Nota do James: Feliz ano novo, pessoal! Aproveitem o capítulo! O próximo com sorte sai no aniversário da Rumiko! =D
CAPÍTULO XXXIII
SAIGO NO CHOUSEN
A viagem foi incrivelmete longa; o motorista parecia dirigir absurdamente devagar para que o tempo demorasse a passar. A van saiu de Tóquio e seguiu em uma rodovia movimentada rumo ao norte. Depois do que pareceram horas, ela virou a esquerda e entrou em uma estrada de terra batida escondida no meio do mato. Os beybladers, tensos, permaneceram em silêncio o tempo todo, até Umeragi tirá-los de seu transe:
- Oh, mas o que é isso? Estão todos tão calados... será que estão com tanto medo da minha engenhosidade que perderam o dom da fala? Ah, que pena... eu queria tanto ouvir suas exclamações assustadas e sussurros impressionados! Estou terrivelmente desapontado com vocês.
- Se está tão ansioso para falar, podia começar explicando como fez para sair andando por aí! – Exclamou Kazuo, desejando estar perto o suficiente de Umeragi para atingi-lo com algo mais do que palavras. Infelizmente para ele o banco do motorista onde o vilão se encontrava estava separado do resto da van por uma tela de plástico a prova de balas e um confortável assento de couro.
- Ora, ora, querido lobinho... Eu sinto muito, mas um mágico nunca revela seus truques. Ou deveria dizer "cientista"... – A estrada era irregular e cheia de curvas, fazendo com que os beybladers fossem sacudidos e jogados de um lado para o outro com relativa freqüência. Não era mais surpreendente o fato de Umeragi ser aparentemente imune a isso. – Mas você tem razão em dizer que eu estou ansioso para falar.
- E como você é o todo poderoso em controle da situação, não é como se pudéssemos te impedir... – Koichi revirou os olhos por trás da franja, um movimento invisível, mas que foi percebido por todos os presentes graças ao tom de suas palavras.
- Exatamente. – O sorriso de Umeragi aumentou consideravelmente. – Eu vou falar, e aconselho vocês a escutarem, pois o assunto é do seu interesse. – Uma curva excepcionalmente fechada jogou Rumiko contra o corpo de Toshihiro e lançou Ken ao encontro de Kazuo de uma forma nada delicada. Takashi e Yoshiyuki só não se moveram porque estava bem seguros no colo de Vladmir e Koichi respectivamente. – Nós estamos quase chegando na mansão especial da família Umeragi, que foi meticulosamente preparada para receber os "convidados de honra" de hoje. – Outro sacolejo, Hehashiro bateu a cabeça no vidro – A mansão tem um jardim na entrada. Um grande jardim, literalmente. Quando chegarmos, a van deixará vocês no portão. Faz parte do desafio conseguir atravessar o jardim para obter o direito de entrar na mansão.
- E o que vai estar esperando por nós no jardim? – Perguntou Hehashiro, um dos muitos a perceber que "atravessar o jardim" não deveria ser uma tarefa tão fácil quanto o nome sugeria.
- Nada demais, só o meu pequeno comitê de boas vindas. Nós precisamos saber se vocês são fortes o suficiente para nos enfrentar, eu não quero que esse desafio se torne uma grande perda de tempo para mim e o resto do meu time. Passem por eles e poderemos lutar para valer.
- Interessante... – Declarou Shinji, observando atentamente a paisagem ao redor. O mato estava alto, provavelmente abandonado, por isso não era possível ver nada além de verde pelas janelas da van. – Então a idéia é nos cansar antes da luta principal para que a equipe de vocês ganhe uma vantagem. Pra mim, não é uma questão de ver se nós merecemos lutar, mas sim uma questão de vocês estarem com medo de nós sermos mesmo mais fortes e não quererem correr riscos desnecessários. Típico.
Umeragi não respondeu, mas seu sorriso não se desfez. Menos de cinco minuto depois, a van finamente parou em frente a um grande portão de ferro.
Umeragi desceu da van e indicou que os demais beybladers deveriam fazer o mesmo. Enquanto isso, as magníficas portas de ferro, de pelo menos cinco metros de altura, se abriam vagarosamente, provavelmente controladas por controle remoto. Os Kita no Ookami, por possuírem uma audição mais aguçada, sentiram mais do que os outros quando o contato do metal do portão com o concreto do chão passou a produzir ruídos muito desagradáveis, semelhantes aos de unhas arranhando um quadro negro. Terminada esta primeira tortura, o "jardim" finalmente surgiu diante dos beybladers:
- Hey, mas isso é...
