CAPÍTULO XLII
A BATALHA FINAL
- Bem vinda, Rumiko Higurashi, eu estava te esperando. Fiquei feliz em saber que o meu plano inclinado não te fez desistir de me enfrentar. Eu odiaria ser o único a não lutar...
E com isso os dois prepararam as beyblades.
- Pronta par lutar, Rumiko Higurashi?
- Quando você estiver! – Rumiko sorriu ao tirar Fenki do bolso e prepará-la para a luta. Depois de tudo que tinha visto, estava determinada e confiante na vitória. A energia da garota fez seu adversário erguer uma sobrancelha.
O chão de madeira se partiu em dois e foi aos poucos se afastando, revelando uma montanha cilíndrica com pequenos templos gregos espalhados por toda sua extensão que subiu até atingir a altura de Rumiko.
- Gostou da minha arena? – Perguntou Umeragi ao ver a cara espantada de Rumiko. – Esse é o Monte Olimpo, a morada dos Deuses regidos por Zeus. Nossas beyblades terão de conseguir chegar lá em cima antes de a verdadeira luta começar. Perde quem cair no chão primeiro. Preparada?
- Sim, com certeza!
- GO SHOOT!!
Fenki e a beyblade de Umeragi atingiram a base do Monte Olimpo ao mesmo tempo. A beyblade de Umeragi era dourada, completamente diferente da beyblade negra que enfrentara Koichi e Yoshiyuki há semanas atrás, e era mais rápida também. Em poucos segundos ela já estava grudada em Fenki e tentando derrubá-lo da montanha. Rumiko se segurou como pôde, desviando-se dos ataques mais fortes e revidando quando havia brechas para isso. A concentração de Rumiko estava deixando sua beyblade mais forte, ela só precisava achar o momento certo para começar a atacar para valer também.
A oportunidade veio quando a beyblade de Umeragi escorregou em uma parte enlameada da montanha. Rumiko atacou a beyblade dourada até as duas chegarem mais ou menos na metade da subida, cada ataque empurrando as beyblades um pouco mais para cima. Ao fim de suas potentes investidas, um pequeno pedaço do anel de ataque da beyblade de Umeragi quebrou e caiu no chão.
- Hum, nada mal. Você e Fenki não são um dupla ruim...
Umeragi não parecia preocupado com a destruição de sua beyblade ou com o fato de estar em desvantagem na luta. O garoto mantinha os olhos fixos em Rumiko, examinando cada detalhe de seu rosto, seus olhos, as rugas de concentração em sua testa, o dente que mordia o lábio. Seu comentário despertou uma reação quase atípica em Rumiko, que passou a encará-lo com o olhar em chamas:
- Já está de olho em Fenki, é? Eu sinto muito, mas você nunca vai tê-lo! Fenki nunca vai fazer parte da sua coleçãozinha boba!
- As minhas feras-bit não são apenas uma "coleçãozinha boba", Higurashi, elas são muito mais do que isso. Graças às feras-bit eu agora recuperei a liberdade que foi tirada de mim pela loucura da minha mãe.
A fala do garoto estava tão carregada de ressentimento e tristeza – embora Umeragi dificilmente admitisse ter esses sentimentos – que Rumiko pensou ter visto uma sombra negra cercando seu oponente, uma fina aura sinistra que o protegia do resto do mundo. Sua beyblade ganhou forçar e passou a revidar os ataques de Fenki até forçar o centauro a voltar para os pés da montanha. Foi por pouco que Rumiko não perdeu.
- Liberdade. Essa é a única coisa que eu desejo, a única coisa que eu preciso... – Sussurrou Umeragi. Ele aparentemente estava falando com ele mesmo, de cabeça baixa sem olhar para a luta, mas Rumiko também conseguia ouvi-lo em meio a som do choque de metal contra metal – Quero ser livre, eu vou ser livre. Não vou mais depender de ninguém para me locomover ou qualquer outra coisa...
Rumiko se lembrou das falas do Koichi do seu sonho. Ela realmente sabia como Umeragi deveria se sentir em uma cadeira de rodas, sabia como era ruim ser completamente dependente de outra pessoa até para as tarefas mais mundanas como subir ou descer uma escada e alcansar objetos em prateleiras altas. Ela também não via a hora de poder sair desta cadeira de rodas e voltar a sua vida normal. Quando a japonesa pensou em dizer alguma coisa sobre isso ao garoto, porém, uma onda de remorso fez com que ela mudasse de idéia. Seus sentimentos não podiam ser assim tão iguais, pois ela sabia que estaria livre da cadeira assim que suas pernas melhorassem, mas Umeragi não tinha nenhuma perspectiva de melhorar sozinho. Suas situações eram muito diferentes, apesar de conterem algumas similaridades.
Rumiko foi impedida de continuar apenas pensando sobre a luta quando a beyblade de Umeragi conseguiu se firmar em cima de Fenki. Rumiko pensou em usar o Ultimate Earthquake, mas mudou de idéia ao perceber que o ataque poderia destruir a arena. Ela precisava de um ataque novo, alguma coisa feita para atacar em superfícies verticais. Ela precisava da ajuda de Fenki para fazer isso, por isso a garota começou a se concentrar em sua fera-bit, tentanto passar para ela sua idéia e sua preocupação. Depois de ver o que os Kita no Ookami podiam fazer, ela tinha esperanças de que algo semelhante acontecesse com ela também.
'Fenki, eu preciso de você! Preciso que você ataque de um jeito diferente! Nós precisamos achar um jeito de ganhar essa luta'
Ao tentar se comunicar com o centauro, Rumiko não esperava que a arena, Umeragi e a sala com as grandes janelas fosse desaparecer e tudo fosse ficar tão escuro. Apesar de não conseguir enchergar nada, no entanto, Rumiko não estava com medo. Naquele escuro em especial a garota se sentia segura, diferente de quando estava em seu quarto no escuro em noites de tempestades e precisava chamar por Nathaliya a cada dez minutos para ter certeza de que a irmã ainda estava por perto e não havia sido engolida pelos monstros de baixo da cama. Não demorou muito e a figura do centauro que habitava sua beyblade surgiu diante dela, exibindo sua armadura de prata brilhante e seu arco-e-flecha de aspecto letal. Rumiko só podia ver os olhos de Fenki através de seu elmo, mas ficou satisfeita ao ver que esses olhos vermelhos pareciam felizes por vê-la.
'Eu vou fazer o que for preciso para derrotar a força das trevas, Mestra!' exclamou o centauro, ficando apenas em suas pernas traseiras para dar ênfase a sua fala.
