Nota do Takashi: Em primeiro lugar, eu tô de mau humor porque a Satsuki não apareceu na minha festa de aniversário.

Em segundo lugar, como o Jamie-baka anda estupidamente ocupado, esse na verdade não é o capítulo 32, é só a primeira parte do capítulo 32. O Jamie-baka decidiu que, como ele anda absurdamente ocupado agora que ele resolveu que as quatro matérias da universidade não eram suficientes e por isso ele está fazendo italiano como matéria extra (mama mia! Maledeto!!), agora ele vai postar os pedaços dos capítulos aos poucos, um pouco de cada vez.

Ou seja, essa parte de capítulo foi escrita no sábado passado durante o aniversário do David (que agora tá com 22 anos,pra quem não sabe) e passou por uma revisão relâmpago. Com um pouco de sorte semana que vem nós vamos postar mais um pedaço e quem sabe revisar de novo essa parte de agora, que pode ou não ser modificada. O título do capítulo também não é definitivo. Na verdade nada é definitivo. Tudo é confuso. Tudo pode mudar. Ou nada pode mudar. Pode ou não pode... vai ou não vai...

Ah, quer saber, eu vou parar de enrolar e deixar que vocês leiam antes que fiquemos todos confusos demais.


EDIT IN 20-12-2008:

Nota do Isaac que não é exatamente uma nota: Olha só, estamos de volta! Quem diria, o Jamie não esqueceu da gente afinal! E olha só que coincidência: estamos de volta logo no dia do meu aniversário! n.x

Tá, talvez não seja coincidência...

O Jamie está de férias, nós estamos quase de férias, e falta realmente muito pouco para começarem as grandes batalhas desse final de história! Dessa vez o Jamie conseguiu escrever o capítulo todo, que vocês vão poder acompanhar logo depois desse monte de coisa inútil que me deixaram colocar aqui como meu presente de 17 anos.

Oh, eu e o Ken já temos 17 anos! Quem vê o Ken normalmente não acredita... n.x'

E como hoje é um dia duplamente especial (porque é o nosso aniversário e porque o Jamie voltou a nos dar atenção), nós vamos fazer coisas especiais hoje. Ao invés do nosso adorado off-talk, eu e o Ken vamos cuidar do entretenimento dos nossos leitores antes e depois do capítulo! Com vocês... o dia 20 de dezembro de 2008 na vida dos gêmeos Urashima/Kuelt! x.n

Ken me convenceu a não dormir durante as 24 horas do dia de hoje. Não pela primeira vez, vale lembrar. Eu sempre digo, quando vou dormir no primeiro minuto do dia 21, que nunca mais faço uma loucura dessas, mas todo o ano desde o nosso 13º aniversário ele consegue me convencer a acompanhá-lo no "cochilo reparador" das oito às onze da noite do dia 19. Enfim, nós acordamos às onze e ficamos até a hora do café da manhã vendo DVDs que tecnicamente só poderíamos ver daqui a um ano, mas que nosso pai foi compreensivo o suficiente para alugar pra gente na locadora do outro lado da rua.

No café da manhã, quando os outros membros da família que não tinham nada de especial para comemorar saíram da cama, nós recebemos nossos primeiros presentes: Ken ganhou um livro de física básica dos nossos pais, porque esse ano ele está (de novo) de recuperação em fisica (e em biologia, química, literatura japonesa, geografia, história... praticamente tudo menos matemática) e como estamos a apenas três meses de encerrar o nosso PENÚLTIMO ano de escola ficar de recuperação não é uma boa ideía. Justiça seja feita, eu ganhei um livro também, mas como as minhas notas são bem melhores do que as do meu irmão (inclusive em japonês), no meu caso eu realmente aproveitei o meu presente: um livro sobre a vida do Tchaikovsky escrito em russo. Os gêmeos nos deram cartões de aniversário personalisados: o meu tinha notas musicais desenhadas e o do Ken tinha vários números tortos e criaturas estranhas. Tudo desenhado e pintado por rabiscos de criancinhas de onze anos. Eles agora têm a idade que a gente tinha quando nos conhecemos. Eu estou achando difícil acreditar que a gente era tão imaturo nessa época. Ou talvez os gêmeos sejam mais parecidos com Ken do que eu pensava...

Nós passamos a manhã lutando beyblade, e na hora do almoço nós saímos para o McDonnald's (porque o Ken não consegue comer direito em nenhum outro lugar) do shopping e nos encontramos com o resto dos nossos amigos para comemorarmos em grupo. A idéia era fazer uma festa de aniversário na nossa casa durante a noite, mas esse ano nós decidimos pelo almoço porque eu vou estar ocupado de noite. Eu agora sou o principal primeiro violino da Tokyo Youth Orchestra, e é no sábado a noite que nós fazemos nossos concertos.

Eu não podia pedir por um presente melhor do que me apresentar no meu dia especial, né? n.x

Eu toco violino na TYO e de vez em quando sou convidado a fazer alguns concertos no piano para outras orquestras no Japão e em outros países também. São poucos que podem se gabar de aos 17 anos recém-completos já terem se apresentado em Moscou, Viena, Nova York e Varsóvia. Fora os concertos dentro do Japão.

Enfim, passamos boa parte da tarde com nossos amigos, e depois eu e a minha namorada (sim, eu tenho uma namorada, ao contrário do Ken, que pelo visto vai morrer solteirão... ¬.x'' Um dia o Jamie vai contar quem ela é, mas por enquanto eu não estou autorizado a dizer o nome dela, apesar de poder dar algumas pistas) nos separamos do grupo pra passar um tempo a sós. Lutando beyblade. O fogo derrete o gelo, ou o gelo congela o fogo? Nós não chegamos a uma conclusão definitiva ainda, mas estamos confiantes que nossas lutas estão nos deixando no caminho certo. Ken gosta de zoar de mim dizendo que a minha namorada é "o homem da relação". Pra mim ele diz isso porque está começando a ficar com ciúmes, mesmo que ele continue dizendo que não quer namorar tão cedo.

Eu e a minha "misteriosa" namorada fomos para a minha casa depois, para que eu pudesse me trocar para o concerto. Estamos aqui agora, eu estou quase pronto para sair daqui a dez minutos quando terminar de escrever isso aqui. Hoje é o dia do concerto de natal, o meu favorito do ano. Depois que terminarmos, eu provavelmente vou estar tão cansado que só vou esperar o relógio marcar meia-noite para cair na cama e descansar. Ainda bem que amanhã é domingo. Ano passado nos quase nos atrasamos para a escola por causa da festa (o aniversário foi numa quinta, e Ken nunca espera o fim de semana para fazer suas festas).

