CAPÍTULO XXXVI
A MANSÃO
A caminhada do rio até a mansão foi curta se comparada com os demais trechos da floresta. O portão de ferro – gigante como tudo naquele lugar – se abriu automaticamente assim que os seis Taichi se posicionaram perante ele. Por trás do portão havia um grande jardim parecido com o jardim da casa de Julian: o caminho de terra era rodeado por vários canteiros de flores coloridas que formavam belos desenhos. No meio do jardim havia um chafariz com uma estátua de um cisne com as asas abertas pronto para ganhar os céus. Um mordomo abriu a porta para os garotos, mas não lhes disse nada. Os Taichi atravessaram o hall de entrada e entraram em um grande salão, o maior e mais enfeitado que eles já haviam visto:
As paredes eram cobertas de quadros com molduras folhadas a a ouro, havia estátuas de mármore e bronze por toda a parte, e as colunas – em número maior do que o necessário para a sustentação dos outros andares, diga-se de passagem – eram todas em estilo jônico. No teto – alto e um pouco côncavo – havia afrescos em estilo renascentitas e até mesmo as molduras das grandes janelas que percorriam toda a parede haviam sido detalhadamente esculpidas em madeira pintada de dourado. Umeragi e seu time apareceram no momento em que os Taichi começaram a se sentir intimidados pela grandeza e esplendor do lugar, mas ainda não haviam tido tempo de examinar todos os seus detalhes.
- Que bom ver que alguns de vocês realmente conseguiram chegar aqui. Eu estou realmente impressionado. – Saudou Umeragi, sorrindo sarcasticamente. Seus companheiros se mantinham um passo atrás dele. – O que houve com os outros? Se perderam pelo caminho? Se sacrificaram para permitir que os heroizinhos chegassem até aqui? Oh, que tocante...
Rumiko, Ken e Toshihiro desviaram o olhar, lembrando-se dos Soldier of Russia. Durante a caminhada para a mansão os três sentiram um aperto no peito seguido por uma dor forte que logo se espalhou por seus corpos, uma sensação terrível de abandono e solidão. Os três haviam aprendido a ignorar este sentimento durante a caminhada, mas graças às palavras de Umeragi tudo parecia voltar ainda com mais força.
- Vamos logo ao que interessa. – Interrompeu Koichi, percebendo a reação de seus companheiros. Ele também sentia a mesma coisa que eles, mas era muito mais bem-sucedido em suas tentativas de esconder isso.
- Sim, sim, claro. Mas antes eu acho que seus amiguinhos apreciariam uma pequena ajuda para se locomover; eu não creio que seja muito confortável andar por aí do jeito que vocês estão fazendo. – Os olhos de Umerag passavam de Rumiko, ainda nas costas de Koichi, para Toshihiro, apoiado por Satsuki e Ken, enquanto falava. Em seguida o garoto estalou os dedos e um mordomo apareceu empurrando uma cadeira de rodas na qual estava alojado um par de muletas.
- Hey, isso é... – Começou Satsuki, percebendo as intenções do garoto.
- Exatamente, minha cara. Essa aqui é a minha antiga cadeira de rodas. Agora que eu não preciso mais dela, acho que não há mal em emprestá-la para a sua amiguinha que não consegue mais caminhar. E eu imagino que vocês não se importariam em deixar que seu amigo trançado caminhasse sozinho daqui para a frente. Não estou certo?
Os Taichi se entreolharam, tensos. Apesar de desconfiarem das intenções de Umeragi, não conseguiam encontrar em suas ações nada que justificasse tal sentimento. Por fim os seis decidiram aceitar a oferta. Satsuki apanhou as muletas para Toshihiro e Koichi colocou Rumiko na cadeira. Logo depois, com outro estalar de dedos de Umeragi, um médico e uma enfermeira apareceram para fazer um curativo no pé do chinês e para enfiaxar e colocar talas nas pernas de Rumiko. Durante todo o tempo que os médicos faziam seu trabalho o time de Umeragi permaneceu calado observando, mas logo que eles saíram Yuriy se pronunciou pela primeira vez:
- Mal posso esperar para arrebentar vocês. Se bem que dois de vocês já estão tão quebradinhos que nem vai ter muita graça... – E o garoto piscou para Satsuki, que ficou muito vermelha e virou o rosto para o lado.
- Então vamos começar logo com isso. – Devolveu Koichi, percebendo a curiosa interação dos dois.
- Não tão rápido, Yuy, não tão rápido. Eu já dei uma colher de chá doando a minha cadeira. Agora eu dizer as regras do desafio e aí sim vocês podem começar.
