Nota do James: Yo! (acena feliz)
DESCUUUUUUUUUUUUUUUUUULPEEEEEEEEEEEEEMM!! DESCUUUUUUUUUUUUUUULPEEEEEEEEEEEEMM! (chorando copiosamente)
EU fui mau! Mau! Muito mau! Eu ignorei todo mundo por quase dois meses! EU sou mau! (chorando ainda mais)
Aconteceram muitas coisas. Entre elas, eu voltei para o Brasil, operei meu joelho e agora estou no meio da recuperação (andando com uma muleta). Nós resolvemos alugar o apartamento que a gente tem aqui, por isso temos que nos desfazer de um monte de coisa que tínhamos guardado e isso é um tanto... pesado... e acabou me afetando um pouco. Minha criatividade ficou perdida em algum lugar no meio dessa bagunça, e eu só voltei a escrever porque eu não queria que ninguém pensasse que eu abandonei essa história.
O capítulo provavelmente não ficou muito bom, pelo menos não tão bom quanto eu queria que eu ficasse, e eu peço desculpas por isso também.
A mudança, a cirurgia, e mais umas outras questões pessoais me abalaram neste último mês, e eu acho que vou precisar de alguma ajuda para voltar ao normal. Eu quero terminar essa história e quero começar 2009 postando a terceira fase.
Vocês entenderam, né? Review incentivo vontade ajuda história pronta logo
Então vamos ao capítulo, porque o tempo é curto e eu tenho muita coisa pra recuperar!
CAPÍTULO XXVIII
OWARI NO HAJIME
Com a proximidade do fim de semana, a contagem regressiva de Yoshiyuki ganhou um novo ímpeto. O garotinho mal conseguia se concentrar nas aulas, ocupado demais observando os ponteiros caminharem no relógio de parede para se preocupar com o que quer que seus professores diziam. Sua imaginação fértil de criança feliz não parava de criar os momentos mágicos da festa de aniversário que aconteceria em exatamente um mês, dez dias e dez horas. Eram tantos eventos e acontecimentos – seu irmão e Satsuki finalmente namorando, dois bolos de chocolate tamanha família pedindo para serem comidos, um super-torneio de beyblade com todos os seus amigos – que Yoshiyuki nem sequer reparou que o rival de seu irmão o observava com um olhar suspeito durante todo o tempo de aula.
Felizmente, Koichi não era de mergulhar em mundo de fantasias e coisas lindas, e percebeu na hora a atitude estranha de Makoto Umeragi. Por precaução, o líder dos Taichi resolveu também observar o colega, fazendo com que, pela primeira vez desde o regresso do trio às aula, um dia inteiro se passasse sem uma grande troca de provocações. Até mesmo os professores ficaram surpresos.
Koichi esperava que, depois de seu último encontro com Jing Mei, a garota desistisse de tentar encontrá-lo novamente e o deixasse em paz para andar com seu irmãozinho pela rua. Infelizmente, descobriu-se enganado da pior maneira possível:
- Koi-chan! Que milagre encontrá-lo por aqui! – Yoshiyuki foi obrigado a se afastar quando o corpo pequeno de roupas curtas aproximou-se em alta velocidade e se pendurou no pescoço do líder dos Taichi, errando o garotinho por uma questão de centímetros. – Eu estava com tantas saudades! Aposto que sentiu saudades de mim! Confesse!
- Não, eu não senti saudades. Na verdade, eu agradeceria se não precisasse vê-la de novo. – Koichi fez menção de retirar Jing Mei de sua posição comprometedora, porém a garota o impediu:
- Nem mesmo por Yuriy? – Ela sussurrou em seu ouvido, paralisando-o momentaneamente. O líder dos Taichi já havia decidido que não precisava da "peituda oferecida", como seu irmãozinho a apelidara, para encontrar o misterioso mestre de Ares; não queria mais nada a ver com a garota; entretanto, no momento em que seus olhos se encontraram, as intenções do líder dos Taichi foram esquecidas.
O olhar de Jing Mei estava diferente. Koichi não conseguia tirar os olhos dela, por mais que tentasse, envolvido por uma sensação que ele não conseguia exatamente descrever: não era nada semelhante à sensação de estar perto de Satsuki ou de seus amigos mais próximos; mas também não a mesma sensação de estar diante de um grande rival. Os olhos negros da chinesa hipnotizavam-no de uma maneira que o garoto até então não acreditava ser possível. O que ela estava planejando? A mente de Koichi continuava trabalhando, mesmo quando seu corpo recusava-se a obedecê-lo. Havia alguma coisa por trás da perseguição incessante, Yuriy era obviamente apenas uma desculpa para que eles continuassem se encontrando.
- Ô, moça! O Nii-chan e eu estamos ocupados, será que dá pra dar licença? – Koichi quase sorriu ao ouvir a voz do seu irmão. Yoshiyuki estava cutucando a cintura da garota, tomando cuidado para não encostar em nenhuma região muito comprometedora, e sua expressão inocente não conseguia de todo esconder o olhar malicioso dirigido a ela.
- Ara, ara, o que um bebê como você entende dessas coisas? Acho que os ocupados aqui são seu irmão e eu, não você. – Respondeu Jing Mei, sem perder a compostura, agarrando-se ainda mais ao pescoço do líder dos Taichi. A mente de Koichi estava aos poucos retomando o controle de seu corpo.
- Eu posso ser bem mais novo do que você, mas posso te garantir que entendo muito mais do que você imagina, Peituda Oferecida. Eu sei, por exemplo, que o Nii-chan está só esperando o momento certo pra te jogar contra a parede e te dar uma lição por tentar atrapalhar o romance dele com a Satsuki Nee-chan.
Jing Mei finalmente desceu do pescoço do líder dos Taichi, encarando o líder dos Soldier of Russia com um olhar venenoso. Como ela não era muito alta, a diferença de altura entre os dois era de pouco mais do que trinta centímetros. Não foi preciso muito esforço para que seus olhos se nivelassem, iniciando um longo concurso de encarar. A chinesa foi a primeira a quebrar o silêncio:
- Você não perde por esperar, bebê. Vou fazer você pagar por meter o nariz onde não foi chamado. E é bom você se preparar, porque eu não cobro barato.