'Nós precisamos de alguma coisa para derrubar a beyblade dourada sem nos derrubar ou destruir a montanha. Como nós estamos na terra, eu estava pensando se não dá pra fazer alguma coisa com a vantagem do terreno, mas eu não tenho muitas idéias...'
'Mestra, só o fato de você estar pensando em alguma coisa já é um grande avanço, deixe que eu cuido do resto!'
Rumiko pensou em ficar brava com Fenki por causa do comentário, mas seus lábios involuntariamente formaram um sorriso e ela acabou rindo ao invés de repreendê-lo. O centauro estava certo afinal.
'Você sabe o que fazer?'
'Claro que sei! Eu sou um herói! Heróis sempre sabem o que fazer na hora do sufoco!'
'Então tudo bem! Eu vou deixar isso em suas mãos, meu herói!'
Fenki fez uma reverência e o escuro novamente deu lugar à sala de Umeragi. Como se o tempo tivesse parado para que Rumiko pudesse conversar com sua fera-bit, as beyblades continuavam nas mesmas posições que a japonesa lembrava de ter visto antes de tudo ficar preto, e Umeragi não parecia ter percebido alguma mudança em sua atitude. As próximas ordens de Rumiko vieram de algum lugar bem no fundo de seu ser, como se alguém dentro dela lhe sussurrasse o que ela deveria gritar:
- Fenki, suba o mais alto que você puder! – Fenki obedeceu, subindo mais da metade do pequeno Monte Olimpo em poucos segundos. – Agora Fenki, Rock Slide!
Ao comando de Rumiko, pedras se materializaram no ar e caíram pelo monte. Enquanto a beyblade dourada se desviava dos obstáculos, Fenki continuou subindo e finalmente chegou ao topo da morada dos deuses.
- Eu consegui! É isso aí! – Rumiko fez o sinal de vitória com as mãos e deu um pulo consideravelmente alto no ar para comemorar esta pequena vitória. – A primeira parte da luta termina aqui! Obrigada, Fenki!
'De nada, Mestra, só estava fazendo o meu trabalho.'
- É, meus parabéns, Higurashi. Você é bem aquilo que eu imaginava que fosse encontrar. – Umeragi estava novamente prestando atenção na luta, não mais perdido em pensamentos. – Zeus, vamos lutar um pouco mais sério a partir de agora!
Rumiko estranhou o nome pelo qual seu adversário chamara a beyblade. Até onde ela sabia, o nome da fera-bit de Umeragi era Hades, não Zeus. Ao menos foi isso que Koichi lhes disse durante os treinos. Ela podia estar enganada, mas por via das dúvidas achou melhor perguntar:
- Zeus? A sua fera-bit tinha um outro nome antes, não tinha?
- Quando eu lutei contra Yuy, usei uma fera-bit diferente. Agora quem está na minha beyblade é Zeus, a fera-bit que pertencia a meu pai. Dela saíram Hades, Ares, Athena, Poseidon e Aphrodite em um processo parecido com que foi usado para criar as feras-bit dos Soldier of Russia através da fera-bit do meu "querido" rival. Agora o meu corvo está ocupado com outras funções, por isso não pude usá-lo na luta. Não que eu vá reclamar, afinal Zeus é a fera-bit suprema, a mais forte de todas.
Umeragi exibia um sorriso sinistro enquanto sua mão movia-se instintivamente para um lugar na base de sua coluna. Rumiko pela primeira vez percebeu que havia uma pequena caixa preta acoplada à roupa do garoto, e por ela saiam fios que estavam ligado à base de sua nuca. Provavelmente era a caixinha que de algum modo permitia que o garoto caminhasse, mas a japonesa não tinha a mínima idéia de como ela funcionava.
- Isso é o que veremos! – Respondeu Rumiko, mais uma vez contaminada pela energia de sua fera-bit. Ela podia ouvir Fenki gritando e xingando Umeragi de muitos nomes indescentes por causa de sua prepotência. – Fenki, hoje nós vamos vencer os deuses!
Os ataques em massa de Fenki recomeçaram. Zeus já havia alcançado o topo do monte, e o centauro passou a focar seus esforços em tentar derrubá-lo. Porém, ou o Fenki não tinha a mesma força que antes, ou o poder da beyblade de Umeragi havia aumentado consideravelmente, pois mesmo depois da nova enxurrada de ataques Zeus continuava no mesmo lugar, sem perder nem um centésimo de sua energia.
- Seus esforços são inúteis agora, Higurashi. Zeus está lutando pra valer, o poder que você tem agora não vai ser suficiente nem para arranhá-lo. Eu até te aconselharia a desistir agora, mas estou ansioso demais para te destriur para fazer isso.
'Mestra, ele tá tirando uma com a nossa cara! Como ousa subestimar a minha força? Vamos mostrar pra ele! Vamos ensinar uma lição a esse almofadinhas!'
- Inútil é tentar fazer eu desistir! Eu não vou mais voltar atrás em minhas decisões! Nós vamos continuar atacando até você cair!
Rumiko estava mesmo tomada pelo espírito de sua fera-bit. Ela sentia a energia do centauro fluindo dentro dela e isso lhe dava confiança. Umeragi percebeu que alguma coisa estava acontecendo com a adversária – o uso do pronome "nós" naquele tom era uma indicação um tanto óbvia – e sorriu satisfeito. Quanto mais alto Rumiko voasse, mais alta seria sua queda no fim.
Umeragi estava ficando cada vez mais excitado. Faltava pouco para que ele se tornasse o legítimo dono de Fenki, a fera-bit mais forte dos Taichi. O poder do centauro poderia ser o que faltava para que a lesão de sua coluna fosse curada por completo. A gargalhada vitoriosa do garoto ecoou por toda a sala, irritando ainda mais Fenki e Rumiko e fazendo com que eles atacassem ainda mais.
'Quem ri por último, ri melhor!'
- Atacar só por atacar não vai te levar a lugar nenhum, Higurashi. Se você quiser chegar a algum lugar precisa tomar o controle de tudo, pensar grande. Foi assim que eu cheguei até aqui.
- Você chegou até aqui passando por cima de outras pessoas, isso sim! – Fenki estava gritando dentro da mente de Rumiko também, mas dessa vez ela sentia que estava falando por ela mesma. – Você ignora os outros, só pensa em suas vontades, você não passa de um egoísta metido!
