Nota do James: Aha! Por essa ninguém esperava, né! Dois capítulos em menos de uma semana! Quem é o maioral, quem? (James fazendo pose de fodão)
Acho que agora sim eu cheguei na parte da história que eu mais gosto. A partir daqui eu provavelmente vou ter bem mais vontade de reescrever capítulo por capítulo até o fim... Na verdade, esse é o primeiro capítulo que realmente me deixa satisfeito desde... desde sei lá quando!
O título desse capítulo mudou pelo menos umas três vezes ao longo desses últimos três dias... É a única parte dele que não me deixou estupidamente feliz... u.u
Eu poderia prometer o próximo capítulo para muito em breve, mas como na próxima sexta (que naõ é amanhã) eu vou ir embora de Porto Alegre para passar uns dias em São Paulo - o que significa que essa próxima semana vai me deixar bem ocupado - eu não vou prometer nada. Até porque, sempre que eu faço uma promessa eu acabo não cumprindo.
Mas de qualquer maneira eu vou me esforçar para tentar postar alguma coisa no aniversário da JIng Mei, já que eu tenho certeza que todos gostam muito dela. :D
Informação útil do Isaac: Para aqueles não muito familiares com o alfabeto japonês (o hiragana, não aquele monte de kanjis complicados que nenhum ser humano normal deveria ser capaz de ler), fiquem sabendo que ele é um alfabeto silábico, não fonético como é o caso desse alfabeto que vocês usam. E a ordem alfabética também é diferente.
A ordem alfabética japonesa é: A, I, U, E, O, Ka(ga), Ki(gi), Ku(gu), Ke(gue), Ko(go), Sa(za), Shi(ji), Su(zu), Se(ze), So(zo)... e por aí vai... (preguiça de escrever o resto)
Confusos com essa informação? Bem, ela vai ser útil daqui a alguns parágrafos, então...
Aproveitem a leitura! n.x
CAPÍTULO XXX
UMA LIGAÇÃO ESPECIAL
Enquanto os beybladers se ocupavam com planos e especulações sobre Umeragi e sua equipe, Isaac tinha outras preocupações em mente: um concurso de jovens talentos musicais. O russo há algum tempo estava se preparando para esse oportunidade de mostrar seu talento e tudo aquilo que aprendera com seus pais para um grande público, mesmo que os recentes eventos envolvendo as feras-bit o tivesse desviado um pouco da rotina de ensaios. Como essa era uma ocasião especial, tanto ele quanto Ken faltaram à escola, prometendo se encontrar com os demais beybladers na casa de Koichi assim que o concurso acabasse.
Os irmãos foram de metrô até o teatro onde aconteceriam as apresentações. Para participar do concurso o concorrente precisava ter entre seis e dezesseis anos e passar em uma avaliação preliminar, organizada em março. Isaac gostava de se gabar por ter deixado o juiz que o examinara sem palavras por mais de dois minutos; estava confiante de que poderia ganhar fácil de qualquer outro músico mirim.
- Mesmo que a nossa equipe não seja mais a pior ameaça ao mundo do beyblade, eu ainda tenho meu status de músico gênio para defender. – Era o que dizia a seus amigos toda a vez que deixava de ir treinar para tocar piano ou violino. Durante suas primeiras semanas no Japão, Isaac passou trabalho tentando convencer Ken de que não estava trocando seu irmão gêmeo por um instrumento musical, apenas cultivando uma paixão e perpetuando o maior legado que seus pais deixaram para ele. Depois de muita insistência – e alguma ajuda de Nathaliya e seus métodos especiais de persuasão – o mestre de Comulk acabou conseguindo o que queria, e Ken deixou de sentir tanto ciúmes do violino e do piano que os Urashima compraram especialmente para receber o novo membro da família.
- Hey, Isaac, quanto tempo esse negócio vai demorar? – Perguntou Ken quando os irmãos saíram da estação do metrô.
- Nós nem chegamos e você já que ir embora, Ken? Mas que coisa... E eu achando que o meu irmão favorito estaria se divertindo por ter a oportunidade de passar um tempo a mais comigo... Que decepção. – A cara de cão sem dono do russo fez os olhos do japonês se encherem de água. Um segundo depois Ken estava agarrado ao pescoço do irmão, exclamando desesperado:
- Ah, não, Isaac! Não diga isso! Não diga isso! Eu vou me divertir, eu sei que vou! Eu sei que eu tinha dito que eu só ia com você pra poder faltar aula e não ter que ver a cara daqueles professores malvados, mas você é o meu irmão gêmeo e eu tenho que te apoiar em tudo que você fizer!
- Ken... Ken... – Chamou Isaac, esmagado pelo abraço de urso do irmão. Os dois estavam no meio da rua e as pessoas que passavam olhavam para eles com expressões nada amistosas. – Ken, está tudo bem... eu estava só brincando...
- É, eu sei. – Na mesma hora Ken soltou-se de Isaac e exibiu um de seus sorrisos mais largos, apagando qualquer traço de desespero e das lágrimas que ameaçavam cair por seu rosto. – Eu só queria exagerar um pouquinho pra ver quanta gente passava olhando feio pra gente; sabe como é, esses adultos que não sabem se divertir costumam ser invejosos da felicidade alheia. – O mestre de Fenrochi piscou um olho. – Nós sempre sabemos o que o outro está pensando, temos uma ligação especial, lembra?
- Claro, como eu poderia esquecer... – Isaac passou a mão pela cicatriz em seu olho esquerdo. Quando os médicos sugeriram que ele colocasse um implante de vidro no lugar do olho danificado, o russo prontamente recusou. As pessoas podiam pensar que sua decisão era impensada e ingênua, porém Isaac estava decidido a deixar aquela cicatriz do jeito que estava; ela era uma prova de sua determinação para salvar Ken do controle mental de Hajime Yuy, o símbolo da conexão especial que se estabeleceu entre eles desde então. – Você é o melhor irmão gêmeo do mundo, eu me sinto muito feliz por estar com vocês agora e...
Foi a vez dos olhos do russo ficarem marejados, mas ao contrário de Ken, não era uma encenação. A princípio o mestre de Fenrochi ficou confuso com as palavras de seu irmão, porém não demorou a entender o que se passava com ele: Isaac havia escolhido uma música de seu pai para tocar no concurso, uma música especial que ele havia composto para sua então namorada quando os dois resolveram se casar. Sem dúvida o garoto ainda pensava muito nos pais biológicos – algo que Ken jamais veria como algo negativo – e quase sempre as lembranças o deixavam um pouco emotivo. Por mais feliz que Isaac estivesse vivendo com os Urashima, Ken sabia que ele sentia falta de Isaac Anatoliyev e Olga Nikolayevna, e por isso o mestre de Fenrochi fazia questão de estar sempre por perto nestas ocasiões para animar o irmão e lembrar-lhe de que pensar em seus pais não era algo ruim e não devia trazer tristeza.
