NOta do James:
Ahá! Finalmente os capítulos atrasados não estão mais atrasados! Depois que o próximo capítulo sair, entre quarta e sexta, nós vamos voltar ao nosso ritmo normal de um capítulo por semana, a não ser que eu escreva feito louco ao invés de estudar para os exames e fique uns cinco capítulos a frente da história, o que muito provavelmente não vai acontecer porque eu sei que vou ser forçado a estudar ao menos três horas por dia até o fim de maio... u.uPelo menos depois disso eu entro em férias até outubro! XDDD
Takashi:
Finalmente o momento que todos esperavam! Esse é o último capítulo da saga da Nova Zelândia! Depois de hoje, vamos todos voltar as nossas atenções para a Terra do Sol nascente para os capítulos cada vez mais eletrizantes que o Jamie ainda precisa reescrever!(Acendem-se vários holofotes no palco)
(Close no Takashi vestido de apresentador)
Mas antes disso... os quizzes têm que continuar! E como esse é um capítulo especial, o apresentador vai ser especial também!
(Platéia aplaudindo o Takashi)
(Takashi de pé em um banquinho pra parecer mais alto pra todo mundo na platéia poder vê-lo)
Onde está o nosso Ser Desconhecido?
(Holofotes focando no vulto misterioso escondido por trás de uma tela branca)
Ser Desconhecido: Oi!
Takashi: Oi!
Platéia: Oi!
Takashi: Vamos então começar o nosso quizz do capítulo especial! Como você se sente sendo parte de uma data tão importante quanto esta?
Ser Desconhecido: Data importante? Eu não sabia que hoje era uma data importante! O.õ
Takashi: O.O'
Ser Desconhecido: Que foi?
Takashi: Depois de todas as linhas que gastei pra dizer o quão especial era o capítulo de hoje, o dia de hoje, você vem e me fala uma coisa dessas... ¬¬''
Ser Desconhecido: Oh, é que sabe como é, eu não estava prestando atenção no falatório de antes de eu aparecer no off-talk, estava ocupado me preparando para o show...
Takashi: Que show?
Ser Desconhecido: O show que eu vou fazer aqui no off-talk respondendo as perguntas de um anãozinho nanico... XDD
Takashi: Quando eu descobrir a sua identidade, cabeças vão rolar! Ò.ó (Takashi falando com a voz mais ameaçadora possível)
Ser Desconhecido: Era pra eu ter ficado com medo? O.õ
Takashi: Esquece... vamos voltar para as perguntas que eu ganho mais... ¬¬'' (Takashi usando todo seu auto-controle pra não trucidar o Ser Desconhecido) Primeira pergunta: Você é homem, menino, mulher, menina, viado, transexual, ou assexuado?
Ser Desconhecido: Que tipo de pergunta é essa? O.õ
Takashi: A MINHA pergunta, oras! Perguntar se alguém é homem ou mulher meio que limita as possibilidades, então eu acrescentei algumas outras opções...
E de qualquer jeito, quem faz as perguntas aqui sou eu, então pára de enrolar e responde! Ò.ó
Ser Desconhecido: Ah, sei lá... são tantas opções... Eu vou ter que pensar um pouco... n.n'
Takashi: Então pula essa pergunta porque eu não estou a fim de perder meu tempo esperando o Ser Idiota descobrir como é que se pensa... ¬¬'
Próxima pergunta: Você tem irmãos?
Ser Desconhecido: Pra dar e vender. n.n
Micro-ser-desconhecido-que-apareceu-do-nada: Hey, isso quer dizer que você me venderia pra alguém?O.O'
Micros-ser-desconhecido-que-apareceu-do-nada 2: Ou pior... que você me daria pra alguém de graça?O.O'''''''''''''
Ser Desconhecido: Erm... erm... não foi isso que eu quis dizer... O.O' (Clima familiar MUITO desconfortável)
Takashi: Oh-oh, parece que estamos prestes a entrar em um cenário de briga de família... Isso arruinaria o show...
Não posso permitir uma coisa dessas! SEGURANÇAS!! Ò.ó
(Aparecem o Koichi, o Felipe e o Shinji vestidos de preto e usando óculos escuros, armados com barras de chocolates e sacos de balas)
(Koichi, Felipe e Shinji tiram os Micro-seres-desconhecidos-que-apareceram-do-nada do cenário antes que alguma coisa muito ruim aconteça)
Ser Desconhecido: Nossa, Takashi... Você salvou a minha vida! Acho que te devo essa...
Takashi: Ainda é cedo demais pra isso, Ser Desconhecido. Ainda é cedo pra ficar em débito comigo...
Ser Desconhecido: O que você quer dizer? O.õ
Takashi: Se você não consegue entender, não sou eu que vou explicar! u.ú
Ser Desconhecido: Droga. ò.ó
Takashi: Pergunta: Se o seu chefe te manda pular do precipício, você pula?
Ser Desconhecido: Que tipo de pergunta é essa? O.õ
Takashi: Eu já disse antes. Ao contrário da Rumiko, eu não estou a fim de fazer pergutas babacas, por isso eu estou recriando as perguntas do show pra deixar as coisas mais interessantes.
Não que alguém como você possa entender exatamente o significado de cada pergunta, mas...
Ser Desconhecido: Falando assim até parece que já descobriu quem eu sou... o.o'
Takashi: Na verdade, eu já descobri mesmo.