- Ah, Rumiko Higurashi, você é tão ingênua... Se tivesse passado por metade do que eu passei pra chegar aqui, duvido que ainda pensaria assim. Sua vida é tão fácil, seus pais fazem tudo por você, seus amigos estão sempre ao seu redor para te ajudar, você tem a liberdade para fazer o que quiser e ir aonde quiser. Nós somos muito diferentes, e essa diferença vai ser crucial para o desfecho desta luta. Zeus, ataque.
Com apenas um leve toque Fenki foi quase lançado para fora do monte, escapando por pouco de uma queda desastrosa. Rumiko tentou reagir, mas nenhuma de suas investidas teve sucesso. Umeragi continuou falando, cada vez mais satisfeito com os rumos da luta. Sua voz refletia seu senso de superioridade, ele falava como se estivesse explicando a matéria para seus companheiros de turma:
- Você nunca poderá me vencer, Higurashi. Existem coisas no meu passado que passam longe de seu pior pesadelo. Eles são o segredo da minha força, foram eles que me ensinaram a ser forte, que me deram a resistência que eu precisava para sobreviver. Meu poder não é nada que uma garotinha acomodada e feliz como você possa compreender.
- Se você acha isso mesmo, por que não me conta o que aconteceu com você então? – A pergunta de Rumiko pegou até mesmo Fenki de suspresa. O pouco que Umeragi já revelara de seu passado, em conjunto com a curiosidade natural da japonesa e as últimas horas que ela passara na cadeira de rodas, fizeram com que Rumiko ficasse interessada em saber o resto da história do garoto e como ele havia ficado paraplégico. Ela não tinha certeza se poderia fazer alguma coisa depois disso, ou mesmo se seria capaz de entender os sentimentos de seu oponente, mas sentia que essa era coisa que precisava ser feita. Fenki tentou protestar, alegando que compreender o vilão era coisa de molengas, e que ele precisava ser subjulgado antes de ser liberado para falar. Rumiko só o convenceu a ficar quieto e deixar que ela fizesse como queria quando ela argumentou que um pouco de coversa pararia a luta na arena e lhes daria tempo de recuperar um pouco de sua energia.
- Quer mesmo saber? – Umeragi ergueu uma sobrancelha ao ouvir o pedido, Rumiko confirmou com a cabeça. – Como quiser, mas eu vou avisando que não vou poupar nenhum detalhe, já que está me pedindo com tanta convicção. – Rumiko sentiu um frio na espinha e lembrou-se do alerta de Yuriy sobre Umeragi querer deprimi-la. Ela precisava ficar atenta para não deixar que isso acontecesse. – Já fazia algum tempo que eu tinha percebido que o relacionamento de meus pais já não era mais o mesmo. E enquanto vocês e seus amiguinhos se divertiam ganhando títulos pelo mundo no ano passado eu vi a minha mãe se tornar uma mulhar fria que xingava meu pai por qualquer coisa e vi meu pai se fechar mais e mais em seu trabalho. Ele nunca estava em casa, e a minha mãe não falava mais com ele e muito menos comigo.
Zeus atacou de surpresa enquanto Rumiko estava concentrada na história do rival. Fenki não caiu por pouco.
'Viu, Mestra, foi por isso que eu disse que era uma péssima idéia fazer o vilão falar. Ele agora tem pretextos para atacar de surpresa o tempo todo!'
'Então você presta atenção em Zeus enquanto eu escuto o Umeragi! Vamos trabalhar em equipe!'
'Por mim tudo bem!'
- Eu fingi que não estava percebendo o que estava acontecendo, a situação já estava ruim sem que eu me intrometesse, mas no dia 31 de dezembro eu ouvi uma discussão dos dois no quarto. Meu pai tinha um compromisso muito importante que não podia adiar, e minha mãe gritava com ele enquanto quebrava todos os objetos de decoração do quarto porque ele sempre trabalhava demais e se esquecia da gente. Foi então que ela finalmente pediu o divórcio. Meu pai explodiu, dizendo que essa era a única que ele não estava disposto a lhe dar. Ele disse que ele trabalhava tanto para que nós pudéssmos viver bem, e que sempre pensava em nós enquanto estava fechado em seu escritório. Os dois se xingaram e gritaram e minha mãe saiu furiosa do quarto e me viu do lado da porta. Claro que ela sabia que eu estava ouvindo tudo, mas ela não disse nada, apenas me convidou para dar uma volta, já que meu pai não poderia passar o ano novo com a gente de qualquer jeito.
Apesar de estar contando o que deveriam ser os piores momentos de sua vida, Umeragi sorria. Quem parecia cada vez mais aterrorizada era Rumiko, que a cada nova frase tentava imaginar onde a história ia terminar, ou como a história evoluiria até o fim que ela já conhecia. Umeragi parecia se divertir observando a adversária.
- Eu não quis recusar o convite, afinal minha mãe já estava irritada com meu pai, não queria que ela se irritasse comigo também. Eu era um bom filho, sabe? Fazia tudo para que meus pais ficassem orgulhosos de mim. Fazia tudo que eles queriam para deixá-los felizes. Tinha as melhores notas na escola, acompanhava os negócios de meu pai e saia com minha mãe quando ela ia fazer compras. Naquela noite minha mãe dispensou o motorista, sentou no banco do motorista e me colocou ao lado dela. Ela dirigiu até estarmos fora de Tóquio, nas montanhas, subindo cada vez mais alto em estradas cada vez mais tortuosas. Até que finalmente minha mãe parou o carro. Não havia ninguém por perto, tudo estava escuro. Ela olhos nos meus olhos, tocou meu rosto com suas duas mãos e me disse que era hora de se vingar do meu pai. Ela queria tirar dele tudo que ele mais amava. Você já percebeu, não é, Rumiko, que a coisa que o meu pais amava era a sua família.
Umeragi fez mais uma pausa, deixando que o efeito de suas palavras penetrasse fundo em sua adversária. Rumiko levou as mãos à boca quando entendeu o que estava por vir, e o sorriso do mestre de Zeus se alargou mais, embora seus olhos exibissem um brilho triste, o único sinal visível de que os eventos daquele dia ainda não haviam sido completamente superados.
- Então minha mãe beijou minha testa, deu a partida e atirou o carro contra a muralha de proteção da estrada. É interessante pensar que enquanto você e sua equipe venciam a luta de suas vidas e comemoravam a conquista do título mundial eu via e sentia o carro cair, bater contra árvores, capotar uma, duas, três, quatro vezes, até finalmente bater no chão e ficar parado de cabeça para baixo. Minha mãe já estava inconsciente, tinha sangue por toda a parte, mas eu continue acordado, eu vi, ouvi e senti tudo. Eu estava com as pernas presas no que ainda restava da parte da frente do carro, mas não sentia nenhuma dor. Neste momento eu percebi que alguma coisa estava errada. Eu não sei como eu fiz para sair do carro, ao menos esta lembraça o meu cérebro foi piedoso o suficiente para apagar. Eu não tinha como chamar ajuda, na hora pensei que teria que ficar ali para sempre, que morreria por causa da hemorragia antes que a ajuda pudesse chegar.