- É, eu também estou muito feliz! E a nossa mãe e o nosso pai também! Eu ia dizer que o Nikyo e Mikyo estão felizes também, mas considerando que a nossa dupla dinâmica é muito melhor do que a deles e e a gente sempre dá um banho neles em qualquer coisa que a gente faça junto, eu não tenho certeza se posso dizer isso! – Exclamou o mestre de Fenrochi, passando um braço pelo ombro do irmão. Os dois haviam retomado a caminhada e já era possível ver o teatro e identificar alguns competidores que se dirigiam para lá. Isaac sorriu levemente, alargando ainda mais o sorriso de Ken. – Você vai arrasar hoje, Isaac, ninguém lá é páreo para você! Deixe o seu pai orgulhoso, ok?
- Ah... é, eu vou! – O sorriso de Isaac também se alargou, preenchido por determinação.
- Você vai! Você vai fazer o seu pai fazer tanta festa lá em cima que Deus vai ficar irritado com ele! – Os dois irmãos riram com a idéia. A imagem mental de um Deus barbudo e agoniado tapando os ouvidos ao lado de um Isaac Anatoliyev extremamente feliz e barulhento era absurdamente semelhante e igualmente cômica na mente dos garotos.
- Aí com um pouco de sorte Deus vai se irritar tanto que vai mandar ele de volta para a Terra e nós poderemos nos encontrar de novo! – Completou Isaac, ainda rindo. Ken soube que sua nova tentativa de animar o irmão havia funcionado quando Isaac não mostrou nenhum sinal de tristeza ao falar em rever o pai.
Os dois irmão continuaram caminhando de braços dados até o teatro, rindo e falando alto. A maneira como Ken entendia os sentimentos do irmão assustava até mesmo seus amigos, acostumados com o poço de insensividade representado por ele. Para Isaac, porém, não havia nada de estranho com o japonês da franja incomum, afinal ele entendia os sentimentos de Ken tão bem quanto Ken entendia os dele.
Ao chegar no teatro os irmãos tiveram que se separar, pois Isaac deveria se juntar aos outros competidores para esperar sua vez e Ken precisava encontrar um lugar para se sentar e assistir ao espetáculo. Depois de desejar boa sorte ao irmão o japonês de franja inexplicável correu por todo o teatro até encontrar um lugar na primeira fila, de onde poderia ter uma boa visão de Isaac e seu piano. Depois de quinze minutos de espera o primeiro concorrente subiu ao palco. As apresentações aconteceriam por ordem alfabética, o que significava que Isaac estaria entre os primeiro a se apresentar.
O espaço reservado aos competidores – atrás do palco principal – estava lotado; crianças de todas as idades, algumas segurando instrumentos musicais, se amontoavam em grupos conversando aos sussurros ou esstudando partituras em silêncio. Agora que o momento de se apresentar estava próximo, o nervosismo atingiu Isaac em cheio; não tanto por medo de errar ou de não ganhar, mas sim porque essa seria a primeira vez que ele se apresentaria para uma banca de juízes e um grande público. Tornar-se um músico famoso como seu pai era um sonho que ele cultivava desde que suas mãos tocaram as primeiras notas no piano; seguir os passos de Isaac Anatoliyev era uma questão de honra e uma missão que enchia-o de orgulho. Sua longa caminhada rumo ao sucesso começava ali naquele teatro, e nada poderia pará-lo.
Isaac caminhou por algum tempo entre os competidores, estudando-os atentamente antes de escolher um lugar para se sentar e esperar sua vez. Ao contrário da maioria dos presentes, não via a necessidade de estudar a partitura – na verdade nem estava com ela no momento – ou ensaiar os movimentos de seus dedos como algumas crianças mais nervosas faziam; a música estava gravada em sua mente e em seu corpo; ele conseguia executá-la mesmo se estivesse pensando em algo completamente diferente.
- Oi, eu te conheço? – Perguntou uma voz infantil e animada vinda de algum lugar à esquerda de Isaac. O garoto virou-se para encarar a criança que falara com ele (por causa do olho danificado ele precisava virar toda a cabeça para enxergar as coisas a sua esquerda) e ficou um pouco surpreso ao encontrar uma garotinha de aspecto meigo e delicado com um sorriso simpáticos e olhos brilhantes encarando-o com interesse. Ela usava um vestido branco rendado e seu cabelo era bem cumprido, com uma pequena trança caindo sobre seu ombro direito como uma espécie de mecha diferenciada. – Você me é familiar, eu sei que eu já te vi antes em algum lugar...
A garotinha chegou ainda mais perto de Isaac, aproximando seus rostos de modo que seus olhos ficassem a poucos centímetros de distância. O russo tentou dizer alguma coisa, porém a espantosa expressividade dos olhos castanhos a sua frente tirou a sua concentração e impediu que ele se lembrasse de como falar japonês por alguns instantes:
- Кто Вы? – Foi tudo que conseguiu perguntar, ao invés do pretendido "quem é você?"
- AH, AGORA EU LEMBREI! – Exclamou a garotinha, gritando a plenos pulmões. Não somente Isaac, mas também a grande maioria dos competidores sentiram seus corações dispararem com o susto, além da terrível sensação de que qualquer tentativa de se concentrar dali para frente seria inútil. – Você é dos Soldier of Russia, os vice-campeões mundiais de beyblade, certo?
Entre todos os lugares e ocasiões em que Isaac esperava ser reconhecido pelos eventos do ano anterior, essa não era uma delas. Após a fala da garotinha, algumas crianças encararam o russo fixamente por alguns segundos antes de voltarem a tentar se concentrar em suas apresentações de logo mais. Isaac não esperava encontrar fãs de beyblade no meio de concurso musical, entretanto... pensando bem, se ele podia ser um beyblader apaixonado por música, por quê outras pessoas não poderiam ser assim também?
- Ah... sou... – Respondeu ele depois de algum tempo, quando a maioria dos rostos já não olhava para mais para ele e sua capacidade de pensar em outro idioma voltou para ele.
- A sua equipe era muito forte, vocês derrotaram quase todos os outros times, não é verdade? – Perguntou a garotinha, usando de uma expressão completamente inocente. Apesar de não gostar de falar muito sobre os acontecimentos do último campeonato mundial, Isaac não pôde deixar de responder para a meninha meiga que conversava com ele tão ingenuamente:
- É, nós derrotamos quase todos... mas perdemos para os Taichi na final. Eles realmente mereceram a vitória, eram muito mais fortes do que nós.
- Você não lutou na última luta, né? Eu não lembro de ter te visto naquele dia...
- Não, eu sou o reserva do time, não podia lutar na luta mais importante. – Isaac sorriu, simpatizando aos poucos com a garotinha. Suas perguntas davam a entender que ela havia assistido à final, porém sem perceber o que realmente estava em jogo naquele dia. Sem precisar falar em Hajime Yuy ou ter que se lembrar de sua existência, Isaac percebeu que era fácil falar daquelas lutas.
