Nota do James: Ahahah, minha internet está de volta! Não preciso mais usar o pc da universidade pra postar! XDDDD

Como se isso importasse parar as pessoas...

Ah, aproveitem...


Rumiko:

(Vestida de apresentadora) Oi pessoas! o/

Pessoas: Oi, Rumiko! o/

Rumiko: Como parece que ninguém ainda foi capaz de acertar a verdadeira identidade do Personagem Misterioso do capítulo retrasado (close no Personagem Misterioso em depressão no cantinho "Angst" do off-talk), o Jamie decidiu ser bonzinho e dar mais uma chance para as pessoas tentarem adivinhar. n.n

Lin: É, mas essa é a última chance. Depois de hoje, se ninguém acertar, vamos considerar o Personagem Misterioso como um caso perdido e anunciar sua identidade no próximo capítulo, que aliás é o último desta parte da história.

Yoshiyuki: É, e depois disso nossos fãs vão ter uma série de capítulos só comigo e com o Nii-chan, não é legal? XDD Nós vamos finalmente contar o que estivemos fazendo depois de descobrir sobre o Ueno-san! XDD

(Close no público comemorando a volta do Yoshiyuki e do Koichi)

Yoshiyuki: Noooosa... XD Nossos fãs ficaram mesmo animados! XDD Até me curaram da depressão... Por esse capítulo! XDD

Koichi: Yoshiyuki, cai fora que essa parte do off-talk é só pra Rumiko e pra Xing. ¬¬''

Yoshiyuki: Mas Nii-chan... XDD (olhinhos de criancinha pidona)

Koichi: Eu te dou chocolate se você sair agora.

Yoshiyuki: CHOCOLATE!! XDDDDDDDDD EU QUEROO! XDDDDD

(Koichi e Yoshiyuki somem do off-talk)

Lin: Muito bem, Rumiko, acho que agora podemos começar. u.u

Rumiko: Começar o que? O.õ

Lin: As perguntas. Você vai refazer as perguntas que você fez ao Personagem Misterioso e eu vou responder por ele da maneira mais direta e óbvia possível. u.u

Rumiko: Ah... Mas você sabe o suficiente sobre o Personagem Misterioso para poder responder por ele?

Lin: Como eu não sou nenhum dos personagens desconhecidos dos quizzes, eu temo que não seja obrigada a responder a sua pergunta. É melhor deixar que as outras respostas falem por mim.

Rumiko: Ok... Então vamos começar! n.n Lembrando que tudo que acontece no off-talk vale como pista pra desvendar a identidade secreta, nada é por acaso!

Lin: É, nada MESMO. u.u A não ser talvez o fato de a Rumiko ser a apresentadora...

Rumiko: O Jamie me escolheu porque eu sou a personagem principal, oras!

Lin: Ah, claro... Primeira pergunta então, querida personagem principal... u.u

Rumiko: Ah, tá... A primeira pergunta era... (Rumiko checando as folhas com as perguntas) Era... Oh, Se o Personagem Misterioso era homem ou mulher. O.õ

Lin: Na verdade, ele ainda é só um menino.

Rumiko: Oh, certo... E ele é mais velho ou mais novo que o Jamie?

Lin: Mais novo, mas ele se considera mais maduro do que o James.

Personagem Misterioso: Eu e mais três quartos dos personagens! ò.ó

Lin: Você não deveria estar aqui, Personagem Misterioso. Esse off-talk é só para mim e para a Rumiko, lembra?

Personagem Misterioso: Humpf, que seja... Ao menos agora eu tenho uma chance de não ter mais que ficar aparecendo com o nome de Personagem Misterioso... Meu nome é tão mais bonito que isso...

(Personagem Misterioso some)

Lin: Ah, ignora, Rumiko, ignora. Qual a próxima pergunta? u.u

Rumiko: Hum... Ele tem uma fera-bit?

Lin: Sim.

Rumiko: Qual a altura dele?

Lin: 1,55 m. Em 2004, claro. Agora ele é mais alto.

Rumiko: Ainda bem... Se ele continuasse baixinho assim, eu ia dizer que ele é um segundo Takashi...

Takashi: Hey, isso não é justo! Porque todo mundo sempre faz piadas com a minha altura? Eu já cresci um pouquinho, viu, nem sou mais tão baixinho assim!

Ken: É, agora você tem 1,30m... Aos doze anos e meio de idade...

(Ken e Takashi somem em uma nuvem de fumacinha)

Rumiko: (olhando pra nuvem de fumacinha) Ah...

Lin: Próxima pergunta?

Rumiko: Hum... ele é gordo ou magro?

Lin: Magro. Talvez um pouco magro demais até...

Rumiko: Cor dos olhos? O.õ

Lin: Azuis-esverdeados.

Rumiko: Como é o cabelo dele?

Lin: Preto e cumprido. E macio, sedoso... essas coisas que deixariam meninas obcecadas por cabelo bem raivosas.

Rumiko: Oh... E ele tem irmãos?

Lin: Tem um. E um monte de amigos próximos o suficiente para serem chamados de irmãos também.

Rumiko: Ah... (cara de quem entendeu a teoria da relatividade) E o irmão é mais novo ou mais velho?

Lin: É mais novo. Ou pelo menos foi isso que o os adultos nos disseram.

Rumiko: O.O

Lin: É, essas coisas podem acontecer. Ainda mais no caso deles. u.u

Rumiko: Ok... E quantos membros tem a equipe dele?

Lin: Quatro.

Rumiko: Finalmente estamos chegando em algum lugar! (Rumiko dançando no palco do off-talk) Ahaha! E ele participou do campeonato mundial de 2003?

Lin: Não. Ele estava ocupado fazendo outras coisas.