Rumiko parou de encarar o adversário, ela não conseguia ouvir uma história tão horrível saindo de lábios que sorriam. Umeragi entendeu o gesto como sinal de que ela não suportava mais ouvir o resto:
- O que foi? Se arrependeu de seu pedido? Sinto muito, Higurashi, mas eu sempre termino o que começo. Sabe como eu consegui chamar ajuda? Na verdade, ironicamente foi a minha mãe quem os chamou. Claro, ela não tinha como saber o que estava fazendo, já que estava desmaiada e coberta de sangue, mas ainda assim... Eu mal tinha chegado a uma distância segura do carro, me arrastando pelo chão já que as minhas pernas ensangüentadas não me obedeciam, e ele explodiu e começou a pegar fogo. Eu assisti de camarote o veículo e o corpo de minha mãe serem consumidos pelas chamas, e depois só consegui ver o helicóptero de resgate se aproximando antes de finalmente tirar um cochilo. A fumaça tinha chamado a ajuda, de certa maneira o último ato de minha mãe foi salvar o filho que ela tinha tentado matar. A vida é cheia de ironias e surpresas, não é mesmo?
Rumiko não conseguiu responder, ainda processando tudo que ouvira. Seus olhos estavam fixos em Fenki, mas o centauro não havia falado com ela depois da combinação. A japonesa achou que a história de Umeragi havia finalmente acabado, mas ele continuou falando:
- Eu passei quatro meses do hospital me recuperando. Foram quatro meses dependendo dos outros. Eu não podia nem sentar, pois precisava que os ossos quebrados na minha espinha se colassem novamente. Eu passei quatro meses encarando um teto branco e sem graça e pensando no que faria quando finalmente deixasse o hospital. Meu pai continuou trabalhando durante este tempo todo, e encontrou a solução para meus problemas um pouco antes de eu deixar o hospital. Não sei se você sabe, mas Ichirou Umeragi é um gênio da tecnologia. Foi ele quem idealizou este dispositivo movido a fera-bit que me permite caminhar. Com o poder de Hades, Takk, Takuki, Kufe e Kid Dragoon ele é capaz de substituir os nervos rompidos e de devolver a força aos meus músculos atrofiados, como se eu nunca tivesse parado de usá-los. E, quando Fenki passar a pertencer a mim, eu terei tanto poder em minhas mãos poderei em pouco tempo curar a lesão e voltar a ser como eu era antes.
Umeragi gargalhou, lembrando um cientista louco que acabara de acordar seu Franskstein. A gargalhada era de arrepiar a espinha, Rumiko trancou a respiração e só voltou a respirar normalmente quando seu adversário se calou.
'Agora sim ele está parecendo um verdadeiro vilão! Mestra, agora que você já sabe a história dele, nós podemos derrotá-lo, certo?'
'Nós vamos tentar, Fenki, vamos tentar.'
Rumiko não queria contar ao monstro sagrado, mas estava ficando um pouco desencorajada. Não tanto pelo enorme poder que Zeus demonstrava, mas porque, bem no fundo, se ela pensasse bem, os motivos de Umeragi para fazer o que estava fazendo eram compreensíveis. O garoto apostava nas feras-bit para voltar a andar, nada mais. Não era um vilão megalomaníco que queria dominar o mundo, apenas um menino triste que viu seu mundo desmoronar após um acidente de carro.
A japonesa foi forçada de volta para a luta quando Umeragi ordenou um novo ataque:
- Zeus, eu já falei demais, vamos acabar logo com essa luta. Thunderbolt!
Ao comando do garoto, uma nuvem cinza se formou acima das beyblades. Ela começou a brilhar e em seguida dezenas de raios caíram sobre Fenki, destruindo parte da arena com eles. Sua conexão com a fera-bit fez com que Rumiko também sentisse o choque, derrubando a cadeira de rodas e levando a garota ao chão. Com alguma dificuldade ela conseguiu se setar e se apoiar na cadeira caída. Na arena, Fenki estava oscilante, resistindo no limite de suas forças.
- Que tal esse ataque? Não se preocupe, ele foi apenas a entrada. – Rumiko arregalou os olhos, novamente alargando o sorriso malicioso de seu oponente. – Vamos agora para o prato principal, eu quero muito ver como você vai enfrentar os seus amigos.
A caixinha presa à cintura de Umeragi começou a brilhar, e aos poucos a forma fantasmagórica de um coala rosa e roxo foi saindo de lá e se juntando a Zeus na beyblade dourada.
- O que Takuki está fazendo aí? – Perguntou Rumiko ao ver a fera-bit de Ann – Você tinha dito que cada um de vocês tinha uma fera-bit e que todos deveríamos lutar para recuperá-las uma por uma! O que está acontecendo?
- Ah, Higurashi, você acha mesmo que eu poderia dar aos meus subordinados as únicas coisas que me mantêm caminhando? Os bit-chips que seus amigos praticamente se mataram pra conseguir eram apenas cópias de plástico muito parecidas com as verdadeiras, eu precisava de uma razão para fazê-los enfrentar o meu time, para deixar o caminho livre para que eu enfretasse você sozinho. Eu sempre quis enfrentar a campeã mundial, eu preciso do poder da fera-bit mais forte, afinal. As feras-bit verdadeiras estão todas comigo, como você pode ver.
Rumiko concordou com cada xingamento que Fenki dirigiu a Umeragi dentro de sua mente. O garoto havia enganado seus amigos e forçara-os a lutar por nada. Os sacrefícios de todos haviam sido inúteis no fim, tantas lutas apenas para recuperar pedaços de plástico sem valor. A revolta de mestra e fera-bit combinada fez com que pela primeria vez um ataque da beyblade negra quase tirasse a dourada do topo do monte.
- Oh, finalmente uma reação! Já estava na hora! – Umeragi parecia feliz como ataque de Fenki. Como sua fala revelou, o garoto já esperava por ele. – Agora a luta pode ter alguma emoção. Takuki, Broken Heart!
