmo tempo são demais para ela?

'Eu não posso ficar com medo, não posso! Mesmo sabendo que Keiko-sensei conseguia me derrotar com duas beyblades, não é hora para desanimar, Emy Fraze! Essa é a oportunidade perfeita para você aprender a usar a sua nova técnica, o cenário não poderia ser melhor! Eu só preciso pensar que ainda estou na sala de treino e essas beyblades estão sendo controladas pela sensei para me fazer aperfeiçoar o meu ataque!'

Uma nova investida combinada tirou Emy temporariamente da trilha de seu raciocínio. A garota tentou se recuperar o melhor possível, executando manobras evasivas com o objetivo de criar uma distância segura entre Tauik e as demais beyblades para que ela pudesse continuar a pensar.

'Não, eu não posso encarar isso como um simples treino! Essas beyblades não são como as beyblades de Keiko-sensei, seus movimentos são diferentes, elas são mais ágeis e muito mais agressivas! Elas não são a sensei, mas eu preciso pensar nelas como sendo a sensei para poder me acalmar e atacar. Elas são e não são... Droga, isso não faz sentido! A não ser...'

- Hey, garotos, se vocês estão mesmo tão desesperados para me tirar do jogo, por que não atacam todos juntos de novo? – Ao fazer a pergunta, Emy sabia que seus adversários não pararariam para analisá-la e tentar desconfiar que se tratava de uma armadilha. Com apenas uma rápida observação do trio a sua frente (dois meninos de dentes tortos e uma jovem de mais de vinte anos) era possível concluir que estavam todos igualmente desesperados para se livrar da grande estrela do jogo e não hesitariam em agarrar a primeira grande chance de fazê-lo.

- Foi você que pediu, não vai reclamar depois! – Exclamou um dos garotos, o da esquerda. Eles provavelmente eram gêmeos, pois seus dentes saltavam para frente do mesmo jeito e se entortavam nas mesmas direções. O detalhe de seus cabelos, olhos, e até mesmo altura serem bem distintos quase passava despercebido com bocas tão chamativas.

- Tauik, é hora de lutar para valer! É agora ou nunca, ataque Red Illusion!

O trio de adversários só pôde observar, estupefatos, enquanto a águia bicolor de Emy aparecia perante eles no ginasio enquanto sua beyblade descrevia círculos ao redor de suas beyblades, tirando-as da arena antes de precisar tocá-las. Finalmente Emy completara seu ataque, e felizmente para os espectadores as três beyblades derrotadas aterrisaram seguramente nas maõs de seus donos.

- E o grupo sete já tem sua vencedora! Pessoal, vamos aplaudir o espetáculo comandado por Emy Fraze, que mostrou para todos nós o quão poderosa é a sua magnífica fera-bit! Vamos lá, aplausos, aplausos!

A platéia fez como ordenado, ovacionando a vencedora. Emy ficou devidamente corada por alguns minutos, porém já estava de volta ao normal na altura em que o grupo de John decidia seu vencedor.


- Agora que as criancinhas já terminaram de brincar, está na hora de ensinar a vocês como é que se luta de verdade! – Exclamou John, assim que as duas meninas do trio que ainda lutavam foram desclassificadas. O único lutador restante era um garoto um pouco mais novo do que ele, com um aspecto selvagem que lembrava vagamente Ann em seus piores dias.

- Eu não me importo se você é um dos melhores do mundo, se tem uma fera-bit ou se você se acha é o melhor só porque esteve na Rússia ano passado! Eu não sou de deixar nomes e currículos me atingirem! – Exclamou o adversário de John em resposta. Sua beyblade imediatamente começou uma onda de ataques.