- Uma floresta! – Exclamaram Ken e Isaac, de queixo caído diante da imitação de floresta tropical até então escondida pelos muros e portão da mansão. As árvores eram imensas, de troncos grossos e folhas muito verdes. Era mesmo um grande jardim, literalmente.
- Esse é o meu jardim especial. Minha querida mãezinha costumava fazer experimentos aqui antes de decidir se atirar de um precipício em minha companhia. Ela gostava de plantas e sempre quis viver na selva. Esse lugar foi o mais perto que ela conseguiu chegar de uma. – Umeragi, que até então sorria satisfeito com as expressões perpléxas de seus rivais, voltou a ficar sério, estreitando os olhos em sinal de perigo. – Claro que, em se tratando de minha mãe, ela tomou cuidado para que a nossa floresta particular fosse muito melhor e mais interessante do que uma floresta comum.
- O que você quer dizer? – Perguntou Toshihiro, dividido entre seu amor pela natureza e a obrigação de ter que odiar o vilão que roubara a fera-bit de Hehashiro.
- Isso vocês terão que descobrir por vocês mesmos, eu não quero estragar a surpresa. Sigam em linha reta e com um pouco de sorte a mansão não vai demorar a aparecer. Au revoir! – E Umeragi entrou novamente na van, que logo desapareceu na mata. Havia uma pequena trilha marcada no meio da vegetação densa, e foi por ela que os beybladers decidiram seguir.
A idéia por trás da floresta era provavelmente fazer com que seus visitantes se sentissem como Gulliver em Brobdingnag, a terra dos gigantes. As árvores ao redor eram tão grandes que era quase impossível ver seu topo, e seus troncos eram tão grossos que nem mesmo todos os beyblades de mãos dadas poderiam abraçá-los. Alguns galhos poderiam servir de pontes, uma pessoa poderia andar confortavelmente sem perigo de queda em muitos deles. Para completar, quanto mais o grupo penetrava na floresta, mais seus habitantes não-humanos se faziam ouvir:
- E esse é provavelmente um bugio...
- Uma arara...
- Um pica-pau!
- Um cuco...
- Uma cascavel?
- Um tigre…
- Definitivamente uma onça dando bote. Coitada da vítima.
A cada novo animal identificado por Toshihiro, Rumiko apertava mais o braço do namorado. O futuro biólogo havia inconscientemente tomado a frente do grupo, ao lado de Shinji e Koichi e de Rumiko, permanentemente grudada em sua jaqueta. Os Kita no Ookami haviam se espalhado de modo a cercar o restante do grupo, atentos a qualquer movimento ao redor que pudesse denunciar o inimigo. Era por causa da sensação de segurança vinda dos quatro lobinhos que Toshihiro podia relaxar e aproveitar o passeio pelo "jardim".
- Nós estamos caminhando a bastante tempo e até agora nada aconteceu. – Comentou Shinji pouco depois de o mestre de Fenku ter acusado a presença de felinos selvagens na floresta. – Eu imaginava que, ao julgar pelo caráter nada confiável do Umeragi, essa floresta estaria cheia de armadilhas além do tal "comitê de boas vindas".
- Vai ver é só uma questão de tempo até...
Koichi não precisou terminar a frase. O quarteto da linha de frente foi obrigado a parar quando a floresta deu lugar a um barranco íngreme e fundo que mais parecia um abismo. Do outro lado, a cerca de cem metros de distância, a floresta continuava, dando a impressão de que o barranco havia sido montado especialmente para recebê-los. A única passagem era uma fina trilha embarrada com espaço suficiente para dois pés juntos e nada mais. Dos dois lados da trilha partiam declives de ângulos muito agudos compostos de lama e galhos quebrados de aspecto letal. O mínimo desequilibrio era capaz de resultar em uma descida nada delicada por centenas de metros até a base quase invisível do barranco.
- E aqui está a nossa primeira armadilha! – Exclamou Ken, se aproximando do quarteto para ver porque eles haviam parado. – Será que nosso equilíbro é bom o suficiente para passar pela estradinha diminuta? Oh, Umeragi-baka, seus desafios me encantam!