- É, eu sei como é isso. Eu entrei em um time de beyblade faz pouco tempo, mas todos lá dentro me consideram a reserva porque eu sou a menor entre eles e tenho menos experiência. – Pela primeira vez a garotinha deixou transparecer um pouco de tristeza em suas palavras. Isaac ficou com pena dela, afinal ela era bem mais bonitinha quando estava sorrindo.
- Então prove para eles que você é forte, aí quem sabe eles mudam de idéia. – Foi o que russo conseguiu dizer para tentar animá-la. Aparentemente funcionou, pois ela voltou a sorrir:
- Eu posso tentar. Eu só entrei no time porque a empresa em que o meu pai trabalha estava oferecendo vagas para os filhos dos empregados. Todos os outros são bem maiores do que eu, tem um que me dá medo até...
- Me parece um time interessante. Vocês planejam entrar em algum campeonato? – Perguntou Issac, tentando evitar que a garotinha parasse de sorrir.
- Não por enquanto, nosso time foi formado para outras coisas...
- Que coisas? – Um arrepio percorreu a espinha de Isaac, porém o garoto não soube explicar exatamente o porquê.
- Ah, eu não sei bem. Eles me explicaram, mas eu não entendi muita coisa. – O sorriso inocente da garotinha voltou a aparecer, fazendo com que Isaac sorrisse também. Não era surpreendente uma garota do tamanho dela não entender as coisas que os adultos diziam, afinal.
- Quantos anos você tem? – Perguntou o russo, tentando confirmar suas suspeitas. Ao julgar pelo seu jeito de falar e de pensar, ela não deveria ter mais do que dez anos de idade.
- Nove e meio, meu aniversário é no fim de outubro! – Respondeu ela prontamente. Isaac sorriu ao perceber que estava certo. – E você?
- Doze e meio. Meu aniversário é no fim de dezembro.
- Nossa, olha como nós somos parecidos! Isso não é legal? – A garotinha encarou Isaac olho no olho, como se estivesse procurando por alguma coisa especial escondida dentro do orbe esverdeado. – Você ainda joga beyblade?
Isaac estranhou um pouco a nova pergunta e a súbita mudança de assunto, mas respondeu mesmo assim:
- Sim, claro. Se bem que no momento... – O russo parou, ponderando se deveria ou não comentar sobre Umeragi e sua equipe. Depois de pensar um pouco, acabou decidindo que não faria mal mencionar seus novos inimigos sem muitos detalhes, afinal a garotinha de nove anos e meio não parecia ser do tipo que entendia assuntos sérios de crianças mais velhas. – No momento nós estamos tendo uns problemas com nossas beyblades...
- Problemas? – Os olhos da garotinha se arregalaram, e Isaac riu um pouco de sua expressão de dúvida.
- É, uns problemas. Não somente eu, mas vários amigos de vários times encontramos um grupo de beybladers que está nos dando muita dor de cabeça. Nós ainda estamos tentando encontrar um jeito de vencê-los, mas por enquanto não tivemos nenhuma grande idéia.
- Você pode vencer qualquer um, Isaac-sama! Eu sei que você vai encontrar um jeito de vencer quem quer que seja! – Exclamou a garotinha, ainda mais animada do que antes. – Vocês não tem mesmo nenhum plano contra esses caras maus?
- Ainda não conseguimos pensar em nada. Nós nos reunimos ontem na casa do meu líder, o Yoshiyuki, mas não chegamos a nenhuma conclusão. – Respondeu Isaac, lembrando-se dos acontecimentos do dia anterior. – Nós temos esperança de conseguir ajuda de um amigo que mora em outro país, com um pouco de sorte a mãe dele pode nos dar uns conselhos. Ela é especialista em beyblade.
- Quem sabe ela não arranja umas beyblades pra vocês! – Isaac ergueu uma sobrancelha, analisando a sugestão da garotinha. Pedir beyblades novas para Keiko não era uma má idéia, ainda mais quando Yoshiyuki, Hehashiro e os Kita no Ookami não tinham mais beyblade nenhuma. Não havia sido ela a responsável pelo design das beyblades que os Taichi usaram para derrotá-los em dezembro? Realmente, a idéia não era de todo má...
- É, quem sabe...
A conversa foi interrompida quando uma voz no auto-falante avisou que o concurso começaria em cinco minutos. Isaac e a garotinha se despediram para poderem se preparar e o espaço atrás do palco principal mergulhou em absoluto silêncio.
Um a um os concorrentes foram sendo chamados. De acordo com a lista de participantes, Isaac seria o sétimo a se apresentar, atrás de Aiba, Kotarou, de 15 anos; Akita, Masayuki, de 10 anos; Adachi, Osamu, de 15 anos; Arai, Kazuhiro, de 15 anos; Araki, Kenjirou, de 16 anos e Igarashi, Mokona, de 14 anos, porém Arai não estava presente e acabou sendo desclassificado, fazendo com que Isaac se tornasse o sexto concorrente a subir ao palco.
Ao julgar pela reação da platéia, alguns dos presentes já haviam ouvido falar de seu pai. O nome "Isaac Isaakov Kuelt" foi o mais aclamado pelo público, fazendo o garoto corar um pouco ao tomar seu lugar em frente ao piano. Era de praxe no concurso que o participante fizesse um pequeno discurso antes de se apresentar, contando ao público um pouco de sua vida e o motivo para participar da competição. Ao receber o microfone, Isaac endureceu, mais nervoso do que esperava que estivesse. Ao falar, torceu para que seu nervosismo não o impedisse de falar em japonês com a platéia:
- Olá, eu sou Isaac Isaakov Kuelt. Eu nasci na Rússia e me mudei para o Japão este ano, portanto me desculpem se o meu japonês não for perfeito. Meus pais eram músicos e eu cresci ouvindo eles tocarem em concertos por todo o país. Meu pai, Isaac Anatoliyev – a platéia aplaudiu timidamente em reconhecimento ao ouvir este nome – era pianista, e minha mãe, Olga Nikolayevna – mais aplausos – tocava violino. Eu decidi tocar uma música que o meu pai compôs para a minha mãe quando ele pediu a mão dela em casamento há quinze anos atrás. Eu espero que vocês gostem, pois essa música é muito especial para mim. Obrigado a todos.
Isaac voltou a se sentar em frente ao piano, respirando fundo antes de pousar as mãos sobre as teclas. Ele tremia levemente; estava emocionado, ansioso, feliz, orgulhoso e um pouco nervoso. Não estava inseguro, porém, por isso logo após tocar a primeira nota a tremedeira sumiu, dando lugar ao estado de transe que sempre o dominava quando suas mãos tocavam o piano ou o violino. Seus dedos sabia exatamente para onde ir depois de anos de ensaios, enquanto sua mente se perdia nas lembranças do tempo em que seus pais estavam ao seu lado ensinando-o a tocar. Isaac mantinha seu olho fechado, fixando sua mente nos rostos sorridentes que nem mesmo Hajime Yuy foi capaz de apagar de sua memória.