Rumiko: Que outras coisas? Isso seria a minha próxima pergunta de qualquer jeito... hehehe

Lin: Lutando por liberdade.u.u (musiquinha sentimental no fundo)

Rumiko: Oh, que emocionante! E o maior sonho dele é...

Lin: Liberdade, oras. Se não fosse, ele não estaria lutando por isso pra começar.

Rumiko: É, verdade...

Lin: Mais alguma pergunta?

Rumiko: O rival dele é...

Lin: Nessa parte da história... provavelmente o Ken ou Isaac cheguem perto disso.

Rumiko: E ele tem namorada? (Marias-fofoqueiras da platéia subitamente interessadas na resposta)

Lin: Não até o capítulo 22. n.n

Rumiko: O que isso significa?

Lin: Essa pergunta não foi feita ao Personagem Misterioso, eu não sou obrigada a respondê-la.

Rumiko: Droga... ¬¬''

Lin: alguma últimam pergunta?

Rumiko: Ah... quando eu ia fazer a última pergunta aconteceu um tumulto e...

(Aparece o Toshihiro felizão pulando pelo palco)

Toshihiro: Ahahahaha, ahahahaha, as pessoas adivinharam quem eu era logo de primeira! Ahahahaha, hahahaha! Eu sou demais! (Toshihiro puxa a Rumiko pra dançar junto com ela)

Lin: Parabéns, Xia-san, você acertou ao menos um dos seus palpites... (olhando pra Rumiko e pro Toshihiro em dúvida se deve rir ou se é mais importante manter a fachada de garota séria)

Vladmir: (Aparece do nada vestindo roupa chique de festa dançante) Senhorita Xing, aceita me fazer companhia para essa dança?

Lin: Oh, eu adoraria, senhor Igorov... (Lin usando um vestido de festa muito chique que custa os olhos da cara)

(Vladmir e Lin dançando no salão)

(Toshihiro e Rumiko dançando no salão)

(Todos os casais de Beyblade 2 dançando no salão)

(E só pra encerrar, uma bomba explode e a Terra vira pó)


CAPÍTULO XXII

DE MAL A PIOR

O mar era cristalino, não havia ondas e o sol brilhava forte. O golfinho azul nadava ao seu lado, brincalhão. Seu nariz o cutucava, e ele só podia observar enquanto a criatura saltava e mergulhava, chamando-o para se divertir. Era o paraíso.

Ao menos até o golfinho começar a gritar que ele não deveria perder o café da manhã e já era hora de sair da cama.

O sonho com o golfinho foi substituído pela melhor expressão cruel e assassina de Ann Willians. Por um momento, Takashi chegou a pensar que seu sonho se convertera em um pesadelo e que ele ainda estava dormindo, porém mudou de idéia ao sentir a dor de uma travesseirada certeira em seu rosto. O pesadelo era real, Ann de alguma forma parecia ter voltado ao seu temperamento normal alguns dias antes do esperado.


- É melhor se levantar logo se não quiser levar mais uma! – Exclamou a garota, já preparando seu próximo golpe. – Todos os outros já estão tomando café, só falta você!

- Ai... O mundo caiu e eu não fiquei sabendo...

Ann se irritou com a falta de reação (e medo) de seu amiguinho tampinha e agarrou-o pela gola do pijama, arrastando-o pelo chão até a mesa do café. Takashi foi em seguida jogado na cadeira especialmente elevada e praticamente forçado a engolir uma enorme fatia de pão com manteiga. John, William e Emy apenas observavam impressionados o quanto sua vice-líder havia mudado por causa de um único comprimido contra cólicas.

- Gente, o que houve com a Ann? Por que ela voltou tão rápido? Achei que as nossas férias fossem de uma semana... – Perguntou William para ninguém em especial enquanto a mestra de Takuki enchia uma xícara gigante de café forte para o filho de sua treinadora. Apesar dos abusos, Takashi ainda parecia bem sonolento e desligado do mundo exterior.

- William, se você não quiser ter as calças encharcadas pelo meu café fervente é melhor se calar agora...

O mestre de Tanka engoliu em seco e voltou sua atenção para o prato de bacon e ovos fritos colocado diante dele quinze minutos antes pela mesma Ann super-energética e ameaçadora que agora se dedicava a fazer Takashi tomar todo o café, ignorando os protestos do garoto sobre uma língua queimada.

- Hey, Ann, você está mais energética do que o normal hoje. São só as quartas-de-final, o que aconteceu para você ficar tão animada? – Perguntou John, tentando soar o mais calmo e inocente possível, pensando muito bem em cada palavra que pronunciava. Depois do que acontecera a William e Takashi ele não estava muito inclinado a sentir a ira da irmã cedo da manhã.

- Ora, John, achei que fosse óbvio! – Respondeu a garota, sorrindo e sentando-se em seu lugar agora que Takashi já havia terminado o café e dirigia-se à cozinha para mergulhar a língua queimada em uma bacia de água fria. O mestre de Takk respirou aliviado ao perceber que a irmã não o escolhera como próxima vítima. Ainda. – Eu vou lutar hoje de novo, mesmo com os meus hormônios querendo me impedir! É uma grande vitória pra mim, eu finalmente dominei esses malditos, preciso comemorar de algum jeito!

- Ainda assim, você devia tomar cuidado, Ann. – Comentou Emy, sentanda a uma distância segura da companheira, já quase terminando o café. – Você tomou o comprimido muito cedo hoje, existe uma chance de o efeito passar antes das lutas terminarem.

- Ah, fica fria, Emy! – Ann continuou sorrindo, o que sugeria que seu lado cruel e demoníaco manifestava-se apenas quando as pestes dos D.E.M.O.N.S. estavam por perto. – Hoje nós faremos apenas uma luta, não é verdade? Além do mais, meu adversário é o Julian, da última vez que nos enfrentamos eu ganhei praticamente sem esforço!