- Se alguém sair rolando barranco abaixo vai ser bem difícil voltar pra cima. É uma maneira de nos impedir de chegar à mansão com certeza. – Yoshiyuki se agachou, abrigando-se entre as pernas do irmão para observar a paisagem. Apesar das circunstâncias, o garotinho sorria, ansioso para se testar neste desafio.
Os beybladers fizeram fila para passar. Shinji se voluntariou para ser o primeiro, seguido de Yoshiyuki e Koichi. Rumiko foi encorajada a ser a próxima, de mãos dadas com Toshihiro. Hehashiro e Lily vieram logo depois, e atrás deles Takashi e Ken também andavam de mãos dadas. Osamu e Kazuo caminhavam com os olhos grudados na dupla de ouro, em parte torcendo para que eles caíssem, em parte se preparando para agir caso eles perdessem o equilíbrio. Satsuki e Nathaliya vinham depois, seguidas por Isaac e Vladmir. Lin fechava a fila.
Os três líderes passaram sem dificuldade. Em um minuto, Shinji e Yoshiyuki já estavam do outro lado. Koichi, apesar de estar perfeitamente equilibrado no caminho estreito, havia ficado para trás para dar uma segurança extra a Rumiko, que a cada novo passo entortava-se mais para manter o equilíbrio. O líder dos Taichi temia que Toshihiro, por estar segurando a mão da garota, acabasse se desequilibrando também, fazendo os dois caírem. Suas previsões se concretizaram mais ou menos na metade do caminho, quando Rumiko se balançou tão violentamente que o corpo de Toshihiro foi jogado para frente. No reflexo, Koichi segurou a cintura de Rumiko, estabilizando-a. Toshihiro, no entanto, já havia soltado a mão da namorada, e só não caiu porque seu irmão o segurou.
O problema era que, ao tentar segurar Toshihiro, quem se desequilibrou foi Hehashiro. Lily não conseguiu ajudá-lo, e os dois caíram, rolando barranco abaixo até não serem mais visíveis.
- HEHASHIRO!!! – O grito de Toshihiro penetrou como uma série de agulhas no corpo dos beybladers. Toshihiro ficou imóvel observando os corpos do irmão e da cunhada rolar pelo barranco sem conseguir parar, desaparecendo aos poucos cobertos pela lama que os impedia de reagir. De onde o mestre de Fenku estava era impossível saber se eles estavam machucados ou até mesmo conscientes. As mãos de Rumiko entrelaçadas na sua foi o que o impediu de ir atrás deles.
- Toshihiro, vamos. Nós precisamos continuar. – Lembrou Koichi, tentando ser o líder frio e pragmático de sempre. – Mesmo que um de nós vá atrás deles agora, vai ser impossível voltar. Nós precisamos seguir em frente se quisermos sair dessa floresta e enfrentar o Umeragi. – Como Toshihiro não deu sinal de querer se mover, Koichi acrescentou. – E o seu irmão é forte, eu duvido que uma pequena queda como essa possa causar grandes estragos. Nós vamos seguir em frente e assim que derrotarmos o Umeragi vamos exigir que ele ajude os dois.
- Você tem razão. Eles... eles vão ficar bem... – Toshihiro não parecia muito convencido de suas palavras ao recomeçar a caminhar. Desta vez, Rumiko estava de mãos dadas com Koichi, que não se desequilibrava mesmo com os inconstantes balanços da companheira.
O grupo terminou a travessia sem mais grandes problemas. Após uma última olhada no barranco, Toshihiro se apressou para seguir os demais no restante da jornada.
Dolorida e coberta de lama, a primeira coisa que Lily fez ao chegar no fundo do barranco foi procurar por Hehashiro. A garota havia por sorte desviado da maioria dos pedaços de troncos e pedras que poderiam causar grandes ferimentos durante a queda, terminando com nada mais grave do que alguns arranhões e hematomas. Seu corpo estava coberto de lama da cabeça aos pés, mas essa era sua última preocupação no momento.
Ao contrário da namorada, Hehashiro não tivera tanta sorte. Ao finalmente encontrá-lo preso em um emaranhado de galhos e folhas enlameadas, uma das primeiras coisas que Lily pensou foi no risco de infecção das inúmeras feridas do namorado em contato com a lama suja. Os outros pensamentos incluiam alívio por ter encontrado Hehashiro e obviamente horror ao constatar o estado de suas feridas. Havia cortes e hematomas por todo o corpo do jovem, a maioria visível apenas por causa do sangue que escorria por cima da lama. Hehashiro estava em um estado de semi-consciência que o permitiu sorrir para a namorada ao vê-la se aproximar, mas que o impediu de dizer qualquer coisa quando ela começou a libertá-lo e a tentar limpar suas feridas com um lenço milagrosamente limpo escondido no bolso de sua calça.