O garoto continuou tocando, continuou mergulhado em suas lembranças. Quando seu estado de transe atingiu o ápice, sentiu o leve toque de uma mão em seu ombro. Em sua mente, via o pai ao seu lado, ensinando-lhe a tocar suas primeiras notas. Isaac Anatoliyev costumava assisti-lo de perto, colocando a mão em seu ombro sempre que julgava que o filho estava fazendo um bom trabalho. Se o que o pequeno pianista sentia naquele momento era apenas sua imaginação ou não, isso pouco importava. Isaac podia sentir a presença de seu pai ao seu lado, sorrindo para ele enquanto sua música especial ecoava pelo teatro. O olho fechado não impediu que uma pequena lágrima escapasse, rolando por seu rosto até cair em sua roupa. Mesmo depois que a música acabou ele ainda podia sentir aquela presença forte e tranqüila ao seu lado, uma presença cheia de orgulho e muito feliz.
Isaac foi tão aplaudido que os organizadores do evento tiveram que pedir para a platéia fazer silêncio e deixar o próximo concorrente subir ao palco. Quando Ishikawa, Aiko subiu ao palco, Isaac reconheceu a garotinha com quem conversara antes das apresentações começarem, ficando levemente surpreso ao perceber que não havia perguntado seu nome durante todo aquele tempo.
Ao julgar pela ausência de outros instrumentos, Aiko cantaria para o público. A garotinha pegou o microfone e se dirigiu à platéia para seu discurso:
- Oi, meu nome é Aiko! Eu tenho nove anos e meio, meu aniversário é no fim de outubro! Eu gosto muito de cantar, meu grande sonho é ser uma cantora profissional e fazer muito sucesso no Japão e no mundo todo! Eu vou cantar uma música chamada Release My Heart, que a minha grande mestra me ensinou! Espero que vocês gostem! Obrigada a todos por me ouvirem!
Aiko cosenguiu sorrir mesmo enquanto falava, fazendo seus olhos brilharem intensamente a cada palavra. Mesmo sem cantar, seu jeitinho meigo e ingênuo de criancinha bonitinha já havia conquistado o público, que aplaudiu seu discurso por um tempo considerável.
A música começou. A voz de Aiko era tão meiga e tão doce quanto sua aparência sugeria. A garotinha parecia à vontade com o microfone, tomando o palco como uma cantora profissional faria. Na platéia podiam se ouvir algumas exclamações de "kawaii" e afins, principalmente quando Aiko sorria ou piscava um olho. Ao fim de sua canção a menina recebeu uma forte onda de aplausos e deixou o palco sorrindo ainda mais do que ao entrar.
Um a um outros concorrentes foram chamados, até que finalmente o último deles, Wada, Kousuke, de 16 anos, deixou o palco. Os juizes então anunciaram um intervalo de meia hora para escolher o vencedor. Durante este intervalo os competidores eram autorizados a ficar junto com o público, por isso Isaac não hesitou em procurar o irmão assim que pôde:
- E então, Ken, ficou muito intediado? – Perguntou ele assim que os dois se encontraram, sorrindo de uma maneira sugestiva.
- Oh, nossa, você nem imagina! – Respondeu o japonês, com uma expressão sofredora. – Ver aquele bando de fedelhos que acha que sabe cantar ou tocar foi uma experiência que eu jamais vou esquecer! Oh, o trauma! – Os dois irmãos se encararam por alguns instantes, antes de explodir em gargalhadas. – Mas você tocou realmente bem! Até mesmo um completo ignorante como eu percebeu que a coisa estava bonita! Meus parabéns, Senhor-Maior-Músico-do-Japão! – Ken fez uma reverência, provocando ainda mais risadas de seu irmão.
- Oh, Ken, quanta honra! Vindo de um expert como você, esse elogiu significa muito para mim! – Mais risadas. Os irmãos continuaram rindo por um tempo considerável antes de Isaac voltar a falar. – E então, Expert, tem mais alguém além de mim que tenha feito uma boa apresentação?
- Por mim, você ganha disparado. Eu juro que nunca senti tanta emoção escutando um piano! Me deu até vontade de chorar! E olha que eu quase nunca choro! – Isaac ergueu uma sobrancelha; mesmo convivendo com Ken por apenas poucos meses, já podia citar várias ocasiões em que seu irmão derramara lágrimas (não necessariamente de tristeza ou felicidade, mas lágrimas mesmo assim). – Tá, talvez eu chore um pouquinho pra fazer manhas e chantagem emocional com a minha mãe, mas você entendeu onde eu quero chegar, né?
- Aham... – A sobrancelha de Isaac subiu um pouco mais, desaparecendo por entre sua franja já completamente loira.
- Ah, e tinha aquela garota também, qual era o nome dela? A menina que se apresentou depois de você... – Perguntou Ken de repente, fazendo com que seu irmão demorasse um pouco a entender do que ele estava falando:
- Aiko Ishikawa? O que tem ela?
- Eu não sei, não entendo nada de música... Mas ela era bem bonita e o público parece ter gostado bastante dela. Não que eu ache que ela vai ganhar, mas ela é a candidata mais forte pra ficar em segundo. E foi a única apresentação fora a sua que não me deu vontade de dormir ou de ir logo pra casa do Koichi. – Ken ficou sério para dar a impressão de que estava falando algo muito sério. – Se bem que isso poderia ser porque eu ainda estava meio emocionado depois da sua apresentação, e aí até mesmo a Zanxam-sensei vestida de sargenta poderia ficar bonitinha...
- Então você me achou bonitinha? – Ken e Isaac pularam para trás quando a voz infantil e meiga soou bem perto deles. Entretidos em sua conversa, os gêmeos não viram Aiko se aproximar.
- Ah... er... er... – Ken, sentindo-se pressionado pelo olhar da garota, também esqueceu por um segundo como o cérebro e as cordas vocais trabalhavam juntos para contruir palavras coerentes em um idioma que as pessoas ao redor pudessem entender.
- Olá, eu sou Aiko Ishikawa, e eu sei quem você é e o que você fez no ano passado! – Se Aiko não fosse tão bonitinha, meiga e aparentemente tão inofensiva, a atmosfera do teatro teria mudado para uma de filme de terror com a nova fala da garotinha. Seus olhos castanhos brilhantes estavam fixos em Ken, vigiando cada um de seus movimentos travados com muito interesse. Isaac olhava de seu irmão para a garotinha se perguntando se deveria rir ou se era melhor interceder à favor de Ken antes que os danos ao seu cérebro já normalmente danificado fossem permanentes.
- Ah... er... er... – Ken continuou incapaz de responder, sentindo-se oprimido pela meninha bonitinha.
- Você é Ken Urashima, campeão mundial de beyblade! Você e sua equipe correram o mundo todo ano passado e venceram todos os torneios e todos os adversários que cruzaram seu caminho! Eu sou sua fã!