O coala que antes pertencera a Ann irrompeu da beyblade de Umeragi e atacou. Os corações cor de rosa explodiam assim que atingiam Fenki, formando uma nuvem de fumaça que impediu a visão da luta um tempo consideravelmente longo. Rumiko sabia que Fenki não havia desistido, afinal ela também havia sentido as explosões e ainda continuava forte. Uma forte dor abdominal fez a japonesa se curvar para frente. Takuki atacou de novo e a dor aumentou. Quando a poeira passou, Fenki estava cambaleando novamente, refletindo o estado de sua mestra.
'Droga, Ann! Eu preciso recuperar Takuki, eu não posso perder!'
Rumiko lembrou-se de Ann. Ela admirava a australiana não só por sua força, mas também por sua inteligência e capacidade de pensar durante a luta. Ann era uma inspiração para ela, de certa forma seu exato oposto. Apesar de ser a vice-líder, Ann era sem dúvida a mais forte do time, e sua líder psicológica. Takuki precisava voltar para sua mestra de direito.
'Mestra, eu estou me sentindo estranho! Eu não sei explicar, mas... Mestra, eu preciso atacar! Eu preciso atacar! Deixe-me atacar!'
Rumiko não pôde responder à fera-bit porque naquele momento ela também estava se sentindo estranha, e ela também tinha dificuldades em explicar o que estava sentindo. Ela estava diferente, sentia-se mais esperta e atenta, mais capaz de raciocinar com clareza e até de descobrir soluções para problemas muito difícies. A energia que a dominava era a energia do fogo, não mais da Terra. Foi sem querer, agindo por instinto, que ela atendeu ao pedido da fera-bit:
- Fenki, Turbilhão de Chamas!
As chamas do ataque de Flamelus irromperam da beyblade da terra e atingiram o alvo em cheio. Umeragi foi lançado para trás com a força do impacto e suas roupas ficaram levemente chamuscadas, mesmo assim ele não mostrou qualquer sinal de ter sido abalado pelo golpe. Seu sorriso sinistro não havia mudado.
- É, pelo visto Takuki não foi forte o suficiente, mas quem sabe o seu companheiro possa causar algum estrago? – Obedecendo a um comando mudo, o diabo da Tasmânia verde e azul foi o próximo a deixar a caixinha preta e entrar na beyblade dourada. Agora não mais surpresa, mas ainda revoltada, Rumiko decidiu não dar chances para a nova fera-bit atacar:
- Fenki, Investida!
Usar o ataque antigo do centauro foi uma estratégia que pegou Umeragi desprevenido. O garoto sabia tudo sobre as técnicas mais atuais de seu adversários, mas ignorara as mais antigas por pensar que elas seriam obrigatoriamente mais fracas. Seu erro quase lhe custou a luta, pois a beyblade dourada foi parar bem junto da borda do monte, separada de uma grande queda por um centímetro apenas. Para revidar, Takk usou o furacão dentada, colocando Fenki em uma fuga desesperada para fugir das mordidas. Para escapar, Rumiko pensou em utilizar o Ultimate Earthquake, mas se o ataque falhasse o campo de batalha se tornaria mais acidentado e fugir ou atacaria ficar mais difícil.
'Mestra, eu acho que...'
Rumiko teve uma idéia. Não uma idéia como as que normalmente tinha, ingênuas e inocentes e um pouco bestas, mas uma idéia completamente pirada, fora dos padrões, sem nenhum sentido lógico. O fogo que estava dentro dela tornou-se ainda mais forte enquanto os cabelos de sua nuca se arrepiavam e seu espírito de luta ganhava os céus:
- Fenki, Chuva de Meteoros!
Enormes bolas de fogo se formaram logo acima da beyblade negra. Elas foram jogadas diretamente contra o diabo da Tasmânia, que teve que interromper seu ataque para se defender. Em um primeiro momento, a beyblade dourada conseguiu se desviar dos meteoros, porém a chuva se tornava cada vez mais rápida e o número de meteoros lançados também aumentava, até que finalmente uma das bolas de fogo atingiu o alvo de raspão, diminuindo sua velocidade e liberando o campo para que outras centenas de meteoros acertassem o alvo. Quando a onda de ataques terminou, Umeragi estava ajoelhado no chão. Havia um pouco de sangue em sua boca e ele estava ofegante. Era a primeira vez que o garoto mostrava algum sinal de cançaso. O topo do Monte Olimpo estava parecido com a superfície da lua devido ao grande número de crateras ali formadas, e as duas beyblades continuavam na luta, ainda com muita energia para dar.
- Que tal esse ataque, hein? – Rumiko sentiu-se confiante para provocar o rival, usando um tom de voz que lembrava muito Ken. – Só mais um ataque e essa luta já era!
- Eu não teria tanta certeza se fosse você. – Umeragi se levantou enquanto um unicórnio lilás de aspecto fantasmagórico era adicionado a sua beyblade. Ceres. A mestra de Fenki estranhou a nova cor da fera-bit de Yoshiyuki, mas preferiu no momento se concentrar na luta, afinal de contas faziam apenas cinco meses que ela e o líder dos Soldier of Russia haviam se enfrentado valendo o título do campeonato mundial. Ceres era uma fera-bit forte, ela não podia subestimá-lo.
Lembranças da luta final contra o garotinho gênio inevitavelmente voltaram a sua mente, e a garota poderia ter dado um salto, caso as condições de seu corpo permitissem, quando uma idéia quase absurda, mas também, talvez, um tanto óbvia, começou a piscar com luzes de neon em sua mente. Era absurda porque Umeragi era seu inimigo, mas era óbvia porque era aquilo que ela queria fazer desde que ouvira a história e os motivos do garoto, mas ainda não tinha percebido. Rumiko queria ajudar Umeragi, a solução de vencer a luta e deixar o garoto ainda mais depressivo não era uma que lhe agradava. Se ela pudesse encontrar uma maneira de ajudá-lo, de fazer algo parecido com o que fizera com Yoshiyuki durante as finais mundiais, então tudo ficaria bem para todo mundo.
- Por que Ceres está tão pálido? – Perguntou ela, fazendo o maior esforço possível para não demonstrar nenhuma emoção em especial. – Por um acaso está com menos poder agora que está com você?
- Não, a fera-bit do bebê continua com o mesmo poder. Ela está assim porque eu reajo a ela de uma maneira diferente que o seu antigo mestre. O bebê usava sua felicidade irritante para dar energia à ela, porém eu a alimento com o poder de Hades, o poder das trevas que está dentro de mim. Eu poderia fazer você sentir este poder todo nesse exato instante, sabe? Ceres, Omocha no ame!