E assim eu espero que termine meu dia. Agora vocês aproveitem o capítulo! Jamie fez algumas pequenas mudanças no pedaço que ja estava aqui antes, mas nada muito grande. E por favor nos deixem um review de aniversário. Pra quem já mandou review pro capítulo, dá pra mandar um anônimo...

E assim nós estamos de volta!

Isaac Isaakov Kuelt


CAPÍTULO XXXII

PREPARAÇÃO

- Ah... alguém anotou a placa?

Sem saber muito bem o que fazer, os beybladers apenas observaram as carpas curiosas que inocentemente tentavam mordiscar os peões naufragados. Eles tinham apenas duas semanas para aprender a controlar seu poder, e naquele momento essa parecia uma tarefa quase impossível.

- Eu não gosto de ser pessimista, mas eu acho que vai ser impossível controlar essas beyblades enquanto vocês continuarem sem feras-bit. – Declarou Vladmir, se adiantando para recolher as beyblades do lago uma vez que Yoshiyuki e Shinji não pareciam muito dispostos a fazê-lo. – Todos nós sabemos que são as feras-bit que permintem que controlemos nossas beyblades; sem elas a beyblade não passa de um peão girando a esmo. Essas novas beyblades, se não tiverem nada que a as controlem, representam mais uma ameaça do que uma ajuda.

- Se eu fosse você, eu tomaria muito cuidado com o que digo. – Retrucou Takashi, aproximando-se de Vladmir enquanto este entregava as beyblades para seus donos. – Minha mãe passou horas pensando no tipo de beyblade ideal para aqueles que precisam lutar sem feras-bit, o trabalho dela não pode ser desqualificado tão facilmente depois de uma única tentativa!

- Mas Takashi... você viu o que aconteceu, não viu? – A voz trêmula de Rumiko soou de algum lugar atrás de Nathaliya e Toshihiro. – Essas beyblades são perigosas e completamente descontroladas!

- Talvez... talvez... – Os beybladers prenderam a respiração ao ouvir Shinji falar. O grupo formava um círculo assimétrico ao redor do lago, com os dois líderes sem fera-bit e Vladmir em seu centro. Depois do comentário do mestre de Castil um ar de tensão se abateu sobre eles, estavam todos ansiosos para saber o que os donos das novas beyblades pensavam sobre a situação. – Talvez você esteja certo, Vladmir-san; talvez seja mesmo impossível controlar uma beyblade sem fera-bit. – Os Kita no Ookami arregalaram os olhos, incapazes de acreditar no que seu líder estava dizendo. Quando Kazuo fez mensão de se pronunciar, porém, Shinji continuo, levantando a voz em um tom autoritário e confiante. – Mas eu acredito que essas não são beyblades comuns. Como Takashi-san disse, Keiko-san as desenvolveu pesando que nossas primeiras lutas seriam sem a ajuda de Kid Dragoon e Ceres. Eu acredito que há um jeito de controlar essas beyblades, e que isso de alguma forma está relacionado a nossa ligação com as feras-bit.

- Nós vamos dar um jeito! Eu sei que vamos! – Completou Yoshiyuki, voltando a sorrir e a mostrar suas porteirinhas. O garotinho gênio segurava a beyblade com as duas mãos como se esta fosse um objeto muito frágil e delicado que poderia se partir em contato com a mais leve brisa. Depois do líder dos Soldier of Russia ninguém mais falou, admirados com as expressões determinadas e confiantes dos garotos. Shinji e Yoshiyuki, apesar de suas muitas diferenças, naquele momento eram iguais.

Depois de algum tempo em silêncio, Yoshiyuki decidiu que estavam todos muito quietos e sérios e que ele precisava fazer alguma coisa a respeito disso. Enquanto devorava mais uma barra de chocolate o garotinho gênio sugeriu que os Taichi testassem suas beyblades para ver do que elas eram capazes.

- Rumiko, quer ter a honra de ser a primeira a testar o o resultado do trabalho árduo e das horas de insônia e pressão que a minha querida e inteligente mãezinha teve que aturar para ajudar os nossos amigos a enfrentar o nosso maquiavélico antagonista e os seus sinistros seguidores?

Rumiko encarou Takashi por alguns segundos enquanto seu cérero lentamente processava o significado da pergunta. O chinesinho ergueu uma sobrancelha; sua amiga estava demorando um pouco mais do que o normal para chegar a uma conclusão. Por fim:

- Mas é claro que eu quero!

A mestra de Fenki demorou mais tempo para responder do que para preparar e lançar a nova beyblade. Seus amigos observaram maravilhados e esperançosos o peão negro dar suas primeira voltas no chão do pátio, porém suas expressões logo mudaram para desapontamento e perplexidade quando a beyblade não agüentou nem cinco segundos antes de entregar os pontos.

- O que é isso, Rumiko? Até parece que se esqueceu como se lança uma beyblade! – Exclamou Ken, tentando disfarçar o espanto. Isaac e Takashi riram da piada, porém os demais permaneceram sérios. Rumiko recolheu a beyblade, encarando o bit-chip como se pedisse uma explicação.

- Ah... tudo bem, Rumiko... foi só a primeira tentativa... – Exclamou Toshihiro, se aproximando da namorada para animá-la. Ele sabia que Fenku tinha algo a dizer sobre isso, mas por alguma razão ele não estava conseguindo ouvir o leviathan tão claramente desta vez.

- Eu vou tentar agora! – Exclamou Ken, animado. – Só porque a nossa beyblader mais forte não conseguiu de primeira, isso não quer dizer que vai acontecer a mesma coisa com a gente! – O Mestre do Fogo colocou a beyblade no lançador, sua franja ficou ainda mais bagunçada e seus olhos ganharam um brilho quase alucinado. Sua mão esquerda puxou a cremalheira e a beyblade vermelha saiu em disparada, girando com toda a força...

Até uma parede reforçada interromper sua trajetória vitoriosa.

- Mais sorte da próxima vez, Anta Anencéfala.

- Eu quase consegui! Se aquela parede não tivesse ali...

- Ninguém garante que a sua beyblade continuaria girando mesmo sem a parede, Ken. – Koichi, sentindo que era a sua vez de tentar, colocou a beyblade no lançador e se posicionou de forma a não ficar de frente para nenhuma parede. Em algum lugar de sua mente estava a consciência de que seu avô não ficaria nenhum pouco satisfeito ao ver o estrago causado pelos quinze beybladers em seu quintal, mas no momento isso não era o que mais importava; como líder dos Taichi ele sentia que tinha a obrigação de ser bem sucedido, de provar aos Kita no Ookami que ele era mais forte do que o seu primeiro encontro com Shinji sugeria e de mostrar aos Solidier of Russia que ele não pouparia esforços para recuperar a fera-bit do irmão. Seu lançamento refletiu a tensão de seu corpo, e a beyblade mais pesada cravou um buraco no chão onde caiu, ficando presa neste.