Koichi ergueu uma sobrancelha enquanto os demais Taichi encaravam o vilão com uma mistura de curiosidade e ansiedade. Jing Mei aproveitou a oportunidade para sorrir, acenar e mandar um beijo nada discreto para o líder rival.
- Ora, chefinho, vamos logo! Eu mal posso esperar... – Reclamou a chinesa, com um olhar de coitadinha sedutora. Os olhos de Satsuki se arregalaram, mas a loira nada disse. Naquele momento ela havia acabado de decidir quem seria seu oponente.
- Essa mansão é muito grande... – Começou Umeragi, caminhando até o líder dos Taichi. – Por isso eu vou dar a vocês um mapa para que não se percam. – O garoto estendeu a mão, mostrando um pedaço de papel dobrado. – Enquanto vocês estudam o mapa nós vamos nos posicionar. Cada cômodo desta mansão tem um nome. Nós estaremos um em cada lugar, espalhados, e cada um de nós possui uma das feras-bit que eram de seus amigos. Todos os combates serão em um contra um e o vencedor levará todas as feras-bit.
Assim que Koichi apanhou o mapa os cinco vilões deram meia-volta e deixaram o salão.
- Tá, deixa eu ver esse mapa! – Exclamou Ken, tentando tirar o dito cujo das mãos de Koichi.
- Nós vamos todos vê-lo juntos, Ken. – Devolveu o líder, abrindo o mapa em cima de uma mesa de tampo de mármore. O mapa mostrava dois andares de corredores muito longos que formavam um quadrado com um jardim em seu interior, e mais um pequeno terceiro andar onde só havia dois cômodos. Nos dois andares inferiores havia um infinidade de salas, cada uma com um nome mais estranho do que a outra. Os garotos logo começaram a procurar nomes que tivessem alguma relação com seus oponentes:
- Olha só, no segundo andar tem uma "Sala do Canto"! – Exclamou Ken, apontando para a tal sala no mapa. – Aposto que aquela garota Aiko-chan que estava enchendo o saco do meu irmão naquele concurso de música deve estar lá! Eu me voluntario pra mostrar pra ela quem é que manda no beyblade!
- É! Vamos! – Exclamou Takashi, pulando da cadeira em que havia subido para poder ver o mapa. – Vamos todos ver o Ken-baka torturar e destruir a garotinha meiga e delicada que na verdade é o diabo encarnado! Vamos todos!
Como Ken e Takashi começaram a se mexer assim que terminaram de falar, os outros Taichi acabaram seguindo-os, com Koichi empurrando a cadeira de Rumiko já que a garota não tinha força suficiente nos braços para ir muito longe sozinha. A mansão era antiga, por isso não havia elevador, apenas uma grande escadaria que levava para o segundo andar. Ao ficar cara a cara com ela, alguns Taichi passaram a reconsiderar o plano inicial:
- Oh, gente, não é melhor a gente procurar uma sala aqui no primeiro andar antes ter que subir todos esses degraus aí? – Perguntou Toshihiro, pensando em como faria para subir tudo em seu atual estado. Na melhor das hipóteses ele demoraria séculos, na pior dela, sairia rolando escada abaixo assim que estivesse quase chegando ao topo.
- Do jeito que isso aqui foi planejado é capaz de não ter nenhuma sala no andar de baixo justamente para a gente ter que subir. – Respondeu Koichi, já se preparando para levar Rumiko e a cadeira escada a cima. – Umeragi não dá presentes de graça.
E assim os Taichi começaram a subir. Satsuki ajudou Koichi a levar a cadeira, segurando a parte da frente e acalmando Rumiko e seus gritos histéricos enquanto Koichi segurava a parte de trás e praticamente todo o peso da cadeira. Ken e Takashi cercavam Toshihiro para evitar que o chinês trançado tropeçasse e realmente saísse rolando escada abaixo. Após chegar ao segundo andar o grupo ainda teve que cruzar dois corredores imensos antes de chegar ao seu destino.
Ken bateu na porta, que continha uma placa escrito "Sala do Canto" escrito em caneta colorida e rodeada de flores. O japonês de franja aloprada rolou os olhos ao vê-la, imaginando Aiko em seu vestido branco de babados toda suja de tinta ao pintar a placa. Ninguém respondeu, mas a porta não estava trancada, por isso Ken entrou.
- Ai, meu Deus! Cruz-credo! Que troço é esse? – Alarmados com os gritos surpresos de Ken, os demais Taichi também entraram na sala, adquirindo a mesma expressão abobada e perplexa de seu companheiro ao fazê-lo.