(Platéia: O.O'')
Ao contrário da Rumiko – que não consegue nem descobrir o Toshihiro atrás da cortina (Rumiko e Toshihiro no cantinha Angst do off-talk depois do último quizz) – eu tenho cérebro, e a invasão daqueles Micro-seres-desconhecidos-que-apareceram-do-nada te entregaram. Te entregaram pra mim, quer dizer, porque quem está lendo o off-talk não conseguiu ver a cara deles...
Ser Desconhecido: Você é mau...
Takashi: Oh, que nada, eu só estou me divertindo com a escolha do Ser Desconhecido da vez! XDDD
Agora responde a pergunta e pára de enrolar! Ò.ó
Ser Desconhecido: E qual era a pergunta mesmo? O.õ
Takashi: (Cai do banquinho) Argh! Não seja mais baka do que você já é, baka! Ò.ó Leia as linhas lá de cima, porque eu me recuso a repetir essa pergunta! Humpf...
(Takashi subindo de novo no banquinho)
(Ser Desconhecido lendo as últimas linhas do off-talk até achar a pergunta)
Ser Desconhecido: Ah... Se me pedirem pra pular do precipício eu... Eu digo que pulo e aí arranjo um colchão gigante amortecedor pra aparar a minha queda lá em baixo! Eu sempre quis pular em um colchão amortecedor! Será que é como cama elástica?
Takashi: É, eu sei o quanto você gosta de pular em colchões... ¬¬''
Ser Desconhecido: Ah, aquilo foi a tanto tempo! Nem acredito que você ainda lembra!
Takashi: Na verdade eu lembro. Como se fosse ontem.
E a próxima pergunta: Complete a frase: "O cachorro entrou na igreja porque...
Ser Desconhecido: Porque dentro da igreja tinha uma super-instalação tecnológica construída por aliens de outro mundo que querem dominar o planeta e o cachorro era um ser amargurado que foi abandonado por seus donos humanos e por isso quer se vingar se unindo aos aliens e exterminando a raça humana!
Takashi: O.õ
Ser Desconhecido: Que foi? Era pra completar a frase, não era? u.ú
Takashi: Aff... Melhor passar pra próxima... É melhor ter um pássaro na mão ou dois voando?
Ser Desconhecido: Eu desisto de comentar a escolha das perguntas... u.ú E a minha resposta é... hum... (Ser Desconhecido pensando) Olha, eu sou a favor da conservação da natureza, não gosto de ver passarinhos presos e trancafiados para ficarem sendo exibidos como troféus ou obras de arte, então eu digo que é melhor dois pássaros voando! n.n
Takashi: Azul ou vermelho?
Ser Desconhecido: Vermelho sempre!
Takashi: Escola ou parque de diversões?
Ser Desconhecido: E precisa mesmo perguntar? PARQUE DE DIVERSõES!!
Takashi: Zanxam-sensei passou quarenta questões da matéria que você mais odeia e da qual menos sabe a matéria para serem respondidas em meia hora, valendo metade da nota do ano. Você tenta responder tudo certo, olhando em livros e estudando e tentado se superar, ou responde tudo de qualquer jeito só pra poder sair da sala?
Ser Desconhecido: Mas é claro que eu respondo tudo de qualquer jeito só pra sair da sala! Com a Zanxam-sensei eu sei que não tem jeito de eu passar em nada mesmo... u.ú
Takashi: Odeio ter que admitir, mas nessa eu concordo com você... u.ú
Ser Desconhecido: E quem não concorda?
Takashi: O seu outro irmão que não invadiu o off-talk e tá lá comportadinho sentado na platéia.
(Close no outro irmão do Ser Desconhecido assistindo ao off-talk e fazendo anotações)
Ser Desconhecido: Falando assim ele até parece um CDF...
Takashi: Comparado com a gente, ele é.
Ser Desconhecido: Mas ele também é parte do nosso grupo! Ou vai ser, depois que acabar a próxima parte da história...
Takashi: Hey, não é hora de revelar spoliers! É hora de responder a última pergunta!
Ser Desconhecido: Última pergunta? Finalmente! (Ser Desconhecido pulando no banquinho)
Takashi: E esse é o primeiro quizz em que a gente consegue chegar na última pergunta... Não que eu esteja impressionado, eu sei que eu sou o único apresentador de off-talk que é capaz de chegar a esse ponto, apesar do meu convidado mentecapto, mas enfim...
Ser Desconhecido: Vai logo com a última pergunta, sim? Os fãs querem adivinhar quem eu sou logo, assim eu posso voltar e dar o ar da minha graça nos próximos off-talks se ter que ficar como o Osamu, escondido por três off-talks...
Se bem que ele mereceu... u.ú
Osamu: (Pula de algum lugar na platéia pra trás da tela branca que esconde o Ser Desconhecido) Como é que é? Repete se for homem!
(A tela branca vira tela preta porque o Osamu começou a protagonizar cenas impróprias para menores e as criancinhas da platéia tiveram que ser protegidas)
(Osamu sai de trás da cortina preta sem nenhum arranhão)
(Ser Desconhecido não está mais à vista)
(Takashi tem um treco porque não conseguiu fazer a última pergunta)
(Takashi pára de ter um treco pouco depois ao se lembrar quem era o Ser Desconhecido)
(Takashi convida o Osamu para comemorar tomando suco de laranja no bar da esquina)
(Beybladers ficam sem saber o que fazer agora que o Ser Desconhecido sumiu e o apresentador do quizz se mandou)
Julian: Na verdade, eu sei o que fazer. Vamos começar logo o capítulo e parar de enrolar.