- Wow, parece que alguém aprendeu a lançar bombas! – Exclamou Kazuo, sorrindo maliciosamente ao atestar o resultado da tentativa de Koichi. – Agora nós já sabemos o que fazer para derrotar o Umeragi-teme: a gente só precisa fazer o Yuy lançar a beyblade na cabeça dele! É literalmente tiro e queda! – Os gêmeos riram com gosto, apesar dos olhares de censura de Shinji e Lin. Koichi, no entanto, não mostrou nenhuma mudança em sua expressão séria; era impossível saber o que ele estava pensando no momento. Foi Yoshiyuki quem tirou a beyblade de seu buraco no chão e entregou-a ao dono, pulando em suas costas em uma tentativa de animá-lo e fazê-lo falar alguma coisa.

- Eu vou te derrubar.

O sorriso brilhante de Yoshiyuki se ampliou com a certeza de que seu Nii-chan estava de volta ao normal. Ele continuou onde estava, e apesar de suas palavras Koichi não fez nenhum movimento brusco que visasse desalojar a criaturinha fofinha.

- Acho que isso significa que eu sou o próximo. – Declarou Toshihiro, distanciando-se de Rumiko para se preparar. Enquanto suas mãos permaneciam ocupadas com a beyblade, o lançador e a cremalheira, sua mente tentava recuperar o link com o leviathan, que permanecera calado desde o primeiro comentário sobre a casa nova. O garoto sentia que Fenku tinha algo muito importante a dizer, porém a mensagem não estava sendo recebida do jeito que deveria. – É melhor eu conseguir, ou a imagem da equipe campeã mundial vai ficar manchada...

- Você quer dizer mais manchada, certo? – Interrompeu Vladmir com sua habitual calma. Ele e Lin estavam sorrindo para ele como se soubessem de sua preocupação secreta, o que no fundo não era de todo estranho. Sabendo disso, o mestre de Fenku sentiu um peso ser tirado de seus ombros, ou mais especificamente como se uma barreira fosse demolida. Ao invés de tenso, sentia-se confiante; a pressão tornara-se certeza. Era estranho pensar que uma provocação de seu irmão fosse responsável por tamanha mudança, mas era assim que funcionava a sua ligação com Vladmir.

- Exatamente!

E a beyblade foi lançada. Por um segundo ela cambaleou, fez menção de parar de girar, porém logo se recuperou e passou a agir como qualquer outra beyblade bem comportada deveria agir. Rumiko foi a primeira a comemorar, pulando em cima do namorado até quase derrubá-lo no chão. Hehashiro e Vladmir se aproximaram em seguida, o mais velho bagunçado sua trança e o segundo sorrindo levemente. Depois disso Ken e Takashi, Lily, Nathaliya e Isaac, Yoshiyuki e Koichi e por último os Kita no Ookami vieram cumprimentá-lo, felizes por pelo menos um sucesso em meio a tantas surpresas negativas.

- Como é que você fez isso, Toshihiro? – Perguntou Ken, com uma expressão cômica de ciúmes. – O que você tem que a gente não tem?

- Ah... bem...

Confiança. Suas novas beyblades reagem ao que vocês estão sentindo: preocupações demais e a pressão de ganhar fazem com que as beyblades fiquem ainda mais pesadas e impossíveis de controlar, enquanto confiança e o sentimento de lutar pelo prazer de lutar as tornam mais leves e mais fortes. Quando meu Mestre abandonou a pressão do sucesso ele não só recuperou a nossa ligação como também encontrou a chave para controlar a nova beyblade.

Toshihiro sorriu ao ouvir novamente a voz de Fenku falando com ele. Era isso que o leviathan estava querendo dizer, agora ele sabia. Enquanto o monstro sagrado falava, o chinês trançado permaneceu em silêncio escutando tudo atentamente. Como Ken não tinha conhecimento da voz que só falava com seu amigo e ninguém mais ele logo irritou-se com a falta de uma resposta:

- Hey, vai responder ou vai ficar aí sonhando acordado pelo resto do dia? Nós precisamos saber o que o grande Demônio Aquático Chibi fez que nós beybladers incompetentes não fizemos se quisermos nos dar bem e chutar a bunda do Umeragi-baka daqui a duas semanas! Você se importa de responder a minha pergunta agora?

- Ah... desculpa, Ken... eu estava ocupado...

- Ocupado com o que? Ocupado ouvindo as vozes da sua consciência te parabenizendo por seu grande feito? Ah... claro...

O tom de voz de Ken era zombeteiro, enfatizando o quão ridícula a idéia soava em sua mente. Se o garoto soubesse o quão próxima da verdade estava sua piada, entretanto, ele provavelmente teria permanecido calado.

- Em todo caso... – Toshihiro retomou a palavra antes que as divagações de seu amigo tomassem um rumo realmente absurdo. – O que eu fiz foi... ter confiança, eu acho...

- Todos nós temos confiança! Essa explicação não vale! – Retrucou Ken.

- Não... eu quis dizer... confiança sem pressão... sem aquele sentimento de obrigação que acaba fazendo a gente esquecer o quanto a gente realmente gosta do beyblade. Quer dizer... me parece que essas beyblades foram feitas para reagir aos nossos sentimentos, ficando mais pesadas quando pensamos em algo negativo e mais leves quando nossa mente fica livre de preocupações e só se preocupa em aproveitar o momento. Estou certo, Takashi?

Com quatorze pares de olhos voltados para ele, Takashi abriu e fechou a boca algumas vezes antes de encontrar uma resposta à altura. A verdade é que quando Keiko explicara para ele a teoria por trás das novas beyblades – entre gritos histéricos e gargalhadas medonhas de triunfo – o garotinho estava tão cansado e tão sonolento que sua capacidade de compreensão ficara debilitada, impedindo-o de entender tudo que sua mãe falava e que ele deveria ter repetido aos amigos antes de entregar as beyblades e deixar que elas destruíssem o pátio dos Yuy. Seu orgulho havia impedido que ele admitisse isso, no entanto, e não seria agora que ele o faria:

- Ah, sim, certíssimo, Toshihiro! Certíssimo! Só mesmo o meu compatriota para desvendar os segredos das beyblades! Eu sabia que podia contar com você! – As exclamações de Takashi foram acompanhadas de gargalhadas quase histéricas e um pouco nervosas, afinal de contas ele não fazia idéia do que estava falando, porém felizmente para ele ninguém pareceu perceber.