Dizendo isto, Jing Mei se afastou, sumindo no meio da multidão que andava pelas ruas movimentadas naquele horário. Koichi encarou o irmão, e ficou satisfeito ao ver seu sorriso meia-lua novamente preenchendo metade de seu rosto.
- Acho melhor eu preparar alguns cheques, não é verdade, Nii-chan? Ou será que ela aceita pagamento com chocolate?
E os dois irmãos voltaram para casa sem mais problemas.
Aquela não foi a última vez que Koichi e Yoshiyuki se encontraram com Jing Mei, porém. Durante todo o resto da semana, toda a vez que o mestre de Fenhir saía sozinho para se livrar do irmão ansioso, a chinesa encontrava uma maneira de abordá-lo na rua e lembrá-lo de que muito em breve ele e Yuriy lutariam e que ela era a única pessoa que poderia fazer este duelo acontecer. Mais de uma vez Jing Mei tentara beijá-lo, sem sucesso. Por mais que o corpo de Koichi reagisse aos avanços da garota, sua mente suspeitava que tudo não passava de uma encenação.
Encenação ou não, Koichi continuou saindo sozinho todos os dias, uma parte dele esperando que a garota o encontrasse. Ele a repudiava, não suportava sua presença, e ainda assim estava quase indo ao seu encontro, certificando-se de que Yoshiyuki não estaria por perto para espioná-lo. O que ele queria com Jing Mei? Nem ele mesmo sabia.
Terça-feira, dia quatro de maio, Koichi ficou levemente surpreso por estar decepcionado quando a chinesa de roupas curtas não apareceu para incomodá-lo enquanto ele voltava da loja de peças de beyblades. No dia anterior, a garota avisara-o que tinha um compromisso muito importante e inadiável e por isso muito provavelmente não o encontraria naquele dia. Ele tentara perguntar que compromisso era esse – se estava relacionado com Yuriy ou não – porém Jing Mei se recusou a entrar em detalhes. Essa recusa deixou o líder dos Taichi preocupado, uma vez que Jing Mei era o tipo de pessoa que não precisava de desculpas para falar de sua vida e de suas magníficas habilidades.
- Nii-chan, você voltou mais cedo hoje! A loja não tinha o que você queria? – Perguntou Yoshiyuki assim que viu seu irmão mais velho abrir o portão da frente. Todos os dias depois da aula o garotinho era obrigado a ficar algum tempo sozinho em casa enquanto seu irmão dizia estar procurando por uma peça em uma loja qualquer. Sendo o garotinho gênio que era, Yoshiyuki suspeitava de que essa não era toda a verdade, porém sua felicidade e excitação por estar a um mês, seis dias, oito horas e quatro minutos de seu aniversário o impediam de fazer um interrogatório completo sobre as atividades secretas de seu Nii-chan.
- Não, eles tinham. E por isso eu cheguei mais cedo. – Respondeu Koichi, preparando-se para o momento em que seria atualizado sobre a contagem regressiva para o dia dez de junho. – E agora que eu finalmente consegui a peça nova, eu pretendo testá-la contra um certo garoto-gênio hiperativo que me prometeu que voltaria a lutar beyblade para valer...
- Eu vou só porque faltam um mês, seis dias, oito horas e três minutos para eu ser um garoto-gênio-hiperativo de sete anos. Prepare-se, Nii-chan, porque eu não vou me segurar!
A luta começou como todas as outras lutas travadas entre os dois irmãos: era impossível saber quem estava com a vantagem. O nível de poder dos dois continuava o mesmo, apesar dos diferentes regimes de treinamentos. Koichi e Yoshiyuki não sentiam-se incomodados com isso, entretanto; suas lutas ficavam muito mais divertidas deste jeito. Depois do que pareceram horas de ataques e mais ataques sincronizados, Yoshiyuki foi o primeiro a chamar a fera-bit. Não estava preocupado em esconder o quão feliz estava por ver seu monstro sagrado totalmente recuperado. Até mesmo Koichi sorriu ao vê-lo:
- Ceres, vamos acabar com a luta! Ataque Bomba de Choc... AAARGH!! Nii-chan!
Koichi correu até seu irmão, preocupado, em tempo de agarrá-lo antes que ele pudesse cair no chão. O garotinho estava com as mãos no peito, segurando firmemente a camiseta roxa com unicórnios fofinhos, aparentemente sentindo muita dor.
- Yoshiyuki! Hey, Yoshiyuki, o que houve? – O líder dos Taichi arrumou o irmão em seu colo, não muito certo do que deveria fazer. Seu irmãozinho não era de ter ataques repentinos, alguma coisa muito errada estava acontecendo.
- Nii-chan, alguma coisa aconteceu... Está doendo... Alguém... Alguém se machucou... Eu não sei explicar, mas... Parece... é como se alguém tivesse perdido uma parte dele... alguém que eu conheço... será que a Satsuki Nee-chan está com problemas?
Os irmãos se encararam, pensativos. Yoshiyuki se acalmou aos poucos, embora a estranha dor em seu peito continuasse por ainda algum tempo. As beyblades pararam de girar, a luta foi esquecida. Quando Koichi tentou telefonar para Satsuki, descobriu que o celular da garota estava desligado e não havia ninguém em sua casa. Eles também não tiveram sucesso em contactar Rumiko, Ken, Nathaliya ou Isaac.
- É, alguma coisa definitivamente aconteceu, Yoshiyuki. E eu espero que não demore para descobrirmos o que é.
- Ah, nossa! Você está ficando cada vez melhor, Yuriy! Estou orgulhosa de você!
- A prática leva à perfeição, Jing, você sabe muito bem disso.
Jing Mei e Yuriy estavam em um quarto escuro, ela deitada sobre o peito dele. A janela aberta deixava passar a luz da lua, o suficiente para iluminar seus rostos. Era madrugada, a rua estava deserta e tudo ao redor dos dois estava silencioso.
- Você anda cheio de energia ultimamente... Nem parece que fica o dia todo brincando com aquele seu cachorrinho maravilhoso... – A voz da garota tinha um tom sarcástico que Yuriy soube enterpretar corretamente.