- Realmente, se eu fosse qualquer outra pessoa, com certeza não conseguiria manter a calma neste momento. – O líder dos WATB, apesar de ser tão cruelmente atacado pelo advesário, mantinha um leve sorriso em seus lábios, lembrando-se de cenas que aconteceram a pouco mais de um ano, quando ele e sua irmã mais velha lutavam para decidir quem deveria se tornar o líder dos WATB. – É uma pena que eu já tenha experiência com lutadores impulsivos e irritadinhos. Esse foi o "golpe" que eu usei para ganhar esse torneio ano passado, observe-o bem.

Obedecendo a uma ordem mental de John, Takk saltou por cima da beyblade adversária para escapar dos sucessivos golpes. Na arquibancada, William, Emy e Keiko sorriam ao reconhecer a "técnica" de seu líder, enquanto Ann virou o rosto para não ter que rever sua derrota de um ano antes.

- O que? Você ganhou a luta com um saltinho? Então seu adversário deveria ser mesmo muito burro! – A nova declaração do adversário de John fez Ann voltar a olhar para a arena, preparando Takuki para o lançamento com um olhar quase assassino muito assustador. Mais uma palavra na direção errada e o garoto corria o risco de ser desclassificado por perder a consciência na arena.

- É melhor não chamar a minha irmã de burra. Ela morde, e quando morde pra valer, se recusa terminantemente a soltar. – Ann imediatamente mudou sua mira, apontando Takuki na direção da cabeça de seu irmãozinho. Com o canto do olho, John percebeu a movimentação nas arquibancadas e involuntariamente passou a suar frio. – Bem... Como eu ia dizendo... é melhor acabarmos logo com isso... ou alguém vai se machucar sério...

O adversário de John não entendeu a mudança repentina na postura do oponente, porém encarou essa mudança como sua chance de vencer e por isso continuou atacando. Apesar da ameça que sua irmã muito irritada com uma beyblade pronta para ser lançada em mãos representava, o líder dos WATB voltou a se concentrar na arena, retornando aos seus planos iniciais de como acabar com esta luta.

Takk novamente saltou por cima da adversária para escapar das investidas maciças, irritando seu oponente e fazendo com que ele atacasse ainda mais. John sorriu, o garoto reagia do mesmo jeito que sua irmã.

Quando as finais do ano anterior começaram, todos apostavam que Ann seria a vencedora. Era uma escolha lógica: Ann era a mais velha, a mais explosiva, a que possuía o temperamento forte e ar dominador, a impiedosa lutadora com fogo no olhar; enquanto ele era apenas o irmão mais novo, calmo e reservado, que facilmente se deixava dominar e se encolhia a cada ameaça da irmã. A vitória de Ann era certa, nem mesmo Keiko duvidava.

O que ninguém imaginava – e John ainda se orgulha de ter causado tamanha surpresa – é que o gêmeo mais novo, o mais fraco, tímido e submissivo dos irmãos também tivesse seu lado insisivo, decidido e agressivo, que quando combinado com sua mente objetiva e calma criava a combinação perfeita para fazer o impossível e vencer até mesmo Ann Willians.

Há um ano atrás, John não precisou de Takk para fazer Ann peder o controle e fazer Takuki sair da arena após uma série de investidas mal-sucedidas. Nesta luta, John não precisou de Takk para fazer seu adversário perder o controle e fazer sua beyblade sair da arena pelo mesmo motivo.

E assim foram decididos os oito competidores a participarem das quartas-de-final.


Julian voltou para casa assim que as lutas se encerraram, recusando o convite de Takashi de ir comemorar com ele em sua casa. O chinesinho encarou-o de um jeito estranho por um tempo demasiado longo antes de dar-lhe as costas e seguir com sua mãe e amigos para a saída do ginásio. O que Takashi estaria pensando? Julian com certeza não tinha nada estranho em seu rosto ou em suas roupas para que seu amiguinho o encarasse daquela maneira, não que ele soubesse. Ele não podia ter mudado muito nesses últimos dias, poderia? Provavelmente não, não quando ele mesmo não conseguia perceber nada de errado.