O ataque dos doces cadentes obrigou Fenki a recuar. O centauro foi atingido várias vezes, e Rumiko também sentiu as pequenas explosões, porém não era dor que acompanhava o impacto, mas sim uma escuridão fria injetada por cada doce como se estes fossem pequenas seringas. A sensação era muito ruim, agoniante, pesada. Rumiko precisava acabar com ela logo, mas só conseguiu pensar em um único plano para se defender:
- Isso que eu estou sentido agora... é você, não é? Você se sente assim o tempo todo, não é verdade?
- Eu estou te mostrando o que eu tenho guardado dentro de mim, Higurashi. O que você está achando da experiência? – Os ataques de Ceres continuavam, Rumiko ainda era atingida pelas bombas depressivas, por isso precisava ser rápida se quisesse continuar na luta ou mesmo proteger sua sanidade.
- Tudo isso por causa de uma cadeira? Por que te prenderam naquela cadeira e você não sabia mais o que fazer para se livrar dela? – Umeragi parou de sorrir por apenas um segundo, mas foi o suficiente para forçar Rumiko a continuar. – É realmente muito ruim ficar assim, é tão complicado fazer qualquer coisa, tudo dá tanto trabalho... Nós ficamos presos pra sempre a essa coisa, não podemos mais correr, não podemos mais caminhar, pular, jogar bola, fazer xixi... Nossa vida fica limitada se comparada com o que tínhamos antes, mas...
- Pára de falar como se você fosse que nem eu, Higurashi. Só porque esteve nessa cadeira até agora a pouco não significa que de uma hora pra outra você entenda tudo que eu sinto!
Umeragi falou exatamente o que Rumiko temia que ele dissesse, mas sua voz estava um pouco alterada, mais nervosa que o normal. Isso fez com que a mestra de Fenki insistisse:
- Eu fiquei aqui tempo o suficiente para perceber como é difícil. Eu vi esforço que o Koichi teve que fazer para que eu pudesse acompanhar os outros, fiquei me sentindo uma inútil por não ser capaz de andar com as minhas próprias pernas e ter que fazer ele de "motorista particular". Se eu estou assim há tão pouco tempo e não vejo a hora de voltar a caminhar, só posso imaginar como você deve ter se sentido, ainda mais porque no seu caso... bem, não é como se você pudesse voltar a caminhar sem a ajuda do seu dispositivo maluco, então...
- Ótimo, agora eu sei que alguém talvez tenha uma idéia mínima do que eu sinto. E daí? O que isso vai mudar na luta?
Os ataques de Ceres continuavam, o discurso de Rumiko não estava ajudando muito. Se ela ao menos tivesse o dom que seu amigo tinha para convencer multidões de seu ponto de vista, se ela ao menos fosse uma rival à altura dele como era Koichi...
A lembrança do líder dos Taichi trouxe literalmente uma nova brisa para a luta. A sensação de que não estava lutando sozinha, uma sensação que já a envolvera duas vezes durante a luta, mas que só agora ela conseguia entender, voltou a tomar conta dela. O poder do vento deu asas a Fenki, seus movimentos precisos e muito bem treinados conseguiram quebrar o ataque de Ceres e a chuva de doces cessou.
- Fenki, Final Storm!
A tempestade terminou de varrer os vestígios do ataque do unicórnio e novamente levou a beyblade de Umeragi bem próxima do abismo. A energia negativa que já havia penetrado na japonesa continuava lá, mas ela estava decidida a ignorá-la até que tudo que estivesse no coração de seu rival sumisse por completo.
- É, o bebê não serve nem pra acabar com você... – Foi o comentário de Umeragi, mostrando apenas uma pequena parte de seu descontentamento. – Mas tudo bem, afinal eu ainda tenho mais duas cartas na manga. Ao menos uma delas eu sei que vai servir para alguma coisa, nem que seja apenas para me dar uma vantagem de terreno...
A princípio Rumiko não entendeu o que seu oponente queria dizer com "vantagem de terreno", e a aparição de Kufe na luta não melhorou em nada sua situação.
- Kufe, Extreme Bite!
O ataque foi tão rápido que Rumiko não teve tempo nem de pensar. A piranha que antes pertencera a Hehashiro estava arrancando pedaços do anel de ataque de Fenki, o que era refletido nos pequenos rasgos abertos no uniforme da garota e nos pequenos cortes em suas pernas. Era preciso pensar em uma saída rápido, antes que sua beyblade se desintegrasse por completo. Infelizmente, por mais que Rumiko tentasse encontrar uma saída, nada lhe vinha em mente.
De repente, ao invés de ficar nervosa, Rumiko se acalmou. Se perdesse a calma, não poderia falar com Fenki, se não falasse com Fenki, não conseguiria vencer a luta.
'Fenki, resista. Só mais um pouco.'
'Eu não vou cair enquanto você ainda estiver de pé, Mestra!'
Rumiko estava calma até demais. Calma como água em uma lagoa, como o mar em dia de pouco vento. Para vencer a fera-bit de Hehashiro só havia uma saída, e depois de usar os ataques de Fenrochi, Flamelus e Fenhir, a japonesa não se surpreendeu quando seus lábios chamaram a técnica de Fenku também:
- Fenki, Ultra Tufão Submarino!
O ataque lançado pelo centauro da terra criou uma cachoeira que destruiu boa parte do Monte Olimpo, reduzindo seu tamanho pela metade e criando lama para dar e vender. Infelzmente Zeus havia conseguido se abrigar na parte da arena que pemanecia inteira.
- Parabéns por destruir a arena da luta, Higurashi. Agora eu finalmente conheci o que as pessoas chamam de "poder do amor". É realmente magnífico. – Rumiko corou com a referência ao seu namoro com Toshihiro, mas Umeragi continuou falando aparentemente alheio a isso. – Nós chegamos finalmente à útima fera-bit. Infelizmente para você, eu acho que não vai ser tão fácil derrotá-la desta vez...
'Mestra, o que está acontecendo com você?'
Rumiko sentiu seu coração bater mais forte quando Kid Dragoon surgiu e entrou para a beyblade dourada. Contra todos os conselhos de Koichi, Yuriy e de sua própria fera-bit, e também contra sua própria resolução de ajudar o garoto, Rumiko pela primeira vez sentiu raiva de Umeragi. Kid Dragoon representava a esperança da equipe de Shinji em conseguir se libertar da escravidão de quatro séculos, porém Umeragi a roubara para conseguir a sua própria liberdade. A situação era absurda, o egoísmo do mestre de Zeus se tornava tão óbvio e tão marcante que Rumiko sentiu-se tola por ter pensado em ajudá-lo antes. Por reter Kid Dragoon e forçá-lo a lutar, Umeragi destruia liberdade de muitas pessoas para dar a mesma liberdade a si mesmo. Naquele momento, para a mestra de Fenki isso era imperdoável.