- Hehashiro, como você está? – Perguntou Lily assim que o trabalho de limpeza estava terminado. A garota mantinha o lenço prensado contra um corte particularmente grande na testa do namorado, que ainda sangrava um pouco. Em resposta, Hehashiro sacudiu a cabeça para indicar que estava bem. Ele estava aos poucos voltando a si, mas ainda sentia-se tonto e confuso (sem falar em dolorido), por isso não se arriscava a tentar falar. – Você precisa descansar, ok? Não faça nenhum movimento brusco. Deixe que eu cuido de tudo por aqui, ok? Com um pouco de sorte Toshihiro e os outros vão chegar logo na mansão e alguém vai vir nos tirar daqui.
- Vejo que você é bem otimista! Pena que seu desejo não vai se realisar!
Em estado de alerta, Lily procurou pela voz desconhecida. O espaço ao redor da base do barranco era uma floresta de bambus, muito diferente do ambiente a cima deles. A voz feminina vinha de algum lugar no meio das árvores, mas a garota não conseguiu encontrar sua dona. Ao invés disso, uma beyblade marrom surgiu do nada, errando por pouco o rosto de Hehashiro.
- Quem é você? Pare de se esconder e apareça para lutar! – Lily se levantou, preparando Roufe enquanto se colocava protetoramente em frente a Hehashiro. Não havia dúvida de que a dona da beyblade era parte do "comitê de boas vindas" de Umeragi, posicionada para cuidar daqueles que caíssem na primeira armadilha.
- Por que eu faria isso? A camuflagem é a minha especialidade, eu não posso abrir mão do meu melhor truque! – Retrucou a voz, seguida de uma gargalhada ácida. – Fui mandada para acabar com qualquer otário fraco que caísse do barranco. Eu até tinha esperanças de encontrar um adversário forte, apesar de desastrado, mas vendo como um de vocês já está praticamente acabado eu acho que só vou me decepcionar.
- Não me subestime, ou vai se arrepender! – Lily lançou Roufe, que começou a atacar a adversária imediatamente. Apoiado contra um emaranhado de bambus, Hehashiro movia apenas os olhos para acompanhar a luta. Não estava mais tonto, mas sentia-se cansado demais para fazer qualquer outra coisa.
A beyblade marrom revidou. Ela tinha a vantagem por estar lutando em seu terreno, movendo-se com rapidez por entre os bambus, os galhos quebrados e a lama escorregadia. Seus ataques eram imprevisíveis, vinham de lugar nenhum a qualquer momento, e em um primeiro momento Lily não pôde fazer nada além de se defender. A lutadora misteriosa ainda permanecia escondida, camuflada, como ela mesma dizia. Pensando que o melhor jeito de descobrir sua localização seria mantê-la falando, Lily tentou iniciar uma conversa:
- Você parece muito acostumada com esse terreno. Deve ter recebido algum treinamento especial...
- Dã, isso não é óbvio? Achei que você fosse mais esperta. – Lily apurou os ouvidos para tentar localizar a origem da voz, sem sucesso. –Umeragi-sama vem me treinando já faz algum tempo. Eu faço parte de sua guarda de honra.
- Esse Umeragi-sama... Você não está falando de Makoto Umeragi, está?
- Oh, não! O grande Umeragi-sama atende pelo nome de Ichirou, e é o único e absoluto dono da ShinTec! Meu pai é um dos poucos que tem a honra de trabalhar para ele, por isso eu fui escolhida para guardar essa mansão contra intrusos como vocês! – O orgulho e pompa na voz da lutadora misteriosa eram praticamente paupáveis. Lily pela primeira vez passou a ter alguma coisa de sua localização quando a excitação fez com que sua voz se elevasse consideravelmente.
- E o que existe na mansão que você precisa guardar com tanto... fervor? – Lily estava desesperada para manter sua oponente falando agora que estava tão perto de descobri-la.
- A mansão guarda muitas coisas. Infelizmente para você, eu não estou autorizada a dizer o que.
- E você é a única a guardar a casa?