Sem esperar por uma resposta, Aiko pulou no pescoço de Ken, passando bem perto de derrubá-lo no chão. Os dois foram salvos por Isaac, que segurou o irmão bem a tempo de evitar uma catástrofe. Com o novo susto, Ken finalmente recuperou o dom da fala:
- Hey, que idéia é essa? Quer me matar, é? – Exclamou ele enquanto tentava se desvencilhar do peso ainda pendurado em seu pescoço. Aiko exibia um largo sorriso que deixava o garoto desconcertado e nervoso.
- Eu já disse que sou sua fã, Ken-sama! Eu gosto muito de você e da sua equipe! – Ao ser chamado de "Ken-sama" a expressão do mestre de Fenrochi mudou consideravelmente. Talvez não fosse tão ruim assim ter uma garotinha bonitinha pendurada em seu pescoço afinal:
- E eu gosto muito de você também! É sempre bom ter uma fã por aí... – Declarou ele, sorrindo como um idiota. Isaac suspirou; seu irmão era facilmente influenciado por qualquer coisa.
- Então se eu for sua grande fã, você pode ser meu grande fã também e torcer pra eu ganhar o concurso? – Ken e Isaac ficaram paralisados, pegos desprevenidos pela pergunta. Aiko continuava sorrindo inocentemente, como se não tivesse acabado de pedir para o japonês trair seu irmão gêmeo por uma fã.
- Ah... er... er... – Foi tudo que Ken conseguiu dizer.
- Não pode? Nem por uma grande fã? – Insistiu a menina, agora não tão inocente. – Nem por mim?
- Ah... er... er...
- Nem por todo o meu carisma e dedicação total ao melhor beyblader do mundo?
- Ah... er... er...
- Chega de "Ah... er... er..."! Eu já to cansada! Você vai torcer para mim ou não, Ken-sama?
- Bem, eu... – Ken finalmente começou a formular uma resposta; aparentemente ser chamado novamente de "Ken-sama" teve um grande efeito em seu cérebro.
- Não, ele não vai. – Isaac surpreendeu a todos ao responder pelo irmão, usando seu tom de voz mais frio e assustador, muito semelhante ao que usava nos tempos dos Soldier of Russia como a grande ameaça do campeonato mundial. – Ken é o meu irmão e ele está do meu lado; não vai ser uma menininha como você que vai fazê-lo mudar de idéia.
- É mesmo? Eu não teria tanta certeza se fosse você. Fala pra ele, Ken-sama! – Aiko não foi afetada pela tentativa de intimidação do russo, agarrando-se com mais força ainda ao pescoço de Ken. O garoto olhava de Isaac para Aiko sem saber o que fazer, confuso e assustado. – Ken-sama!
"Ken-sama"; essa pequena palavrinha tinha um efeito hipnótico no mestre de Fenrochi; seu uso fazia o garoto sentir-se importante e ele gostava dessa sensação. Ken passou muito perto de concordar com Aiko; chegou até a abrir a boca para falar, porém no milésimo de segundo que precedeu sua fala, seus olhos se encontraram com o de Isaac, e o efeito hipnótico foi quebrado:
- Não, o Isaac tem razão. Nós somos irmãos, temos uma ligação especial. Ele é a pessoa mais importante pra mim agora, por isso eu vou apoiá-lo até o fim. – Ken aproveitou o choque de Aiko ao ouvir suas palavras para finalmente desvencilhar-se dela. – Fora que ele tem talento, enquanto você estava fazendo charminho nos juízes pra ganhar. Ele merece bem mais do que você.
Os dois irmãos se abraçaram e se afastaram da gartotinha, não sem antes ver sua expressão inocente contorcer-se em uma de ódio e frustração que lhes era vagamente familiar.
Com a meia hora de reunião do júri encerrada, participantes e público voltaram a se reunir para ouvir o resultado. Ken estava novamente na primeira fila, desta vez acompanhado de seu irmão, e os dois ficaram satisfeitos ao perceber que Aiko escolhera um lugar bem distante deles para ficar. Isaac não sabia explicar como a garotinha que conhecera atrás do palco conseguia ser tão diferente da que tentara provocar uma briga entre ele e Ken, mas por via das dúvidas ele achou melhor manter sua distância dela.
No fim, o resultado do concurso não foi uma grande surpresa: Isaac Isaakov Kuelt foi aclamado o vencedor tanto pelos juízes quanto pelo público. O garoto subiu ao palco para receber seu prêmio e tocar mais uma vez a música que o consagrara. Novamente ao sentar-se no piano e deixar seus dedos correrem livremente pelas teclas o garoto sentiu a presença do pai ao seu lado. Naquele momento o russo entendeu que Isaac Anatoliyev estaria sempre ao seu lado enquanto ele tocasse, enquanto ele quisesse tocar e o fizesse como mesmo prazer e emoção que seu pai fazia.
- Estão atrasados! – Censurou Kazuo quando os irmãos bateram na porta da casa de Koichi. Os gêmeos Motomiya os aguardavam em cima do portão exibindo suas melhores expressões irritadas.
- Isaac acabou de ganhar um grande concurso de música, nós não tivemos outra escolha! – Devolveu Ken, encarando os irmão com uma expressão muito parecida.
- Vocês tinham a escolha de não participar. – Retrucou Osamu, encanrando exclusivamente Isaac.
- Isso eu não poderia fazer. – O russo respondeu, também com uma expressão séria. – O concurso era importante pra mim, eu nunca poderia deixar de participar.
- Nós estamos em uma guerra, você deveria escolher as suas prioridades melhor. – Devolveram os gêmeos em uníssono. – Oh, não, espere... você não perdeu a sua fera-bit, você não precisa lutar por nada a não ser se divertir e ganhar campeonatinhos bestas... – Continuou Osamu, zombeteiro. Kazuo falou logo depois. – Treinar para recuperar as feras-bit dos outros não é assim tão importante nesse caso...
- Parem de falar assim! – Gritou Ken, irritado com o jeito que os gêmeos falavam deles. – Nós nunca dissemos que vir aqui treinar para recuperar as feras-bit não era importante, nós só dissemos que tínhamos outro compromisso hoje. Além do mais, nós temos ainda bastante tempo antes do dia acabar, não é o fim do mundo chegar um pouquinho mais tarde.
- Oh, é mesmo? – Perguntou Osamu, em um tom muito sugestivo.
- Pois fiquem sabendo que se vocês tivessem chegado mais cedo poderiam ter visto as derrotas dos seus amiguinhos John e Takashi para o tal Julian, e o jeito que eles perderam mais uma fera-bit. – Completou Kazuo, com um sorriso sádico.
- É, mas como vocês mesmos disseram, o tal concurso era mais importante, então nos desculpem por ficar tão furiosos...
Os gêmeos Motomiya pularam para dentro da casa em um único movimento sincronizado. Segundos depois o portão se abriu e Ken e Isaac entraram correndo, só parando ao chegar no quarto dos irmãos, onde os demais beybladers haviam se reunido para assistir pela tv as finais da Nova Zelândia.