(Julian roda o projetor de slides que magicamente projeta o capítulo em forma de texto para as pessoas lerem)
CAPÍTULO XXIII
TAKK E TAKUKI
John não dormiu bem durante a noite, tendo seus sonhos povoados por lembranças: os primeiros treinos com as beyblades quatro anos atrás, quando Ann ainda não tinha problemas hormonais e seu temperamento era relativamente mais calmo; o dia que Takk e Takuki tornaram-se suas feras-bit; o dia que os gêmeos foram escolhidos para fazer parte dos WATB. Essas memórias deveriam ser felizes, porém em seu sonho estavam acompanhadas de uma sensação de agonia e medo, envoltas em uma atmosfera de incerteza, como se a possível luta de logo mais contra Julian colocasse em risco a própria existência dessas memórias.
Convencido de que não conseguiria mesmo dormir, o mestre de Takk se levantou, olhando para a cama vazia de Ann ao seu lado enquanto se vestia. Era cinco da manhã quando John deixou o quarto rumo à sala de treino.
- Você também não consegue dormir? – Perguntou uma voz infantil escondida na sala escura. John não precisou acender as luzes para saber que se tratava de Takashi. Aparentemente o chineshinho também andava tendo seus pesadelos.
- Não. – Respondeu o líder dos WATB, localizando um par de olhos brilhantes na escuridão da sala. A única fonte de iluminação do lugar eram os postes da rua, o sol ainda não havia nascido àquela hora. John caminhou até Takashi e sentou-se ao seu lado. – Algumas das minhas memórias mais felizes resolveram se converter em pesadelos agora que as lutas finais estão realmente próximas.
- Que memórias? – Perguntou o pequeno chinesinho, curioso. – Pode ser que se você me contá-las elas voltem a ser memórias felizes...
John sorriu para o amiguinho, embora tivesse certeza de que Takashi não conseguisse ver seu rosto com clareza. O líder dos WATB apoiou as costas na parede antes de deixar o fluxo de memórias e pensamentos correrem novamente livres por sua mente, desta vez tentando se lembrar dos detalhes e das sensações que os acompanhavam:
- Nós ganhamos nossas beyblades faz uns quatro anos, mais ou menos, na época do primeiro campeonato mundial. A gente tinha ido com o nosso pai até o Japão por causa de um concerto que ele ia fazer e trouxemos as beyblades como souvenirs.
- Souvenirs? Era isso que o beyblade era pra vocês na época? – Perguntou Takashi, estupefato.
- Mais ou menos. – A voz de John respondeu. Por causa da escuridão da sala, os dois garotos só podiam adivinhar onde estava o rosto do outro. A voz do líder dos WATB soava divertida, e por isso o chinesinho riu um pouco. – Nós vimos por acaso uma das lutas, acho que era dos japoneses contra os americanos, e ficamos interessados na coisa toda, por isso compramos as beyblades.
- Quem venceu a primeira luta? – Perguntou Takashi, já imaginando a resposta.
- Ann, claro. O lançamento dela foi mais forte e preciso que o meu, nosso primeiro confronto não durou nem dez segundos. – John riu com a lembrança. Seu amiguinho estava certo, colocar para fora todas essas memórias estava aos poucos acalmando as sensações ruins que sentira quando deitado em seu quarto. – Ela já era mais forte do que eu naquela época, mesmo sem a TPM quase-permanente de agora...
Decidido a não deixar John desanimar por falar da irmã, Takashi forçou-se a pensar em uma pergunta para mudar de assunto:
- E quando foi que vocês ganharam as feras-bit?
- Ah... isso foi...
Antes que John pudesse responder, as luzes da sala se acenderam, revelando o rosto sério de Keiko Takahashi encarando-os com uma expressão indecifrável:
- Meninos, posso saber o que estão fazendo fora da cama a essa hora? Vocês precisam descansar bem se quiserem vencer suas semifinais!
- Nós estamos bem descansados, Keiko-sensei. – Exclamou John, levatando-se. – Na verdade, estamos tão bem descansados que não conseguimos mais nem ficar na cama, não é verdade, Takashi?
- É, é verdade! – O pequeno chinesinho levantou-se também, reforçando a opinião do líder dos WATB. – Não queremos mais dormir! – Apesar de suas palavras, Takashi não coseguiu segurar um sonoro bocejo que escapou logo em seguida.
- Para cama, os dois! E não se levantem até eu chamar, entenderam bem?
Sem outra alternativa, John e Takashi – este ainda bocejando – voltaram para seus quartos, de onde saíram apenas na hora do café da manhã, três horas depois.
Os WATB passaram no hospital rapidamente antes de se dirigir ao ginásio. Ann parecia bem melhor, seu temperamento normal estava de volta e a estimativa dos médicos era que ela fosse liberada no fim da tarde.