- Ciúmes do Eikichi? – Yuriy acariciou os cabelos soltos da namorada, sorrindo maliciosamente. – Ora, Jing, achei que você já tinha superado essa fase! Você tinha um trabalho a fazer, eu não ia ficar esperando por você de braços cruzados enquanto isso!
- Trabalho, trabalho... Bem que o nosso chefinho poderia me dar um trabalho melhor! Com a minha força e a minha inteligência as lutas de hoje nem tiveram graça! Imagina só, eu peguei duas feras-bit e nem sequer suei!
- Verdade? Ah, assim você tira a minha empolgação para amanhã... Eu estava tão ansioso para o dia em que você levaria o Yuy e o irmãozinho bebê dele direto para a boca de Ares... – Yuriy sorriu, esperando que a namorada fizesse o mesmo. Jing Mei, porém, suspirou e falou em um tom mais sério do que o que usava anteriormente:
- Quanto a isso, querido, houve uma pequena mudança de planos. O chefinho me pediu para avisá-lo quando eu lhe entreguei Kid Dragoon e Kufe. Ele vai levar pessoalmente os dois até o beco, disse que o meu plano de aproximação não está dando certo. Argh, aquele maldito! Me fez passar tanto trabalho para nada! – Jing Mei fez menção de se levantar, soqueando o peito do namorado, porém Yuriy a segurou. Em situações normais ele provavelmente estaria furioso agora, com o rosto da mesma cor que seus cabelos flamejantes, entretanto desta vez ele sorria, contemplando divertido a namorada perder a compostura.
- Talvez... talvez seu esforço não tenha sido desperdiçado, Jing. Se você por um acaso esqueceu, meu papel nesta missão não termina com a luta de amanhã. Se nós fizermos tudo direitinho, teremos o prazer de ver Yuy e sua querida namoradinha sofrerem nas nossas mãos...
- Hum... eu sei onde você está querendo chegar... – Jing Mei voltou a sorrir, beijando o pescoço do namorado. – Você tem uma mente bem suja...
- Exatamente como a sua!
Quando o pai de Yuriy voltou para casa algumas horas depois, não havia mais nenhuma indicação de seu filho passara grande parte da noite no quarto com a namorada. O homem cumprimentou o adolescente e foi para seu escritório terminar uma série de relatórios, completamente alheio aos planos do garoto para o dia seguinte.
Quarta-feira era dia de período duplo de geografia. Arai-sensei há algum tempo alertara seus alunos de que a partir do mês de maio a classe estudariam um país do mundo por mês. Ele ainda não havia dito qual seria o primeiro deles, e por isso os poucos minutos que antecederam o início da aula foram anormalmente barulhentos com os alunos da turma 3-A apostando e debatendo suas opiniões:
- Vai ser a União Européia! – Exclamou Masaru Takai, um dos amigos de Tsubaki, conhecido na turma por estar sempre entre os cinco últimos colocados em todos os testes de todas as matérias.
- Não seja ridículo, a União Européia não é um país! – Retrucou Yutaka Imahara, um garoto que gostava de corrigir os outros e repudiava qualquer coisa que saísse da normalidade. Ele era bastante conhecido na escola mesmo antes de entrar na Juunan Chuugakko, pois seu irmão mais velho Akira, agora no primeiro ano do Kookoo, seria eternamente lembrado na escola como o menino rebelde que pintara os longos cabelos pretos de rosa-pink. – Nós provavelmente vamos estudar os Estados Unidos, é a coisa mais lógica a se fazer.
- Pois eu acho que vai ser o Iraque. – Declarou Kaname Edogawa, a presidente do grêmio estudantil, uma menina de óculos fundo-de-garrafa e maria-chiquinha. – Assim nós podemos trabalhar a guerra...
- Sentem-se todos, eu vou começar a minha aula. – Com tantas discussões, quase ninguém percebeu quando Arai-sensei entrou na sala. As exceções foram Umeragi, que continuava observando atentamente cada movimentos de Yoshiyuki mesmo estando de costas para ele, e Koichi, que se dividia entre observar o irmão contar os segundos que faltavam para o dia dez de junho e espionar seu rival. – Como eu já havia anunciado, durante este mês nós concentraremos nossos esforços no estudo de um único país do mundo. Eu escolhi este país com base nos grandes conflitos deste século, pois ele teve um papel importante na formação do pensamento, da política e da economia mundial nos últimos cinqüenta anos.
- Eu disse que ia ser os Estados Unidos. – Sussurrou Imahara no ouvido de Takai, com um olhar triunfante. Arai-sensei estava tão concentrado em seu discurso que não percebeu esta pequena interrupção.
- Meus alunos, durante este mês nós vamos estudar a Rússia, o maior e mais importante entre os países que compunham a antiga União Soviética!
A classe mergulhou em um silêncio constrangedor. Ninguém havia pensado na Rússia como opção, tendo em vista os conflitos mais atuais ao redor do globo. Os irmãos Yuy se entreolharam, talvez os únicos, além de Umeragi, a ler nas entrelinhas e entender os motivos por trás da escolha da Rússia como assunto do mês:
Os dois irmãos haviam nascido na Rússia, embora apenas Yoshiyuki tivesse dupla cidadania e soubesse falar o idioma deste país. Em menos de cinco minutos de aula o professor encontrara pelo menos uma centena de razões para fazer seus alunos acreditarem que os russos eram ainda mais ameaçadores do que os árabes, os terroristas ou os americanos. Ao fim da aula, havia-se estabelecido na turma 3-A um clima de guerra e ansiedade, com muitos alunos encarando os irmãos Yuy – principalmente Koichi – de forma suspeita, como se tivessem acabado de descobrir um lado oculto e perigoso de suas personalidades.
- É, parece que nós não devemos mesmo confiar nos russos... – Umeragi colocou mais lenha na fogueira assim que Arai-sensei deixou a sala. – Eles tendem a não respeitar a autoridade e a desafiar as pessoas de bem...