Enquanto os demais Taichi, orientados por Toshihiro, tentavam controlar suas novas beyblades, Takashi chamou os demais para mostrár-lhes a segunda maleta. As últimas sete beybladers eram aparentemente normais, ao menos com relação ao seu tamanho e peso. Duas eram prateadas, diferentes apenas na cor dos detalhes pintados no anel de ataque – azul ou verde – e uma outra era bronzeada com detalhes prateados. Não havia dúvidas a quem essas três beyblades pertenciam, por isso os Kita no Ookami não quiseram esperar por Takashi para se apoderar de seus novos peões.

- Elas parecem bem normais pra mim. Depois de todo o auê com a beyblade do Shinji eu esperava um pouco mais desta aqui... – Resmungou Osamu, brincando com a nova beyblade entre seus dedos. – Será que só isso vai ser suficiente?

- Se eu fosse você tomava mais cuidado com as palavras, Aokami-kun. As aparências enganam, eu não acho que você queira ser mais outra vítima da vergonha e humilhação que é ser vencido pela própria beyblade. Não estou certo?

Takashi e Osamu se encararam por alguns tensos segundos antes de Lily os interromper, apontando para as demais beyblades na maleta, cujos donos ainda permaneciam desconhecidos. O chinesinho diminuto aproveitou muito bem sua chance de produzir outro discurso inflamado de palavras complicadas para enaltecer o trabalho árduo e incessante de sua valorosa genitora e sua exuberante habilidade de produzir pequenas engenhosidades escondidas na simplicidade das coisas comuns. Os gêmeos Motomiya e Hehashiro ficaram a ver navios enquanto Lin, Lily e os Soldier of Russia acompanhavam as palavras do garotinho não muito certos se deveriam rir ou se impressionar com a amplitude do vocabulário da criança de apenas oito anos e meio de idade. Por fim, Hehashiro ganhou uma beyblade azul-turquesa com um anel de ataque cheio de dentes, Nathaliya recebeu uma beyblade vermelha e dourada que queimava só de encostar, Vladmir ficou com a beyblade negra com detalhes azulados e Isaac foi presenteado com uma beyblade azul-bebê e branca de aspecto congelante.

- O que essas beyblades fazem? – Perguntou Lily, a única a não receber uma beyblade. Como ela não havia lutado contra Jing Mei, Roufe ainda permanecia intacto, por isso ela não pensara em substitui-lo.

- Bem, elas podem não ser fisicamente especiais como as dos nossos outros amiguinhos, mas elas foram feitas para se adaptar às suas características e ao seu estilo de luta. Se a regra de "quanto maior a sincronia, maior a força" for verdadeira, o poder de vocês deve aumentar consideravelmente...

- O que estamos esperando? Vamos ver se o que o Takashi falou é mesmo verdade!

Nathaliya não esperou por nenhum tipo de sinal antes de colocar a nova Ciesel no lançador e disparar com toda a força que possuía. A beyblade se chocou contra a parede, iniciando um pequeno incêndio na madeira envelhecida que se apagou depois que a russa o encarou por alguns segundos, como se obedecesse ao seu comando. No chão, o peão passou a descrever círculos cada vez mais velozes, deixando um rastro de chamas por onde passava. Nathaliya sorriu ao ver os queixos de seus amigos e companheiros visivelmente distendidos.

- Wow, Nathaliya... Isso é incrível! – Exclamou Isaac, com o olho vidrado nos movimentos do peão ardente. – Você é incrível! – Apesar de seu entusiasmo, Isaac não ousou se aproximar da garota, em caso de o fogo não estar apenas em volta da beyblade.

- É, eu sei! – A russa alargou seu sorriso, piscando levemente para o companheiro. Isaac tentou sorrir de volta, mas percebeu que encarar a amiga havia se tornado uma tarefa muito mais difícil agora que seu próprio rosto parecia repentinamente envolto em chamas. Sentindo algo muito parecido com vergonha e timidez, ele baixou o rosto e passou a encarar a nova Comulk, sua primeira beyblade que não tinha nada na cor verde.

Enquanto isso os Kita no Ookami também resolveram testar suas beyblades. Os gêmeos Motomiya soltaram vivas quando suas beyblades dispararam feito raios pelo pátio, quase invisiveis aos olhos destreinados da maioria de seus amigos. A comemoração dos dois foi interrompida, porém, quando verdadeiros raios caíram bem perto deles, conseqüência do lançamento de Lin. A garota sorriu com sua calma característica enquanto os dois reclamavam dos perigos que tempestades descontroladas como aquela poderiam causar.

- Oh, mas vocês não vêem? A tempestade não é descontrolada, eu sei exatamente onde cada raio vai cair... – Como se para reforçar sua fala, um novo raio caiu perigosamente perto do pé esquerdo de Kazuo. – Tudo está perfeitamente sob controle, certo, Nathaliya-san?

Nathaliya – que até então evitara falar diretamente com Lin por culpa de sua proximidade com Vladmir – encarou a garota atentamente por alguns segundos antes de responder, inconscientemente procurando por algum sinal de zomberia ou ciúme ou falsidade ou qualquer coisa do tipo. Apesar de não demonstrar abertamente, sua opinião sobre Lin não era das melhores, e em nome do bom trabalho de equipe ela não pretendia torná-la pública. Não encontrando nada além de boas-intenções, entretanto, Nathaliya se viu forçada a concordar:

- Exatamente. – E para reforçar sua resposta, uma pequena torre de chamas irrompeu de Ciesel, queimando por alguns segundos antes de desaparecer. – Nós estamos no controle, e ao contrário da minha irmã e do resto dos Taichi, não precisamos de treino extra pra isso. Será que isso significa que agora podemos finalmente vencê-los e recuperar o posto de campeões mundiais?

- A idéia não é má... – Ponderou Vladmir, examinando sua nova beyblade sem olhar para a companheira. – Nós podemos ser totalmente cretinos e anti-esportivos agora e aproveitar que nossos grandes rivais do passado parecem ter temporariamente esquecido como se lança uma beyblade para recuperar a nossa glória e poder supremo. – os olhos de Vladmir finalmente encontraram os de Nathaliya, e a russa ficou surpresa quando uma sensação muito parecida com a que Isaac sentira instantes antes se apoderou dela e de suas bochechas. Desde quando o fato de seu colega de time concordar com ela acarretava esse tipo de reação? Vladmir continuou a falar, aparentemente alheio aos efeitos de suas palavras em sua amiga. – Nós deveríamos ter pensado nisso antes. Vamos vencer os Taichi, dominar o mundo e usar nosso novo poder para vencer o Umeragi. É perfeito, realmente.

Isaac, Takashi, Hehashiro e Lin riram. Nathaliya os imitou pouco depois, quando percebeu que o colega não estava mais falando. Osamu e Kazuo permaneceram sérios estudando os demais com atenção enquanto tentavam entender exatamente qual era a piada.