- E se você perder, John, já sabe o que te espera! – Foi a última coisa que os WATB ouviram de sua vice-líder antes de deixar o hospital. Ann mostrou-se animada e intimidadora durante a maior parte dos quinze minutos em que seus companheiros permaneceram no quarto, amolecendo apenas quando seu irmão abraçou-a sem aviso prévio, sem dizer nada. A mensagem de John era clara: ele venceria Julian para trazer Takuki de volta, a garota não precisava ouvi-lo para entendê-lo. Ao abraçá-lo de volta, Ann reforçou a confiança que tinha em seu irmãozinho, o líder de sua equipe, e a certeza de que ele conseguiria cumprir suas palavras.
Assim como todas as outras lutas do torneio, as semifinais também aconteceriam simultaneamente. Enquanto Emy e Keiko se dirigiam para as arquibancadas, Takashi, William e John seguiam em silêncio até as arenas, encontrando Julian já esperando por eles. As mudanças no garoto simpático e educado que conhecera Takashi em uma praça no meio da cidade eram ainda mais gritantes que no dia anterior: seus olhos estavam completamente negros e sem nenhum brilho, rodeados por profundas olheiras escuras. Seu rosto estava pálido e apático, como o rosto de um doente em estado terminal, e seus cabelos davam a impressão de não terem sido lavados ou penteados por semanas, sujos e oleosos. Perto deste novo Julian, até mesmo William poderia se passar por galã de novela.
- Takashi. – O mestre de Poseidon dirigiu-se ao menor dos beybladers quando este se aproximou com seus amigos. – Espero que não esteja mantendo esperanças de me vencer, pois isso não vai acontecer nem em um milhão de anos.
- Eu não estaria tão certo disse se fosse você. – Grunhiu o chinesinho em resposta, tomando seu lugar na arena 1. – Eu achava que você era um cara legal quando te conheci, Julian, e talvez você até fosse naquela época, mas agora que você mudou tanto, eu devo te ver como um rival e nada mais!
As palavras de Takashi passavam perto da verdade, porém não de toda ela. Takashi se esforçava para pensar em Julian como um rival e inimigo, apesar de uma pequena porção de sua mente querer descobrir o motivo da mudança repentina para trazer o velho Julian de volta.
- Eu não mudei, Takashi, continuou a mesma pessoa. – Os dois lutadores estavam em posição, Fiona fazia seus últimos rodeios antes de dar a ordem para o início da luta. Na arena ao lado, William e John já estavam preparados. – Eu continuo lutando pela justiça e pelas coisas que eu acredito. Eu farei o que tiver que ser feito para trazer justiça para a minha família. – Assim como na luta contra Ann, a voz de Julian era fria e sem emoção, uma voz que Takashi associou com a voz de um cadáver, caso cadáveres pudessem falar.
- E GO SHOOOOOT! – Anunciou Fiona de algum lugar acima deles. A ordem cortou as conversas, deixando que por alguns momentos as arenas permanecessem em silêncio, com apenas o som das beyblades se chocando para sinalizar a existência dos lutadores.
A beyblade multicolorida de Takashi não perdeu tempo em começar a atacar. O garoto queria que Julian mostrasse o maior número possível de suas técnicas para John antes da final. Desde o confronto das quartas-de-final, por mais que Takashi e William quisessem seguir adiante no torneio, os dois sabiam que a última luta estava marcada para ser entre John e Julian, e que nada que eles fizessem poderia mudar isso. Assim sendo, era seu dever transformar esta batalha perdida em algo útil para seu amigo.
Quando William foi vencido rapidamente sem que John precisasse usar a fera-bit e Takashi e Julian tornaram-se os únicos lutadores ainda competindo, o chinesinho sabia que estava na hora de agir.
- O que foi, Julian? Por que não ataca? Não vai dizer que depois de tudo você vai deixar que um pirralho inexperiente como eu, que nem sequer tem uma fera-bit, te derrote sem nem te dar tempo para reagir! – Provocou Takashi, esperando que o adversário mordesse a isca e começasse logo a atacar, de preferência com a fera-bit. John precisava saber se o monstro sagrado de Julian tinha algum tipo de habilidade secreta antes da final, já que na luta anterior o último ataque não precisara de Poseidon para ser efeciente.
- Eu quero ver até onde vai a sua força, Takashi. Essa luta não teria graça se eu te vencesse sem deixar que você ao menos encostasse em mim. – Foi a resposta de Julian, novamente em sua voz apática. – Mas já que você insiste, eu não me importo em parar de brincar.
Ao comando de seu mestre, a beyblade de Julian começou a atacar. No começo, Takashi pensou que poderia resistir aos ataques sem fera-bit, porém com o tempo a verdade se revelou um pouco mais complicada. O chinesinho precisou de toda a sua concentração para manter-se na arena quando os ataques tornaram-se mais intensos e ferozes. Por um segundo apenas Takashi pensou ter visto uma curva nos lábios de seu oponente que se assemelhava a um sorriso, porém essa impressão logo passou. Julian estava cansado de brincar:
- Estou surpreso, Takashi, não achei que você fosse durar tanto. – O mestre de Poseidon fixou seu olhar gélido no adversário, que naquele momento lutava para permanecer de pé, praticamente sem energia depois de usar toda sua força para resisitir aos últimos ataques. – Acho que eu vou ser bonzinho com você e acabar logo com seu sofrimento.
A beyblade de Julian começou a brilhar. Takashi quase sorriu, pensando que seu plano havia dado certo e que seu adversário usaria Poseidon para vencer. John, na arena ao lado, chegou a pensar isso também, até a criatura liberada pela beyblade azul piscina mostrar sua verdadeira forma:
- Takuki, destrua a beyblade dos Taichi! Broken Heart!