- O que foi, Umeragi? – Koichi se levantou, encarando seu rival nos olhos. Yoshiyuki pela primeira vez no dia não estava mais preocupado com sua contagem regressiva. Assistir ao Nii-chan e ao Makoto-chan discutirem era sempre interessante. – Por um acaso está chateado porque nós, os russos – Koichi não se considerava russo, havia vivido apenas um ano em Moscou e não se lembrava de nada daquele país, a não ser da Grande Final do ano anterior; porém especialmente para a ocasião ele estava disposto a fingir que não era bem assim – tivemos um império maior do que o japonês, tivemos a capacidade de dividir o mundo por mais de meio século e, acima de tudo, vencemos a única guerra que o Japão teve a incompetência de perder? É melhor ter cuidado, Umeragi, porque um país que nem sequer tem exército não pode vencer uma superpotência nuclear.
Umeragi bem que tentou responder, porém a professora do próximo período chegou logo em seguida e ele teve que se calar. Não que ele se importasse, na verdade, afinal os irmãos Yuy receberiam o troco por essas e outras humilhações tão logo o sinal marcasse o fim das aulas do dia.
- Hey, Yuy! – Era Umeragi chamando Koichi na hora da saída, quase no portão. – Sua namoradinha está a fim de ter ver, sabia? Eu tenho uma mensagem dela aqui comigo...
Tanto Koichi quanto Yoshiyuki pararam de andar ao ouvir a voz do garoto. Umeragi sabia que suas palavras chamariam a atenção dos irmãos, que estavam caminhando um pouco a frente dele. Quando Koichi parou de andar e voltou em sua direção, Umeragi deixou um de seus sorrisos cretinos brincar em seu rosto.
- Fique aí, Yoshiyuki, eu já volto. – Umeragi ouviu Koichi dizer. Pouco tempo depois os dois estavam frente a frente. A alguns metros de distância, Yoshiyuki apurava os ouvidos para ouvir o que seu irmão teria para dizer que não gostaria que ele ouvisse. Obviamente estava relacionado à estranha garota que o perseguia e que representava a maior ameaça aos seus planos de cupido intrometido. Estariam os dois se encontrando, então? E seria essa a razão pela qual seu irmão saía todos os dias sem ele? Quando Koichi o mandou voltar para casa sozinho e passou a empurrar a cadeira de Umeragi para fora da escola, o garoto gênio não teve dúvidas se deveria ou não segui-los.
Menos de dez minutos haviam se passado, porém Umeragi conseguira de algum jeito guiar Koichi para uma zona da cidade que ninguém diria fazer parte de Akihabara. Becos fedorentos e ruelas escuras compunham a maior parte do cenário; as poucas pessoas que rondavam o local não pareciam nada amistosas. Yoshiyuki caminhava sem olhar para os lados, procurando manter-se fora do campo de visão de seu irmão e de Umeragi. Mesmo um gênio-mirim como ele estava tendo dificuldades em imaginar uma teoria coesa sobre os assuntos que Koichi teria para tratar com seu maior rival em um lugar como aquele.
Os becos ficavam ainda mais fedorentos, e as ruelas, mais escuras à medida que o trio se embrenhava naquele ambiente desconhecido. Cerca de quinze minutos se passaram antes que a voz grave e sinistra de Umeragi ordenasse que Koichi parasse em frente a um beco particularmente mal-cheiroso. Yoshiyuki também parou, encontrando uma lata de lixo para lhe servir de esconderijo. A lata estava colocada de tal maneira que ela possível para o garotinho ver e ouvir tudo o que se passava com seu irmão, um espectador em um camarote de honra. Pequenos detalhes como o fato de a lata estar em um ótimo estado de conservação quando tudo ao redor poderia ter passado no meio de um furacão em outras ocasiões teriam despertado o sinal de alerta no cérebro super-desenvolvido do garotinho, porém Yoshiyuki estava tão envolvido pelo suspense que o ambiente e suas ações lhe proporcionavam que a possibilidade de seu esconderijo ter sido colocado ali há menos de vinte e quatro horas justamente para esse fim não passou por sua cabeça.
Um pouco atrás de Umeragi, ainda segurando sua cadeira, Koichi rapidamente examinou o beco escolhido por seu rival: era um local estreito, com uma parede de pedra e outra, de madeira. Havia lixo por todo o lado e era possível ouvir as centenas de ratos e ratazanas que provavelmente viviam por ali. O cheiro era quase insuportável, uma mistura de lixo orgânico em decomposição com excrementos de roedores e algo que lembrava muito sangue fresco. A aparição de Jing Mei no meio de tudo aquilo não contribuiu em nada para melhorar a opinião do garoto sobre o local:
- Vocês demoraram, sabia? Achei que não fossem chegar nunca! Eu já estava ficando impaciente! – Exclamou a garota, aproximando-se da dupla. Seu olhar continuava sensual e atrevido, porém desta vez havia também um certo perigo refletido naqueles olhos negros; um aviso de que a caçadora estava prestes a abocanhar sua presa.
- Fui eu que pedi para o Yuy vir devagar, eu gosto de admirar a paisagem. – Respondeu Umeragi, displicente. – Fora que, conhecendo vocês, eu sabia que quanto mais a gente demorasse, mais ansiosos para lutar vocês ficariam.
- Acertou. Nós queremos lutar, Chefinho, então é bom parar de nos enrolar e começar logo. – Jing Mei estava sentada no colo de Umeragi, passando uma mão por seu pescoço e outra por seus cabelos. Apesar disso, a voz do garoto não se alterou quando ele respondeu:
- Você não vai mais lutar, Jing Mei. Sua parte no meu plano terminou ontem ao me entregar Kid Dragoon e Kufe. Você só precisa relaxar e assitir ao nosso showzinho agora.
- Eu já estou sentada. – Respondeu ela, sorrindo maliciosamente. Umeragi sorriu também.
- Pode ficar aí se quiser, mas não sou eu que vou me entender com seu namorado depois. – Sussurrou ele, alargando um pouco seu sorriso. Ele e Jing Mei agora tinham expressões idênticas em seus rostos.
- Yuriy não vai se importar, você é o chefe afinal de contas.
Se o cérebro de Yoshiyuki antes encontrava dificuldades para trabalhar, agora as novas informações eram processadas em velocidade record: Jing Mei trabalhava para Umeragi. Kid Dragoon e Kufe haviam sido roubadas. Alguém estava prestes a lutar contra seu Nii-chan. Poderia o roubo de Kufe significar que Hehashiro estava no Japão? E se estivesse, estariam Toshihiro e Vladmir com ele? Umeragi havia recebido as duas feras-bit no dia anterior. E se isso estivesse relacionado com o seu ataque repentino durante a luta contra Koichi? E se ele tivesse, de alguma forma, sentido o momento em que mestre e fera-bit foram separados? Poderia ele ter alguma conexão com Kufe o Hehashiro que possibilitava que ele sentisse a dor do mestre da piranha?