Takashi escolheu exatamente este momento para voltar para a sala, com a língua para fora mergulhada em um copo com água e cubos de gelo. O chinesinho lançou um olhar reprovador para a mestra de Takuki antes de respirar fundo e declarar:

- Se eu fosse você, tomava mais cuidado hoje. Desde a nossa festinha eu já achava que o Julian estava diferente e ontem eu praticamente confirmei as minhas suspeitas. Os olhos dele mudaram, alguma coisa aconteceu com ele. Eu não sei o que isso significa, mas com certeza boa coisa não é.

Ann teria novamente abusado do garotinho menor e mais fraco do que ela se Keiko não tivesse entrado na sala naquele momento, anunciando que o grupo deveria partir em quinze minutos.


Os WATB resolveram ignorar o discurso animador de Fiona Campbell ao entrar no ginásio e se preparar para as lutas. A narradora provavelmente não dizia nada além dos habituais "bem-vindos" e "hoje teremos um grande espetáculo com os oito melhores beybladers do país competindo por quatro vagas nas semifinais", e assim eles também evitavam ter que ouvir qualquer referência ao "Ratinho de Laboratório", já que a mulher parecia ter realmente gostado do apelido e o utilizava sempre que possível.

Como no dia anterior, as lutas seriam todas realizadas ao mesmo tempo. Quatro arenas haviam sido preparadas, e Julian, Ted e Ruby já aguardavam seus oponentes em posição. Takashi tentou cumprimentar o amigo enquanto se posicionava em frente a Ted Black, porém o garoto virou o rosto ao vê-lo, aparentemente mais interessado em uma mosca que voava por perto.

- Os competidores estão em posição! É agora, o momento que todos esperavam! Três, dois, um, GO SHOOT! – Exclamou Fiona, mandando as oito beyblades para a arena. As quartas de final haviam oficialmente começado.

- Hey, Julian, como vão as coisas? – Perguntou Ann, tentando dar um bom início a uma luta que, no que dependesse dela, terminaria em massacre. – Já está se sentindo melhor depois que a sua irmã...

- Ah, claro, você não faz idéia do quanto... – Caso Ann não estivesse tão certa de que venceria esta luta e tentasse prestar um pouco mais de atenção em seu oponente, teria percebido o soriso malicioso contrastando com os olhos negros e sem vida no rosto do adversário.

- Fico feliz por você. É uma pena que eu tenha que eu tenha que estragar um pouco as coisas pra você...

E Takuki começou a atacar.


Na arena ao lado, Takashi bem que tentou observar seu amigo e tentar descobrir o que estava acontecendo, porém Ted Black se encarregou de impedi-lo. O garoto, de não mais do que onze anos de idade, tinha todas as características de um pequeno demoniozinho: olhos brilhantes e estreitos, sorriso malicioso, pose de imitação barata de bad boy e a sombra de dois pequenos chifrinhos saindo de sua testa causada por seus cabelos rebeldes que apontavam para todas as direções. Se ele e Takashi tivessem se encontrado fora da arena, provavelmente teriam se tornado bons amigos. Sua beyblade não atacava Takashi diretamente, porém impedia qualquer tentativa do garoto de atacar, como se soubesse de antemão o que ele prentedia fazer.

- Hey, hey, Ratinho de Laboratório, sua luta é aqui! – Exclamou o garoto ao perceber seu adversário novamente olhando para a arena ao lado. – Eu sei que a garota Willians tem lá seu charme quando irritadinha daquele jeito, mas você é novinho demais pra ficar olhando pra ela por esse ângulo... – Ted começou a rir de sua própria piada, e alguns garotos nas arquibancadas próximas logo seguiram sua deixa. Takashi sentiu a pele de seu rosto esquentar em uma mistura de raiva e vergonha, e como resposta sua beyblade finalmente acertou os primeiros golpes no alvo.

- Não. Me. Chame. De. Ratinho. De. Laboratório. – Grunhiu ele, fechando os punhos na expressão mais ameaçadora que seu corpinho minúsculo de criança de pré-escola conseguia reproduzir. – Não. Me. Subestime. – Ted por um momento pensou ter visto espuma saindo da boca de seu oponente, bem como vapor de suas orelhas, porém com um chacoalhar de cabeça a ilusão desaparecera. – Foi você quem pediu! Eu vou te ensinar a não propagar os apelidos da minha mãe!

Ted engoliu em seco. Estava sendo ameaçado por um anão com cara de bebê. Em qualquer outra situação estaria rindo da cena, porém esse não era o caso desta vez. Takashi podia até parecer engraçado, mas era também perigoso.


Enquanto isso, William deixava com que Tanka se divertisse contra um oponente que o garoto considerava mais fraco. Ele não queria terminar a luta rapidamente, sem poder mostrar todo o seu poder e habilidade apenas porque tivera o azar de enfrentar uma Zé-ninguém sortuda. Claro, havia também o fato de que a Zé-ninguém sortuda era uma garota mais velha e muito bonita, e William tinha esperanças de impressioná-la a ponto de poder chamá-la para um encontro após mostrar aos poucos do que era capaz.

- Você até que não é mau... pra um pirralho, quer dizer. – Exclamou Ruby, surpreendendo seu adversário. A beyblade de William passara os últimos dois ou três minutos atacando-a sem parar, a garota não parecia em posição de dizer uma coisa dessas.

- O que você quer dizer com isso? - Perguntou o mestre de Tanka, confuso com a afirmação inadequada.

- O que você ouviu, oras... Você é um pirralho. E você não luta mal. – Ruby sorriu, passando a mão por seus cabelos longos cor-de-fogo. William e uma grande parte do público masculino nas arquibancadas reagiu de forma patética e humilhante a este movimento, provocando risadas da porção feminina do público e da narradora.