Vladmir foi o próximo a testar sua beyblade. Quase imediatamente após o lançamento, uma fina chuva começou a cair sobre os beybladers, apesar do céu claro e sem nuvens a cima deles. O mestre de Castil ergueu uma sobrancelha e a chuva se tornou mais forte. Do outro lado do pátio Ken abriu a boca para protestar, mas quando terminou de gritar a primeira palavra já não havia mais nenhum sinal de água caindo do céu. O japonês de franja aloprada piscou e abriu e fechou a boca várias vezes antes de resmungar alguma coisa sobre "aquecimento global" e "tempo maluco" e voltar a se concentrar no treino.

Isaac sorriu com pena do irmão e lançou sua beyblade em seguida. Mal Comulk encostou no chão, todas as superfícies molhadas pela chuva de Castil ficaram cobertas de gelo, incluindo os beybladers. Ken foi apenas o primeiro a gritar e a reclamar desta vez, já que Isaac estava se divertindo demais vendo tudo congelado para se preocupar em descongelar. Nathaliya teve que usar sua beyblade para fazer tudo voltar ao normal.

- As novas beyblades de vocês parecem interessantes. Pena que, já que Kufe não está aqui, minha beyblade provavelmente não vai fazer coisas legais assim... – Hehashiro examinava sua beyblade, não muito certo se deveria ou não lançá-la. Olhar para onde deveria estar seu bit-chip provavelmente lhe causaria uma sensação muito ruim se em seu lugar não estivesse uma caricatura muito feia – e por isso extremamente cômica – de um peixe dentuço que o líder dos The Strongest imaginou que fosse o jeito de Takashi de dizer que Kufe ainda estava com ele de alguma forma. Era um tanto difícil sentir-se triste com a ausência de seu monstro sagrado quando seu abdômen se contraía em risinhos bestas cada vez que ele olhava para o desenho.

- A idéia é, assim como no caso de Yoshiyuki e Ueno-san, não pensar de um jeito tão negativo. Pense que, quando a sua fera-bit estiver de volta, vocês vão ter o poder de inundar uma cidade se quiserem! – Respondeu Takashi, aproximando-se de Hehashiro e dando um leve tapa na base de suas costas. Mesmo com o líder dos The Strongest medindo menos de 1,60m, Takashi ainda era mais de meio metro menor do que ele, o que o impedia de realisar seu objetivo inicial de dar um tapinha amigável e confortante nas costas, próximo ao ombro do amigo. Hehashiro sorriu com o jesto, porém, ignorando esse pequeno contra-tempo. Takashi estava certo, era apenas uma questão de tempo até Kufe estar de volta ao seu lado.

A tarde terminou sem que os Taichi, Yoshiyuki e Shinji tivessem feito algum progreso significativo com as novas beyblades, e com os demais beybladers divertindo-se com as tentativas de seus amigos de provar o contrário. Apesar da destruição em seu quintal, Yukio Yuy sabia que não tinha outra escolha se não acolher os amigos de seus netos todos os dias pelas próximas duas semanas se quisesse ver Ceres de volta, por isso ele não pôde fazer nada quando Yoshiyuki se despediu de todos eles promentendo mais diversão e mais chocolate no dia seguinte. Em apenas um dia de treino sério a casa já havia sofrido danos consideráveis. Se as coisas continuassem desse jeito, a construção que resistira a quatrocentos anos de chuvas, tempestades, incêndios e cupins corria o risco de finalmente sucumbir nas mãos de uma dúzia de crianças com beyblades.


Para alegria de Yoshiyuki e Takashi, Satsuki estava de volta no dia seguinte. Ela abraçou Takashi e agradeceu pela nova beyblade, a qual ela havia testado em casa e tinha certeza de que não demoraria a dominar. Na noite anterior ela, Rumiko e Nathaliya haviam treinado por algum tempo quando as irmãs vieram lhe trazer a beyblade nova, parando apenas quando Fujita Shirozaki, o vizinho velho e ranzinza dos Higurashi, apareceu para encomodar os Kinomoto. Depois de cumprimentar Takashi, a loira CDF cumprimentou os Kita no Ookami, Hehashiro e Lily, e encarou o chão ao se dirigir, rápida e friamente, a Koichi e seu irmãozinho feliz. Os irmãos se entreolharam, primeiramente decididos a não fazer nenhum comentário e confiando que Satsuki acabaria falando com eles sobre o que quer que fosse que a estivesse perturbando quando chegasse a hora.

Os beybladers decidiram treinar em duplas dali para frente: novas beyblades não-dominadas contra novas beyblades já-dominadas. Lily e Takashi seriam os responsáveis por fazerem anotações. Rumiko e Nathaliya, Toshihiro e Hehashiro, Ken e Isaac, Shinji e Lin, Koichi e Osamu, Yoshiyuki e Kazuo e Satsuki e Vladmir se espalharam pelo pátio e lançaram suas beyblades. Dois minutos depois, apenas metade delas continuava girando, sem que as beyblades tivessem necessariamente entrado em contato.

- Essa vai ser uma longa tarde... – Suspirou Takashi, observando como as beyblades de Rumiko, Ken, Koichi e Satsuki pareciam pequenos pesos de chumbo caídos no chão e as beyblades de Yoshiyuki e Shinji novamente encontraram no lago sua única barreira intransponível.

De fato, alguns progressos foram feitos, mas no fim do dia ainda faltava muito para os beybladers atingirem qualquer tipo de controle satisfatório. Satsuki, que na noite anterior demonstrara ter mais controle do que Rumiko, de repente passou a ficar pior do que Ken. Sua performance foi a pior do dia, principalmente quando ela percebia que Koichi ou Yoshiyuki a observavam. Toshihiro foi o único a conseguir algum progresso, se divertindo ao derrotar o irmão mais velho e mostrando uma pequena parte do poder das novas beyblades.

Ao longo da semana, felizmente, a prática começou a mostrar resultados. Rumiko foi a primeira a quase chegar ao nível de Toshihiro, surpreendendo Nathaliya em uma luta no quarto dia de treino. A garota ficou tão feliz ao finalmente ganhar uma luta depois tantas derrotas humilhantes que se juntou a Yoshiyuki em uma pequena comemoração regada a chocolate e não treinou mais pelo resto do dia. O líder dos Soldier of Russia ainda estava longe de controlar a pequena beyblade super-veloz, mas ele não precisava de um motivo para comer chocolate, ainda mais quando os treinos estavam se tornando cada vez mais estressantes com Kazuo vencendo-o sem precisar lutar e se gabando disso chamando-o de bebê. Koichi teria feito alguma coisa quanto a isso se não se encontrasse em uma situação parecida contra Osamu – com a diferença de que o gêmeo de cabelo azul não o chamava de bebê a cada derrota. Ken foi o terceiro a conseguir vencer seu oponente, quase literalmente fritando a beyblade de Isaac na quinta-feira. No sábado, depois de uma semana treinando, até mesmo Koichi havia conseguido algum avanço, embora ainda não o suficiente para derrotar a beyblade super-rápida do mestre de Ofran. Apenas Yoshiyuki, Shinji e Satsuki ainda não haviam apresentado nenhum tipo de progresso.