Hehashiro não era sua maior preocupação, porém. Entre todas as coisas que ouvira, uma em especial chamara sua atenção: Kid Dragoon havia sido roubado também. Mesmo com todo o poder que demonstrara no campeonato japonês, Shinji Ueno havia sido derrotado por Jing Mei. Como a diferença de poder entre os irmãos Yuy continuava muito pequena, as chances de Koichi ganhar em uma luta contra ela eram provavelmente muito pequenas também. Entretanto a garota não lutaria. Não segundo Umeragi, seu "chefinho". Se era assim, então quem lutaria? E se Umeragi era o chefe, ele provavelmente era ainda mais forte do que Jing Mei, o que deixava as coisas ainda mais complicadas para Koichi.
- Alguém disse o meu nome? – A linha de pensamento do menino-gênio foi interrompida quando uma voz grave e agressiva soou de dentro do beco. Segundos depois, uma figura alta, vestida toda de preto, de cabelos flamejantes e uma grande cicatriz na bochecha revelou-se.
- Olá, Yuriy. Agora a nossa reunião está finalmente completa. – Cumprimentou Umeragi, movendo apenas os olhos para indicar que reconhecera a presença do recém-chegado. – Agora que estamos todos aqui, por que não explica ao meu amigo Koichi Yuy o porquê de eu o trazer aqui tão de repente.
- Com prazer, Chefinho... – Os olhos negros de Yuriy voltaram-se para o líder dos Taichi. Os dois se encararam por alguns tensos segundos em que a intesidade de seus olhares foram medidas e colocadas à prova. Mesmo com a franja, não era difícil para o russo descobrir o que seu rival estava pensando, assim como Koichi conseguia facilmente entrar na mente de Yuriy. Os dois eram semelhantes em muitas coisas, e por isso a luta entre eles havia sido tão aguardada. – Basicamente, nós queremos Fenhir, e pretendemos lutar por ele. Nós já temos as feras-bit de dois amiguinhos seus, e se você por um acaso ganhar esta luta, nós até podemos pensar em devolvê-las. Claro, isso tudo vai depender do seu desempenho durante a luta...
- Eu não preciso de uma motivação extra para lutar. – Interrompeu Koichi, saindo de trás de Umeragi para se aproximar de Yuriy. – Shinji Ueno não era meu amigo, e se Hehashiro perdeu sua fera-bit em uma luta, o problema é dele. Já faz muito tempo que eu quero lutar contra você, Yuriy, e se Fenhir está em jogo, é apenas um motivo a mais para eu vencer.
Yoshiyuki quase revelou seu esconderijo, controlando-se no último segundo para não se levantar e gritar "Nii-chan!". O garotinho segurou Ceres firme em sua mão, torcendo para que seu irmão soubesse o que estava fazendo. Ele não queria que Koichi perdesse Fenhir, não podia deixar isso acontecer. Lembrou-se da estranha dor no peito que sentira no dia anterior, e tentou não imaginar o que se sentiria se a fera-bit roubada fosse a da pessoa mais importante para ele. Yoshiyuki colocou Ceres no lançador, decido a se intrometer caso seu irmão precisasse de ajuda.
- Pois então vamos lutar! – Exclamou Yuriy, tirando do bolso a beyblade marrom e preta. Koichi fez o mesmo segundos depois. Jing Mei saiu do colo de Umeragi e se colocou entre os dois lutadores. Foi ela quem deu a ordem:
- Go Shoot!
Como não havia uma arena propriamente dita, as beybladers eram livres para circular por qualquer lugar do beco. Logo nos primeiros segundos de confrontos, um sem-número de ratos assustados deixou o beco, e muitos mais os seguiram nos minutos seguintes, alguns com marcas da batalha em seus corpos.
Ares perseguia Fenhir, seguindo-o de perto até o pégaso passar por um amontoado de sacos de lixo, rasgando-os. Ares acabou se complicando ao tentar passar pelo terreno irregular dos pedaços em decomposição e com isso Koichi ganhou alguma vantagem. Com a ajuda de um pedaço de madeira que serviu como rampa improvisada, o líder dos Taichi atacou o adversário por cima. Koichi continuou com a vantagem nos minutos seguintes, embora esta vatagem fosse relativamente pequena.
Yoshiyuki estava quase relaxando; convencido finalmente de que seu irmão era páreo para o mestre de Ares, quando a luta rapidamente mudou de rumo: Yuriy decidiu atacar para valer, chamando sua fera-bit, um pastor alemão grande e muito agressivo.
- Então agora o jogo é sério? – Provocou Koichi, já recuperado da primeira investida do adversário. – Pois então eu vou responder como se deve! Fenhir, Final Storm!
O pégaso também apareceu. Era tão grande quanto o cachorro, seus olhos eram vermelhos e agressivos e suas enormes asas roxas batiam com força para criar a tempestade que fazia tudo no beco – de sacos de lixo à ratazanas vivas e barulhentas – voar pelos ares. Um pouco afastados da luta, Jing Mei e Umeragi protegeram-se dos estilhaços com a ajuda de um guarda-chuva gigante, enquanto de seu esconderijo Yoshiyuki rezava para não acabar vítima do ataque de seu irmão também, uma vez que a lata de lixo que o cobria balançava violentamente como quem quer levantar vôo.
- Você até que não é mal, Koichi Yuy, é bem como o Chefinho tinha dito! Eu não estou decepcionado. – Exclamou Yuriy, sorrindo como um maníaco. Seus olhos brilhavam de um jeito estranho e a recém-adquirida cicatriz aumentavam ainda mais sua aparência perigosa. – Agora é minha vez de mostrar os meus truques! Ares, Novae Voiná!
Pequenas explosões surgiram ao redor do beco, levantando ainda mais poeira e dejetos. Por causa de sua tempestade, Fenhir acabou não sofrendo danos, porém seu ataque foi anulado. Ao final da onda de ataques, as duas beyblades estavam intactas, embora já não se pudesse dizer o mesmo sobre o beco em que lutavam.