Não era para menos, afinal a "Sala do Canto" estava entre os lugares mais estranhos em que qualquer um deles já estivess entrado, incluindo o quarto do próprio Ken. O nome da sala não era devido ao "canto", substantivo derivado do verbo "cantar", mas sim ao "canto", lugar onde duas paredes perpendiculares se encontram. A sala não era simplesmente um espaço cercado de quatro paredes – e consequentemente quatro cantos. Ali haviam várias paredes que se encontravam, formando cantos e mais cantos. Não havia quase nenhum lugar para se andar, tudo estava preenchido por paredes das mais variadas formas e tamanhos. Paredes saiam de outras paredes ou passavam por baixo de outras paredes, tinham formas curvas como uma ponte, abrigando em baixo de si um novo canto, ou tinham várias camadas, cada uma formando um canto com outra parede. Havia ainda paredes que formavam cantos com o teto irregular, cada um em uma altura diferente.
- Que tipo de lugar é esse? – Exclamou Satsuki, perdida no meio de tantas paredes e de cantos. – Por que alguém se daria ao trabalho de construir um lugar assim?
- Provavalmente para nos confundir e nos fazer ficar com cara de idiota. – Respondeu Takashi, saindo de perto da sala o mais rápido possível. – Vamos ver se tem mais algum lugar por aqui e aí...
- Olha só, tem uma sala escrito "Negócio da China" no primeiro andar. – Interrompeu Ken, com os olhos grudados no mapa que por razão desconhecida estava com ele naquele momento. – Será que a Peituda Oferecida vai estar lá?
- Vamos indo! – Exclamou Satsuki assim que ouviu o nome "Peituda Oferecida". A garota surpreendeu todos ao arrancar violentamente o mapa das mãos de Ken e sair praticamente correndo na direção das escadas.
- Hey, espera, Satsuki! – Gritou Toshihiro, tentando se locomover o mais rápido possível com as muletas. – Por que a gente primeiro não vê se tem mais alguma sala suspeita no segundo andar? De qualquer jeito mais cedo ou mais tarde nós teremos que enfrentar todos eles, não é verdade? Então a ordem que...
- Vamos lá agora. – Devolveu a loira, com um olhar tão sinistro que Toshihiro não teve coragem de questioná-la uma segunda vez. Koichi sorriu levente ao ver a atitude da companheira, imaginando o que realmente aconteceria quando as duas garotas finalmente se encontrassem. A reação de Satsuki a qualquer coisa relacionada a Jing Mei sugeria que mesmo que a chinesa falasse sobre o seu "envolvimento" com o líder japonês Satsuki não seria facilmente abalada.
Os outros cinco Taichi acabaram seguindo Satsuki e enfrentando as escadas mais uma vez, desta vez para voltar ao primeiro andar. Toshihiro, lembrando-se do esforço da subida, decidiu descer as escadas de bunda, entregando uma muleta para Ken e outra para Takashi. A dupla de ouro decidiu imitá-lo, e assim os três apostaram corrida para ver quem chegava mais rápido. Satsuki e Koichi novamente se ocuparam em ajudar Rumiko a descer. Eles demoraram mais que o triplo do tempo que os três meninos, pois além de terem que descer bem devagar, o líder e a loira CDF ainda tiveram que aguentar os gritos e e as exclamações assustadas de Rumiko e parar a cada dois degraus para que ela se acalmasse.
Uma vez lá embaixo Satsuki marchou batendo o pé com força até a sala do "Negócio da China" e escancarou a porta sem se importar em bater. Preocupados com a falta de gritos e barulho de coisas se quebrando, os demais Taichi logo seguiram a companheira.
O "Negócio da China" nada tinha a ver com o país de Toshihiro e Takashi, muito menos com Jing Mei. A sala era uma espécie de depósito onde todo o tipo de parafernália eletrônica se encontrava acumulada ao redor de brinquedos de plástico vagabundo e um amontoado de cartazes de propaganda e promoções. Aparentemente todos os eletrônicos estavam com mais de cinquenta por cento de desconto e todos vinham com algum brinde – os brinquedos de plástico vagabundo. A sala poderia ser uma loja se os produtos não estivessem todos tão amontoados e desordenados, e se houvesse algum espaço para caminhar em meio a tanta tralha. Satsuki bateu a porta da sala com tanta força que esta se quebrou em duas e caiu no chão com um estrondo. Provavelmente pela primeira vez em sua vida a loira CDF deixou escapar uma série de palavrões concentrados em meio minuto de exclamações contínuas que fizeram até mesmo Ken e Takashi ficarem de queixo caído e olhos esbugalhados.
Depois de "explodir", Satsuki sorriu para os companheiros e voltou a pegar o mapa. Estava de volta ao normal. Seus companheiros respiraram aliviados. Nunca mais gostariam de ver a loira com raiva, seja qual fosse o motivo.