- E a luta de William Hopfiel e Ruby Wray é sem dúvida a mais interessante até aqui! – Declarou Fiona, chamando a atenção da porção do público que assistia às demais lutas. – Meninas, observem bem o exemplo de instinto animal demontrado pelo nosso lutador e pela platéia ao redor, vejam como os homens são seres primitivos que se deixam levar pelo instinto ao invés de pensar!

As gargalhadas que ecoaram fizeram o mestre de Hopfiel sentir como se sua luta dos sonhos acabara de se tornar um pesadelo. Quando ele se imaginava sendo o centro das atenções do público feminino do ginásio, não era esse tipo de atenção que ele tinha em mente.


Os olhos de John mantinham-se fixos em Emy enquanto Takk era lançado na arena, assim como os olhos de Emy mantinham-se fixos em John enquanto Tauik caía para a batalha. Os dois sabiam que deveriam dar tudo de si nesta luta, que o fato de John ser o líder não significava que ele poderia facilmente ganhar e que, qualquer que fosse o resultado, eles tinham a obrigação de fazer um espetáculo.

- Mostre tudo o que você sabe, Emy. Eu e Takk não planejamos nos segurar.

John apenas falou o óbvio. Como resposta, Tauik apareceu ao lado de sua mestra, levando a torcida ao delírio. Não demorou muito e Takk também apareceu.

- Ontem eu me classifiquei para esta luta com um replay do que foi a final do ano passado. Será que esse ano eu me classifico pra semifinal com o replay da semifinal do ano passado?

- Não no que depender de mim, John! – Emy fez o primeiro movimento, a águia investiu contra o diabo da Tasmânia em uma série de golpes rápidos. John conseguiu evitar a maioria, porém.

- Isso é o que veremos.

Quanto mais a luta se arrastava, mais ela se assemelhava com uma das semifinais do torneio anterior, em que John derrotara Emy depois de quinze minutos lutando. Havia um clima de deja vu entre os garotos, que foi acentuado quando os movimentos das beyblades passaram a praticamente imitar os da luta anterior, ao menos por parte de Emy. Ao tentar se defender, John também acabava repetindo seus movimentos passados.

Aos quatorze minutos e meio de luta, quando Takk e Tauik já mostravam sinais de cansaço, Emy avançou contra John partindo do centro da arena em direção à borda, exatamente o movimento que causara sua eliminação um ano antes. Sem pensar muito, o líder dos WATB se desviou do ataque e atacou a companheira por trás, visando expulsá-la da arena como já havia feito. Passara tanto tempo mergulhado nas lembranças e sensações daquela luta que este último movimento saiu de forma automática, como se feito sobre medida para dar-lhe a vitória.

Desta vez, porém, Emy tinha algo novo em mente.


Julian aguentou os primeiros ataques de Takuki sem esboçar reação. Se Ann fosse um pouco mais inexperiente, teria pensado que seu oponente estava entregando a luta. Depois de se tornar vice-líder da equipe vice-campeã oceânica e ser uma das únicas beybladers a não ser dominada pela Operação Mente de Hajime Yuy no ano anterior, porém, a garota havia visto o suficiente do mundo do beyblade para saber que havia algo estranho naquela situação.

- O que você está escondendo, Julian? – Perguntou ela, esperando que desta vez o garoto ao menos a encarasse nos olhos. – Vamos, eu sei que você não é só isso! – Como se para dar mais ênfase ao seu argumento, Ann mandou Takuki atacar ainda mais, o suficiente para deixar a beyblade de Julian com grandes problemas. Quando a beyblade do garoto finalmente escapou, Ann sabia que teria suas respostas.

- Você quer mesmo saber o que eu tenho comigo? Tem certeza? – Perguntou Julian, em uma voz tão fria e sem vida que parecia sair de um cadáver. – Não sei se essa é uma decisão sábia da sua parte. Acho que talvez você queira reconsiderar...

- Olha pra minha cara, Julian! – Exclamou Ann, com os cabelos começando a se arrepiar e uma chama incandecente faiscando em seu melhor olhar demoníaco. – Você sabe quem eu sou, não sabe? – Na arena ao lado, Takashi e Ted tiveram que parar de lutar por um momento, pois seus corpos ficaram paralisados de medo ao ouvir a explosão do pior temperamento de Ann tão perto deles. – Se você não sabe, pode deixar que eu vou te lembrar! – Até mesmo os gritos de Fiona foram apagados pela voz potente e firme que saía da garganta da garota. – Eu sou Ann Willians, uma das dez melhores beybladers do mundo, e eu nunca, nunca, volto atrás nas minhas decisões! Agora deixe de teatrinhos bestas e mostre o que você tem escondido na sua manga, Julian Ross, ou eu vou fazer com que Takuki mostre por mim o quão irritada eu fiquei!

Além de assustar Takashi, Ted, e boa parte do público que escolhera se acomodar próximo à arena 1, a explosão de Ann também fez com que Julian a encarasse pela primeira vez olho no olho. Se não pudesse contar com a proteção de seu fogo interno, a mestra de Takuki provavelmente teria congelado com a troca de olhares, tais eram a frieza e inespressividade dos orbes escurecidos de Julian Ross.

- Como quiser, Ann Willians, eu vou parar de brincar. Poseidon, revele-se!

Ao comando de Julian, um golfinho gigante surgiu na arena, impressionando platéia, narradora e demais competidores. O monstro sagrado era tão grande que mal cabia no ginásio. Pela primeira vez na luta, Ann e Julian mostravam sorrisos idênticos de quem está pronto para lutar para valer.


O que era para ser uma ameaça assustadora de Takashi foi interrompida quando Ann resolveu mostrar o que havia de pior em sua personalidade há menos de cinqüenta metros de onde o pequeno chinesinho e seu adversário maroto lutavam. Quando a fera-bit gigantesca apareceu, os dois também pararam por alguns momentos para apreciar o monstro, estupefatos com seu tamanho. Somente depois de feito isso foi que a dupla decidiu continuar sua batalha.