Tão logo alcansara a segurança e conforto de seu quarto, o modormo bateu na porta, trazendo-lhe o telefone sem fio apoiado em uma almofada fofa estofada com veludo vermelho. Já imaginando quem o telefonaria àquela hora do dia, o garoto apanhou o objeto e mandou o mordomo se retirar. O homem ergueu uma sobrancelha para a voz monótona e desanimada do garoto que conhecia desde bebê, porém não disse nada, retirando-se como ordenado.

- É você mesmo? – Perguntou o garoto, tão logo viu-se sozinho no quarto novamente,

- Sim, quem mais seria? – Respondeu a voz do outro lado da linha. Era uma voz masculina e jovem, provavelmente de um adolescente. Apesar de jovem, o dono da voz falava como se fosse muito mais velho, como se fosse alguém que já viu muitas coisas e que sabe muitas coisas. Era uma voz carismática e eloqüente, com uma pontinha quase imperceptível de ressentimento. Falava como um orador profissional em seu melhor discurso, sem se preocupar se na verdade se dirigia aos amigos, empregados, rivais ou professores. – Como foi no torneio?

- Eu me classifiquei como esperado. Não precisei usar a fera-bit que me deu. Minha adversária amanhã é Ann Willians. Devo prosseguir com o plano? – O próprio Julian não percebeu, mais em comparação com a voz eloqüente do telefone, a sua própria voz ia aos poucos perdendo a animação e os sentimentos, tornando-se impessoal e fria.

- Sim. Takuki é uma das feras-bit mais poderosas, com certeza vai ser de grande ajuda.

- Quando eu estarei de partida para te entregar os o que me pediu?

- Assim que o torneio acabar. Se você puder, alerte seus amiguinhos e o pequeno Taichi, as coisas se tornarão mais interessantes se eles souberem que você está vindo para cá. São até capazes de segui-lo...

- Sim, eu farei como você quiser, se você realmente cumprir a sua promessa no final. – A voz de Julian pela primeira vez assumiu um tom firme, como se apenas para esse assunto ele ainda fosse como ele mesmo.

- Não confia em mim, Julian Ross? Achei que a minha última demonstração havia sido suficiente para você...­ – A voz do outro lado da linha parecia divertida, rindo-se do garoto.

- Eu só quero garantias...

- Não se preocupe. Faça o que eu pedi e logo, logo nós teremos o poder de fazer a verdadeira justiça. Estamos fazendo o que é certo, você sabe. Até logo.

Julian não teve tempo de responder. Não que ele realmente quisesse, na verdade. Enquanto pudesse ter essa certeza de que estava fazendo a coisa certa e de que suas ações trariam a justiça de volta para sua família, não pensaria duas vezes antes de agir, mesmo que isso significasse machucar Takashi e seus amigos.


Takashi:

Aiai, Jamie, olha lá o que você vai fazer... Você está cruzando uma linha muito perigosa com esse finzinho de capítulo, você sabe disso... o.o

Julian: É tudo em nome da justiça, Takashi... (Com cara de peixe-morto zumbi)

Takashi: Oh, não, Julian! Não, tudo menos essa cara de peixe-morto! Tudo menos issoooo! X-x

(Takashi desmaia ao ver a cara de peixe-morto do Julian)

Julian: Bem, o que eu posso fazer? Eu estou fazendo o que é certo...

(Julian some do off-talk falando com alguém no telefone)

(Off-talk temporariamente em silêncio porque nenhum personagem ainda se apresentou)

(Close no vulto sentado em um banquinho)

Vulto sentado em um banquinho: A-ha-ha. Muito engraçado. ¬¬ Eu sou o Personagem Misterioso do último off-talk. Ninguém adivinhou a minha identidaade. Por causa disso, eu não vou dizer quem eu sou. Quando as pessoas começarem a fazer palpites, eu digo! (Brilho malvado nos olhos da criatura)

Rumiko: (Aparece vestida de apresentadora de novo) Não vai dar nenhuma pista extra? O.o

Personagem Misterioso do off-talk passado: Eu estava achando que tinha sido até revelador demais nas últimas pistas que eu dei...