- As salas em que entramos até agora tinham uma espécie de duplo sentido besta. – Constatou a loira. – Elas parecem que estão relacionadas com nossos oponentes, mas na verdade guardam algum tipo de brincadeira sem graça. Nós temos que olhar bem todos os nomes antes de decidir nosso próximo destino.
E assim os Taichi fizeram. Ken apontou para uma sala que dizia "Sala do Cachorro Louco" e lembrou-se de Yuriy, porém Satsuki logo lembrou-lhe do outro possível sentido desse nome: uma sala com um pitbull raivoso pronto para arrancar pernas e braços de meninos desavisados e com franjas muito loucas. Ken não falou mais nada depois disso.
Por fim...
- A única sala que parece neutra aqui é a "Sala de Música". Não tem como essa sala ter algo além de música, tem?
- Na verdade, existe a possibilidade de uma sala de música conter um piano comedor de gente ou coisa assim...
Todos ignoraram a primeira fala de Ken desde o "Cachorro Louco". O mestre de Fenrochi ainda tentou convencer seus companheiros do perigo que esta sala poderia guardar, mas os Taichi já haviam decidido ir para lá. A "Sala de Música" era a mais afastada das salas do primeiro andar. Ficava até mesmo um pouco fora da mansão, na parte dos fundos. Segundo Ken, isso era "pra ninguém ouvir os gritos daqueles comidos pelo piano ou cerados ao meio pelo cello!". A porta da sala era de cobre muito bem polidos com notas musicais em alto relevo decorando-a.
Satsuki entrou primeiro, seguida de Toshihiro, Takashi, Koichi e Rumiko, e por último – e somente depois de ter suas orelhas puxadas pela loira CDF –Ken. A sala era na verdade um auditório, com fileiras de cadeiras que desciam até o palco, onde encontravam-se um piano e todos os intrumentos de uma orquestra arrumados em suas devidas posições, além de uma guitarra elétrica e uma bateria. Não havia sinal de ninguém na sala.
- Será que estamos na sala errada de novo? – Perguntou Rumiko, observando todos aqueles instrumentos e sentindo-se muito insignificante por não saber o nome de muitos deles e por não ser capaz de tocar nenhum deles.
- Mas se essa não for a sala certa, qual outra opção temos? – Retrucou Takashi, encarando Rumiko nos olhos. Com a japonesa sentada em uma cadeira a diferença de altura dos dois diminuia consideravelmente. – Vai ver a Aiko-chan ainda está se preparando para o confronto ou coisa assim. Eu sugiro que a gente se divirta um pouco enquanto espera por ela! O que me dizem?
Rumiko, Toshihiro e Satsuki concordaram com o chinesinho diminuto. Takashi e Satsuki foram direto para os instrumentos, enquanto Toshihiro cuidadosamente descia as escadas até o palco. Koichi desceu com facilidade a cadeira de Rumiko, uma vez que os degrais eram bem menores do que os da escadaria principal da mansão. Apenas Ken ficou grudado na porta, tentando alertar seus amigos sobre os perigos que poderiam estar escondidos nos aparentemente inofensivos instrumentos.
Takashi e Rumiko foram direto para o piano, pressionando teclas em ordem aleatória para fingir que faziam música e produzindo um som um tanto desagradável. Satsuki se aproximou dos violinos e tentou tocar um deles, porém não conseguiu produzir som nenhum. Toshihiro foi primeiro até os clarinetes, mas desistiu ao descobrir que não tinha fôlego para fazer mais do que um breve som parecido com um apito muito agudo e desafinado. O chinês trançado foi então para os tímpanos, e a cada nova batida no instrumento de percussão os demais beybladers sentiam a sala inteira tremer.
O piano tocado por duas crianças, os tímpanos furando os tímpanos de todos na sala e até o violino mudo estavam produzindo barulho demais. Ken, desorientado por causa do barulho, acabou finalmente seguindo os companheiros, enquanto Koichi saía de perto de Rumiko e Takashi e se aproximava dos instrumentos de sopro. O líder dos Taichi apanhou um fagote e soprou com toda a força, fazendo todos se calarem com a surpresa.
- Nós não podemos ficar perdendo tempo aqui. – Disse ele, encarando cada um dos seus companheiros com um ar de seriedade e reprovação. – Se essa sala está vazia, provavelmente alguma outra sala que nós pensamos em ter duplo sentido na verdade não tenha. Vamos embora, nossos amigos não ficaram na floresta para que vocês ficassem aqui destruindo nossos tímpanos.