Infelizmente para Takashi, porém, depois das duas surpresas aterrorisantes que Ted presenciara, suas tentativas de intimidação não surtiam mais efeito, e a rotina de ataques falhos voltou a assombrá-lo.

- O que foi, Ratinho de Laboratório? Será que a pontaria de um campeão mundial é tão ruim que não consegue nem me acertar? – Ted novamente riu da própria piada, bagunçando ainda mais os cabelos já bagunçados por força de hábito. Perto dele na arquibancada, um trio de garotos esquisitos também riu da provocação.

- Esta luta está só começando, espere e verá! – Grunhiu Takashi em resposta. A "torcida" de seu adversário estava tirando a sua concentração, principalmente o menino gordinho (uma baleia vestida de criança) que balançava todas as pelancas espalhadas por seu corpo (que não eram poucas) a cada risada. Era uma cena grotesca, ao menos para o pequeno chinesinho. O fato de o gordinho ser justamente o que mais ria não coloborava em nada com a situação.

Quanto mais o tempo passava, porém, mais as ameças de Takashi desapareciam no ritmo da luta. Ted parecia saber todos os movimentos de seu adversário muito antes que ele os ordenasse, conseguindo sempre antecipar até mesmo os melhores e mais bem-pensados ataques. O garoto já poderia ter vencido a luta há muito tempo, a única coisa que o impedia de fazê-lo era o fato de que, apesar de se defender de todos os ataques de Takashi, Ted estava ainda para lançar seu primeiro ataque.

- Hey, isso não é justo! Por que você consegue prever todos os meus ataques e eu não consigo fazer nada de últil na arena? – Depois de inúmeras tentativas infrutíferas de atacar seriamente, Takashi resolveu tentar uma nova estratégia: agir como a criancinha de cinco anos que ele parecia ser para tentar fazer o oponente revelar seus segredos.

- Ah, não me leve a mal, Ratinho de Laboratório, mas o fato é que eu sei tudo que você pensa porque eu penso a mesma coisa, entende? – Respondeu Ted, sorrindo.

- Não, não entendo... – Na verdade, Takashi estava começando a entender, mas como sua encenação de pirralho desesperado estava funcionando, ele ainda poderia tirar proveito dela.

- Você e eu somos igualmente marotos, Ratinho de Laboratório. Eu e você temos a mesma mente voltada para encrencas e confusão, a mesma vontade de tornar a vida dos adultos um inferno e a mesma capacidade de distorcer a ordem natural das coisas e criar o reino do caos aonde quer que estejamos!

Ted parecia orgulhoso de suas palavras. O torcedor gordinho aplaudiu fervorosamente seu discurso, enquanto seus outros dois amigos exibiam sorrisos satisfeitos muito parecidos com o de Ted. Takashi também ficou feliz com o que ouvira, e não apenas por ter sido chamado de maroto e por ter recebido tantos elogios de seu adversário, mas sim por ter finalmente descoberto um jeito de virar o jogo.

- Eu concordo plenamente com você, Teddy. – O chinesinho levantou de leve os cantos dos lábios ao dar um apelido para o oponente. Não estava mais agindo como um garotinho de cinco anos, sua voz transmitia um pouco do perigo de seu novo plano. – Concordo com tudo que você disse, tudo mesmo. Somos iguais, e por isso você sabe o que eu penso. Presumo que seja por isso que você tem evitado me atacar, para que eu não descobrisse que bastava eu pensar em você como sendo eu para decifrar-te também. – Takashi passou a andar lentamente de um lado para o outro do seu lado da arena, imitando um detetive prestes a revelar a identidade do assassino. – Mas fique tranqüilo, mesmo agora que eu sei o seu plano, não planejo atacar dessa maneira.

- Não? Então o que você vai fazer? – Perguntou Ted, confuso. Estava começando a se sentir novamente initimidado pelo chinesinho, sua imitação de Sherlock Holmes era tão convincente que o garoto não se surpreenderia se seu adversário gritasse "elementar, meu caro Watson!" no meio da batalha.

- Ora, isso é a minha surpresinha pra você...

Pela primeira vez desde o início da luta a beyblade multicolorida de Takashi foi capaz de acertar um golpe no alvo. Surpreso, Ted não conseguiu reagir imediatamente, o que fez com que sua beyblade sofresse ainda mais ataques.

- O que está acontecendo? – Perguntou ele ao se ver incapaz de prever os movimentos de Takashi. – O que você fez?

- Elementar, meu caro Ted... – Erguendo-se na ponta dos pés, o chinesinho passou a encarar seu oponente nos olhos, mais parecido do que nunca com um verdadeiro detetive. – Para poder te atacar eu parei de agir como eu mesmo. – Takashi riu ao perceber a expressão confusa no rosto do adversário. – Eu abandonei a minha mente marota e substituí por uma parecida com a da Emy ou da minha mãe.

- Espera um minuto! Ninguém pode simplesmente "trocar de mente"! – Rebateu Ted, sentindo-se enganado pela explicação.

- Eu posso! Já faz meses que eu treino dia após dia com os WATB e a minha mãe, e dia após dia eles fazem as mesmas coisas, as mesmas técnicas... se eu não tivesse aprendido nada sobre eles durante esse tempo todo eu seria mesmo um idiota, não é verdade?

O sorriso triunfante de Takashi tornou-se ainda mais brilhante quando a beyblade de Ted deixou finalmente a arena.


- Ah, o que foi, Billy? Toda essa atenção está te deixando tonto, é? – Perguntou Ruby após observar por um tempo longo demais o estado catatônico em que seu oponente se encontrava. – Vou ter que lembrar de agradecer à Fiona por isso... Ela realmente fez um bom trabalho com o público hoje...

