Beetlejuice, Beetlejuice, Beetlejuice.


Chapter two.

Um garoto no meu espelho.

BellaPOV.

Eu decidi esquecer o incidente na livraria esquisita. É incrível como a mente humana insiste em simplesmente ignorar qualquer coisa que não podemos explicar. Como a existência de fantasmas, por exemplo. Foi por isso que, quando cheguei em casa, eu resolvi me distrair. Fui direto até a cozinha, pegando uma tigela. Abri a geladeira e procurei os morangos que tinha comprado há alguns dias. Achei-os perto do leite. Lavei os morangos e os despejei na tigela. Mordendo um morango, eu subi para o meu quarto, mais do que pronta para ler aquele livro estranho.

Empurrei a porta com o pé, coloquei a tigela na cama e tirei o livro da minha mochila, jogando-a no canto do quarto. Deitei na minha cama, de barriga para baixo, e comecei a folhea-lo. Examinei, primeiro, as figuras. Eram fotos de uma cidade. Ou, pelo menos, era o que parecia. Mas o que me chamou mais a atenção foram as cores. Os prédios, que já eram bem esquisitos, eram pintados de vermelho vivo, ou roxo, ou até azul. E eram cobertos de desenhos de aranhas ou morcegos.

Passei algumas páginas. Havia a foto de uma casa, pintada de um laranja desbotado, com morcegos vermelhos e aranhas pretas. Embaixo, a descrição.

– "A moradia do famoso Beetlejuice, que adora pregar peças nos outros, especialmente nos humanos."

Franzi o cenho. Ouvi uma risadinha baixa e me virei, tentando achar a fonte do tal som. Não encontrei ninguém. Voltei a minha leitura. Depois de passar os olhos rapidamente pela página, achei algo interessante.

Leia em voz alta.

Mordi o lábio. Da última vez que eu li desse livro em voz alta, uma coisa estranha aconteceu. Mas, de novo, as luzes só piscaram. Provavelmente faziam aquilo o tempo todo. O prédio era velho, de qualquer forma.

Respirei fundo e comecei a ler.

– "Though I know I should be weary, still I venture someplace scary. Ghostly haunting I turn loose, Beetlejuice, Beetlejuice..."

– Se eu fosse você, – Disse uma voz que eu não reconhecia – não terminaria essa frase.

Eu congelei. Virei minha cabeça lentamente. Ali, no espelho, havia um garoto. Bem, ele não era exatamente um garoto. Estava mais pra um deus grego. Ele tinha cabelos bagunçados, cor de bronze, pele pálida e olhos de um verde vivo. Ele mantinha um sorriso torto nos lábios avermelhados.

Sem pensar, eu me virei. Não havia ninguém ali para estar refletindo no espelho. Isso queria dizer que... Ele estava dentro do meu espelho.

– Ah, que ótimo. – Eu exclamei, irritada. – Eu enlouqueci.

De novo, a risadinha baixa dele encheu meus ouvidos.

– Não se preocupe, babes. Você não enlouqueceu.

– Bella.

– Perdão?

Eu o encarei, ainda incrédula.

– Você me chamou de babes. Meu nome é Bella.

Ele me mandou um daqueles sorrisos dignos daqueles modelos de cueca.

– Bella. – Ele repetiu de um jeito estranho, como se saboreasse a palavra.

– Você... Está dentro do meu espelho. – Eu acusei.

– Eu sairia daqui, babes, mas, pra isso, você tem que falar meu nome três vezes.

Fiquei em silêncio.

– E então? – Perguntou ele.

– E então o que?

– Não vai me tirar daqui?

– Eu acho que não.

Ele franziu o cenho, como se não entendesse.

– Por quê não?

– Porque eu não faço idéia de quem você seja e...

– Beetlejuice. – Interrompeu ele.

– Perdão?

Ele sorriu, como se tivesse ouvido uma piada.

– Meu nome é Beetlejuice.

– Beetlejuice? – Perguntei.

– É.

– Ninguém pode se chamar Beetlejuice. – Acusei, dando um passo pra trás.

– E por quê não, senhorita sabe-tudo?

– Porque Beetlejuice não é um nome.

Ele sorriu como se o natal tivesse chegado mais cedo e, antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, ele sumiu. Dei um passo para frente, procurando-o no espelho. De repente, dois braços circularam minha cintura e senti lábios encostarem levemente na minha orelha.

– Disse meu nome três vezes, babes.

A voz musical dele, junto ao seu hálito quente, me deu arrepios. Respirei fundo.

– O que está fazendo?

Ele riu baixinho de novo. Percebi que eu gostava da risada dele mais do que devia.

– Não se preocupe, babes. Eu nunca te machucaria.

Então, ele me soltou e caminhou até a janela do meu quarto. Parou lá, observando a rua.

– O mundo mudou bastante desde que eu era vivo. – Ele disse em voz baixa.

– Você... Você está morto?

Ele olhou para os pés e assentiu lentamente. Beetlejuice olhou para mim novamente.

– Isso te incomoda?

Eu balancei a cabeça e percebi, surpresa, que estava mesmo falando a verdade. O fato de ele estar morto realmente não me incomodara.

– Então, você é um fantasma?

Ele riu e balançou a cabeça de um lado para o outro lentamente, como se estivesse pesando a palavra que eu usara.

– Você poderia dizer que sim.

– De onde você veio? – Soltei, de repente. Eu estava curiosa. Uma curiosidade que eu não sentia há muito tempo.

Ele sorriu para mim, caminhando até onde eu estava parada. Ele pegou minhas mãos. Senti uma corrente elétrica subir pelo meu braço. Eu era incapaz de olhar para ele.

– "Though I know I should be weary..." – Ele começou. Levantei minha cabeça lentamente. Ele fez sinal para que eu continuasse.

– "Though I know I should be weary, still I venture someplace scary. Ghostly hauting I turn loose, Beetlejuice, Beetlejuice, Beetlejuice."

– Feche os olhos, babes. – Eu fiz o que ele me pediu. Senti seus braços circularem, pela segunda vez no dia, minha cintura e encostei minha cabeça em seu peitoral. Era como se um redemoinho estivesse nos puxando.

Segundos se passaram e eu continuava abraçada a ele. Ele riu, dessa vez mais alto. Seu peitoral tremeu.

– Bem vinda a Lugar Nenhum, babes.

E, quando eu abri os olhos, tive que gritar o mais alto possível.


N/A: Obrigada a todos que comentaram. Fico feliz que estejam animados com a história. Vou começar a escrever o próximo capítulo hoje. Sei que prometi um POV do Edward, mas não deu certo. Ele daria informação demais e eu queria que vocês descobrissem Lugar Nenhum do ponto de vista da Bella. Espero que tenham gostado.

Próximo capítulo: Conhecendo Lugar Nenhum.

Mande uma review e faça o Edward feliz! E a autora também.