Nem Takashi, nem ninguém naquele ginásio conseguiu reagir em tempo. A figura de Takuki, o coala rosa e roxo, que até o dia anterior encontrava-se dentro da beyblade de Ann Willians, apareceu no ginásio, olhando para John com um olhar triste antes de obedecer ao seu novo mestre e dar um fim à última semifinal. Takashi foi jogado para trás com o impacto das explosões, sendo salvo por um William estupefato que se colocara em seu caminho para aparar sua queda.
- Julian... Julian Ross é o vencedor...
- Não pode ser! Não pode ser! Como ele... como ele...
- Calma, John. Você não pode perder a concentração agora, ou o Julian vai conseguir ganhar fácil a próxima luta.
Keiko, Takashi, William e Emy aproveitaram o pequeno intervalo entre as semifinais e as finais para falar com John. A nova estratégia de Julian havia pegado todos desprevenidos, ninguém imaginava que ele se atrevesse a usar uma fera-bit roubada para lutar. Nervoso, o líder dos WATB lembrava muito sua irmã: o garoto socava a parede com força, deixando toda sua raiva e revolta fluir por seu corpo e explodir contra o concreto.
- Ele quer usar Takuki para me desestabilizar. – Declarou o garoto, um pouco ofegante depois de repetidos ataques contra um dos pilares de sustentação do ginásio. Sua mão direta estava vermelha e sangrava um pouco, porém ele parecia não ter percebido. – Ele acha que eu não sou capaz de atacar a fera-bit da minha irmã. – John sorriu, encarando os amigos pela primeira vez desde que a luta de Takashi se encerrara. – Ruim pra ele, pois foi justamente para vencer Takuki de novo que eu vim aqui em primeiro lugar.
Os WATB não souberam exatamente como reagir quando seu líder, sorrindo de um jeito quase malígno, aproximou-se novamente da arena, beyblade em punho, pronto para o último confronto. Seus amigos podiam sentir que John havia sido seriamente afetado pela aparição inesperada do coala, ainda mais depois de a criatura sagrada ter se dirigido a ele com aquele olhar antes de atacar Takashi. Takuki não estava feliz com o novo mestre, não queria atacar seus antigos amigos, essa não era sua verdadeira natureza.
'Takuki, eu vou resgatar, eu prometi para a Ann que eu ia. Agüente só mais um pouco...'
John e Julian encararam-se olho no olho, beyblades já preparadas. Em contraste com o ar quase fantasmagórico e frio ao redor do mestre de Poseidon, o mestre de Takk estava rodeado pelas chamas de um espírito de luta ardente e determinado, resoluto. As duas energias lutavam para ganhar espaço antes do confronto, tentando invadir o território do oponente e contaminá-lo. Quando Fiona autorizou o início da batalha, o choque violento das beyblades e da energia fria contra a energia ardente gerou faíscas desgovernadas que atingiam desde a arena até a arquibancada e o teto do ginásio. Os únicos que não perceberam o show pirotécnico e não tentaram se proteger foram os dois lutadores, absortos demais na luta para se importar com o mundo exterior ou uma chuva de faíscas incandescentes que caía sobre suas cabeças.
'Eu tenho três rounds. Eu preciso acabar com o Julian logo, antes que ele use Takuki. Eu não estou com medo da fera-bit da minha irmã, eu nunca tive medo dele, mas eu odiaria ter que machucá-lo antes de entragá-lo de volta à Ann...'
'Mestre, eu quero ajudá-lo. Deixe-me ajudá-lo a recuperar Takuki!'
Por um momento, a arena e as beyblades sumiram do campo de visão de John. Tudo ao seu redor escureceu e a forma familiar de seu diabo da Tasmânia azul e verde surgiu a sua frente, encarando-o com a mesma determinação que seu mestre. John conhecia os sentimentos da fera-bit, sabia que Takk e Takuki eram tão próximos quanto ele e Ann. Como poderiam não ser, se foram encontrados juntos pelas duas crianças?
'Nós estamos nessa juntos, meu amigo. Nós sempre estaremos, não é verdade?'
'Sim, nós sempre estaremos juntos, mestre!'
A arena voltou a ficar em foco. As duas beyblades ainda lutavam, ainda arrancavam faíscas de seus ataques. A impressão que John teve ao voltar à "realidade" era de que o tempo havia parado para que ele e Takk pudesse conversar. O tempo havia parado, como daquela vez...
Não. Não era hora de se perder em lembranças, John precisava se manter em foco caso quisesse vencer. Julian parecia um pouco surpreso com o que quer que seu oponente estivesse fazendo, porém a mudança em sua expressão facial era mínima. O garoto não tinha como saber que John estava no momento em vias de estabelecer a conecção mais profunda existente entre mestre e fera-bit. Na verdade, nem mesmo John sabia que era isso que estava acontecendo, o garoto encarava a aparição de Takk como algo lógico e até esperado, sem realmente entender seu real significado ou suas implicações.
- Julian, eu não estou para brincadeiras. Eu estou lutando para valer, e vou te mostrar agora! Takk, Biting Hurricane!
A beyblade de Julian saiu da arena depois que o furacão criado por Takk conseguiu abalar até mesmo a estrutura que abrigava Fiona acima da arena.