- Fiona? Você conhece a narradora? – Perguntou o mestre de Tanka, deixando a curiosidade e a confusão dominarem a humilhação de antes.

- Se eu conheço a Fiona? Ah, mas que pergunta idiota, é claro que a gente se conhece! – Exclamou Ruby, novamente passando a mão pelos cabelos. Ao menos desta vez William conseguiu se controlar e não fazer nenhum movimento errado. – Somos amigas desde que começamos a caminhar! Ou até mais que amigas, você sabe...

- Não... eu não sei...

Se o tom de voz de e as palavras de Ruby falharam em comunicar sua mensagem, o olhar que a jovem lançou ao seu oponente logo em seguida o fez. Os olhos de William, já aumentados consideravelmente por causa das lentes de seus óculos, aregalaram-se em choque quando o significado de "mais que amigas" penetrou fundo em sua mente. O garoto abriu e fechou a boca várias vezes sem conseguir dizer nada enquanto Ruby se divertia com a situação. Enquanto isso as duas beyblades continuavam lutando, praticamente ignorando as vontades de seus mestres.

- Mas então... mas então isso significa que... – Dois minutos depois, parcialmente recuperado do choque, as cordas vocais de William redescobriram como vibrar e emitir sons coerentes.

- Significa que... – O sorriso de Ruby transbordava malícia, seus olhos faiscavam com a espectativa de ouvir a conclusão a que seu adversário chegaria. Fiona parou de narrar por alguns instantes, também interessada no que William tinha para dizer.

- Significa que... Eu fui rejeitado antes mesmo de poder tentar! Isso não é justo!

Ruby não teve tempo de reagir. A decepção do mestre de Tanka passou para a fera-bit, que usou seu mais potente ataque para demolir a beyblade adversária.

- E... E William Hopfiel é o vencedor na arena 2! – Foi a vez de Fiona ficar chocada. Ela e Ruby exibiam a mesma expressão de perplexidade, enquanto William expunha todos os seus dentes amarelados e desnivelados em um largo sorriso satisfeito.


John ficou sem reação ao perceber que os últimos quinze minutos de luta haviam sido planejados por sua colega de equipe para que ela pudesse executar este único movimento. Emy fizera de propósito o replay da semifinal do ano anterior para que seu líder ganhasse confiança e agisse sem pensar no que deveria ser o golpe final da luta. Era uma boa estratégia que poderia anular a pequena vantagem que John tinha em matéria de força.

- É como dizem por aí, a força bruta não é páreo para a inteligêcia.

Era a primeira vez que John via o soriso malicioso de Emy. Só havia uma palavra para descrevê-lo: assustador. Meninas inteligentes com pré-disposição esteriotípica para cientistas loucas não deveriam sorrir assim. O horário não permitia.

- Takk, é melhor não desistir! Não... não vamos desistir! – Foi tudo que John conseguiu dizer, hipnotizado por aquele sorriso sinistro.

Quando John tentara atacar a beyblade de Emy por trás, Takk ficou abaixo de Tauik na arena, o que proporcionou à águia a oportunidade de usar o seu recém-dominado ataque, Red Illusion. Segundo Emy, era apenas uma questão de tempo até o diabo da Tasmânia ser enxotado da arena.

- É inútil, John, você sabe. Agora seja um bom perdedor e desista de uma vez...

Tauik continuava girando ao redor da arena, impedindo Takk de se mexer. John baixou a cabeça, encarando seus tênis recém-comprados. Emy poderia até pensar que ele havia desistido, porém na verdade o que o líder dos WATB queria era não olhar para a adversária, clareado sua mente para formar um plano.

- Takk, vamos estreiar a nossa Corrente em forma circular!

A ordem de John pegou Emy desprevenida. A figura de Takk, o diabo da Tasmânia, apareceu ao lado de seu mestre enquanto a beyblade que o abrigava liberava uma espécie de corrente de vento que tentava expulsar uma Tauik correndo em alta velocidade muito próxima da borda da arena. Os dois ataques seguraram um ao outro e por alguns momentos o vencedor da luta permaneceu incerto.

- O que você tem em mente, John? – Perguntou Emy, tentando manter-se concentrada em sua beyblade para não perder depois de tanto esforço. – Esse seu ataque é...

- A Corrente não é o meu ataque, é a minha técnica de defesa. Sinto muito, Emy, mas eu e Ann só mostramos parte do que aprendemos durante as últimas semanas. Nós desenvolvemos cada um uma técnica para defender e outra para atacar. As que vocês conhecem são as para atacar, mas nós concordamos em manter nossos segredos, considerando que teríamos que nos enfrentar mais cedo ou mais tarde...

A nova informação fez o que restava da concentração de Emy voar para longe, fazendo com que Tauik fosse finalmente mandada para fora da arena pela corrente de vento. Emy mordeu o lábio, recolhendo a beyblade que caíra aos seus pés, e cumprimentou o vencedor, reconhecendo a derrota.

- E quando eu achei que tinha conseguido ser mais esperta do que você, meu querido líder me aparece com uma última carta na manga. Impressionante, John Willians, impressionante. – Os dois apertaram as mãos.

- Acha mesmo? Então espera só até ver o que a Ann tem guardado para o Julian...

Os dois amigos deixaram a arena em direção à arquibancada, abraçados. Ainda havia uma luta a ser decidida, e eles precisavam apoiar Ann para continuar com seus planos de serem os melhores da Nova Zelândia pelo segundo ano seguido.


O primeiro choque do coala contra o golfinho sacudiu o ginásio. Os dois beybladers permaneceram em pé apenas por milagre, pois tudo ao redor deles tremia. Apesar do olhar frio, Julian sorria a cada comando dado a Poseidon, assim como Ann sorria a cada comando dado a Takuki. Os dois lutavam de igual para igual em uma batalha violenta.