- Alguma coisa em você está diferente, Higurashi, o que será que é? – A pergunta de Umeragi foi desnecessária, pois seu tom de voz deixava claro não só que ele sabia o que estava diferente, como isso o deixava muito contente. Sua última fala foi um sussurro que Rumiko não ouviu – Você está agindo exatamente como eu planejei.
- Eu não posso te perdoar por usar Kid Dragoon em uma luta! Não depois de tudo que você me disse e do que essa fera-bit representa! Eu vou te derrotar agora mesmo, custe o que custar!
'Mestra, assim eu não...'
- É que veremos, Kid Dragoon, Big Bang Impact!
- Fenki, Chama da Amizade!
Rumiko percebeu que alguma coisa estava errada quando o golpe de Kid Dragoon a atingiu em cheio, mas o seu ataque não teve efeito nenhum. Na verdade, ele não foi nem disparado. O lado da arena onde estava a japonesa foi praticamente todo destruído e ela foi jogada contra a parede. Fenki não havia reagido, por alguma razão centauro se recusara a atacar. Quando ela tentou perguntar o que estava errado, não conseguiu também ouvir a voz do monstro sagrado. Antes que ela pudesse sequer pensar sobre o que estava acontecendo, Umeragi chamou uma nova fera-bit e um novo ataque, decidido a acabar com a luta de uma vez por todas:
- Hades, Manto Negro da Morte!
A sala antes bem iluminada foi coberta pela escuridão. Não era mais possível ver a arena, as beyblades ou qualquer outra coisa, como se alguém tivesse apagado o sol e a lua e as estrelas não tivessem mais força para brilhar. Rumiko continuou sentada no chão apoiada na parede atrás de si, sem energia para se reerger e sem vontade de fazê-lo também. O escuro vinha também de dentro dela, por causa do ataque de Ceres a garota sentia as trevas dominando-a de fora para dentro e de dentro para fora, sem chance de escapar. Seu corpo estava pesado, dormente, e ela estava com frio, estava cansada. Seus olhos lutavam para se manter abertos e seus braços pareciam dois penduricários inúteis ao lado de seu corpo. Ela só queria dormir, dormir e esquecer...
- Seu fim está próximo, Higurashi. Mande notícias aos seus amigos no outro mundo!
Toshihiro:
OMG, o que ele vai fazer com a Rumiko? O.O''''' (Toshihiro vestido de preto com olhos do tamanho de pires)Ken: Rumiko! Rumiko! Você precisa resistir! Lute! Coragem! (Ken incorporando a Alice- animadora-de-torcida) ò.ó
Julian: É, você não pode deixar que o vilão da história vença e execute a sua própria justiça sobre as pessoas!
(Todo mundo pára e olha pro Julian ao perceber o conteúdo de suas falas)
Takashi: Hey, o que o Julian está fazendo aqui? E por que ele está torcendo pra Rumiko também?
Julian: Ué, eu não virei mocinho quando dei a cópia plástica do Kufe pra vocês? Eu acho que isso me dá o direito de torcer para a mocinha contra o meu ex-chefe. n.n'
Vladmir: É, ele tem razão. u.u
Yoshiyuki: E gente! XD Gente! XD Falando em cópias plásticas, CERES NÃO FOI DESTRUÍDO! XDDDDDDDDDDD CERES NÃO FOI DESTRUÍDO!! XDDDDDDDDDD
(Yoshiyuki saltitando por todo o cenário do off-talk de mãos dadas com uma versão chibi-fofinha de sua fera-bit)
Shinji: É, não foi destruída, mas aparentemente foi a responsável por encher a Rumiko de energias negativas. Isso não é nada bom. o.o'
Yoshiyuki: (Pára de pular e joga Ceres longe) OH, NÃO! D: CERES, COMO SE ATREVE A FAZER UMA COISA DESSAS? DDDDDDD: POR QUE LOGO VOCÊ? DDDDD: (Yoshiyuki sai correndo até não ser mais visível no off-talk)
Isaac: Coitado do Yoshiyuki, agora que tinha finalmente recuperado a fera-bit... n.x
Ceres: (Aparecendo no meio de todo mundo e fazendo pose de monstrinho importante) E mais uma vez os personagens precisam ser lembrados de que essa história aconteceu a mais de cinco anos e portanto meu Mestre não tinha acabado de me recuperar ao sair correndo feito uma criança chorona e fofinha. Em outras palavras, não tenham pena no meu mestre, ele só está fingindo estar decepcionado para ficar ainda mais fofinha aos olhos dos leitores e com isso ganhar mais chocolates. ^^~
Coro de beybladers: Aaaahhh! (caras de quem entenderam o grande mistério do universo)
Fenki: (O primeiro a se recuperar da sensação de ter desvendado o grande mistério do universo) Hey, gente! Alguém aqui além de mim é a favor de terminar logo o off-talk pra gente poder ir logo pro grande desfecho da grande luta emocionante dos grandes heróis da história?
Toshihiro: Ah, mas isso seria...
Nathaliya: É, por que não? Aposto que os fãs estão loucos pra saber como a luta da minha irmãzinha termina...
Franklin: Vamos terminar com essa porra de uma vez, assim eu não preciso ficar mais tanto tempo exposto às idiotices de vocês. ¬¬'' (Franklin sentado tomando café em uma poltrona de couro muito xique)
Yuriy: Vamos logo com isso, eu e Jing temos coisas mais interessantes pra fazer! (agarrado à namorada com cara de muitos poucos amigos)
Todos: Isso! Termina!
Fenki: Então já que todos concordam comigo, eu declaro que este off-talk está oficialmente encer...
Voz Misteriosa: ALTO LÁ!! (Vulto aparece escalando uma das paredes do off-talk)
Ken: (olhando para o vulto e percebendo sua deficiência de hormônio do crescimento) "Alto" não, você é bem baixinho! 8DD
(Insira aqui gargalhadas bestas de programas humorísticos)
(Insira aqui beybladers rindo depois das gargalhadas bestas de programas humorísticos)
Voz Misteriosa: Hey, isso é golpe baixo! Só porque eu continuo mais baixinho do que o Cristiano isso não quer dizer que eu seja tão baixinho assim! Eu não sou o Takashi! ò.ó
Takashi: Hey! Isso é traição! Eu achei que nós baixinhos fôssemos unidos contra os altões! ò.ó
Voz Misteriosa: A lei da selva é cada um por si! Um por todos e todos por um é coisa da burgesia urbana que perdeu o contato com a natureza!