'Obrigado, Takk, eu te devo essa.' Ao ser anunciado vencedor, John pôde vagamente ouvir o barulho da torcida apoiando-o. Em algum canto de sua mente estava o conhecimento de que William, Takashi, Emy e Keiko torciam por ele no ginásio e de que Ann, do hospital, assistia a sua luta pela tv. Naquele momento, porém, ele mal podia registrar este conhecimento, uma vez que usava toda a sua energia e concentração para manter a ligação com sua fera-bit. Ao expadir seu canal de comunicação com Takk, o garoto inconscientemente sacrificara as partes de seus sentidos voltados para o mundo exterior. Seu universo passou a ser constituindo por Takk, a arena, Julian e tudo que seu adversário pudesse mandar contra ele, ignorando todo o resto.
'Meu mestre não me deve nada, nós estamos trabalhando em equipe, não estamos?' A voz esganiçada, porém intimidadora que já se tornara familiar ecoou mais uma vez em algum lugar na mente do líder dos WATB. John podia sentir que sua fera-bit sorria satisfeita com o resultado do primeiro round, assim como ele.
'Tem razão, você e eu somos uma equipe.' Com isso o garoto terminou de preparar sua beyblade para o próximo round. Se Julian estava fazendo o mesmo ou não pouco lhe importava, afinal apenas as ações do garoto na arena contariam na hora de decidir o vencedor do campeonato. 'Somos uma equipe, ao contrário daqueles dois ali'. John momentaneamente focou seu olhar na expressão apática do adversário, que já estava com a beyblade preparada. O mestre de Takk se considerava com a vantagem para o segundo round pois sabia que, mesmo se Takuki fosse obrigado a obedecer Julian, seus ataques seriam bem menos eficazes por causa da falta de sincronia com o novo mestre e também pelo desejo da fera-bit de voltar para junto de Ann.
O segundo round começou ao comando de Fiona. Com as duas beyblades na arena, a luta se encaminhava rapidamente para o que poderia ser uma repetição do round anterior. Ataque após ataque, os peões tentavam estabelecer sua vantagem, achar o momento certo para atacar para valer.
'Mestre, vamos atacar!' Pediu Takk, novamente se comunicando com a mente de John. O diabo da Tasmânia estava agitado, ansioso para mostrar sua força novamente àquele que ousara roubar seu companheiro.
'Não, Takk, ainda não é hora.' Censurou John, observando atentamente as beyblades enquanto se concentrava em sua fera-bit. 'Julian com certeza tem algo em mente para não perder esse round. Vamos esperar por ele para agir, se ele tentar usar Takuki contra nós, pior para ele.'
O diabo da Tasmânia não teve que esperar muito para ver as palavras de seu mestre se tornarem realidade. Menos de um minuto depois a beyblade azul piscina começou a brilhar, e o coala rosa e roxo deus as caras pela segund vez naquele dia:
- Takuki, ataque-os. Broken Heart!
Ao comando de Julian, centenas de corações maciços irromperam da beyblade azul piscina em direção a sua adversária. O coala não parecia muito feliz em atacar o irmão de sua antiga mestra, seus olhos estavam ainda mais tristes do que na luta contra Takashi. Quando os corações começaram a rachar, John contra-atacou:
- Agora, Takk! Use a corrente em zigue-zague!
A fera-bit de John também apareceu no ginásio. Seu olhar era agressivo e determinado, dando-lhe um aspecto feroz e selvagem. O diabo da Tasmânia encarou o coala como se pedisse desculpas antes de excutar a ordem de seu mestre, comandando a corrente de vento que zigue-zagueou entre os corações, explodindo-os antes da hora e causando mais dano a Julian do que a John.
'Estratégia perfeita, mestre.'
'Bom trabalho, Takk, agora vamos começar a nossa ofensiva!'
Antes que John pudesse ordenar essa ofensiva, porém, Julian recolheu o coala da arena. Mesmo sua expressão apática mostrava sinais de descontentamento e surpresa, ele provavelmente não esperava que o adversário fosse capaz de enfrentar a fera-bit da irmã sem nenhum remorso. O que impediu John de agir, no entanto, não foi o fato de ele ter ordenado a retirada de Takuki, mas sim o que aconteceu depois que o coala desaparecera.
Ali, logo acima da cabeça de Julian Ross, encontrava-se o golfinho Poseidon.
- Co... como...
- Como eu fiz para chamar duas feras-bit diferentes na mesma luta? Ora, Willians, você não espera que eu entregue os meus truques para você antes da vitória, não é verdade?
John não foi o único a ficar surpreso com a aparição dos Deus dos mares: Fiona deixara seu microfone cair, estarrecida, e o público mergulhara em um silêncio tão profundo que era possível ouvir os corações acelerados dos lutadores. Takk, posicionado ao lado de seu mestre, começou a rosnar ameaçadoramente para o oponente, erguendo seu corpo e mostrando os dentes como fazem todos os seres de sua espécie ao tentarem intimidar o inimigo.
- Poseidon, Maremoto Devastador.
Como John estava ainda surpreso demais com a aparição inesperada de uma segunda fera-bit na mesma beyblade, nem ele, nem Takk ofereceram qualquer resistência ao ataque do golfinho, dando a vitória do segundo round a Julian Ross.