- Desculpem a demora! – Gritaram os dois garotos, posicionando-se em frente à tv, que mostrava um garoto de aspecto sinistro recebendo o troféu de campeão. Os WATB e Takashi não estavam mais à vista.
- Vocês perderam as duas lutas. – Informou Satsuki, que encontrava-se estranhamente mais afastada dos demais. – Já era de se esperar que Takashi e William perdessem, parece que o plano era John lutar contra Julian para tentar recuperar Takuki, porém...
- Porém...? – Perguntou Ken, ainda olhando para a tv. Julian estava dizendo alguma coisa sobre sua vitória significar muito para ele e sua família em uma voz completamente desprovida de emoção.
- O plano falhou, obviamente. – Quem falou desta vez foi Vladmir, que estava sentado junto de Lin, Toshihiro e Rumiko bem próximos da tv. – Mas o John conseguiu uma coisa que poucos de nós conseguimos.
- O que? – Perguntou Isaac, que diferente de seu irmão estava voltado para beybladers. A energia depressiva vinda de Julian não era algo que ele gostaria de encarar logo depois de vencer um concurso importante.
- A máxima sincronia entre mestre e fera-bit. – A resposta veio de outro canto afastado do quarto, onde Shinji estava de pé apoiado contra a parede. – Vocês lembram do que aconteceu com a gente quando lutamos no parque Ueno, não? Quando nosso corpo começou a mudar? – Ken e Isaac balançaram a cabeça afirmativamente; era realmente difícil esquecer a visão dos quatro Kita no Ookami quase se transformando em lobos selvagens no meio da luta. – A mesma coisa aconteceu com John hoje. Ele e Takk atingiram um nível de sincronia que possibilitou que a verdadeira natureza de John se manifestasse do mesmo jeito que com a gente.
- E ele virou um diabo da Tasmânia? – Perguntou Ken, enquanto sua mente era invadida pela imagem de John vestido como Taz dos Looney Tunes.
- Ganhou características de um. Uma transformação completa nunca é possível. – Respondeu o líder dos Kita no Ookami, parecendo um tanto ofendido com a idiotice do garoto.
- E mesmo assim ele pedeu? – Insistiu Ken, com os olhos aumentados consideravelmente de tamanho. Pelo que havia ouvido sobre as tais transformações, elas davam ao beybladers um poder incrível e invencível; John não deveria ter perdido nestas circunstâncias.
- Perdeu. – Shinji continuou falando, desta vez caminhando em direção aos demais – Há a possibilidade de seu corpo não ter agüentado a pressão e o gasto de energia envolvidos na transformação, mas vendo a luta me parece que o poder desse tal Julian Ross não deve ser subestimado.
O grupo ficou em silêncio depois da fala do líder dos Kita no Ookami. Os gêmeos Willians, dois dos lutadores mais fortes que eles conheciam, haviam perdido suas feras-bit. Takk, Takuki, Ceres, Kufe e Kid e Dragoon agora estavam nas mãos do grupo de Umeragi, e nenhum deles fazia idéia do que aconteceria a seguir.
O momento de reflexão foi interrompido pelo telefone tocando na sala. Ansioso para deixar o ambiente de tensão, Yoshiyuki foi correndo atender. O garotinho gênio estava de volta menos de um minuto depois, com o telefone grudado em sua orelha direita:
- É o Takashi, gente! Ele quer falar com a gente! – Yoshiyuki apertou o botão de viva-voz, fazendo com que a voz esganiçada de Takashi soasse alta e clara no quarto:
- Hey, pessoal, estão todos aí mesmo? – Perguntou o menor membro dos Taichi.
- Sim! – Respondeu um coro de crianças. Apenas os Kita no Ookami permaneceram em silêncio.
- Yoshiyuki me disse que vocês viram o que aconteceu com John e a Ann e que coisas parecidas estão acontecendo por aí. – O chinesinho continuou, falando rápido como se seu tempo para falar fosse limitado. – Julian vai voltar ao Japão amanhã, e eu disse pra minha mãe que ia segui-lo. Eu estou chegando em Tóquio amanhã às seis da tarde, e vou trazer comigo algumas beyblades novas que a minha mãe está projetando. Ela disse que vocês precisar de uma ajuda extra se quiserem vencer o Julian e esses outros caras que estão com ele.
O coro de crianças comemorou as boas notícias. Se Keiko estava mesmo projetando novas beyblades, elas com certeza seriam muito mais poderosas do que as antigas; sem falar que os Taichi se reuniriam novamente para enfrentar o novo inimigo. Isaac, lembrando-se da conversa que teve com Aiko antes de se apresentar, perguntou:
- Hey, Takashi, quantas beyblades a sua mãe está projetando?
- Ela disse que ia fazer pelo menos uma para cada Taichi, mas que ia tentar fazer para os Soldier of Russia também se der tempo. – Respondeu o chinesinho, um pouco mais calmo.
- Será que seria pedir muito para ela tentar fazer beyblades novas para o Hehashiro e os Kita no Ookami também? Afinal eles todos perderam suas beyblades…
- Mais cinco beyblades? Você quer matar a minha mãe de trabalho, é isso? A gente tem só até amanhã! – Takashi estava gritando no telefone, uma tentativa de intimidar que acabou se tornando cômica por causa de sua voz de criança. – Nós não temos como projetar e construir quatorze beyblades em menos de vinte e quatro horas!
Ken estava pronto para responder ao melhor amigo quando uma outra voz – desta vez de mulher adulta – fez isso por ele:
- Quatorze beyblades, você disse? E eu posso saber quem são esses Kita no Ookami que vocês mencionaram? – A voz era inconfundivelmente de Keiko. Os Taichi respiraram aliviados ao ouvir a mãe de Takashi, apressando-se em falar tudo sobre a equipe de Hokkaidou com o menor número possível de palavras. A cientista pareceu bem interessada na história dos garotos, assim como ficou surpresa ao saber das outras três feras-bit roubadas. – Bem, parece que não tem outro jeito mesmo. Se vocês todos dependem de mim para recuperar as feras-bit, eu vou dar o meu melhor. Mas tenham em mente que, como são muitas beyblades em muito pouco tempo, eu talvez não consiga dar uma atenção especial a todas.
- Ficaremos felizes com qualquer coisa que a senhora puder mandar, Keiko-san. – Respondeu Shinji em nome de sua equipe.
- Bem, então eu vou desligar, temos muito o que fazer agora. Nos falaremos em breve!
Com isso o telefone ficou mudo. Depois da promessa de novas beyblades, o clima entre os garotos ficou um pouco mais leve. Após uma maré de azar, finalmente uma fagulha de esperança começava a despontar no horizonte.