No domingo, Shinji e Yoshiyuki finalmente conseguiram alguma coisa. Como previsto, os pequenos peões não poderiam ser controlados como beyblades comuns sem a ajuda de uma fera-bit. As beyblades feitas por Keiko não eram beyblades comuns, contudo, e a prática trazida por uma semana de destruição desenfreada fez com que os dois líderes conhecessem melhor o "estilo" dos peões e atingissem o estado de mente adequado para controlá-los, um estado de concentração semelhante ao atingido pelo lutador em perfeita sincronia com sua fera-bit, porém sem a fera-bit per se. Os dois reconheciam que era complicado demais explicar exatamente que estado mental era esse, por isso se contentavam em se concentrar na luta e tentar não se gabar muito de coisas que ninguém entendia.

- Hey, Nii-chan! Nii-chan! Eu consegui! – Exclamou Yoshiyuki assim que sua beyblade não saiu girando desgovernada após um lançamento. O garotinho ficou tão feliz que voltou correndo para dentro de casa apanhar mais uma barra de chocolate tamanho família. Ele pensou em chamar Satsuki para comer com ele, mas como a loira CDF não parecia em seu melhor momento tentando fazer Flamelus se mexer contra a beyblade de Rumiko, o garotinho acabou convidando seu parceiro de treino, Kazuo, para dividir seu lanchinho. O garoto de Hokkaidou pareceu meio relutante inicialmente, mas acabou aceitando quando as insistências de Yoshiyuki tornaram-se mais e mais irritantes – ao menos para ele, já a maioria das pessoas provavelmente acharia o garotinho muito fofinho – a cada nova recusa.

- E então, você gosta de chocolate? – Perguntou Yoshiyuki para Kazuo enquanto os dois sentavam na grande árvore do pátio observado seus irmãos lutarem. Como o controle de Koichi estava aumentando, estava ficando difícil para Osamu manter sua vantagem.

- Não costumo comer muito, mas até que não é ruim. – Respondeu o garoto de Hokkaidou.

- A companhia também não é ruim, né? – Kazuo encarou Yoshiyuki com a sobrancelha erguida. Não estava muito claro se o garotinho se referia à companhia de todos durante a semana de treino ou se apenas ao momento de comer chocolate. As porteirinhas na boca do garotinho eram tantas que sua dupla não conseguia imaginar como ele fazia para comer o chocolate em primeiro lugar. Primeiramente, seu sorriso brilhante e sempre-presente era irritante, era difícil acreditar que alguém conseguia sorrir em meio a tantos problemas. E o fato de Yoshiyuki ter apenas seis anos de idade não ajudava. Entretanto, depois de um minuto sentado em companhia do garoto comendo uma barra tamanho família, sua opinião sobre Yoshiyuki mudou pelo menos um pouco:

- É... podia ser pior. – O sorrisão do garoto gênio provocou um pequeno sorriso quase imperceptível em Kazuo, do tipo que não se mostrava a mais tempo do que ele podia se lembrar. – Olha só, se nós voltarmos a treinar agora, você pode tentar enfrentar o Shinji e ver se consegue ajudá-lo a chegar em algum lugar...

- Isso! Eu posso ajudar o Ueno-chan! – Dizendo isso, Yoshiyuki ficou de pé em um salto, enfiando o resto da barra de chocolate na boca e correndo até onde Shinji treinava com Lin. – Hey, Ueno-chan! Eu descobri o segredo das nossas beyblades! Vamos lutar juntos que eu quero te mostrar algumas coisas!

Koichi e Osamu pararam de treinar para se juntar a Kazuo e Lin e assistir Yoshiyuki e Shinji lutando. O garoto gênio estava mais animado do que nunca gritando instruções com sua voz meiga e infantil que não deveria passar autoridade para alguém com o passado dos Kita no Ookami, mas que Shinji obedecia sem questionar mesmo assim. Em pouco tempo não era apenas Yoshiyuki que estava sorrindo e se divertindo com os novos progressos.


Com o começo promissor da última semana de treinos, parecia que os últimos cinco dias antes do desafio se seguiriam com mais avanços animadores, porém três dias se passaram antes que Koichi pudesse finalmente controlar todo o poder de Fenhir e até sexta-feira, o último dia de treinos, Satsuki ainda precisava fazer Flamelus ficar girando por mais de dois segundos. A essa altura do campeonato já estava claro para todos os beybladers que alguma coisa estava encomodando a loira CDF, e doze em quatorze deles apostavam que essa "coisa" tinha mais a ver com os irmãos Yuy do que com a nova beyblade. O que quer que fosse estava impedindo que a garota pudesse realmente se concentrar em sua tarefa. Como ao final do dia na hora de todos voltarem para casa Flamelus ainda não estava nem perto de ter condições de lutar no dia seguinte, Yoshiyuki acabou convencendo a amiga a ficar mais algum tempo com eles treinando. Satsuki não pareceu gostar muito da idéia, mas Yoshiyuki conseguiu convencê-la mesmo assim.

- Quando você estiver pronta, Satsuki. – Declarou Koichi, preparando Fenhir para o lançamento. O trio estava novamente no quintal, treinando sob o luar de uma noite sem nuvens. A garota já estava com Flamelus pronta, mas se recusava a encarar seu adversário ou qualquer outra coisa que não fosse o chão.

- Então eu...

- Eu não me refiro só ao beyblade. – A fala inesperada fez com que a garota inevitavelmente encarasse o líder de sua equipe com uma expressão de dúvida. – Você sabe que tem capacidade para fazer Flamelus lutar de verdade se você quiser, Satsuki. Tem alguma coisa a mais te encomodando, e eu gostaria de saber o que é. Se não pelo fato de eu estar preocupado com você, então pelo fato de que se isso te impedir de lutar amanhã nós talvez nunca possamos recuperar as feras-bit perdidas.

- Você está preocupado comigo? – O rosto da loira corou, e Yoshiyuki escolheu exatamente esta hora para se aproximar.