- John, não desanime! Ainda temos mais um round! – Exclamou William, o mais perto que conseguia ficar do amigo sem invadir a arena.
- Pense que agora o Julian não pode ter mais nenhum segredo surpreendente escondido para o último round! – Foi a tentativa de Takashi de tentar animar o mestre de Takk, apoiado nas costas de William para poder ficar acima do muro que o separava da arena.
- E agora você pode começar atacando com tudo, sem dar tempo pra ele reagir!
- E aí com certeza vai ser o fim da luta!
- John, você está nos ouvindo? John?
Os WATB não tinham como saber que seu líder não estava exatamente prestando atenção neles. Não que John os estivesse ignorando de propósito, mas o garoto mal podia ouvir suas vozes enquanto concentrava-se na discussão que se desenrolava dentro de sua mente com sua fera-bit através de um link que até então ele não fazia idéia de que podia existir.
Na verdade, havia muitas outras coisas que John Willians desconhecia sobre esse link. Apesar de tê-lo aceitado e usufruido dele sem pensar muito, guiando-se por seu instinto para desvendá-lo, o garoto não sabia sobre o alto preço que a conecção anormal exigia. Ele desconhecia, por exemplo, o enorme gasto de energia e o desgaste que afetaria seu corpo em breve. Como nunca havia treinado para receber todo o potencial deste link, as conseqüências de seu uso prologado poderiam tornar-se ainda mais perigosas.
'John, você está bem?' Perguntou o diabo da Tasmânia, interrompendo a discussão de estratégia que estava tendo com seu mestre segundos antes.
'Sim, estou. Por que a pergunta?' Perguntou o garoto, surpreso com a interrupção. Não havia nada de errado com ele, não que ele soubesse.
'Eu... eu senti... não, não era nada, mestre. Nós precisamos achar um jeito de vencer Poseidon antes que...'
- Competidores, está na hora de tomarem seus lugares! O último desafio vai começar em breve! – O grito de Fiona impediu Takk de continuar. John fez como o odernado, armando sua beyblade e se posicionando em seu lado da arena. Do outro lado, Julian fazia o mesmo, lançando ao oponente um olhar difícil de decifrar. Um olhar de cobiça, talvez? Ou inveja? Os olhos do garoto apontavam na direção de Takk. – Três! Dois! Um! GOOO SHOOOOT!!
- Willians, eu não quero mais perder tempo com você aqui. – Nem cinco segundos de luta e a fera-bit de Julian apareceu, pronta para atacar. Sem hesitar, Takk fez o mesmo. – Você é meu último obstáculo agora, essa luta é a última coisa no meu caminho! – Pela primeira vez no dia a imagem do Julian apático distanciou-se da realidade. Havia um brilho novo no olhar do garoto, seus olhos negros faiscavam com seu espírito de luta revivido inesperadamente. – Eu vou vencer aqui! Eu vou vencer aqui, está entendendo? Eu vou vencer aqui... por Helen... pela justiça! Poseidon, Maremoto Devastador!
John entrou na defensiva assim que ouviu o nome da fera-bit de seu oponente ser mencionada. Precisava de toda a sua concentração para tentar resistir e permanecer na luta.
'Você está lutando por Helen? Grande coisa... Eu também luto pela minha irmã, pela irmã que VOCÊ colocou no hospital ontem.' Uma série de pensamentos passava pela mente de John enquanto o líder dos WATB sentia o ataque de seu oponente fazendo efeito nele também. 'Eu já te disse antes, EU vou vencer, não importa o que aconteça! Eu vou recuperar Takuki, eu vou vingar a minha irmã, eu vou...'
Os pensamentos pararam quando uma dor aguda, diferente da dor causada pelo ataque de Julian se espalhou por seu corpo, indo de sua cabeça até os dedos dos pés com a mesma intensidade. O gritou gritou, apertando as laterais de sua cabeça em uma tentativa de suavizar essa dor. Foi em meio ao pânico que percebeu duas protuberâncias estranhas brotando entre seus dedos, na região entre seus olhos e orelhas. Pouco tempo depois, sua gengiva tornou-se dormente quando seus dentes começaram a crescer e a tornarem-se mais pontiagudos.
'O que está acontecendo? Takk, o que é isso? Takk!'
Se John já estava assustado com as mudanças inexplicáveis e dolorosas em seu corpo, o fato de sua fera-bit não responder ao chamado deixou-o realmente apavorado. Havia uma luz azul envolvendo-o e sua visão tornara-se turva, ele não mais conseguia distingüir cores muito bem. Ao tentar gritar por ajuda, um som inumano substituiu sua voz. A cada segundo que passava, o líder dos WATB sentia-se cada vez mais perdido, cada vez mais distante da realidade. Sua mente estava deixando este mundo, substituída por alguma coisa que não era humana, mas que sempre existira dentro dele. John não tinha mais forças para lutar contra essa coisa, simplesmente deixou-se levar, perdendo o controle aos poucos para a criatura até então presa no lugar mais escondido de sua mente.