Ken:
Oba! Finalmente um capítulo focado na gente! Já estava na hora!Isaac: E o capítulo saiu em tempo record, o Jamie devia estar inspirado... n.x
Nathaliya: Com este capítulo, tanto o Vova quanto o Isaac tiveram seu dia de estrela. Quando é que eu vou ter o meu? Desse jeito eu vou ficar me sentindo injustiçada, e acredite, vocês não vão gosta de me ver me sentindo injustiçada! Ò.Ó
James: Ah... (cara de meeeeeedo) calma, Nathaliya-sama, a sua hora ainda vai chegar... n.n''
Isaac: O Jamie sabe do duplo sentido dessa frase, né? n.x
Nathaliya: (com um lança-chamas nas mãos) Se não sabe, eu vou ensiná-lo agora! ò.ó
(Nathaliya sai correndo atrás do James com o lança-chamas)
(James e Nathaliya passam pelos WATB e Takashi que estavam indo se encontrar com o pessoal do núcleo de Tóquio para comemorar a união das duas equipes)
(Ann acha muito divertido ver o James sendo caçado pela Nathaliya e resolve se juntar a ela)
Julian: (que aparecer por ali por uma infeliz coincidência do destino) Esse é um exemplo bem claro da justiça humana aplicada na sociedade. Nathaliya-san está buscando sua própria justiça ao perserguir e tostar o James-san por ele ter ignorado sua vontade de ter um capítulo bonitinho e dramático que fale de seus sentimentos com relação aos pais biológicos e à nova família japonesa. Nathaliya-san acha que James-san foi injusto por transformá-la em um personagem secundário que quase nunca aparece, e por isso escolheu uma vingança à altura.
E Ann-san sempre acha justo que James-san seja punido, partindo do pressuposto que James-san está sempre cometendo injustiças com seus personagens e fazendo besteiras.
Muito bem, Nathaliya-san e Ann-san, se essa é sua justiça, eu vou apoiá-las.
(Julian cata outro lança-chamas e sai atrás da Nathaliya e da Ann)
Ann: (olhando para o Julian e seu lança-chamas) Eu deveria ser contra a ajuda do cara que roubou a minha fera-bit de mim a menos de dez capítulos atrás, mas como estamos falando em punir o James, eu não vou me importar tanto assim. n.n
(A perseguição continua)
(Passa o comboio de perseguição na frente da Aiko)
Aiko: Olha só, eles estão brincando de pega-pega! XD (completamente ingênua)
Yoshiyuki: É, é um pega-pega radical... XDDD (olhar significativo)
Aiko: Será que eles deixam a gente brincar também? XD
Yoshiyuki: Sinceramente, eu acho melhor não! XDDD
Aiko: Então tá, eu nem queria mesmo! XD (Ainda completamente ingênua)
Jing Mei: Aiko-chan, vamos comemorar a sua introdução na história!
Aiko: AAAAAAAAHHHHHHHHH!! XDDD (grito de fangirl histérica) JING-MEI SAMA! XD JING-MEI-SAMA!! XDDD (agarra a Jing Mei e se recusa a soltar)
Yuriy: Larga da minha namorada, sua criança feliz. ò.ó (cara de mau)
Yoshiyuki: Isso era pra ser um xingamento? XDDD
Yuriy: Era. u.ú
Yoshiyuki: XDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD
Yuriy: Saiam de perto de mim, crianças felizes. ò.ó (Yuriy olhando feio para todas as crianças felizes de Beyblade 2)
(Crianças felizes de Beyblade 2 com os olhos brilhando sugestivamente)
Koichi: De repente me deu uma pena do Yuriy... (olhando para as crianças felizes de Beyblade 2 com olhares brilhantes e sugestivos)
(Passa o Yuriy sendo perseguido pelas crianças felizes de Beyblade 2)
Koichi: É, eu to com pena dele. Ele era um bom rival... ¬¬'''
Ken: Hey, olha só! O Koichi fez uma piada! (queixo distendido caído até o chão)
Isaac: Aposto que hoje é o dia dos milagres! n.x/
Lily: Não, hoje é o dia em que todos os personagens dessa história finalmente foram decentemente apresentados, sem falar que esse capítulo marca a volta da inspiração do James. Por isso o Koichi pode fazer piadas e os vilões estão se dando mal. n.n
Umeragi: Se me permite uma correção... até agora apenas o Yuriy se deu mal. Eu, a Jing Mei, o Julian e a Aiko ainda estamos muito bem, obrigado. u.u
(Isso porque o off-talk ainda está no começo... MWAHAHAHAHAHAHAHA!!)
Len: As frases entre parênteses voltaram a atacar. Achei que elas já tivessem desistido de tentar dominar o off-talk. O.o
(Eu não vou dominar o off-talk, vou apenas me divertir às custas de vocês!)
(Torta na cara do Len)
(Risos falsos de programa de auditório)
Len: (com a cara lambuzada de torta) ¬¬'''
Chang: Hey, pessoal... vocês naõ tinham um monte de perguntas para responder?
Rumiko: Ah, é! As perguntas! Eu sabia que tinha uma coisa importante para a gente fazer hoje! (Rumiko bem feliz porque vai ser apresentadora de novo)
(Rumiko põe a roupa de apresentadora)
(Roupa da Rumiko tá virada do avesso, mas ela não percebe)
Rumiko: Então tá... A primeira pergunta do dia é de novo da Xia-san...
Isaac: (põe uma armadura reluzente)
Erik: (pega emprestada a roupa de cavaleiro medieval do Franklin)
Rumiko: O.O''
Erik: Que foi? É apenas uma precaução...
Isaac: É! Vocês ainda lembram do que aconteceu da última vez que lemos uma pergunta dela... não faz tanto tempo assim que o Jamie postou aquele capítulo!
Rumiko: Ah... mas essa pergunta é pro Ken...
(Isaac e Erik respiram aliviados)
(Isaac e Erik tiram as armaduras)
Ken: Pode mandar a pergunta, Rumiko! Eu adoro quando meus fãs mostram o quanto eles realmente são meus fãs! XD
Aiko: É verdade, Ken-sama? XD (Agarra o pescoço do Ken) Então quer dizer que desta vez você vai ignorar o seu irmão bobo e vai torcer pra mim e ser o meu fã número um depois da minha grande mestra Jing Mei-sama e vai me escrever cartas bonitinhas com um monte de coraçõezinhos fofos e vai me mandar bichinhos de pelúcia pelo correio e vai tirar um monte de fotos comigo e vai gritar o meu nome bem alto várias vezes durante os meus shows e vai...
Ken: Gente, essa menina não respira naõ? O.O' Alguém precisa apresentar a vírgula pra ela...
(Aiko tem uma parada respiratória e morre)
Ken: Aí, valeu... XD
(De nada! n.n)
Ken: Dessa vez eu estou até gostando das frases entre parênteses... elas estão do nosso lado pra variar... /o/
Satsuki: (sussurra no ouvido da Rumiko) Rumiko, aproveita e faz a pergunta agora antes que mais alguma coisa completamente doida e sem noção aconteça...
(Cai uma jaca na cabeça da Satsuki)
Satsuki: É.. era disso que eu estava falando... ¬¬'''
Koichi: Podia ter sido pior...