- Você também não é ruim, Yuriy. – Devolveu Koichi, observando as duas beyblades que se estudavam, esperando as ordens de seus mestres para recomeçar a atacar. – É uma pena, mas se isso é tudo que você tem, essa luta não vai demorar muito.
Koichi não estava subestimando Yuriy. Ele sabia que o primeiro ataque de seu oponente não passava perto de todo o poder do cachorro. O líder dos Taichi queria saber logo qual era a verdadeira força de Yuriy, e por isso o provocara.
- Tem razão, Yuy, essa luta não vai demorar. – Yuriy olhou de Ares para Koichi e de Koichi para Fenhir. – Já que eu vou acabar com ela no meu próximo ataque! Ares, Explosione Del Fuoco!
Uma grande bola de fogo gigante formou-se logo acima de Ares, expandindo-se até ficar com mais que o dobro do tamanho de uma bola de basquete. Fenhir conseguiu se desviar por pouco quando a bola foi lançada em sua direção. Yoshiyuki, em seu esconderijo, sorriu ao ver o triunfo do irmão. Koichi, impulsionado pelo sucesso da evasiva, decidiu atacar também, encurralando o adversário na parede.
- Realmente, Yuriy, nossa luta está mesmo terminando.
Quando o líder dos Taichi ia chamar seu último ataque, uma beyblade negra apareceu do nada e afastou Ares de Fenhir. Automaticamente os olhos de Koichi voltaram-se na direção de Umeragi, e ele não ficou surpreso ao encontrar o rival de lançador na mão, encarando-o com um olhar ainda mais demoníaco do que o que vinha usando até então.
- Então você realmente luta beyblade? Até pouco tempo atrás eu achava que não, mas a sua conversa naquele dia sobre o campeonato mundial me fez desconfiar de que não era bem assim. – Foi o comentário de Koichi. O garoto permanecia calmo, mesmo estando em clara desvantagem em uma luta que valia sua fera-bit. Quem estava irritado era Yuriy, que não perdeu tempo em gritar com seu chefe:
- O que você está fazendo, Chefinho? Essa luta é entre mim e o Yuy! Deixe-nos lutar em paz!
- Ah, Yuriy, sua luta está muito demorada! – Devolveu o dono da beyblade negra. – Quando eu deixei vocês lutarem, eu achei que a diferença de poder entre vocês ia ser maior. A partir de agora, eu cuido do Yuy. Você pode ficar com o bebê, aposto que ele está louco para lutar também.
Como se entendesse as implicações de seu mestre, a beyblade negra estralhaçou a lata de lixo que Yoshiyuki usava como esconderijo. Apesar de estar levemente em choque por ter sido descoberto, o garotinho não falhou em perceber que ninguém, nem mesmo seu irmão, pareciam surpresos como o seu aparecimento no cenário da luta.
- Nii-chan, eu... – Yoshiyuki tentou dizer alguma coisa para aliviar sua situação, pois mesmo que não estivesse surpreso, Koichi não parecia nada contente por ter seu irmão envolvido naquela luta. Entretanto, Umeragi interrompeu-o antes que ele pudesse elaborar um discurso convincente:
- Exatamente como eu previ que aconteceria. – Jing Mei empurrou a cadeira do garoto para mais perto do Yuy menor para que os dois ficassem frente a frente e com os olhos nivelados. – O bebê seguiu seu irmão, atraído pela sua curiosidade de criança ingênua. – A voz de Umeragi tornou-se mais aguda e infantil, uma imitação grotesca de uma criança pequena. – O que será que o meu irmão perfeito está fazendo com o chato do meu colega de turma? Será que tem alguma coisa a ver com a mulher de peitos grandes de antes? Será que ele vai trair a namoradinha querida? Oh, eu preciso impedi-lo! Irmãozão, eu vou protegê-lo do vilão malvado, espere por miiiiiiim!!
- Cala a boca, Makoto-chan, não vai ser essa sua vozinha ridícula que vai me afetar. Você só está gastando saliva... – Koichi sorriu ao ver seu irmão responder ao rival, usando seu sorriso marca-registrada (agora com porteirinhas no lugar dos caninos) e uma expressão inocente que não combinava em nada com suas palavras. Yoshiyuki não era facilmente intimidado, estava na hora de Umeragi aprender isso.
- Oh, é? Pois então lute com Yuriy e prove para mim que você não foi mesmo afetado, bebê.
- Como quiser, Makoto-chan!
Ceres se juntou a Fenhir, Ares e à beyblade negra na luta. Pouco tempo depois as quatro beyblades se dividiram, e duas lutas começaram separadamente. De um lado, Koichi e Umeragi se enfrentavam, enquanto Yuriy e Yoshiyuki terminavam de destruir o beco para exibir suas habilidades antes de partir para o verdadeiro confronto.
Fenhir lançou uma série de ataques em massa, levantando poeira no seu lado do beco. Juntando com a poeira resultante do quebra-quebra da luta de Yoshiyuki, em pouco tempo já não era mais possível saber o que estava acontecendo entre a beyblade roxa e a preta. Fenhir parou por alguns segundos, apenas o suficiente para recuperar um pouco da visibilidade e encontrar a beyblade adversária girando sem nenhum arranhão. Koichi não fez nenhum comentário, confirmando suas suspeitas de que Umeragi sabia o que estava fazendo ao desafiá-lo.
- O que foi, Yuy? A surpresa te deixou mudo, foi? Pois não deveria... – Umeragi tomou o silêncio do adversário como um sinal de surpresa, não hesitando em provocar. – Eu e Hades ainda não mostramos nem dez por cento do que podemos fazer, eu garanto que ficará surpreso com tudo que tenho para mostrar... embora eu ache que essa luta vai acabar antes que possa mostrar tudo!
Koichi permaneceu em silêncio. Não queria admitir, mas podia sentir que Fenhir estava perdendo forças por causa da luta anterior. Ele e o pégaso estavam cansados, uma desvantagem que poderia custar caro quando o preço a pagar pela derrota era tão alto. Se Umeragi estivesse falando a verdade, Koichi precisaria não somente de força para vencer, mas também de sorte.