- Nós todos estamos, Nee-chan! Em que mundo você vive? Todo mundo reparou que a Nee-chan estava estranha desde antes de a gente se reunir pra treinar! Pensando bem... a Nee-chan não parece a Nee-chan desde... desde... desde aquele dia que o Nii-chan te levou pra casa! – Os olhos do garotinho se iluminaram como nunca com essa nova conclusão, que abriu caminho para uma teia de raciocício muito interessante em sua mente. – O que vocês dois fizeram quando eu não estava vendo? O Nii-chan disse alguma coisa que você não gostou? Aconteceu algum momento estranho? Silêncio constrangedor? Toques inapropriados? Beijinhos proibidos? Conversas...

- Chega, Yoshiyuki. Eu só levei a Satsuki até a estação. – Apesar de achar que Yoshiyuki estava exagerando um pouco, Koichi concordava que Satsuki estava agindo estranha desde o dia seguinte à caminhada até a estação. Alguma coisa deveria ter acontecido entre a viagem de trem e a mensagem deixada no telefone no dia seguinte. Pensar em certas possibilidades para acontecimentos neste intervalo de tempo faziam seu sangue ferver. – O que aconteceu depois?

- Não aconteceu nada. – Disse a garota, em um tom que deixava evidente o contrário. – Nada.

- É claro que aconteceu, Nee-chan! Por que outra razão você perderia a concentração durante os treinos e ficaria semanas sem nem falar direito com a gente? Pode dizer, a gente não vai ficar brabo! E vamos te dar chocolate quente pra te animar se você quiser!

Satsuki suspirou. A última coisa que ela queria era ter de falar do misterioso homem que acompanhara para casa. Depois do primeiro pesadelo, outros parecidos se seguiram, aumento seu medo de que Koichi passaria a odiá-la caso ela confeçasse. A garota mordeu o lábio inferior, olhando para a porta imaginando se conseguiria correr até lá antes de Koichi alcançá-la. O garoto estava perto de mais, fugir estava fora de questão. Ela ficou em silêncio por um período consideravelmente longo de tempo antes de voltar a falar:

- Koichi, você sabe que eu jamais ia te trair, não é? – Perguntou ela de repente, encanrando o líder diretamente. Seus olhos esverdeados estavam marejados, as imagens do encontro com o ruivo misterioso mais vivas do que ela gostaria em sua mente. – Você não precisa me odiar por isso... eu não fiz nada pra você não gostar mais de mim, então... eu juro... por favor...

- Satsuki, do que você está falando? – Koichi segurou a garota pelos ombros, confuso e um pouco preocupado. A voz de Satsuki tornava-se mais aguda a cada frase, e suas palavras faziam cada vez menos sentido. Yoshiyuki, que estava na cozinha preparando duas xícaras de chocolate quente, voltou ao ouvir as exclamações desesperadas, abraçando a loira pela cintura.

- Me promete que você nunca vai me odiar, Koichi? Promete?

A resposta de Koichi não veio imediatamente. Não porque ele não sabia o que responder, mas porque seu cérebro estava tentando processar todas as coisas ditas por Satsuki para tentar entender o que esse pedido significava. A garota estava com medo que ele por alguma razão passasse a odiá-la. Alguma coisa havia acontecido naquela noite, e as exclamações confusas da loira sugeriam algo relacionado a traição. Koichi se lembrou de Jing Mei e como a garota insistia em avançar indevidamente para cima dele. A possibilidade de algo parecido ter acontecido com Satsuki não era improvável. Se fosse esse o caso, ele provavelmente entendia como ela se sentia. E entendia sua relutância em contar. Afinal, ele também estava mantendo seu segredo.

- Você não precisava esperar duas semanas para me perguntar isso, Satsuki. Eu não vejo como eu poderia de repente odiar uma das pessoas mais importantes pra mim, independente de qualquer razão que você esteja escondendo. – Os dois irmãos estavam abraçados à garota agora, e Satsuki sentiu seu corpo inteiro esquentar com o calor vindo deles. – Todos cometemos erros de vez em quando. E nos arrependemos, e nos levantamos e continuamos a vida. E eventualmente vamos errar de novo, mas isso faz parte do processo. Eu aprendi isso do jeito mais difícil, não esperava que você tivesse problemas com isso também.

- Não tenho mais.

O sorriso banguela de Yoshiyuki atingiu proporções inimagináveis quando os rostos de Satsuki e seu irmão vagarosamente se aproximaram. Ele podia praticamente ouvir a música romântica tocando no fundo – ou talvez Aleluia – e os passarinhos e os sinos e...

- Yoshiyuki, você não tinha trazido chocolate para a Satsuki?

A carinha fofinha do menino gênio não combinava em nada com as palavras nem um pouco amistosas que saíram de sua boca enquanto ele era forçado a dar as costas ao par para recuperar as xícaras que ele deixara no meio do caminho ao correr para abraçar a loira. Ao voltar para perto do casal, os dois estavam treinando novamente, ambas beyblades perfeitamente controladas. O garotinho sentou-se fazendo um beicinho fofinho, decidido a se vingar de seu Nii-chan malvado que não queria que ele presenciasse o que poderia muito bem ter sido um grande beijo apaixonado de cinema. Sua mente de criança de quase sete anos ficaria para sempre imaginando o que realmente havia acontecido entre eles, pois tanto Koichi quanto Satsuki se recusaram a responder suas perguntas a esse respeito.

Satsuki dormiu feliz e tranqüila no quarto de hóspedes. Koichi não estava brabo, Flamelus estava sob controle, tudo estava dando certo apesar dos contratempos. Naquele momento o grande desafio do dia seguinte para recuperar Ceres e as outras feras-bit não parecia mais tão complicado, o misterioso ruivo não mais a perturbava e o mundo era perfeito, ao menos por uma noite.


Eram sete da manhã quando os últimos beybladers tocaram a campainha da mansão Yuy. A ansiedade causada pela proximidade do confronto final fez com que até mesmo Rumiko e Ken acordassem cedo sem dificuldades. Todos os beybladers estavam usando os uniformes de suas equipes neste dia, como se para realçar o fato de que eram todos parte de um time unidos contra o grande inimigo. Ninguém fez nenhum comentário sobre o fato de Satsuki ter dormido por lá, ou sobre sua gritante mudança de personalidade literalmente "da noite para o dia". A Satsuki que todos conheciam estava de volta, ninguém tinha motivos para reclamar.

Um telefonema avisou que em meia hora alguém buscaria o grupo e os levaria para a mansão onde aconteceria o desafio. Imaginando que isso significava que Umeragi mandaria um de seus empregados fazer o trabalho, os beybladers ficaram surpresos quando ouviram a voz do próprio Umeragi saindo do banco da frente da grande van estacionada na frente da casa no horário combinado:

- Tudo bem, Tanaka. Deixe que eu mesmo vou cumprimentá-los.