Ao mencionar os outros, Koichi sabia que seus amigos concordariam com eles. Os quatro "músicos" encararam o chão, envergonhados. A dor estranha que Rumiko, Toshihiro e Ken sentiam desde a floresta tornou-se mais forte e um terrível sentimento de culpa os invadio. Rumiko foi a primeira a conseguir falar:
- O Koichi está certo. É melhor irmos embora daqui.
Com isso o líder voltou a se aproximar da garota e pegou sua cadeira de rodas e os demais também se dirigiram para a saída. Curiosamente, apenas Ken ficou para trás. O garoto ficou intrigado com o fato de o piano realmente não comer pessoas e decidiu se aproximar para ver com os próprios olhos – ou sentir com os próprios dedos – se ele mesmo apenas um simples piano. Ken então repetiu algo que sempre via Isaac fazer em seus ensaios: uma por uma, o garoto tocou em todas as notas do piano, pretas e brancas, da mais grave à mais aguda. Ao ouvirem o som do piano os Taichi pararam e Koichi começou a voltar para perto de Ken para puxá-lo pelas orelhas até a saída.
Assim que Ken tocou a última nota, porém, o chão começou a tremer. Assustado, Ken cobriu a cabeça gritando que ele estava certo desde o início, que o piano ia mesmo comê-lo. Ignorando os gritos apavorados, Koichi apressou o passo e com um salto impressionante de filmes de Hollywood conseguiu tirar Ken de perto do piano bem em tempo: o chão abaixo do piano cedeu, revelando uma escadaria em espiral aparentemente sem fim. O piano caiu e demorou para que o estrondo do impacto com o chão fosse ouvido.
- Obrigado... – Disse Ken com a voz fraca. Ele e Koichi haviam caído perto dos instrumentos de sopro, derrubando todos os clarinetes e as flautas. Uma tuba ameaçava cair sobre suas cabeças a qualquer momento. Koichi se levantou e ajudou o colega a sair do emaranhado de instrumentos e cadeiras destruídas com segurança antes de ir se juntar aos outros Taichi, que se reuniam perto do buraco.
- O que foi isso? – Perguntou Takashi, evitando encarar o fundo do buraco. Seus olhos permaneciam fixos nos pés da escada.
- Acho que Ken tocou uma espécie de senha. – Respondeu Satsuki, instintivamente se aproximando de Koichi para verificar se o garoto estava machucado. – Agora a saída está bloqueada e esse é único caminho que podemos seguir...
Com a fala da loira todos se viraram para a porta de entrada, encontrando-a bloqueada por pedaços de vigas e do teto que desabaram com o tremor que acompanhara a queda do piano.
- Então é melhor começarmos logo, já perdemos tempo demais. – Declarou Koichi, pegando a cadeira de Rumiko e começando a manobrá-la pela escada tortuosa. A japonesa de início gritou e esperneou, porém se calou assim que Koichi lhe disse que qualquer movimento em falso poderia derrubar os dois. Apesar de seu medo, Rumiko permaneceu calada e imóvel até estar em segurança no fim da escada. Os demais Taichi seguiram atrás da mestra de Fenki. A decida foi lenta e trabalhosa, mas eventualmente todos chegaram relativamente inteiros.
- Nossa, eu realmente não gostaria de estar no lugar daquele piano... – Comentou Takashi ao ver os pedaços retorcidos de metal e os blocos de madeira quebrada espalhadas ao redor da escada.
- Ainda bem que o Isaac não está aqui, ele provavelmente teria um ataque e ficaria traumatizado com a cena... – Completou Ken, que naquele momento estava tão interessado nos destroços de piano que esqueceu-se que deveria estar triste e preocupado com o irmão.
Uma vez em "terra firme" o grupo pôde avaliar o novo cenário em que se encontrava. Quanto mais eles caminhavam, mais óbvio se tornava o fato de que a confusão na "Sala de Música" não era um acidente. Ao invés de abandonado e fedorento, o túnel em que os Taichi se encontravam lembrava uma passagem secreta do interior de um castelo antigo, com tochas iluminando a passagem pelo corredor de pedra. A sensação de que o inimigo estava bem próximo era partilhada por todos. Eles sabiam que não faltava muito agora.
- Nossa, isso aqui parece mesmo um castelo! – Exclamou Ken. Por causa da ansiedade os Taichi estavam todos em silêncio, algo que irritava o mestre de Fenrochi. Ele precisava falar, mesmo que fosse uma besteira, e assim aliviar a sua própria ansiedade. – Me sinto em um filme! Essa é a primeira vez que eu vejo uma mansão com uma passagem secreta! E gente, é uma senhora passagem secreta! Vocês viram tudo que a gente desceu? Não quero nem ver o que vai acontecer quando tivermos que subir de volta. Será que o Umeragi-baka tem algum elevador escondido? Ele deve ter, se ele está mesmo aqui... A não ser que ele goste de descer escadas que te deixem tonto, aí...