- Você até que não luta mal, Julian Ross. Deveria ter mostrado um pouco dessa habilidade no nosso primeiro encontro. – Comentou Ann depois de uma investida particularmente destruidora do golfinho, que culminou com a arena sendo praticamente partida em duas.

- Se eu tivesse lutado assim logo de cara, essa luta não teria graça. – Foi a resposta do garoto. Sua voz continuava fria e distante, indiferente mesmo com o calor da luta. No começo, Ann não se importou com isso, concentrada em atacar e atacar, porém com o tempo quanto mais Julian falava, mais a garota se irritava. Como alguém conseguia manter-se tão frio durante uma luta daquelas?

- Eu cansei disso! Cansei! Takuki, Fruits and Candies!

A única reação de Julian ao golpe de Ann foi uma sobrancelha erguida, o que deixou a garota ainda mais irritada. A mestra de Takuki já não estava em seu humor normal desde que tomara o remédio pela manhã. Não contara a ninguém, mas por via das dúvidas tomara dois comprimidos para tentar prolongar o efeito. O fato de estar mais agressiva e irritável do que o normal era provavelmente conseqüencia desta dose extra.

Fruits and Candies era a técnica defensiva de Ann. O coala liberava uma chuva de balas, bonbons, docinhos e todas essas coisas que crianças normalmente adoram e dentistas abominam que ao encostarem em qualquer superfície liberavam fumaça colorida, impossibilitando o adversário de ver a arena e as beyblades. A platéia adorou o ataque, principalmente as crianças, que tentavam apanhar as guloseimas no ar, mas acabavam sempre com as mãos cheias de fumaça.

- O que houve? Foi alguma coisa que eu disse? – Ann ouviu a voz apática de Julian do outro lado da fumaça e novamente sua irritação subiu. O garoto estava passando dos limites com a sua falta de sentimento. Nenhum ser humano normal conseguiria agir deste jeito em uma luta tão equilibrada e violenta. Nem mesmo os Soldier of Russia em seus dias de vilões malvados era capazes de manter seu semblante sério quando a luta realmente esquentava.

- Você acha isso divertido, só pode ser. – A fumaça foi aos poucos se dissipando, revelando uma Ann absolutamente irritada, de cabelos em pé, mão na cintura e olhos ameaçadores. – Deve ser muito divertido pra você me provocar até eu explodir, não é mesmo? – Na arquibancada, Takashi e os WATB se encolheram instintivamente. Estavam muito próximos da arena 1, o que significava que qualquer explosão de Ann provavelmente seria sentida por eles tambem. – Pois bem, se era me ver explodindo que você queria, então você acabou de conseguir! Takuki, Broken Heart!

As meninas do público suspiraram quando Ann mostrou seu ataque: corações maciços, vermelhos e aparentemente muito pesados foram liberados pelo coala do mesmo jeito que os docinhos da técnica defensiva, espalhado-se ao redor da beyblade adversária. Com um sinal da mão de Ann, todos os corações quebraram, e a chuva de pedras, pó e tudo mais que estivesse dentro dos corações caiu sobre Poseidon, soterrando-o.

- É isso aí, Ann! – Exclamou John, socando o ar. O líder dos WATB considerava a luta terminada, nem mesmo ele havia descoberto um jeito de sobreviver ao ataque de Ann.

- É cedo demais para comemorar. – Interrompeu Julian, se possível ainda mais frio do que antes. Seus olhos estavam voltados para a arena, de onde, após alguns segundos, uma beyblade azul-piscina aparentemente sem nenhum arranhão emergiu dos escombros, girando mais do que nunca. – Poseidon não pode ser detido.

- Isso é o que veremos! Takuki, Broken Heart! – Sem se deixar abater pelo primeiro ataque falho, Ann continuou seus ataques. Depois de se irritar tanto com um único oponente, a garota não estava mais pensando muito sobre suas ações, queria apenas encontrar um meio de vencer Julian e acabar com a fonte de toda a irritação, mesmo que isso significasse ultrapassar seus próprios limites.

- É inútil. Ataque quantas vezes quiser, você só vai desperdiçar energia.

Quanto mais Julian falava, mais irritada Ann ficava. Quanto mais irritada Ann ficava, mais ela gritava e tentava provocar Julian. Quano mais ela tentava provocar Julian, mais o garoto falava, e assim o ciclo se completava. Ann tentou atacar mais duas, três vezes, antes de o casaço trazer um pouco de sua racionalidade de volta e ela pensar em alguma coisa com sentido para dizer:

- Hey, cadaver vivo, o que houve com você? Por acaso você está agindo como um morto-vivo para ver se consegue ficar mais perto de sua irmã?

Ann até que podia estar um pouco mais sã ao se lembrar da irmã de Julian, entretanto trazer Helen Ross para a luta não foi exatamente uma decisão sábia:

- COMO SE ATREVE? – Ao falar de Helen, a voz de Julian finalmente subiu de tom, carregando-se de emoções fortes demais para serem descritas e compreendidas totalmente. – NÃO FALE ASSIM DA MINHA IRMÃ! NÃO FALE DE HELEN COMO SE... COMO SE...

- Como se ela estivesse morta e enterrada? – Completou Ann, falhando em sentir o perigo que um Julian desestabilizado poderia representar. A garota estava satisfeita por ter finalmente tirado o adversário de sua apatia. Agora ela ao menos sentia que estava lutando contra um ser humano normal. – Bem, eu sinto muito, mas foi isso que aconteceu com a sua irmã e...