- Mas claro que não! Seria ridículo pensar que uma pessoa sozinha seria capaz de cuidar de todo o jardim. A Guarda de Honra de Umeragi-sama é composta de três segimentos. Eu sou apenas o primeiro deles, a encarregada de fazer o primeiro ataque. – Enquanto Lily permanecia concentrada na voz, sua beyblade estava em dificuldades no campo de batalha. Roufe não conseguia atacar, incapaz de prever de onde o próximo ataque da adversária partiria. A beyblade marrom sumia sem aviso para aparecer nos lugares menos esperados. – O segundo e o terceiro receberam um treinamento ainda mais especialisado do que o meu para garantir que aqueles não tão retardados a ponto de cair na minha armadilha pudessem ser parados antes de chegar ao destino final.
Ao ver a situação de Roufe, Lily teve que parar para reconsiderar suas opções. Com Hehashiro ferido e impossibilitado de lutar, cabia a ela derrotar a oponente misteriosa. Por mais perto que estivesse de descobrir a localização da rival, se ela não se concentrasse na luta e Roufe acabasse perdendo por causa disso seus esforços seriam inúteis. Por hora Lily resolveu se calar e lutar.
- O que foi? Ficou sem palavras? – Felizmente para a mestra de Roufe, sua adversária aparentemente não pretendia fazer o mesmo. – Não se preocupe, a maioria das pessoas fica assim ao perceber a magnificência das coisas elaboradas por Umeragi-sama.
A essa altura do campeonato Lily tinha quase certeza de que a voz vinha de algum lugar a sua esquerda. Ela teria que se contentar com isso por enquanto, pois mesmo com sua atenção voltada para a luta Roufe estava tendo dificuldades em contra-atacar. No meio do aperto, um plano finalmente começou a se formar em sua mente:
- É, seu mestre parece ser mesmo magnífico. Pena que ele não pensa assim de você...
- O que você quer dizer com isso?
- "Umeragi-sama" não vê nada de especial em você. Se assim fosse, ele não te colocaria como comissão de frente. – Lily sorriu. Roufe pela primeira vez conseguiu atacar a oponente e se desviar de um ataque. – Eu não se se você sabe, mas é tradição em uma batalha colocar os piores soldados na frente do resto para usá-los como medidor da força do inimigo. Por serem fracos, eles acabam se tornando um sacrefício bem-vindo. Não é como se eles fossem fazer falta no fim das contas... Se "Umeragi-sama" visse qualquer coisa especial em você, já teria te colocado em outro seguimento.
Lily deixou a bola quicando para que sua adversária a devolvesse. Ela estava contando com o jogo mental para desestabilizar a adversária, o que faria com que sua beyblade atacasse menos e, com um pouco de sorte, permitisse que uma série de gritos raivosos revelasse sua localização. Quando sua oponente finalmente se mostrasse, Lily poderia chamar sua fera-bit e usar o ataque especial de Roufe.
A primeira reação da beyblade marrom, porém, foi parar de atacar, para em seguida realisar uma série de ataques rápidos e violentos. Apesar da surpresa, Lily conseguiu se manter na luta. Os danos causados a Roufe estavam começando a afetá-la, adicionando mais ferimentos aos causados pela queda no barranco. A reação esperada por ela veio somente após alguns minutos de tensão:
- COMO SE ATREVE? ISSO NÃO É VERDADE!! COMO SE ATREVE A DIZER ISSO?
Desta vez Lily não precisou se dar ao trabalho de tentar localizar a origem dos gritos, pois o ataque de fúria fez com que sua oponente finalmente se revelasse: a garota, não muito mais velha que Toshihiro, tinha cabelos castanhos longos e desgrenhados, da mesma cor que a lama do barranco. Assim como os Kita no Ookami, ela tinha um aspecto selvagem, porém este se tornava menos aparente em contraste com suas roupas: um uniforme de camuflagem do exército. Seu nome estava escrito no uniforme: Junko Morida.
- Oh, olá, Junko-chan! Finalmente nos encontramos, eu estava esperando ansiosamente por este momento! – Exclamou Lily, acenando para a rival como se esta fosse uma velha amiga que andava sumida. Agora que Roufe não tinha mais nenhum empedimento para usar seu ataque especial, a luta estava prestes a acabar.