- Cala a boca, Ken!!! – Gritaram os Taichi em uníssono. O garoto encarou seus companheiros com cara de coitadinho e olhos marejados:
- Oh, gente! Que que é isso? Não se pode mais nem falar em paz! Eu aposto que não falta muito pra gente encontrar o nosso primeiro oponente, então...
O mestre de Fenrochi não precisou terminar a frase, pois uma porta de madeira surgiu como se por mágica perante o grupo naquele exato instante.
- Wow, agora eu acredito mesmo em mágica! – Exclamou Ken, perplexo. As expressões de seus companheiros não era muito diferente. Curioso, o garoto abriu a porta. Encontrou uma sala completamente braca forrada de abajures com bonecas de porcela muito bem vestidas e bichinhos de pelúcia espalhados pelo chão. Do outro lado da sala havia uma outra porta. Os Taichi já estavam a meio caminho de alcançá-la quando uma voz infantil aparentemente vinda de lugar nenhum fez com que eles parassem:
- Bem vindos ao primeiro desafio. – Disse a voz. – Quem vai ser o meu oponente?
Em uma cena um tanto grotesca um dos maiores bichinhos de pelúcia se abriu, revelando uma menina meiga de cabelos longos e pretos com um vestido branco cheio de babados. Ken a reconheceu imediatamente: Aiko Ishikawa. Ele imediatamente levantou a mão:
- Eu. Eu serei seu oponente.
Ken:
E ESTAMOS DE VOLTA, PESSOAL!!!!! Ò.ó(Ken aparece vestido de apresentador de programa de autório com um grande microfone na mão)
Takashi: OS OFF-TALKS ESTÃO DE VOLTA!!!! Ò.ó
(Aparece o Takashi vestido que nem o Ken, mas com um microfone ainda maior)
Isaac: E O JAMIE PAROU DE ENROLAR E ESTÁ REALMENTE ESCREVENDO A FIC!!!! X.ó
(Aparece o Isaac vestido que nem o Ken e o Takashi, mas sem carregar nenhum microfone porque ele é bom assim)
Aiko: A minha batalha com o Ken-sama já está sendo escrita! E deve aparecer no na quarta-feira, se o Jamie-sama aprender a cumprir prazos! XD
(Aparece a Aiko com o vestido mais cheio de babados que já existiu carregando um microfone tão grande quanto o do Takashi)
Jing Mei: Já estava na hora. Estava demorando para eu voltar a aparecer...
(Aparece a Jing Mei com o biquini fio-dental que ela estava usando no capítulo passado)
Ken: Pode apostar que ninguém sentiu a sua falta! (Mostra a língua pra Jing Mei)
Yuriy: Eu senti falta dela! (Yuriy aparece vestido só com uma cueca preta com uma corrente prateada pendurada) Apesar de termos ficado juntos esse tempo todo que o Jamie ficou enrolando pra postar o capítulo passado eu senti falta de suas magníficas aparições na história, Jing!
(Yuriy e Jing Mei se abraçam, se beijam e caem no chão se beijando)
(Todas as criancinhas e o Ken vomitam)
(Yuriy e Jing Mei se levantam como se nada tivesse acontecido e somem do off-talk em uma nuvem de fumaça vermelha com cheiro de morango)
Yoshiyuki: Eca. XD Até as nuvens de fumaça viraram trecos artificias... XDDD
Koichi: As nuvens de fumaça sempre foram artificias, Yoshiyuki. ¬¬''
Yoshiyuki: Ah, Nii-chan, mas agora elas ficaram ainda mais artificias, entendeu? XDDD
Koichi: Que seja… ¬¬''
Ken: De qualquer jeito, o que importa é que nós estamos de volta e que eu vou ter a minha GRANDE luta no próximo capítulo! Eu e o Fenrochi vamos mostrar do que somos capazes!
Fenrochi: Isso mesmo, mestre! Vamos colocar essa casa abaixo com as nossas chamas incandescentes!!! (Fenrochi alucinado com chamas saindo de suas mãos)
Takashi: Hey, desde quando as feras-bit podem aparecer assim do nada?
Fenrochi: Ai, qual o problema, pirralho tampinha-de-garrafa-de-Barbie? Nós já tivemos um off-talk só pra nós, se você não lembra!
Fenku: É verdade. Vocês quase incendiaram tudo. Fenrochi quis dominar o mundo e dar uma de vilão.