Enquanto isso, o quebra-quebra entre Yuriy e Yoshiyuki já havia terminado, e o líder dos Soldier of Russia tomara a iniciativa na primeira onda de ataques. O garotinho estava contando com o fato de seu adversário estar mais cansado para ser bem-sucedido logo no começo da batalha, evitando que ela se extendesse muito. Seu plano era acabar rápido com Yuriy para poder ajudar seu Nii-chan, que provavelmente precisaria de ajuda contra o chefe daquela que derrotara Shinji Ueno.
- Você não é mal para um bebê, sabia? – Provocou Yuriy, falando em russo com seu oponente. Yoshiyuki sorriu um pouco mais ao ouvir o idioma de sua terra natal, estava ficando com saudades agora que não falava mais regularmente com Nathaliya e Isaac. – Ares, vamos jogar mais pesado agora! Novae Voiná!
- E você até que é bem ruinzinho prum cara metido a metaleiro. – Respondeu ele na mesma língua, sorrindo largamente. Ceres desviou-se com facilidade das explosões, alargando ainda mais o sorriso de seu mestre.
- Eu tomaria mais cuidado com suas palavras se fosse você. – Yuriy desta vez falou em italiano. Yoshiyuki ficou um pouco desapontado, afinal estava gostando de falar russo, porém italiano era mais um entre os vários idiomas que ele aprendera em seus primeiros seis anos de vida, por isso não teve problemas em entender as falas de seu oponente. – Subestimar um adversário é um dos piores erros que pode ser cometido em uma luta. Ares, Explosione del Fuoco!
Novas explosões seguiram o comando do Yuriy, porém como Yoshiyuki já havia visto como esse ataque funcionava, desviar de todas elas não foi difícil. O menino-gênio contra-atacou com a Bomba de Chocolate, que cobriu a beyblade marrom e preta com o chocolate pegajoso. Parecia o fim da luta, porém Yuriy coseguiu se libertar.
- É, tá bom, talvez você não seja tão ruim assim! – Exclamou Yoshyuki, também em italiano, observando a gosma do seu ataque se espalhar pelo já bastante avariado beco fedorento. Com um pouco de sorte o cheiro do chocolate ajudaria um pouco a melhorar o odor da decomposição que impregnava o lugar. – Eu tinha pegado leve demais com você, hora de jogar um pouco mais sério! Ceres, Omocha no ame!
- Se acha que eu vou facilmente entregar a luta, saiba que está enganado, pequeno gênio. Ares, nosso melhor ataque, Fire Arrows! – Contra-atacou Yuriy, desta vez em inglês. Os dois ataques se chocaram e uma explosão foi ouvida.
Tudo aconteceu em câmera lenta, pelo menos para Yoshiyuki. As flechas de fogo disparadas pelo cachorro queimaram uma a uma as balas coloridas lançadas por Ceres. Quando não havia mais doces para serem queimados, a beyblade roxa escura ficou sem defesa contra o ataque adversário, que a destruiu com uma única flecha certeira. A dor em seu peito voltou, mais forte do que nunca, quando a figura meio fantasmagórica de Ceres saiu do bit-chip demolido e se juntou a Ares na beyblade vencedora.
Se Koichi estivesse prestando atenção na luta de seu irmão, talvez tivesse conseguido impedir o roubo de Ceres, ou talvez impedir que o garotinho caísse no chão desacordado assim que seu unicórnio passou a pertencer a Yuriy. Porém Koichi só percebeu que algo estava errado com seu irmãozinho quando este gritou, um grito de cortar o coração e congelar a espinha. Quando o líder dos Taichi voltou suas atenções para a luta ao lado, encontrou Yoshiyuki caído no chão, desacordado, e Yuriy sorrindo triunfante enquanto recolhia sua beyblade.
- O que aconteceu? – Perguntou Koichi, cauteloso. Sua vontade era de correr até o irmão e tentar reanimá-lo, porém ele sabia que não podia abandonar a luta contra Umeragi sob risco de acabar como Yoshiyuki.
- Eu ganhei, não está vendo? – Perguntou Yuriy, voltando a falar japonês. – Seu irmão era muito fraco, meu ataque acabou com ele completamente. E agora Ceres é nossa...
- O que? – Foi por muito pouco que Koichi não pulou no pescoço de Yuriy e forçou-o a devolver o unicórnio à força. O líder dos Taichi precisou reunir todo o seu auto-controle para permanecer com os pés bem grudados no chão e as mãos presas ao lado do corpo.
- Nós viemos aqui para conseguir uma fera-bit, Yuy, e conseguimos. – Quem respondeu foi Umeragi, recolhendo Hades da batalha. – Eu vim pensando em conseguir Fenhir, não posso negar, mas ter Ceres em meu poder não é de todo ruim. – Jing Mei guiou Umeragi até bem perto de Koichi e os dois se encararam, o mais alto com absoluto ódio, e o menor com um ar de triunfo insuportável para quem não compartilha deste sentimento. – Afinal, toda a vez que o bebê se machuca o seu irmão perfeito vem em seu socorro. Eu não podia conseguir motivação melhor para você entrar no meu plano, Yuy.
- Que plano? – Koichi também recolheu Fenhir, já que a luta estava encerrada.
- O meu plano. Em breve vocês saberão os detalhes. – Umeragi fez sinal para Yuriy se aproximar. Logo em seguida, o trio deu às costas aos irmãos Yuy. – Eu te aconselho a ir procurar os seus amigos, você vai precisar de ajuda se quiser me enfrentar daqui para frente, Yuy-chan.
Em pouco tempo, Umeragi e seus subordinados não estavam mais à vista. Koichi colocou seu irmão em suas costas e recolheu o que sobrou de Ceres. A caminhada de volta para casa foi lenta e torturante, Yoshiyuki nem sequer se mexeu. Yukio não fez perguntas ao ver o neto mais velho colocar o mais novo na cama e apanhar o telefone. Também não se surpreendeu quando Koichi lhe comunicou que seus amigos estariam vindo para uma reunião de emergência em sua casa no dia seguinte.
Umeragi: O capítulo acabou finalmente. E desta vez não vai haver bobagens de fim de capítulo.