- Eu também! – Em um movimento inesperado, Junko saltou sobre Lily e as duas caíram no chão. Junko era rápida e forte, Lily não conseguia se desviar de todos os seus golpes. Enquanto as beybladers lutavam no chão, suas beyblades continuavam a batalha, refletindo as ações de suas mestras. – Eu vou te ensinar a nunca desrespeitar Umeragi-sama ou me chamar de fraca! Você vai pagar por tudo que disse!
Junko estava definitivamente com a vantagem. Seu ataque de fúria havia aumentado a sua força ao invés de diminui-la como Lily gostaria. Presa entre sua adversária e o chão de terra enlameada, não havia muito o que Lily pudesse fazer para revidar. Sua adversária continuava gritando e atacando sem parar, assim como sua beyblade. Quando tudo parecia perdido, porém, Junko desvencilhou-se da rival em um salto, colocando-se de pé em posição de ataque. Ao se mover para verificar o que causara a reação, Lily ficou surpresa ao encontrar o namorado de pé, apoiado em um ramo de bambu com o lançador em mãos. Sua beyblade azul enquanto isso atacava a beyblade marrom.
- Hehashiro, o que você está fazendo? Você não devia se mover! – Exclamou Lily, correndo até o namorado para segurá-lo. Hehashiro parou de tentar se manter de pé assim que sentiu o toque da namorada.
- Você precisava de ajuda. – Apesar de sua voz ainda soar um pouco fraca, o fato de ele estar falando era um bom sinal. – Que tipo de namorado eu seria se deixasse a minha namorada apanhar de uma Tarzona descabelada?
- Eu agradeço a ajuda, Hehashiro, mas você precisa descansar. Acho que agora eu posso cuidar da nossa "amiguinha" sozinha.
Lily cuidadosamente deixou Hehashiro sentado apoiado nos bambus e voltou sua atenção para a luta. A beyblade do líder dos The Strongest, que até então atacava a beyblade de Junko, saiu da luta com um pequeno empurraõzinho de Roufe. Lily voltou sua atenção para Junko, que observava o desenrolar dos acontecimentos com a sobrancelha erguida.
- Tirando seu próprio aliado da luta? Você está confiante... – Zombou a garota, instigando sua beyblade a atacar. Ela voltou a usar sua técnica de camuflagem, fazendo sua beyblade desaparecer.
- Agora que sei onde você está, esta luta acabou. – Lily sorriu. Ela não precisava ver a beyblade para seu ataque funcionar. Roufe apareceu sem que ela precisasse chamá-lo, e o comando final também não precisou de palavras.
Uma máscara negra parecida com a marca ao redor dos olhos do guaxinim passou a encobrir os olhos de Junko. A garota gritou, pois além de não conseguir enxergar seus olhos ardiam como se em chamas. Ela se ajoelhou como se se entregasse, e Lily deu o golpe de misericórdia. Beyblade e beyblader caíram ao mesmo tempo.
- Nós ganhamos! – Exclamou Hehashiro, ainda na mesma posição que a namorada o deixara. – Parabéns Lily. Eu sabia que você era incrível.
- Eu espero que não tenhamos mais problemas... Eu não sei se consigo fazer isso de novo... – Aliviada por ter finalmente vencido, Lily recolheu Roufe e sentou-se ao lado do namorado, deixando que ele se deitasse em seu colo. – Estou mais cansada do que imaginei.
- Descanse, Lily, você merece.
- Você também. – Lily passou a acariciar os cabelos do namorado, que finalmente fechou os olhos, adormecido. – Toshihiro vai trazer Kufe de volta. Quando acordar sua fera-bit vai estar ao seu lado novamente, você vai ver.
Lily também não demorou a adormecer. Em seu sonho, ela viu Toshihiro lutando no que parecia ser um oceano para recuperar Kufe, e viu também cenas impressionantes da batalha de Rumiko. O sonho continuou, mostrando o casal e um bebê, e depois o casal com uma menina crescidinha e outro bebê. No meio de seus doces sonhos, era natural que Lily não quisesse acordar tão cedo.
Olá, aqui é o seu adorado, inteligente e magnífico grande vilão Makoto Umeragi falando (ou escrevendo, para ser mais exato). Como hoje é o último dia do ano, os beybladers decidiram mandar mensagens de fim de ano para os leitores, e por uma razão que permanesce obscura até mesmo para a minha mente brilhante, eu fui o escolhido para transmitir todas as mensagens.
Aqui estão elas:
- Hehashiro deseja um feliz 2009 para aqueles que testemunharam o poder de sua esposa neste capítulo, e completa dizendo que os sonhos de Lily podem ou não significar alguma coisa.