Toshihiro: Oba, Fenku está aqui também! (Toshihiro abraça Fenku)
(Ken tenta abraçar Fenrochi, mas se queima só de chegar perto do dragão)
Fenku: Vim aqui para lembrar meu mestre que sua luta será logo depois da de Ken-sama.
Toshihiro: É verdade! Não falta muito para a minha luta! OBA!!!
(Toshihiro sai por aí pulando de felicidade até cair em uma piscina olímpica que apareceu sem mais nem menos abaixo de seus pés)
Fenku: Mestre!
(Fenku pula na água para salvar Toshihiro)
(Uma luz muito forte toma conta do cenário e todo mundo fica cego)
(Depois que todo mundo voltou a enxergar um Toshihiro de pele azul e cauda de sereia está voando sobre a piscina e não há nenhum sinal de Fenku)
Rumiko: TOSHIHIRO!!! TOSHIHIROOO!!! É você mesmo?
(Rumiko com medo do monstro azul se escondendo atrás do Koichi só por precaução)
Toshihiro: Sim, Rumiko, sou eu mesmo. (Toshihiro continua flutuando e se aproxima de Rumiko) Mas eu agora estou unido a Fenku por alguma razão obscura durante este off-talk. (Rumiko sai de trás do Koichi e vai encarar o Toshihiro-peixe) Que tal? Fiquei bonito?
Rumiko: (Olha BEEEEM pro Toshihiro) Erm… é… olhando assim... até que....
Toshihiro: Ah, não! A Rumiko não gosta mais de mim agora que eu vire um menino-peixe-azul! O que eu vou fazer? (Toshihiro-peixe-azul vai para o cantinho angst do off-talk chorar suas mágoas)
Felipe: Aí, cara, relaxa. Ao menos você não ganhou asas de andorinha... (Aparece o Felipe com asas de passarinho no lugar dos braços e um bico no lugar do nariz)
Luiz: Nem bigodes e orelhinhas bestas...
(Aparece o Luiz com bigodes e orelhinhas de gato)
Meninas: (olhando pro Luiz) KAWAIIIIIII!!!!!
(Corre o bando de meninas na direçaõ do Luiz)
Felipe: Epa! Epa! Podem ir parando aí porque ele já tem dono!
(Felipe pára as meninas com uma de suas asas e usa a outra pra abraçar o gato-Luiz)
Cristiano: (Com um rabo de penas coloridas, bico no nariz e asas muito coloridas no lugar de braços) Parece que o capitão decidiu finalmente adimitir que a fic de natal era verdadeira...
Meninas: KAWAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!
(Meninas vêm aos montes para cima do Felipe e do Luiz e soterram os dois)
Takashi: Meu deus, fiquei com medo das meninas agora... o.o''
William: (com um rabinho muito foto de esquilo) Pois eu não me importo se elas fizerem isso comigo! Garotas, venham me soterrar também! (William abre os braços e fica esperando)
(E fica esperando)
(E fica esperando)
(E fica esperando)
(E as meninas ainda estão muito ocupadas soterrando o Felipe e o Luiz para prestar atenção no William-rabo-de-esquilo)
(William cria teias de aranha)
(Meninas ainda muito ocupadas com outras coisas)
Emy: (com a fera-bit no ombro porque ela não quis virar um pássaro estranho e ficar igual ao Felipe) Desista, William. Elas não vão vir aqui tão cedo.
Hehashiro: (azul igual ao Toshihiro e com dentes enormes e pontiagudos) Isso não é justo. Os Brasil Blade sempre roubam a atenção do off-talk! Eles já pararam de aparecer há tanto tempo...
Ayatá: (com o macaquinho de estimação no ombro porque ele não tem fera-bit) Por isso mesmo. Nós temos que manter a memória dos leitores viva. Temos que fazer com que eles se lembrem de nós!
Franklin: (Com uma grande juba de leão azul e roxa no lugar do cabelo e unhas bem grandes) Isso mesmo, puta que o pariu! O meu grnade time e essas outras merdas que também fazem parte dessa porra de história não podem ser esquecidos!
Christie: (com orelhinhas de felino muito charmosas e unhas e dentes grandes, mas muito bem-tratadas) Eles têm razão! Não podemos deixar que por causa de uma simples fatalidade que envolve nossos times não fazerem parte desse plotzinho insignificante que o James-san arrumou para fingir que tinha uma segunda fase para a história nos impeça de continuar fazendo sucesso em meio aos nossos maravilhosos, inteligentes magníficos fãs que gostam de nós e querem nos ver não importa o que aconteça! Os times abandonados pelo autor devem continuar reivindicando seu direito à existência! (Christie ruge como uma leoa)
Coro de beybladers que só aparecem na primeira fase:APOIADO!!!!! Ò.Ó
Shinji: (transformado que nem os companheiros de equipe dele ficaram na luta do capítulo retrasado) Tá, tá... A gente entendeu o que vocês querem e estamos dispostos a discutir esse assunto. (Beybladers que só aparecem na primeira fase farem cara feia pro Shinji) Agora... será que dá pra explicar porque estamos todos nós nos transformado neste off-talk?