Jing Mei: Por que não?
Umeragi: Porque estamos atrasados demais para perder tempo com bobagens. Ao invés disso, nós vamos apresentar os planos maravilhosos do Jamie-chan para consertar a burrada que ele fez.
Yuriy: Nós? Por que nós? Ò.ó
Umeragi: Porque nós, os vilões, tivemos o nosso maior triunfo neste capítulo, então nós é que ganhamos o direito de aparecer depois do fim do capítulo.
Julian: Oba! Estava com saudades de aparecer!
Personagem Misterioso que Vai Aparecer no Próximo Capítulo: E eu quero aparecer também! XD
Umeragi: Todos estão com saudades de aparecer, então eu sugiro que a gente...
(Barulho de alguma coisa quebrando)
(Vilões atacados por estilhaços de vidro)
(Julian e Personagem Misterioso que Vai Aparecer no Próximo Capítulo nocauteados pelos estilhaços)
(Umeragi, Jing Mei e Yuriy se protegendo dos estilhaços com o guarda-chuva que eles usaram durante o capítulo)
Shinji: Alto lá! Ninguém deixou os vilões dominarem o off-talk!
(Kita no Ookami aparecem vestidos de ninja estilo Naruto)
Umeragi: Não, vocês não entenderam... isso aqui não era pra ser um off-talk... ¬¬'''
Osamu: E daí? Não interessa o que isso seja, não era pra vocês dominarem!
Yuriy: E agora vão querer brigar para nos impedir? Mesmo depois de tudo que fizemos neste capítulo estupidamente atrasado?
Kazuo: Brigaremos até a morte se for preciso! ò.ó
Jing Mei: Ara, ara... estamos dramáticos hoje, não? Eu achei que o Drama King fosse o Chefinho...
Lin: Não fuja do assunto. Nós viemos aqui para impedir que os vilões apresentem o plano de emergência do James-san e é isso que vamos fazer. u.u
Umeragi: E posso saber como vocês pretendem nos enfrentar? Se não se lembram, há alguns capítulos atrás vocês foram todos dizimados pela minha subordinada peituda.
Shinji: Nós temos um plano desta vez.
Osamu: É! Nós vamos usar o poder do aniversariante para acabar com vocês!
Jing Mei: Poder do aniversariante? Mas não tem ninguém de aniversário hoje!
Kazuo: Vai ter! (Sorriso triunfante)
(Musiquinha de triunfo)
Umeragi: Vai ter? Como assim?
Osamu: Daqui a exatamente cinco anos vai nascer um personagem da Terceira temporada! E ele está relacionado aos Kita no Ookami! E o aniversário adiantado de Kojiroh Motomiya! MWAHAHAHAHAHAHAHHAHA!!
(Aparece a figura de Kojiroh Motomiya, que foi censurada por razões óbvias)
Kazuo: Kojiroh, ajude a sua família! Expulse os invasores e prove que tem poder mesmo antes de nascer!
(A figura de Kojiroh faz uma mágica com os dedos e os vilões somem do off-talk que não deveria ser off-talk)
(A figura de Kojiroh também some, porque ainda faltam cinco anos para ele nascer)
Osamu: Agora podemos apresentar o plano de emergência do James.
Lin: É um pena que o resto dos personagens está em greve por passarem tanto tempo ignorados... seria tão bom tê-los por perto agora...
Kazuo: Ou melhor dizendo... seria muito bom ter um certo russo de cabelos azuis por perto...
(Kazuo e Osamu imitando uma garota ridículamente apaixonada)
(Lin não se irrita porque ela é muito calma)
Shinji: Chega, vamos fazer logo o que temos que fazer, assim o James-san pode começar a trabalhar no próximo capítulo logo!
Kita no Ookami: Sim, senhor! (Posição de sentido)
(Muda o cenário para um quartel de exército)
(Shinji vestido de general)
(Demais Kita no Ookami como soldados)
Shinji: Lin, status atual da série!
Lin: Hai! (Lin apanhando um folha de papel com um monte de coisa escrita) Estamos no capítulo 28 de 45, ainda faltam 17 capítulos para o final, sem contar o adendo depois do fim que é só sobre nós.
Shinji: Osamu, o plano inicial!
Osamu: Hai! (Osamu também pega uma folha de papel com um monte de coisa escrita) O plano inicial era terminar todos os 45 capítulos até o fim das férias! Ou até o James-san voltar para Glasgow no meio de setembro!
Shinji: Kazuo, o plano B!
Kazuo: Hai! (É, ele pega uma folha de papel) O plano B é terminar até o aniversário do Takashi, em 25 de outubro.
Kazuo, Osamu e Lin: Shinji, e por que as datas são tão importantes?
Shinji: Kojiroh sabe! XD
Na verdade, não podemos explicar agora o porquê da urgência em terminar pelo menos até o aniversário do Takashi. Quando a parte 3 começar, nós explicaremos. Ou melhor, a Rumiko e os outros vão explicar.
Osamu: E agora, o que o Jamie vai fazer?
Shinji: Nós estamos fazendo pressão para ele terminar tudo, obviamente. Nós temos um mês e meio, e ele está devendo 17 capítulos. Teoricamente, nós temos tempo...
Kazuo: Mas se o Jamie se desmotivar...
Osamu: E se ele continuar pensando demais nos problemas dele e se deprimir..
Lin: Aí essa história vai ficar com problemas de novo.
Osamu: Resumindo, nós gostaríamos de pedir aos leitores que incentivem o Jamie o máximo possível para ele não desanimar de novo agora que ele finalmente se lembrou que a gente existe!
Kazuo: Se ainda tiver alguém lendo esta história, por favor deixa um review pra gente!
Lin: E tenta adivinhar quem era o Camarada Incógnita do capítulo passado...
Shinji: E faça mais perguntas para a gente responder a partir do próximo off-talk!
(Kita no Ookami preparando o finalzinho piegas para o off-talk que não deveria ser um off-talk)
Kita no Ookami: Com a sua colaboração, nós poderemos finalmente corrigir os rumos desta fic que pasou tão perto de ser esquecida!
Nós contamos com você!
Kita no Ookami
(Kita no Ookami vomitando pelo finalzinho piegas que foram obrigados a fazer)
OWARI