- Lhana fez XDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD.
- Lily agradece a todos que acompanham a fic e deseja a todos um ano incrível e emocionante dentro de limites seguros.
- David promete desafiar esses limites. Logo depois de dizer isso, foi forçado por Lily a vestir mais alguns casacos porque o frio este ano vai bater record. Ele deseja um ano incrível e emocionante que desafia todos os limites conhecidos. E deseja que em 2009 alguém descubra um jeito de transformar todos os seus casacos em um só casacão super-protetor.
- Ann deseja um feliz ano novo para todos e um ano sem cólicas para as meninas. Quando perguntada sobre a possibilidade de desejar algo só para os meninos ela fez aquela cara assustadora de quem vai bater no primeiro que aparece. Eu não fiquei por lá pra ver o que aconteceu depois.
- Toshihiro deseja que todos protejam a natureza em 2009 e que a Lhana continue sendo a sobrinha mais fofinha do mundo. E que tudo corra bem em seus exames finais em março. E que ele consiga entrar na faculdade em abril. E que ele e a Rumiko não se separem nunca. E que sua trança continue bonitona. E a lista continua, mas eu não estou a fim de dizer tudo.
- Shinji quer que todos aproveitem muito bem o próximo ano e que dêem valor a tudo que conseguirem como fruto de seu próprio esforço, mesmo o menor dos feitos.
- Lin concorda com Shinji e acrescenta que é preciso agradecer pelas coisas que temos como certas, mas que para muitas pessoas pode ser um luxo ou um sonho.
- Yuriy discorda da Lin e reclama que os Kita no Ookami estão sendo muito dramáticos. Ele deseja um péssimo ano para todos porque ele odeia todo mundo que não tem 1,55m, "comissão de frente" avantajada, nasceu na China e se chama Jing Mei Tsé. Ou que tem quatro patas, late e morde quando ele manda, principalmente se atender pelo nome de Eikichi.
- Franklin diz que espera que todos os leitores fiquem tão ricos quanto ele no próximo ano. Em nota, eu deveria dizer que seu tom de voz era definitivamente sarcástico quando ele me disse pra dizer isso.
- Christie deseja um ótimo e perfeito e exuberante e inesquecível 2009 para todos os seus fãs que a idolatram profundamente, principalmente a Xia-san. Ela não disse nada sobre os fãs que não a idolatram ou sobre os não-fãs, no entanto. Acho que ela não se importa com eles.
- Ayatá lembra a todos que no profile do James tem um novo poll sobre a melhor equipe da primeira fase e pede a todos que dêem a sua opinião. Os Brasil Blade lideram (de novo) até agora. Fora isso, ele deseja sorte para todos no novo ano.
- Cathy quis me bater e reclamou que era muito machismo do James colocar um homem para transmitir os desejos de ano novo.
- Yuy, como era de se esperar, não se deu ao trabalho de mandar uma mensagem. Caras como ele são realmente depressivos.
- Eu poderia dizer que Julian desejou um 2009 muito justo para todos, com a verdadeira justiça florescendo pelo mundo. Entretanto, em uma ação atípica, ele simplesmente sorriu pra mim e disse "feliz ano novo". Sem "justiças" dessa vez. Será que isso é algum tipo de sinal?
- Isaac está ocupado demais tocando músicas festivas no violino para deixar uma mensagem. Se bem que pode ser que a música em si fosse uma mensagem. Não é como se eu soubesse o que se passa na cabeça dos músicos. Eu sou apenas um simples e modesto grande vilão malvado e carismático, afinal.
- O Bebê deu chocolates para todo mundo e mandou que todos tivessem um ano muito feliz e animado. Considerando os recentes acontecimentos, dá pra entender onde ele quer chegar. Mesmo assim, eu ainda não vou com a cara de bebê fofinho, bunitinho, carismático e bom-de-apertar dele. E não acho graça no sorriso meia-lua que derrete até o insensível do Yuy.
- Carlos não disse nada porque passou o tempo todo dormindo em uma rede que ele mesmo montou.
- Osamu e Kazuo esperam que os leitores aproveitem o fato de serem livres para fazer o que quiser para de facto fazerem o que quiserem e pararem de se preocupar com limitações bobas como dinheiro, leis e códigos morais.
- Jing Mei repetiu o discurso dos gêmeos de uma forma mais "provocante", fazendo com que os lobinhos parassem para tossir e vomitar e mudar seu discurso para "aproveitem o fato de serem livres".