Fenki: (Aparece do lado da Rumiko e faz ela pular tão alto de susto que bateu a cabeça no teto) James-sama decidiu que, como hoje é um dia especial que marca a volta dos off-talks e das atualizações regulares, ele vai deixar os leitores vislumbrarem o que vai acontecer com os beybladers assim que eles atingirem a sicronia máxima com suas feras-bit, uma vez que isso provavelmente não será possível fazer isso durante a história...
Rumiko: Ah, entendi! (Rumiko com a cara toda arrebentada por ter batido a cabeça no teto) Quer dizer que... que o céu tem estrelinhas bonitinhas... (Rumiko desmaia)
Fenki: MESTRA! MESTRA! ACORDE, MESTRA!! (Fenki fica sacudindo a Rumiko e fazendo ela bater a cabeça no chão sem querer) Oh, não, a minha mestra não quer acordar! Desse jeito eu vou ter que tomar medidas drásticas! Vejo vocês depois!
(O centauro põe a Rumiko nas costas e sai galopando off-talk afora)
Yoshiyuki: (Com um chifrinho bem bunitinho plantando no meio da testa e asas de penas brancas brotando das costas) Oh, não, agora que a Rumiko foi embora o que a gente vai fazer? XDD
Nathaliya: (daquele jeito que ela estava capítulo passado. Todo mundo leu o que aconteceu, eu não preciso explicar. As Frases Entre Parênteses estão ficando cansadas de ter que ficar descrevendo todo mundo que aparece. Isso é muito chato, sabia? Muito mais chato do que parece! Eu não fui paga pra ter que fazer isso! Não, peraí, o Jamie não me paga pelo meu trabalho! OH, MEU DEUS! EU TRABALHO DE GRAÇA! EU SOU UMA ESCRAVA EXPLORADA PELO AUTOR DA FIC! OH, MEU DEUS! OH, MEU DEUS!!!! )
Nathaliya: Olha, nada contra discursos de exploração, mas as Frases Entre Parênteses não deviam interromper a minha fala daquele jeito...
(Não interessa. Eu vou fazer greve até o Jamie resolver me pagar pelos meus serviços. Divirtam-se tendo que descrever vocês mesmos o que acontece! FUUUI!!)
Yoshiyuki: Erm... e com isso as Frases Entre Parênteses ergueram um cartazinho de "Estou em Greve!" e passou a ficar sentada perto do canto angst do off-talk! XDDD
Nathaliya: Então voltando para a o que eu queria dizer, eu dizer que a gente pode agora destruir a Terra e fazer propagandas bestas já que a Rumiko se mandou e o Jamie nem sequer deu as caras. ò.ó
Yoshiyuki: Erm... A Nathaliya se armou com um lança-chamas e uma caixinha preta com um botão vermelho no meio. XDDD
Cathy: Eu quero apertar esse botão! ò.ó
Yoshiyuki: Er.... E reparem que a Cathy tá com uma gravatinha borboleta e vestindo um terninho preto. XDD Acho que é o mais próximo que ela vai chegar de um pinguim... XDDD
Takashi: E agora a Nathaliya e a Cathy estão brigando para ver quem vai apertar o botão. XD
Yoshiyuki: E Ann, que ganhou orelhinhas redondas e fofinhas e um rabinho de pom-pom, aproveitou-se da briga entre as duas para roubar a caixinha preta! XDDD
Takashi: E... oh, não! Ela vai apertar! Ela vai apertar! Protejam-se!
Ann: Agora que estão todos abaixados e cobrindo as cabeças eu vou apertar esse lindo botãozinho vermelho e...
BUUUUUUUUUUUUMMMMMMM
Ann: Apertei!!! Estamos flutuando no espaço sideral!
Fenrochi: Não se esqueçam de checar no profile do Jamie-sama os e-mails dos nossos mestres! Eles estão esperando ansiosos pelas mensagens de seus fãs!
E agora nós vamos todos flutuar no espaço em rumo a lugar nenhum, ignorando completamente o fato de que não deveria haver oxigênio no espaço, portanto eu naõ deveria estar falando com vocês!
Bye bye!!!
E eu vou incendiar tuuuuudoo!!!
OWARI