A porta se abriu, revelando um Makoto Umeragi de sorriso triunfante e sinistro. O garoto desceu do banco e limpou a sujeira imaginária de suas calças, caminhando em seguida na direção do grupo de beybladers cada vez mais perplexos e confusos. Ele parou de frente para Koichi, estendendo-lhe a mão. De pé, lado a lado, os dois líderes não eram muito diferentes, apesar de Umeragi ser cerca de cinco centímetros menor.

- Bom te ver novamente, Yuy. É melhor se prepararem, pois essa vai ser uma longa viagem. Não se preocupem, a van é confortável e vocês podem pedir para parar e se aliviar a hora que quiserem. A pressa é toda de vocês, afinal.

Koichi não apertou a mão do rival, nem o encarou com a perplexidade e confusão refletida na maioria dos seus companheiros – apenas Shinji parecia ser outra exceção. O olhar de Koichi estava carregado de desprezo, mas Umeragi pareceu não notar. Uma vez que estava claro que o líder dos Taichi não diria mais nada, ele virou as costas para o grupo e voltou para seu lugar na van, indicando que os outros deveriam segui-lo.

O carro deu a partida, a mansão Yuy não demorou a sumir atrás deles. O grupo seguiu em frente, imaginando o que os esperava na mansão desconhecida, que tipos de desafio Umeragi havia preparado para eles. Com as feras-bit em jogo, imaginar como seu inimigo podia estar andando normalmente quando há duas semanas atrás permanecia preso a uma cadeira de rodas não deveria ser sua principal preocupação. Mesmo assim, a imagem do garoto caminhando, com seu sorriso malicioso bem visível em sua face assombrou os beybladers durante bom parte da viagem. Se Makoto Umeragi foi capaz de reaprender a caminhar em duas semanas, o que mais ele podia ter preparado neste tempo para recebê-los?


Mais uma nota do Takashi: Pra quem não sabe, eu agora tenho 13 anos. É meu aniversário e por isso eu adoraria que vocês me mandassem reviews de presente.

Jamie acabou de me dizer que o dia de hoje não é importante só por causa do meu aniversário. Parece que algo fundamental para o enredo da fase 3 aconteceu hoje. Obviamente ele se recusou a nos dizer o que era...

Será que tem alguma coisa a ver com a Satsuki não ter ido na minha festa?

Bem, vou deixar vocês especulando e tentando adivinhar o que acontece em 2024.

Boa sorte a todos e feliz aniversário pra mim!

(O off-talk vai estar de volta quando o capítulo for finalmente completo. Se bem que, tendo uma pessoa tão inteligente e especial como eu fazendo comentários, eu naõ acho que vocês se quer sentiram falta das doideiras do off-talk)

Takashi Yadate, agora com 13 anos e 1,23m


EDIT IN 20-12-2008:

Nota do Ken que também não é exatamente uma nota: Uh... finalzinho sinistro, né? Agora sim as lutas vão começar pra valer!

E vocês viram como a minha nova beyblade é incrível? Eu aprendi a controlar o novo Fenrochi primeiro que o Koichi (Tá bom que todo mundo cansou de me dizer que isso foi porque o Koichi tem muito mais preocupações e pressões do que eu e que já era de se esperar que eu aprendesse a me divertir sem pressão porque é só isso que eu faço normalmente... mas eu mereço poder me gabar no dia do meu aniversário, certo? Então vamos dizer que a minha habilidade superior foi o que me fez humilhar o Koichi naquela vez!)!

E, claro, tem o fato do Umeragi-baka estar andando de uma hora pra outra, dos gêmeos babacas ficando amiguinhos do Yoshiyuki, e da Satsuki...

Ah, quer saber, vamos falar do que interessa! Do meu grande, brilhante e estupendo aniversário! Eu vou tentar ser rápido porque nós temos que sair. O Isaac já disse – o tal concerto de natal. Sabe que eu to até me acostumando com música clássica e instrumental? Eu costumava dormir durante o concerto inteiro, mas agora eu consigo passar os primeiros quinze minutos acordado! Acho que eu não fui feito pra música sem letra (e o Issac provavelmente diria que eu não fui feito pra música com letra também, porque eu sou completamente desafinado e não canto no tempo certo e blá blá blá de músico).

Eu passei o dia lutando beyblade. Depois que o Isaac foi embora com a namorada dele (bleeeergh!!! .) eu e o resto do pessoal fomos para a casa do Toshihiro lutar beyblade (na verdade o Koichi também teve que sair... trabalho ou coisa assim. O Koichi ficou responsável demais pra participar de pequenas festinhas depois que ele entrou pra polícia...). Agora que o Hehashiro tá aqui e tá ganhando uma grana preta com o trabalho dele (que trabalho que é eu ainda não posso dizer, exatamente como a identidade da namorada do Issac. Vocês precisam viver com isso e mandar mais reviews pro Jamie-baka ficar mais entusiasmado e terminar logo a história se vocês quiserem saber sobre isso logo) os Urameshi moram numa senhora casinha...

Bem, de qualquer jeito, quando o Isaac me abandonou pra se divertir com a garota foguinho nós praticamente destruímos o quarto do Toshihiro com as nossas beyblades. Depois nós ficamos babando com a Lhana um pouquinho e aí eu e o Takashi voltamos para a minha casa pra planejar umas travessuras para o natal e ano novo antes de o Isaac aparecer e deixar todo mundo irritado com o nervosismo pré-concerto dele. Normalmente as pessoas ficam nervosas pensando que elas podem errar e fazer alguma besteira numa apresentação, mas o meu irmãozinho, sendo o poço de modéstia musical que ele é (tipo eu e o beyblade, sabe como é – mal de família), se preocupa se os outro vão errar e estragar o espetáculo dele. A gente aprendeu a ignorar isso agora, mas no começo era um saco. E eu e o Takashi continuamos melhores amigos, apesar de eu estar fazendo 17 e ele ter só 13. O Isaac diz que isso é porque eu no fundo tenho a idade mental de 13 anos também. Vai ver que é verdade. Eu me orgulho disso. =DDD

E agora eu estou aqui, correndo contra o tempo para não sair atrasado para a grande noite do meu irmão – que também deveria ser minha. Eu, Isaac, mamãe, papai, Nikyo, Mikyo e a namorada misteriosa (oh, como eu quero contar quem ela é!!!) vamos sair agora! Aproveitem o resto da noite e não esqueçam de nos mandar um grande review cheio de elogios para o par de gêmeos mais phodônicos dessa fic!

E lá vou eu para duas horas de músicas sem letras (se bem que, como é natal, eu acho que pelo menos algumas vão ter letra)... espero que eu não durma, eu VOU ficar 24 horas acordado custe o que custar!

Para o infinito e além! Ken Urashima agora tem 17 anos! E quer presentes de aniversário! ò.ó

OWARI