Takashi: Você é um ser despresível, sabia? ò.ó (apontando pra Voz Misteriosa com cara de mau)
Voz Misteriosa: Não, eu sou o aniversariante do dia! Alguém que não aparece na história faz tanto tempo que eu duvido que os leitores ainda lembrem de mim... T.T
Felipe: Se seu fosse você, não subestimava os leitores, eles são capazes de lembrar de bastate coisas... o.o'
(Beybladers parados imaginando que tipos de coisas os leitores podem lembrar sobre eles de que talvez nem eles mesmos se lembrem)
(Felipe parado pensando na fic de melhor casal que tecnicamente nem aconteceu ainda, mas já o deixa vestido de tomate)
Felipe: (desesperado pra mudar de assunto antes que os fãs se lembrem de tudo que acontece na maldita fic de melhor casal) Ah, e já que eu estou aqui... O BRASIL ESTÁ NA COPA!!! O BRASIL ESTÁ NA COPA!!!!
Franklin: Grande coisa, a Inglaterra também! Puta que o pariu! ¬¬''
James: O que significa que aqui na Escócia a população vai torcer para todos os outros 31 times restantes... XDDDDDDDDDDDDDDDDD
Franklin: Azar o deles, não tenho culpa se os filhos da puta foram tão incompetentes a ponto de serem eliminados. ¬¬'
David: E a copa vai ser na África do Sul! Nós vamos todos assistir juntos, não vamos, The Strongest? (David abraçando todos os companheiros de equipe mais a Lhana)
Hehashiro: Se o meu chefe, cujo o nome eu não posso dizer por ser um terrível spoiler, ainda mais nessa altura do campeonato, autorizar, pode contar comigo!
Chefe do Hehashiro (ahahaha, não vou dizer o nome dele e estragar a surpresa!): Por mim tudo bem, contanto que depois você compense tudo em horas extras durante as férias de verão... (olhar malvado de vilão dos filmes da Disney)
Hehashiro: Gulp! Sim, chefe!
(The Strongest arrumando as malas para ir ver todos os jogos da copa)
Felipe: Ahahhaaha, aposto que eu vou ir pra copa também! O Dunga me adora, afinal...
Luiz: Você não vai ser o único! Julio César pode ser o melhor goleiro do mundo, mas isso é só porque ele tem um pouquinho mais de experiência do que eu! Eu vou pra copa nem que a vaca tussa canivete! ò.ó
Voz Misteriosa: Hehe, alguém está motivado...
Luiz: E tu não vai mostrar a cara? O.õ
Voz Misteriosa: Não. Vou esperar pra ver se os leitores sabem quem é o aniversariante do dia de hoje. Se eles não souberem eu vou ficar profundamente depressivo e me isolar mais ainda da civilização. Se eles souberem eu vou ficar bem feliz e comemorar bastante. n.n
Cristiano: A gente pode comemorar com você?
Voz Misteriosa: Claro, mas só se os leitores se lembrarem de mim e só se você ficar o tempo todo abaixado. u.ú
Cristiano: Por mim tudo bem... n.n''
Carlos: Oh, xenti, pra que comemorá tanto... vamu durmi que é meió pra todo mundo... (Carlos dormindo em uma rede que apareceu do nada)
Yoshiyuki: (Aparece do nada também) ENTÃO É FESTA!!! XDDDDDDDDDDDD
Felipe: Eu, hein, de onde o moleque surgiu? Ele não tinha saído correndo antes?
Yoshiyuki: É que eu resolvi voltar porque hoje tem alguém de aniversário. Aniversáiro significa festa e festa significa BOLO DE CHOCOLATE!!!! XDDD
(Bolo de chocolate gigante cai do céu na frente do Yoshiyuki)
(Yoshiyuki come todo o bolo de chocolate antes que a Voz Misteriosa pudesse chegar perto do bolo e que os beybladers pudessem cantar parabéns)
Voz Misteriosa: Meu bolo! T.T
Yoshiyuki: Huuuuuuum!!! XDDD (cara toda suja de chocolate)
Voz Misteriosa: Assim não dá! Fiquei sem bolo! Agora eu tô revoltado! ò.ó
Eu vou usar os meus poderes de aniversariante para destruir o mundo! E pra isso vou usar esta caixinha preta aqui! (Voz Misteriosa pega uma caixinha preta do nada e ergue no ar como se fosse o Simba no Rei Leão)
Umeragi: Mas essa caixinha é...
(Voz Misteriosa aperta um botão na caixinha)
(Beybladers se protegem esperando uma grande explosão)
(Explosão não acontece)
(Voz Misteriosa fica puta porque a explosão falhou e começa a apertar o botão vermelho repetidas vezes)
(Voz Misteriosa cai pra trás e é nocauteada quando um bando de feras-bit sai da caixinha e passa por cima dele rumo à liberdade)
Umeragi: Eu ia dizer que essa era a minha caixinha, mas ele não me deu tempo... (sorrisinho cínico de quem está com muuuuuuuuita pena da Voz Misteriosa nocauteada)
Rumiko: Então pode deixar que eu pego a verdadeira! ;D (Rumiko com outra caixinha preta na mão) Não se esqueçam de aparecer por aqui na quarta ou quinta dessa semana para ver o final da minha incrível batalha! E não se esqueçam de desejar feliz aniversário para a Voz Misteriosa, seja ela quem for! E agora a gente vai embora porque o Jamie tem muito trabalho pra fazer e muito pouco disponível! E ainda está com Jetleg!
Por hoje é só, pessoal!
(Rumiko aperta o botão vermelho na caixinha preta)
(Grande explosão destrói o mundo)
(Rumiko sorri vagando no espaço com um capacete de astronauta)
(Fenki sorri trotando pelo espaço sem capacete porque ele é um monstro sagrado e por isso pode fazer coisas que seres humanos jamais poderiam, como respirar no vácuo)
Fenki: Não, eu respiro no vácuo porque eu sou o herói da história, e os heróis da história sempre fazem coisas impossíveis! XD
(Ok, então)
(Ignorando que o herói da história estava não apenas respirando como também falando no vácuo e sendo ouvido, nós agora oficialmente terminamos o off-talk para que todos possam aproveitar de forma mais proveitosa esse resto de tarde do dia 20 de setembro)
(Bye, bye!)
OWARI