Quando o corpo de John começou a brilhar, o foco do público imediatamente mudou das beyblades para os lutadores. Pouco tempo depois, seus dentes começaram a crescer, seu cabelo tornou-se despenteado e um pouco mais longo e duas pequenas orelhas de diabo da Tasmânia brotaram de sua cabeça. Parecia um filme de grotescos efeitos especiais, porém não havia nada de ilusório na transformação. Por fim, os olhos azuis-esverdeados do garoto tornaram-se amarelos e ele emitiu uma espécie de urro agudo e histérico que ser humano nenhum deveria ser capaz de produzir. Em pânico, as pessoas começaram a gritar, incapazes de entender o que estava acontecendo. Na arena, a beyblade do líder dos WATB atacava sua oponente sem parar, arrancando pedaços da beyblade azul piscina. John havia se transformado em um monstro.
Julian, ao perceber as mudanças no corpo do rival, logo entrou em alerta, tirando de seu bolso as três partes encaixáveis que formavam seu instrumento favorito: a flauta doce. Quando os ataques impiedosos da beyblade do rival ameaçaram partir sua beyblade, não havia dúvidas quanto ao que ele precisava fazer:
- Willians, se você ainda puder me entender, espero que aprecie o meu melhor ataque. Se você não puder, bem... esse ataque faz efeito em qualquer criatura com ouvidos, e como você pelo visto agora tem quatro deles... Poseidon, Deathly Simphony!
Julian levou a flauta à boca e começou a tocar. Imediatamente após a primeira nota John foi ao chão, produzindo mais uma série dos ruídos agoniantes que provavelmente tentavam traduzir algo muito dolorido. A música continuou por aproximadamente um minuto, tempo suficiente para John parar de gritar, tornando-se uma criatura estática encolhida no chão, provavelmente inconsciente. A beyblade que abrigava Takk desintegrou-se assim que o derradeiro ataque de Julian terminou, e com isso o líder dos WATB voltou ao normal.
- O que você fez com ele? É culpa sua, não é? O que vai acontecer com o John? – William foi o primeiro a chegar até a arena, dirigindo-se a Julian antes de verificar o estado de seu líder. – E isso na sua mão é...
- A única coisa que eu fiz foi acalmar a fera que estava destruindo a minha beyblade. – Respondeu Julian, novamente calmo e apático. Ele ignorou a última parte da fala do mestre de Tanka, fechando o bit-chip de Takk seguramente em seu bolso. – Ele perdeu pra mim e não há nada que vocês possam fazer para mudar isso. Ao menos não aqui em Auckland.
- O que você quer dizer? – Perguntou Takashi, que se aproximara bem em tempo de ouvir o último comentário de seu ex-amigo. Os médicos haviam recém chegado para socorrer o líder dos WATB, retirando o garoto em uma maca acompanhados de Emy e Keiko.
- Eu estou indo para o Japão amanhã. Para Tóquio, para ser mais preciso. É lá que meus objetivos serão finalmente cumpridos, e para lá que vocês têm que ir se quiserem tentar recuperar as duas feras-bit.
- Pois então é isso que eu vou fazer! – Exclamou o chinesinho, usando sua determinação que o guiara até as semifinais do torneio para que todos ainda presentes no ginásio pudessem ouvi-lo. – Eu também vou pro Japão, Julian, e nós vamos acertar as nossas contas por lá!
Sua consciência estava retornando aos poucos. A criatura que o dominara na hora da luta não estava mais presente, aos poucos retornando ao seu lugar de origem, sejá lá que lugar fosse esse. Ele estava bem consciente da dor que adormecia cada partícula de seu corpo, assim como a falta do link que o acompanhara durante boa parte da última luta. Foi essa ausência que lhe comunicou o resultado da final, assim como suas conseqüências.
Perdido em um mundo de sonhos e pesadelos, John não conseguia acordar. Não queria acordar. Não queria encarar Ann, não queria encarar seus companheiros de equipe. Ele era o líder, era sua obrigação cumprir suas promessas. John falhara ao tentar recuperar Takuki, pagando por isso um preço mais alto do que ele inicialmente estava disposto a pagar. Depois de dois anos, Takk e Takuki não estavam mais com eles, não eram mais parte da vida dos gêmeos. Eles se foram, e as chances de voltarem eram praticamente nulas.
Um sonho. Sim, John estava dentro de um sonho. Uma lembraça. A brinadeira na floresta, o jogo de pega-pega com seu pai e sua irmã. A queda pelo barranco. Sua cabeça contra a pedra dura. A dor substituida por surpesa e êxtase quando duas criaturas coloridas e brilhantes surgiram da pedra. A sensação de que o tempo parara quando as criaturas os encararam pela primeira vez. O alívio quando uma dessas criaturas encontrou conforto em seu colo, curando o grande corte que se abrira em sua testa. Takk, com sua natureza violenta e irritável – tão parecida com a de Ann – encontrara em John o companheiro perfeito que o completava e o mantinha sob controle; assim como Takuki, o doce e gentil coala que não gostava de machucar ninguém – um retrato peludo e roxo-rosado de John – viu em Ann a pessoa ideal para desenvolver ao máximo suas habilidades.
Por dois anos, os quatro cresceram e evoluíram juntos, venceram desafios e superaram obstáculos, sobrevivendo até mesmo ao campeonato mundial de 2003 e aos impulsos dominadores de Hajime Yuy. Por dois anos, os dois humanos e as duas criaturas sagradas repartiram suas emoções e se apegaram um ao outro, deixando partes de suas personalidades para sempre encravadas no ser que escolheram para completá-los.
Depois de dois anos, entretanto, era hora chegada a hora de dizer adeus.