A beyblade de Julian atacou. O ataque de Poseidon foi tão forte que Ann sentiu a dor se propagar por todo seu corpo, quase derrubando-a no chão. Quando a mestra de Takuki finalmente se recuperou do primeiro impacto, uma dor ainda mais forte vinda de seu abdômen finalmente derrubou-a. Ann se ajoelhou no chão, tentando de alguma jeito parar a dor que parecia rasgar todos os órgãos, tecidos e músculos do abdômen, uma dor tão forte que a deixava tonta.

Ann não percebeu que estava gritando, assim como não percebeu John e Keiko vindo ao seu encontro. A dor deixava-a surda, cega, como se essa dor fosse a única coisa existente no mundo, a única coisa para se sentir, ouvir, ver. Por causa da dor, Ann não percebeu que a sua visão escurecia aos poucos, já que mesmo na escuridão total ela não estava livre.


- Será que ela vai ficar bem?

- Devemos contar a verdade para ela?

- E se ela não acordar?

- Não seja bobo, é claro que ela vai acordar. Só nos resta saber quando...

Quanto tempo havia se passado? Onde ela estava? Que vozes eram aquelas? Estava escuro, mas ao menos ela não sentia mais dor. Na verdade, não sentia absolutamente nada. Os primeiro sons que produziu, antes de abrir os olhos, provavelmente não faziam sentido algum, mesmo para ela. Aos poucos sua visão foi ganhando foco, e os rostos preocupados de John, Keiko, Emy e William foram ganhando forma.

- Eu... onde... eu...

- Estamos no hospital. – Foi Keiko quem respondeu. Suas palavras pairaram no ar por algum tempo até Ann conseguir entender seu significado, como se seu cérebro fosse uma máquina há muito sem uso que fora forçada a voltar ao trabalho e precisava se aquecer antes de funcionar adequadamente. – Você passou a tarde aqui, agora já é noite.

Aos poucos os pensamentos de Ann foram voltando ao lugar certo, as peças se encaixando e suas memórias surgindo. Foi ainda com um pouco de esforço que conseguiu coordenar sua boca para falar:

- A luta... O que houve com a luta?

- Os médicos disseram que você teve um ataque de cólicas depois que o Julian te atacou. – Foi John quem respondeu desta vez. Ele estava ao lado da cabeceira da cama, segurando firme a mão da irmã. Era sem dúvida o mais preocupado entre os presentes. – Não sei se as duas coisas estão relacionadas, mas aquele com certeza foi o pior ataque de todos.

- O que houve com a luta? – Insistiu a garota. Conhecendo John, ela sabia que havia alguma coisa que seu irmão não queria contar-lhe relacionada aos eventos daquele dia. Como se para confirmar suas suspeitas, o líder dos WATB olhou para o chão, apertando ainda mais a mão da irmã.

- Você perdeu, Ann. Sinto muito. – A voz de Takashi soou, vinda de algum lugar próximo, porém invisível para a garota. O chinesinho provavelmente não tinha a altura necessária para ter seu rosto visível acima de uma cama de hospital. – Julian acabou com a luta assim que você começou a gritar. Todos achamos que você estava sofrendo os efeitos dos ataques dele até você cair com as mãos na barriga, aí a gente soube que o problema era mais grave.

- Se a gente tivesse percebido um pouco antes, o juiz poderia ter cancelado a luta e você e o Julian poderiam terminar outro dia. Me desculpe. – Pediu Emy, a mais distante da companheira, quase aos pés da cama. Havia alguma coisa em suas mãos, porém de sua posição Ann não conseguia ver o que era.

- Tudo bem, Emy, não foi culpa de vocês. – Ann pensou em contar que havia uma chance de ela ser responsável pela crise ao escolher tomar o dobro da medicação recomendada, porém seu forte orgulho a impediu de adimitir esse possível erro catastrófico. Ao invés disso, a garota resolveu mudar de assunto. – E Takuki? Quem foi que pegou a minha beyblade depois da luta?

Ann soube que alguma coisa estava errada quando seus três companheiros e sua sensei baixaram a cabeça em uma sincronia absurda, encarando o chão com uma expressão difícil de decifrar.

- Pessoal... O que houve com Takuki? O QUE HOUVE COM A MINHA BEYBLADE?

- Calma, Ann, calma... Você ainda está se recuperando, precisa descansar... – Foi John quem gentilmente forçou-a de volta para a cama quando Ann sentou-se subtamente, ignorando a tontura. A voz da garota não tornou-se mais branda por ela não estar mais sentada, porém:

- EU QUERO SABER! EU TENHO O DIREITO DE SABER, É A MINHA BEYBLADE! MINHA TAKUKI!

- Nós sentimos muito, Ann. – John respirou fundo, caminhando até Emy para pegar o que quer que estivesse escondido nas mãos da loira. – Não pudemos fazer nada pra impedir, estávamos todos preocupados com você... Nós só percebemos quando já era tarde demais...

Sem olhar nos olhos da irmã, John despejou os milhares de pequenos fragmentos que um dia formaram a beyblade de Ann Willians na cama ao lado da garota. Em choque, a garota demorou algum tempo para tocar nos pedaços de plástico e metal destroçados, procurando por uma única peça, a única peça com que ela se importava...

- Ele não está aí. – John novamente não conseguia olhar para a irmã, não quando não conseguia controlar a água salgada que tentava escapar de seus olhos. – Takuki não está mais conosco. Julian o pegou como prêmio por ter vencido a luta.

Ann abraçou o irmão, incapaz de conter suas emoções. Não podia ser verdade, não com ela. Sua fera-bit... Sua fera-bit... não mais. Os outros WATB se aproximaram, envolvendo os gêmeos em um abraço em grupo.

- Nós vamos lutar amanhã. Nós vamos desafiar Julian e trazer Takuki de volta custe o que custar! – Exclamou a vozinha fina de Takashi, que graças a uma poltrona super-alta conseguira participar do abraço em grupo. – Custe o que custar.