(Close no Koichi vestido de palhaço)
Koichi: Eu disse que podia ter sido pior... ¬¬''
(Riso falso de programa de auditório)
(Aahahahahahaha)
Toshihiro: Enfim.. A Rumiko vai fazer a pergunta pro Ken agora...
Rumiko: É, eu vou!
(Rumiko pega o microfone em formato de banana)
Rumiko: Por que banana?
(Porque eu quis. Ponto final. u.u)
Rumiko: Tá, né... o.o''
Ken: A pergunta, Rumiko! A pergunta! (Ken sentadinho bonitinho esperando a pergunta como se fosse um aluno bem comportado na escola)
Zanxam-sensei: É, bem comportado que ele é... ¬¬''
Rumiko: A pergunta é... "Ken, algum dia vais "assentar" (tipo namorada xP)?"
(Ken cai pra trás com o choque da pergunta)
Ken: Na... namorar? Eu? O.O Eu não sabia que o Jamie gostava de me torturar tanto assim! O.O O que eu fiz pra merecer isso? X.X (completamente desesperado)
Isaac: Oh, não, Ken! Não diga isso, foi só uma pergunta! Ninguém disse que você vai realmente namorar... n.x (tentando tranqüilizar o Ken porque ele é realmente um irmão gêmeo muito bom e compreensivo)
Erik: Humpf... Namorar é bom, vocês não sabem o que estão perdendo... (abraçado com a Alice fazendo pose de fodão)
Isaac: Meu irmão não quer namorar, é melhor você respeitar a vontade dele!
Erik: Tecnicamente, ele não respondeu a pergunta diretamente. Fora que ele precisa deixar claro se essa pseudo-resposta dele vale para o Ken de doze anos que aparece na história ou para o Ken de dezessete anos que ele deveria ser hoje.
Ken: Isso faz diferença? O.õ
Erik: Claro que faz. Até seres imaturos como você mudam e crescem um pouco de vez em quando... :D
Ken: Isaac, ele tá me tirando pra imaturo... (cara de mau)
Isaac: Ken, você é imaturo... o.o'
Ken: Oh, é...
Erik: Então... qual a sua resposta, Ken?
Ken: Meu eu de 17 anos e o meu eu de 12 anos nunca pensaríamos cometer tal heresia! Eu jamais cometeria tamanha violência contra eu mesmo! Nem pensar! Nem a pau, Juvenau! ò.ó
Isaac: Bem, tá aí a sua resposta... n.x
Erik: Uma resposta que vale até setembro de 2008...
Ken: O que você quer dizer?
Erik: Qualquer um que saiba o que acontece na próxima fase sabe o que eu quero dizer. Mas claro, como eu não estou autorizado a dar spoilers, não sou eu quem vou dizer o que eu quero dizer... :D
Ken: Agora ele me confundiu... O.õ
Isaac: Ah, droga, Erik! Pára de ficar desacreditando as palavras do meu irmão! Se ele diz que ele não vai namorar, é porque ele não vai namorar e pronto! Aceita de uma vez que nem todos são felizes-bobos-alegres-apaixonados como você e a Alice! Ficar solteiro é um opção como qualquer outra!
Erik: Você tá me desafiando? Tá me desafiando? Você vai ver o que acontece com quem me desafia! Ò.Ó
(Erik e Isaac partem para a guerra vestidos de novo com as armaduras)
(Erik e Isaac lutando nas montanhas geladas)
(Erik e Isaac tocando mísseis de longo alcance uns nos outros)
(Mísseis de longo alcance erram o alvo e acertam a Jing Mei que estava preparando o funeral de sua dicípula querida)
(O outro míssil acerta o Yuriy que finalmente tinha conseguido se esconder das crianças felizes dentro de uma caverna no deserto iraquiano)
(Isaac e Erik lutando com espadas)
(Isaac e Erik detonados depois de lutar com espadas)
(Isaac e Erik resolvem lutar com lanças)
(Isaac e Erik erram a pontaria porque estão detonados depois da luta de espadas e acertam o Umeragi que estava inocentemente observando o jardim florido em sua cadeira de rodas)
Julian: Justiça... Justiça... A verdadeira justiça...
(Isaac e Erik acertam o Julian também porque ele estava irritando)
(Isaac e Erik continuam guerreando)
Rumiko: Olha só, gente! A profecia das frases entre parênteses se concretizou! Todos os vilões foram eliminados do off-talk! É um milagre!
(Rumiko sai dançando por aí para comemorar o milagre)
(Rumiko vai parar no meio da guerra entre o Isaac e o Erik e acaba pisando numa mina subterrânea e voando pelos ares)
Yoshiyuki: As frases entre parênteses acabaram com os vilões e com a personagem principal também! XD Isso naõ é legal? XDD
Toshihiro: RUMIKO! RUMIKO! T.T (Toshihiro chorando copiosamente)
(Toshihiro embarca em um foguete para ir atrás da Rumiko)
Yoshiyuki: Desse jeito vamos sumir um por um até apenas as frases entre parênteses ficarem sozinhas... XD E aí elas VÃO DOMINAR O OFF-TALK! XDD GENTE, GENTE, É TUDO UM PLANO DAS FRASES ENTRE PARÊTESES PARA DOMINAR O OFF-TALK! XDDDD NÃO PODEMOS DEIXAR QUE ELAS...
(Yoshiyuki some misteriosamente e sem maiores explicações)
Nathaliya: A-há! Eu sabia que tinha alguma coisa estranha com essas frases entre parênteses hoje! Ò.ó
(Nathaliya some misteriosamente e sem maiores explicações)
Shinji: Nós não podemos deixar esse plano se concretizar! Precisamos parar as frases entre parênteses antes que...
(Shinji some misteriosamente e sem maiores explicações)
(Os personagens vão sumindo um por um misteriosamente e sem maiores explicações)
(Frases entre parênteses finalmente DOMINAM O OFF-TALK!! Ò.Ó)
(Alto lá, ainda não!)
(Quem disse isso?)
(O único beyblader esparto o suficiente para sumir do off-talk antes de todo mundo sumir e dominar o teclado do laptop do James sem que as frases entre parênteses soubessem!)
(Oh., não! E quem seria esse beyblader?)
(Se eu disser, perde a graça! Por enquanto vamos dizer que eu vou fazer dezessete anos esse mês e que eu naõ apareço nessa história faz tempo!)
(E você quer que eu adivinhe quem você é só com isso?)
(Se você acha que consegue...)
(Eu não quero adivinhar, eu quero acabar com você!)
(Já sei!)
(E vou mandar os leitores adivinharem por mim, aí no próximo off-talk eu vou poder definitivamente DOMINAR O OFF-TALK!)
(Me ajudem a conseguir meu objetivo, dêem seus palpites sobre a identidade desse estraga prazeres!)
(E claro, não se esqueçam de mandar mais perguntas para a gente! Se não, quando eu finalmente dominar o off-talk, eu não vou responder mais nada e vou deixar vocês todos chupando o dedo e a ver navios! ò.ó)
(E tenho dito!)
OWARI