Rumiko: Dá uma pista que não seja indireta e complicada... quem sabe ajuda? n.n

Personagem Misterioso do off-talk passado: Tá, né, se é pras pessoas ao menos tentarem dar um palpite...

Minha cor favorita é azul.

E enquanto ninguém der um palpite, eu não digo quem eu sou! ¬¬''

Rumiko: Erm... bem... (Rumiko observa enquanto o Personagem Misterioso do off-talk passado se levanta do banquinho e outro ser misterioso aparece lá)

Ser Misterioso: Oi, Rumiko! Parece que os personagens votaram em unanimidade pra eu ser a nova charada... disseram que assim ia ser mais fácil!

Rumiko: Então você não está irritado, amarrado e com vontade de me trucidar por causa desse quiz que o Jamie inventou? O.o

Ser Misterioso: Não. n.n

Rumiko: Ah... que bom... (Rumiko respira aliviada) Vamos à primeira pergunta então... (Rumiko remexendo os papéis pra achar as perguntas) Ah, sim... Você é homem ou mulher?

Ser Misterioso: Hum... Eu posso responder indiretamente como o Personagem Misterioso do off-talk passado?

Rumiko: Ai, só pra complicar a minha vida... ç.ç

Ser Misterioso: Ah, não! Se eu acabar complicando a sua vida, então eu respondo diretamente... Não se preocupe, Rumiko!

Rumiko: Obrigada, Ser Misterioso! Você é tão compreensível! (Rumiko corando)

Ser Misterioso: É que eu...

(Passa um aviãozinho de papel voando na direção da Rumiko)

(Aviãozinho de papel aterrisa no nariz da Rumiko)

(Rumiko tem um ataque de pânico e o Ser Misterioso quase se revela pra ir ajudá-la)

(Equipe da produção do quiz se encarrega de acalmar a Rumiko)

(Rumiko se acalma e lê o bilhete que estava no avião de papel)

Rumiko: Hum... aqui diz que é contra as regras o Ser Misterioso/Personagem Misterioso/Ser desconhecido/Personagem desconhecido da vez responder a todas as perguntas com respostas diretas, para manter o nível de dificuldade do quiz e fazer o público pensar!

Ai, droga... Já vi que eu vou ficar boiando agora... ç.ç

Ser Misterioso: Oh, não, Rumiko! Não perca as esperanças! Eu tenho certeza que você vai ser capaz de descobrir quem sou eu antes mesmo dos leitores!

Rumiko: Como é que você sabe? O.õ

Ser Misterioso: O meu coração me diz! Se você deixar seu coração te guiar, eu tenho certeza que vai achar a resposta!

Rumiko: Oh, ser misterioso! Isso é tão romântico! (olhos brilhando)

Pena que eu ainda não tenha nenhuma idéia de quem você seja...

(Ser Misterioso cai do banquinho)

Rumiko: Oh, ser misterioso, você está bem? O.O

(Ser Misterioso não responde)

Rumiko: Ser Misterioso? O.O'

(Ainda sem resposta)

Rumiko: Ser Misterioso-o? O.O''

(Equipe da produção tira o corpo incapacitado do Ser Misterioso do off-talk)

Personagem Misterioso do off-talk passado: Bem, parece que com isso teremos que encerrar por aqui o segudo quiz.

Lembrem-se: se ninguém der nenhum palpite sobre as nossas identidades, nós vamos continuar aparecendo como Personagens/Seres Misteriosos.

E não são somente as respostas das perguntas que contam – até porque se fosse assim, esse off-talk teria sido um completo desperdício porque o Ser Misterioso não teve a competência de responder a uma pergunta sequer... – mas tudo que fazermos ou dizemos durante o desenrolar do off-talk.

Até o próximo capítulo,

Personagem Misterioso.