- Len deseja paz e tranqüilidade para todos.
- Ao lado dele, Jun está terminando de desmembrar um ursinho de pelúcia com o nome "Len" no lacinho do pescoço. Eu não sei o que aconteceu entre eles, mas eu imagino que Len estava se referindo especialmente a ele mesmo em seu pedido.
- Ken espera que todos comemorem muito a virada do ano, mas que depois todos levem a sério o começo do novo ano para fazer coisas úteis. Ele, por exemplo, prometeu que no novo ano vai estudar mais e recuperar todas as notas baixas antes dos exames de março.
- Takashi espera que todos façam muitas travessuras no próximo ano, mas prometeu se comportar melhor e se gabar menos do fato de ter finalmente conseguido re-casar seu pai e sua mãe.
- Vladmir espera que todos aproveitem a virada do ano para fazer promessas que realmente possam cumprir.
- Erik e Alice fizeram um banner com os dizeres "Feliz Ano Novo/Hvää Uuttavuotta/Gott nyt år/Happy New Year" e o estão usando como porta-voz de seus desejos para o novo ano.
- Elizabeth deseja um ano especial e cheio de beisebol para todos. Inclusive os que não gostam ou não entendem nada de beisebol.
- Emy manda que todos os leitores estudem mais no próximo ano, independente do quão bem eles estão na escola/universidade/pré-escola/outro em que estudam. Estudo nunca é demais.
- William desmente a Emy e manda todos os leitores namorarem bastante, alegando que esta é a "melhor experiência que uma pessoa pode ter", apesar de ele prório nunca ter namorado.
- Chang deseja muita saúde aos leitores, principalmente aos que costumam ser vítimas de epidemias de gripe e facilmente ficam de cama.
- Cristiano deseja um bom ano para todos e espera que a nova recessão faça as pessoas repensarem um pouco seus hábitos.
- Gaby novamente agradece ao fato de não poder ouvir o estouro dos fogos, e torce para que os leitores possam assistir à queima de fogos onde quer que estejam.
- John também deseja um ano muito tranqüilo e pacífico para todos. Ele usou o momento em que a Ann estava passando perto dele pra dizer isso, e a Ann o abraçou e beijou-o na bochecha. E aí deu um tabefe nele por ser tão bobo.
- Aiko e Marie desejam um ano de sucesso para todos os leitores. E glamour, e brilho e purpurina. E flores, passarinhos cantando, balas coloridas e bichinhos fofinhos. Essas coisas de meninas meigas.
- Kian espera que todos sejam muito felizes ao lado de família e amigos e que, no caso de não terem família e amigos, que encontrei muitos amigos novos ao longo do ano.
- Mário deseja um ano produtivo apesar da crise econômica e pede que os leitores não se abalem só porque os mercados pelos mundo estão indo à falência.
- Felipe pediu de uma forma muito mal-educada que eu disesse que ele espera receber e-mails dos fãs adorados deles. O favoritismo do James e a fic de natal/prêmio de melhor casal que o James postou esses dias no fez com que ele e Luiz ganhassem contas de e-mail antes do resto de nós. O e-mail do Felipe é felipereidomundo(arroba)gmail(ponto)com.
- Luiz obviamente também quer e-mails, mas ele se lembrou de desejar a todos um feliz ano novo enquanto se gabava de ser um dos favoritos do James. O e-mail dele é (arroba)gmail(ponto)com.
- Nathaliya, depois de espantar os brasileiros inconvenientes com o seu adorado lança-chamas, também desejou feliz ano novo e avisou que ela e a Rumiko serão as próximas a ter e-mails. Parece que vai ser o presente de aniversário delas.
- Rumiko apareceu vestindo um kinomo florido chamando todos nós para ir para o templo. Aparentemente ela me inclui em "nós" também. Mocinhos e bandidos estão em trégua temporária para celebrar o novo ano.
Acho que vou pedir para o Yuy empurrar a minha cadeira. Ou pro Bebê. Se eles não quiserem, a Rumiko vai querer. Ela está animada demais para se importar. E está animando todos nós no processo.
Incluisive eu.
Bem, parece que meu tempo acabou.
Em nome de todos os personagens de Beyblade 2 – Os Antecessores, eu, Makoto Umeragi, desejo a todos um feliz 2009.
OWARI (for 2008)
